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A CIDADE DO VINHO

Sexta-feira, 28.04.17

(TEXTO DE MANUEL AZEVEDO)

 

Sou picoense. Vibro com os sucessos da minha ilha (poucos), entristeço-me, quando as coisas não correm bem. Alem disso, sou natural do concelho da Madalena. Os mesmos sentimentos. Por isso, fiquei triste quando vi aquela maresia entrar por terra dentro, sem avisar, destruindo, total ou parcialmente, estruturas públicas e privadas, um pouco por toda a parte. Talvez os não residentes, como eu, o sintam mais… Poucos dias depois, a Madalena fez festa e da rija, (o que me fez vibrar) para comemorar a recente eleição como “Cidade do vinho de 2017”, feita pelas suas pares da Associação de Municípios Produtores de Vinho (AMPV) e comemorou-o com a inauguração do novo auditório, que veio trazer à Madalena e ao Pico uma sala, dotada de múltiplas valências tecnológicas que permitirão diversíssimos espectáculos. Dizem-me que é uma sala que vem trazer ao Pico possibilidades que, antes, não tinha. Dizem-me, também, que a festa foi bonita e digna. Por mim, vou-me contentando com o que vejo nas redes sociais. Mas, nada como estar presente, fisicamente. Talvez o que me orgulhou mais foi a Madalena fazer a sua vida normal, uns dias depois do desastre. Ah! Valentes!

Durante todo o ano, se vai comemorar “a cidade do vinho”: Li duma enoteca itinerante e outros acontecimentos. Seria bom e conveniente que os privados se associassem, para não ser só a autarquia. A produção é quase só deles. Em quantidade e qualidade. A internacionalização do vinho do Pico começou há muitos séculos (fala-se muito dos czares) e continua, hoje. A presença da Adega Cooperativa na recente feira de vinhos de Dusseldorf, uma das maiores do mundo, é disso testemunho.

Felizmente, hoje, com a ajuda da União Europeia e do Governo Regional estão a reconverter-se vinhas e a redescobrir-se currais, canadas, geirões, os tais muros que, segundo estudioso, davam duas vezes a volta à terra. Quando os nossos antepassados abandonaram as vinhas, por não terem apoios e porque não estavam para trabalhar para aquecer, não imaginavam que, uns tempos depois, se descobrissem os terrenos que, por causa do abandono, se cobriram de faias, incensos, silvas e outras mondas. Só quem observa de avião ou, mais modernamente, através de drones, é que pode ver o “antes e depois”. Há, ainda, áreas cobertas de mondas, mas também já há muitas campinas com os antigos muros descobertos, construídos com um labor insano pelos nossos antepassados, para proteger as vinhas, que despontavam por entre lava solidificada e biscoitos, do rocio do mar e das ventanias. Quem assim vê, é que pode avaliar.

O meu aplauso para a Comissão Vitivinícola Regional que quer reconverter a vinha em toda a ilha do Pico, apesar de ser na Madalena a maior extensão, e em todos os Açores, onde há núcleos que a cultivam.

Não pretendo fazer a história da introdução da vinha no Pico. Dizem que foram os franciscanos… De facto, há vestígios deles por todos os cantos. Os frades carmelitas, também, andaram por aí. Testemunha-o o Museu do Vinho, instalado num antigo convento carmelita.

Não se fez festa quando, em 2004, a Paisagem Protegida da Vinha foi considerada pela Unesco, Património da Humanidade. Talvez, com medo das responsabilidades que isso traria. Mas o que segue é que ela aí está para gozo dos residentes e dos muitos turistas que a visitam. Alguns, só por causa disso. Orgulho dos picoenses, porque, por todo o mundo, se fala dela. A consciência ambiental que isso criou, no sentido de perseverar o que é nosso, é digna de registo.

Tudo isto dá um caldo comercial invejável. Que o digam os comerciantes.

Um toque pessoal: fui criado no meio de vinhas e de vinho: vinho tinto e da madeira (uma espécie de rosé, bem graduado). Esta era a terminologia da altura. Meu pai, um produtor da freguesia, também, abandonou vinhas, pelas razões acima, mas continuou a cultivar muitas outras.

Um brinde à Cidade do Vinho 2017. Um licoroso fica bem, aqui!

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