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AS PROFECIAS DO BANDARRA

Quinta-feira, 19.11.15

Em casa da minha avó Joaquina, na Fontinha, havia dois manuscritos muito interessantes. Ambos continham poemas, sob a forma de quadras, escritas em folhas de papel almaço. Um descrevia a fatídica morte do Rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, versos decorados por muitas pessoas que os musicalizavam. Recordo-me de ouvir meu pai cantá-los. O outro continha parte das célebres profecias do Bandarra, Gonçalo Anes de Bandarra, um célebre sapateiro nascido na vila de Trancoso, em 1500, onde viveu e onde faleceu, em 1556. Bandarra é considerado como o mais célebre e interessante profeta português, autor de trovas messiânicas que ficaram posteriormente ligadas ao sebastianismo e ao milenarismo português.

Aqui se recorda alguns destes versos:

 

Sonhei, que estava sonhando,

Que passados cem Janeiros

Os Portugueses primeiros

Se levantarão em bando.

 

Ergue se a aguia Imperial

Com os seus filhos ao rabo,

E com as unhas no cabo

Faz o ninho em Portugal.

 

Põe um A pernas acima,

Tira lhe a risca do meio,

E por de traz lha arrima,

Saberás quem te nomeio.

 

Tudo tenho na moleira

O passado, e o futuro,

E quem for homem maduro

Há-de me dar fé inteira.

 

Vejo sem abrir os olhos

Tanto ao longe como ao perto;

Virá do mundo encoberto

Quem mate da aguia os polhos

 

Lá para as partes do Norte

Vejo como por peneira

Levantar uma poeira

Que nos ameaça a morte.

 

Vosso grande Capitão,

Ó povo errado, e perverso,

Já caminha com o terço,

E vós dormindo no chão?

 

Na era que eu nomear

Terá fim a heresia;

Verás certa a Profecia,

Se bem souberes contar.

 

Poe[m] três tesouras abertas,

No fim um linhol direito,

Depois conta seis vezes cinco,

E mais um vai satisfeito.

 

Muito rijo bate o vento

Na parede da igreja;

Alguém caido a deseja,

No levantar vai o tento.

 

Rugia a porta do sino,

O sino não badalava,

A grimpa se revirava,

E o sino andava a pino.

 

Meto a sovela nas viras,

E vejo pelo buraco

Os ossos de Pedro Jaco

No penedo das mentiras.

 

Que belamente soam

As Profecias direitas!

Depois que forem perfeitas

Verão que a terra povoam.

 

Quando o sonho é verdadeiro

Dá se uma lei muito clara:

Sonho agora, que uma vara

Vai dando luz a um outeiro.

 

O outeiro é Portugal,

E a vara Castelhana;

Da minha pobre choupana.

Vejo esta vara Real.

 

Dará fruto em tudo santo,

Ninguém ousará a nega-lo,

O choro será regalo

E será gostoso o pranto.

 

Bem cuido, que já vem perto

O fim destas Profecias;

Passarão trezentos dias

Depois de eu ser descoberto.

 

Em dous sitios me achareis

Por desdita, ou por ventura,

Os ossos na sepultura,

E a alma nestes papeis.

 

Não há pedra sobre pedra,

Quando eu aqui for achado,

E as letrinhas do Letrado

Há trezentos anos queda.

 

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