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LIBERDADE

Quarta-feira, 28.06.17

 

Numa definição simplificada pode considerar-se a liberdade como o direito concedido ao ser humano de fazer o que a legislação permite, isto é, o conjunto de direitos reconhecidos naturalmente à pessoa humana quer considerada isolado ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado. Esta dádiva uma vez concedia permite ao individuo o poder de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei, respeitando a liberdade do outro.

A liberdade foi e ainda é bastante discutida entre os filósofos, todos em busca de uma explicação convincente e correta acerca desta palavra que diferencia a existência humana. Começando na antiguidade, Sócrates considerava que o homem livre é aquele que consegue dominar os seus sentimentos e os seus pensamentos, o que se domina a si próprio e Platão entende por liberdade a opção de cada indivíduo em viver com a virtude e em consonância ou não com a moral. Por sua vez Aristóteles acreditava que a liberdade consistia numa harmoniosa integração do indivíduo numa sociedade em que a escravatura abrangia a maior parte dos homens.

Para Descartes age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha. Dessa premissa, decorre o silogismo lógico de que, quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores são as possibilidades dela ser escolhida pelo agente. Para Espinoz a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido ser livre significa agir de acordo com sua natureza. Assim, é mediante o exercício da liberdade que o homem se exprime como tal e em sua totalidade. Esta é também, enquanto meta dos seus esforços, a sua própria realização. Leibniz considera que o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade que rege os objetos do mundo material. Mas para Schopenhauer a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenómenos da natureza, até mesmo as suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente vontade.

Finalmente para Sartre a liberdade humana constitui-se com verdades concretas e históricas sobre o homem e só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das suas próprias condições materiais de existência.

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FOGO DESTRUIDOR

Terça-feira, 27.06.17

Todo o fogo, qualquer que ele seja, arrasa, aniquila, mata e tudo destrói.

O fogo foi a maior conquista do homem que depressa aprendeu a utilizá-lo em seu proveito.

Na verdade o fogo, inicialmente, foi muito proveitoso para o homem, pois serviu-lhe de proteção contra os predadores mais perversos, protegeu-o do frio e ajudou-o em muitas atividades relacionadas com a sua sobrevivência, incluindo o cozinhar dos alimentos. Mas o fogo foi e continua a ser o grande responsável pelo desenvolvimento e criação de armas de guerra e a impor-se como força, desastradamente, destruidora.

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HÁ PROFESSORES QUE NUNCA SE ESQUECEM

Segunda-feira, 26.06.17

Num destes dias ao terminar com sucesso uma operação de Pagamento de Serviços num Multibanco, olhei para o lado e deparei com uma senhora, ainda jovem e acompanhada de um rapazito, a olhar para mim, ao mesmo tempo que emanava um sorriso doce e alegre. Nada que me espantasse, por quanto situações destas ocorrem com alguma frequência.

Voltei a minha atenção para máquina, não fosse ela sugar-me o cartão. Depois guardei-o na carteira assim como o talão comprovativo do pagamento que acabara de efetuar.

Aproximei-me da senhora que, para espanto do rapaz, continuava a sorrir, manifestando uma enorme vontade de falar comigo. Indaguei:

- Foi minha aluna, não foi?

- Claro… É natural que não se lembre… Foi há tantos anos…

Conversamos um pouco. Recordamos, nomes, tempos, datas e algo mais.

Por fim despedindo-se ela concluiu:

- Tinha tanta vontade de falar consigo. É que… Há professores que nunca se esquecem…

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O SENHOR DA PEDRA

Domingo, 25.06.17

Minha mãe contava uma estória muito antiga que ouvira contar a tia Fraga, uma velhinha que morava numa pequena casa em frente à da minha avó. Pelos vistos tratava-se duma estória que tia Fraga, em criança, ouvira contar às mulheres de uns pedreiros naturais de Vila Franca, na ilha de São Miguel e que se haviam fixado na Fajã Grande por altura da construção da igreja e das casas do Espírito Santo.

Contava então tia Fraga que há muitos anos atrás, na praia do Corpo Santo em Vila Franca do Campo, andavam uns pescadores a lançar as redes quando encontraram um caixote muito grande. Reparando melhor viram que vinha alguma coisa escrita. Mostrando-o a quem sabia ler, descobriram que nas tábuas estava escrita a seguinte mensagem: “ Para a Misericórdia de Vila Franca do Campo”

Foram logo entregar a caixa a quem de direito e procedeu-se à sua abertura. Todos ficaram muito surpresos com o conteúdo: era uma imagem do Senhor Jesus, sentado numa pedra, muito semelhante o Senhor dos Passos, aqui da Fajã Grande.

Toda a gente da vila ficou muito admirada pois ninguém tinha feito tal encomenda, por isso consideraram que era um milagre e guardaram a imagem que passou a chamar-se Senhor da Pedra, numa capela da igreja. Ainda hoje concluía minha mãe, o povo continua sem se saber quem mandou aquela imagem para Vila Franca, mas o que é certo é que a imagem do Senhor da Pedra trazida pelo mar queria mesmo ficar em Vila Franca do Campo.

 

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PADRINHOS

Sábado, 24.06.17

“Quem não tem padrinhos não se batiza.”

 

Este adágio, como era muito utilizado na Fajã Grande mas, como é óbvio, apenas no sentido figurado, pois na realidade nunca ninguém ficou por batizar na Fajã Grande por não ter padrinhos nem por outro motivo qualquer.

Assim usava-se este provérbio querendo significar-se que em inúmeras situações do quotidiano muitas pessoas conseguindo sucesso na sua vida ou no seu trabalho ou alcançar qualquer benefício não em virtude dos seus méritos mas graças a alguém mais poderoso que tudo conseguia e de quem era protegido. Eram as vulgarmente chamadas “cunhas” para arranjar um emprego, obter proteção, livrar-se da tropa, etc, etc. Esta situação parece ser tão antiga e tão comum em Portugal que consta que el-rei D. João III, certo dia, terá dito:

- Toda a gente tem padrinhos neste país. Apenas eu não os posso ter.

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VERBO HAVER

Sexta-feira, 23.06.17

O verbo haver, no sentido de acontecer ou existir, é sempre impessoal, pelo que tem de se conjugar apenas na terceira pessoa do singular.

É verdade que a regra geral da concordância verbal da Gramática Portuguesa obriga a que o verbo concorde sempre com o seu sujeito, porém esta regra não se aplica ao verbo haver, quando ele substitui o verbo existir ou uma expressão similar. Neste caso, o verbo haver é impessoal. Assim não se deve dizer “Houveram problemas”, mas “Houve problemas”. Note-se, no entanto, que se substituirmos o verbo haver por existir, esse deve ser flexionado normalmente: “Existiram problemas.” Assim, o verbo haver, enquanto verbo impessoal, com sentido de existir, é conjugado apenas na 3.ª pessoa do singular (houve), independentemente da restante frase estar no plural ou no singular. Assim o correto é dizer:

Houve muitas pessoas interessadas na vaga de emprego.

Houve dificuldades na implementação do novo projeto.

Na verdade o verbo haver, geralmente, refere-se ao ato de ter existência, de acontecer, de estar presente, de decorrer, fazer, recuperar, julgar, comportar-se e entender-se. Contudo, é usado principalmente com significado de ter ou existir. É um verbo irregular e complexo, com algumas particularidades na conjugação.

A forma conjugada houveram tem uma utilização muito reduzida, estando apenas correta a conjugação do verbo haver em todas as pessoas quando o verbo haver se apresenta como verbo auxiliar, precedendo um verbo principal, com sentido equivalente ao verbo ter: Eles tiveram/eles houveram.

Exemplos:

Semana passada, ele houve de ir conversar com o diretor sobre suas novas funções.

Semana passada, eles houveram de ir conversar com o diretor sobre suas novas funções.

Houve de acontecer essa situação para que você me desse valor.

Houveram de acontecer essas situações para que você me desse valor.

Houveram de esperar largo tempo

Havia aparecido uma   mancha de  óleo.

Haviam  aparecido manchas de óleo.

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NÚMEROS DO PICO DA VIGIA 2

Quinta-feira, 22.06.17

A plataforma Sapo Blogs que sustenta, entre centenas de outros, este blog Pico da Vigia 2, tem seguido e referenciado os blogs que, nestes dias tem apresentado publicações sobre tragédia causada pelos incêndios florestais no município de Pedrógão Grande. Números impressionantes: 649 resultados encontrados em títulos de blog, í1149 resultados encontrados em postes, 149 resultados encontrados em comentários. Ora entre os inúmeros blogs citados surge o Pico da Vigia 2, o que nos honra e dignifica, numa altura em que também atingimos números muito positivos: 3.000 postes colocados, 32.160 visitas, com uma média diária de 43 visualizações diárias. Recorde-se que o poste mais visitado desde sempre foi A População dos Açores Segundo o Censos 201que obteve 1, colocado no dia 14 de Novembro de 2013, que obteve 891 visualizações.

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LAVANDEIRAS – AS GALINHAS DE NOSSA SENHORA

Quarta-feira, 21.06.17

Conta-se que antigamente havia uma mãe que vivia na companhia duma filha. O marido e pai morrera há muito, mas lembravam-no constantemente e, todos os dias iam ao cemitério chorar e rezar sobre a sua sepultura. A mãe, apesar dos cabelos brancos, possuía um rosto ainda belo e que evidenciava nobreza e caridade. A filha era muito jovem, alta e esbelta, de pele fresca e levemente corada, mas evidenciando no rosto a mesma expressão de bondade, que também tinha sido a maior virtude do pai, que sempre distribuíra o bem, enquanto vivo, por quem o rodeava.

Certo dia em que estavam ajoelhadas a rezar fervorosamente sobre a sepultura do marido e pai uma avezinha pousou perto delas, agitando constantemente a cauda como se estivesse chamando a atenção das duas mulheres. Era uma ave muito pequenina, de cor acinzentada, com manchas brancas e amareladas na cabeça e no pescoço e negras nas asas. De repente a avezinha, deixando mãe e filha pasmadas, começou a falar, dizendo:

 — Escolhi-vos para que digais ao povo desta terra, dedicada a São José que eu fui eleita por Deus para proteger Nossa Senhora, o José na fuga para o Egipto, cobrindo de pó com a minha cauda em leque, o rasto da burrinha que os transportava. Dizei também aos habitantes desta, terra que a minha alimentação é o gorgulho do trigo e que lhes sou muito útil porque limpo os celeiros desse inseto tão indesejado.

 Depois de dizer isto, levantou voo, enquanto mãe e filha recuperavam do susto. Já não tiveram mais tranquilidade para continuar as suas orações, regressaram a casa, contando a quem encontravam o que tinham visto e ouvido.

E consta que o povo acreditou nas duas mulheres e desde então começaram a acreditar que as lavandeiras eram aves sagradas, as galinhas de Nossa Senhora. Por isso é que na Fajã Grande, pelo menos até à década de cinquenta do século passado,  não se perseguiam nem caçavam lavandeiras.

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TEMPESTADE

Terça-feira, 20.06.17

 

A noite está fria,

muito fria,

- um deserto de gelo.

 

Há tempestade,

sopra um vento ciclónico,

chove torrencialmente.

 

Há destruição e caos.

 

… e foi o mar

- esse monstro terrível e  terrificante –

com uma aparente dádiva generosa,

que destruiu tudo,

abalroando a beleza da falésia.

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PEDRÓGÃO GRANDE O CONCELHO MÁRTIR

Segunda-feira, 19.06.17

Pedrógão Grande é uma vila portuguesa no Distrito de Leiria, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, com menos de 2 000 habitantes. É sede de um município com 128,75 km² de área e 3 915 habitantes, segundo o censos de 2011, distribuídos em três freguesias: Pedrógão Grande, Vila Facaia e Graça. O município é limitado a noroeste pelo município de Castanheira de Pera, a leste por Góis e Pampilhosa da Serra, a sueste pela Sertã e a oeste por Figueiró dos Vinhos.

O concelho de Pedrógão Grande é um dos mais ricos de Portugal em belezas naturais. Os vestígios arqueológicos encontrados na região dão provas da sua história remontar aos tempos pré-históricos, talvez ao final da Idade do Bronze.

O primeiro foral foi concedido em 1206, por D. Afonso Pedro, filho bastardo de D. Afonso Henriques. Contudo, só em1898 passa definitivamente a concelho, continuando a sua Comarca em Figueiró dos Vinhos.

O tecido económico de Pedrógão Grande é caracterizado essencialmente pelo sector secundário, com relevo para a exploração florestal, têxteis e construção civil. A indústria de espetáculos, nomeadamente carrosséis e diversões públicas são, igualmente, uma referência no concelho.

Atualmente, começam a ser explorados os recursos naturais, considerados como uma grande potencialidade do concelho, a par da riqueza cultural e infra-estruturas de apoio ao turismo.

Os locais de interesse turístico passam pela grande beleza natural deste concelho. A par das barragens, albufeiras e piscinas fluviais, também o centro histórico da vila assume destaque pelas inúmeras residências de traço da fidalguia provinciana. Destaque ainda para uma Ponte Filipina, Ponte sobre o rio Zêzere e aBarragem do Cabril

O seu artesanato é rico em peças de madeira, cortiça e estanho, mas também rendas, bordados e tecelagem.

Apesar de pertencer ao distrito de Leiria e fazer parte da Beira Litoral, a composição do solo e os costumes da sua população assemelham-se mais às características da província da Beira Baixa.

Pedrógão Grande faz fronteira com os concelhos de Castanheira de Pera, Góis, Sertã, Figueiró dos Vinhos e Cernache do Bonjardim. A nível cultural destaque para a Casa Museu Manuel Nunes Corrêa, o Museu de Arte Sacra, o Museu Pedro Cruz o Museu da República e Maçonaria o Museu das Concertinas.

Entre as Festas, Feiras e Romarias são de realçar a Semana Santa e a Festa do Senhor dos Aflitos no mês de Abril e ainda no dia 10 de Junho a Festa do Senhor dos Bons Caminhos, Lugar de Regadas, no dia 12 a de Santo António, Pesos Fundeiros e a 24 Julho, dia do Feriado Municipal, as Grandes Festas de Verão, Pedrógão Grande e em Agosto a Festa de Senhora da Graça, Graça 1º fim-de-semana - Festa da Senhora da Estrela, Graça 2º domingo - Festa da Senhora da Consolação, Escalos do Meio 3º domingo - S. Vicente Ferrer, Troviscais Cimeiros Santo António - Salaborda Nova Último domingo de Agosto - Festa da Senhora da Saúde, Louriceira Festa da Senhora do Rosário, Derreada Cimeira

Em Setembro a Festa da Senhora dos Milagres, Pedrógão Grande Fim-de-semana após o dia 8 - Festa da Senhora da Piedade, Vila Facaia 3º fim-de-semana - Festa da Senhora do Carmo, Lugar da Picha Dia 25 - Festa de Santa Lurdes, Escalos Cimeiros. Em Outubro tem lugar a festa S. Vicente dos Pinheirais, na Mó Grande e em 25 Novembro realiza-se a Feira anual de Santa Catarina, Vila Facaia

Em Pedrógão Grande nasceu Primavera das Neves (1933-1981), tradutora que viveu no Brasil e Miguel Leitão de Andrada (1553-1630), jurista e escritor

Foi este o concelho mártir e sofredor num dos dias mais trágicos e negros da nossa História.

NB - Dados retirados da Wikipédia

 

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AMIGO

Domingo, 18.06.17

"Amigo é sempre amigo, não importa onde esteja. Se está a teu lado, ou a quilômetros..."

 

C R 

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A LENDA DA BORBOLETA DA ILHA DO PICO

Sexta-feira, 16.06.17

Era uma vez uma borboleta enorme, com asas muito coloridas em forma de coração. Tinha um feitio atrevido, curioso e era muito veloz.

Certo dia, ouviu dizer que dentro da montanha da ilha do Pico, havia um Reino de Fantasia. Decidiu investigar e encontrou uma de 3 passagens para lá entrar Escolheu a primeira, ou seja, a passagem aérea, acessível a partir do cume do Piquinho da imponente montanha. Mas havia ainda havia uma passagem terrestre a partir das Grutas das Torres e uma outra - aquática - situada no Porto da Madalena.

Quando entrou dentro da Montanha, a Borboleta Gigante de imediato se transformou numa bela princesa e, impedida de voar, caiu em cima de algas fofinhas.

Como era muito habilidosa e vaidosa também, decidiu com as algas tricotar um lindo vestido.

Assim vestida, encontrou, algum tempo depois, um belo Príncipe que se apaixonou por ela de imediato. Mas, como era muito tímido, não teve coragem de se declarar pessoalmente, mandando-lhe entregar um bilhete onde perguntava se ela queria casar com ele.

A Princesa Borboleta disse que sim.

Casaram, fizeram uma festa e tiveram cinco filhos: um cagarro, um cachalote, um milhafre, uma vaca e um golfinho - que por sua vez cresceram, fizeram as suas famílias e continuam a viver não apenas na ilha do Pico mas também em todas as outras ilhas dos Açores.

 

NB – Adaptação de um texto popular

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PAÍS SEM LENDAS

Quinta-feira, 15.06.17

 

“Um país sem lendas é um aborrecimento, é capaz de nem existir."

 

José Viale Moutinho

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AS TRÊS MENINAS E A ÁRVORE DO DINHEIRO

Quarta-feira, 14.06.17

Eram uma vez três meninas órfãs que foram às amoras para o mato. De repente levantou-se um denso nevoeiro. Entontecidas e sem saber para que lado estava o caminho através do qual deviam regressar a casa, as meninas perderam-se. Sem que se apercebessem e como que miraculosamente, viram junto de si uma mulher morena, com seus cabelos loiros e com muitas tranças. O nevoeiro desapareceu por completo, fez-se um sol radiante mas as meninas não conseguiram perceber onde estavam nem ver o caminho que haviam percorrido anteriormente. A mulher não falou com elas pois estava sentada, de costas para elas a ler um livro com o nome Árvores em Extinção.

A menina mais velha aproximou da mulher e, muito curiosa, começou a olhar o livro por de traz dela. Conseguiu apenas ler um pouco de uma página que dizia o seguinte:

- Havia num certo local uma árvore chamada Árvore do Dinheiro. Quem fosse lá e desse apenas dez 10 centavos, ganhava 10 mil escudos. Isto cada vez que la fosse e todas as pessoas poderiam lá ir todos os dias. Essa árvore estava localizada em um sítio abandonado do mato lá para os lados das Pontas Brancas…

A menina ficou muito interessada e decidiu falar com a mulher. Disse-lhe então:

- Nós gostávamos de ir procurar essa árvore.

A mulher retorquiu, dizendo que também ia procurar essa árvore. Se as três meninas quisessem poderiam ir junto com ela. Mas teria que ser no dia seguinte, pois como não tinham nenhum dinheiro ali, teriam que ir buscar os dez centavos a casa.

No dia seguinte, sem dizer nada a ninguém, partiram de novo para o mato e encontraram a mulher no mesmo sítio. Partiram então, como combinado, para os lados onde a mulher lhes dissera que existia a árvore mágica. Chegaram ao local e na verdade encontraram uma árvore estranha só que de repente e enquanto estavam de frente para a árvore a mulher desapareceu.

As meninas chamaram, procuraram, mas nada. A mulher havia desaparecido.

Atónitas as três meninas aproximaram-se da árvore. De repente o céu começou a ficar muito escuro, levantando-se um grande temporal e um denso nevoeiro. As meninas desapareceram e nunca mais ninguém as viu, nem ninguém mais ouviu falar delas.

 

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MARÉ CHEIA

Terça-feira, 13.06.17

Era uma tarde de calor sufocante, arreliador. Imperava um silêncio demolidor, aniquilante. Pelas ruas quase desertas corriam ecos petrificados das sombras que, na véspera, haviam domado todos os destinos. No ar pairava um perfume azulado e, por entre as vidraças das janelas semicerradas, olhos ávidos espreitavam o restolho da bruma que envolvera a madrugada. As casas, humildemente plantadas sobre o perfume da lava, tinham portas e janelas cerradas e nenhum automóvel espelhava o brilho entontecido do sol. Ainda era cedo, mas era verão e o dia estava muito claro.

Buliçoso estarrecer que se envolve em emoções edificadas sobre castelos de vento.

Mas de repente um enorme clarão surgiu de oeste desfazendo todas ansiedades, desobstruindo todos os caminhos, desmistificando toda a escuridão. Era a destruição radical e definitiva do silêncio, das sombras, das incertezas e dos sonhos perdidos.

O único caminho aberto era mar e por isso, o único percurso imposto, a percorrer em loucura desusada, era o mar. Só o mar, pois era o mar que embalava a sublimidade, que acariciava a beleza, que aconchegava a transcendentalidade.

Sobre a rocha negra do baixio, num rasgo de cimento ali plantado, um raio de sol espelhado em silêncio, entregava-se à contemplação. As formas desenhadas pelas sombras circundantes entonteciam e provocavam dulcificados espasmos nas gaivotas.

E o mais estranho de tudo é que a maré estava cheia.

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VAZIO

Segunda-feira, 12.06.17

 

(POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

 

O dia começou cheio de sol,

agora pegou chuva.

Por trás da sua vidraça,

indiferente, um gato

todo estendido dorme.

Da marcenaria lá em baixo

sobe o som intermitente

de um martelo pregando

um móvel qualquer que o mestre

quer talvez aprontar hoje,

 

Largo o livro que lia

e de novo olho para a rua

onde não passa ninguém.

Por cima de um muro de quintal

as folhas de uma amoreira

tremem devagar, gotejando,

O martelo já se calou.

O gato começou a espreguiçar-se.

 

Agora é uma frágil música

talvez de flauta de cana,

como cuada pela chuva

que já está estiando.

 

Ergo-me da cadeira onde lia

enfio o casaco e caminho

direito à porta da rua.

Até à Praça, ou no café,

hei-de encontrar algum amigo

para a conversa desta tarde.

 

 

Pedro da Silveira, Fui ao Mar Buscar La

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A FONTE DA ENCOSTA

Domingo, 11.06.17

 

Ramos de árvores despedaçados

Transformaram em medo o silêncio

E todas as aves partiram entontecidas

Como se fossem pétalas de flores

Transportadas pelo vento norte.

 

Sobre a alfombra hesitante, desvigorosa,

Corria um rio de mágoa e desespero.

E pela encosta deserta e abandonada

Escorriam murmúrios agrilhoados,

- Gritos de sufoco

 

Ao redor apenas a noite,

Trágica e anunciadora de um fim

Que nunca começara.

 

Ah, ali perto havia uma fonte

- a fonte da encosta - 

De onde nunca jorrara água…

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PASTOR ET NAUTA

Sábado, 10.06.17

Entrou para o Seminário Menor de Santo Cristo no ano letivo de 1961/62, completando o curso de Teologia em 1973. Natural da Fajazinha das Flores, exerceu a sua atividade paroquial em São Jorge, nas Flores, no Pico e na Terceira, onde trabalha atualmente. Alguns anos depois de terminar o curso do Seminário, licenciou-se em Teologia na Universidade Católica, foi professor e Diretor Espiritual do Seminário de Angra e responsável pela coordenação do ensino de Religião Católica e Moral e diretor do Serviço Diocesano de Apoio à Catequese e Evangelização da Diocese de Angra.

Embora tendo-o encontrado várias vezes, ao longo destes mais de quarenta anos que nos separam dos tempos em que fomos alunos no SEA, foi com enorme alegria, júbilo e regozijo que nos reencontrámos, no Encontro de Julho, em Angra. É que a amizade que cultivámos reciprocamente ao longo dos nove anos em que convivemos nas salas, pátios e corredores do Seminário era reavivada e reforçada com variados encontros e convívios que nos era possível manter nas férias de verão, devido à proximidade e vizinhança das nossas freguesias de origem: Fajãzinha e Fajã Grande, na ilha das Flores.

A sua participação no encontro foi fabulosamente importante, extremamente dinâmica e altamente profícua. Na véspera do Encontro se iniciar, tornou-se um dedicado acompanhante do pequeno grupo dos que primeiro chegaram a Angra, entre os quais eu próprio me incluía. Conduziu alguns na sua própria viatura, levando-os ao “Beira-Mar” e acompanhando-nos num dos melhores e mais conhecidos restaurantes da Ilha Terceira, debruçado sobre o Porto de São Mateus, num cenário absolutamente pitoresco, onde nos foram servidas umas deliciosas lapas grelhadas, segundo se diz por aquelas bandas, “do melhor que há nos Açores” e peixe grelhado da excelente qualidade. Um petisco de se lhe tirar o chapéu! Durante os três dias do Encontro, manteve um acompanhamento contínuo, uma atividade ininterrupta, servindo, muitas vezes de elo de ligação entre os visitantes e o próprio Seminário. Acompanhou-nos na visita à Casa Sacerdotal de Angra, construída sob a égide da Irmandade de São Pedro ad Vincula e onde se albergam alguns sacerdotes da diocese, servindo-nos de cicerone e guia.

No entanto, o que mais notabilizou a sua participação no Encontro, foram as excelentes “imitações” de algumas figuras muito conhecidas no meio eclesial angrense, com que nos brindou, nos momentos de descanso e lazer. Foi ele ainda ele que com muita dignidade e perfeccionismo leu uma mensagem escrita e enviada por quem esteve impedido de estar presente em algumas atividades, por motivos de saúde.

Em suma foi um verdadeiro “Senhor” do Encontro, teve um desempenho notável no mesmo, acompanhando-nos permanentemente, pese embora mantivesse, na ilha Terceira, as suas atividades a nível profissional. Um verdadeiro pastor seja pastor e marinheiro, isto é sacerdote amigo e companheiro. Bem se poderia dizer, parafraseando São Malaquias Pastor et Nauta.

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RECICLAGEM DA PEDRA

Sexta-feira, 09.06.17

“A paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico representa uma obra-prima da genial criatividade humana na medida em que, face a um ambiente adverso e em tudo propício ao abandono, o Homem teve a capacidade de superar a própria natureza e transformar a pedra, aparentemente inútil mas abundante, em sustento e modo de sobrevivência."

C. M. da Madalena - Pico

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ABA LOIRA

Quinta-feira, 08.06.17

No baixio rebuscado e negro, virado a oeste havia um gigantesco pedaço de lava em forma de aba. Uma espécie de furna, excêntrica e pouco recoberta mas recôndita e solitária. Quando bravo e em momentos de maré cheia o mar acicatava-a, provocando-a com as ondas altivas e assombrosas, salpicando-a de salmoira acetinada, tingindo-a de espuma esbranquiçada, enchendo-a de água loira e refrescante. Depois, com o descer da maré e, sobretudo com amansar das ondas, a água perdia-se por entre gretas e frestas circundantes e a espuma, queimada pelo Sol, evaporava-se deixando-a coberta de um perfume intransigente e esverdeado.

Era o tempo dos sargos, das garoupas, dos peixes-reis, das prumbetas e havia no rebordo exterior da aba uma espécie de bancada, tosca e assimétrica, onde nos sentávamos, e no papel por macular de desejos inconfessados, lançávamos ao mar caniços bem aparelhados e recheados de iscos apetitosos.

Ficávamos ali a sonhar, a remoer sonhos, a joeirar desejos e quando um ou outro peixe mordia o isco enchíamo-nos de contentamento e gáudio. Recolhíamos de imediato os caniços, desprendíamos os pobres peixinhos, revoltados, a espernear na ânsia de se libertarem. De mãos dadas estarrecíamos. Quando a safra terminava olhávamos lá ao longe as rilheiras dos navios desenhadas no oceano, as sombras de ilhas perdidas no horizonte, os ecos dos vulcões adormecidos no seio da terra, o perfume da lava hibernada junto ao mar. Depois perdíamo-nos, entontecidos, absortos, mordendo a tarde e alongando na boca o perfume das flores e o gosto dos frutos. Olhávamos as ondas amordaçadas e aparentemente tímidas e enchíamos os sonhos que se espelhavam no brilho amarelado do horizonte.

Era nessa aba que se acolhiam os devaneios que se enfadavam dentro de nós. O vento aproximava-se, sentíamos o seu perfume e agonizávamos à beira de um silêncio que só nós ouvíamos. Depois era um cortinado branco, bordado de bruma e encastoado de pérolas, que nos envolvia. Ninguém mexia em nenhum desejo apenas sobravam os arrependimentos das gaivotas entontecidas pelo perfume das vides que lá ao longe, teimavam, laboriosamente, em amadurer os cachos suculentos e apetitosos.

O regresso era o termo do encantamento, de um rodopiar de ventura, de um desfraldar de desejos e sonhos. Todas as portas se fechavam como se fossem diques que impediam a passagem dos navios.

Não havia nenhuma cagarra morta. Não se viam ervaçais amordaçados pela passarada. Ninguém desenhava a revolta do vento. Ninguém sugava os respingos da maresia. Ninguém apagava as rilheiras desenhadas entre os vinhedos, transformados em trilhos. Apenas se gravava a certeza do apoio e da ajuda a simuladas tragédias. No ar pairava um envolvimento recíproco mas tudo se desvanecia. Tudo se perdia. Apenas aquela aba, loira e entontecida, que existia naquele baixio rebuscado e negro, virado a oeste, se envergonhava deserta, a apontar para o céu azul e à espera que a maré voltasse a subir e, de novo, a enchesse de sonhos e de magia.

Era o tempo dos sargos, das garoupas, dos peixes-reis, das prumbetas…

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BENTA E JERÓNIMA

Quarta-feira, 07.06.17

 

Desde criança que se haviam colado numa amizade recíproca, inebriante. Nas veredas da inocência foram as mães a juntá-las. Depois elas próprias a caminharem lado a lado para a catequese, para a escola, para o moinho, para a máquina e até para a festa da Senhora dos Remédios, na Fajazinha. Sempre juntas, sempre amigas, sempre cúmplices, galhofeiras, até a Jerónima se casar. A Benta invejou-a. E tanto cismou, tanto hesitou, tanto desesperou que acabou por ficar para tia. E como que fazendo jus ao nome, decidiu dedicar-se às coisas de Deus. Muito de igreja, muito de rezas, muito de missas. Casas paredes meias, seguiam vidas paralelas. Sem se falarem. Não se podiam ver. Metera-se uma ciumeira enorme, entre elas. Domava-as uma inveja arreliadora. Fora o namorico da Jerónima com o filho do José Dias que destruíra toda amizade de outrora e construíra o terrível muro que agora as separava. Dizia-se à socapa que a Benta também gostava do Dias. Alguém os vira acaçapados, muito encostados um ao outro, junto a uma aba das paredes da ladeira do Batel. Toda a amizade se esmoronou como um castelo de cartas. Depois a Jerónima a mexericar, a inventar, a por aleives e a Benta a dar ouvidos a umas e a outras. Não se podiam ver. Se se encontrava faiscavam lume por todos os lados. Mal se encaravam bramiam um odio recíproco e ameaçador.

Tudo se acamou no dia em que a Jerónima, já com três pimpolhos ao colo, partiu para a América. A Benta respirou de alívio. Mas ou porque a distância amainara o ódio, ou porque as sobras de uma paixão frustrada lhe ativassem os sentimentos, passado um ano estava cheia de saudades, passados dois escreveu-lhe uma carta e, ao fim de vinte anos, quando a Jerónima regressou viúva e dolente decidiu ir visitá-la a fim de lhe dar uma palavra de conforto, um gesto de ternura, talvez um abraço de reconciliação.

A América porém mudara a Jerónima. Para além de lhe casar os filhos, levara-lhe o marido, deixando-a sozinha entre mágoas e álcool. Chegou à Fajã domada pela bebida e tresmalhada. Uma sem vergonha desmiolada.

Mas a Benta, que cada vez se santificara mais e que nas suas rezas e meditações percebera que Deus ensinou a perdoar, decidiu ir visitá-la, na tentativa de enterrar para sempre o machado de guerra. Apanhou-a de surpresa. A Jerónima apareceu-lhe à porta muito bêbada e tal e qual Nosso Senhor a havia posto no mundo. Nua.

A Benta nem entrou. Fugiu a sete pés, benzendo-se, persignando-se e gritando bem alto aos sete ventos:

- Aquela mulher está doida! Não tem vergonha! Aparecer assim à porta… in coire…

  

 

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VENI CREATOR

Terça-feira, 06.06.17

A manhã despira o seu silêncio habitual e ornamentara-se de foguetes, de rufar de tambores e de acordes musicais. No ar evoluía uma solenidade inconfundível, desabitual. Espectavam-se momentos de inconfundível transcendência.

Por entre as paredes nuas das vielas encastoavam-se vultos ansiosos. Em breve iniciar-se-ia um inusitado desfile a desfazer o marasmo quotidiano. Bandeiras, coroas, cetros e varas a espelharem um passado idealisticamente imperial e a encherem o presente de sonhos e desejos haviam de transformar as ruas num oásis de grandiosidade e de pompa. Homens engravatados, mulheres e estriar trajes elegantes, jovens transformadas em damas de honra. Todos, em desusada cavaqueira, se preparavam para ebriática caminhada.

Finalmente surgiu ligeiramente atrasada mas bela, elegante, deslumbrantemente encantadora. Descia com asas de lava, caminhava sobre agapantos, violetas, aproximava-se entre sorrisos e encantos. Vestia de branco, ornava-se de sublimidade e exalava um doce perfume. Mas a atrocidade, cruel e desoladora, toldou-lhe os passos. Esquecera o adorno último, protetor, aconchegante e consolador. Assim, o frio havia de penetrar-lhe no corpo, inebriar-lhe a alma, provocar-lhe sobressaltos e calafrios. Mas voltar era quase impossível. Uma ténue e intimidadora tristeza toldou-lhe o rosto.

De repente um relâmpago de compaixão rasgou os céus. Seguiu-se o eco do trovão comprometedor:

- Eu vouououou...

- Faria isto por mim?

Isto e muito mais. Era necessário apenas que a porta estivesse aberta. E estava…

Cerceou o abrandamento, acelerou ao máximo o espaço e, com tanta ânsia e desejo, até raspou um dedo na porta… Nada de grave. Mas o troféu almejado estava ali, exposto como num museu. Trouxe-o, envolveu-se com ele, saboreou-o… Não o entregou porque não pode, mas admirou-o profundamente…

Na Terça-Feira do Espírito Santo, em São Caetano, antes da missa forma-se o cortejo, com destino à igreja, sendo as coroas transportadas por meninas familiares ou convidadas do mordomo, ricamente vestidas e pelo próprio mordomo, enquanto a bandeira é levada conjuntamente por um casal, umas e outras dentro de quadrados formados por varas, seguradas por crianças. Seguem-se conjuntamente os foliões com tambor, pandeiro e insígnias e o povo. Terminada a missa procede-se à “coroação do mordomo”, rito que consiste na imposição da coroa na sua cabeça, pelo celebrante, ao som do “Veni Creator”, agora numa adaptação vernácula “Vinde Espírito Paráclito”. O cortejo regressa ao local onde é servido, na presença da coroa e da bandeira, a refeição, sendo esta constituída pelas tradicionais sopas, carne assada e arroz doce, tudo regado com vinho de cheiro.

A festa e o convívio continuam durante a tarde e termina com o seu ponto alto ou seja, com a distribuição das rosquilhas, uma por cada habitante ou forasteiro que participe na festa ou simplesmente passe, por mero acaso, pela freguesia.

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A SAFRA DAS ROSQUILHAS NUMA NOITE DE LUAR INTENSO OFUSCADA PELAS NUVENS DA MONTANHA

Segunda-feira, 05.06.17

Em São Caetano do Pico era costume e ainda continua a sê-lo numa ou noutra casa, cozerem-se as chamadas Rosquilhas do Espírito Santo na noite de sexta para sábado, anterior ao dia da festa ou seja na Terça-Feira a seguir ao Domingo de Pentecostes.

Apesar de ser uma noite desgastante, perene de trabalhos e canseiras, uma vez que o cozimento do pão é árduo, longo e moroso, prolongando-se pelas madrugada e manhã do dia seguinte é, inequivocamente, uma noite mágica, transcendente, imemorável, sobretudo se se tiver o sortilégio de ser uma noite acompanhada e abençoada por um luar intenso, sublime, terno, envolvente e afetuoso.

A faina começa com a preparação, dias antes, dos ingredientes necessários e obrigatórios para a cozedura. Ovos, farinha, açúcar, manteiga, fermento, canela, banha de porco e um pouco de bagaço, também utilizado na confeção da tradicional massa sovada com que são feitas as rosquilhas. Também importante a preparação de todo o material a utilizar, nomeadamente, um forno de lenha amplo e funcional, a lenha para o aquecer, as folhas de cana roca, a fim de sobre elas se colocar a massa, os alguidares ou a panas de plástico e ainda toda uma panóplia de pequenos e imprescindíveis utensílios domésticos a maioria de uso quotidiano e, consequentemente, sempre à mão.

Mas o mais importante são as pessoas, mulheres e homens, galvanizados por uma tremenda e irrequieta vontade assente no desejo de dar continuidade às tradições, promessas e votos dos seus antepassados. Numa mesa empilham-se garrafas de bebidas tradicionais, sobretudo aguardentes e licores, que vão ajudar e alegra a noite, mas não quebrando a sua magia.

Tudo preparado começa a safra com as tarefas devidamente atribuídas, numa perfeita simbiose como se de uma muito bem organizada linha de montagem se tratasse. Um retira os ovos congelados em sacos, outro raspa os limões, uma mulher ordena e orienta, outra seleciona a farinha e o açúcar enquanto uma terceira faz o fermento. Misturados os primeiros ingredientes, uma outra habilmente mistura-os com gestos ritmados, artísticos e, sobretudo, eficientes. Depois de tudo muito bem envolvido solicita-se:

- Deite.me o açúcar.

- Todo?

- Sim, todo.

Depois é a vez da farinha que de supetão cai sobre aquele doce mistura que mãos suaves, meigas e carinhosas haviam envolvido com tanta agilidade.

- Ali, mais para o lado. Pode deitar toda.

Agora sim, a tarefa de envolver e misturar muito bem todo aquele amontoado é mais difícil e cansativa. Mas a juventude, a pujança aliadas a uma enorme força de vontade tudo ultrapassam com ternura e carinho. Há registos para memória futura. Depois amassa é sovada, isto é amassada com os punhos, como se estivesse a levar uns bons e certeiros murros. Ao redor outras panas também se enchem de massa amarela, perfumada a limão e a canela. Duas, três quatro, tantas quantas necessárias para umas boas dez dúzias de rosquilhas que irão ser oferecidas em louvor do Paráclito. A lua continua bela, ornada com um luminosidade intensa, com uma beleza excelsa e rara.

Enquanto a massa descansa nada com uma boa francesinha, elaborada com tarefas partilhadas. Aparentemente boa. Começa a talhar-se o pão. Mãos ágeis cortam pedaços de maça pesados por estimativa. Puxam, repuxam e formam bolas. Dentro em breve serão formadas argolas postas a descansar sobre um triângulo de verdes e frescas folhas de cana roca. Ficam a descansar, mas a noite vai longa e amanhã aproxima-se. Os galos há muito começaram a cantar e sono chega. O luar que envolve esta noite mágica acarreta consigo uma beleza transcendente, divinal.

É hora de acender o forno. Labaredas flamejantes perdem-se pelos ares e aquecem os circundantes. Há aconchego, carinho e ternura, muita ternura. Junta-se o brasido, varre-se o forno, cuja temperatura se regula com sabedoria ancestral. Basta atirar um pequeno punhado de farinha lá para o interior:

- Se queimar esta quente de mais. Caso contrário está bom.

As queixas e os azedumes surgem injustas e imerecidas. O luar escurece, eclipsa-se como que envolvido por lágrimas de mágoa. Muito dificultadas são as tentativas de consolo. A noite tornou-se escura e o luar eclipsou-se por completo.

Mas em breve chega a madrugada confiante e acolhedora e com ela os primeiros raios de luz. Uma nova luz, intensa e sublime, apenas ofuscada, por momentos de sono e de cansaço, desfeitos pelo provar da primeira rosquilha, acompanhado de um tímido e hesitante Favaios, servido num cálice adocicado, absorvido, avidamente, por um sonho cerceado.

E a safra das rosquilhas continuou pela manhã fora, entre tarefas partilhadas, sonos sobressaltados, tumultos irrequietos e um enorme montão de rosquilhas cozidas.

O luar perdeu-se na madrugada e como se isso não bastasse uma densa e enigmática nuvem cobriu por completo a montanha…

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JOANITA

Domingo, 04.06.17

 

O que fazes aí oh António

Encostado à botica

Estou à espera da nossa Ana

E da prima Joanita.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

Eu parti uma laranja

E deitei metade fora

Com a outra fiz um barco

Joanita vamos embora.

           

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.                            

Joanita e António

Estão namorando os dois

Vão-se unir em matrimónio

Serão felizes depois.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

(Canção Popular – GFCP de S. Caetano Pico

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DA CHAMARRITA À CHIMARRITA

Sexta-feira, 02.06.17

A Chimarrita é uma dança típica do folclore gaúcho, brasileiro. Consta que teve a sua origem no Arquipélago dos Açores, talvez na ilha do Pico e terá sido levada para o Brasil por colonos açorianos, na segunda metade do séc. XVIII. Desde a sua chegada ao Rio Grande do Sul, a "Chamarrita", como era designada inicialmente, foi evoluindo de forma galopante ao longo de gerações e, no início do séc. XX, passou a ser adotada a forma de dança de pares enlaçados, adquirindo, ao mesmo tempo o nome atual Chimarrita

Chimarrita é pois uma corruptela e é a denominação mais usual desta dança em que os intervenientes se dispõem em filas e depois seguem assim, até formarem uma roda, um par atrás do outro. O passo é lento e atraente e tem como características o bater do pé e o bater da mão.É um baile cantado, onde há solo e coro, demonstrando, ainda que ténues, alguns vestígios do balho açoriano que a terá originado. Os próprios versos cantados, de que a seguir se apresentam alguns exemplos, parecem revelar idênticas semelhanças.

 

Chimarrita vou cantar

Qu'inda hoje não cantei (bis)

Deus lhe dê muita boa noite

Qu'inda hoje não lhe dei (bis)

 

Chimarrita morreu ontem,

ontem mesmo se enterrou (bis)

Quem falar da chimarrita

Leva o fim que ela levou (bis)

Chimarrita que eu canto

 

Veio de cima-da-serra (bis)

A pular de galho em galho

até chegar na minha terra (bis)

 

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FUI AO MAR ÀS LARANJAS

Quinta-feira, 01.06.17

 

Fui ao mar às laranjas,

que é cousa que lá não tem;

fui enxuto e vim molhado

nem siquer vi o meu bem.

 

Fui no mar da vida um dia,

fui buscar amor também.

O amor que eu queria,

ai, meu deus, no mar não tem!

 

Popular (Fajã Grande)

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ZIGUEZAGUES

Quarta-feira, 31.05.17

Era da janela da minha sala que o via, escondida por trás das cortinas. Em cada dia, em cada hora, em cada momento. Amava-o, amava-o loucamente. Ele talvez não soubesse ou sequer desconfiasse. No silêncio da brisa matinal, com o perfume do alecrim e da madressilva, acordava de longas noites de sonho, mas sem sono. O primeiro e primordial destino era a janela da minha sala, tapume de desejos sublimes, escarpa de amarguras profundas, onde me postava estática, à espera de descortinar que fosse a sua sombra. As manhãs eram cristalinas e puras, apenas uma ou outra nuvem tapava o céu, Os cães ladravam e um ou outro fio de fumo subia por entre os telhados dos casebres ao redor. Lá ao longe, o mar, azul, infinito e bonançoso, apenas se fazia ouvir através de gemido prolongado. No cais espreguiçavam gaivotas e os barcos ensaiavam as primeiras tentativas de romperam a suave leviandade das ondas. Bafejada pela aragem fria e fresca da madrugada, abria uma greta da minha janela e esperava-o ansiosa. Ele, porém, tardava em aparecer. Umas vezes era a chuva que me toldava e confundia enquanto outras a claridade tímida do sol me iluminava os desejos mais secretos. Por fim ele aparecia e eu perdia por completo a respiração e diluía-me, voluptuosamente, no ar perfumado com o seu respirar. Pelas ruas e praças deambulavam vultos míticos, disformes, das janelas semicerradas nasciam vozes queixosas e condenatórias e das portas semicerradas saíam vultos trémulos e fragilizados a condenarem o meu destino Raras vezes, à tardinha, ele vinha visitar-me. A porta era pesada mas eu abria de rompante a fim de que ele entrasse depressa. Um dia acompanhei-o na mais sublime e excelsa digressão por montes e vales. O carro que ele conduzia seguia em ziguezagues frágeis. Por fim um enorme ruido que se transformou em estrondo, provocando um terramoto. Foi então que o olhei… como nunca olhara ninguém, A distância entre nós era pouca, Os nossos corpos quase se tocavam. Ele estava ali presente, abstrato, infinito, sublime e divinal. Eu louca olhava e analisava aquela visão sublime e transcendente. Tímido, envergonhado, receoso, talvez sem perceber quanta ternura e, sobretudo, quanto amor continha o meu fulminante olhar. Eu ia fixando a sua imagem, sufragando o seu meigo olhar, desfolhando os sonhos que sonhava. Talvez porque o via assim, tão perto de mim, o meu coração parecia que saltava, que pulava, que bailava de contentamento Num ímpeto convidei-o para bailar… Como o carro que conduzira horas antes, ele apenas expeliu amargos ziguezagues…

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OS TRÊS CONSELHOS

Terça-feira, 30.05.17

Um rapaz muito pobre tinha casado, e para sustentar a sua família teve que ir arranjar trabalho. Procurou por vários sítios, mas apenas conseguiu ter de ir servir uns patrões que viviam muito distantes da sua casa. Como era um homem bom, sério e honesto e como confiava nos outros pediu ao amo que lhe guardasse o dinheiro que ia recebendo das soldadas. Ao fim de uns quatro anos já amealhara grande quantidade de moedas, que lhe chegariam para viver e como tinha saudades da mulher, decidiu voltar para casa. Ao comunicar a sua decisão ao patrão, este disse-lhe:

– Qual queres que te dê: três bons conselhos que te vão servir para toda a vida, ou o teu dinheiro?

O homem disse-lhe que queria o seu dinheiro.

O patrão respondeu:

– Mas olha que te podem assaltar pelo caminho e matarem-te para te roubar o dinheiro.

– Pois então, - disse o rapaz - venham de lá os conselhos e fique com o dinheiro.

Disse-lhe o patrão:

– O primeiro conselho que te dou é que nunca te metas por um atalho sinuoso, podendo andares por um caminho largo e bom, embora mais extenso.

– Cá me fica para meu governo. – Retorquiu o rapaz.

– O segundo, é que nunca pernoites em casa de homem velho casado com mulher nova.

- E o terceiro? – Indagou.

- O terceiro vem a ser: nunca te decidas pelas primeiras aparências.

O rapaz guardou na memória os três conselhos, que representavam todas as suas soldadas e, quando se ia embora, a dona da casa deu-lhe um bolo para o caminho, a fim de que o comesse se tivesse fome; mas disse-lhe que era melhor comê-lo em casa com a mulher, quando lá chegasse.

Partiu o homenzinho de casa do amo e, pouco depois, encontrou pelo caminho uns almocreves que levavam uns machos com fazendas para venderem numa feira. Foram juntamente, conversando e contando a sua vida uns aos outros. A certa altura um dos vendedores disse que pretendia cortar caminho por ali por uns atalhos ali existentes, porque assim pouparia mais de meia hora de caminho. O rapaz decidiu continuar pelo caminho mais longo, e quando ia chegando a um povoado, viu vir o vendedor todo esbaforido sem os machos. Tinham-no roubado e espancado.

Disse o moço:

– Já me valeu o primeiro conselho.

Seguiu o seu caminho, e chegou já de noite a uma venda, onde foi beber uma pinga, e onde tencionava pernoitar, mas quando viu o taverneiro já homem velho e a mulher ainda muito nova, pagou e foi andando sempre, Quando chegou à vila, ia lá um reboliço enorme: é que a Justiça andava em busca de um assassino que tinha fugido com a mulher do taverneiro que fora morto naquela noite. Disse o rapaz lá consigo:

– Bem empregado dinheiro que me levou o patrão por este e pelos outros conselhos.

E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa. E lá chegou. Quando se ia aproximando da porta, viu dentro de casa um homem, sentado ao lume com a sua mulher! A sua primeira ideia foi a de ir matar ambos. Lembrou-se do conselho, e curtiu consigo a sua dor. Pouco depois entrou muito calmo pela porta dentro. A mulher veio abraçá-lo, e disse:

– Aqui está o meu irmão, que chegou hoje mesmo do Brasil. Que dia! E tu também ao fim de quatro anos regressaste a casa!

Abraçaram-se todos muito contentes. No dia seguinte tiveram uma visita. Era o patrão que lhe vinha entregar todo o dinheiro que ele ganhara durante os quatro anos em que ele o servira.

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A SENHORA DO PRANTO

Segunda-feira, 29.05.17

 

Conta-se que por volta do ano de mil quinhentos e vinte, um rapazinho andava a guardar as vacas no sítio da Lazeira, na freguesia de S. Pedro do Nordestinho, na ilha de S- Miguel, nuns terrenos muitos próximos do mar.

De repente, o pastorzinho teve uma visão deslumbrante - Nossa Senhora estava ali, à sua frente, vestida de branco, entre fina cortina de névoa, pairando dois ou três palmos acima do chão. Logo a criança ajoelhou e começou a rezar à Virgem, Mãe Deus, a oração que a sua mãe lhe ensinara:

- Avé Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…

Ainda não terminara quando ouviu a voz da linda Senhora que lhe dizia:

- Vai à Vila e convida todos os que encontrares a virem amanhã a este local, onde se reunirão sete cruzes. Se no caminho te aparecer uma bicha de boca aberta, não temas, pois é o símbolo da peste que acometerá Ponta Delgada e se espalhará por toda a ilha. Nesse dia, quando aqui estiver muita gente e rebentar uma trovoada, cavem a terra e espalhem-na por cima das pessoas e não tenham medo. Quero também que neste local levantem uma ermida a Nossa Senhora do Pranto e, se tudo isto fizerem, não terão nem a peste nem os tremores de terra, pois eu intercederei por vós junto do meu Filho.

De imediato, desfez-se a visão e o pastor correu para a Vila do Nordeste a anunciar o que lhe tinha acontecido.

Reza a lenda que as pessoas acreditaram no rapaz e, no dia seguinte, sete cruzes ou romarias, vindas do Nordestinho, Nordeste, Maia, Fenais, Povoação, Achadinha e Achada Grande, ali se juntaram. A Senhora cumpriu as suas promessas e os populares começaram a construir a ermida.

Para ser mais fácil o acesso, decidiram construi-la à beira do caminho e no local juntaram pedra e outros materiais. Mas, para pasmo de todos, certa manhã tudo o que haviam trazido para beira do cainho desaparecera dali e fora colocado no pasto onde Nossa Senhora tinha aparecido ao pastor, não longe do mar. Os operários trouxeram tudo, de novo, para a beira do caminho mas no dia seguinte já estava todo o material no lugar indicado por Nossa Senhora.

Uma dessas noites, as pessoas, desconfiadas, vieram vigiar e viram que Nossa Senhora com uma caninha levava a pedra e o restante material a rolar para baixo.

Não tiveram mais dúvidas: A Senhora do Pranto queria a sua ermida junto ao mar, longe das casas, para que as promessas das pessoas exigissem sacrifício e assim tivessem mais valor. Ali se começou a construir as paredes da pequena ermida.

Mas o trabalho era demorado porque não havia água doce por perto. Uma velhinha fraca, mas crente, prometeu acarretar a água do povoado. Assim o fez, até ao dia em que sentiu que as forças a abandonavam. Ajoelhando perto das paredes da ermida, pediu à Senhora vida para ver a obra terminada.

Perante o pasmo dos mestres, brotou da parede da ermida, próximo do chão, água em abundância e dali jorrou até findar a construção. Mais tarde a água deixou de correr naquele lugar e foi brotar na rocha. Lá está a correr mansamente, agora resguardada por uma gruta construída por camponeses. A umas centenas de metros, no pocinho de onde a ermitoa acartava a água, numa das pedras, vê-se a marca do pé pequenino de Nossa Senhora, que ali pousou ao ir matar a sede.

A santa velhinha ainda viveu durante anos como ermitoa, guardando o templo em cujo chão se enterrou. Muitas pessoas dizem que já ouviram cantar os anjos docemente na ermida.

 

Fonte - FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias

 

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O LÁPIS

Domingo, 28.05.17

Quem começou primeiro foi a Esferográfica que, juntamente com os seus amiguinhos lápis de cor escreveram um belo texto com desenhos que depois coloriram.

“Era uma vez um país onde todos os meninos eram felizes. Não havia guerra, nem fome e todos os pais amavam os seus filhos. As árvores estavam sempre cheias de frutos e nos rios corria água muito limpinha. Os homens que governavam o país eram muito bondosos e ajudavam todos.”

Muitos outros lápis e esferográficas escreveram belos textos mas como não conseguiam escolher o mais bonito e melhor colorido foram chamar o Porta-lápis para decidir.

 

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