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ATLÉTICO CLUBE DA FAJÃ GRANDE

Domingo, 19.02.17

Foi nos anos trinta do século passado que se deu início à prática do Futebol, na Fajã Grande. O primeiro campo de jogos que se construiu na mais ocidental freguesia açoriana foi no lugar do Estaleiro. Este lugar era um pequeno enclave encastoado ente o Porto e o Calhau Miúdo, ali para os lados do Pesqueiro de Terra, onde existiam apenas terras de cultivo. O que mais caracterizava este lugar e que está na origem do topónimo era o facto de ter existido ali, nos séculos XVIII e XIX, uma fortaleza, conhecida como o Forte do Estaleiro e de cujas paredes, pelo menos nos anos cinquenta, ainda se poderiam observar alguns vestígios. Situava-se este forte, sobre os terrenos da beira-mar, adjacentes ao ancoradouro do Porto Novo. Seria uma fortaleza ou um minúsculo castelo que, assim como outros existentes para os lados do Vale de Linho e da Ponta e em conjunto com eles, beneficiava duma posição dominante e estratégica não apenas sobre a baía da Ribeira das Casas, como também ao longo de uma boa parte da costa oeste das Flores. Esta posição estratégica permitia a estes e aos outros fortes atingir o seu objetivo primordial: a defesa permanente e contínua não apenas do porto e ancoradouro da Fajã mas também de toda aquela zona marítima, desde a Rocha da Ponta até à dos Bredos, dos ataques dos piratas e corsários, que assolavam, atacavam e devastavam as povoações da ilha, com muita frequência. Foi precisamente neste histórico lugar, num serrado que ali existia e que posteriormente foi dividido por malhões dado que pertencia a três donos: ao Laureano Cardoso, ao António Barbeiro e ao Chileno.

A prática do futebol na Fajã Grande desenvolveu-se, sobretudo, graças ao empenho e esforço do médico, na altura residente na freguesia, o doutor Caetano Luís de Mendonça, que normalmente assumia a função de árbitro, do Luís Fraga que foi o primeiro treinador e do guarda Borges, este também integrando o primitivo elenco de jogadores.

Após alguns treinos, o primeiro jogo de futebol realizado na Fajã Grande foi contra uma equipa das Lajes, o “Nacional Sport Club” e teve lugar no dia 24 de Julho de 1939, data em que o campo do Estaleiro foi oficialmente inaugurado. Alguns anos antes havia sido fundado o primeiro clube de futebol da Fajã Grande, que o se chamava “Fajã Grande Sport Clube”, equipando com camisola azul e calção branco. No entanto e porque as dificuldades de deslocação na ilha, a fim de jogar com clubes de outras localidades, eram muitas, o clube fraturou-se, a fim de poder competir, originando dois clubes: o Sport, onde jogavam os melhores jogadores e o Salgueiros, uma espécie de equipa B, onde jogavam as reservas. Só nos anos cinquenta, depois do interregno que o futebol sofreu em todo o Mundo, devido à Segunda Guerra Mundial, os dois clubes fundiram-se originando o “Atlético Clube da Fajã Grande” que passou a utilizar o mesmo equipamento e cujo nome ainda hoje se mantém, conforme consta na lista de clubes da actual Associação de Desportos da Ilha das Flores.

Naquele jogo inaugural a equipa da Fajã perdeu por 2-1, alinhando com os seguintes jogadores: José Luís (de Abrão) (guarda-redes), Francisco Freitas, António Teodósio, Luís Pereira, José Pereira, Laurindo, João Gonçalves, Cristiano, Cardosinho, José Cardoso, Urbano e Nestor. O treinador era o Luís Fraga e os suplentes: José Gonçalves (conhecido por avançado Grilo), Francisco Inácio, António Cardoso, José Furtado, António Dawling, Arnaldo. João Lourenço, José Rodrigues, este contratado apenas por ser carpinteiro e para consertar as balizas que se desfaziam facilmente com os portentosos remates dos jogadores. As botas eram feitas pelos próprios com a ajuda do sapateiro Mestre Jorge que, com engento e arte invulgares, também fazia a bola.

Dizia, quem ainda o viu jogar, que o Nestor foi talvez o melhor jogador de sempre da Fajã Grande, tendo, no entanto, falecido bastante novo. A sua morte deveu-se ao próprio futebol. Anos mais tarde, durante um jogo já no campo das Furnas, a bola terá ido parar ao mar. Como só havia uma bola, o jogo parou e coube ao Nestor ir buscá-la, para o que teve que se atirar à água. Era inverno e esta estava muito fria e o Nestor muito suado. O contacto com a água gelada ter-lhe-á provocado uma constipação, seguida de uma pneumonia e depois uma tuberculose que lhe foi fatal.

No dia 8 de Setembro de 1940, festa da Senhora da Saúde, foi inaugurado o campo das Furnas. Alguns jogadores já haviam abandonado a modalidade, entrando outros, entre os quais: Teodósio, Albano, José Fagundes, David Fagundes, (Semilhas), Roberto do Cristóvão, José Santos (da Ponta) e o Abrão, um dos melhores guarda-redes de sempre da Fajã. Era voz corrente que em todos os jogos que realizou não sofreu um único golo. Nessa altura o Luís Fraga manteve-se como treinador.

Nos anos 50 o futebol renasceu o Atlético passou a ter como principais jogadores: Abílio (Guarda-redes), João do Gil, Lucindo e Elviro, Edmundo Pereira, Teodósio, Albino, Álvaro de João Carlos, David do Raulino, Roberto do Cristóvão, Ângelo João Augusto, Mário do Raulino, Luís Cardoso, Manuel Cardoso (Matateu), Álvaro do Raulino, José Borges, António Nascimento, José Augusto e António Greves, entre outros.

A mais retumbante vitória do Atlético deu-se numa tarde de maio da década de cinquenta. O club estava em grande forma e no auge da sua curta carreira futebolística. Domingo após domingo, muitas vezes até em dias de semana, à tardinha, um punhado de jogadores que constituíam o plantel não se coibia de treinar. O Atlético já realizara alguns jogos, no novo campo das Furnas e já se deslocara a Santa Cruz e às Lajes, mas com resultados pouco positivos. Mas nessa gloriosa tarde deslocava-se à Fajã a nova equipa lajense da Rádio Naval. Era uma equipa fortíssima constituída não só por jogadores naturais da ilha que, anteriormente, haviam jogado noutros clubes, mas também por marinheiros vindos do continente para trabalhar naquela estação. O Atlético não se atemorizou. O treinador, na altura, era José Fagundes que preparara bem a equipa fez alinhar: na baliza Abílio, na defesa os jovens Edmundo Pereira, Lucindo Fagundes e o experiente Álvaro de João Carlos. Como médios o treinador lançou Albino e o veterano Teodósio, jogando com os interiores Ângelo Câmara e Albano. Nos extremos colocou o David do Raulino à esquerda e o Ângelo de João Augusto, à direita, com o Manuel Cardoso a avançado centro. O campo encheu-se de gente, na generalidade apoiantes do Atlético, vindos da Fajã e da Ponta. O Atlético venceu a Rádio Naval por cinco a zero.

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OITAVO FESTIVAL INTERNACIONAL DAS CAMÉLIAS EM LOUSADA

Sábado, 18.02.17

A Câmara Municipal de Lousada vai organizar a oitava edição do Festival Internacional das Camélias, nos próximos dias 18 e 19 de fevereiro, numa iniciativa que segundo os responsáveis pela organização daquele evento muito dignifica o concelho e o turismo da região e acrescentam As camélias, a história e o património são essenciais para o desenvolvimento do turismo, através da criação de produtos transversais às diversas áreas.

O Festival de Camélias que decorre num salão de eventos de uma das casas nobres ou de Turismo do concelho e em que também estarão representados produtores espanhóis e açorianos, consiste na exposição e concurso das várias espécies de camélias, no mercado de camélias e outras atividades alusivas a esta flor, nomeadamente desfile de moda, provas de produtos locais com esta temática e sabor, e visita guiada aos jardins de camélias do concelho. Na verdade, nos dias 18 e 19 de Fevereiro, as camélias serão rainhas em Lousada. O concelho promove mais uma edição do Festival Internacional das Camélias, na Praça das Pocinhas.

No sábado há Mercado das Camélias e entrega dos prémios do Concurso, a partir das 15h00. Às 17h00 vai decorrer um workshop intitulado “A paixão pelo cultivo das Camélias”, sob a orientação de Carina Amaral Costa, representante do Parque Terra Nostra, nos Açores. O Chá de Camélias, acompanhado com prova de produtos de Lousada, é a última atividade agendada para o primeiro dia de Festival.

No domingo, dia 19, a partir das 9h00, decorre o já tradicional Passeio pelos Jardins de Camélias do concelho. Quem pretender participar tem transporte assegurado pela autarquia devendo inscrever-se através do e-mail turismo@cm-lousada.pt, na Loja Interactiva de Turismo ou através do telefone 255 820 580. Segundo a autarquia, o primeiro local a ser visitado é o Jardim do Senhor dos Aflitos. Pelas 10h00 o grupo vai passar pela Casa de Rio Moinhos, em Covas, seguindo-se a visita ao Solar do Cedro, em Sousela. O passeio termina com a visita aos jardins da Casa de Lagoas, em Nevogilde.

Para as 15h30 está marcado um Concurso e Desfile de Body Painting e de Moda Infantil sob o tema das Camélias.

Durante os dois dias em que decorre o Festival vai estar em funcionamento o Mercado das Camélias e exposição das mesmas. No sábado o Mercado está aberto entre as 15h00 e as 20h00 e, no domingo, entre as 10h00 e as 19h00.

Na mesma data realiza-se o fim-de-semana gastronómico em parceria com a Entidade de Turismo Porto e Norte. A Câmara de Lousada convidou os restaurantes locais a associar-se à iniciativa com a criação de uma ementa comum a todos. A ementa apresenta um prato típico: cozido à portuguesa e leite-creme de sobremesa, tudo acompanhado pelos vinhos verdes e espumantes produzidos no concelho. Este ano são 12 os restaurantes aderentes.

 

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A LENDA DA QUEBRADA

Sexta-feira, 17.02.17

Conta-se que antigamente, junto à rocha da Fajã, num lugar hoje denominado de A Quebrada” numa pequena e pobre cabana, viviam muito pobremente, uma mãe com a sua filha. A rapariga era muda de nascença mas fazia-se entender e comunicava na perfeição com as outras pessoas que, embora raramente, por ali passavam. Além disso a jovem era possuidora de uma rara beleza que encantava todos quantos a viam.

Certo dia passou por ali um belo e valoroso jovem que andava a caçar. Ao ver a moça, de imediato se encantou com a sua beleza, pelo que no dia seguinte e em muitos outros voltou a passar por ali a fim de apreciar tão excelsa e invulgar beleza. Encantou-se de tal modo o jovem que acabou por se apaixonar loucamente pela rapariga, declarando-lhe, por fim, o seu amor e pedindo-a à mãe em casamento. Mãe e filha mostraram-se, inicialmente, muito receosas e hesitantes, mas como a rapariga também se apaixonou pelo rapaz, acabou por pedir à mãe que acedesse ao pedido daquele jovem a quem já amava também. A mãe aceitou e os encontros entre os dois foram-se repetindo no meio daquele descampado onde não vivia mais ninguém e a relação entre os dois jovens enamorados tornou-se cada vez mais forte. Passado algum tempo a rapariga pressentindo que estava grávida começou a ficar muito triste e receosa. Mais triste e apreensiva ficou quando percebeu que as visitas do seu amado eram cada vez menos frequentes. De certeza que já não a amava. O sofrimento e a dor tornaram-se muito maiores quando a rapariga percebeu que o rapaz desaparecera para sempre, que a abandonara, pois desde há muito que não a visitava.

Entre lágrimas e sofrimento os meses passaram até que chegou o dia em que o bebé nasceu, num dia de grande temporal. Ventos ciclónicos e chuvas torrenciais assolavam toda a ilha. O mar metia medo. Mas a criança acabada de nascer era um belo rapagão, forte e vigoroso, que em tudo fazia lembrar o pai. A rapariga encheu-se ânimo e coragem e dando um enorme grito de alegria, começou a falar. A mãe que também sofrera com a dor da filha também regozijou de contentamento. A alegria das duas era enorme… Haviam de criar, embora na pobreza, com muita alegria o seu filho e neto.

Mas diz a lenda que nesse momento, assolada pelo fortíssimo temporal, a rocha desabou e uma enorme ribanceira caiu soterrando o pobre casebre e quantos se encontravam lá dentro: a mãe, a filha e a criancinha. Essa a razão por que há quem diga que em certos dias de temporal, ao passar por ali, ainda se ouvem gritos de terror vindos bem lá do fundo, de debaixo da quebrada.

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O SENHOR PADRE DA FAJÃZINHA

Quinta-feira, 16.02.17

Uma das mais emblemáticas personagens que nas décadas de quarenta e cinquenta do século passado, visitava a Fajã Grande era o padre António Joaquim de Freitas, na altura pároco na vizinha freguesia da Fajãzinha.

Por ocasião das festas, por mais pequenas que fossem, na época das confissões quaresmais, na ausência do pároco da Fajã Grande e em muitas outras ocasiões, o Senhor Padre da Fajãzinha, como era carinhosamente tratado, visitava a Fajã Grande. Por outro lado muitas pessoas da freguesia, em caso de maleitas, molestas ou até doenças, deslocavam-se à Fajãzinha, a casa do prebendado, a fim de que este lhes valesse, prestando-lhes assistência, recomendando medicamentosa ou aconselhando um ou outro tratamento, sempre adequados e eficientes. Nas suas vindas à Fajã também era muito procurado para assistir, doenças, achaques, pernas ou braços desmanchados e outras maleitas. A todos atendia com cuidado, dedicação e bondade. Acompanhava-o permanentemente um doce e simpático sorriso. De alta estatura, envergando sempre a sua sotaina negra, muitas vezes acompanhada por um solidéu da mesma cor, deslocava-se sempre amparado por um guarda-chuva, a protegê-lo do sol no verão e a abrigá-lo da chuva no inverno. Deslocava-se à Fajã a pé, não utilizando o cavalo ou mulo, como era hábito de muitos padres na altura, uma vez que as estradas que ligavam as freguesias das Flores eram inexistentes. Era um exímio pregador e um observador rigoroso das normas da Igreja Católica, do Direito Canónico e da Liturgia.

António Joaquim Inácio de Freitas na Fajãzinha a 7 de abril de 1911, sendo filho de José Joaquim Inácio e de Maria de Freitas Corvelo. Depois de completar o ensino primário na sua freguesia natal, ingressou no Seminário de Angra, terminando o curso de Teologia em 1936. A 21 de Junho desse ano foi ordenado sacerdote pelo bispo diocesano Dom Guilherme Augusto da Cunha Guimarães e celebrou missa nova na igreja Matriz da Fajãzinha no dia 26 de Julho do mesmo ano. Em 31 de Outubro de 1936 foi nomeado vigário ecónomo dos Cedros das Flores, onde permaneceu até 1940, sendo, nesse ano nomeado cura de Santa Cruz e pároco da Caveira. Em Setembro de 1942 foi colocado na Fajãzinha, onde exerceu o sacerdócio até 9 de Maio de 1991, data em que faleceu. De março de 1956 a Junho de 1974 paroquiou, acumulativamente, na freguesia do Mosteiro, exercendo durante alguns anos o cargo de Ouvidor Eclesiástico da, atualmente extinta, ouvidoria das Lajes das Flores.

O padre António, como também era conhecido por toda a ilha, notabilizou-se ainda por uma notável recolha e guarda de documentos históricos, deixando um notável espólio documental, que muito tem contribuído para o estudo da história da ilha das Flores, nomeadamente, na sua vertente religiosa.

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DEMOGORGON O PRÍNCIPE DOS DEMÓNIOS (MITOLOGIA)

Quarta-feira, 15.02.17

Demogorgon ou simplesmente Gorgo era, na Antiguidade, o nome grego dado ao demônio, segundo a bíblia de demônios. Demogorgon seria a sombra de um guerreiro chamado Yeegil, cujo nome significava provedor do mal, mas histórias antigas dizem que esse homem não poderia fazer o mal pelo que foi o diabo lhe deu uma sombra com a qual podia fazer todo o mal que ele imaginasse ou quisesse.

Demogorgon apresentava-se com uma forma um tanto humanoide. Possuía duas cabeças em forma de mandril. Do seu corpo escamado brotavam dois pescoços gêmeos semelhantes a serpentes, e os seus braços terminavam em longos tentáculos. As duas cabeças eram dotadas de mentes individuais e distintas, pelo que possuíam nomes diferentes. A cabeça esquerda chamava-se Aameul e a direita Hethradiah. Um dos seus segredos mais bem guardados e desconhecidos dos humanos, incluindo dos que lhe prestava culto, era a do esforço que as duas personalidades faziam para dominar e até mesmo matar os humanos, Felizmente Demogorgom nunca conseguia atingir este objetivo. Ele, com a sua dualidade, dualidade apenas conseguia separar ou unir as suas próprias personalidades. Sorte a dos humanos

De acordo com algumas lendas do kopru, Demogorgon tinha duas mães, que seriam as  responsáveis pelas suas personagens gêmeas. A sua pele era azul-esverdeada, chapeada como a das serpentes, com escamas e os seus pés seriam semelhantes aos dos lagartos gigantes, tendo a cauda grossa e bifurcada. Tinha uma aparência muito idêntica às dos répteis, nomeadamente, à das Serpentes e o seu sangue era frio.

Demogorgon tinha o poder de encantar os seus inimigos, conduzindo-os insanos com o seu olhar. Se ambas as cabeças olhassem, simultaneamente, para um humano seu inimigo podia hipnotiza-lo. Por sua vez a sua cauda, semelhante a um chicote tinha a capacidade de retirar a energia vital a um inimigo vivo. Lançando os seus tentáculos sobre os seres vivos fazia com que eles ficassem cobertos com uma espécie de lepra e apodrecessem. Terrível!

Segundo outras lendas e relatos antigos, Demogorgon e o demônio Rimmon uniram-se para entrar no Mar Astral e invadir o domínio divino de Kalandurren, uma espécie de paraíso do deus Amoth. Mas Amoth matou Rimmon e tentou cortar Demogorgon ao meio, fazendo-lhe uma enorme ferida, antes que Orcus o matasse. Foi esta ferida que originou as duas cabeças de Demogorgon e a sua dupla personalidade.

Demogorgon vivia no Abismo, um grande mar de água salgada quebrada por altas, afiadas e feias proeminências rochosas que sobiam da interminável água turva até a um céu de névoa amarela. O palácio de Demogorgon era formado por duas torres gêmeas de forma muito grossa, como serpentes bem enroladas, cobertas de feições afiadas e feias e espinhos, e coroadas no topo com minaretes em forma de caveira. As duas torres estavam ligadas por uma ponte perto do topo. Abaixo da fortaleza havia recifes e cavernas onde morvam seres estranhos, constantemente lutando uns com os outros e adorando Demogorgon. Na verdade Demogorgon era adorado não só por humanos maus, mas também pelos raios inteligentes conhecidos como ixitxachitl. Os adoradores de Demogorgon que ainda não eram demônios, eram frequentemente perturbados por ele a fim de que se convertessem e tornassem em demónios.

Muito interessante é a Mitologia!

 

NB – Dados retirados da Wikipédia.

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O MEU PRIMEIRO FECHO ECLAIR

Terça-feira, 14.02.17

O fecho eclair foi inventado pelo engenheiro norte-americano Whitccomb L. Judson em 1891 e era constituído por uma série de ganchos que se prendiam a pequenas argolas. Este fecho, porém, ter-se-á revelado pouco eficaz, dado que se abria com muita facilidade e, provavelmente, teria sido votado, por completo, ao abandono se não fosse o engenheiro sueco Gideon Sundback, no primeiro quartel do sec XX, a desenvolver a ideia de Ludson, substituindo ganchos e argolas por dentes metálicos entrelaçados uns nos outros, criando assim o fecho eclair tal como ainda o conhecemos hoje, embora de forma mais perfeita e funcional do que a apresentada por Sundback.

Foi esta alteração que permitiu que o fecho eclair se fosse espalhando, aos poucos, por todo o mundo e, embora demorando algum temo tempo, chegasse aos locais mais recônditos do globo, substituindo, parcialmente, o longo e histórico reinado do botão.

Sobre o fecho eclair, que teve o seu período áureo na segunda metade do século passado, até o poeta António Gedeão fez um dos seus mais belos poemas, onde  afirma que o próprio rei Filipe II teve tudo, mas o que um monarca podia desejar, porque “ Um homem tão grande, tem tudo o que quer,” mas “o que ele não tinha, era um fecho eclair.”

Contrariamente a Filipe II, eu não só tive um como muitos fechos éclair. Mas o mais importante para mim e aquele que nunca mais esqueço foi o primeiro que tive.

O meu primeiro fecho eclair chegou-me numa encomenda da América, andava eu ainda na 1ª classe, de calções e pé descalço. Era uma “soera” verde, com o pescoço a prolongar-se pelo peito, mas que se abria e fechava, graças à invenção do sr Judson. Eu adorava aquela “soera”, não tanto pelo verde, nem sequer pelo confortável agasalho que me concedia, mas pelo fecho eclair de que me envaidecia e ufanava, por ser dos primeiros que tinham aparecido na freguesia, e único na escola. Passava horas e horas, mesmo quando não tinha a tal soera vestida, a puxar o fecho para baixo e para cima e a contemplar, absolutamente admirado, aqueles dentinhos metálicos a correrem ritmadamente uns atrás dos outros, para baixo e para cima. Verdadeiramente espectacular!

Um dia minha mãe morreu e como se isso não bastasse decidiram baldear toda a minha roupa, incluindo a tal soera do fecho eclair, para dentro de um enorme caldeirão, cheio de água a ferver e no qual haviam deitado uns tubos de tinta preta "Coureina", para que assim se tingisse e perdesse as cores naturais, tornando-se preta, a fim de deitar o luto devido pela morte da minha progenitora, como era costume na altura.

É verdade que a soera de verde passou a preta e com o tempo tornou-se cinzenta, mas também é verdade que o meu primeiro e inesquecível fecho eclair, por causa daquela estranhíssima e galvanoplástica operação, nunca mais voltou a ser o que era.

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AS DESLOCAÇÕES A PONTA DELGADA

Segunda-feira, 13.02.17

Situada a oeste das Flores, encafuada entre o mar e a Rocha, a Fajã Grande, até à década de cinquenta era, sem sombra de dúvida a freguesia mais isolada da ilha. As vilas e a maioria das outras freguesias ficavam distantes e as comunicações eram muito limitadas, difíceis, sinuosas e quase inexistentes. Cortada por um inúmero caudal de grotas e ribeiras, sulcada por vales, dilacerada por grotões, os matos da ilha que separavam as várias freguesias eram muito difíceis de percorrer e, por vezes, até perigosos. Talvez por isso se recorresse muitas vezes à deslocação de uma freguesia para outra de barco. Mas as embarcações existentes, nesses tempos, na Fajã Grande eram poucas e muito frágeis. Além disso algumas freguesias nem tinham porto ou local onde pudessem acostar embarcações, por mais pequenas que fossem. Era pois muito difícil sair da Fajã Grande, mesmo que fosse numa pequena deslocação às freguesias vizinhas: a sul e mais próxima, a Fajãzinha e a norte Ponta Delgada

A Fajãzinha ficava perto da Fajã. A viagem demorava menos de uma hora. Além disso, o caminho por onde se circulava – o antigo Caminho da Missa – era relativamente bom e nele até podia circular, à vontade, um carro de bois, mas, apesar de tudo, as deslocações aquela localidade muitas vezes, sobretudo no inverno e em dias de muita chuva, eram muito difíceis e até totalmente impedidas, devido ao enorme caudal da Ribeira Grande, cujas frágeis pontes iam sendo sucessivamente destruídas. Aliás estes obstáculos impediam a deslocação quer às Lajes quer a outras freguesias ou localidades mais próximas: a Caldeira, o Mosteiro, o Lajedo, o Campanário e a Costa. Eram por ali que circulavam os carros de bois com as parcas mercadorias para a freguesia, a maleira, os mulos que levavam a nata ou a manteiga, assim como as pessoas que saiam ou chegavam da ilha, vindas sobretudo da América As deslocações a Santa Cruz e aos Cedros eram feitas atravessando os matos, depois de subir a Rocha.

Pior, porém, eram as idas e vindas a Ponta Delgada, a freguesia mais próxima da Fajã, no que ao norte dizia respeito.

Até à Ponta o caminho era bom. Atravessava-se a Tronqueira, descia-se o Calhau Miúdo e percorria-se a Ribeira das Casas e as Covas até à Ribeira do Cão. Chegava-se assim às primeiras casas da Ponta e, atravessando a rua principal, tinha-se acesso fácil até à Rocha, já para lá da igreja da Senhora do Carmo. Aí começavam as dificuldades. Primeiro era necessário subir uma estreita e sinuosa vereda, desenhada em ziguezague nos contrafortes da rocha, sobre o mar. Sítios existia em que a vereda se situava mesmo sobre o mar, em terríveis e temíveis precipícios, constituindo, o percurso, um perigo permanente e iminente. Para além de muito estreita e íngreme o pavimento era bastante irregular, ora encravado em frágeis degraus de pedra solta, ora esculpido em socalcos de terra maleável e, de vez em quando, atravessado por pequenos veios de água e de charcos ou lameiros. O perigo de cair ao mar era eminente. O risco de ser tolhido por quedas de pedras ou de enxurradas era permanente. Talvez por tudo isso o povo atribuiu aquele alcantil o nome de Rocha do Risco ou Lugar do Risco.

Ao chegar ao cimo da Rocha, ou seja ao Risco, entrava-se no mato. Não havia veredas. Existiam simplesmente alguns carreiros que os pés dos transeuntes haviam desenhado na fresca alfombra e que atravessavam as pastagens. Além disso como estas eram vedadas, ou por bardos densos de hortênsias ou por grotões cheios de pedregulhos, sendo difícil transpor uns e atravessar outros. Durante a noite ou em dias de nevoeiro, o perigo dos transeuntes se perderem era muito provável. Além disso ainda havia que atravessar os caudais de algumas ribeiras onde não existiam pontes. Eram os casos das ribeiras da Francela, que corria na direção dos Fanais, a de Monte Gordo, a da Bargada, a do Mouco e, já próximo de Ponta Delgada, a Ribeira dos Moinhos. Não havia pontes e no inverno tinham volumosos caudais.

E acrescente-se que muitos habitantes da Fajã Grande, para além de terem que se deslocar a Ponta Delgada com alguma frequência, se o desejassem fazer para o Corvo teriam que seguir por este abrupto acesso, a fim de tomar um barco na freguesia mais a norte da ilha e, consequentemente, mais próxima da ilha vizinha.

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ONDE?

Domingo, 12.02.17

Como me interesso muito por contos e muito especialmente por contos açorianos, há dias fui à FNAC (Norte Shoping) a fim de comprar Novas Estórias Açorianas de Carlos Alberto Machado. Dirigi-me à funcionária que manuseava o computador e indiquei-lhe o nome do autor e o da obra. A senhora informou-me que o livro em causa existia mas não o tinha. De seguida perguntei-lhe se tinham obras de Álamo Oliveira, Daniel de Sá, Onésimo Almeida, Martins Garcia… Nada!

Antes de me vir embora, no entanto, dirigi-me à secção Literatura Lusófona. Eram uns bons metros de prateleiras recheadas com autores continentais, brasileiros, angolanos, etc. Bastantes! Dos Açores apenas um autor e um único livro: Mau Tempo no Canal de Vitorino Nemésio.

No aeroporto de Ponta Delgada, onde há uma pequena livraria, já procurei livros destes e outros autores. O mesmo numa livraria da Madalena. Nada!

ONDE andam afinal os livros de tantos e tão bons escritores açorianos?

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HORAS DE SONO

Sábado, 11.02.17

Conforme noticiou um telejornal de ontem, alguns profissionais de saúde, após alguns estudos realizados, concluíram que os humanos devem estar deitados, pelo menos, oito horas por dia. Além disso, cientistas do sono descobriram que dormir 7 horas por dia é a quantidade ideal de sono. Por outro lado, uma outra pesquisa recente mostrou que a redução do período de sono necessário, mesmo que seja por 20 minutos antes de completar o ciclo, prejudica o desempenho e a memória no dia seguinte. Os mesmos estudos também concluíram que o excesso dele está associado a problemas de saúde, incluindo diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares com altas taxas de mortalidade.

"A menor mortalidade e morbidade é de sete horas dormidas", disse Shawn Youngstedt, professor na Faculdade de Enfermagem e Inovação em Saúde da Universidade Estadual do Arizona, em Phoenix. "Oito horas ou mais tem sido demonstrado, consistentemente, ser perigoso", afirma o mesmo professor, que pesquisa os efeitos de dormir demais.

No entanto parece que muitos especialistas nesta matéria não estão de acordo com estes dados. O mesmo acontecia com os habitantes da Fajã Grande que, fazendo jus à sua sabedoria popular, outrora cantarolavam, na tentativa de justificar as poucas horas de sono de que dispunham devido ao excessivo trabalho agrícola diário:

 

Cinco horas dormem os santos,

Seis os estudantes,

Sete o que não é tanto,

Oito o porco

E daí para cima

Tudo o que é morto.

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A LENDA DO CALDEIRÃO DA RIBEIRA DAS CASAS

Sexta-feira, 10.02.17

Conta-se que antigamente havia uma rapariga, chamada Maria, cujos pais, para além de doentes e acamados, eram muito pobres. Como só tinham aquela filha era ela que fazia todos trabalhos, não apenas os de casa como também os de cultivar uma pequena courela que possuíam e também era ela que tratava e cuidava do pouco gado que possuíam: uma vaquinha e três cabras. Mas como o pai não possuía relvas junto ao povoado, onde os animais pudessem pastar, Maria foi levá-los ao Mato, a fim de que se alimentassem nas terras do baldio, isto é, naquelas que eram de todos e onde cada habitante do povoado podia soltar o seu gado. Isto porém obrigava a que Maria tivesse que se deslocar, sozinha, todos os dias ao Mato, fazendo uma longa e árdua viagem, a fim de ordenhar a vaca e as cabras, pois o leite era um dos poucos alimentos que ela e os pobres pais dispunham e com que se alimentavam. Todos os dias, antes de partir, o pai avisava-a de que tivesse muito cuidado e, sobretudo nos dias de temporais e de grandes chuvadas, lembrava-lhe que não passasse para além da Ribeira das Casas, nem muito menos se aproximasse do Caldeirão. É que próximo do caminho que dava para o Queiroal havia o temível Caldeirão da Ribeira das Casas, um boqueirão enorme, saído das profundezas da terra, com uma bocarra como a do inferno, que pelos vistos não tinha fundo e que não se sabia onde ia parar. Quem caísse por lá abaixo e ficasse lá dentro, de lá nunca mais poderia sair. O povo acreditava que aquele misterioso e profundo buraco escavado na terra comunicava com o próprio inferno e que lá no fundo vivia o demónio, acompanhado de muitos outros seres terríveis.

Maria ouvia com muita atenção o pai e seguia os seus concelhos. Mas num dia de forte chuvada uma das cabras aproximou-se demasiado do temível Caldeirão e Maria, na tentativa de a agarrar, aproximou-se em demasia da boca do enorme buraco e, ao colocar o pé sobre uma laje cheia de limos verdes, escorregou e caiu por ali abaixo. Como tinha uma saia larga que, com o ar, formou uma espécie de balão, Maria não morreu. Foi caindo devagarinho, como se fosse uma pena levada pelo vento, como se descesse em para-quedas.

Chegou a noite e como a filha não regressasse os pais assustaram-se, temendo o pior. Alertaram os vizinhos e estes, na manhã seguinte, ainda lusco-fusco, partiram para o mato, procurando a rapariga por toda a parte. Mas nada. Apenas encontraram umas galochas à beira da boca do Caldeirão. Chamaram aflitivamente por ela, adivinhando um acontecimento terrível, e numa voz abafada ouviram a resposta da Maria, vinda de uma grande profundidade, como se fosse um eco. Quando foi conhecida a triste notícia o povo da freguesia acorreu em massa ao local, mas de lá nunca conseguiram tirar a rapariga, que assim ficou lá encantada.

Dizem que ainda hoje, quem tiver coragem de se aproximar da boca do Caldeirão da Ribeira das Casas e chamar: Maria! Maria!, ouve-se uma voz a responder, como em eco.

É o eco do Caldeirão da Ribeira das Casas.

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JERÓNIMO SILVA

Quinta-feira, 09.02.17

O advogado Francisco Jerónimo da Silva nasceu na freguesia da Sé, cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, a 30 de Setembro de 1806 e faleceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1871. Realizou em Angra os estudos indispensáveis para se matricular na Universidade de Coimbra, em 1825 e concluiu a formatura em Cânones e Leis em 1831. As suas convicções políticas condicionaram-lhe a sua atividade profissional ao longo dos anos. Nascido no seio de uma família legitimista, manteve essas convicções. Em 1828 ainda estudante, rebentou em Angra uma revolução que proclamou os direitos de D. Maria II, gerando-se um período de grande agitação política, durante o qual deixou de receber a mesada. Por intervenção de D. Miguel, foi-lhe paga pela Intendência o abono que costumava receber, bem como a todos os que estiveram nessas condições. Este fato tornou-o ainda um maior defensor do miguelismo. Iniciou a vida profissional como professor de história, em Braga, tendo sido nomeado juiz de fora, em Ponte de Lima, mas por poucos dias, uma vez que, por razões políticas, foi obrigado a refugiar-se na Galiza, devido à agitação política. Como não desejava aceitar qualquer tipo de emprego público do governo constitucional, decidiu abrir banca de advogado no Porto. Rapidamente a sua fama correu por toda a cidade, tornando-se famoso pelas suas capacidades de orador, pela sua frontalidade e profundidade dos seus conhecimentos. Sustentou várias causas polémicas com juízes que lhe aumentaram a notoriedade. Paralelamente manteve sempre uma atividade política muito ativa, com destaque para o período de combate ao governo de Costa Cabral. No periódico Coalisão, escreveu vários artigos que lhe valeram a prisão por vinte dias. Em 1851, no regresso de uma viagem à Terceira, resolveu ficar em Lisboa, para descansar e estudar Paleografia. Deste modo, acabou por se estabelecer na capital, alcançando a fama de eminente causídico que já granjeara no Porto. Continuou a recusar lugares ligados ao funcionalismo público, como também o lugar de deputado que várias vezes tentaram impor-lhe. Para além dos primorosos trabalhos forenses que foram impressos em folhetos, Jerónimo da Silva, foi também um estudioso literário. Lia nas línguas originais obras da literatura latina, francesa, inglesa, italiana, grega e alemã. Por todo o seu trabalho foi considerado um dos mais notáveis advogados portugueses da primeira metade do século XIX. Doou à Câmara Municipal de Angra a sua valiosa biblioteca, com cerca de quatro mil volumes e os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério do Livramento, em Angra

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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CAPELAS DA ILHA DAS FLORES

Quarta-feira, 08.02.17

Segundo o Sistema de Informação para o Património Arquitetónico existem inventariados, no arquipélago dos Açores, 542 imóveis religiosos, na sua maioria igrejas e capelas. A Diocese de Angra e, consequentemente, o arquipélago dos Açores, possui um total de 172 paróquias distribuídas pelas nove ilhas, tendo cada uma, para além da sua igreja paroquial, muitas outras igrejas, ermidas ou capelas. Na ilha das Flores, no que a igrejas diz respeito, para além das 11 igrejas paroquiais, existem mais três: a de São Boaventura em Santa Cruz, da Senhora de Lurdes na Fazenda de Santa Cruz e a da Senhora do Carmo na Ponta.

Quanto a ermidas e capelas, atualmente, para além das Casas do Espírito Santo que proliferam por toda a ilha, assemelhando-se a autênticas capelas, existem apenas seis pequenas ermidas em toda a ilha. Sabe-se no entanto que antigamente terão existido bastantes mais. Umas foram destruídas para no seu local se contruírem as igrejas, como aconteceu na Fajã Grande, enquanto outras, simplesmente, ruíram com o passar dos anos e por falta de conservação.

São as seguintes as capelas existentes nas Flores:

Capela de Nossa Senhora das Angústias, nas Lajes - Localiza-se no cemitério das Lajes e cuida-se que terá sido a capela-mor de uma antiga igreja desaparecida, o que se pode concluir pelo facto da fachada poente ser completamente lisa, correspondendo assim à parede do antigo arco triunfal, uma vez que vestígios desse arco ainda são visíveis na parede interior. Além disso a porta de entrada está localizada numa das paredes laterais. Mas segunda outra versão será um edifício de raiz mandado construir em agradecimento pelo salvamento de dois fidalgos espanhóis, por terem sobrevivido a um naufrágio. De uma forma ou de outra trata-se de um edifício historicamente valioso, cuja construção data de 1729. O pequeno templo tem apenas três aberturas, a porta da fachada sul e duas frestas, uma à direita da porta e outra na fachada norte.

Capela de Nossa Senhora das Flores – Está situada no interior da ilha, num local despovoado, perto da Casa do Estado e junto à estrada transversal que une os Terreiros a Santa Cruz e onde se celebrava, antigamente a festa do mato. Foi construída e inaugurada em 1968. A imagem da Senhora das Flores, colocada no seu interior foi oferecida Luciano Luiz Avelar e foi levada em procissão desde Santa Cruz, no ano da inauguração do pequeno templo.

Capela de Nossa Senhora do Rosário foi construída em 1877 e localiza-se no cemitério de Santa Cruz, junto a um dos muros laterais. O seu interior é despojado de qualquer adorno, tendo apenas, para além da porta de entrada uma janela alta rematada em arco quebrado em cada uma das paredes laterais.

Capela de Santo António de Lisboa Fajã Grande. Foi construída e inaugurada em 1986 e mandada construir pelo luso-americano José Dias Fraga. Esta capela, localizada no lugar denominado de Santo António, no cruzamento dos caminhos da Cuada e dos Lavadouros desde há muito que estava projetada na vontade do povo. Tinha como objetivo guardar uma enorme imagem de santo António, existente na casa da Senhora Estulana, no cimo da Assomada e que, inexplicavelmente, estava impedida de ser colocada na igreja paroquial.

Capela de Nossa Senhora de Fátima da Ponta – Construída e inaugurada em 1969, no enfiamento do Caminho da Rocha, substitui uma pequenina capela de madeira, também dedicada à Senhora de Fátima e mandada construir por João Lizandro, com o intuito de proteger todos os que diariamente subiam aquele abrupto e perigoso andurrial.

Capela de São João Baptista, também conhecida por Ermida do Pico do Meio Dia está localizada no Pico com o mesmo nome, há freguesia de Ponta Delgada. Esta ermida erigida sob a evocação de São João Batista foi construída neste monte, que tem por nome Pico do Meio Dia, e que lhe foi atribuído pelo povo desde há longos anos pelo facto de se localizar numa posição que é, rigorosamente, atingida pelo sol ao meio dia solar. A ermida foi inaugurada no dia 13 de Agosto do ano de 1978 e junto a um Cruzeiro de betão ali construído e benzido sete anos antes. dão lugar à Festa de São João, celebrada Em Setembro de cada ano é celebrada ali uma festa, em honra de São João Batista, uma das festas mais conhecidas da ilha das Flores.

NB – Obras consultadas: Monterreal Guido de, Flores e Corvo; Gomes Francisco A.P. A Ilha das Flores; IAC, Inventário do Ptrimónio Imóvel dos Açores.

 

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A FAJÃ GRANDE NO ALMANAQUE AÇORIANO

Terça-feira, 07.02.17

O Almanaque Açoriano, arauto dos fenómenos da terra, do mar e do céu das ilhas açorianas e guia prático da ruralidade açoriana e orientador das suas gentes refere os seguintes dados relativamente à freguesia da Fajã Grande:

População: 250

Atividades económicas: Agricultura, pecuária e pequeno comércio

Festas e Romarias: S. José (19 de Março), Santo Amaro, Espírito Santo (7 semanas depois da Páscoa), S. Pedro (29 de Junho), Nossa Senhora do Carmo (26 de Julho), Nossa Senhora da Saúde (8 de Setembro), Nossa Senhora do Rosário (Outubro) e Santo António (13 de Junho).

Património: Igrejas matriz e da Ponta e capelas do Espírito Santo, do Espírito Santo da Ponta, do Espírito Santo da Quada e de Santo António.

Outros Locais: Ribeiras dos Paus Brancos, das Casas e do Cão, grota da Lombinha, ribeira de José Fraga, grota de Tio António Luís e grotão da Ponte

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo, feijão com cabeça de porco, cozido à portuguesa, molho de Afonso com lapas, torta de erva do mar, inhame com linguiça, polvo guisado, filhós e folar da Páscoa

Artesanato: Cestaria, caravelas, cabaços e arranjos em miolo de hortênsia

Coletividades: Tuna Sol Mar, Filarmónica de Nossa Senhora da Saúde e Atlético Clube da Fajã Grande

Orago: S. José

Descritivo histórico: A Fajã Grande é uma das freguesias menos povoadas deste concelho. Pertenceu sempre às Lajes das Flores, à exceção do período em que aquele foi suprimido. Entre 1895 e 1898, esteve pois no concelho de Santa Cruz.

A igreja paroquial, consagrada a S. José, foi reedificada em 1849 à custa das esmolas do povo. A capela de Santo António de Lisboa, por seu lado, é o mais recente edifício religioso da Fajã Grande. Foi construída em 1986. O património natural da freguesia inclui tudo, mas não deve ser deixada de parte uma visita ao grotão da Ponta, fabuloso conjunto de quedas de água.

E mais não diz. De realçar que nem a igreja da Fajã Grande, nem muito menos a da Ponta, são igreja matriz. Trata-se apenas de uma igreja paroquial e de uma ermida de curato, no caso da Ponta. Falta também acrescentar, no que a capelas diz respeito, a da Senhora de Fátima, da Ponta, cuja prime construída em 1969. Acrescente-se ainda que de acordo com o último censos a população da Fajã Grande ultrapassa em pouco os duzentos habitantes.

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GATO PRETO

Segunda-feira, 06.02.17

Conta-se que antigamente, como muitos outros na freguesia, havia um lavrador que, no inverno, costumava ir todas as noites ao seu palheiro deitar comida às suas vacas. Certa noite ao entrar no palheiro encontrou um gato preto empoleirado em cima do lombo de uma das suas vacas. De imediato tentou enxotá-lo mas, para espanto seu, por mais que o espantasse o gato não tugia nem mugia. Não fugia dali!

O bom do lavrador chegou-se junto dele, mas como se contavam na freguesia de muitas estórias aterradoras sobre gatos pretos, tratou-o com um certo receio. Timidamente, passou-lhe a mão no pelo, com meiguice, ao mesmo tempo que lhe dizia:

 - Sai daí que me espantas a vaca.

 E o gato, de imediato, respondeu:

 - Não saio.

O lavrador ficou de boca aberta com o que se estava a passar e ó pernas para que vos quero. Cheio de medo saiu a correr pela porta fora e foi dali direitinho à Praça contar aos homens que lá estavam sentados o que tinha visto e ouvido. Os homens riram-se dele, mas o lavrador insistiu, afirmando que o diabo estava em carne viva no seu palheiro e que ali havia bruxedo. Pelo sim, pelo não, e como o homem insistisse, os outros homens resolveram ir ao palheiro a fim de verem o que lá se passava. Cada um muniu-se de um grosso bordão de araçá.

Ao chegarem ao palheiro, mal o lavrador levantou a taramela da porta, eis que sai de lá de dentro um estranho vulto com tanta rapidez que nenhum dos homens chegou a ver o que era nem muito menos a acertar-lhe uma bordoada. E a verdade é que os homens regressaram cheios de medo às suas casas e deixaram de rir do que aquele lavrador lhes havia contado e de outras estórias que se contavam na freguesia sobre gatos pretos.

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A VERDADE

Domingo, 05.02.17

(TEXTO DE ALMADA NEGREIROS)

 

Eu tinha chegado tarde à escola. O mestre quis, por força, saber porquê. E eu tive que dizer: Mestre! quando saí de casa tomei um carro para vir mais depressa, mas, por infelicidade, diante do carro caiu um cavalo com um ataque que durou muito tempo. O mestre zangou-se comigo: Não minta! diga a verdade!

E eu tive de dizer: Mestre! quando saí de casa... minha mãe tinha um irmão no estrangeiro e, por infelicidade, morreu ontem de repente e nós ficámos de luto carregado. O mestre ainda se zangou mais comigo:

Não minta! diga a ver­dade!!

E eu tive de dizer: Mestre! quando saí de casa... estava a pensar no irmão de minha mãe que está no estrangeiro há tantos anos, sem escrever. Ora isto ainda é pior do que se ele tivesse morrido de repente porque nós não sabemos se estamos de luto carregado ou não.

Então o mestre perdeu a cabeça comigo:

Não minta, ouviu? diga a verdade, já lho disse!

Fiquei muito tempo calado. De repente, não sei o que me pas­sou pela cabeça que acreditei que o mestre queria efectivamente que lhe dissesse a verdade. E, criança como eu era, pus todo o peso do corpo em cima das pontas dos pés, e com o coração à solta confessei a verdade:

Mestre! antes de chegar à Escola há uma casa que vende bonecas. Na montra estava uma boneca vestida de cor-de-rosa! Mestre! a boneca estava vestida de cor-de-rosa! A boneca tinha a pele de cera. Como as meninas! A boneca tinha tranças caídas. Como as meninas! A boneca tinha os dedos finos. Como as meninas!

Mestre! A boneca tinha os dedos finos...

 

José de Almada Negreiros , Obras Completas

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A CUADA NO CM

Sábado, 04.02.17

Ilustrado com uma belíssima fotografia, encontrei no blogue Perdida por Lisboa este texto sobre a Cuada intitulado Aldeia da Cuada, um oásis a caminho das Américas:

É no extremo mais ocidental da Europa, entre as freguesias da Fajã Grande e da Fajãzinha, na paradisíaca ilha das Flores, nos Açores, que se localiza a Aldeia da Cuada.

Um aldeamento turístico rural com 15 casas de pedra basáltica que mantêm a traça original, mas com mordomias atuais como o acesso gratuito a wi-fi e aquecimento, dando o conforto necessário para umas férias de sonho.

O respeito ao passado está porto todo o lado. Cada casa tem o nome dos seus antigos proprietários, que nos anos 60 abandonaram esta aldeia em busca de uma vida melhor nos EUA. A casa do Fagundes, a casa da Esméria e o palheiro da Fátima são alguns exemplos desta aldeia, que fica situada sobre um planalto junto ao mar, com uma falésia recheada de cascatas por trás.

As casas estão separadas por prados onde algumas vacas parecem descansar. No ar, o cheiro a natureza intocável, sem poluição e veículos motorizados. Por vezes, o sol dá lugar à neblina que impõe ao lugar um ar ainda mais misterioso.

E, à noite, os cagarros (aves migratórias) dão o ar da sua graça e juntam-se ao cantar dos grilos.

Facilmente se percebe porque é que a Aldeia da Cuada foi eleita um dos 50 hotéis mais românticos do mundo pela revista ‘Travel and Leisure’.

Mas não se fica por aqui a autora deste blogue que se diz natural das Flores e que tem como objetivo viajar por outros destinos fora da capital. Envia, através de um simples clik envia os leitores para o Correio da Manhã de 16 de Janeiro, onde a autora publicou o mesmo artigo.

 

 

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CIRCULAR NAS ROTUNDAS

Sexta-feira, 03.02.17

É por demais conhecido e sabido, uma vez que tem sido amplamente divulgado pela Comunicação Social e até pelas redes sociais que o novo Código da Estrada, entre as várias alterações introduzidas, nas quais se inclui a norma que indica a quantidade de álcool permitida no sangue para recém-encartados e profissionais, reduzida para 0,2 gramas por litro de álcool contido no sangue, alterou também a forma de circular nas rotundas. Esta nova regra de circulação nas rotundas estabelece que a circulação deve ser feita à esquerda, começando a encostar-se à direita apenas quando está próximo da saída.

Esta alteração assim como as restantes entraram em vigor em um Janeiro de 2014.

No que ao circular nas rotundas diz respeito o Código legislou o seguinte:

O artº 14-A, acrescentado ao código da estrada refere o seguinte:

”1 — Nas rotundas, o condutor deve adotar o seguinte comportamento:

  1. a) Entrar na rotunda após ceder a passagem aos veículos que nela circulam, qualquer que seja a via por onde o façam;
  2. b) Se pretender sair da rotunda na primeira via de saída, deve ocupar a via da direita;
  3. c) Se pretender sair da rotunda por qualquer das outras vias de saída, só deve ocupar a via de trânsito mais à direita após passar a via de saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando -se progressivamente desta e mudando de via depois de tomadas as devidas precauções;
  4. d) Sem prejuízo do disposto nas alíneas anteriores, os condutores devem utilizar a via de trânsito mais conveniente ao seu destino;

2 — Os condutores de veículos de tração animal ou de animais, de velocípedes e de automóveis pesados, podem ocupar a via de trânsito mais à direita, sem prejuízo do dever de facultar a saída aos condutores que circulem nos termos da alínea c) do n.º 1.

3 — Quem infringir o disposto nas alíneas b), c) e d) do n.º 1 e no n.º 2 é sancionado com coima de € 60 a € 300.

Segundo dados revelados pela Comunicação Social, confirmados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, desde a entrada em vigor destas alterações, mais de três mil condutores foram multados por não saberem fazer as rotundas. Na verdade quem circula na estrada ao volante de um veículo e cumpre a regra, para além de constatar a grande quantidade de condutores que o não fazem, sente-se por vezes extremamente humilhado e embaraçado devido não só aos incómodos, por vezes até às ocasiões de risco de acidente, que os condutores incumpridores, por ignorância ou por se considerarem ases do volante provocam mas até por buzinadelas e insultos. É que estes condutores, por vezes, até apoucam, gozam e menosprezam quem cumpre a lei e quem circula de acordo com as regras de trânsito.  

 

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AS COUVES

Quinta-feira, 02.02.17

Empinou-se o galo Eiró, de crista levantada e esporões arrebitados, contra o Garnizé, não de raça mas de apelido:

- Ou fazes o que eu digo, ou chamo a estouvada da Genoveva e tens a panela à perna. E que boa canja havias dar!

- Se te achas assim tão forte e com tanta razão, salta! Salta para aqui, e tiram-se as teimas. De galo para galo. Se és tão valente como apregoas, salta para cá… Ah! Metes o rabo entre as pernas...

A Perdiz, armada em amante dedicada, veio logo em defesa do Garnizé:

- Nem lhe toques! – Interpôs-se entre os dois. – Ao caldeirão da Genoveva vais parar tu se não crias juizinho…

O grandalhão do Eiró a acobardar-se e as outras ao redor, incrédulas. Apenas a Cor-de-Pomba ironizou:

- Então agora, que isto vai tão bem encaminhado, é que vocês param. Capoeira sem guerra é como deserto sem areia.

De nada serviu. O Eiró acobardou por completo. Reinou, de novo, a paz, durante um dia, durante muitos dias. Nunca mais se empertigaram os dois meliantes, pese embora capoeira ficasse dividida. Meia dúzia do lado do Eiró e outras tantas a fazer cortesia ao Garnizé…

Até que chegou o Entrudo. Na véspera a Genoveva, como de costume todos os anos, assomara à beira do curral. Assustaram-se as galinhas temeram os dois galos. Pela certa, naquela tarde, um estaria estufadinho no caldeirão da Genoveva.

- E para nada, afinal de contas, o nosso esforço.

- De que serviu a paz conquistada…

- Aquele bandalho, pelo Entrudo, nunca esquece o facalhão…

- Sai uma sentença sem julgamento…

- Ai! Uma galinha fica borrada de medo só de ver o facalhão.

Preocupações de ambos os lados. Das do Eiró mais do que das do Garnizé. Mas o Eiró queria lá saber! Não temia o caldeirão. Ela, a bruta, que se aproximasse dele ou de alguma das suas. Havia de a nicar de uma ponta a outra, de lhe por o as pernas como um Cristo e, depois fugiria. E ela, impotente, como já fizera, no Entrudo passado, com a Coroada e com a Galega, havia de apanhar o maricas que não tivesse nem coragem para se defender e força para fugir.

Mas a Dona Genoveva, naquela tarde, porém, resolvera apenas apanhar na sua courela junto ao curral das galinhas, uma boa mancheia de couves a fim de as cozer com batatas e toucinho. Munira-se do facalhão somente para cortar alguns caules mais grossos e rijos.

 

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JANEIRO FORA

Quarta-feira, 01.02.17

 

“Janeiro fora Cresce uma hora e se bem contar hora e meia há-de achar.”

 

Este é um adágio muito divulgado e conhecido. Antigamente, também era muito lembrado na Fajã Grande. Nesse tempo o povo ainda regulava o seu dia-a-dia pelo saber das suas experiências quotidianas, pelo Sol, pela Lua, pelas nuvens, pelas estrelas, pela noite e pelo dia. Este, como muitos outros adágios está relacionado com um dos meses do ano, janeiro, um dos meses em que os dias sendo muito curtos, impediam que o trabalho agrícola se prolongasse e fosse mais amplo. O adágio revelava pois uma certa alegria ou um notório contentamento, uma vez que, a partir de janeiro já havia pelo menos mais uma hora para se poder trabalhar os campos.

Outros adágios de janeiro:

A água de Janeiro vale dinheiro.

Ao minguante de Janeiro, corta o madeiro.

Bom tempo no Janeiro e mau no estio, bom ano de fome, mau ano de frio.

Bons dias em Janeiro vêm a pagar-se em Fevereiro.

Comer laranjas em Janeiro é dar que fazer ao coveiro.

Em Janeiro seca a ovelha e suas madeixas ao fumeiro.

Em Janeiro sobe o outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar.

Em Janeiro salto de carneiro.

Janeiro e Fevereiro vazam o celeiro.

Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado.

Janeiro quer-se geadeiro.

Luar de Janeiro não tem parceiro, mas o de Agosto dá-lhe no rosto.

Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.

O bom tempo de Janeiro faz o ano galhofeiro.

Os bons dias em Janeiro vêm-se a pagar em Fevereiro.

Sol de Janeiro anda sempre atrás do outeiro.

 

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MANÉ CHINÉ

Terça-feira, 31.01.17

Uma das músicas tradicionais, cantadas nos jogos e rodas que se faziam nas casas do Espirito Santo e noutras ocasiões, embora raras, que o povo se juntava para se divertir em pequenas e frugais festas era o Mané Chiné. Trata-se de uma canção que possivelmente, outrora, terá acompanhado bailes e que por isso mesmo se revela como um misto de alegria e ritmo. Apesar de todas as dificuldades e carências vividas noutros tempos, O Mané Chiné, possivelmente trazido para as ilhas pelos primeiros povoadores e que tem referências aos tempos coloniais onde predominava a escravatura, manifesta, no entanto, um reflexo da boa disposição e de alegria de viver do povo.

 

Era meia noite cerrada ó Mané chiné

Dizia o filho p´ra mãe

Vai de banda vai de banda olé

Vai de banda ó Mané chiné

 

As moças da Ribeirinha ó Mané chiné

São poucas mas dançam bem

Vai de banda vai de banda olé

Vai de banda ó Mané chiné

 

O padre corações casa ó Mané chiné

Estão metidos numa alhada

Vai de banda vai de banda olé

Vai de banda ó Mané chiné

 

Correu atrás das moças ó Mané chiné

Com as saias levantadas

Vai de banda vai de banda olé

Vai de banda ó Mané chiné

 

Minha avó quando morreu ó Mané chiné

Deixou-me uma mala em deixa

Vai de banda vai de banda olé

Vai de banda ó Mané chiné

 

Deixou-me uma mala velha ó Mané chiné

Que já não abre nem fecha

Vai de banda vai de banda olé

Vai de banda ó Mané chiné

 

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AGRURAS

Segunda-feira, 30.01.17

Dália acabara de fazer vinte e seis anos. Era livre, livre como um passarinho. Há dois anos que terminara o Curso de Medicina em Coimbra e agora estagiava no Centro de Saúde de Megonvil. Seis anos como estudante haviam-na transformado numa médica competente, perspicaz e sonhadora. Esperava-a uma longa e árdua carreira. Em breve terminaria o tempo de estágio ao qual se seguiriam alguns anos, a fim de completar a especialidade. Só então seria uma médica autónoma e independente. Onde havia de trabalhar? Onde havia de se impor como profissional de saúde? Profissional competente e digna… Não sabia e, também, pouco se importava saber. Talvez perdida num gigantesco hospital de uma grande cidade, talvez excessivamente reconhecida num pequeno Centro de Saúde de uma desertificada vila ou aldeia do interior. O futuro havia de lhe traçar o destino…

E foi numa viagem de férias para Maiorca que tudo mudou. Um dos últimos passageiros a entrar sentou-se no lugar que vagava a seu lado. Não usava aliança, parecia viajar com um objetivo igual ao dela e falava um inglês quase perfeito. Pediu licença para passar e sentou-se à janela, no lugar indicado no talão de embarque. Pediu desculpa pelo incómodo, por tê-la obrigado a levantar-se do seu lugar. Ela sorrindo respondeu simplesmente:

- You’re welcome.

Nada mais se passou durante a viagem. Nada mais disseram até ao aeroporto de Palma de Maiorca. Ela saiu à frente e não mais o viu.

Quando se preparava para fazer o check-in no hotel em que se hospedara foi informada de que alguém a esperava no bar. Para espanto seu, era ele, o passageiro que viajara a seu lado. Conversaram, riram e beberam até de madruga. Seriam umas três horas quando, inesperadamente, a polícia local irrompeu pelo hotel, levando-o para ser interrogado. Na manhã do dia seguinte, Dália informou-se na polícia local. Soube que fora preso por suspeita de tráfego de droga. Dália também foi chamada a depor, acabando por ser acusada de ser cúmplice do meliante. Presa também ela, ficou à espera de ser julgada, por falta de provas. Aguardou mais de um mês pelo julgamento e, por fim, foi condenado a mais seis meses de prisão.

Sozinha em Maiorca não teve quem a auxiliasse, nem quem zelasse pelos seus direitos. Impedida de regressar ao seu país de origem perdeu o emprego, sendo afastada da ordem dos médicos. Posta em liberdade teve receio e sobretudo vergonha de regressar ao seu país. Aguardou que o responsável pelo seu infortúnio fosse posto em liberdade. Foram meses de fome, miséria e sofrimento.

Finalmente ele saiu. Promessas e mais promessas levaram Dália a um envolvimento mais profundo. Sem que suspeitasse, pouco tempo depois ele desapareceu. Sozinha, de novo, sem trabalho, desolada e triste, personificou-se como lenitivo para as suas mágoas. Dentro em breve foi-lhe detetada uma grave e contagiosa doença. Dália era médica e sabia os riscos que corria. Temeu. Possivelmente teria sido contagiada por ele. Ao infortúnio juntava-se agora uma enorme angústia. Como médica sabia muito bem o que lhe poderia acontecer. Durante os tempos que seguiram e em que procurou a cura, Dália chorou, sofreu e voltou a passar fome, deambulando pelas ruas como mendiga.

Certa tarde em que se encontrava sentada no vão das escadas de um prédio, gelado, faminta, desesperada, à espera que a morte a levasse, um cão latiu, denunciando a sua presença. O dono do prédio, ouvindo o cão, surgiu nas escadas dando de caras com ela. Sem lhe fazer perguntas ou sequer a recriminar, pegou-lhe pelos braços com carinho, amparou-a e levou-a para a sua própria casa. Dália, envergonhada e tímida ao início, perante as insistências do seu paraninfo, tomou um banho, mudou-se de roupa que ele próprio lhe dispusera e tomou uma ligeira refeição, deitando-se de imediato.

No dia seguinte, ao acordar, deu de caras com o homem que a recolhera sentado a seu lado. Havia-lhe colocado um ramo de flores no regaço. Dália sorriu, pela primeira vez, desde aquela noite fatídica, no hotel, em que fora presa.

Recuperou e, no mês seguinte, regressou a Portugal e a Megonvil mas só a muito custo e passado algum tempo conseguiu reintegrar-se na carreira médica, mas numa vida profissional muito diferente daquela com que sonhara nos bancos da Universidade!

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QUEIJO (FABRICO CASEIRO)

Domingo, 29.01.17

A ilha das Flores, contrariamente a outras do arquipélago açoriano como por exemplo São Jorge, apesar da sua grandiosa e excelente criação de vacas leiteiras, nunca se tornou conhecida nem muito menos famosa pela produção de queijo. No entanto, por toda a ilha e, mais concretamente, na Fajã Grande sempre se fabricou, caseiramente, muito queijo, pese embora este, contrariamente à manteiga, nunca fosse comercializado, nem muito menos exportado. Atualmente, porém, é possível encontrar algum queijo produzido nas Flores à venda noutras ilhas açorianas.

Na Fajã Grande na década de cinquenta assim como nas anteriores do século passado, fabricava-se muito queijo, fazendo o mesmo parte do cardápio diário na maioria das casas. Umas vezes comia-se fresco, ou seja, acabadinho de fazer, outras, ligeiramente, curado. Apesar de ser de uso exclusivamente caseiro, o queijo feito na Fajã Grande era de ótima qualidade embora sem fama nacional ou, muito menos, internacional, pese embora de vez em quando se enviasse, particularmente, um ou outro queijinho bem curado para familiares e amigos residentes noutras ilhas ou até na América. Essa boa qualidade do queijo fajãgrandense devia-se sobretudo à qualidade das pastagens, ao excelente tratamento que era dado às vacas e, consequentemente, à excelente qualidade do leite que se ordenhava das mesmas

O fabrico de queijo, na Fajã Grande, no entanto era, puramente artesanalmente feito nas próprias moradias, o que não impedia que apresentasse características de boa qualidade. Mas o fabrico era muito reduzido, geralmente fabricava-se um queijo dia-sim dia-não, uma vez que cada lavrador tinha apenas uma ou duas vacas leiteiras e, além disso, a venda do leite à Cooperativa ou ao Martins e Rebelo era fundamental para que cada família se sustentasse e conseguisse algum dinheiro a fim de comprar nas lojas, o café, o petróleo, o açúcar e todos os outros produtos que necessitava e que não produzia. Por vezes e em certas alturas do ano as vacas davam pouco leite ou até nenhum, quer porque estivessem para dar cria quer porque fossem utilizadas para puxar os carros ou os corsões e a lavrar os campos, dado que poucos eram os lavradores que tinham à porta gado alfeiro ou junta de bois de trabalho, para carrear as lenhas, as mondas, os milhos, os estrumes, lavrar e preparar as terras para semear os milhos.

Pelo contrário, na altura em que as vacas davam crias, geralmente nos meses de março e abril, havia grande abundância de leite, chamado crostes. Acontecia que, depois de dar a cria, a maioria das vacas dava muito leite, pois eram muito bem tratadas, antes do próprio parto e nos dias que se lhe seguiam. Alem disso, muitos vitelos nem bebiam o leite todo e, na maioria dos casos não bebiam nenhum, uma vez que naqueles tempos, não era hábito comer a carne dos vitelos, estes eram pura e simplesmente abatidos e enterrados logo após o parto. Apenas um ou outro se criava para fazer dele uma futura vaca ou um gueixo de engorda. Mas era necessário retirar o leite das vacas nos dias que se seguiam ao parto. Como este não servia para desnatar e ser vendido para o fabrico de manteiga, ficava em casa. Uma parte era utilizada na alimentação e a outra deitada aos porcos. Assim a parte dos crostes que sobrava era utilizada para fazer queijos – os tradicionais e célebres queijos de crostes. Estes queijos eram fabricados em grande quantidade pelo processo tradicional do fabrico do queijo com o leite normal, amornando um pouco os crostes e juntando-lhes de seguida o coalho líquido, comprado nas lojas e que na Fajã Grande existia em todas as casas. Depois de coalhada, a massa que originaria o queijo era colocado nas formas de lata, furadas nos lados e em cima duma tabuinha, suspensa numa selha, como se fazia com qualquer queijo., sendo o soro que escorria aproveitado para os porcos.

Os queijos de crostes assim como os de leite normal comiam-se frescos. Mas quando se faziam em maior quantidade, sobravam alguns que se punham a curar ao sol durante vários dias, ao mesmo tempo que se ia escoando o soro. O queijo ficava mais duro e adquiria a cor amarelada. Quero os frescos quer os curados eram excelentes e tinham um sabor adorável.

 

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A ESPADANA

Sábado, 28.01.17

Antigamente, a espadana era uma planta de grande utilidade na Fajã Grande. Nascia, crescia e florescia abruptamente e em grande abundância nos maroiços, nas canadas, nas encostas dos outeiros e até nas terras de mato. Nestas, muitas vezes, a espadana crescia tão densamente que até tinha que ser desbastada ou cortada radicalmente por constituir uma ameaça para outras culturas, nomeadamente, para os inhames e árvores de fruto.

A espadana muito frequente nos Açores é no Pico designada por filhaça e em S. Jorge por corriola. Trata-se de uma planta não endémica, proveniente da Nova Zelândia e que cientificamente se designa por Phormium Tenax. Noutras regiões onde existe também é conhecida pelos nomes comuns de harakeke (em maiori) ou linho-da-nova-zelândia. Trata-se duma espécie de planta sempre verde, de folhas perenes com distribuição natural na Nova Zelândia e na Ilha Norfolk, mas naturalizada em diversas regiões temperadas e subtropicais e cultivada quer como importante fonte de fibra quer como planta ornamental. A espadana cresce como um aglomerado de largas folhas, em forma de tiras, de até dois metros de comprimento, ao redor de uma espécie de caule central, muito mais alto do que as folhas, onde se podem observar belas flores amareladas e vermelhas.

Sabe-se que na Nova Zelândia as folhas da espadana foram utilizadas para delas se retirarem fibras utilizadas na confeção de tecidos tradicionais e também para a feitura de cordame e velas de navios

Destino semelhante teve a espadana nos Açores, mas ao que consta apenas na ilha de São Miguel, onde foi cultivada para extração e produção de fibra. Segundo alguns historiadores a economia micaelense, paralelamente ao chá, em tempos não muito recuados, desenvolveu várias iniciativas de produção industrial não só do linho, mas também da espadana de onde se chegou a retirar apreciáveis resultados, antes do surgimento de fibras sintéticas. Na ilha do Arcanjo a espadana foi também muito utilizada uno fabrico de cordoaria, sobretudo no concelho da Lagoa onde ainda existem ruinas duma fábrica de desfibração de espadana.

Na Fajã Grande a espadana era utilizada em bruto para substituir as cordas, bastante mais caras mas muito necessárias no dia-a-dia. As folhas da espadana eram cortadas e postas a secar e depois desfiadas em tiras mais grossas ou mais finas, maiores ou menores de acordo com o fim a que se destinavam. Para além servirem para amarrar pequenos molhos, depois acarretados às costas, as espadanas eram muito usadas para amarrar os molhos de rama seca assim como os fetos secos que eram guardados nas casas velhas para alimentar e fazer cama aos animais, amarrados nos palheiros nas longas noites de inverno. Também cortadas em pequenos e finos pedaços serviam de cordões para amarrar as bocas dos sacos, das moendas, cambulhões de milho, as asas das galinhas e até os suspensórios das calças quando os botões falhavam. Mas um dos mais interessantes usos da espadana era no desfolhar do milho. Nos dias anteriores cortavam-se as folhas em pequenos pedaços que se desfiavam finamente. Depois eram feitos pequenos molhinhos que uma vez amarrados e dobrados em u invertido eram presos a uma alheta das calças de cada desfolhador. À medida que desfolhavam iam formando mancheias que eram amarradas com os cordões de espada e penduradas nis milheiros mais altos onde ficavam a secar durante alguns dias. Só depois eram recolhidas e guardadas mas durante esses dias os campos tinham um maravilhoso e deslumbrante aspeto. 

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O NAUFRÁGIO DO PAPADIAMANDIS

Sexta-feira, 27.01.17

No dia 22 de Dezembro de 1965 deu-se mais um memorável naufrágio nos mares da Fajã Grande. O navio, um cargueiro liberiano de nome Papadiamandis, com um calado de 14.300 toneladas, encalhu na Ponta da Coalheira, entre a Retorta e o Caneiro das Furnas. O cargueiro viajava de New Orleans para Hamburgo, com um carregamento de milho, trigo e feijão. Viajavam a bordo trinta e um tripulantes, tendo todos sido salvos e conduzidos para Santa Cruz onde se albergaram, com exceção de três que foram recolhidos por um navio que, navegando ao largo, ao pedido de auxílio, se aproximou da embarcação, a fim de prestar ajuda aos naufragos.

Este foi, na verdade, o ultimo grande naufrágio dos muitos que, sobretudo no século XIX, ocorreram por toda a ilha das Flores, com particular incidência na sua costa oeste, incluindo os extensos baixios da Fajã Grande, uma espécie de fronteira entre a Europa e a América, na qual, naturalmente, se inclui o ilhéu do Monchique – o torrão mais ocidental da Europa e a própria - e a Baixa Rasa, pese embora a maioria das embarcações naufragadas, a exemplo do Papadiamandis e da Bidart, se encafuassem nos próprios baixios e laredos que separam a terra do mar.

Assim como noutros casos este naufrágio atirou para terra uma quantidade enorme de utensílios do próprio navio e de grande parte da própria carga, o que fez com que muitas pessoas demandassem a costa, em primeiro lugar para prestar ajuda e auxiliar os náufragos mas, posteriormente, para recolherem restos de carga e peças ou utensílios do navio. No caso do Papadiamandis a recolha, porém foi muito limitada dada a acção permanente e continua da Guarda Fiscal que não deixava ninguém aproximar-se do navio nem da zona circumdante do baixio.

Na verdade quase sempre os naufrágios constituíram, para a população da Fajã Grande e de outras localidades, uma oportunidade suplementar de rendimento, desde que aos salvados conseguissem chegar primeiro que as autoridades aduaneiras. Estranho mas memorável para as gentes da Fajã Grande terá sido o Natal de 1869! É que nesse 25 de Dezembro, deu ali à costa, carregada de açúcar mascavado, um sabor de muitos ainda desconhecido, e de aguardente, a barca francesa Republique, que o povo logo invadiu, levando quanto pôde, numa abundância tal que, nas semanas seguintes, até com açúcar se temperaram caldos de couves. Foram, todavia, os grandes carregamentos de madeira de pinho resinoso que, de forma mais visível, ajudaram a perpetuar a memória, um pouco por toda a ilha, de algumas dessas já longínquas tragédias marítimas. Consta que a igreja da Ponta, a exemplo de outras da ilha, foi construida  com madeiras de naufrágios.

Do espólio do Papadiamandis que transportava mais de 14 mil toneladas de milho, pouco ou nada recolheu o povo da Fajã Grande, devido sobretudo ao cerco eficiente e à vigilância permanente da Guarda Fiscal. Conta-se até que uma criança de tenra idade ao ser encontrada por um elemento daquela força policial com uma lata de milho, mais por ver ali um brinquedo estrando porque de milho cozido não necessitava, foi violentamente agredido pelo agente da autoridade e forçao a lhe entregar a respetiva lata.

 

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A FAJÃ GRANDE NO MOMONDO

Quinta-feira, 26.01.17

O Site Momondo, fundado por Thorvald Stigsen, é um conhecidíssimo motor de busca de viagens, independente e gratuito, revelando não apenas os preços de hotéis e de viagens mas também rotas e locais de interesse a visitar. Para este portal viajar é alimentar o sentido de aventura instintivo que nos leva a explorar, a procurar novos caminhos, a ver todos os dias o mundo sob um olhar diferente, a descobrir novos lugares e mergulhar num mundo de oportunidades inesperadas, pelo que, consequentemente tem como objetivo principal viajar pelo mundo e divulgar através de textos e imagens as descobertas dessas viagens, ou seja os locais de maior interesse.

Recentemente o referido site divulgou uma reportagem intitulada Açores: Grupo Ocidental – A magia do Atlântico. Para os autores da mesma, os Açores e mais concretamente as Flores e o Corvo são ainda um paraíso desconhecido para muitos portugueses. Por isso o Mumondo convidada os seus visitantes a embarcarem numa viagem mágica a um Portugal mais atlântico e tão diferente do resto, mas que está ao alcance de todos. Neste artigo a viagem será até ao grupo ocidental composto pela ilha das Flores e pela ilha do Corvo.

O texto referido afirma ainda que o Atlântico infinito desliza por debaixo de nós, fluído, aparentemente uniforme, absolutamente plano, com incontáveis declinações de azul, do índigo ao bebé. Os reflexos adornam-no, ora subtis, ora intensos, num bailado incessante com as sombras ditadas pelas nuvens que nos acompanham nesta viagem, rebeldes, sem ordem e que o acaso projecta na sua superfície. Ao longe, primeiro como se tratasse de uma miragem ou da distorção da diminuta janela da aeronave, agitada pela trepidação de enormes hélices que nos fazem duvidar, sem motivo, da adequação deste aparelho voador a meteorologias tão instáveis, surgem duas pequenas irregularidades no horizonte perfeito. Os minutos escoam-se, inquietos, acumulando-se no relógio de pulso, par a par com as pulsações no coração, materializando a antecipação da chegada ao Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores. É quase palpável a excitação. Flores e Corvo.

Mas é sobretudo de destacar a referência muito concreta à Fajã Grande e às suas belezas naturais. Assim pode ler-se no mesmo texto: No lado Oeste da ilha, pela estrada que serpenteia pela encosta abaixo, há um monumento natural que se destaca na paisagem, emoldurado na Primavera e Verão por milhares de hortênsias em flor: a Rocha dos Bordões! A formação geológica, com dezenas de linhas verticais de origem vulcânica, parece desenhada na falésia! Continuando a descer, tomamos rumo em direção à Fajã Grande, onde a estrada acaba. Mas não sem antes fazer um pequeno desvio, para visitar a aldeia da Cuada. A pé, uma vez mais, entramos numa viagem no tempo, para trás e para a frente. Passamos a explicar: a Cuada transformou-se numa unidade hoteleira a céu aberto, talvez o mais bem sucedido exemplo de turismo de aldeia em Portugal. Abandonada em meados do século passado pelas sucessivas vagas de emigração que assolaram os Açores, foi lentamente sendo adquirida e recuperada por Teotónia e Carlos Silva, um casal visionário que se recusou a aceitar o fado a que parecia destinada. Casa a casa, a aldeia ressuscitou, e são hoje os turistas que aqui se alojam que lhe trazem de novo vida.

De seguida, continua, à laia de conclusão : Mas o destino desta jornada é mesmo a Fajã Grande:a localidade mais ocidental da Europa! Ao chegar, instalamo-nos confortavelmente no bar Maresia, afundados num dos sofás vintage a quem a idade não parece fazer mossa, a poucos metros do oceano, que marulha suavemente. Aqui o bom gosto musical casa-se em harmonia com a tranquilidade que a vista proporciona. O entardecer toca a perfeição! E ali, a poucas centenas de metros, o ilhéu de Monchique ergue-se, orgulhoso, como o último território europeu antes do vazio que só terminará do outro lado do Atlântico, na costa norte-americana.

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TERCEIRA E QUARTA CASAS DO CIMO DA ASSOMADA, DO LADO DO OUTEIRO

Quarta-feira, 25.01.17

A terceira casa do Cimo da Rua da Assomada, do lado do Outeiro pertencia ao José Jorge, filho do primeiro casamento de Mestre Jorge, o único sapateiro existente na freguesia, e que para além de fabricar galochas, tamancos e de consertar sapatos e de colar botas de borracha, também fabricava as botas de futebol dos jogadores do Atlético Clube da Fajã Grande. O José Jorge casado com a Maria Cardoso e que tinha duas filhas cedo zarpou para o Canadá com a família, ficando a casa desabitada. Algum tempo depois a mesma foi arrendada por uma família, bastante numerosa, oriunda das Lajes, conhecida pelos “Marcelas” e que se fixou definitivamente na Fajã. O Marcela pai e os filhos mais velhos eram homens do mar, excelentes pescadores tendo-se também dedicado à apanha e secagem de algas, atividade muito intensiva na ilha das Flores na década de cinquenta, altura em que foi construída uma fábrica de Agar-Agar nos Açores, cuja matéria-prima, as algas, passaram a ser compradas a preços muitíssimo altos. Muitos dos habitantes da Fajã Grande e de outras freguesias da ilha abandonaram por completo a agricultura, alguns venderam as próprias terras, dedicando-se totalmente à apanha e recolha das algas, das quais outros se tornam intermediários, arrecadando sofríveis fortunas.

A quarta casa deste braço esquerdo do Y que formava o Cimo da Assomada, antes da abertura da estrada, e junto ao cruzamento assinalado numa das paredes com uma cruz, vivia a Maria da Saúde e a mãe já velhinha, juntamente com um homem de nome Corvelo, originário de Santa Maria e que ali se fixara. Este Corvelo faleceu no terrível acidente do Vale Fundo, durante a abertura da estrada que liga o Porto da Fajã à Ribeira Grande. Para a abrir o traçado projetado era necessário partir muito calhau e rebentar muita pedreira. A estrada, ao contrário dos caminhos antigos que nos seus trajetos procuravam os locais mais fáceis de abrir, era quase retilínea, atravessando terras e cerrados, cortando montes e tapando vales, rompendo por todo e qualquer sítio. Ao serem escavados os montes, no entanto, por vezes, surgiam enormes calhaus ou indomáveis pedreiras que só poderiam ser desfeitas, a fim de desobstruírem o traçado da estrada, depois de partidas em mil pedaços. Os empreiteiros, vindos da Terceira, sabiam-no bem e, por isso, vieram prevenidos e preparados com pólvora, dinamite e os respetivos meios de perfuração de tão inexauríveis rochedos em que a ilha das Flores e, muito especialmente, a zona das fajãs era pródiga.

O processo de remoção de um calhau ou grande pedregulho era moroso, árduo e bastante complicado. Era necessário fazer um furo na respetiva pedra. Para tal eram necessários três homens: um a segurar a cavilha de ferro que muito lentamente ia fazendo um furo no penedo e dois outros homens batiam alternadamente com martelos de ferro na cavilha. De vez em quando tinham que parar para limpar o pó que se acumulava no orifício que iam, lentamente, perfurando. Só depois de pronto era metida uma vela de dinamite no buraco e a ela se ligava um comprido fiusgo. De seguida gritava-se bem alto fooooooooogo para que não apenas os trabalhadores mas também quem por ali passasse ou trabalhasse nos campos circundantes se colocasse em sítios seguros. Só então se acendia lume no fio que ia ardendo lentamente até chegar à vela, provocando uma estrondosa explosão e o consequente rebentamento da pedra, que simultaneamente explodia pelos arredores uma série de lascas cortantes e uma enorme quantidade de pequenos pedregulhos tão mortíferos como balas. Foi numa destas operações, lá para os lados do Vale Fundo, já quase junto à Ribeira do Ferreiro, ao preparar uma pedra com pólvora, esta terá sido atingida inadvertidamente por uma faísca que provocou uma explosão e um rebentamento, o qual apanhou, de surpresa, alguns trabalhadores. Foram atingidos gravemente três homens. Para além do Corvelo, que teve morte imediata, ficaram feridos o Francisco Facha e o Roberto de José Padre, tendo o primeiro que ser evacuado para Lisboa.

A notícia do acidente foi recebida no povoado com grande alvoroço e preocupação. As informações eram confusas e contraditórias e muita gente acorreu ao lugar para se certificar se algum familiar tinha sido atingido.

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O CICLO DO MILHO VIII

Terça-feira, 24.01.17

Pão, bolo, escaldas e papas eram comidos geralmente com leite. No entanto o pão, o bolo e as escaldas acompanhavam o conduto da maior parte das refeições. Muitas vezes o pão tinha que ser estufado ou frito para evitar o bolor. O bolo, quando mais velho, também se comia frito.

Na altura em que o milho era apanhado e com as maçarocas que não eram encambulhadas faziam-se as célebres “papas grossas”, de cozedura semelhante às outras mas com a diferença de que o milho ainda estava verde e era moído em casa, num “moinho de mão” que muitas famílias possuíam. Estas papas muitas vezes eram partidas às talhadas e fritas o que constituía uma refeição muito gostosa e apreciada.

Todos os anos, alguns dias após o milho estar todo apanhado, o que acontecia geralmente pelos Santos, recolhia-se, em toda a freguesia o “Milho para as Almas”.

Na Fajã Grande, como aliás em toda a ilha das Flores, houve sempre um grande culto, devoção e, sobretudo, respeito pelas almas do purgatório, o que se verificava especialmente ao longo de todo o mês de Novembro. Recorde-se que inclusivamente o primitivo orago da freguesia da Caveira era as Benditas Almas, aliás nunca mudado por decisão canónica mas apenas por vontade popular, dado que considerava-se “que o dia em que se celebravam as Benditas Almas era de ofícios fúnebres e portanto pouco próprio para festas e  celebrações”.

A importância do culto e devoção ou lembrança dos que tinham partido e eventualmente estariam no Purgatório a expiar as suas faltas até terem o álibi para entrar no Céu, era de facto gigantesca, desmesurada e a ela inequivocamente toda a freguesia aderia. Um dos pontos altos era o da recolha do milho da primeira casa da Assumada à última da Via d’Água e cujo dinheiro resultante da venda se destinava a celebrar missas opor alma de todas as pessoas até então falecidas na freguesia.

Com uma organização impecável e sob as ordens da “Mordoma das Almas” cargo desempenhado durante a minha infância pela minha avó materna, um grupo de homens carregando cestos às costas corriam as casas da freguesia uma a uma e recolhiam as maçarocas já descascadas que cada um achava que podia e devia oferecer por alma dos seus e dos outros. Todo esse milho era levado para casa da Mordoma e colocado na sala formando, a pouco e pouco, um enorme monte. Um grupo de mulheres e crianças sentavam-se à volta e debulhavam-no todo, maçaroca após maçaroca e enchiam-no em sacos a fim de ser vendido, o que acontecia geralmente no próprio dia da recolha.

O dinheiro resultante da venda do milho era entregue ao pároco que com ele ia celebrando missas e rezando responsos durante todo o mês de Novembro pela alma de todos os familiares já falecidos de todas as casas da freguesia.

Em tempos mais antigos, segundo relatos de pessoas mais idosa, esta recolha do milho era feita de forma diferente. Segundo esses relatos havia na rua Direita, perto da casa de Espírito Santo de Baixo, uma casa, chamada “Casa do Purgatório”. Nessa altura, em vez do milho ser recolhido sob as ordens da Mordoma, seriam as pessoas a ir levá-lo a essa casa, onde ia ficando guardado até ser debulhado e vendido, sendo o dinheiro resultante da venda também destinado a missas para as almas. Uma das minhas tias actualmente a rondar os noventa e quatro anos garante-me que se lembra de ir levar um saco de milho à “Casa do Purgatório”.

Curiosamente muitas pessoas, especialmente mulheres, quando se viam em dificuldades ou com problemas, voltavam-se para as almas e prometiam “tirar uma esmola” se, por intercessão destas, ficassem aliviadas de seus males. Se as Benditas Almas supostamente atendiam o pedido formulado, a votante corria sozinha todas as casas da freguesia. Batendo à porta gritava: “Esmola para as almas”. Cada família dava então um pouco de milho ou se o não tivesse ou não quisesse dar, respondia simplesmente: “Pai Nosso e Ave Maria”. O milho resultante deste peditório era geralmente entregue à Mordoma que o juntava ao anteriormente recolhido ou lhe dava destino idêntico.

Note-se que rituais semelhantes a este eram cumpridos quando se solicitava a intervenção do Santíssimo, da Sra da Saúde, de São José, Santa Filomena ou de outro santo, sendo neste caso o dinheiro entregue na igreja em memória do santo respectivo.

 

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SUBLIMIDADE E EXCELÊNCIA

Segunda-feira, 23.01.17

No passado dia oito de Janeiro teve lugar na igreja Matriz da mais antiga vila da ilha do Pico um concerto realizado pelo Grupo Coral das Lajes do Pico, conjuntamente com a Orquestra Académica Juvenil das Lajes do Pico e com a participação especial do grupo Vox Insulae. O evento já havia sido realizado no Santuário do Bom Jesus em São Mateus e na Igreja de Santa Bárbara das Ribeiras.

Na verdade o concelho das Lajes Pico têm-se revelado ultimamente como uma espécie de epicentro duma intensa e profunda atividade musical, como se pode demonstrar não apenas pelos espetáculos ultimamente realizados como também pela agenda cultural da edilidade, recheada, nos últimos anos, de inúmeros e diversíssimos eventos musicais. Atualmente e para além da mais que centenária Filarmónica Liberdade Lajense, do Grupo Coral e de vários outros agrupamentos musicais, a denominada Vila Baleeira, sob o patrocínio da edilidade local, orgulha-se de possuir uma Orquestra Académica Juvenil que teve a sua estreia em 2013, durante a Semana dos Baleeiros. Esta novel agremiação musical, cujos componentes têm uma média de idade de treze anos, tem proporcionado ao público picoense e, de modo muito particular ao lajense, excelentes momentos musicais reveladores do esforço e da dedicação de um bom punhado de jovens músicos e da competência e dedicação do seu maestro.

O público teve assim, na noite do passado dia oito, uma excelente oportunidade de assistir a um espetáculo musical de grande qualidade e de notável brilhantismo. Sob a direção dos maestros Hélder Azevedo, Pedro Santos e Hildeberto Peixoto, o Grupo Coral das Lajes do Pico, a Orquestra Académica Juvenil das Lajes do Pico com a participação especial do grupo Vox Insulae apresentaram um espetáculo musical pautado pela sublimidade e pela excelência, do qual, sobretudo para os apreciadores deste tipo de música, se destacou a Missa Brevis de Jacob de Haan, com 6 movimentos representativos dos cultos quer da Igreja Católica quer da Protestante: Kyrie, Glória, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei.

De realçar ainda, por um lado o apoio da Câmara Municipal das Lajes do Pico a um projeto deste tipo, orgulhando-se a edilidade pelo sucesso obtido e pelo reflexo que terá na formação musical dos jovens músicos e consequente evolução das nossas Filarmónicas, uma vez que muitos destes jovens são membros executantes das várias bandas do concelho e, por outro, constatar que, felizmente, hoje já se entendeu que um edifício com a amplitude e grandiosidade de uma igreja pode ser utilizado para eventos deste e de outro tipo, não se limitando ao uso de uma ou duas horas semanais.

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A ANTIGA FESTA DE SANTO AMARO NA FAJÃ GRANDE

Domingo, 22.01.17

Uma das maiores e das mais importantes festas celebradas, antigamente, durante o inverno, na Fajã Grande, era a de Santo Amaro.

Amaro, segundo uns, Mauro ou Amauro, segundo outros, nasceu em Roma em 1512 e foi frade beneditino, tornando-se célebre, sobretudo, pelo seu poder taumaturgo. Já em vida, ao ser enviado por São Bento de Roma para a Gália (hoje França), a fim de, a pedido do Bispo de Le Man, estabelecer a vida monástica beneditina naquela região, foi vítima de grandes e variadas atribulações durante a viagem, mas a todas, no entanto, de acordo com os seus biógrafos e de mistura com algumas lendas, escapou milagrosamente. Mas foi sobretudo, após a sua morte que os milagres operados por Amaro se multiplicaram, pelo que, foi canonizado. Foi então que Santo Amaro se tornou conhecido, celebrado e venerado por toda a Europa Católica, sendo também escolhido para patrono dos aleijados e especialmente invocado para a cura de reumatismo, epilepsia, gota, rouquidão, resfriados e muitas outras doenças e maleitas.

Muito provavelmente por influência dos primeiros colonos e povoadores, nos Açores Santo Amaro também foi sempre alvo de grandes devoções por parte da população de todas as ilhas, sendo até que algumas freguesias o têm como padroeiro e, nalguns casos, o Santo até deu nome à própria localidade. Nas ilhas açorianas, o fiel e pioneiro discípulo do patrono da Europa, também foi sempre invocado para a cura milagrosa de inúmeras maleitas, sendo considerado o patrono dos sapateiros e dos artesãos de cobre.

Na Fajã Grande, Santo Amaro era invocado para cura de tudo o que fosse quebrado, torcido, desmanchado, fora do lugar ou para tudo o que tivesse qualquer tipo de lesão, mazela ou achaque em qualquer parte do corpo humano, desde das pontas dos pés até ao cocaruto da cabeça. Para além disso, o Santo ainda era invocado na cura das doenças das crianças, na eficiência e normalidade dos partos e até nas doenças ou mal olhados dos porcos, das vacas e das galinhas. Por tudo isto se celebrava uma grandiosa festa em sua honra no mês de janeiro. Na igreja paroquial, num dos nichos laterais do altar da Senhora do Rosário havia uma pequenina imagem do Santo, vestido com o seu hábito de monge beneditino, com um báculo na mão e em sua honra fazia-se uma enorme e grandiosa festa no segundo ou terceiro domingo de janeiro, normalmente a seguir ao dia 15 do mesmo mês, agendado no calendário litúrgico como o dia a ele dedicado, por se comemorar a sua morte.

Nos dias anteriores decorria em quase todas as casas uma enorme azáfama. De acordo com as promessas feitas era necessário cozer muita massa sovada, depois de lhe dar a forma dos bonecos que se pretendiam em função das promessas feitas. No domingo, para além de missa votiva, cantada e com sermão, tinha lugar de destaque, após as celebrações litúrgicas, um enorme leilão, onde eram arrematadas inúmeras ofertas feitas em massa sovada com o formato ou feitio da parte do corpo humano, da criança ou do animal que o Santo milagreiro havia curado miraculosamente. Antes da missa o altar enchia-se por completo de promessas, personificadas por pães de massa sovada em forma de cabeça, braços, estômago, pernas, pés, de crianças (umas já crescidas outras acabadas de nascer), de porcos, vacas e até galinhas que ali ficavam durante a missa, finda a qual eram solenemente benzidas e depois arrematadas em leilão, no adro da igreja.

O leilão prolongava-se até ao anoitecer e nesse dia, tal como no dia de Espírito Santo, não havia casa na Fajã que não ceasse umas boas fatias da deliciosa massa sovada, geralmente acompanhada com uma tigela de leite ou café e um pedacinho de queijo.

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publicado por picodavigia2 às 09:30

O CICLO DO MILHO VII

Sábado, 21.01.17

Com a devida autorização transcrevo parte de um email que me foi enviado por uma neta de um dos donos de dois dos moinhos da Ribeira das Casas e que retrata o estado a que lamentavelmente chegaram:

“…eu não sei bem há quantos anos eles foram construídos, mas sei que eram dois e duraram muitos anos. Eram os meus avós que moíam quase todo o milho da freguesia. As pessoas iam lá levar as moendas ou sacos, eles moíam-no e tiravam meia quarta para o pagamento. Quando meus avós ficaram velhos os meus pais é que continuaram a moer. Os moinhos usavam a água que vinha da rocha e caía no Poço do Bacalhau. Depois eles construíram uma  levada que trazia a água desse Poço ate ao moinho. Antigamente tinham que lá dormir porque quando acabava uma moenda eles tinham que por outra, mas meu pai inventou uma engenhoca que quando uma moenda acabava, saltava e puxava uma corda que ia por fora e deixava cair uma espécie de portão ou tampa fazendo com que a água não passasse para cima da  roda e o moinho parasse, até de manhã. Assim já não era necessário ficar alguém lá durante a noite. Pobre  moinho! Já nada existe lá a não ser umas paredes, a roda que tinha alguns 30 pés de altura e uns ferros cheios de ferrugem. Parte das paredes e o telhado caíram e as madeiras estão todas podres. Apenas lá ainda se encontram as pedras que moíam o milho. Infelizmente os donos também já todos partiram… “

Moído o milho, a farinha era guardada em casa, num armário ou na amassaria a fim de ser usada consoante as necessidades, ou seja, para cozer bolo, pão de milho e escaldadas, para fazer papas ou até para alimento dos animais.

O pão era cozido uma vez por semana, geralmente à Sexta-feira e era dia de grande azáfama e alvoroço em casa. Primeiro era necessário ir ao “cepo da lenha” fender, rachar e picar muita lenha para aquecer devidamente o forno. No dia de cozer começava-se por escaldar a farinha numa enorme celha de madeira ou num alguidar de barro. Para tal regava-se a farinha com água a ferver e, enquanto esta massa arrefecia, aproveitava-se o tempo para acender o forno a fim de o aquecer de tal maneira que cozesse bem o pão. Forno mal aquecido pão mal cozido. Arrefecida a massa resultante da mistura da água com a farinha, juntava-se o fermento guardado da cozedura anterior e a “mistura”, ou seja, dois ou três punhados de farinha de trigo. Seguia-se o amassar. Oh braços, para que vos quero! Era uma tarefa cansativa pois a massa para levedar em boas condições tinha que ser bem amassada e, no fim, benzida, devendo, a mulher, depois de a amassar, desenhar-lhe uma cruz em cima e rezar a seguinte jaculatória: “San João t’afermente e Sant’Antonho t’acrescente”. Do forno saiam labaredas enormes e vermelhas que enchiam a casa de fumo e de calor. Só estaria pronto pão quando as pedras que ficavam por cima da porta estivessem brancas. Era necessário, em seguida, varrê-lo com o varredouro, geralmente feito de faia do norte ou de louro. Havia quem não tivesse verduras e fizesse um varredouro de trapos velhos mas, neste caso teria que o molhar, o que, segundo as opiniões mais abalizadas prejudicava o aquecimento do forno. A cinza era retirada e as brasas puxadas para junto da porta e guardadas numa espécie de átrio que esta tinha e protegidas com um semicírculo de ferro para que não caíssem no chão. De seguida a massa era partida em pedaços e padejada numa tigela previamente polvilhada com farinha e depois despejada em cima da pá que os ia colocando e arrumando dentro do forno, o qual deveria ser muito bem tapado. Passado uma hora o pão estava cozido e era retirado, um a um, com uma pá, colocado em cima da mesa e abafado com colchas e cobertores. Se o forno não estivesse bem aquecido o pão podia “encruar” e se apanhasse frio ao tirá-lo do forno podia “ocar”. Essa a razão porque nunca se devia abrir a porta da cozinha enquanto se tirava o pão do forno. A mulher que o cozia também não devia sair de casa e resguardar-se do frio durante toda a tarde e noite.

O bolo e as escaldadas eram feitos com uma massa semelhante à do pão mas sem fermento e sem “mistura”, com a diferença de que o bolo era cozido em tijolo de barro ou na chapa e as escaldadas no forno, imediatamente a seguir ao pão e aproveitando o calor resultante da cozedura deste. Acrescente-se que estas, para não levantarem, eram picadas com um garfo em toda a sua superfície superior. Por vezes coziam-se umas escaldadas especiais, uma vez que à massa se juntava graxa e uns pedacinhos de torresmos. Eram as chamadas escaldadas de torresmos.

Finalmente as papas que eram feitas quando o pão ou o bolo rareavam e eram de fácil mas demorada e cuidadosa elaboração. Num caldeirão com água a ferver era lançada a farinha que deveria ser contínua e ininterruptamente mexida com a “colher das papas” a fim de não formar godilhões. Mas papas, por mais mexidas que fossem, inequivocamente apegavam ao fundo do caldeirão formando uma deliciosa e apetitosa crosta conhecida por “Cascão das Papas”.

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