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O JOÃO GRANDE E O JOÃO PEQUENO

Segunda-feira, 01.07.13

Numa pequena freguesia viviam dois compadres muito amigos. Como ambos se chamavam “João”, o povo para os distinguir chamava ao mais alto e esguio João Grande, enquanto alcunhava o outro, por ser mais baixo e roliço, de João Pequeno. Cada qual vivia sozinho e cada qual tinha apenas por companhia a sua velha avó. Uma outra grande diferença, porém, os distinguia: é que o João Grande era muito rico e poderoso, pois para além de possuir uma boa casa, muito dinheiro e muitas terras tinha também muitos animais e, sobretudo muitos cavalos, dos quais gostava muito. Eram a menina dos seus olhos. Ao contrário o João Pequeno era muito pobre e possuía apenas uma pequena courela junto à sua humilde casa, onde, com a ajuda de um único cavalo, lá ia cultivando apenas o necessário para o seu sustento e o da sua avó. Dinheiro, nem vê-lo. No entanto, como eram grandes amigos, sempre que o João Pequeno necessitava de qualquer coisa ia ter com o compadre João Grande que de imediato lhe disponibilizava alimentos, cavalos para o trabalho ou até dinheiro.

Certo dia, ao pretender lavrar o pequeno e único campo que possuía junto de casa e cuidando que o não conseguiria fazer apenas com o seu cavalo, foi pedir emprestados alguns cavalos ao compadre João Grande. Este sem demoras cedeu-lhe quatro dos melhores cavalos que possuía.

O João Pequeno, todo contente, juntou-os ao seu e atrelou-os todos ao arado. Toca a lavrar o campo muito bem lavrado que as semeaduras querem a terra revolvida e fofa. Como os animais puxassem o arado com alguma lentidão, o João Pequeno incentivava-os a andar mais depressa, chicoteando-os ao de leve e dizendo:

- P’rá frente meus cinco cavalos!

O compadre João Grande passou por ali, parou, ouviu e não gostou rigorosamente nada. Como o compadre insistisse, repreendeu-o:

- Ó compadre, não fale assim com os animais. É que, bem vistas as coisas, apenas um dos cinco cavalos é seu. Os outros quatro são meus.

Mas o João Pequeno não lhe dava ouvidos e repetia constantemente com maior intensidade de voz:

- P’rá frente meus cinco cavalos!

O João Grande avisou mais uma vez, uma outra e mais uma outra, mas nada. O compadre permanecia na sua e repetia insistentemente, em altos gritos:

- P’rá frente meus cinco cavalos! P’rá frente meus cinco cavalos!

O João Grande perdeu a paciência. Saltou a parede, entrou no campo, forçou o compadre a parar o seu trabalho e, olhando de frente com um misto de zanga e raiva, ameaçou:

- Ó compadre, não volte a falar assim com os animais. Ouviu? Ouviu? Se o compadre repete essa maneira de tratar os animais retiro-lhe os meus e não acaba de lavrar o seu campo, nem de fazer as sementeiras.

Mas não o João Pequeno fez ouvidos de mercador, isto é, não ouviu nem quis ouvir, e continuou na sua, repetindo com um tom de voz cada vez mais elevado:

- P’rá frente meus cinco cavalos!

Uma mecha em palha não faria maior incêndio. Compadre João Grande enfureceu-se por completo. Agarrou o compadre João Pequeno pelo pescoço e como era muito valente, levantou-o ao ar duas e três vezes, sentenciando em altos berros:

- Mais uma vez, compadre, mais uma única vez e mato o seu cavalo! Ouviu bem? Uma única vez! Ouviu? Se o compadre repete essa conversa mais uma vez, mais uma só vez, terá o seu cavalo morto.

Apesar da terrível ameaça o compadre João Pequeno não alterou a forma de se dirigir aos cavalos e repetiu com um tom de voz altíssimo:

- P’rá frente meus cinco cavalos!

Ainda não tinha pronunciado a última palavra e o João Grande já tirara do bolso uma enorme navalha que trazia sempre consigo. Enfiando-a à socapa no pescoço do cavalo do João Pequeno deitou-o por terra. O pobre animal estremeceu, estremeceu, esticou as quatro patas e ficou inerte no chão, esvaindo-se numa enorme poça de sangue O João Grande retirou-se levando consigo os quatro cavalos que havia emprestado ao compadre.

Só então o João Pequeno caiu em si. É que nunca pensara que o compadre fosse capaz de tamanha barbaridade.

- E agora? O que será de mim, sem cavalo e com a terra por semear? – Murmurava, o João Pequeno, para os seus botões.

Sentou-se no chão, inclinou a cabeça sobre o arado e pensou, cogitou, magicou, matutou… mas nada. Algum tempo depois, decidiu tirar a pele ao seu cavalo, cuidando que a poderia vender e ganhar assim algum dinheiro. Mesmo sendo pouco daria para o seu sustento e da sua avó, durante uns dias. E depois? Bem, depois havia de se amanhar, com a ajuda de Deus.

Esfolou cuidadosamente o cavalo, enterrou o corpo no campo, secou a pele e meteu-a num saco, pondo-se de imediato a caminho, na mira de a vender.

Andou, um dia, dois dias e nada. Ao anoitecer do terceiro dia já estava cheio de fome e de sono e sem dinheiro. Bateu à porta da primeira casa que viu. Uma bela mulher recebeu-o e logo se apaixonou por ele. O marido não estava em casa e a mulher para conquistar o visitante, sabendo que ele estava cheio de fome, matou um galo, depenou-o, temperou-o e meteu-o no forno a assar, acompanhado de uma bela travessa de batatas.

Inesperadamente e enquanto os dois aguardavam que o galo assasse para iniciar o bródio, chegou o marido. A mulher ficou muito aflita e não quis de forma nenhuma que o consorte se apercebesse de que tinha assado, propositadamente, um galo para aquele desconhecido intruso. Por isso mentiu-lhe, dizendo que o homem tinha acabado de chegar e que estava cheio de fome pelo que ia preparar uma refeição para os três. Sentaram-se à mesa a comer cada qual uma simples tigela de leite com pão de milho esmiolado, acompanhada de um pedaço de queijo fresco.

O João Pequeno, porém, nunca deixava longe de si o saco com a pele do cavalo, por isso, enquanto comia, colocou-o debaixo da mesa. De vez em quando suspendia a refeição, dava um pontapé no saco, ordenando de forma simuladamente provocadora:

- Cala-te!

Daí a pouco, dando novo pontapé no saco, repetia:

- Cala-te! Já ouvi. Cala-te!

Como repetisse a cena várias vezes, o dono da casa começou a intrigar-se e não se contendo, perguntou:

- O que tem o senhor aí debaixo da mesa?

- Nada, nada, absolutamente nada – esclarecia o João Pequeno, simulando grande atrapalhação.

Mas como continuasse a dar pontapés no saco e a dizer “cala-te”, o dono da casa voltou a indagar:

- Desculpe amigo! Alguma coisa estranha o senhor tem aí? Gostava de saber o que é que o amigo tem dentro desse saco e que está continuamente a mandar calar.

Que não era nada de especial, que não podia dizer, que era um segredo. Lá se foi desculpando o João Pequeno. Mas o dono da casa, cada vez mais apreensivo e curioso da casa, foi taxativo:

- O senhor está em minha casa, por isso exijo que me explique o que tem debaixo da mesa.

O João Pequeno, muito a medo, lá foi explicando, dando sempre mostras de uma cada vez maior atrapalhação:

- Bem se assim o exige… Mas eu não posso… Eu não devo… Mas… Bem… Como o senhor é o dono da casa onde tenho sido tão bem tratado, sempre lhe vou dizer…

- Ora diga, diga! – Solicitava o dono da casa, cada vez mais curioso.

- Eu tenho aqui um animal, um animal muito especial. Mas muito especial, mesmo muito especial – esclarecia timidamente o João Pequeno. - Um animal misterioso. É que adivinha todos os meus desejos e concretiza-os de imediato. Tudo o que eu desejo, discretamente, claro, ele arranja-me logo.

O dono da casa nem queria acreditar. “Um animal misterioso em minha casa!”

Muito admirado, olhava para baixo da mesa, olhava para o João Pequeno e voltava a olhar para baixo da mesa.

- Então e o que adivinhou ele agora que o senhor deseja? – perguntava cada vez mais intrigado.

- Como ele sabe que eu agora gostava era comer um galo assado em vez desta tigela de sopas, está a dizer-me para ir ao forno, pois tem lá dento um galo assado, prontinho a comer, com batatas e tudo.

- Não pode ser! – Exclamou o dono da casa.

- Lá que pode, pode. Vá o senhor ver.

Levantou-se o homem, destapou o forno e qual não foi o seu espanto ao ver lá dentro um galo assado, acompanhado com umas batatinhas muito louras e apetitosas. De olhos esbugalhados, pegou na travessa, tirou-a do forno e, incrédulo, colocou-a em cima da mesa. Uma delícia! Comeram, voltaram a comer e por fim o homem pediu com ar autoritário:

- Tem o amigo que me vender esse animal.

- O quê!? Era o que faltava! Isso é que nunca! – Retorquiu o João Pequeno.

O homem insistia, insistia e o João Pequeno fazia-se cada vez mais rogado:

- Era o que faltava! Vender um animal destes! Nem todo o dinheiro do mundo o pagaria!... Então ia eu lá vender um animal que adivinha os meus desejos e, mais do que isso, me disponibiliza as formas de os concretizar.

Porém como a insistência do homem fosse cada vez maior, o João Pequeno a pouco e pouco foi cedendo ao ponto de aceitar a proposta do homem:

- Pois muito bem! Já que insiste tanto… Mas terá que ser por muito, muito dinheiro. Um saco cheio de moedas não o pagaria. Mas como é para o senhor que me tratou tão bem…

Negócio fechado. O homem dava-lhe um saco cheio de moedas e o animal era dele.

- Mas atenção, muita atenção – esclarecia o João Pequeno. – Não se esqueça de que nunca poderá abrir o saco para ver o animal. Se o fizer ele morre imediatamente.

O homem bateu à porta de vizinhos, parentes e amigos a pedir dinheiro emprestado. Depressa arranjou o dinheiro necessário para encher o saco.

Bicho para lá, dinheiro para cá e o João Pequeno regressou a casa podre de rico, que é como quem diz, carregado de dinheiro. Tratou da avó que durante a sua ausência definhara a olhos vistos e resolveu ir a casa do compadre João Grande pedir-lhe uma rasoira para medir as moedas e assim saber quantos alqueires de dinheiro tinha.

O João Grande, que já mostrara grande arrependimento pela malvadeza que fizera ao compadre, prontificou-se de imediato para lhe emprestar não só a rasoira mas tudo aquilo que o compadre precisasse. Mas pensou com os seus botões: “ Que irá este unhas-de-fome medir com a rasoira? É que este miserável não tem terras para produzir cereais, nem quintas para cultivar frutos, numa palavra, não tem onde cair morto!” Por isso, pretendendo saber o que ele iria medir, untou o interior da rasoira com graxa de porco para que no regresso trouxesse algo agarrado que lhe permitisse saber o que o pobretanas do compadre ia medir.

Foi-se o João Pequeno e regressou no dia seguinte devolvendo a rasoira que, para espanto do João Grande, trazia uma moeda colada no fundo.

- Mau! Mau! Então compadre, sem nada de seu, sem cavalo, sem terra semeada e anda a medir dinheiro aos alqueires?

Depois, em tom ameaçador, ordenou com firmeza:

- Sempre me vais dizer onde arranjaste tanto dinheiro? Caso contrário, dou cabo de ti.

Que não, que isso é que nunca e que era um segredo que não podia revelar. Tanto insistiu João Grande e tanto negou João Pequeno que aquele enfurecendo-se agarrou-o pelo pescoço e ameaçou:

- Ou dizes ou morres.

O João Pequeno, revelando sempre uma simulada relutância, lá foi dizendo que era um segredo mas que se ele o deixasse em paz lhe contaria. O compadre suspendeu as hostilidades e ele de imediato confessou:

- Pois foi muito simples, compadre. Não se lembra de matar o meu cavalo? Esfolei-o antes de o enterrar e fui vender a pele.

- E quanto te deram por ela?

- Um saco de dinheiro. Um grande saco cheio de moedas! Era tanto, tanto que nem consegui contá-lo por isso lhe vim pedir emprestada a rasoira para o medir.

O João Grande nem esperou mais um minuto. Foi ao estábulo e duma assentada matou os seus vinte cavalos dizendo de si para si: “Ora, ora! Se com a pele de um encheste um saco, eu com a peles destes encho vinte, bem cheiinhos. Ai se encho!.”

De seguida esfolou os cavalos, enterrou-os e pôs as vinte peles num carro. Em seguida dirigiu-se para a cidade mais próxima, cujas ruas percorreu durante dias e dias, apregoando com voz muito alta:

- Quem compra peles de cavalos? Quem compra peles de cavalos?

Mas vendê-las é que não! Nem uma! Além disso, a algazarra que fazia era enorme e o cheiro das peles nauseabundo. Chegou a tal ponto que as pessoas da cidade se fartaram de o ouvir, ainda por cima acompanhado daquele cheiro horroroso. Queixaram-se dele à polícia que, de imediato o prendeu durante alguns dias, por andar a perturbar a ordem pública.

Uma vez libertado, o João Grande regressou a casa furioso jurando a pés juntos que se havia de vingar do compadre maldito que mais uma vez o tinha enganado e ainda por cima originado que tivesse sido preso.

Dirigiu-se a casa do João Pequeno, sem passar pela sua, com denodadas intenções de lhe dar uma tareia que lhe havia de servir de lição para o resto da vida. Como o João Pequeno não estivesse em casa e o João Grande não pudesse conter a fúria, deu a tareia prometida na avó do compadre. A pobre mulherzinha que já era velha e doente ficou em tal estado de debilidade que pouco depois faleceu.

Quando o João Pequeno voltou para a casa e viu a avó morta ficou sem saber o que fazer. Vingar-se no compadre não podia porque ele era muito mais forte.

Resolveu então sentar a avó muito bem sentada num carrinho de mão, pintou-lhe a cara com pó-de-arroz para que não parecesse morta e começou a andar pela rua. Passado algum tempo parou o carro em frente de um botequim e entrou para beber um copo de vinho. Pagou dois copos: bebeu um e pediu ao empregado a fineza de servir o outro à sua avó, velhinha e doente que não podia andar e que estava sentadinha num carro, ali mesmo fora da porta.

O empregado acedeu e aproximou-se da velha com o copo para que esta bebesse. Mas a velha nem sim nem sopas, não bebia nem dizia nada, pese embora o empregado insistisse entusiasticamente. Tanto insistiu e a velha tanto não aceitou que o homem perdeu a paciência dando-lhe dois valentes bofetões. A velha caiu do carro e estatelou-se no caminho, enquanto o João Pequeno de mãos na cabeça, gritava:

- Ai! Ai! Que grande desgraça! Você matou minha avó!

O homem bem lhe pedia que se calasse para não ser preso mas o João Pequeno cada vez gritava mais alto e mostrava maior aflição. Tanto gritou e tanto ameaçou de o denunciar à polícia que o homem lhe prometeu uma enorme quantidade de dinheiro se ele lhe perdoasse e não fizesse queixa do sucedido.

O João Pequeno fez-se muito rogado. Que não havia dinheiro que pagasse a sua avó. Que era a sua única companhia. Que a amava muito. Que isto e que aquilo. Mas como o homem lhe suplicasse insistentemente acabou por aceitar. Foi sepultar a avó e regressou a casa de novo carregado de dinheiro.

Como fizera da primeira vez, foi pedir a rasoira ao compadre João Grande. Este voltou a untá-la com graxa, a fim de descobrir o que o compadre ia medir novamente. Quando o João Pequeno foi devolver a rasoira, ficou colada uma moeda no fundo, a qual voltou a despertar a curiosidade e o espanto do João Grande.

- Então não se lembra de matar a minha avó? Pois bem! – Esclareceu o João Pequeno. - Vendi-a morta e deram-me um grande saco de dinheiro por ela.

- “Então e eu não tenho também uma avó? E se a matasse? Vendia-a e ficava rico como ele.”

Se bem o pensou melhor o fez. Dois tabefes na avó, abafaram-na imediatamente. Colocou-a num carro, dirigiu-se de novo à cidade e começou a gritar pelas ruas:

- Quem compra uma mulher morta? Quem compra uma mulher morta?

Nem um dia! Nem uma manhã! Mal tinha dado a primeira volta à cidade e a polícia a prendê-lo. Desta vez a prisão foi muito mais demorada.

- “Deixa estar que mas vais pagar bem pagas. Quando daqui sair dou cabo de ti.” pensava o João Grande na prisão.

Saiu da cadeia algum tempo depois dirigindo-se, furibundo, a casa do João Pequeno.

- Desta vez não me escapas! Nunca mais me vais enganar.

Agarrou-o, meteu-o num saco, amarrou o saco muito bem amarrado e partiu com a intenção de o atirar ao rio.

Porém, como era muito religioso, ao passar por uma igreja parou para rezar e pedir perdão a Deus pelo acto que ia cometer. Pousou o saco à porta da igreja e entrou para fazer as suas orações.

Sentindo-se sozinho o João Pequeno começou a gritar mas de maneira a que o compadre não o ouvisse, lá dentro:

- Eu não quero casar com a filha do rei! Eu não quero casar com a filha do rei!

E voltava a repetir:

- Eu não quero casar com a filha do rei!

Um pastor que por ali passava com um enorme rebanho de ovelhas ouviu-o, parou e perguntou:

- O que estás a dizer?

O João Pequeno explicou que estava dentro daquele saco porque queriam obrigá-lo a casar com a filha do rei, mas não ele queria nem podia porque já era casado.

Então o pastor propôs-lhe de imediato uma troca:

- Eu desamarro o saco, tu sais, eu entro para o teu lugar, voltas a amarrar o saco,  ficas com o meu rebanho e eu vou casar com a filha do rei em vez de ti.

Se bem o disse melhor o fez. O pastor soltou o saco, o João Pequeno saiu cá para fora, o pastor meteu-se dentro do saco e o João Pequeno amarrou-o, de forma que o compadre não notasse nenhuma diferença.

Quando terminou a sua oração, o João Grande voltou a por o saco às costas, caminhando em direcção ao rio. O pastor bem perguntava:

- Quando é que caso com a filha do rei?

- Não demora muito. Vais casar já! – Respondia o João Grande.

Ao chegar junto do rio, amarrou uma enorme pedra ao saco e zumba, lá foi pedra, saco e pastor, tudo para o fundo do rio.

Pelo caminho, de regresso a casa cruza-se com um enorme rebanho. Qual não foi o seu espanto ao verificar que o pastor que o conduzia era, sem tirar nem por, o compadre João Pequeno que acabara de atirar ao rio.

- Tu por aqui!? Com todas estas ovelhas!? Ainda há pouco te atirei ao rio…

- E atiraste muito bem – retorquiu o João Pequeno. – Foi um grande favor que me fizeste. Se não me tinhas atirado não teria agora todas estas ovelhas que apanhei lá bem no fundo do rio.

- E há mais ovelhas lá? – Perguntou avidamente o João Grande.

- Se há! São às centenas, aos milhares. Eu não trouxe mais porque não quis. Mas já me arrependi. Devia ter trazido muitas mais. Se me atirasses novamente era capaz de trazer outras tantas como estas.

- Essa sorte não tens tu – respondeu de imediato o João Grande. - Quem vai buscar todas as outras que lá estão, sou eu.

Voltou costas, correu para junto do rio enquanto o compadre gritava:

- Na parte mais funda, compadre! Na parte mais funda do rio é que há muitas.

O João Grande ávido de riqueza e de bens, ao chegar junto do rio, procurou a parte mais funda e de um pulo atirou-se e de lá nunca mais saiu, enquanto o João Pequeno viveu feliz por muitos e muitos anos, pastoreando as suas ovelhas.

 

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