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SEBASTIÃO COMILÃO

Quinta-feira, 23.11.17

Sebastião era um crápula, um comilão, um barrigudo que não se furtava de enfiar pelas goelas abaixo tudo o que de comida lhe aparecesse pela frente. Lá em casa não havia morcela que permanecesse intacta, linguiça que afogueasse até ao fim, torresmo que se aquietasse na terrina ou perna de galinha que sobrasse no prato. Depois era um atafulhar-se de batatas, de pão, de queijo, de bolo, de papas e até de sopa. Os filhos a roer uma côdea rija de pão de milho, ou pior, sem nada, simplesmente a chupar nos dedos e o sacana a encher o papo regaladamente, E o mais estranho era que o biltre comia tudo sem colher, até a sopa… Como consequência uma pança que parecia o globo do livro da terceira classe. Até parecia que para além da pança tinha folhoso e coalheira com os ruminantes de que falava o livro de ciências da quarta

Mas o pelintra não se ficava por encher o bucho. Pese embora ter a comida sempre pronta e a barriga sempre cheia, ao chegar a casa era um tal assapar na mulher, dando-lhe sovas de ver e tremer. Um maldito sem consciência, sem escrúpulo sem respeito por ninguém. E o sanabagana ainda se ufanava de tudo isto à Praça, no descansadouro do Alagoeiro ou até nas casas do Espírito Santo, em dias de alvorada.

Um pulha do pior, este Sebastião.

 

NB – Era este quadro que nis trespassava na mente, quando em criança cantarolávamos esta cantilena;

 

Sebastião come tudo, come tudo!

Sebastião barrigudo, barrigudo!

Sebastião come tudo sem colher

E no fim dá tareia na mulher!

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publicado por picodavigia2 às 12:24

A ABA

Quarta-feira, 22.11.17

Na canada das Águas, um pouco antes da única curva que a delineava e que ficava muito perto da rocha, no local onde havia uma ligeira subida constituída por vários degraus em ziguezague, havia um enorme calhau. Ali estava há um horror de tempo e nem os avós dos mais velhos se lembravam do seu desabamento. Era um gigantesco e descomunal penedo, bastante áspero e excessivamente tosco que, em tempos idos, se havia despegado daquele alcantil, rolado por ali abaixo, encravando-se no solo. O seu peso estimativamente excessivo e a presumível velocidade que teria atingido ao despegar-se daquele desmedido aclive encravaram-no de tal maneira no chão que aparentava ter sido ali plantado. Nem todas as juntas de bois existentes na freguesia, atreladas umas à frente das outras, seriam capazes de arrancar dali aquele mamarracho ou sequer de o mover um centímetro que fosse. Só com meia dúzia de velas de dinamite enfiadas em buracos bem profundos e com um rastilho bem alongado... Por coincidência ou por inteligente aproveitamento dos que construíram a sinuosa canada das Águas, o calhau ficava mesmo à beira do caminho, servindo, naquele sítio, de divisória natural entre este e a relva de Ti Manuel Rosa, situada mesmo ali pertinho.

Do lado que confinava com a via pública, na parte superior, o calhau tinha uma enorme aba e, na parte inferior desta, uma concavidade, que com as chuvas, sobretudo com as oriundas do sul, se enchia de água. Só que, por capricho da natureza, o buraco era uma espécie de poço, tão perfeito e tão bem elaborado que nem o cinzel de um pedreiro o talharia melhor. Além disso, na parte inferior, a aba do calhau possuía uma espécie de plataforma para que quem quisesse ou desejasse ali se sentasse e molhasse as mãos na água, observando aquela pequena maravilha da natureza.

Meu pai possuía duas relvas por ali perto, uma um pouco mais adiante e outra no termo da canada, já perto da rocha, por isso eu passava junto daquele calhau, vezes sem conta. Além disso tinha um pequeno curral, o qual, devido ao seu exíguo tamanho, era destinado exclusivamente a pasto da ovelha, e que ficava mesmo em frente àquela espécie de monumento paleolítico. Embora não gostasse muito de ir para as Águas, com receio de que caíssem pedras ou ribanceiras, nos momentos em que por ali deambulava, eu adorava aquele calhau. Sempre que passava por ali, quando ia buscar ou levar as vacas, subia a plataforma, sentava-me e ficava a contemplar o pequeno lago, sobretudo quando cheinho de água, quase a transbordar, com formas e recortes tão semelhantes aos do baixio, como se fosse um mar. Havia mesmo um enclave em tudo igual ao Boqueirão, outro parecido com o Caneiro das Furnas e no meio, eu próprio lhe escarrapachava uma pedra a fazer de Monchique. Então nos dias em que meu pai por ali se demorava a ceifar feitos ou quando eu levava a minha ovelha a pastar no curral era um enlevo, pois enchia o lago de folhinhas de faia e de incenso a fazer de barcos. Depois sentava-me na plataforma e ficava horas e horas a brincar. Tocava com as mãos na água e esta agitava-se como se fossem ondas e o lago crescia, crescia até se transformar num enorme mar cheio de barcos, de gasolinas, de iates e de navios, uns ancorados fora do porto, outros partindo para a Europa, para a América, para outros mundos. Eu imaginava-me então piloto de um deles e seguia pelo mar fora até chegar a um país longínquo e distante onde não havia rochas de onde caíam pedras e ribanceiras e onde os caminhos não eram sinuosos nem repletos de pedregulhos. Um país onde todas as árvores eram floridas, onde as casas eram palácios, as ribeiras eram rios, onde os campos se enchiam de trigo e onde os pássaros não debicavam os frutos. Um país onde o pão tinha um sabor adocicado, onde as manhãs clareavam com veemência, onde os homens não eram escravos da miséria e onde as mulheres se deliciavam a ouvir o canto dos pássaros. Um país onde havia candys, chocolates e canetas com luzinhas. Um país onde havia roupas perfumadas e limpas, sapatos para proteger os pés e calças de angrim. Um país de onde vinham as encomendas e do qual me falava meu avô. Um país que chamavam “A Amerca”.

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publicado por picodavigia2 às 12:20

O CASTIGO DOS SOBERBOS

Terça-feira, 21.11.17

 

“Os mais soberbos na prosperidade são os mais débeis na adversidade.”

 

Fénelon (Teólogo, poeta e escritor francês)

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publicado por picodavigia2 às 09:34

A CHOVER

Sexta-feira, 17.11.17

A chover

A trovejar

E as bruxas

A dançar

 

A chover

A fazer sol

As bruxas

A comer pão mol(e).

 

(Popular)

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publicado por picodavigia2 às 00:44

A LENDA DE CHEROKEE

Quinta-feira, 16.11.17

Conta-se que certo dia um velho cherokee* dava lições de vida aos seus netos. A certa altura disse-lhes:

- Neste momento sinto que se está a travar uma luta dentro de mim. Trata-se de uma terrível luta, entre dois lobos: Um é o medo, a cólera, a inveja, a tristeza, o remorso, a arrogância a autopiedade, a culpa, o ressentimento, a inferioridade e a mentira. O outro é a paz, a esperança, o amor, a alegria, a delicadeza, a benevolência, a amizade, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé. Reparem que a mesma luta está a ser travada dentro de vocês como dentro de todas as outras pessoas.

As crianças puseram-se a refletir sobre o assunto e uma delas perguntou ao avô:

- Qual dos lobos vencerá?”

O ancião respondeu:

- Aquele que for bem alimentado.

 

*Cherokees são os elementos de grupo de indígenas norte-americanos, originários dos Montes Apalaches.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:54

BIBELOT

Quarta-feira, 15.11.17

 

(POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

Sobre a estante,

entre um requixó

e uma urna marajoara,

 

que viagens sonha

que mares abertos

e que brisas?

 

- Chamo-lhe navio.

 

 

 

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publicado por picodavigia2 às 17:28

MATCHFIXING

Domingo, 12.11.17

 

A manipulação de resultados em apostas desportivas, universalmente apelidada de ‘matchfixing’, aparentemente parece ser uma realidade em Portugal como em quase todos os outros países do Mundo, onde o futebol é rei. Segundo Rute Soares, oficial de integridade da UEFA e gestora jurídica da FPF um simples jogo do escalão principal do nosso país pode ser suficiente para movimentar verbas superiores a 30 milhões de euros em apostas, nasua grande maioria ilegais

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publicado por picodavigia2 às 00:20

IGREJAS E CAPELAS PORTUGUESAS DEDICADAS A SÃO CAETANO

Sábado, 04.11.17

Acores - Flores island - Lajes: - On the outermost island of the Azores, near a small fishing village on the south east, there stands by itself, a church dedicated to São Caetano. Built in 1888, it has a quaint style with a single belfry in the middle of the facade.

Acores - Pico island: - Sao Caetano is a town on the southern coast in a magnificent bay, with its parish church built in 1878 and dedicated to Sao Caetano. Pictures on Right. Also on the island of Pico: small 17th century rectangular chapel dedicated to Sao Caetano in a rural area. Has a small sacristy attached to it. Pictures Left.    

Here on Pico is also a beach of Sao Caetano (or Prainha do Sul) is still called Prainha do Galeao (literally, Little Beach of the Galleon) because of the ship built there by Garcia Goncalves Madruga in the 16th century to pay debts owed to King Joao III.       

Acores - Sao Miguel island: - Fort Sao Caetano near the beautiful beaches of Milicias and Areal Grande.                                                                

Aveiro - Travasso: - In Travasso', a small village, a small Church dedicated to Sao Caetano with a small statue of him over the main altar. Pictures on the Right.   

Beja - Cuba: A few kilometres from Cuba, not far from Beja, is a church that dates from 16th century. It was previously dedicated to Sao Caetano. Near the church, there was an old Roman dam, whose ruins still exist. This dam would later give a new name to the church which had its dedication changed to Our Lady of the Dam (Represa, in Portuguese).  

Braga - Guimaraes - Gonca: - The Parish Church of St.Michael hosts four major side altars inside, one of which is dedicated to Sao Caetano which owes its existence to a now defunct brotherhood. The extinct Brotherhood of Sao Caetano, according to the parish records of 1842, had many perpetual indulgences for the brothers in several days of the year, provided by Clement XII in 1734 and by Clement XIV in 1772.       

Braga - Maximinos:

Sao Caetano College run by the La Salle brothers founded in 1791 by D. Frei Caetano Brandao, Archbishop of Braga. This college shelters children and youth of both sexes who come from broken families. The college usually cares for about a hundred children from around Portugal and from Portuguese speaking African countries. 

Braganca - Macedo de Cavaleiros: - Church of Vale Benfeito: On the right is the figure of Sao Caetano.                                                        

Coimbra - Cantanhede: - Church of Sao Caetano in a village of the same name on the outskirts of Cantanhede. Raised to Parish status in 1926. Pictures Right include the original church.         

Coura - Agualonga: - In the church of the small village of Agualonga in the district of Coura in Portugal, there is a chapel dedicated to Sao Caetano.                 

Estremadura - Mafra: - The Mafra National Palace is a baroque monument which also served as a Franciscan convent, was built during the reign of King John V (1707-1750). The palace is built symmetrically with the centre occupied by a basilica which is decorated with several Italian statues among which is S.Caietanus (note: in Latin).

Guarda - Celorico da Beira: - The Fountain of Sao Caetano at Celorico da Beira. Picture on Right...      

Guarda - Gouveia - Lagarinhos: - Chapel of Sao Caetano of Romanesque style. On the doorway of the facade there is the coat of arms of the Province. Picture on the Right......           

Madeira island: - Chapel of Sao Caetano.                                                              

Porto - Madalena: - Sao Caetano church. Picture on Right.....       

Santarem: Sao Caetano: - Populated area with a chapel dedicated to the Saint.              

Viana do Castelo - Longos Vales: - On top of a hill named after Sao Caetano near the village of Longos Vales, there is a church also dedicated to the Saint with some archaeological digs on the remains of an old Sao Caetano fort and a prehistoric bronze age settlement close by.       

Viana do Castelo - Madalena: - Church of Sao Caetano

Vila Real - Agua Reves: - Baroque Chapel built in 1737 by Manuel Mariz Sarmento whose coat-of-arms one can see on the facade. Inside is an ornately sculptured altar with a statue of the Saint in the centre above the tabernacle. Pictures Right...     

Vila Real - Chaves: - Sao Caetano chapel and fountain the water of which is said to be miraculous. People come here in pilgrimage in great numbers on the 7th of August. Inside the chapel are kept the seven images of the saint that his followers carry while walking on their feet or knees around the same chapel. Actually this location is made up of a small church and a chapel. Pictures below......                   

Vila Real - Valpacos: - Chapel of Sao Caetano. Note the beautiful coat-of-arms over the doorway.        

Vila Real - Mesao Frio: - Chapel of Sao Caetano. Statue and feast of the Saint

 

In ALL OVER THE WORLD, Contact, PORTUGAL                                                                 

              

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publicado por picodavigia2 às 00:00

O SÁBIO, O IDIOTA E AS ESTRELAS

Quinta-feira, 02.11.17

 

"Quando um sábio aponta para as estrelas, o idiota olha para o dedo".


Adágio popular.

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publicado por picodavigia2 às 12:20

D. JOÃO V E O CONVENTO DE MAFRA

Segunda-feira, 30.10.17

"Tendo El-Rei designado o local para o edifício no sítio denominado Vela, junto a Mafra, cometeu o desenho dele a diferentes, ficando aprovado o de Frederico Ludovice, arquiteto alemão educado em Roma, e que estão se achava em Lisboa dirigindo trabalhos dos padres da Companhia. [Note-se a nobre atitude de D. João, Rei absoluto, em dar os traços gerais aos técnicos, para no final aprovar o de melhor resultado.]

Ordenou o monarca as preciosas expropriações que pagou na importância de 358$000 réis: a edificação que então estava em projeto era convento e igreja, cujas dimensões e riqueza em nada se alteraram posteriormente quando El-Rei mudou o seu plano.

Começaram pois os trabalhos, abrindo-se alicerces de 5,30 m de profundidade - grande número de homens aí trabalhou, tendo começado por cortar uma montanha que fica ao sul do edifício, a fim de nivelar o terreno onde devia construir-se a grande fábrica.

Em 17 de novembro de 1717 teve lugar a inauguração do edifício, a cujo ato assistiu El-Rei e toda a Família Real, o Cardeal Patriarca e Cúria Patriarcal, grande número de fidalgos, uma força militar de cavalaria e infantaria, e imensa multidão de povo.

No local onde devia ser a capela-mor lançou El-Rei a primeira pedra, de figura quadrangular, que continha a seguinte inscrição:

Deo optimo maximo

Dico que Antonio Lusitano

Templum hoc dicatum

Joannes lusitanorum Rex

Voti compos ob susceptos liberos,

Primumque fundavit lapidem

Thomas I Patriarcha Ulyssiponensis. Occidentalis

Solemni ritu

Sacravit posuitque

Abbi Dimini 1717

XIV. Kal. decembr.

Aí foi igualmente lançada uma urna de prata que continha 12 medalhas, 4 das quais eram de oiro, 4 de prata e 4 de cobre; estas medalhas continham a seguinte inscrição e nelas estavam esculpidas a Igreja, e Convento, os rostos do Rei e da Rainha, e o rosto do papa reinante, Clemente XI

Joannes V Portugaliae et Algarbiorum Rex .

Et Marianna de Austria conjux.

Isto na primeira medalha que no verso tinha a imagem do convento e a legenda "De Antonio Lusitano. Mafra 1717" .

Lançaram-se mais 12 pedras e 12 dinheiros comemorando os 12 Apóstolos: uma outra caixa ou cofre contendo 2 vidros de óleo santo que se cobriu com uma pedra, na qual se via outra inscrição que certificava o voto; sobre ela lançou o esmoler-mor 12 moedas de oiro, 12 meias moedas e 12 quartos - de prata 12 moedas de 480 réis, 12 ditas de 240 réis, 12 de 120 réis - de cobre 12 moedas de 20 réis, 12 ditas de 10 réis, 12 de 5 réis, 12 de 3 réis e 12 de um e meio real - colher e trolha de prata, cestos dourados e prateados foram os objetos de que El-Rei se serviu nesta cerimónia, acabada a qual, numa capela primorosamente ornada, se celebrou uma missa de pontifical, durante todo o ato desde as 8 horas da manhã até às 3 da tarde. A cerimónia solene da inauguração significou uma manifestação pública de Fé, um reconhecimento do soberano domínio de Deus, um ato brilhante de adoração dirigido à Majestade suprema daquele de quem todas as coisas depende o ser, o movimento e a vida - é ver o que o mundo tem de maior, isto é, poder, coragem e génio, inclinarem-se diante de Deus soberano, cerimónia importante para obter o concurso necessário da protecção Divina sobre a obra mais brilhante do espírito humano.)" (in O Monumento de Máfra, Joaquim da Conceição Gomes).

As outras medalhas tinham as seguintes representações:

Segunda medalha: Figura do português S. António numa nuvem sobre um altar com o Rei D. João de joelhos e mãos levantadas, a legenda é "In Coelis regnat, invocatur in patria". No verso a figura do templo com a legenda "Divino Antonio Ulyssiponensi dicatum". No pórtico do templo a inscrição "Joannes V. Portugallie Rex mandavit, Mafrae 1717".
Terceira medalha: O retrato do Papa Clemente XI com a seguinte legenda "Clemens undecimus Pontifex Maximus". No verso estão as armas de Clemente XI com a legenda "Pontificatus anno 17."

Na quarta medalha: O retrato do Patriarca com as legenda seguinte "Thomas I. Patriarcha Ulyssiponensis Occidentalis". No verso estão as armas do Patriarca com a legenda "Sancti Antonii Ulyssiponensis templum à Joanne V, Portugallie Rege designatum constructum lapidem in singnum posuit, Anno Dñi M, DCC, XVII".
Estas 4 medalhas, como foi dito, foram triplicadas em metais diferentes (ouro, prata, e cobre).

 

In Blog ASCENDENS

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publicado por picodavigia2 às 00:55

DEFESA DA PAZ

Domingo, 29.10.17

«Uma vez que as guerras nascem no espírito dos homens, é no espírito dos homens que se devem erguer as defesas da paz.»

Archibald McLeish

 

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publicado por picodavigia2 às 01:13

A PRAGA DOS GAFANHOTOS E AS PAPAS DE CAROLO

Quinta-feira, 26.10.17

Conta-se que há muitos anos a Beira Baixa foi invadida por sucessivas nuvens de gafanhotos. A vila de Alcains não escapou à praga e as suas searas de centeio, feijão e milho, assim como as hortas, foram devastadas por completo.

Perante tal tragedia alguns habitantes acendiam fogueiras enquanto outros, com chocalhos e latas faziam barulho tentando afastar os malditos gafanhotos. Mas verdade é que com estes recursos não conseguiram nada. Desesperado, o poso recorreu aos Santos da sua devoção suplicando-lhes que afastassem aquilo que cuidavam ser castigo dos seus pecados.

Lutando contra a fome e com outros males que tão terrível praga provocava, o povo implorou a proteção de Nossa Senhora, de Nosso Senhor e de são Pedro, prometendo realizar 3 festas anuais em três domingos seguidos de agosto.

Na segunda festa, realizada no quarto domingo de agosto, eram feitas ofertas de milho miúdo, cereal ou dinheiro. Percorridas as ruas da povoação, no chamado Dia das Papas cada rancho regressava a casa do seu festeiro, na qual descansavam. Depois, alguns rapazes com os sacos de milho miúdo, trajes de festa, dirigiam-se para os moinhos manuais. Moído o milho, voltavam à casa do festeiro com a farinha. As raparigas peneiravam a farinha, tirando o carolo e separavam-no. O carolo era lavada repetidas vezes e acendiam-se na rua tantas fogueiras quantas caldeiras de papas calculadas. Os rapazes arranjavam colheres de pau muito compridas para tirar as papas das caldeiras recebendo certos “aborrecimentos” das raparigas que os acompanhavam. Finalmente, as papas ficavam cozidas antes do pôr-do-sol e os rapazes punham na rua 3 ou 5 tabuleiros de madeira com mais de um metro de comprimento, onde se vazavam as caldeiras. Assim, as pessoas pobres e as crianças aproximam-se com colheres para se servirem, comendo as papas.

Terminado o jantar das papas, o rancho saía para a rua e em frente da casa do respetivo festeiro, dançavam e cantavam.

 Festas aina se realizam, mas sofreram algumas alterações. O milho para as papas já não é miúdo e os moinhos manuais já não existem.

 

In Tradições de Alcains Castelo Branco

 

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publicado por picodavigia2 às 23:06

POEMAS DA ANTEMANHÃ (IV)

Quarta-feira, 25.10.17

(POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

Quando morrer em nós o último barco da emigração

e a ânsia das Américas perdidas;

 

quando os nossos olhos deixarem de voltar-se tristes

para o vapor sumindo-se na linha do pego;

 

quando descobrimos a força que ainda guardam nossos braços

cansados de querer abraçar as estrelas;

 

quando os dias deixarem de rolar sobre os dias

sem esperança nenhuma para erguer;

 

quando, enfim, nosso esforço de irmãos fizer brotar

uma outra vida no chão das nossas ilhas

 

- neste chão que ficou amorosamente esperando

os nossos corpos derrotados na aspereza dos caminhos do retorno –

 

então, pátria, será nosso o teu destino.

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publicado por picodavigia2 às 18:17

O PASTOR GABRIEL

Domingo, 22.10.17

(UM CONTO DE MIGUEL TORGA)

 

Nunca houve em toda a montanha pastor como o Gabriel.

- Merecias outras ovelhas, homem! - disse-lhe um dia o Prior, desanimado da anarquia dos seus paroquianos, quando viu o rebanho do rapaz atravessar a estrema dum centeio sem tirar uma dentada.

- Deus me livre! já me vejo maluco com estas...

Mentira. O padre tinha razão. Era uma pena ver tanta autoridade, tanta vocação, tanto jeito natural, ao serviço de animais. Nem se pode fazer ideia! O carneiro mais teimoso, mais lorpa, mais churro, chegava às mãos do Gabriel e mudava de condição. Só não ficava a falar.

- Que fazes tu ao gado, criatura? Parece que o enfeitiças!

- Nada. Dou-lhe monte, como a outra gente.

Sorria. E lá continuava a educar os malatos com gestos e palavras que ninguém sabia fazer nem dizer. Nunca batia numa rés. O castigo era um simples olhar reprovativo, um assobio impaciente, uma interjeição mal humorada. Mas bastava. Ao fim de algum tempo, cada cabeça como que porfiava em não desagradar ao dono, em viver sintonizada com aquele governo sem cajado. E dava gosto ver a disciplina com que o rebanho deixava o redil e atravessava o povo.

- Não há dúvida! Nem o mestre na escola!

Continuava a rir-se por dentro. Espantavam-se com pouco. Com a pequenina amostra do muito que estava por detrás... Na verdade, toda aquela disciplina tinha um fim, e era muito mais apertada do que parecia. Como os pastos no verão escasseavam, só havia uma solução: aceivar os nabais de noite, pela calada. Ora, para Áfricas dessas, o Gabriel necessitava de gado mudo e lesto, cegamente obediente ao comando. Por isso, sem dizer porquê nem por que não, exigia sistematicamente dos patrões que vendessem os carneiros mancos ou rebeldes, e ninguém ouvia o balido de nenhum.

- O teu gado não berra?

- Pergunta-lhe. É o berras! Ou não se chamasse ele Gabriel e não capitaneasse um bando de salteadores.

No meio da escuridão, abria a porta do curral e punha-se a andar. O rebanho atrás, como um cão rafeiro. À entrada da melhor sementeira, parava, perscrutava os horizontes e arrombava o tapume. Depois, em silêncio., deixava entrar os famintos e esperava que cada boca se fartasse em silêncio. Se por acaso ouvia vozes ou passos de gente que se aproximava, subia acima da parede, descalçava os socos, batia com um no outro e largava a fugir com quantas pernas tinha. Não era preciso mais: quando chegava ao redil, já o rebanho lá estava.

- Não, tu hás-de ter qualquer segredo, qualquer mistério... - insinuava o Languna, a sondar. - Palavra de honra que não.

E realmente não tinha. A coisa vinha-lhe espontaneamente, duma maneira directa, rápida, infalível, de entender e de se fazer entender por todos os seres vivos. Via um coelho na cama, falava-lhe e punha-lhe a mão em cima. Acalmava um cão açulado-a sorrir-lhe.

Mas esta comunhão instintiva com a natureza dos bichos não tentava o Gabriel alargá-la à natureza dos homens. Desses arredava-se discretamente., sem querer passar, nas relações com eles, do plano amorfo da neutralidade. Alugava o suor. Enjeitado, sem vintém, servia este e aquele. A indústria de Ferrede era comprar gado magro, engordá-lo e vendê-lo. Portanto, quem tinha dinheiro tinha o poder, e não valia a pena discutir. Que lhe interessava a ele perder tempo com palavreado ou mendigar intimidades que sabia impossíveis de antemão? O que os donos de cada rebanho queriam já o sabia: era que lho entoirisse de qualquer maneira. Recebia, pois, o farnel pela manhã, e ala que se faz tarde. Cada qual para o que nasce.

No verão em que fez vinte e dois anos, não pôde, contudo, ficar indiferente a um apelo que, muito embora fosse de cordeira no cio, vinha duma criatura cristã, com quem, de resto, acabou por casar.

Foi assim: como a serra inteira ardia na fornalha do Agosto, certo dia, no pino do sol, resolveu assestar o gado na loja. Servia então o Silvano, o maior proprietário da terra. E enquanto o rebanho, sonolento, ruminava, estendeu-se também no catre, igualmente sonolento e a ruminar. Era a hora do jantar, e lá em cima os patrões comiam e bebiam à tripa-forra. Ele, coitado, teria uma malga de caldo no fim do banquete, e viva o velho!

Nisto, sente passos pela escada abaixo, abre-se a porta, e a filha da casa, bonitota, mas de pêlo na venta, que nunca dera conta que o olhasse como homem e nunca lhe consentira que a olhasse como mulher, aparece de cântara na mão, ao vinho. Em silêncio e sem se mexer, deixou-a passar para a adega, que era ao fundo, numa loja contígua Mas apenas sentiu desandar a torneira da pipa e a espuma do tinto a ferver dentro do barro lhe fez cócegas na garganta, pediu humildemente:

- Minha ama, dê-me uma pinga!

- Dou. Anda cá bebê-la...

Ergueu-se num pronto, saltou por cima do gado, entrou no armazém, recebeu a pichorra, levou-a à boca e começou a consolar a alma. De repente, sem mais nem para quê, a moça, calada, dá-lhe um empurrão à vasilha com a ponta do dedo. De respiração afogada e ainda engasgado, a tossir, relanceou-a toda. Ao machio, a senhora morgada! E nada mais simples: pousou a caneca e dobrou a rapariga sobre uma facha de palha.

 

Miguel Torga Contos da Montanha

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publicado por picodavigia2 às 14:02

DE MÃOS A ABANAR

Sábado, 21.10.17

Vir ou chegar de mãos a abanar.” Esta era uma expressão muito usada, antigamente, na Fajã Grande, sendo empregado sobretudo para designar alguém que quando visitava outro não trazia nada consigo para oferecer, sobretudo sendo sua obrigação fazê-lo, sobretudo como gesto agradecido ou como pagamento de um favor anteriormente concedido. Atualmente, esta expressão também é muito usada quando um convidado vai a uma festa de aniversário sem levar presentes.

Consta que a referida expressão teve a sua origem nos tempos da colonização brasileira. Foi sobretudo a época de exploração do café no Brasil que atraiu um grande número de imigrantes europeus para aquela colónia portuguesa, sobretudo os que fugiam da estagnação econômica e do desemprego que, na altura, grassava no velho continente.

Ao chegar ao Brasil, era comum que os imigrantes trouxessem suas próprias ferramentas, como foices ou facas. Isso era visto como um símbolo de sua profissão, uma forma de demonstrar disposição para o trabalho. Pelo contrário, o imigrante que chegava com as “mãos abanando” era visto como preguiçoso e desinteressado em exercer alguma espécie de atividade. Assim, quando um imigrante chegava ao Brasil ‘de mãos abanando’, era visto como preguiçoso e desinteressado no trabalho.

Consta pois que foi a partir daí que o termo surgiu, sendo empregado para designar alguém que não traz nada consigo, mas que deveria assim fazer.

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publicado por picodavigia2 às 12:12

JOANITA

Sexta-feira, 20.10.17

 

O que fazes aí oh António

Encostado à botica

Estou à espera da nossa Ana

E da prima Joanita.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

Eu parti uma laranja

E deitei metade fora

Com a outra fiz um barco

Joanita vamos embora.

           

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor.

 

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.                            

Joanita e António

Estão namorando os dois

Vão-se unir em matrimónio

Serão felizes depois.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

Joanita e António

Sentadinhos à janela.

Sonham, sonham com o mar

Viajando num barco à vela.

 

Joanita namorada

Fresca e bela como a flor

Olha a sorte venturosa

Joanita meu amor.

 

F. P  (S. Caetano)

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publicado por picodavigia2 às 20:56

MENINA DOS OLHOS TRISTES

Quinta-feira, 19.10.17

Menina dos olhos tristes,

o que tanto a faz chorar?

O soldadinho não volta

do outro lado do mar.

 

Senhora de olhos cansados,

Por que a fatiga o tear?

O soldadinho não volta

do outro lado do mar.

 

Anda bem triste a menina

uma mágoa a fez chorar,

o soldadinho não volta

do outro lado do mar.

 

A lua que é viajante

é que nos pode informar

se o soldadinho já volta

do outro lado do mar.

 

Vem uma caixa de pinho

do outro lado do mar…

Desta vez o soldadinho

P’ra sempre se fez ao mar.

 

Z. A.

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publicado por picodavigia2 às 17:06

LIRA

Segunda-feira, 16.10.17

Morte que mataste Lira,
Morte que mataste Lira,
Morte que mataste Lira,
Mata-me a mim, que sou teu! 
Morte que mataste lira
Mata-me a mim que sou teu 
Mata-me com os mesmos ferros
Com que a lira morreu 

A lira por ser ingrata
Tiranicamente morreu 
A morte a mim não me mata
Firme e constante sou eu 

Veio um pastor lá do monte,
À minha porta bateu 
Veio me dar por notícia
Que a minha lira morreu.

 

A.C.O.

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publicado por picodavigia2 às 16:55

MEDITAÇÃO SOBRE A ETERNIDADE

Quinta-feira, 20.07.17

(POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

 

Das árvores que plantei

nenhuma já me pertence

e de quase todas nem comi´

ou sequer vi os frutos.

Sempre soube que devemos morrer

e penso que é melhor

não se saber quando nem como.

E quanto ao que deixámos

não se recorde de quem foi.

Que só assim somos eternos.

 

P Silveira, Poemas Ausentes.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

TEXTO NARRATIVO

Quarta-feira, 12.07.17

Texto narrativo é um texto que narra ou conta uma estória. Os seus elementos fundamentais são, para além do autor, o narrador, as personagens e as ações.

O autor é a pessoa real que inventa, imagina e escreve a estória. Por sua vez o narrador é uma pessoa imaginária, criada pelo autor, que tem como função apenas narrar ou contar a estória. O que distingue estes dois elementos, para além das funções que desempenham na construção do texto, é o facto de o primeiro ser real, existir de facto, enquanto o segundo é, simplesmente, imaginário, isto é, não é pessoa real, existe apenas dentro da estória. O mesmo acontece com as personagens, seres criados pelo autor, que apenas existem dentro da estória. Por vezes o narrador desempenha, simultaneamente, as funções de narrador e de personagem. Neste caso chama-se narrador presente e as suas marcas são facilmente detetáveis no texto.

As ações são factos, atitudes, gestos e sentimentos praticados pelas personagens dentro da estória pelo que também são imaginários, embora autor, geralmente, se baseie em factos reais que molda, altera e enriquece com a sua imaginação. Muitas ações, porém, são meramente inventadas pelo autor. Importante é situar as ações no espaço e no tempo pelo que o autor também pode basear-se no real, embora muitas vezes recorra apenas à sua imaginação.

Na construção do texto narrativo, no entanto, o autor pode ainda ter que recorrer a descrições quer das personagens, quer dos espaços, quer das ações. São os momentos de pausa em que a estória para e que são facilmente detetáveis ao longo do texto porquanto geralmente são utilizados exclusivamente os verbos estáticos: ser, estar, permanecer e ficar. Estas descrições também podem ser fruto só da imaginação do autor, embora muitas vezes também recorra ao real. Recorrer ao real para ajudar a imaginação, para muitos autores, torna, na verdade, a escrita mais fácil e mais apelativa.

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publicado por picodavigia2 às 09:06

ROBERTO BELCHIOR

Sábado, 08.07.17

O Senhor Roberto Belchior morava na Tronqueira, numa casa logo a seguir ao tanque onde o gado bebia água. Era um homem muito reservado e trabalhador, metido consigo e dos poucos que naqueles tempos, na Fajã Grande, ainda usavam barbas. Era casado e tinhas dois filhos, um do sexo masculino e outro do feminino.

Roberto Belchior nascera a 13 de Março de 1894 e era Filho de José de Freitas Belchior, natural de Boston e de Isabel Leopoldina de Freitas, natural da FG., moradores na rua Direita.

Neto paterno de Manuel de Freitas Belchior e de Mariana de Freitas Trigueiro e materno de José Cardoso de Freitas e de Maria Leopoldina.

O que mais o caracterizava era possuir um apelido muito raro e único na Fajã Grande – Belchior. Cuida-se que Belchior é aquele que … embora viva em busca de prazeres, é muito preocupado com a segurança financeira. Tem hábitos enraizados, uma memória celente e adora dividir suas experiências com alguém, \de preferência com seu amor. Seu aprendizado é lento, mas profundo: depois que aprendeu, nunca mais esquece. Por sua vez o lado negativo é o risco de se tronar teimoso e ciumento..

 

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publicado por picodavigia2 às 00:06

A VIGIA DA BALEIA EM SÃO CAETANO DO PICO

Sexta-feira, 07.07.17

Para os que não acreditam ou pretendem que os outros não acreditem, para os que ficaram insensíveis ou nada fizeram a fim de que a Rota da Faina Baleeira da Ilha do Pico passasse por São Caetano, para os que foram cúmplices da transformação da histórica Casa dos Botes no mítico porto de São Caetano numa residência turística transcrevo aqui, com a devida vénia, o testemunho do Senhor António Silva, natural de São Caetano:

Em São Caetano, na minha infância, o vigia, era o Tio Raxa, uma figura carismática e respeitada.

Diziam os que melhor o conheciam, que o Tio Raxa gostava muito duma pinguinha de vinho.

A vigia das baleias, ficava num alto, entre os dois moinhos de vento, que existiam na freguesia, o do Domingos e o do mestre Pompeu, ali no meio das adegas, do chamado Caminho do Meio. Muitas pessoas o convidavam para ir à sua adega beber uma tigela (de barro) de vinho.

Eu e outros rapazes amigos, gostava-mos muito de ir visitar o Tio Raxa à sua vigia, para ele nos deixar pôr os olhos por alguns momentos no seu binóculo de 18 vezes. Aquilo tinha um sabor especial, no tempo. Coisa engraçada e não rara, é que, muitas vezes, passava-mos no caminho e, víamos o chapéu do Tio Raxa pela fresta horizontal da vigia sobre o binóculo. Chegava-mos lá, era de facto o chapéu e o binóculo do Tio Raxa, mas, o resto tinha andado. Tinha ido consolar o corpo e a alma para a adega dum amigo qualquer, que o havia convidado (…) Tantos nomes de baleeiros célebres, outras figuras carismáticas, que ficaram na história da caça à baleia em São Caetano. O povo duma maneira geral era bom. Respeitava toda e qualquer pessoa de fora da terra que por lá vivesse ou passasse. Alguns baleeiros – normalmente os mais simpáticos – eram convidados para as matanças dos porcos, para ir à adega beber umas tigelas de vinho, para ajudar a vindimar as uvas, etc. Estes, agradeciam, pois normalmente gostavam muito daquele precioso líquido e sempre levavam para casa um cesto de asa de uvas para comer mais a família. Recordo-me ainda dos tempos do Caçoila do Capão do Loiro, etc. profissionais da baleia, que mais para o fim da festa, até cantavam o desafio.

Muito novo ainda, parece-me estar a ver e ouvir o Capão a cantar ao desafio a sua cantiga ao Caçoila:

O Raxa mais o Caçoila

São dois amigos leais

Se o raxa gosta de vinho

O Caçoila muito mais

Com a entrada de Portugal na União Europeia, no ano de 1978, foi proibida a caça à baleia na Comunidade Europeia e por conseguinte, também nos Açores.

No Pico, onde houve forte atividade, resta apenas e ainda bem, o museu da baleia nas Lajes do Pico que vale a pena visitar, onde se pode ver tudo em artesanato, a tenda do ferreiro, o bote, a palamenta, as ferramentas e utensílios que eram utilizados, e se podem recordar aqueles saudosos tempos.

No cais do Pico (São Roque), existe a Fábrica-Museu com todos os seus equipamentos, caldeiras, máquinas, etc., muito bem conservados,

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publicado por picodavigia2 às 00:05

CAÇA À BALEIA EM SÃO CAETANO DO PICO

Quinta-feira, 06.07.17

A caça à baleia, fez-se em quase todas as Ilhas dos Açores, mas foi no Pico que teve o seu epicentro e era também nesta ilha que existiam os melhores baleeiros. A quantidade e a qualidade dos baleeiros picoenses eram tantas que desta ilha muitos baleeiros saíram a procurar trabalho noutras ilhas, como acontecia na Fajã Grande, onde todos os anos se fixavam baleeiros da ilha do Pico, nomeadamente, mestres, oficiais e até o vigia, o Manuel Manquinho, pese embora existissem várias armações baleeiras, no Cais do Pico, nas Lajes, nas Ribeiras e ainda outra na Freguesia da Calheta de Nesquim. Haviam frotas estrategicamente colocadas nos diversos portos da ilha, para que pudessem chegar mais depressa à ou às baleias, consoante se tratasse duma baleia (cachalote) grande e isolada, ou de um cardume. Existiu uma frota instalada em São Caetano constituída por dois botes e uma lancha, a Espartel, a lancha que melhor andava na sua época. Em São Mateus existiam três botes e uma lancha, nas Lajes, 14 botes e quatro lanchas, nas Ribeiras, duas lanchas e quatro botes, na Calheta de Nesquim, duas lanchas e sete botes e ainda uma frota considerável, no Cais do Pico. Havia duas fábricas de transformação das baleias. Uma nas Lajes do Pico, outra no Cais do Pico, onde além da transformação do toucinho em azeite, se fabricavam também farinhas da carne e dos ossos daquelas, para adubos e alimentos de certos animais. Como já disse, também se derreteu no porto de São Mateus. Havia muita rivalidade entre as diversas companhias a laborar na ilha. Dia de baleia, era dia de alvoroço na freguesia. Estalava o foguete e, todo o baleeiro, estivesse onde estivesse, largava tudo e corria em direção ao porto. Nem passava em casa. A mulher ou filhos iam levar-lhe a comida e mais alguma peça de roupa ao porto, enquanto estes iam arreando os botes, pois a lancha já se encontrava no mar presa na sua amarração própria. Os baleeiros tinham outras atividades. Não era possível viver exclusivamente só da baleação.

Não foram poucas as vezes em que, nem todos regressaram a casa. Por vezes as coisas corriam mesmo mal. A baleia ao sentir o arpão na pele, reagia das mais diferentes maneiras; ora levantando e voltando o bote, ora batendo-lhe com o rabo de cima para baixo partindo-o e deixando tudo e todos espalhados por cima das águas profundas e salgadas, à conta de Deus e à sua sorte. Nesta operação, muitas vezes os que eram diretamente apanhados, tinham morte quase instantânea. Alguns, nunca mais apareceram.

NB - Dados retirados de uma Publicação de António Silva, em 29 de Maio de 2009

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publicado por picodavigia2 às 00:05

POESIA

Quarta-feira, 05.07.17

 

“A Poesia? Procura-a também onde tu sabes que não existe…”

 

Pedro da Silveira

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A LUA E O MUNDO

Terça-feira, 04.07.17

 

Deus

só te fez

- Lua -

porque,

ao teu redor,

queria

colocar o mundo.

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publicado por picodavigia2 às 22:51

O DOM DAS LÁGRIMAS

Domingo, 02.07.17

 

“O dom das lágrimas é a característica mais nobre da espécie humana, imediatamente depois da palavra e antes do riso.”

Bulos Salama

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A MINHA TOUCADA

Sábado, 01.07.17

Meu pai tinha uma vaca chamada “Toucada” de que eu gostava muito. Tinha um andar elegante, um aspecto altivo e era muito mansa. Era malhada de branco e preto, mas um preto acastanhado e muito luzidio. A cabeça também era preta, com uma grande mancha branca na testa, a qual lhe valera o epíteto de “Toucada”.

Eu adorava-a e, por isso, fiquei muito triste quando o meu progenitor decidiu embarcá-la, para Lisboa, para “ ir ver os senhores de bengala”.

Mas a decisão estava tomada e a vaca entrou, de imediato, em fase de engorda. Erva fresquinha todos os dias, maçarocas de milho de vez em quando, não saía do palheiro, não se lhe tirava mais leite e, além disso, nunca mais puxou o arado ou o corção, tarefas, agora, atribuídas à Benfeita, não habituada à canga, pois era a vaca de estimação de meu pai.

O empenho na engorda da vaca, no entanto, intensificou-se excessivamente. Cuidava meu pai que, se a engordasse bem, ela valeria mais dinheiro.

Alguns dias antes da chegada do Carvalho, o Portela, de Santa Cruz, como de costume, veio à Fajã arrolar gado para o próximo embarque.

Meu pai, meus irmãos e eu abdicámos das tarefas do campo e, em ar de festa, esperamo-lo sentados à porta da sala. O homem, ao chegar, entrou no palheiro e observou minuciosamente a vaca. Apalpou-lhe as virilhas e a rabada, passou-lhe a mão sobre o dorso duas ou três vezes, abraçou-a pelo pescoço. Depois, com voz convicta perante a expectativa de meu progenitor, sentenciou: “Sim senhor! Bonito animal! Um conto."

Meu pai ficou um pouco perplexo e hesitante. Aproximou-se mais da vaca, anafou-lhe o pêlo com muito carinho, fez-lhe umas festas na cabeça e, argumentando que estava muito pesada, com o pelo  muito luzidio, pediu-lhe mais cem escudos.

Como o Portela teimasse em não dar nem mais um escudo, meu pai ainda arriscou: “Mil e cinquenta..." Mas o Portela persistia no seu carracismo e a Toucada foi vendida por mil escudos.

Na véspera do dia de vapor meu pai decidiu que seria eu a acompanhá-lo a Santa Cruz, para a embarcar. Partimos alta madrugada: eu à frente, aguentando a corda da Toucada, meu pai atrás, tangendo-a com uma aguilhada, para que ela não se atrasasse no longo caminho que teríamos de percorrer, até Santa Cruz. Ao chegar aos Terreiros, porém, a vaca já ostentava indícios de grande cansaço. Subíramos a rocha da Fajãzinha pela ladeira da Figueira, para encurtar caminho e parámos junto à  Casa do Estado. Meu pai tirou, de uma das mangas da froca que trazia ao ombro, meia dúzia de maçarocas de milho que a Toucada comeu frugalmente. Da outra manga tirou um pedaço de pão de milho e outro de queijo, repartiu-os comigo.
Terminado o bródio, reiniciámos a longa caminha até Santa Cruz. Só ao descer a Ventosa avistámos o Carvalho, ancorado na enorme baía da Ribeira da Cruz.

Quando chegámos a Santa Cruz já o Sol ia muito alto. A vila vivia um burburinho excitante e belicoso. Homens e mulheres, vindos de toda a ilha, dirigiam-se, instintivamente, para o Boqueirão. Era dia de “São Vapor”!
O Portela havia montado escritório em cima do cais, ao lado das dezenas de grades onde estavam empacotadas as latas com a manteiga que a ilha produzia e exportava. Tivemos que aguardar a nossa vez. Eu, agarrando a corda da Toucada, observava as primeiras barcaças que chegavam a transbordar com malas e passageiros. Antes da lancha atracar, de cima do cais, lenços brancos abanavam em direcção ao mar e eram correspondidos com acenar de mãos dos que vinha na embarcação. Depois, era a confusão geral: uns abraçavam-se, outros choravam e outros simplesmente cumprimentavam-se. O cais era um mar de gente, misturada com animais, caixas, caixotes e malas. Tudo o que o “Carvalho” descarregava e o que havia de carregar...

A nossa vez chegou. Meu pai aproximou-se do Portela e este puxou a corda da Toucada. Observou-a minuciosamente, como que a certificar-se de que era a vaca que, dias antes, observara. Depois, um dos seus ajudante pegou num ferro em brasa e cravou-o num dos quartos da vaca. A pobrezinha emitiu um forte rugido e começou aos coices, tentando uma fuga louca, sem que eu a pudesse aguentar. Meu pai agarrou-a e trouxe-a novamente para junto do Portela. Este depois de preencher uns papéis onde constava, entre outros elementos, a cor, o peso e o número com que a haviam marcado, soltou-a da corda que eu trazia de casa e amarrou-a com uma corda nova. Um empregado, aproximando-se, puxou-a abruptamente, enquanto ela, estranhando o novo dono e o ambiente que se vivia sobre o cais, teimava em movimentar-se. O homem puxou-a com mais força, deu-lhe uns fortes pontapés na barriga e a pobrezinha teve mesmo que andar. Começava ali o seu cruel cativeiro e a sua caminhada para a morte. Senti uma enorme dor e comecei a chorar agarrando-me ao seu pescoço. Ela também berrava, de dor e desespero, sentindo não só a violência com que era tratada mas como que entendendo a inevitável separação do seu dono e amigo. O homem aproximou-a da borda do cais, enlaçou-lhe uma lona por baixo da barriga e prendeu-a num guindaste, que de imediato a levantou, colocando-a dentro do barco onde já se encontravam muitos outros animais. Eu chorava desalmadamente...

Meu pai dirigiu-se para junto do Portela. Esperou algum tempo até que o homem lhe deu uma nota de mil escudos. Pedi-lhe para a ver. Era a primeira vez que eu via uma nota de mil escudos!...

Algum tempo depois, o barco que levava a Toucada, repleto de animais que se empurravam e atrapalhavam uns aos outros, partiu. Lá ia a minha Toucada comprimida entre dois enormes touros. O barco foi-se afastando e a mancha negra e branca da Toucada foi-se desvanecendo, até eu a perder de vista, enquanto lágrimas corriam de meus olhos, cada vez mais abundantes. Meu pai, compreendendo a minha dor e disse-me que voltaríamos pelos Lajes para comprar outra vaca.

Regressámos, pernoitamos na Lomba e viemos para as Lajes, onde meu pai comprou outra vaca. Era mansa, toda preta, com os chifres arredondados, boa de leite. Oitocentos escudos. Meu pai ficou feliz e eu triste porque a achava tão feia, comparada com a minha Toucada, que aquela hora, na abalizada opinião do meu progenitor já devia estar no Pico ou em S. Jorge.

Atravessámos novamente a ilha de lés-a-lés, com a vaca, que vezes sem conta, se recusava a andar. Chegámos a casa já de madrugada. Durante a viagem e nos dias seguintes lá me fui afeiçoando à Trigueira, (assim chamámos à nova aquisição)  mas a verdade é que nunca esqueci a minha Toucada.

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CRÓNICA DE UM PARAÍSO

Sexta-feira, 30.06.17

Mais um belo texto sobre a Fajã Grande, descoberto na Net, da autoria de Zé Morgado, de Almada, no seu blogue e que com a devida vénia aqui reproduzo:

“A banda larga, felizmente ou infelizmente, ainda não está suficientemente larga. Assim, não digam a ninguém porque não me parece muito bonito, estou a piratear um ponto de Wi-Fi da Junta de Freguesia da Fajã Grande para deixar esta crónica do paraíso.

Eu sei que isto é um abuso, o paraíso não existe, ou por outra, cada um de nós, de mil maneiras, vai conseguindo uns minutos de paraíso, mais ou menos frequentes, em diferentes locais e em diferentes circunstâncias.

Nestes dias tenho, sorte a minha, passado por muitos minutos de paraíso, estou na Ilha das Flores, instalado, como deu para perceber, na Fajã Grande. A Ilha das Flores é um assombro de bonita e o tempo tem ajudado.

É complicado dizer o que qualquer guia turístico já diz mas, por outro lado, andar pelas Flores é mais bonito do que qualquer guia é capaz de descrever.

Parece magia como tanto de diferente se pode encontrar numa área relativamente pequena.

A água ouve-se e vê-se por todo o lado, em cascatas altíssimas, que mesmo no final de Julho continuam em força, ao que nos disseram, ajudadas por umas chuvas tardias. Onde os olhos poisam encontram-se hortênsias de um azul ainda vivo que desenham muros, estradas e paisagens.

A costa tem recortes em que o basalto negro, contrastando com o pôr do Sol lá para o fim do mal, criam um efeito que enquanto dura atraem os olhos sem que possamos resistir, é um encantamento.

Um pequeno segredo que é público, a Poça da Alagoinha e a vereda que lhe dá acesso são de outra dimensão e fazem-nos sentir de outra dimensão, muito grandes por ali estarmos e muito pequenos quando nos comparamos.

Este paraíso é na verdade, um dos mais bonitos paraíso em que já estive, merece que dele falemos. E é nosso.

 

NB – A parte do texto a itálico é da autoria de Zé Morgado

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A FESTA DE SÃO PEDRO

Quinta-feira, 29.06.17

 

Na Fajã Grande, a festa de São Pedro realizava-se no dia 29 de Junho, dia liturgicamente dedicado ao primeiro papa, numa altura em que este dia ainda era considerado dia santo abolido. Nesse dia havia idêntico procedimento ao da festa de Espírito Santo, verificando-se apenas uma alteração: da parte da tarde organizava-se uma procissão, com coroa, bandeira e imagem do Santo, até ao Porto Velho, onde os barcos presentes haviam sido devidamente ornamentados e enfeitados. A imagem era colocada num barco juntamente com a coroa e a bandeira, enquanto o pároco, com barco a servir de púlpito, pregava o sermão, procedendo, de seguida, à bênção dos barcos.

O cortejo regressava à Casa de Cima e procedia-se às sortes dos novos cabeças, com um ritual em tudo semelhante ao realizado na festa de Espírito Santo.

A festa terminava, ao início da noite, com o “levar das sortes” aos novos cabeças.

Curiosamente a festa organizada pelo Império de S. Pedro da Casa de Cima, assim como o S. Pedro da Ponta, era em tudo ou quase tudo, muito semelhante à festa do Espírito Santo, realizada nos outros Impérios. Apenas as insígnias eram diferentes: não havia bandeira branca, a coroa era muito pequenina e, nos cortejos, era sempre acompanhada por uma imagem de S. Pedro. Como a imagem de S. Pedro, pertencente ao respectivo Império era muito pequenina, no dia da festa e nas procissões e cortejos que se realizavam por essa altura, era a imagem existente na igreja, porque bastante maior, que acompanhava as outras duas insígnias, sendo transportada em andor adequado.

Mas a grande diferença entre o Império de São Pedro e os do espírito Santo era a de que a maior parte dos mordomos pertencentes a este Império eram jovens e crianças. Chamava-se também “Império das Crianças”.

Mas, da mesma forma que na festa do Espírito Santo, na semana que antecedia a de S. Pedro e de forma idêntica, eram cantadas as Alvoradas. Na antevéspera, de tarde, organizava-se o cortejo até rolo da Baía de Água, para a matança do gado, sendo a carne distribuída pelos mordomos na véspera de manhã, acompanhada pela pequenina coroa, pela bandeira, pelos foliões e por muitas crianças.

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LIBERDADE

Quarta-feira, 28.06.17

 

Numa definição simplificada pode considerar-se a liberdade como o direito concedido ao ser humano de fazer o que a legislação permite, isto é, o conjunto de direitos reconhecidos naturalmente à pessoa humana quer considerada isolado ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado. Esta dádiva uma vez concedia permite ao individuo o poder de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei, respeitando a liberdade do outro.

A liberdade foi e ainda é bastante discutida entre os filósofos, todos em busca de uma explicação convincente e correta acerca desta palavra que diferencia a existência humana. Começando na antiguidade, Sócrates considerava que o homem livre é aquele que consegue dominar os seus sentimentos e os seus pensamentos, o que se domina a si próprio e Platão entende por liberdade a opção de cada indivíduo em viver com a virtude e em consonância ou não com a moral. Por sua vez Aristóteles acreditava que a liberdade consistia numa harmoniosa integração do indivíduo numa sociedade em que a escravatura abrangia a maior parte dos homens.

Para Descartes age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha. Dessa premissa, decorre o silogismo lógico de que, quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores são as possibilidades dela ser escolhida pelo agente. Para Espinoz a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido ser livre significa agir de acordo com sua natureza. Assim, é mediante o exercício da liberdade que o homem se exprime como tal e em sua totalidade. Esta é também, enquanto meta dos seus esforços, a sua própria realização. Leibniz considera que o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade que rege os objetos do mundo material. Mas para Schopenhauer a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenómenos da natureza, até mesmo as suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente vontade.

Finalmente para Sartre a liberdade humana constitui-se com verdades concretas e históricas sobre o homem e só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das suas próprias condições materiais de existência.

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