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FISGAS DE ERMELO

Sábado, 01.10.16

A Cascata das Fisgas de Ermelo é uma queda de água ou cascata localizada junto à União de Freguesias de Ermelo e Pardelhas, concelho de Mondim de Basto, distrito de Vila Real, em Portugal.

Esta cascata é uma das maiores quedas de água do país e uma das maiores da Europa fora da Escandinávia e dos Alpes, não se precipitando num único salto vertical: fá-lo em vários saltos, ao atravessar progressivamente uma grande barreira de quartzitos, num profundo socalco. As suas águas separam as zonas graníticas das zonas xistosas das terras envolventes.

O desnível desta cascata, apresenta cerca de 200 metros de extensão cavados pelas águas calmas, mas perseverantes do rio Olo que nasce no Parque Natural do Alvão.

Antes do início das quedas de água existe, a montante, um grupo de lagoas de águas cristalinas muitos usadas nas épocas de veraneio, como excelente e muito procurada praia fluvial.

O acesso à Cascata de Fisgas do Ermelo pode ser feito pelas estradas florestais que ligam Lamas de Olo à localidade de Ermelo ou a partir de Mondim de Basto e Vila Real através da estrada EN304 junto à aldeia de Ermelo e à ponte sobre o rio Olo. As Fisgas de Ermelo constituem, inequivocamente, o local mais emblemático de quantos existem na área protegida Parque Natural do Alvão. Trata-se de uma das maiores quedas de água da Europa, com um desnível de cerca de 400 metros, assentes em rochas quartzíticas com aproximadamente quinhentos milhões de anos. Foi a fracturação, resultante da junção das placas de antigos continentes, destas rochas duras que permitiu que o Rio Olo nelas se tenha “enfisgado”, dando origem ao nome popular pelo qual é conhecida a mais bela cascata do território continental português.

É um local que possui um elevado valor científico, didático e patrimonial, tendo associada uma notável vocação turística, na vertente Turismo de Natureza. A presença de marcas fósseis nestas rochas, deixadas por organismos marinhos já extintos, podem também ser vistas como uma espécie de “ilustração” de tempos distantes, em que a vida só existia no mar, por contraponto à biodiversidade excecional conhecida atualmente nesta área protegida.

A beleza singular e selvagem das Fisgas de Ermelo atrai dezenas de milhares de visitantes todos os anos, que daqui saem com todos os sentidos despertos e com o desejo e a promessa de voltarem muitas outras vezes. Dispersos nas encostas ainda se podem observar inúmeras cabras e carneiros selvagens. Integrado na mesma área existe o trilho das Fisgas, com a designação de PR3 – Fisgas de Ermelo. O seu percurso permite conhecer um pouco da bonita Serra do Alvão e, consequentemente, uma das suas paisagens emblemáticas, as Quedas de Água de Fisgas de Ermelo. A aldeia de Ermelo, onde tem início o trek, é facilmente acessível a partir da vila de Mondim de Basto. O Trilho das Fisgas de Ermelo é uma autêntica descoberta da alma do Alvão. O trilho atravessa uma série de paisagens verdadeiramente surpreendentes que permitem mais uma vez confirmar aquilo que nós há muito desconfiávamos: Portugal é mesmo um dos países mais bonitos do mundo.

 

NB – Dados retirados da Internet

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NO DIA EM QUE O CÉU LHE CAIU EM CIMA

Quinta-feira, 29.09.16

 

(POEMA DE ANÍBAL RAPOSO)

 

No dia em que o céu se escaqueirou e lhe caiu em cima

Estava estranhamente calmo.

 

Conta quem viu que até gracejou

Enquanto assinava, como um sonâmbulo,

A sentença que ordenava o seu desterro.

 

Meia hora mais tarde,

A um canto da ilha,

Desceu às profundezas da cratera.

 

Contam os pássaros, suas almas gémeas

E guardiães das memórias da Lagoa Verde,

Que nem nos tempos em que a montanha explodiu em terríveis cataclismos

Se ouviram, como nessa hora, na Baía do Silêncio

Gritos mais roucos, soluços mais telúricos.

E que não consta que tenham caído vez alguma

Na superfície daquelas quietas águas

Lágrimas com tal teor de sal.

 

 

Contam, também,

Que, ali mesmo, jurou

Que, enquanto vivo fosse,

Nenhuma ave, a quem tivesse ferido por descuido,

Deixaria, alguma vez, por culpa sua,

De ter o ensejo de experimentar o golpe de asa

E de voar, em azul e plena liberdade.

 

Aníbal Raposo, 2003-05-30

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AS PRIMEIRAS DEZ CASAS DA ASSOMADA NOS FINAIS DO SEC. XIX

Quarta-feira, 28.09.16

No final do século XIX, mais concretamente entre 1860 e 1900 nas primeiras dez casas que existiam no cimo da Assomada, a maior rua da nova freguesia denominada de Fajã Grande e que detinha ao todo 78 moradias, viviam as seguintes famílias:

A primeira casa pertencia a Manuel Inácio Rodrigues, filho de José Inácio Rodrigues e Ana Maria. Manuel Inácio Rodrigues casou a 1ª vez com Ana de Jesus, ainda na igreja paroquial da Fajãzinha, em vinte e um de agosto de 1843. Depois de viuvar, casou uma 2ª vez, ainda na Fajãzinha, uma vez que só no ano seguinte se realizariam os primeiros casamentos na igreja de São José da Fajã Grande, em quatro de setembro de 1860, com Maria de Jesus de Freitas filha de Manuel Coelho e de Maria de Freitas. Manuel Inácio rodrigues faleceu em seis de Junho de 1883 e a sua mulher Maria de Jesus faleceu cinco anos depois, no dia treze de fevereiro com 57 anos de idade. Consta que deste segundo casamento, Manuel Inácio Rodrigues não teve filhos.

A segunda casa pertencia a Francisco de Freitas Valadão casado com Maria Lourenço. Deste casal apenas se sabe que em vinte e quatro de abril de 1874 lhe faleceu um filho de nome António, apenas com sete anos. Por sua vez na casa vizinha morava António Joaquim Rodrigues que faleceu, com 49 anos de idade. Era casado com Carolina Rodrigues Nunes, natural da Ribeira do Nabo, ilha de S. Jorge, de quem tinha um filho. No entanto em vinte e dois de Julho de 1899 faleceu-lhes um outro filho de nome Jesuíno com apena um mês de vida. Este casal, porém terá vivido algum tempo na rua da Fontinha e depois do marido falecer Carolina foi viver para a rua das Courelas. Não voltou a casar, mas em seis de junho de 1900, teve duas meninas gémeas, tendo uma delas falecido após o parto e a outra, um mês depois.

Na quarta casa da Assomada vivia José António de Freitas filho de António José de Freitas e de Maria Jesus de Freitas. Casou, em um de outubro de 1889 na igreja da Fajã, com Maria Fragueiro de Freitas, filha de António José Jorge e Ana Fragueiro de Jesus. Este senhor faleceu com cinquenta e dois anos, em 23 de agosto de 1902 e deixou vários filhos.

Na casa número cinco vivia sozinho Manuel Rodrigues Coelho, filho de António Rodrigues Coelho e de Ana de Freitas, viúvo de Ana de Freitas. Faleceu em vinte e quatro de setembro de 1879, com 74 anos de idade.

Mais numerosa era a família da casa número seis. Nela vivia Francisco Rodrigues Coelho, filho de José Rodrigues Coelho e Maria de Jesus. Casou na igreja de São José da Fajã Grande, em oito de julho de 1880, com Maria Emília Fernandes do Coração de Jesus, filha de Manuel de Freitas Fernandes e de Policena Emília do Coração de Jesus. Este casal teve muitos filhos, quatro dos quais faleceram. Em janeiro de 1901 faleceu a filha Maria com dezoito dias. No ano seguinte faleceram os gémeos Maria e Francisco de 5 meses e em vinte e quatro de agosto de 1906 faleceu o filho João também com apenas 5 meses de idade.

Na sétima casa da Assomada vivia Manuel Rodrigues Machado filho de pai incógnito e Maria de Jesus. Era casado com Mariana Isabel de Freitas filha de Manuel de Fraga Trigueiro e de Catarina de Freitas. Casaram na igreja da Fajã em três de julho de 1873, sendo a nubente viúva de João de Freitas Lagos. Manuel Rodrigues faleceu em vinte e um de agosto de 1894.

Na oitava casa vivia André Severino de Avelar, casado com Iria Severina de Avelar, filha de António de Freitas Pimentel e de Ana da Conceição Pimentel. Ela faleceu em dezasseis de janeiro de 1897. Este casal não tinha filhos

Na casa nove morava o casal Manuel de Fraga Trigueiro e Catarina de Freitas. Deixaram uma filha solteira de nome Ana Ferreira, que faleceu em vinte e seis de outubro de 1904 com 77 anos de idade.

Na última das dez primeiras casas da Assomada morava Luciano Furtado Gonçalves filho de Manuel Furtado Gonçalves e de Maria Claudina do Sacramento. Morava com a esposa, Ana Gonçalves da Silveira, com quem havia casado em cinco de maio 1875, na paroquial da Fajã Grande. Ela era filha de António Joaquim da Silveira e Maria de Jesus. Luciano Furtado Gonçalves faleceu em vinte e quatro de março de 1905 com 63 anos. Não deixou filhos.

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UM QUARTO PARA O MEIO-DIA

Terça-feira, 27.09.16

O Dr. Valadão Júnior era um dos mais ilustres e conceituados advogados da cidade de Angra e da ilha Terceira. Além disso distinguira-se como político e intelectual tendo exercido entre outras funções, as de secretário do governo civil e de governador civil interino do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo. Era estimado e respeitado por todos os angrenses. A sua simplicidade e humildade granjeara-lhe a simpatia de toda a população da ilha Terceira. A sua sabedoria e excelência profissionais haviam-lhe obtido a fama de advogado brilhante, com larga clientela nas comarcas de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. Além disso ainda mais angariou a admiração e o apreço do povo quando, apesar do seu posicionamento no campo conservador, apoiou a opinião popular a favor da independência secular das irmandades do Divino Espírito Santo contra a vontade da hierarquia da Igreja Católica, liderada pelo então bispo D. Manuel Afonso de Carvalho, de assumir o seu controlo e de impor regras ao seu funcionamento. Era também conhecido pelo seu ar graçola, com observações imediatas e pertinentes plenas de jocosidade.

Conta-se que certo dia, ao subir a rua da Sé, na direção do Alto das Covas foi literalmente abalroado por um polícia fardado que descia a rua, em sentido contrário. Ao aperceber-se da incauta atitude do agente da autoridade, reprendeu-o, dizendo-lhe:

- Ó senhor guarda, tenha mais cuidado. Então anda na rua a estorvar nas pessoas…

O polícia, muito aflito, desfazendo-se em desculpas esclareceu:

- Senhor Doutor… É que eu ia a correr atrás de um miúdo que me insultou…

- Então, o que lhe disse o miúdo, que tanto o faz correr?

- Senhor Doutor… Eu estava ali parado em frente à Sé. O garoto aproximou-se e perguntou-me as horas. Eu disse-lhe que tinha ali um relógio, que olhasse e visse. Mas ele disse-me que não sabia ler as horas. – Fez uma pausa e continuou. – Então eu disse-lhe que faltava um quarto para o meio-dia… E sabe o que ele me disse, Senhor Doutor?

- Não, homem. Claro que não sei. Diga lá o que lhe disse o garoto.

- Ele disse-me, com licença da palavra, que ia cagar e que quando fosse meio-dia eu ia comer… Está a ver, Senhor Doutor…

O Doutor Valadão levantou o braço esquerdo, olhou o relógio de pulso e com a maior calma do mundo, retorquiu:

- Ó senhor Guarda pode ir mais devagar… É que ainda faltam dez minutos.

 

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FREI COMILÃO

Segunda-feira, 26.09.16

Conta-se que antigamente vivia na ilha das Flores um frade que percorria toda ilha, saltando de freguesia para freguesia, de lugar para lugar, com a denodada intenção de pregar a palavra de Deus e rezar pelos fiéis da localidade em que se encontrava, fosse ela uma das vilas ou um pequeno e esconso lugarejo. Mas o frade pelos vistos era um grande comilão e andava sempre esfomeado, pelo que estava sempre muito mais disposto a comer do que para rezar ou pregar. Ao dirigir-se a uma localidade qualquer que ela fosse prometia que havia de rezar por todos em troca de comida, mas esta havia de lhe ser dada antes da reza e da prédica. Mas tanto comia em casa de uns e outros que chegando ao fim do dia já pouco tempo e força de vontade tinha para a reza e, muito menos dispunha de disposição pata fazer as pregações. O povo, sentindo-se ludibriado, chamava-lhe Frei Comilão.

Quando o bispo ou alguém a seu mandato visitava a ilha ou quando os ouvidores das vilas o encontravam era repreendido por aquele e por estes mas não se emendava, o trapaceiro, apenas retorquia:

 — Muito comer, pouco rezar e nunca pecar leva a alma a bom lugar.

Um dia chegou à Fajã Grande, que nesses tempos era ainda uma pequena localidade, e os habitantes, conhecendo os hábitos do frade, propositadamente, resolveram matar uma vaca e preparar um grande jantar, mas, para castigar o frade, não o convidaram nem lhe disseram nada. Haviam mesmo de o impedir de lá ir.

 Este porém, que para coisas de tal espécie devia ter um sexto sentido, percebeu a astúcia dos seus irmãos na fé e, antecipando-se, apresentou-se no local onde estavam a assar o boi, sem que ninguém o visse. Quando o povo chegou para a comezaina, ficaram todos muito desapontados! É que o frade a saborear um belo e apetitoso bofe assado, com um apetito devorador, elogiava o povo e agradecia-lhe aquela generosa atitude, pois fazia de conta que cuidava que faziam aquilo para lhe agradecer as suas rezas e pregações. Então subindo a um púlpito, por ele improvisado, já de barriga bem cheia, repetia com a calma habitual:

 — Muito comer, pouco rezar e nunca pecar, leva a alma a bom lugar.

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UM BIGODE FARFALHUDO

Domingo, 25.09.16

Separadas por grandes distâncias, entrecortadas por rochas altíssimas, encravadas entre ribeiras e grotões, ligadas apenas por veredas ou caminhos de difícil acesso, desde sempre, as freguesias das Flores souberam procurar formas de aproximar os seus habitantes, sobretudo por altura das suas maiores festividades. Assim nasceu o tradicional costume de cada família ter, nas outras freguesias da ilha, os seus “conhecidos”.

Na Fajã Grande quase todas as famílias tinham “conhecidos” no Mosteiro, no Lajedo, nas Lajes, na Lomba e até em Ponta Delgada e nos Cedros. Por isso, pela festa da Senhora da Saúde rumavam à Fajã Grande romeiros de toda a ilha que demandavam as casas dos seus “conhecidos” , onde se hospedavam durante dois, três ou mais dias. Quando se realizassem as festas nas suas freguesias, seriam eles a dar hospedagem aos da Fajã, nas suas próprias casas.

Certo ano, na véspera da Senhora da Saúde, alta noite, chegou à Fajã Grande, o Arlindo, vindo Lomba. Fizera-se ao caminho já tarde e por isso chegava àquelas horas. À Praça encontrou o Adriano, um dos filhos do Manuel Tesoureiro, seu “conhecido”. Conversaram um bocado, foram beber um “traçado” ao botequim do Venceslau e seguiram juntos para a Fontinha, onde morava o velho Tesoureiro com a mulher e os filhos. Ao chegarem a casa já todos dormiam. Pé ante pé, o Adriano foi acordar a mãe, informando-a de que estava ali o Arlindo da Lomba e que era preciso acomodá-lo em qualquer sítio.

A velhota ficou aflitíssima e sem saber o que fazer. É que a noite já ia adiantada, todos dormiam regaladamente e a casa estava à cunha: num quarto estavam os conhecidos do Mosteiro, no outro os de Ponta Delgada, as filhas tinham-se acomodado na loja e ele mais os irmãos iam ficar em cima duma manta, no chão da cozinha. E agora como é que ia ser? Onde se havia de acomodar o Arlindo? Que era um problema bicudo, lá isso era. Uma grande consumição! Mas na rua é que o seu “conhecido” não havia de ficar. Tinha que se arranjar sítio para o Arlindo dormir, fosse como fosse. De repente teve uma ideia. Sem acordar o velho Tesoureiro que dormia que nem um justo, dirigiu-se, pé ante pé, para o seu quarto, alisou os lençóis, abanou os cobertores para arejar o velho colchão de palha, virou o travesseiro do lado contrário e, sem fazer barulho ou acender sequer uma mecha, acomodou o Arlindo ao lado do marido, enquanto ela se foi estirar para a loja, junto das “piquenas”.

Ao acordar de madrugada o velho Tesoureiro não ouviu, como era costume, o estrepitoso ressonar da sua consorte. Preocupado, não lhe tivesse acontecido alguma desgraça, passou-lhe ao de leve uma das mãos pela cara, a certificar-se de que a sua Maria ainda respirava e, qual não foi o seu espanto, quando em vez de uns pelos fracos, interpolados e pouco viçosos apalpou um bigode farfalhudo. Assustadíssimo com aquela taumaturga e repentina mudança, gritou tão alto que quase acordou a casa inteira:

- Ó Maria! Ó alma do diabo! Como é que o bigode te cresceu tanto numa noite?

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A FOME DOS DEDOS

Sábado, 24.09.16

 

(A começar pelo mindinho):

 

Este diz que tem fome,

Este diz que vai pedir,

Este diz que vai roubar,

Este diz que o vai ajudar,

Este diz que se ele for lá que o mata.

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A PRIMITIVA ADMINISTRAÇÃO DAS FLORES E DO CORVO

Sexta-feira, 23.09.16

A administração local das Flores e do Corvo não diferia da que vigorava nas outras ilhas.

Segundo o historiador Oliveira Marques, a incorporação da capitania da ilha das Flores e do Corvo na Coroa, em consequência do arresto dos bens do último capitão-donatário, o duque de Aveiro, não trouxe grandes benefícios para a população das mais isoladas ilhas do arquipélago açoriano.

Segundo um outro historiador, o Padre António Cordeiro o governo das duas ilhas esteve sempre unido, desde a constituição da capitania, altura em que o dono daquelas duas ilhas era Guilherme da Silveira. No entanto, os condes de Santa Cruz, nomeados comendadores das duas ilhas, é que recebiam a dízima de ambas, obtendo assim amplos proventos. Também Frei Diogo Chagas afirma que as duas ilhas foram colocadas desde os primórdios do seu povoamento sob jurisdição comum. A jurisdição suprema das ilhas imediatamente a seguir à jurisdição real, cabia ao capitão-donatário. Pedro da Fonseca terá sido o primeiro administrador das duas ilhas que passou a intitular-se capitão das Flores e senhor do Corvo.

Nas Flores, o representante ou lugar-tenente do capitão-donatário era o ouvidor das sentenças. Embora não fosse um cargo vitalício, nem hereditário, era um cargo que provinha do sistema da administração judicial instituído no Reino, tanto nas terras sob jurisdição da Coroa como nos senhorios. No início os ouvidores eram providos de três em três anos com a função de exercer a justiça em nome do rei. Era a eles que o povo recorria nos seus problemas e nas suas contendas, como diz o Padre António Cordeiro a nas Flores em tudo há recurso para o ouvidor.

O primeiro ouvidor das Flores foi Gomes Dias Rodovalho, o fundador da freguesia da Fajã Grande. O capitão Pedro da Fonseca nomeou-o seu lugar-tenente, capitão-mor, e ouvidor.

As câmaras das vilas de Santa Cruz e das Lajens repartiam entre si a jurisdição concelhia das Flores, demarcando-se a norte pela ilha da Ribeira das Casas e a sul pela Ribeira da Silva. A Santa Cruz pertenciam Ponta Delgada, Cedros, Ponta, Caveira e Lomba, e ainda o lugar do Corvo. À Vila das Lajens pertenciam a Fajazinha, Fajã Grande, Lajedo e outras povoações menores.

O governo militar das duas ilhas estava entregue a dois capitães-mores, um em cada vila, autónomos entre si e sem subordinação a alguém na ilha, segundo o Padre. Subordinados a eles havia os capitães das companhias de ordenança que governavam os alferes e estes os sargentos e mais cabos. No Corvo havia uma companhia e respetivo capitão

A defesa das duas ilhas dependia apenas desta gente (mais de 1500 homens de armas nas Flores e mais de 200 no Corvo), que não possuía mais do que armas antigas – espadas, adagas, lanças e alguns arcabuzes “ao estylo de Portugal antigo” – e da vantagem dos “impenetráveis muros das suas rochas ao mar”, reforçada pela “artilharia horrenda dos penedos, que pelas altas rochas lanção abayxo” para afastar os navios hostis. Não existia nas Flores qualquer fortaleza, soldadesca paga, ou peças de artilharia,

 

NB – Dados e citações retirados da net.

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O LUGAR DO BARRO

Quinta-feira, 22.09.16

O lugar do Barro era um amplo espaço de terras de cultivo, que produziam milho, batata-doce, couves e feijão mas também havia por ali algumas relvas. O Barro localizava-se para além da Ribeira das Casas, quase na fronteira com a Ponta, nas proximidades das Covas e, consequentemente da rocha. Era uma área bastante extensa e muito fértil, até porque localizada entre duas ribeiras, a do Cão e a das Casas e constituída, quase na sua totalidade, por uma planície de terra barrenta. Era pois um lugar de grande riqueza económica para quem ali possuía propriedades.

Hoje, estranhamente, foi construída, bem no centro daquele lugar uma casa de veraneio. Na década de cinquenta, porém ainda proliferavam ali belos cerrados e terras de cultivo misturadas com outros minúsculos terrenos com as mesmas características agrícolas e, na parte norte, algumas belíssimas relvas e de excelentes pastagens para as vacas leiteiras. Na parte mais baixa e próxima do mar o terreno agrícola era substituído por enormes pedras de forma redonda e oval que constituíam uma grande parte do rolo que quase ligava o ilhéu do Constantino, na Fajã ao ilhéu do Cão, na Ponta.

Andar por ali, naqueles tempos recuados, entre o mar e a rocha caminhando sobre a fresca alfombra ou sobre as pedras do rolo, respirando ar puro, orvalhando-se com os suaves respingos de salmoura vinda do oceano trazia uma profunda sensação de paz, de calma e de tranquilidade, apenas quebradas pelo leve sussurrar das águas das ribeiras a baldarem-se em cascatas pela rocha. Lá, outrora, reinava o silêncio e a harmonia entre o homem e a natureza, apenas quebrada, uma vez ou outra, pelo barulho da ganapada da Ponta e da Fajã que ali se encontravam a fim de se defrontarem em violentas batalhas de pedradas.

Hoje, observando aquele lugar através do Google earth, parece impor-se um enorme e estranho contraste criado pelo edifício, ali construído e que inclui um amplo jardim com piscina e anexos. Ao contemplar este panorama tem-se o exemplo mais característico de quanto se tem estropiado a natureza na sua pureza original e desfeito um património natural.

Acresce dizer-se que o lugar do Barro tinha a norte o Vale do Linho, a leste as Covas, a sul o Rego do Burro e a oeste o Oceano Atlântico. O seu nome, muito provavelmente, terá origem no aspeto barrento que possuíam os terrenos ali existentes e de onde, muito possivelvelmente, em tempos idos se terá extraído o barro.

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UTRA MACHADO

Quarta-feira, 21.09.16

Alberto Teles de Utra Machado nasceu na freguesia de São Pedro, cidade de Angra do Heroísmo, em 24 de Janeiro de 1840 e faleceu em Oeiras, em 12 de Janeiro de 1923. Utra Machado foi jurista, escritor, publicista e político. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1863. Assinou parte da sua obra literária como Alberto Telles. Foi primeiro oficial do Ministério da Justiça, chefe de repartição da Direcção-Geral dos Negócios Eclesiásticos, professor do liceu e sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Colaborou nos periódicos O Occidente, República das Letras, Archivo Pitoresco, Esmeralda Atlântica, O Mundo e Arte & vida. Traduziu do inglês, firmando os seus trabalhos com o nome de Alberto Teles, uns livros que foram distribuídos gratuitamente às escolas por Júlio de Andrade.

Entre muitos trabalhos dispersos por periódicos dos Açores e de Lisboa, é autor das seguintes obras: Contos açorianos, D. Afonso VI, fragmento,. Rimas, Lord Byron em Portugal, Corografia Geral dos Açores, Bento de Moura Portugal in Memorias da Academia Real das Sciencias Moraes e Politicas e Bellas-Letras.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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HINO (DO SEMINÁRIO DE ANGRA)

Terça-feira, 20.09.16

 

Cântico de loas

A unir gerações.

 

Glórias enaltecidas

E um respirar de alvoroços.

 

Restolho de sentimentos

Ecos de memórias inolvidáveis.

 

( NB - No Encontro, realizado em Angra, em julho de 20012, o hino do Seminário, foi cantado em conjunto por antigos e atuais alunos daquela instituição.).

 

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O PRIMEIRO ENTERRO NA FAJÃ GRANDE

Segunda-feira, 19.09.16

O lugar da Fajã Grande foi ereto como paróquia de São José da Fajã Grande, por separação da de Nossa Senhora do Remédios de Fajãzinha, por alvará do bispo de Angra, D. Frei Estêvão de Jesus Maria, datado de 20 de Junho de 1861, incluindo nela as povoações da Fajã, da Ponta e da Cuada.

Os livros de óbito, afinal ainda registam um primeiro funeral no ano da ereção e não no seguinte como se cuidava

Reza assim o registo do óbito referente ao primeiro enterro verificado na paróquia de São José da Fajã Grande, ilha das Flores e de uma mulher casada, de trinta e sete anos e residente na rua da Fontinha. O da criança de nove meses cujos pais residiam na Cuada foi o primeiro a realizar-se no ano de 1862, mas o segundo realizado na vida da paróquia:

 

“A sete dias do mez de Dezembro de mil oitocentos e sessenta e hum, ao meio dia, na caza número cincoenta e dous, da Rua da Fontinha desta freguesia, concelho da villa das Lajens, Distrito Eclesiástico da cidade da Horta, diocese de Angra, faleceo Maria de Jesus de idade de trinta e sete anos, cazada com José António Pimentel, parochianos desta freguesia, filha de José António Roza e de Bárbara de Freitas, neta paterna de António Joé Roza e de Francisca Marcella e materna de António Caetano Gabriel e de Maria de Freitas, não fez testamento e deixou quatro filhos, recebeu os sacramentos próprios da Santa Madre Igreja Catholica; E para constar lavrei este assento em duplicado que assignarei. Era ut supra. O Phresbytero António José de Freitas.

 

Por sua vez, o terceiro óbito foi de uma mulher natural e residente na Ponta, de nome Floripes Luciana da Silveira, de quarenta e quatro anos casada com João de Freitas Fraga e que deixou quatro filhos.

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SAFRA NEGRA

Domingo, 18.09.16

Enfeitiçados pelos reflexos da montanha e entontecidos pelo perfume da maresia, percorreram filas e filas de videiras sibilantes e tímidas. O terreno, encharcado de lava moída, exalava um perfume negro, amargurado e triste. Entrou primeiro e seguia à frente, com um cesto pendurado no braço esquerdo, a aspirar bagos amadurecidos como se fosse um resfolgar de ondas revoltas em caneiro de lava. Ela, mais tarde, entre as manchas desertas de vinha, onde crescia a erva daninha e onde ainda apodrecia uma ou oura raiz das árvores outrora ali existentes. Os cachos, molhados de salmoura, despegavam-se em recíproco conluio.

Tinham chegado ao profícuo vinhedo, que emergira duma floresta arroteada, em tempos diferentes. Ele primeiro, entre cálculos de minutos rigorosamente premeditados. Ela, de seguida, imponente e solene, sem contar o tempo. Saltou o portão com perícia, empunhou a tesoura, posicionou-se no talho, ao lado dele e, misteriosamente, penetraram ambos numa tarefa pouco habitual, quase escura, onde imperava a sisudez e o silêncio. Do lado choveram impropérios. Ela respirou forte, cerrou os dentes, amarrou os cabelos em cacho e, desenhando no rosto traços sisudos, murmurou:

- É sempre o mesmo. Afrontas atrás de afrontas.

Quase chorava!

Ele estarreceu. Fora cúmplice, embora inconsciente. Os cachos madurecidos, misturados com sucessivos pedidos de perdão, caíam silenciosos no balde. O Sol descaía sobre o oceano e os candeeiros pregados às paredes dos caminhos circundantes pareciam uma fileira de focos de locomotiva à espera que as trevas chegassem em pertinaz perseguição. A atmosfera, impregnada dos aromas do futuro mosto erguia-se silenciosa e intimidativa. Ele veio até ao portal indeciso na procura de uma tesoura. Remexia baldes entre aqueles descampados, imaginando estratégias que desfizessem tão amargurado sufoco. Regressou ao talho e posicionou-se ainda mais próximo. Os cachos viciados de suco, imiscuíam-se entre emoções fortes, litígios ambíguos, gestos de apanha simulados e meneios de braços, de mãos a tentarem encontrar-se, demostrando ocasionalidade, de caras lívidas, de gestos desbriados, de todos os imagináveis festos e estranhas atitudes que desmanchando a frieza tentavam reconstruir uma serenidade enigmática, embebida numa a pureza angélica, numa perplexidade verdadeira. Os cachos, entre olhares cúpidos, desabavam nos baldes tempestuosamente como se fossem trapos tingidos de ocre, sendo por fim vazados nos cestos maiores.

Na demanda de uns cachos mais esconsos roçaram os rostos. Surpreendida, ela levantou-se e, pela primeira vez, sorriu. Era um olhar verde, doce e repleto de ternura e esperança que de imediato se perdeu no escuro da noite que agora já quase caía em catadupa, como se fosse uma tempestade de lava. Desequilibrado, caiu, enforcando-se em desdenhosa e íntima enxurrada de emoções líricas.

As luzes, essas ao menos autênticas, apesar de distantes, já haviam roubado a escuridão. Ali apenas o restolho da penumbra, que momentos antes, se desprendera e vazara no horizonte, iluminava os cachos ainda presos às vides. Maldita escuridão que afugentava sonhos e desfazia a safra inicial, próxima e solene. Afastou-se e colocou-se em talho distante como se tivesse medo de um inusitado atrevimento. Talvez tivesse percebido que a resistência era frágil e que o escuro da noite poderia ser traiçoeiro. A escuridão e o desfasamento da proximidade tornavam a safra negra, muito negra, apesar de real e verdadeira

Por fim tudo terminou e procuram-se os cestos a abarrotar de cachos mas perdidos entre os escombros escuros da safra. Um aqui, outro além e dois seguidos. Ufanou-se sem proveito e sem correspondência. Era como se tivesse num deserto sem água, sem víveres, sem o canto das gaivotas.

A noite, entretanto continuava a escurecer. Parecia que todas as estrelas haviam invernado em casulos de bruma. Apenas os carros zarpavam na direção da montanha, rumo ao povoado, enquanto ela carregava junto aos muros retalhados de lava arrefecido os proventos da safra negra. Havia de os conduzir em ruas tortuosas, de esquinas retangulares.

E um sonho mítico descia ao abismo, banhando-se em ondas de espuma gosmosa. Como era razoável a desilusão, depois desta safra negra!

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A MOIRATA

Sábado, 17.09.16

A Moirata era a vaca mais estimada, mais lisonjeada e mais bem tratada da freguesia. Era uma vaca lavrada de preto e branco, com um pelo muito luzidio e limpo, com um caminhar elegante e um ar terno e manso. Boa de leite e de canga, sempre pronta a encher uma lata de catorze litros, mesmo nos dias em que cansada de puxar o arado ou o corção. Campainha de sino ao pescoço, ponteiras de metal brilhante nas pontas dos chifres, encaracolados e bojudos, a Moirata assemelhava-se a uma princesa. Um maravilhoso prodígio da natureza!

A Moirata nascera e fora criada no palheiro do Ti’António Balaio. Mal viera ao mundo, o velho logo se apercebeu de que da bezerra, se havia fazer uma bonita gueixa e da gueixa, uma boa vaca leiteira, de que muito se havia de ufanar. Não se enganou, o velhote. Ainda muito nova, a Moirata pariu a primeira cria - um lindo bezerro - e o leite a transbordar duma lata de dez litros. Na segunda catorze, na terceira dezasseis. Um luxo!

Mas a Moirata também cedo se habituou à canga e ao trabalho. Nunca virara a cara às sementeiras, ao lavrar dos campos ou ao acarretar da lenha, dos fetos, incensos, cana roca ou estrume para os campos. Ainda Abril não ia a meio e já ela calcorreava o cerrado do Areal, de ponta a ponta, puxando o arado ou a grade, uma duas, três vezes. A primeira lavra era a mais árdua e desgastante. Exigia o arado de fero e, muitas vezes, a Moirata o puxou de canguinha. A terra coberta duma camada de estrume que ela havia carreado dias-a-fio, tornava-se muito rija e dura com os rigores climatéricos do Inverno, por isso tinha que ser lavrada com o arado de ferro, muito mais pesado e com umas aivecas gigantes, que perfuravam a terra em grandes sulcos, virando grandes leivas e torrões. Ela porém lá ia, pacientemente, sozinha, umas vezes sob as vergastas do dono, outras com as palavras de incentivo, lutando contra a força opositora da terra rija, rasgando-a em regos sulcados pelo arado. Eram horas e horas de trabalho, de cansaço e de sofrimento. No fim ficava exausta. Da boca escumava-lhe uma baba esbranquiçada que lhe caí em fios sobre a terra fresca, o corpo cobria-se-lhe de suores, sentia vertigens, quase desfalecia. Ti António Balaio, apercebendo-se do estado de fadiga da pobrezinha, para a aliviar e reconfortar, passava-lhe a mão pelo lombo, anafava-lhe os pelos, fazia-lhe festas e carinhos e dava-lhe umas maçarocas de milho, o que servia de lenitivo para o enorme desgaste. Depois do merecido descanso, seguia-se o puxar da grade, tarefa não menos árdua do que a anterior, embora bastante mais rápida. É que a terra não podia ficar assim cheia de leivas e torrões. Ti António Balaio encangava-a à grade, cravejada de enormes bicos de ferro de um dos lados. Do outro lado colocava enormes pedregulhos a fim de que os dentes de ferro penetrassem na terra e a alisassem. Passados dois ou três dias a Moirata, coitada, ela e sempre ela, voltava ao cerrado. Agora era encangada ao arado de madeira muito mais leve do que o de ferro e que ia abrindo pequenos regos destinados à sementeira do milho. O dono voltava a atrelá-la ao arado e ela traçava regos paralelos e simétricos de uma extremidade à outra do cerrado. A Clotilde, a mulher do Ti Antóno Balaio, ia atrás e, retirando punhados de milho de uma cesta que levava enfiada no braço, atirava os grãos com tanta agilidade e perícia que eles caiam direitinhos no rego, muito bem alinhados uns à frente dos outros, como se fossem soldadinhos numa parada militar. Cada rego fechava-se com o abrir do seguinte, tapando assim os grãozinhos que ali ficavam a germinar durante alguns dias. Por fim voltavam os mimos e as maçarocas de milho, pois esperava-a de novo a grade, porque a terra devia ser alisada para que os grãos ficassem todos muito bem escondidinhos e assim germinassem mais facilmente.

Passadas umas semanas, porém, a Moirata consolava-se com as sobras do desbaste do milho já crescidote e, mais tarde, com as espigas e no Inverno com a rama seca, misturada com a erva fresquinha que lhe Ti António Balaio lhe ia buscar, todos os dias, de madrugada à lagoa das Covas, ou com os incensos que acarretava da Cabaceira ou com couves e rama de batata-doce que lhe trazia das Furnas.

Um dia a Moirata envelheceu… Abalroado por uma enorme tristeza, Ti António Balaio foi obrigado a tomar uma das mais dolorosas decisões da sua vida – vender a sua Moirata, a fim de ser embarcada para Lisboa! Afeiçoara-se muito a ela, e custou-lhe muito, tomar aquela decisão. Só Deus soube a dor que sentiu, quando em cima do cais de Santa Cruz, se despediu dela. Agarrou-a pelo pescoço e chorou que nem uma criança.

Foi a Formosa, filha da própria Moirata, já feita gueixa que a substituiu, no palheiro de Ti António Balaio. É verdade que também era boa de leite, forte de canga, é verdade que também era dedicada e mansa, bela e elegante, mas a verdade é que o Ti António Balaio nunca se esqueceu da sua Moirata.

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A VERSÃO E OS FATOS

Sexta-feira, 16.09.16

 

“Se a versão é melhor do que os fatos, publique-se a versão.”

 

John Ford, no filme O Homem que Matou o Facínora

 

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publicado por picodavigia2 às 00:27

A VELHA DANÇARINA

Terça-feira, 13.09.16

 

Era uma velha

Muito, muito velha

Mais que a minha avó

Mas o raio da velha

Cantava e bailava

Bailava com uma perna só.

 

Aravia fajãgrandense

 

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Os MOINHOS DA RIBEIRA DAS CASAS

Segunda-feira, 12.09.16

Antigamente, na Fajã Grande, era nas margens da Ribeira das Casas que existia o maior número de moinhos. Rezam as crónicas que em tempos idos terá existido um conjunto de cinco moinhos de água, ou menos arruinados, dispostos ao longo da Ribeira das Casas. Hoje, alguns estão em ruínas, outros pura e simplesmente desapareceram e um, o moinho do Anjinho, foi recuperado como casa de turismo rural.

Quatro destes moinhos eram de roda vertical e um é de rodízio. Nenhum deles está activo e são apenas visíveis vestígios de alguns mecanismos. Diz quem passa por ali que um dos moinhos abandonados ainda preserva as duas mós, embora em muito mau estado. De realçar que todos eles tinham levadas independentes e individuais, de água retirada ao caudal da ribeira contígua, pese embora alguns pertencessem ao mesmo dono, como era o caso dos dois moinhos de Tio Manuel Luís.

Todos estes moinhos eram construídos em alvenaria de pedra à vista e tinham cobertura de duas águas em telha de meia-cana tradicional com beiral simples, muito semelhantes às antigas habitações da Fajã Grande.

Na Ponta da Fajã, na Ribeira do Cão e na Ribeira José de Fraga existiam três moinhos de água, um de roda vertical e dois de rodízio, mas todos, hoje estão em ruínas.

Todos eles permanecem como restolho enigmático da história de uma freguesia que sempre teve no cultivo dos cereais o baluarte da sua pobre e débil economia. Reconstruídos seroam hoje não apenas um marco turístico mas também um verdadeiro ex-libris da mais ocidental localidade portuguesa e europeia.

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JOGO DAS PERAS

Domingo, 11.09.16

“Com teu amo não jogues as peras que ele come-te as maduras e dá-te as verdes.”

Embora muito raramente, este enigmático e estranho adágio, na década de cinquenta, era ouvido na Fajã Grande, sendo usado sobretudo pelas pessoas de mais idade.

Na Fajã Grande, nesses recuados tempos, poucos eram os amos ou senhores para quem a plebe trabalhava. Cada um tinha as suas terras e cada qual as trabalhava embora houvesse muita entreajuda, pelo que os amos eram raros. De qualquer modo existiam alguns mais ricos que pagavam a quem dava dias para fora. Pois era com esses e com todos os que revelavam anseios de serem superiores que era preciso ter cuidado, perdendo a ingenuidade e mantendo os olhos bem abertos para no jogo do dia a dia não ficar somente com as peras verdes, isto é com o mal, com a desgraça, com o prejuízo.

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A CAÇA À BALEIA NO PICO

Sábado, 10.09.16

Hoje é dado como certo que a caça à baleia chegou aos Açores através das baleeiras americanas que demandavam o Atlântico, fazendo escala nas ilhas para recrutamento de marinheiros e abastecimento de água e víveres. A cidade americana de New Bedford, no Estado de Massachussets terá sido o berço desta atividade. Na verdade foi de lá que partiram as primeiras escunas que se dedicavam à caça do cachalote no Atlântico Norte.
Só por volta de meados do século XIX terão sido construídas, na muito justamente alcunhada vila baleira do Pico, as Lajes, os primeiros botes baleeiros, pese embora as baleeiras americanas continuassem a fazer aguadas e a recrutar tripulantes entre a população das ilhas, nomeadamente do Pico, Faial e Flores, sendo que a maioria dos embarcados aproveitava para emigrar e procurar melhores condições de vida, nas terras do Tio Sam. Muitos destes emigrantes regressaram à sua ilha, anos mais tarde, colaborando na introdução da caça à baleia.

Cuida-se que terá sido na freguesia de São João, no concelho das Lajes do Pico, que se terá instalado a caça à baleia, na ilha do Pico. Naquela freguesia terão existido nos finais do seculo XIX duas companhias baleeiras equipadas com instalações para a arrecadação das canoas, bem como os apetrechos necessários ao derretimento das baleias. Sabe-se, no entanto, que em agosto de 1893, um violento ciclone destruiu aquelas instalações, pondo fim à atividade baleeira naquela freguesia. Nos anos seguintes foram construídas várias canoas, o que permitiu a extensão a caça à baleia a outras localidades do Pico, nomeadamente às Lajes e Ribeiras. Dados estatísticos revelam que no dealbar do seculo XX já estavam registadas na Delegação Marítima do Pico, situada em São Roque, cerca de trinta canoas baleeiras, 16 das quais sedeadas nas Lajes.

O epicentro da caça da baleia no Pico situa-se na década de quarenta do século passado, altura em que o óleo de baleia, ou cachalote era muito procurado para substituir o petróleo, difícil de obter durante a Segunda Guerra Mundial. O número de oficiais, trancadores baleeiros e até de vigias aumentou de tal maneira que o Pico começou a exportá-los, sazonalmente, para outras ilhas, nomeadamente para as Flores.

A emigração provocada pelo Vulcão dos Capelinhos e a decrescente procura do óleo e a descida de preço dos mesmos, a partir das décadas seguintes e ainda do lançamento da pesca do atum e indústria de conservas com resultados promissores, contribuíram significativamente para o declínio da atividade baleira no Pico e nas outras ilhas e que na década de oitenta, entrou em acentuado declínio.

Assim, em novembro de 1987 foi caçada a última baleia, no porto das Lajes, dando-se também cumprimento aos acordos internacionais celebrados entre as diversas nações europeias. Terminava assim, sem honra nem glória uma atividade marítima e industrial que, durante um século muito contribuiu para o desenvolvimento económico das ilhas.

 

NB – Dados retirados da net.

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O DESESPERO DO VENTO

Sexta-feira, 09.09.16

Solte-se o vento

em seu desespero desenfreado

 

e quando a grande onda chegar,

e se desfizer contra os laredos rochosos

a noite será deserta

e todas as vidraças estarão desfeitas,

como se fossem cachos de uva apodrecidos

e sem néctar.

 

Procurarei, em vão, um raio de luz,

mas as trevas serão mais negras

do que as postas de lava

ejaculadas do seio dos vulcões.

 

Sobre a terra

cairá uma chuva diluviana…

 

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publicado por picodavigia2 às 08:26

A FESTA DA SENHORA DA SAÚDE

Quinta-feira, 08.09.16

Nos anos 50, a festa da Senhora da Saúde, que desde há décadas se realizava e continua a realizar na Fajã Grande, era incontestavelmente, na altura, uma das maiores e das mais concorridas de toda a ilha das Flores.

Celebrada no dia 8 de Setembro (mais tarde passou para o domingo mais próximo deste dia) a ela vinham romeiros de toda a ilha, sobretudo da Fajãzinha, do Mosteiro, do Lajedo, de Ponta Delgada, dos Cedros, das Lajes e da Lomba. Alguns, sobretudo os de mais longe, vinham com um ou dois dias de antecedência, regressando muitos deles à sua freguesia apenas na oitava da festa, pernoitando e alimentando-se em casa dos seus “conhecidos” da Fajã, durante vários dias. Também do Corvo, quase todos os anos, chegava uma lancha carregadinha de forasteiros que também se acomodavam em casa dos seus conhecidos da Fajã. Até à inauguração da Filarmónica “Senhora da Saúde”, no início da década de cinquenta, vinha geralmente uma banda de fora, da Fajãzinha, da Lomba ou do Corvo, as quais geralmente traziam muitos romeiros. Foi precisamente no ano em que a filarmónica contratada, a da Lomba, não compareceu que surgiu a ideia, mais tarde concretizada, de se criar uma banda de música na Fajã.

No que dizia respeito à parte litúrgica, a festa começava com um tríduo preparatório, pregado geralmente por um padre de outra freguesia ou por um professor do Seminário de Angra, natural das Flores, dado que nessa altura proliferavam pela ilha e que ainda se encontravam em férias, sendo o mais habitual o Dr Caetano Tomás, do Lajedo. Na véspera, de tarde, eram as confissões, geralmente com 4 padres de fora, espalhados pelos confessionários laterais ou pelos ralos da grade da capela-mor. No dia da festa celebravam-se três missas: a da manhã, bastante cedo, destinada às cozinheiras e pessoas que não pudessem ir a outra, mais tarde; a da comunhão, celebrada às nove, com sermão e destinada sobretudo às crianças da catequese e da Cruzada Eucarística e a outros comungantes e às onze, missa solene, cantada, de três padres e com sermão. Nesta quase ninguém comungava, dado que, na altura para o fazer era preciso guardar jejum desde a meia-noite.

Da parte da tarde, interrompendo o arraial, havia a procissão. À frente a cruz paroquial ladeada por duas lanternas, umas e outra levadas por homens trajando opas vermelhas. Depois os anjinhos de asas brancas e cestas de flores e as crianças da Cruzada Eucarística, cobertas com a cruz de Malta, desenhada a vermelho, em faixas brancas, atravessadas sobre o peito. Logo atrás os andores de Santa Teresinha, São José e da Senhora da Saúde, transportados por homens, vestidos de opas os da frente vermelhas e os últimos brancas. Depois os homens de opas vermelhas, carregando lanternas, pendões e o pálio, sob o qual, geralmente, seguia o Ouvidor das Lajes envergando capa de asperges branca e véu de ombros da mesma cor, a segurar o Santo Lenho, ladeado por dois padres vestidos com dalmáticas também brancas mas, como a capa debruadas a amarelo. À frente do pálio seguia o clero excedente que geralmente era pouco e algum seminarista em férias na ilha, envergando sotainas negras e sobrepelizes brancas. Logo atrás a Filarmónica. A procissão percorria a rua Direita, para cima até à Praça e para Baixo até à Rua Nova e as janelas, varandas e pátios das casas por onde passava estavam enfeitadas com colchas de cores variadas, que davam à rua Direita um colorido desusado. A rua estava ornamentada com bandeirinhas multicolores presas nos cantos e janelas das casas e o chão era atapetado com verduras e flores. Uma vez regressada à igreja, a procissão terminava com um sermão. Os três sermões do dia da festa eram geralmente pregados por pregadores diferentes e todos eles, assim como os do tríduo e a missa cantada eram promessas de fajagrandenses residentes na Califórnia e que antecipadamente faziam as suas reservas. Um sermão custava cento e vinte escudos, a missa cantada cem e a missa rezada vinte. As Trindades eram dobradas e não havia início de celebração ou levantar a Deus que não tivesse foguetes e repique bem redobrado dos sinos. Durante a procissão os sinos também repicavam e os foguetes ecoando nas rochas das Águas e da Figueira.

Paralelamente havia uma parte profana ou cívica que começava no sábado e continuava no domingo e que consistia fundamentalmente num enorme arraial, com música, foguetes, quermesse e os jogos do Albino: o do boneco, em que um boneco de madeira suspenso na cintura por um eixo, rodopiava sobre um caixilho também de madeira, apoiado no chão com algumas pedras. O jogo consistia em atirar, de uma distância previamente delimitada, cinco bolas ao boneco, por um escudo. Quem acertasse no dito cujo e conseguisse que ele desse uma volta completa sobre si próprio receberia um prémio: um chocolate, uma laranjada, uma cerveja ou um pirolito de bola. Outro jogo era o da pesca à cerveja: dispostas seis garrafas de cerveja, outros tantos jogadores munidos de um caniço, com um fio e uma argola em vez do anzol teriam que enfiar esta o mais rapidamente possível no gargalo da cerveja que estava na sua frente. O prémio era a própria cerveja para o primeiro que atingisse o objectivo do jogo.

À noite o arraial era iluminado com várias lanternas petromax. Só depois da ida do Padre Pimentel à Califórnia, com o dinheiro que ele por lá arrecadou se comprou um motor que, sob os cuidados de José Furtado, iluminava não apenas a igreja mas também o adro e a parte central da Rua Direita com séries de lâmpadas multicolores também vindas da América. Enquanto José Furtado não chegava ou quando o motor falhava o arraial, para gáudio de muitos, fazia-se às escuras.

 

 

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O VINHO E O MILHO DO PICO

Quarta-feira, 07.09.16

Segundo o escritor Dias de Melo o fabrico do vinho e o cultivo do milho eram, antigamente, as atividades mais importantes e a que mais se dedicava a população da ilha que o viu nascer, o Pico, no que à terra dizia respeito, porquanto, no mar, pontificava a caça à baleia. Aquele escritor registou, magistralmente e até como que recriou literariamente a azáfama das vindimas num inédito ambiente de alegria e festa, como evidencia nas suas Toadas:

 

«Ó Setembro das vindimas,

Vindimas da uva escura!

Não há, não, em todo Pico

Um mês de maior ventura!

 

Bom Povo da minha aldeia,

Povo da Terra e do Mar,

Deixa os botes, deixa o gado,

Neste mês é só gozar!»

 

Mas não se fica por aqui. Dias de Melo, um dos mais emblemáticos escritores açorianos, ainda recria as vindimas do Pico em Crónicas do Alto da Rocha do Canto da Baía e em Milhas Contadas. Segundo ele a festa das vindimas é o culminar do muito trabalho e sacrifício desde o tratar das videiras até ao fabrico do vinho, pois: «vinha para dar boa uva que faça bom vinho tem de ser plantada no meio de pedra, e na pedra da vinha se deixava muita pele dos dedos» e arranhões das silvas nos braços ao mondá-las e ao arrancar varas que tinha enraizado aqui e além.

Em quase todas as freguesias, sobretudo nas mais afastadas da costa, a festa começa com a mudança para a beira-mar, onde normalmente se situam as vinhas e as adegas, local de veraneio dos que vivem mais para o interior da ilha. Em freguesias como São Caetano, mais próximas do mar, a deslocação para as adegas fazia, geralmente, durante o dia, embora a atividade vinícola se prolongasse muitas vezes pela noite dentro. Uma vez instalados nas adegas e combinados e devidamente calendarizados os dias de vindima de forma a permitir a entreajuda recíproca entre familiares e amigos, mulheres e homens, raparigas e rapazes vão-se pelos 'currais' a colher as uvas para cestos de asa pequenos enfiados no braço e quando cheios a despejarem-nos nos maiores que depois hão-de acarretar até à adega, eles às costas e elas à cabeça, por canadas de trilho tão mau que aos próprios burros daqueles que os têm custa a passar. É por entre risotas e cantigas que novos e velhos se entregam felizes a este cansativo trabalho, não sem que, interrompendo-o ao meio dia, altura em que muitos fossem de arruada banhar-se ao mar, os de baixo, no cais, já com fatos de banho, e os de cima ainda vestidos à antiga, nos poceirões. Pela tarde, depois de escolhidas as uvas, tarefa em que a miudagem também colaborava, chega o momento de as pisar. Fazem-no os adultos à mão em selhas apropriadas enquanto no lagar os mais novos se deliciam a moê-las de pés descalços e calças arregaçadas em grande folia. A ceia era normalmente comida na rua à luz duma petromax após o que velhos e novos, mais os novos que os velhos, se juntavam num largo central «a prolongar o serão nas voltas das chamarritas bailhadas ao com­passo e ao ritmo da viola, da melodia da rabeca nas mãos dos tocadores, e das cantigas que, em despique, os cantadores cantavam.» A festa haveria de prolongar-se até que, cansados, os bailadores resolvessem recolher-se para dormir num canto qualquer da adega, ao som da linda música que o pingar do mosto fazia ao cair na selha.

Para Dias de Melo o milho era a base da alimentação. A farinha de milho sob a forma de bolo ou de pão tanto era cozinhada no tijolo como no forno. Cultivado em terrenos contíguos à casa ou mais longínquos, a apanha constituía, depois das vindimas, novo momento importante de partilha, um dia nos cerrados deste outro nos daquele. A faina começava de manhã cedo, já com os frios do Outono adiantado. Por volta do meio-dia, muitos de cesto às costas ou à cabeça, acarretavam-no para a atafona ou para a loja ou iam-se enchendo os carros de bois que, pela tarde, a chiar, o haveriam de trazer para casa. Seguiam-se os serões da descasca. Juntavam-se os vizinhos e dividiam-se tarefas, uns a abrir e a esgaçar a casca «com a ponta da navalha, ou com um fincão de faia bem aguçado», outros a quebrarem-na atirando as maçarocas e as folhas para os respectivos montes. Quando aparecia uma maçaroca de milho vermelho ou apenas rajada, havia festa de beijos e abraços numa risada que os mais novos prolongavam indefinidamente. Às vezes, brindavam com figos passados do Algarve a acompanhar uns copinhos de aguardente e ouviam-se histórias contadas ou lidas por um dos mais velhos. Acabada a descasca, o milho em maçaroca ia a secar no forno. Aquecia-se (também se aproveitava o calor que ainda tinha após a cozedura do pão) e lá ficava de um dia para o outro. O número de vezes que era preciso aquecer o forno dependia da abastança da colheita. Uma vez seco, retirava-se do forno e despejava-se numa esteira para ser debulhado à mão por homens e mulheres. Sentados à roda, «iam arrancando dos sabugos, com sabugos debulhados, melhor com debulhadeiras de bucho ou osso de baleia com dentes de ferro, a maçaroca na mão esquerda, a debulhadeira na direita, assim iam arrancando dos sabugos os grãos, e os grãos caíam, ao lado de cada homem, no regaço da saia de cada mulher, crescia o caculo de milho debulhado». Era depois arrecadado em latões, arcas, arquibancos. A escassez de milho em ano de seca levou a que se importasse dos Estados Unidos. Dias de Melo regista o facto várias vezes.

 

NB – Alguns dados e as transcrições foram retirados da net.

 

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FERNANDO MELO

Terça-feira, 06.09.16

O professor, jornalista e poeta Fernando Manuel Melo nasceu na pequena freguesia de S. João, concelho das Lajes do Pico, em 4 de Outubro de 1932. Estudou no Liceu da Horta e na Escola do Magistério Primário, daquela cidade, onde completou a sua formação escolar, em 1952, e onde, mais tarde, viria a ser professor de Didáctica.

Como jornalista, fez parte dos corpos redactoriais dos jornais Correio da Horta, Diário Insular e O Telégrafo. Tem colaboração dispersa por outros jornais do arquipélago açoriano, do continente e das comunidades da América do Norte. Prestou também colaboração à Rádio Difusão Portuguesa e à Rádio Televisão Portuguesa, nos Açores, como autor e realizador de programas, geralmente de natureza regional.

É autor de alguns poemas dispersos pela imprensa e de dois livros de contos tratando, geralmente, «quadros da infância».

Em 2004, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem de Mérito, pelo Presidente da República. Luís M. Arruda

Obras publicadas: Fragmentos da memória e A prenda de Natal ... e outras histórias.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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PODER E SERVIÇO

Segunda-feira, 05.09.16

 

“O poder só é limpo quando se traduz em serviço.”

(Francisco de Juanes)

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A LENDA DE SANTO AMARO DE PONTA DELGADA DAS FLORES

Domingo, 04.09.16

Na freguesia de Ponta Delgada, na ilha das Flores ainda hoje se venera e celebra uma grande festa em honra de Santo Amaro, a que acorrem peregrinos e forasteiros de toda a ilha, Consta que esta devoção se fundamenta numa lenta muito antiga, segundo a qual certo dia andava um homem daquela freguesia, na costa, no lugar do Rolo. A certa altura o homem apercebeu-se que o mar vinha trazendo um objeto que ele não conseguia identificar. Movido pela curiosidade e cuidando que fosse algo de valor, esperou algum tempo e, por fim, o mar pôs sobre as pedras do baixio o estranho objeto. O homem aproximou-se e viu que era uma bela imagem de Santo Amaro. Cuidando que era um milagre correu ao povoado a avisar outras pessoas, que ali acorrendo, comovidas e cheias de fé decidiram levar a imagem do santo para a igreja paroquial da freguesia.

 No dia a seguir, a imagem, sem que ninguém lhe tivesse tocado, apareceu lá em baixo, próximo do lugar onde o mar a tinha depositado. Todos acharam aquilo muito estranho e, sem saber como explicar o acontecimento, voltaram a trazer Santo Amaro para a igreja.

Mas o santo fugia sempre lá para baixo. Tentaram várias vezes mas nada conseguiam. Para baixo o santo ia de livre vontade, sozinho, sem que ninguém lhe tocasse, mas para cima ninguém o fazia vir.

 As pessoas começaram a pensar que o santo queria estar lá em baixo, onde tinha dado à costa e para isso tinham que lhe construir uma ermida naquele sítio. Com muita fé, mas também com muitas dificuldades, principalmente porque não havia água por perto para fazer a argamassa, começaram a construir a ermida. Acartavam a água de muito longe, da Ribeira do Moinho, de Além, de pé do Farol.

 Santo Amaro, vendo a boa vontade das pessoas, deu-lhes uma ajudinha e fez nascer uma fonte mesmo ali, de onde a água começou a jorrar em abundância.

 Passado algum tempo a ermida estava pronta e lá puseram Santo Amaro, onde esteve muitos anos e onde fez muitos milagres. Com o tempo a ermida começou a degradar-se e ruiu por fim. Santo Amaro foi trazido para a igreja paroquial de Ponta Delgada, onde continuou a ser homenageado com uma linda festa no primeiro domingo de setembro, uns dias antes da festa da Senhora da Saúde, na Fajã Grande. Ali acorriam muitos romeiros, vindos a pé, de toda a parte da ilha com as suas ofertas de bonecos de massa à cabeça ou às costas.

 O santo parecia que estava agora satisfeito porque aquele lugar onde tinha aparecido era seu. Apesar da sua ermida ter desaparecido, ao sítio onde ele tinha tido morada passou a chamar-se Santo Amaro e à fonte, que ainda hoje corre abundantemente no Cerrado do Adro, chamou-se e ainda agora se chama Fonte de Santo Amaro.

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TÃO BADALÃO

Sábado, 03.09.16

 

Tão, baladão,

Tão, baladão,

Cabeça de cão.

Orelhas de gato,

não tem coração.

Cantilena antiga dita pela criançada na Fajã Grande 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A BELA AURORA

Sexta-feira, 02.09.16

Aurora, apesar de pobre e desafortunada, era uma mulher de beleza rara e de uma simpatia contagiante. Essa a razão pela qual na pequena localidade onde vivia, na mais recôndita das ilhas açorianas, todos lhe chamavam A Bela Aurora. Era sobretudo os homens que mais a admiravam mas também a provocavam, não apenas por ser muito bela mas também e sobretudo porque era muito corajosa e anamuda, pois não tinha medo de nada, nem de coisa nenhuma. Aurora vivia sozinha na sua pobre casa. Os pais haviam falecido há muito e, embora tivesse muitos pretendentes, nunca se casara.

Certo dia já não podendo suportar as afrontas e os vis vitupérios de que era vítima por parte dos homens, nem a inveja e as intrigas em que a imiscuíam as mulheres, Bela Aurora, perante o espanto de todos, decidiu abandonar o povoado e ir viver para mato.

Subiu a Rocha, atravessou valados e grotões, rebolou-se sobre a fresca alfombra, sobre a qual dormiu a primeira noite, acordando encharcada com o sereno da madrugada. Cá em baixo, no povoado, todos estavam admirados e não sabiam como A Bela Aurora estava a dormir, sozinha de noite, no mato, naqueles tenebrosos e esconsos andurriais e não tinha medo.

No dia seguinte, decidida a continuar a viver ali, isolada e longe de todos os que a afrontavam, a Bela Aurora procurou uma pequena furna encravada na aba duma enorme pedra, rodeada de um denso arvoredo. Apanhou alguns fetos que vicejavam por ali perto, arranjou uns paus de cedro e fez uma pequenina cama, onde, na noite seguinte dormiu um sono, muito descansada.

Mas ao levantar-se, na manhã seguinte, sentiu muita fome, pois já não comia há dois dias Deu algumas voltas à procura de alimentos e, como nada encontrasse que lhe saciasse a fome, começou a chorar e no seu pranto dizia:

- Desviado de Deus seja, desviado de Deus seja, quem do meu bem se desvia. – E repetia com voz dolente como se fosse em eco - Quem do meu bem se desvia.

Preocupadas, algumas mulheres do povoado, mais bondosas e caritativas, vizinhas e amigas de Aurora, decidiram ir procurá-la, levando um retrato dela, a fim de ser mais fácil identificá-la.

Porém ao aproximarem-se dela, a Bela Aurora recusou-se a regressar com elas ao povoado. Já encontrara frutos, raízes silvestres, leite e mel com que se alimentava e vivia ali muito feliz. As mulheres nada puderam fazer, não conseguindo demovê-la da sua teimosia.

Antes de regressar a casa, despediram-se de Aurora e uma delas, a mais amiga da Bela Aurora, dizia em dolente cantoria:

- Trago o retrato da Aurora

Trago o retrato da Aurora

Na roda do meu vestido;

Na roda do meu vestido;

Antes que a Aurora se vá

Antes que a Aurora se vá

Fica o retrato comigo

Fica o retrato comigo.

Então as outras formando uma grande roda ao redor da Bela Aurora cantaram e dançaram:

- Dá-me os teus braços Bela Aurora

Dá-me os teus braços Bela Aurora

Ó Bela Aurora,

Adeus que me vou embora

Ó Bela Aurora,

Adeus que me vou embora.

Consta que foi assim que nasceu a canção da Bela Aurora que ainda hoje se canta em todas as ilhas e localidades açorianas.

 

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FURACÃO GASTON

Quinta-feira, 01.09.16

Segundo o jornal Diário de Notícias, o Furacão Gaston, está a aproximar-se do arquipélago dos Açores, não devendo, no entanto afetar de forma relevante todas as ilhas do arquipélago, nomeadamente as mais orientais.

Segundo os meteorologistas trata-se de um furacão de categoria três numa escala de um (menos grave) a cinco (mais grave), que deverá atingir algumas ilhas açorianas este sábado, mas já como tempestade tropical. A perturbação encontra-se, neste momento, segundo o mesmo jornal, a leste das Bermudas, mas deverá descrever uma rota para Nordeste, afetando as ilhas açorianas.

Atualmente, com ventos na ordem dos 180 km/h, o Furacão Gaston deverá chegar aos Açores no sábado, mas já enfraquecido. De acordo com a delegação regional do Instituto do Mar e da Atmosfera (IPMA), os modelos apontam para a probabilidade da passagem deste ciclone, mas já como tempestade tropical.

A tempestade deverá perturbar o estado do tempo sobretudo nos grupos ocidental e central. São Miguel e Santa Maria não devem ser atingidas de forma relevante. Até ao momento, nenhum alerta de mau tempo foi emitido, o que, a acontecer, deverá surgir até 48 horas antes do evento meteorológico (quinta-feira).

Devido a esta previsão a Atlanticline já alterou as suas viagens nos próximos dias, tendo divulgado o seguinte comunicado:

A Atlânticoline informa que devido à elevada agitação marítima acrescida de uma velocidade de vento considerável devido à aproximação do furacão Gaston, as viagens do navio “Express Santorini” entre Faial-Pico-São Jorge-Terceira e Terceira-Graciosa-São Jorge-Pico-Faial, e as viagens do navio "Paraguana I" entre São Miguel-Terceira-São Miguel, previstas para sexta- feira, dia 2 de setembro, serão antecipadas para o dia 1 de setembro, no mesmo horário.

Em relação à viagens entre São Miguel-Santa Maria, mantêm-se, para já, no horário previsto do dia 2 de setembro.

A Atlânticoline lamenta o transtorno causado.

Aguarda-se que a tempestade prevista não altere significativamente as ligações aéreas entre as ilhas. A Sata ainda não emitiu nenhum comunicado.

Segundo informações de última hora, adiantadas por alguns meios de comunicação e via net o Gaston tem aumentado sensivelmente a sua força, soprando algures no Atlãntico com ventos na ordem dos 195 km hora. No entanto o delegado nos Açores do Instituto Portugu~es do Mar e da Atmosfera afirmou que o furacão Gaston deverá atingir os Açores na madrugada de sábado já enfraquecido, ou seja, na categoria de tempestade tropical, afetando sobretudo os Grupos Ocidental e Central do arquipélago com ventos de 65 kilometros por hora e rajadas de 85 km/h.
Note-se que o Gaston é o sétimo furação a formar-se no Atlântico neste ano de 2016. O primeiro furacão a formar-se foi o Alex, que atingiu os Açores em Janeiro e foi um fenómeno muito raro, que já não acontecia há quase 40 anos, uma vez que os furacões nesses meses são muito raros, sendo a sua época normal de formação entre Junho e Novembro.

 

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O APOJO

Quarta-feira, 31.08.16

Na Fajã Grande, na década de cinquenta, toda a criançada se pelava por beber uma tampinha de leite, na altura da ordenha. Ainda morno, a cheirar a erva fresquinha, era sobretudo na altura do oitono, ou seja, nos meses de março, abril e maio, durante os quais o gado estava amarrado à estaca, nas terras do cultivo, alimentando-se das forrageiras e de erva fresquinha que era para ali acarretada, que o leite sabia melhor. Até parecia que tinha um agradável sabor ao trevo ou à erva da casta. Outras vezes, sobretudo nos meses de inverno, quando os pais chegavam a casa com as latas bem cheiinhas de leite, após a ordenha era um rodopio à volta das mesmas, a fim de se conseguir a tão desejada tigelinha do dito cujo. O leite era, incondicionalmente, um dos nossos principais e mais importantes alimentos.

Mas os nossos pais, melhor do que ninguém conheciam a força do leite e o seu valor como elemento fundamental na nossa alimentação, pelo que regra geral, quando os acompanhávamos na ordenha, davam-nos sempre para beber uma tampa não de qualquer leite mas pediam-nos que aguardássemos para o fim da ordenha, a fim de sermos agraciados com o último leite retirado do úbere da vaca, ou seja, o apojo. Bem sabiam eles que este era o mais saudável e nós que era não apenas o melhor, o mais saboroso e até o mais quentinho.

Na verdade o apojo é o leite mais consistente e mais espesso e por conseguinte o mais saudável e mais forte, extraído da vaca, depois de tirado o primeiro, que é bastante menos grosso. É também o que tem melhor sabor. Por isso mesmo sabia tão bem e, pelos vistos era muito saudável, uma tampa de apojo, sobretudo nos campos, após a ordenha quando as vacas estavam amarradas à estaca.

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A BRANCA DE NEVE

Terça-feira, 30.08.16

Este era mais um dos contos que tantas vezes ouvíamos aos serões que, por fim, já os sabíamos de cor. Rezava assim a história da Branca de Neve e dos seus amigos, os Sete Anões:

Era uma vez um rei que era viúvo e vivia num reino distante, com a sua filha pequena, que se chamava Branca de Neve. O rei, como se sentia muito só, voltou a casar, achando que também seria bom para a sua filha ter uma nova mãe. A nova rainha era uma mulher muito bela mas também muito má, e não gostava de Branca de Neve que, quanto mais crescia, mais bela se tornava.

A rainha malvada tinha um espelho mágico, ao qual perguntava, todos os dias:

- Espelho meu, espelho meu, haverá mulher mais bela do que eu?

E o espelho respondia:

- Não minha rainha, és tu a mulher mais bela do mundo!

Mas uma manhã, a rainha voltou a perguntar o mesmo ao espelho, e este respondeu:

- Tu és muito bonita minha rainha, mas Branca de Neve é agora a mais bela!

Enraivecida, a rainha ordenou a um dos seus empregados que levasse Branca de Neve até à floresta e a matasse, trazendo-lhe de volta o seu coração, como prova.

Mas o criado teve pena da Branca de Neve e disse-lhe para fugir em direção à floresta e nunca mais voltar ao reino.

Já na floresta, Branca de Neve conheceu alguns animais, os quais se tornaram seus amigos. Também encontrou uma pequenina casa e bateu a sua porta. Como ninguém respondeu e a porta não estava fechada à chave, entrou. Era uma casa muito pequena, que tinha sete caminhas, todas muito pequeninas, assim como as cadeiras, a mesa e tudo o mais que se encontrava na casa. Também estava muito suja e desarrumada, e Branca de Neve decidiu limpá-la e arrumá-la. No fim, como estava muito cansada, deitou-se nas pequenas camas, que colocou todas juntas, e adormeceu.

A casa era dos sete anões que viviam na floresta e, durante o dia, trabalhavam numa mina.

Ao anoitecer, os sete anões regressavam à sua casinha, quando deram com Branca de Neve, adormecida nas suas caminhas. Que surpresa! Com tanta excitação, Branca de Neve acordou, espantada e rapidamente se apresentou:

- Eu sou a Branca de Neve.

E os sete anões, todos contentes, também se apresentaram:

- Prazer em conhecê-los. Respondeu Branca de Neve, e logo contou a sua triste história. Os anões convidaram Branca de Neve a viver com eles e ela aceitou, prometendo-lhes que tomaria conta da casa deles.

Mas a maldita rainha, através do seu espelho mágico, descobriu que Branca de Neve estava viva e que vivia na floresta com os anões.

Então, furiosa, vestiu-se de senhora muito velha e feia e foi ter com Branca de Neve. Com ela levou um cesto de maças, no qual tinha colocado uma maça vermelha que estava envenenada!

Quando viu Branca de Neve, cumprimentou-a gentilmente, e ofereceu-lhe a maça que tinha veneno.

Ao trincá-la, Branca de Neve caiu, como se estivesse morta. A malvada rainha fugiu e, avisados pelos animais do bosque, os sete anões regressam apressadamente a casa, encontrando Branca de Neve caída no chão.

Muito chorosos, cuidando que ela estava realmente morta, os anões colocaram Branca de Neve numa caixa de vidro, rodeada por flores.

Estavam todos em volta de Branca de Neve, quando surgiu, no meio do bosque, um príncipe no seu cavalo branco. Ao ver Branca de Neve, o príncipe de imediato se apaixonou por ela e, num impulso, beijou-a. Branca de Neve acordou: Afinal estava viva!

Os anões saltaram de alegria e Branca de Neve ficou maravilhada com o príncipe que a levou para o seu castelo, onde casaram e viveram muito felizes para sempre.

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