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MEDITAÇÃO SOBRE A ETERNIDADE

Quinta-feira, 20.07.17

(POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

Das árvores que plantei

nenhuma já me pertence

e de quase todas nem comi´

ou sequer vi os frutos.

Sempre soube que devemos morrer

e penso que é melhor

não se saber quando nem como.

E quanto ao que deixámos

não se recorde de quem foi.

Que só assim somos eternos.

 

P Silveira, Poemas Ausentes.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

TEXTO NARRATIVO

Quarta-feira, 12.07.17

Texto narrativo é um texto que narra ou conta uma estória. Os seus elementos fundamentais são, para além do autor, o narrador, as personagens e as ações.

O autor é a pessoa real que inventa, imagina e escreve a estória. Por sua vez o narrador é uma pessoa imaginária, criada pelo autor, que tem como função apenas narrar ou contar a estória. O que distingue estes dois elementos, para além das funções que desempenham na construção do texto, é o facto de o primeiro ser real, existir de facto, enquanto o segundo é, simplesmente, imaginário, isto é, não é pessoa real, existe apenas dentro da estória. O mesmo acontece com as personagens, seres criados pelo autor, que apenas existem dentro da estória. Por vezes o narrador desempenha, simultaneamente, as funções de narrador e de personagem. Neste caso chama-se narrador presente e as suas marcas são facilmente detetáveis no texto.

As ações são factos, atitudes, gestos e sentimentos praticados pelas personagens dentro da estória pelo que também são imaginários, embora autor, geralmente, se baseie em factos reais que molda, altera e enriquece com a sua imaginação. Muitas ações, porém, são meramente inventadas pelo autor. Importante é situar as ações no espaço e no tempo pelo que o autor também pode basear-se no real, embora muitas vezes recorra apenas à sua imaginação.

Na construção do texto narrativo, no entanto, o autor pode ainda ter que recorrer a descrições quer das personagens, quer dos espaços, quer das ações. São os momentos de pausa em que a estória para e que são facilmente detetáveis ao longo do texto porquanto geralmente são utilizados exclusivamente os verbos estáticos: ser, estar, permanecer e ficar. Estas descrições também podem ser fruto só da imaginação do autor, embora muitas vezes também recorra ao real. Recorrer ao real para ajudar a imaginação, para muitos autores, torna, na verdade, a escrita mais fácil e mais apelativa.

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publicado por picodavigia2 às 09:06

ROBERTO BELCHIOR

Sábado, 08.07.17

O Senhor Roberto Belchior morava na Tronqueira, numa casa logo a seguir ao tanque onde o gado bebia água. Era um homem muito reservado e trabalhador, metido consigo e dos poucos que naqueles tempos, na Fajã Grande, ainda usavam barbas. Era casado e tinhas dois filhos, um do sexo masculino e outro do feminino.

Roberto Belchior nascera a 13 de Março de 1894 e era Filho de José de Freitas Belchior, natural de Boston e de Isabel Leopoldina de Freitas, natural da FG., moradores na rua Direita.

Neto paterno de Manuel de Freitas Belchior e de Mariana de Freitas Trigueiro e materno de José Cardoso de Freitas e de Maria Leopoldina.

O que mais o caracterizava era possuir um apelido muito raro e único na Fajã Grande – Belchior. Cuida-se que Belchior é aquele que … embora viva em busca de prazeres, é muito preocupado com a segurança financeira. Tem hábitos enraizados, uma memória celente e adora dividir suas experiências com alguém, \de preferência com seu amor. Seu aprendizado é lento, mas profundo: depois que aprendeu, nunca mais esquece. Por sua vez o lado negativo é o risco de se tronar teimoso e ciumento..

 

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publicado por picodavigia2 às 00:06

A VIGIA DA BALEIA EM SÃO CAETANO DO PICO

Sexta-feira, 07.07.17

Para os que não acreditam ou pretendem que os outros não acreditem, para os que ficaram insensíveis ou nada fizeram a fim de que a Rota da Faina Baleeira da Ilha do Pico passasse por São Caetano, para os que foram cúmplices da transformação da histórica Casa dos Botes no mítico porto de São Caetano numa residência turística transcrevo aqui, com a devida vénia, o testemunho do Senhor António Silva, natural de São Caetano:

Em São Caetano, na minha infância, o vigia, era o Tio Raxa, uma figura carismática e respeitada.

Diziam os que melhor o conheciam, que o Tio Raxa gostava muito duma pinguinha de vinho.

A vigia das baleias, ficava num alto, entre os dois moinhos de vento, que existiam na freguesia, o do Domingos e o do mestre Pompeu, ali no meio das adegas, do chamado Caminho do Meio. Muitas pessoas o convidavam para ir à sua adega beber uma tigela (de barro) de vinho.

Eu e outros rapazes amigos, gostava-mos muito de ir visitar o Tio Raxa à sua vigia, para ele nos deixar pôr os olhos por alguns momentos no seu binóculo de 18 vezes. Aquilo tinha um sabor especial, no tempo. Coisa engraçada e não rara, é que, muitas vezes, passava-mos no caminho e, víamos o chapéu do Tio Raxa pela fresta horizontal da vigia sobre o binóculo. Chegava-mos lá, era de facto o chapéu e o binóculo do Tio Raxa, mas, o resto tinha andado. Tinha ido consolar o corpo e a alma para a adega dum amigo qualquer, que o havia convidado (…) Tantos nomes de baleeiros célebres, outras figuras carismáticas, que ficaram na história da caça à baleia em São Caetano. O povo duma maneira geral era bom. Respeitava toda e qualquer pessoa de fora da terra que por lá vivesse ou passasse. Alguns baleeiros – normalmente os mais simpáticos – eram convidados para as matanças dos porcos, para ir à adega beber umas tigelas de vinho, para ajudar a vindimar as uvas, etc. Estes, agradeciam, pois normalmente gostavam muito daquele precioso líquido e sempre levavam para casa um cesto de asa de uvas para comer mais a família. Recordo-me ainda dos tempos do Caçoila do Capão do Loiro, etc. profissionais da baleia, que mais para o fim da festa, até cantavam o desafio.

Muito novo ainda, parece-me estar a ver e ouvir o Capão a cantar ao desafio a sua cantiga ao Caçoila:

O Raxa mais o Caçoila

São dois amigos leais

Se o raxa gosta de vinho

O Caçoila muito mais

Com a entrada de Portugal na União Europeia, no ano de 1978, foi proibida a caça à baleia na Comunidade Europeia e por conseguinte, também nos Açores.

No Pico, onde houve forte atividade, resta apenas e ainda bem, o museu da baleia nas Lajes do Pico que vale a pena visitar, onde se pode ver tudo em artesanato, a tenda do ferreiro, o bote, a palamenta, as ferramentas e utensílios que eram utilizados, e se podem recordar aqueles saudosos tempos.

No cais do Pico (São Roque), existe a Fábrica-Museu com todos os seus equipamentos, caldeiras, máquinas, etc., muito bem conservados,

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CAÇA À BALEIA EM SÃO CAETANO DO PICO

Quinta-feira, 06.07.17

A caça à baleia, fez-se em quase todas as Ilhas dos Açores, mas foi no Pico que teve o seu epicentro e era também nesta ilha que existiam os melhores baleeiros. A quantidade e a qualidade dos baleeiros picoenses eram tantas que desta ilha muitos baleeiros saíram a procurar trabalho noutras ilhas, como acontecia na Fajã Grande, onde todos os anos se fixavam baleeiros da ilha do Pico, nomeadamente, mestres, oficiais e até o vigia, o Manuel Manquinho, pese embora existissem várias armações baleeiras, no Cais do Pico, nas Lajes, nas Ribeiras e ainda outra na Freguesia da Calheta de Nesquim. Haviam frotas estrategicamente colocadas nos diversos portos da ilha, para que pudessem chegar mais depressa à ou às baleias, consoante se tratasse duma baleia (cachalote) grande e isolada, ou de um cardume. Existiu uma frota instalada em São Caetano constituída por dois botes e uma lancha, a Espartel, a lancha que melhor andava na sua época. Em São Mateus existiam três botes e uma lancha, nas Lajes, 14 botes e quatro lanchas, nas Ribeiras, duas lanchas e quatro botes, na Calheta de Nesquim, duas lanchas e sete botes e ainda uma frota considerável, no Cais do Pico. Havia duas fábricas de transformação das baleias. Uma nas Lajes do Pico, outra no Cais do Pico, onde além da transformação do toucinho em azeite, se fabricavam também farinhas da carne e dos ossos daquelas, para adubos e alimentos de certos animais. Como já disse, também se derreteu no porto de São Mateus. Havia muita rivalidade entre as diversas companhias a laborar na ilha. Dia de baleia, era dia de alvoroço na freguesia. Estalava o foguete e, todo o baleeiro, estivesse onde estivesse, largava tudo e corria em direção ao porto. Nem passava em casa. A mulher ou filhos iam levar-lhe a comida e mais alguma peça de roupa ao porto, enquanto estes iam arreando os botes, pois a lancha já se encontrava no mar presa na sua amarração própria. Os baleeiros tinham outras atividades. Não era possível viver exclusivamente só da baleação.

Não foram poucas as vezes em que, nem todos regressaram a casa. Por vezes as coisas corriam mesmo mal. A baleia ao sentir o arpão na pele, reagia das mais diferentes maneiras; ora levantando e voltando o bote, ora batendo-lhe com o rabo de cima para baixo partindo-o e deixando tudo e todos espalhados por cima das águas profundas e salgadas, à conta de Deus e à sua sorte. Nesta operação, muitas vezes os que eram diretamente apanhados, tinham morte quase instantânea. Alguns, nunca mais apareceram.

NB - Dados retirados de uma Publicação de António Silva, em 29 de Maio de 2009

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POESIA

Quarta-feira, 05.07.17

 

“A Poesia? Procura-a também onde tu sabes que não existe…”

 

Pedro da Silveira

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O DOM DAS LÁGRIMAS

Domingo, 02.07.17

 

“O dom das lágrimas é a característica mais nobre da espécie humana, imediatamente depois da palavra e antes do riso.”

Bulos Salama

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A MINHA TOUCADA

Sábado, 01.07.17

Meu pai tinha uma vaca chamada “Toucada” de que eu gostava muito. Tinha um andar elegante, um aspecto altivo e era muito mansa. Era malhada de branco e preto, mas um preto acastanhado e muito luzidio. A cabeça também era preta, com uma grande mancha branca na testa, a qual lhe valera o epíteto de “Toucada”.

Eu adorava-a e, por isso, fiquei muito triste quando o meu progenitor decidiu embarcá-la, para Lisboa, para “ ir ver os senhores de bengala”.

Mas a decisão estava tomada e a vaca entrou, de imediato, em fase de engorda. Erva fresquinha todos os dias, maçarocas de milho de vez em quando, não saía do palheiro, não se lhe tirava mais leite e, além disso, nunca mais puxou o arado ou o corção, tarefas, agora, atribuídas à Benfeita, não habituada à canga, pois era a vaca de estimação de meu pai.

O empenho na engorda da vaca, no entanto, intensificou-se excessivamente. Cuidava meu pai que, se a engordasse bem, ela valeria mais dinheiro.

Alguns dias antes da chegada do Carvalho, o Portela, de Santa Cruz, como de costume, veio à Fajã arrolar gado para o próximo embarque.

Meu pai, meus irmãos e eu abdicámos das tarefas do campo e, em ar de festa, esperamo-lo sentados à porta da sala. O homem, ao chegar, entrou no palheiro e observou minuciosamente a vaca. Apalpou-lhe as virilhas e a rabada, passou-lhe a mão sobre o dorso duas ou três vezes, abraçou-a pelo pescoço. Depois, com voz convicta perante a expectativa de meu progenitor, sentenciou: “Sim senhor! Bonito animal! Um conto."

Meu pai ficou um pouco perplexo e hesitante. Aproximou-se mais da vaca, anafou-lhe o pêlo com muito carinho, fez-lhe umas festas na cabeça e, argumentando que estava muito pesada, com o pelo  muito luzidio, pediu-lhe mais cem escudos.

Como o Portela teimasse em não dar nem mais um escudo, meu pai ainda arriscou: “Mil e cinquenta..." Mas o Portela persistia no seu carracismo e a Toucada foi vendida por mil escudos.

Na véspera do dia de vapor meu pai decidiu que seria eu a acompanhá-lo a Santa Cruz, para a embarcar. Partimos alta madrugada: eu à frente, aguentando a corda da Toucada, meu pai atrás, tangendo-a com uma aguilhada, para que ela não se atrasasse no longo caminho que teríamos de percorrer, até Santa Cruz. Ao chegar aos Terreiros, porém, a vaca já ostentava indícios de grande cansaço. Subíramos a rocha da Fajãzinha pela ladeira da Figueira, para encurtar caminho e parámos junto à  Casa do Estado. Meu pai tirou, de uma das mangas da froca que trazia ao ombro, meia dúzia de maçarocas de milho que a Toucada comeu frugalmente. Da outra manga tirou um pedaço de pão de milho e outro de queijo, repartiu-os comigo.
Terminado o bródio, reiniciámos a longa caminha até Santa Cruz. Só ao descer a Ventosa avistámos o Carvalho, ancorado na enorme baía da Ribeira da Cruz.

Quando chegámos a Santa Cruz já o Sol ia muito alto. A vila vivia um burburinho excitante e belicoso. Homens e mulheres, vindos de toda a ilha, dirigiam-se, instintivamente, para o Boqueirão. Era dia de “São Vapor”!
O Portela havia montado escritório em cima do cais, ao lado das dezenas de grades onde estavam empacotadas as latas com a manteiga que a ilha produzia e exportava. Tivemos que aguardar a nossa vez. Eu, agarrando a corda da Toucada, observava as primeiras barcaças que chegavam a transbordar com malas e passageiros. Antes da lancha atracar, de cima do cais, lenços brancos abanavam em direcção ao mar e eram correspondidos com acenar de mãos dos que vinha na embarcação. Depois, era a confusão geral: uns abraçavam-se, outros choravam e outros simplesmente cumprimentavam-se. O cais era um mar de gente, misturada com animais, caixas, caixotes e malas. Tudo o que o “Carvalho” descarregava e o que havia de carregar...

A nossa vez chegou. Meu pai aproximou-se do Portela e este puxou a corda da Toucada. Observou-a minuciosamente, como que a certificar-se de que era a vaca que, dias antes, observara. Depois, um dos seus ajudante pegou num ferro em brasa e cravou-o num dos quartos da vaca. A pobrezinha emitiu um forte rugido e começou aos coices, tentando uma fuga louca, sem que eu a pudesse aguentar. Meu pai agarrou-a e trouxe-a novamente para junto do Portela. Este depois de preencher uns papéis onde constava, entre outros elementos, a cor, o peso e o número com que a haviam marcado, soltou-a da corda que eu trazia de casa e amarrou-a com uma corda nova. Um empregado, aproximando-se, puxou-a abruptamente, enquanto ela, estranhando o novo dono e o ambiente que se vivia sobre o cais, teimava em movimentar-se. O homem puxou-a com mais força, deu-lhe uns fortes pontapés na barriga e a pobrezinha teve mesmo que andar. Começava ali o seu cruel cativeiro e a sua caminhada para a morte. Senti uma enorme dor e comecei a chorar agarrando-me ao seu pescoço. Ela também berrava, de dor e desespero, sentindo não só a violência com que era tratada mas como que entendendo a inevitável separação do seu dono e amigo. O homem aproximou-a da borda do cais, enlaçou-lhe uma lona por baixo da barriga e prendeu-a num guindaste, que de imediato a levantou, colocando-a dentro do barco onde já se encontravam muitos outros animais. Eu chorava desalmadamente...

Meu pai dirigiu-se para junto do Portela. Esperou algum tempo até que o homem lhe deu uma nota de mil escudos. Pedi-lhe para a ver. Era a primeira vez que eu via uma nota de mil escudos!...

Algum tempo depois, o barco que levava a Toucada, repleto de animais que se empurravam e atrapalhavam uns aos outros, partiu. Lá ia a minha Toucada comprimida entre dois enormes touros. O barco foi-se afastando e a mancha negra e branca da Toucada foi-se desvanecendo, até eu a perder de vista, enquanto lágrimas corriam de meus olhos, cada vez mais abundantes. Meu pai, compreendendo a minha dor e disse-me que voltaríamos pelos Lajes para comprar outra vaca.

Regressámos, pernoitamos na Lomba e viemos para as Lajes, onde meu pai comprou outra vaca. Era mansa, toda preta, com os chifres arredondados, boa de leite. Oitocentos escudos. Meu pai ficou feliz e eu triste porque a achava tão feia, comparada com a minha Toucada, que aquela hora, na abalizada opinião do meu progenitor já devia estar no Pico ou em S. Jorge.

Atravessámos novamente a ilha de lés-a-lés, com a vaca, que vezes sem conta, se recusava a andar. Chegámos a casa já de madrugada. Durante a viagem e nos dias seguintes lá me fui afeiçoando à Trigueira, (assim chamámos à nova aquisição)  mas a verdade é que nunca esqueci a minha Toucada.

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CRÓNICA DE UM PARAÍSO

Sexta-feira, 30.06.17

Mais um belo texto sobre a Fajã Grande, descoberto na Net, da autoria de Zé Morgado, de Almada, no seu blogue e que com a devida vénia aqui reproduzo:

“A banda larga, felizmente ou infelizmente, ainda não está suficientemente larga. Assim, não digam a ninguém porque não me parece muito bonito, estou a piratear um ponto de Wi-Fi da Junta de Freguesia da Fajã Grande para deixar esta crónica do paraíso.

Eu sei que isto é um abuso, o paraíso não existe, ou por outra, cada um de nós, de mil maneiras, vai conseguindo uns minutos de paraíso, mais ou menos frequentes, em diferentes locais e em diferentes circunstâncias.

Nestes dias tenho, sorte a minha, passado por muitos minutos de paraíso, estou na Ilha das Flores, instalado, como deu para perceber, na Fajã Grande. A Ilha das Flores é um assombro de bonita e o tempo tem ajudado.

É complicado dizer o que qualquer guia turístico já diz mas, por outro lado, andar pelas Flores é mais bonito do que qualquer guia é capaz de descrever.

Parece magia como tanto de diferente se pode encontrar numa área relativamente pequena.

A água ouve-se e vê-se por todo o lado, em cascatas altíssimas, que mesmo no final de Julho continuam em força, ao que nos disseram, ajudadas por umas chuvas tardias. Onde os olhos poisam encontram-se hortênsias de um azul ainda vivo que desenham muros, estradas e paisagens.

A costa tem recortes em que o basalto negro, contrastando com o pôr do Sol lá para o fim do mal, criam um efeito que enquanto dura atraem os olhos sem que possamos resistir, é um encantamento.

Um pequeno segredo que é público, a Poça da Alagoinha e a vereda que lhe dá acesso são de outra dimensão e fazem-nos sentir de outra dimensão, muito grandes por ali estarmos e muito pequenos quando nos comparamos.

Este paraíso é na verdade, um dos mais bonitos paraíso em que já estive, merece que dele falemos. E é nosso.

 

NB – A parte do texto a itálico é da autoria de Zé Morgado

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A FESTA DE SÃO PEDRO

Quinta-feira, 29.06.17

 

Na Fajã Grande, a festa de São Pedro realizava-se no dia 29 de Junho, dia liturgicamente dedicado ao primeiro papa, numa altura em que este dia ainda era considerado dia santo abolido. Nesse dia havia idêntico procedimento ao da festa de Espírito Santo, verificando-se apenas uma alteração: da parte da tarde organizava-se uma procissão, com coroa, bandeira e imagem do Santo, até ao Porto Velho, onde os barcos presentes haviam sido devidamente ornamentados e enfeitados. A imagem era colocada num barco juntamente com a coroa e a bandeira, enquanto o pároco, com barco a servir de púlpito, pregava o sermão, procedendo, de seguida, à bênção dos barcos.

O cortejo regressava à Casa de Cima e procedia-se às sortes dos novos cabeças, com um ritual em tudo semelhante ao realizado na festa de Espírito Santo.

A festa terminava, ao início da noite, com o “levar das sortes” aos novos cabeças.

Curiosamente a festa organizada pelo Império de S. Pedro da Casa de Cima, assim como o S. Pedro da Ponta, era em tudo ou quase tudo, muito semelhante à festa do Espírito Santo, realizada nos outros Impérios. Apenas as insígnias eram diferentes: não havia bandeira branca, a coroa era muito pequenina e, nos cortejos, era sempre acompanhada por uma imagem de S. Pedro. Como a imagem de S. Pedro, pertencente ao respectivo Império era muito pequenina, no dia da festa e nas procissões e cortejos que se realizavam por essa altura, era a imagem existente na igreja, porque bastante maior, que acompanhava as outras duas insígnias, sendo transportada em andor adequado.

Mas a grande diferença entre o Império de São Pedro e os do espírito Santo era a de que a maior parte dos mordomos pertencentes a este Império eram jovens e crianças. Chamava-se também “Império das Crianças”.

Mas, da mesma forma que na festa do Espírito Santo, na semana que antecedia a de S. Pedro e de forma idêntica, eram cantadas as Alvoradas. Na antevéspera, de tarde, organizava-se o cortejo até rolo da Baía de Água, para a matança do gado, sendo a carne distribuída pelos mordomos na véspera de manhã, acompanhada pela pequenina coroa, pela bandeira, pelos foliões e por muitas crianças.

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LIBERDADE

Quarta-feira, 28.06.17

 

Numa definição simplificada pode considerar-se a liberdade como o direito concedido ao ser humano de fazer o que a legislação permite, isto é, o conjunto de direitos reconhecidos naturalmente à pessoa humana quer considerada isolado ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado. Esta dádiva uma vez concedia permite ao individuo o poder de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei, respeitando a liberdade do outro.

A liberdade foi e ainda é bastante discutida entre os filósofos, todos em busca de uma explicação convincente e correta acerca desta palavra que diferencia a existência humana. Começando na antiguidade, Sócrates considerava que o homem livre é aquele que consegue dominar os seus sentimentos e os seus pensamentos, o que se domina a si próprio e Platão entende por liberdade a opção de cada indivíduo em viver com a virtude e em consonância ou não com a moral. Por sua vez Aristóteles acreditava que a liberdade consistia numa harmoniosa integração do indivíduo numa sociedade em que a escravatura abrangia a maior parte dos homens.

Para Descartes age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha. Dessa premissa, decorre o silogismo lógico de que, quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores são as possibilidades dela ser escolhida pelo agente. Para Espinoz a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido ser livre significa agir de acordo com sua natureza. Assim, é mediante o exercício da liberdade que o homem se exprime como tal e em sua totalidade. Esta é também, enquanto meta dos seus esforços, a sua própria realização. Leibniz considera que o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade que rege os objetos do mundo material. Mas para Schopenhauer a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenómenos da natureza, até mesmo as suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente vontade.

Finalmente para Sartre a liberdade humana constitui-se com verdades concretas e históricas sobre o homem e só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das suas próprias condições materiais de existência.

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FOGO DESTRUIDOR

Terça-feira, 27.06.17

Todo o fogo, qualquer que ele seja, arrasa, aniquila, mata e tudo destrói.

O fogo foi a maior conquista do homem que depressa aprendeu a utilizá-lo em seu proveito.

Na verdade o fogo, inicialmente, foi muito proveitoso para o homem, pois serviu-lhe de proteção contra os predadores mais perversos, protegeu-o do frio e ajudou-o em muitas atividades relacionadas com a sua sobrevivência, incluindo o cozinhar dos alimentos. Mas o fogo foi e continua a ser o grande responsável pelo desenvolvimento e criação de armas de guerra e a impor-se como força, desastradamente, destruidora.

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HÁ PROFESSORES QUE NUNCA SE ESQUECEM

Segunda-feira, 26.06.17

Num destes dias ao terminar com sucesso uma operação de Pagamento de Serviços num Multibanco, olhei para o lado e deparei com uma senhora, ainda jovem e acompanhada de um rapazito, a olhar para mim, ao mesmo tempo que emanava um sorriso doce e alegre. Nada que me espantasse, por quanto situações destas ocorrem com alguma frequência.

Voltei a minha atenção para máquina, não fosse ela sugar-me o cartão. Depois guardei-o na carteira assim como o talão comprovativo do pagamento que acabara de efetuar.

Aproximei-me da senhora que, para espanto do rapaz, continuava a sorrir, manifestando uma enorme vontade de falar comigo. Indaguei:

- Foi minha aluna, não foi?

- Claro… É natural que não se lembre… Foi há tantos anos…

Conversamos um pouco. Recordamos, nomes, tempos, datas e algo mais.

Por fim despedindo-se ela concluiu:

- Tinha tanta vontade de falar consigo. É que… Há professores que nunca se esquecem…

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O SENHOR DA PEDRA

Domingo, 25.06.17

Minha mãe contava uma estória muito antiga que ouvira contar a tia Fraga, uma velhinha que morava numa pequena casa em frente à da minha avó. Pelos vistos tratava-se duma estória que tia Fraga, em criança, ouvira contar às mulheres de uns pedreiros naturais de Vila Franca, na ilha de São Miguel e que se haviam fixado na Fajã Grande por altura da construção da igreja e das casas do Espírito Santo.

Contava então tia Fraga que há muitos anos atrás, na praia do Corpo Santo em Vila Franca do Campo, andavam uns pescadores a lançar as redes quando encontraram um caixote muito grande. Reparando melhor viram que vinha alguma coisa escrita. Mostrando-o a quem sabia ler, descobriram que nas tábuas estava escrita a seguinte mensagem: “ Para a Misericórdia de Vila Franca do Campo”

Foram logo entregar a caixa a quem de direito e procedeu-se à sua abertura. Todos ficaram muito surpresos com o conteúdo: era uma imagem do Senhor Jesus, sentado numa pedra, muito semelhante o Senhor dos Passos, aqui da Fajã Grande.

Toda a gente da vila ficou muito admirada pois ninguém tinha feito tal encomenda, por isso consideraram que era um milagre e guardaram a imagem que passou a chamar-se Senhor da Pedra, numa capela da igreja. Ainda hoje concluía minha mãe, o povo continua sem se saber quem mandou aquela imagem para Vila Franca, mas o que é certo é que a imagem do Senhor da Pedra trazida pelo mar queria mesmo ficar em Vila Franca do Campo.

 

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PADRINHOS

Sábado, 24.06.17

“Quem não tem padrinhos não se batiza.”

 

Este adágio, como era muito utilizado na Fajã Grande mas, como é óbvio, apenas no sentido figurado, pois na realidade nunca ninguém ficou por batizar na Fajã Grande por não ter padrinhos nem por outro motivo qualquer.

Assim usava-se este provérbio querendo significar-se que em inúmeras situações do quotidiano muitas pessoas conseguindo sucesso na sua vida ou no seu trabalho ou alcançar qualquer benefício não em virtude dos seus méritos mas graças a alguém mais poderoso que tudo conseguia e de quem era protegido. Eram as vulgarmente chamadas “cunhas” para arranjar um emprego, obter proteção, livrar-se da tropa, etc, etc. Esta situação parece ser tão antiga e tão comum em Portugal que consta que el-rei D. João III, certo dia, terá dito:

- Toda a gente tem padrinhos neste país. Apenas eu não os posso ter.

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VERBO HAVER

Sexta-feira, 23.06.17

O verbo haver, no sentido de acontecer ou existir, é sempre impessoal, pelo que tem de se conjugar apenas na terceira pessoa do singular.

É verdade que a regra geral da concordância verbal da Gramática Portuguesa obriga a que o verbo concorde sempre com o seu sujeito, porém esta regra não se aplica ao verbo haver, quando ele substitui o verbo existir ou uma expressão similar. Neste caso, o verbo haver é impessoal. Assim não se deve dizer “Houveram problemas”, mas “Houve problemas”. Note-se, no entanto, que se substituirmos o verbo haver por existir, esse deve ser flexionado normalmente: “Existiram problemas.” Assim, o verbo haver, enquanto verbo impessoal, com sentido de existir, é conjugado apenas na 3.ª pessoa do singular (houve), independentemente da restante frase estar no plural ou no singular. Assim o correto é dizer:

Houve muitas pessoas interessadas na vaga de emprego.

Houve dificuldades na implementação do novo projeto.

Na verdade o verbo haver, geralmente, refere-se ao ato de ter existência, de acontecer, de estar presente, de decorrer, fazer, recuperar, julgar, comportar-se e entender-se. Contudo, é usado principalmente com significado de ter ou existir. É um verbo irregular e complexo, com algumas particularidades na conjugação.

A forma conjugada houveram tem uma utilização muito reduzida, estando apenas correta a conjugação do verbo haver em todas as pessoas quando o verbo haver se apresenta como verbo auxiliar, precedendo um verbo principal, com sentido equivalente ao verbo ter: Eles tiveram/eles houveram.

Exemplos:

Semana passada, ele houve de ir conversar com o diretor sobre suas novas funções.

Semana passada, eles houveram de ir conversar com o diretor sobre suas novas funções.

Houve de acontecer essa situação para que você me desse valor.

Houveram de acontecer essas situações para que você me desse valor.

Houveram de esperar largo tempo

Havia aparecido uma   mancha de  óleo.

Haviam  aparecido manchas de óleo.

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NÚMEROS DO PICO DA VIGIA 2

Quinta-feira, 22.06.17

A plataforma Sapo Blogs que sustenta, entre centenas de outros, este blog Pico da Vigia 2, tem seguido e referenciado os blogs que, nestes dias tem apresentado publicações sobre tragédia causada pelos incêndios florestais no município de Pedrógão Grande. Números impressionantes: 649 resultados encontrados em títulos de blog, í1149 resultados encontrados em postes, 149 resultados encontrados em comentários. Ora entre os inúmeros blogs citados surge o Pico da Vigia 2, o que nos honra e dignifica, numa altura em que também atingimos números muito positivos: 3.000 postes colocados, 32.160 visitas, com uma média diária de 43 visualizações diárias. Recorde-se que o poste mais visitado desde sempre foi A População dos Açores Segundo o Censos 201que obteve 1, colocado no dia 14 de Novembro de 2013, que obteve 891 visualizações.

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LAVANDEIRAS – AS GALINHAS DE NOSSA SENHORA

Quarta-feira, 21.06.17

Conta-se que antigamente havia uma mãe que vivia na companhia duma filha. O marido e pai morrera há muito, mas lembravam-no constantemente e, todos os dias iam ao cemitério chorar e rezar sobre a sua sepultura. A mãe, apesar dos cabelos brancos, possuía um rosto ainda belo e que evidenciava nobreza e caridade. A filha era muito jovem, alta e esbelta, de pele fresca e levemente corada, mas evidenciando no rosto a mesma expressão de bondade, que também tinha sido a maior virtude do pai, que sempre distribuíra o bem, enquanto vivo, por quem o rodeava.

Certo dia em que estavam ajoelhadas a rezar fervorosamente sobre a sepultura do marido e pai uma avezinha pousou perto delas, agitando constantemente a cauda como se estivesse chamando a atenção das duas mulheres. Era uma ave muito pequenina, de cor acinzentada, com manchas brancas e amareladas na cabeça e no pescoço e negras nas asas. De repente a avezinha, deixando mãe e filha pasmadas, começou a falar, dizendo:

 — Escolhi-vos para que digais ao povo desta terra, dedicada a São José que eu fui eleita por Deus para proteger Nossa Senhora, o José na fuga para o Egipto, cobrindo de pó com a minha cauda em leque, o rasto da burrinha que os transportava. Dizei também aos habitantes desta, terra que a minha alimentação é o gorgulho do trigo e que lhes sou muito útil porque limpo os celeiros desse inseto tão indesejado.

 Depois de dizer isto, levantou voo, enquanto mãe e filha recuperavam do susto. Já não tiveram mais tranquilidade para continuar as suas orações, regressaram a casa, contando a quem encontravam o que tinham visto e ouvido.

E consta que o povo acreditou nas duas mulheres e desde então começaram a acreditar que as lavandeiras eram aves sagradas, as galinhas de Nossa Senhora. Por isso é que na Fajã Grande, pelo menos até à década de cinquenta do século passado,  não se perseguiam nem caçavam lavandeiras.

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PEDRÓGÃO GRANDE O CONCELHO MÁRTIR

Segunda-feira, 19.06.17

Pedrógão Grande é uma vila portuguesa no Distrito de Leiria, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, com menos de 2 000 habitantes. É sede de um município com 128,75 km² de área e 3 915 habitantes, segundo o censos de 2011, distribuídos em três freguesias: Pedrógão Grande, Vila Facaia e Graça. O município é limitado a noroeste pelo município de Castanheira de Pera, a leste por Góis e Pampilhosa da Serra, a sueste pela Sertã e a oeste por Figueiró dos Vinhos.

O concelho de Pedrógão Grande é um dos mais ricos de Portugal em belezas naturais. Os vestígios arqueológicos encontrados na região dão provas da sua história remontar aos tempos pré-históricos, talvez ao final da Idade do Bronze.

O primeiro foral foi concedido em 1206, por D. Afonso Pedro, filho bastardo de D. Afonso Henriques. Contudo, só em1898 passa definitivamente a concelho, continuando a sua Comarca em Figueiró dos Vinhos.

O tecido económico de Pedrógão Grande é caracterizado essencialmente pelo sector secundário, com relevo para a exploração florestal, têxteis e construção civil. A indústria de espetáculos, nomeadamente carrosséis e diversões públicas são, igualmente, uma referência no concelho.

Atualmente, começam a ser explorados os recursos naturais, considerados como uma grande potencialidade do concelho, a par da riqueza cultural e infra-estruturas de apoio ao turismo.

Os locais de interesse turístico passam pela grande beleza natural deste concelho. A par das barragens, albufeiras e piscinas fluviais, também o centro histórico da vila assume destaque pelas inúmeras residências de traço da fidalguia provinciana. Destaque ainda para uma Ponte Filipina, Ponte sobre o rio Zêzere e aBarragem do Cabril

O seu artesanato é rico em peças de madeira, cortiça e estanho, mas também rendas, bordados e tecelagem.

Apesar de pertencer ao distrito de Leiria e fazer parte da Beira Litoral, a composição do solo e os costumes da sua população assemelham-se mais às características da província da Beira Baixa.

Pedrógão Grande faz fronteira com os concelhos de Castanheira de Pera, Góis, Sertã, Figueiró dos Vinhos e Cernache do Bonjardim. A nível cultural destaque para a Casa Museu Manuel Nunes Corrêa, o Museu de Arte Sacra, o Museu Pedro Cruz o Museu da República e Maçonaria o Museu das Concertinas.

Entre as Festas, Feiras e Romarias são de realçar a Semana Santa e a Festa do Senhor dos Aflitos no mês de Abril e ainda no dia 10 de Junho a Festa do Senhor dos Bons Caminhos, Lugar de Regadas, no dia 12 a de Santo António, Pesos Fundeiros e a 24 Julho, dia do Feriado Municipal, as Grandes Festas de Verão, Pedrógão Grande e em Agosto a Festa de Senhora da Graça, Graça 1º fim-de-semana - Festa da Senhora da Estrela, Graça 2º domingo - Festa da Senhora da Consolação, Escalos do Meio 3º domingo - S. Vicente Ferrer, Troviscais Cimeiros Santo António - Salaborda Nova Último domingo de Agosto - Festa da Senhora da Saúde, Louriceira Festa da Senhora do Rosário, Derreada Cimeira

Em Setembro a Festa da Senhora dos Milagres, Pedrógão Grande Fim-de-semana após o dia 8 - Festa da Senhora da Piedade, Vila Facaia 3º fim-de-semana - Festa da Senhora do Carmo, Lugar da Picha Dia 25 - Festa de Santa Lurdes, Escalos Cimeiros. Em Outubro tem lugar a festa S. Vicente dos Pinheirais, na Mó Grande e em 25 Novembro realiza-se a Feira anual de Santa Catarina, Vila Facaia

Em Pedrógão Grande nasceu Primavera das Neves (1933-1981), tradutora que viveu no Brasil e Miguel Leitão de Andrada (1553-1630), jurista e escritor

Foi este o concelho mártir e sofredor num dos dias mais trágicos e negros da nossa História.

NB - Dados retirados da Wikipédia

 

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A LENDA DA BORBOLETA DA ILHA DO PICO

Sexta-feira, 16.06.17

Era uma vez uma borboleta enorme, com asas muito coloridas em forma de coração. Tinha um feitio atrevido, curioso e era muito veloz.

Certo dia, ouviu dizer que dentro da montanha da ilha do Pico, havia um Reino de Fantasia. Decidiu investigar e encontrou uma de 3 passagens para lá entrar Escolheu a primeira, ou seja, a passagem aérea, acessível a partir do cume do Piquinho da imponente montanha. Mas havia ainda havia uma passagem terrestre a partir das Grutas das Torres e uma outra - aquática - situada no Porto da Madalena.

Quando entrou dentro da Montanha, a Borboleta Gigante de imediato se transformou numa bela princesa e, impedida de voar, caiu em cima de algas fofinhas.

Como era muito habilidosa e vaidosa também, decidiu com as algas tricotar um lindo vestido.

Assim vestida, encontrou, algum tempo depois, um belo Príncipe que se apaixonou por ela de imediato. Mas, como era muito tímido, não teve coragem de se declarar pessoalmente, mandando-lhe entregar um bilhete onde perguntava se ela queria casar com ele.

A Princesa Borboleta disse que sim.

Casaram, fizeram uma festa e tiveram cinco filhos: um cagarro, um cachalote, um milhafre, uma vaca e um golfinho - que por sua vez cresceram, fizeram as suas famílias e continuam a viver não apenas na ilha do Pico mas também em todas as outras ilhas dos Açores.

 

NB – Adaptação de um texto popular

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PAÍS SEM LENDAS

Quinta-feira, 15.06.17

 

“Um país sem lendas é um aborrecimento, é capaz de nem existir."

 

José Viale Moutinho

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AS TRÊS MENINAS E A ÁRVORE DO DINHEIRO

Quarta-feira, 14.06.17

Eram uma vez três meninas órfãs que foram às amoras para o mato. De repente levantou-se um denso nevoeiro. Entontecidas e sem saber para que lado estava o caminho através do qual deviam regressar a casa, as meninas perderam-se. Sem que se apercebessem e como que miraculosamente, viram junto de si uma mulher morena, com seus cabelos loiros e com muitas tranças. O nevoeiro desapareceu por completo, fez-se um sol radiante mas as meninas não conseguiram perceber onde estavam nem ver o caminho que haviam percorrido anteriormente. A mulher não falou com elas pois estava sentada, de costas para elas a ler um livro com o nome Árvores em Extinção.

A menina mais velha aproximou da mulher e, muito curiosa, começou a olhar o livro por de traz dela. Conseguiu apenas ler um pouco de uma página que dizia o seguinte:

- Havia num certo local uma árvore chamada Árvore do Dinheiro. Quem fosse lá e desse apenas dez 10 centavos, ganhava 10 mil escudos. Isto cada vez que la fosse e todas as pessoas poderiam lá ir todos os dias. Essa árvore estava localizada em um sítio abandonado do mato lá para os lados das Pontas Brancas…

A menina ficou muito interessada e decidiu falar com a mulher. Disse-lhe então:

- Nós gostávamos de ir procurar essa árvore.

A mulher retorquiu, dizendo que também ia procurar essa árvore. Se as três meninas quisessem poderiam ir junto com ela. Mas teria que ser no dia seguinte, pois como não tinham nenhum dinheiro ali, teriam que ir buscar os dez centavos a casa.

No dia seguinte, sem dizer nada a ninguém, partiram de novo para o mato e encontraram a mulher no mesmo sítio. Partiram então, como combinado, para os lados onde a mulher lhes dissera que existia a árvore mágica. Chegaram ao local e na verdade encontraram uma árvore estranha só que de repente e enquanto estavam de frente para a árvore a mulher desapareceu.

As meninas chamaram, procuraram, mas nada. A mulher havia desaparecido.

Atónitas as três meninas aproximaram-se da árvore. De repente o céu começou a ficar muito escuro, levantando-se um grande temporal e um denso nevoeiro. As meninas desapareceram e nunca mais ninguém as viu, nem ninguém mais ouviu falar delas.

 

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VAZIO

Segunda-feira, 12.06.17

 

(POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

 

O dia começou cheio de sol,

agora pegou chuva.

Por trás da sua vidraça,

indiferente, um gato

todo estendido dorme.

Da marcenaria lá em baixo

sobe o som intermitente

de um martelo pregando

um móvel qualquer que o mestre

quer talvez aprontar hoje,

 

Largo o livro que lia

e de novo olho para a rua

onde não passa ninguém.

Por cima de um muro de quintal

as folhas de uma amoreira

tremem devagar, gotejando,

O martelo já se calou.

O gato começou a espreguiçar-se.

 

Agora é uma frágil música

talvez de flauta de cana,

como cuada pela chuva

que já está estiando.

 

Ergo-me da cadeira onde lia

enfio o casaco e caminho

direito à porta da rua.

Até à Praça, ou no café,

hei-de encontrar algum amigo

para a conversa desta tarde.

 

 

Pedro da Silveira, Fui ao Mar Buscar La

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PASTOR ET NAUTA

Sábado, 10.06.17

Entrou para o Seminário Menor de Santo Cristo no ano letivo de 1961/62, completando o curso de Teologia em 1973. Natural da Fajazinha das Flores, exerceu a sua atividade paroquial em São Jorge, nas Flores, no Pico e na Terceira, onde trabalha atualmente. Alguns anos depois de terminar o curso do Seminário, licenciou-se em Teologia na Universidade Católica, foi professor e Diretor Espiritual do Seminário de Angra e responsável pela coordenação do ensino de Religião Católica e Moral e diretor do Serviço Diocesano de Apoio à Catequese e Evangelização da Diocese de Angra.

Embora tendo-o encontrado várias vezes, ao longo destes mais de quarenta anos que nos separam dos tempos em que fomos alunos no SEA, foi com enorme alegria, júbilo e regozijo que nos reencontrámos, no Encontro de Julho, em Angra. É que a amizade que cultivámos reciprocamente ao longo dos nove anos em que convivemos nas salas, pátios e corredores do Seminário era reavivada e reforçada com variados encontros e convívios que nos era possível manter nas férias de verão, devido à proximidade e vizinhança das nossas freguesias de origem: Fajãzinha e Fajã Grande, na ilha das Flores.

A sua participação no encontro foi fabulosamente importante, extremamente dinâmica e altamente profícua. Na véspera do Encontro se iniciar, tornou-se um dedicado acompanhante do pequeno grupo dos que primeiro chegaram a Angra, entre os quais eu próprio me incluía. Conduziu alguns na sua própria viatura, levando-os ao “Beira-Mar” e acompanhando-nos num dos melhores e mais conhecidos restaurantes da Ilha Terceira, debruçado sobre o Porto de São Mateus, num cenário absolutamente pitoresco, onde nos foram servidas umas deliciosas lapas grelhadas, segundo se diz por aquelas bandas, “do melhor que há nos Açores” e peixe grelhado da excelente qualidade. Um petisco de se lhe tirar o chapéu! Durante os três dias do Encontro, manteve um acompanhamento contínuo, uma atividade ininterrupta, servindo, muitas vezes de elo de ligação entre os visitantes e o próprio Seminário. Acompanhou-nos na visita à Casa Sacerdotal de Angra, construída sob a égide da Irmandade de São Pedro ad Vincula e onde se albergam alguns sacerdotes da diocese, servindo-nos de cicerone e guia.

No entanto, o que mais notabilizou a sua participação no Encontro, foram as excelentes “imitações” de algumas figuras muito conhecidas no meio eclesial angrense, com que nos brindou, nos momentos de descanso e lazer. Foi ele ainda ele que com muita dignidade e perfeccionismo leu uma mensagem escrita e enviada por quem esteve impedido de estar presente em algumas atividades, por motivos de saúde.

Em suma foi um verdadeiro “Senhor” do Encontro, teve um desempenho notável no mesmo, acompanhando-nos permanentemente, pese embora mantivesse, na ilha Terceira, as suas atividades a nível profissional. Um verdadeiro pastor seja pastor e marinheiro, isto é sacerdote amigo e companheiro. Bem se poderia dizer, parafraseando São Malaquias Pastor et Nauta.

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RECICLAGEM DA PEDRA

Sexta-feira, 09.06.17

“A paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico representa uma obra-prima da genial criatividade humana na medida em que, face a um ambiente adverso e em tudo propício ao abandono, o Homem teve a capacidade de superar a própria natureza e transformar a pedra, aparentemente inútil mas abundante, em sustento e modo de sobrevivência."

C. M. da Madalena - Pico

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BENTA E JERÓNIMA

Quarta-feira, 07.06.17

 

Desde criança que se haviam colado numa amizade recíproca, inebriante. Nas veredas da inocência foram as mães a juntá-las. Depois elas próprias a caminharem lado a lado para a catequese, para a escola, para o moinho, para a máquina e até para a festa da Senhora dos Remédios, na Fajazinha. Sempre juntas, sempre amigas, sempre cúmplices, galhofeiras, até a Jerónima se casar. A Benta invejou-a. E tanto cismou, tanto hesitou, tanto desesperou que acabou por ficar para tia. E como que fazendo jus ao nome, decidiu dedicar-se às coisas de Deus. Muito de igreja, muito de rezas, muito de missas. Casas paredes meias, seguiam vidas paralelas. Sem se falarem. Não se podiam ver. Metera-se uma ciumeira enorme, entre elas. Domava-as uma inveja arreliadora. Fora o namorico da Jerónima com o filho do José Dias que destruíra toda amizade de outrora e construíra o terrível muro que agora as separava. Dizia-se à socapa que a Benta também gostava do Dias. Alguém os vira acaçapados, muito encostados um ao outro, junto a uma aba das paredes da ladeira do Batel. Toda a amizade se esmoronou como um castelo de cartas. Depois a Jerónima a mexericar, a inventar, a por aleives e a Benta a dar ouvidos a umas e a outras. Não se podiam ver. Se se encontrava faiscavam lume por todos os lados. Mal se encaravam bramiam um odio recíproco e ameaçador.

Tudo se acamou no dia em que a Jerónima, já com três pimpolhos ao colo, partiu para a América. A Benta respirou de alívio. Mas ou porque a distância amainara o ódio, ou porque as sobras de uma paixão frustrada lhe ativassem os sentimentos, passado um ano estava cheia de saudades, passados dois escreveu-lhe uma carta e, ao fim de vinte anos, quando a Jerónima regressou viúva e dolente decidiu ir visitá-la a fim de lhe dar uma palavra de conforto, um gesto de ternura, talvez um abraço de reconciliação.

A América porém mudara a Jerónima. Para além de lhe casar os filhos, levara-lhe o marido, deixando-a sozinha entre mágoas e álcool. Chegou à Fajã domada pela bebida e tresmalhada. Uma sem vergonha desmiolada.

Mas a Benta, que cada vez se santificara mais e que nas suas rezas e meditações percebera que Deus ensinou a perdoar, decidiu ir visitá-la, na tentativa de enterrar para sempre o machado de guerra. Apanhou-a de surpresa. A Jerónima apareceu-lhe à porta muito bêbada e tal e qual Nosso Senhor a havia posto no mundo. Nua.

A Benta nem entrou. Fugiu a sete pés, benzendo-se, persignando-se e gritando bem alto aos sete ventos:

- Aquela mulher está doida! Não tem vergonha! Aparecer assim à porta… in coire…

  

 

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JOANITA

Domingo, 04.06.17

 

O que fazes aí oh António

Encostado à botica

Estou à espera da nossa Ana

E da prima Joanita.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

Eu parti uma laranja

E deitei metade fora

Com a outra fiz um barco

Joanita vamos embora.

           

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.                            

Joanita e António

Estão namorando os dois

Vão-se unir em matrimónio

Serão felizes depois.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

(Canção Popular – GFCP de S. Caetano Pico

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DA CHAMARRITA À CHIMARRITA

Sexta-feira, 02.06.17

A Chimarrita é uma dança típica do folclore gaúcho, brasileiro. Consta que teve a sua origem no Arquipélago dos Açores, talvez na ilha do Pico e terá sido levada para o Brasil por colonos açorianos, na segunda metade do séc. XVIII. Desde a sua chegada ao Rio Grande do Sul, a "Chamarrita", como era designada inicialmente, foi evoluindo de forma galopante ao longo de gerações e, no início do séc. XX, passou a ser adotada a forma de dança de pares enlaçados, adquirindo, ao mesmo tempo o nome atual Chimarrita

Chimarrita é pois uma corruptela e é a denominação mais usual desta dança em que os intervenientes se dispõem em filas e depois seguem assim, até formarem uma roda, um par atrás do outro. O passo é lento e atraente e tem como características o bater do pé e o bater da mão.É um baile cantado, onde há solo e coro, demonstrando, ainda que ténues, alguns vestígios do balho açoriano que a terá originado. Os próprios versos cantados, de que a seguir se apresentam alguns exemplos, parecem revelar idênticas semelhanças.

 

Chimarrita vou cantar

Qu'inda hoje não cantei (bis)

Deus lhe dê muita boa noite

Qu'inda hoje não lhe dei (bis)

 

Chimarrita morreu ontem,

ontem mesmo se enterrou (bis)

Quem falar da chimarrita

Leva o fim que ela levou (bis)

Chimarrita que eu canto

 

Veio de cima-da-serra (bis)

A pular de galho em galho

até chegar na minha terra (bis)

 

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FUI AO MAR ÀS LARANJAS

Quinta-feira, 01.06.17

 

Fui ao mar às laranjas,

que é cousa que lá não tem;

fui enxuto e vim molhado

nem siquer vi o meu bem.

 

Fui no mar da vida um dia,

fui buscar amor também.

O amor que eu queria,

ai, meu deus, no mar não tem!

 

Popular (Fajã Grande)

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OS TRÊS CONSELHOS

Terça-feira, 30.05.17

Um rapaz muito pobre tinha casado, e para sustentar a sua família teve que ir arranjar trabalho. Procurou por vários sítios, mas apenas conseguiu ter de ir servir uns patrões que viviam muito distantes da sua casa. Como era um homem bom, sério e honesto e como confiava nos outros pediu ao amo que lhe guardasse o dinheiro que ia recebendo das soldadas. Ao fim de uns quatro anos já amealhara grande quantidade de moedas, que lhe chegariam para viver e como tinha saudades da mulher, decidiu voltar para casa. Ao comunicar a sua decisão ao patrão, este disse-lhe:

– Qual queres que te dê: três bons conselhos que te vão servir para toda a vida, ou o teu dinheiro?

O homem disse-lhe que queria o seu dinheiro.

O patrão respondeu:

– Mas olha que te podem assaltar pelo caminho e matarem-te para te roubar o dinheiro.

– Pois então, - disse o rapaz - venham de lá os conselhos e fique com o dinheiro.

Disse-lhe o patrão:

– O primeiro conselho que te dou é que nunca te metas por um atalho sinuoso, podendo andares por um caminho largo e bom, embora mais extenso.

– Cá me fica para meu governo. – Retorquiu o rapaz.

– O segundo, é que nunca pernoites em casa de homem velho casado com mulher nova.

- E o terceiro? – Indagou.

- O terceiro vem a ser: nunca te decidas pelas primeiras aparências.

O rapaz guardou na memória os três conselhos, que representavam todas as suas soldadas e, quando se ia embora, a dona da casa deu-lhe um bolo para o caminho, a fim de que o comesse se tivesse fome; mas disse-lhe que era melhor comê-lo em casa com a mulher, quando lá chegasse.

Partiu o homenzinho de casa do amo e, pouco depois, encontrou pelo caminho uns almocreves que levavam uns machos com fazendas para venderem numa feira. Foram juntamente, conversando e contando a sua vida uns aos outros. A certa altura um dos vendedores disse que pretendia cortar caminho por ali por uns atalhos ali existentes, porque assim pouparia mais de meia hora de caminho. O rapaz decidiu continuar pelo caminho mais longo, e quando ia chegando a um povoado, viu vir o vendedor todo esbaforido sem os machos. Tinham-no roubado e espancado.

Disse o moço:

– Já me valeu o primeiro conselho.

Seguiu o seu caminho, e chegou já de noite a uma venda, onde foi beber uma pinga, e onde tencionava pernoitar, mas quando viu o taverneiro já homem velho e a mulher ainda muito nova, pagou e foi andando sempre, Quando chegou à vila, ia lá um reboliço enorme: é que a Justiça andava em busca de um assassino que tinha fugido com a mulher do taverneiro que fora morto naquela noite. Disse o rapaz lá consigo:

– Bem empregado dinheiro que me levou o patrão por este e pelos outros conselhos.

E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa. E lá chegou. Quando se ia aproximando da porta, viu dentro de casa um homem, sentado ao lume com a sua mulher! A sua primeira ideia foi a de ir matar ambos. Lembrou-se do conselho, e curtiu consigo a sua dor. Pouco depois entrou muito calmo pela porta dentro. A mulher veio abraçá-lo, e disse:

– Aqui está o meu irmão, que chegou hoje mesmo do Brasil. Que dia! E tu também ao fim de quatro anos regressaste a casa!

Abraçaram-se todos muito contentes. No dia seguinte tiveram uma visita. Era o patrão que lhe vinha entregar todo o dinheiro que ele ganhara durante os quatro anos em que ele o servira.

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