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A BATALHA DE OURIQUE

Terça-feira, 29.11.16

Pedro deambulava, solitário, a custo e timidamente, por um caminho ermo, ladeado por árvores gigantescas e sombrias. Aqui e além, alguns transeuntes, mudos, de olhar esbugalhado e ansioso, embrulhados em farrapos acinzentados, amparando-se a grossos bordões, caminhavam vagarosamente. À medida que prosseguia, o caminho ia-se tornando mais apertado e esconso. Finalmente uma cancela, na qual Pedro se pendurou, espreitando para o interior. À sua frente uma enorme campina, despovoada sob um céu pardacento e acinzentado. Lá ao longe bardos de hortênsias floridas, azuis, rosadas e brancas, como que a protegê-la de invasores e separá-la de outras pequenas propriedades. No centro um gigantesco pináculo de basalto negro simulando uma gigantesca catedral. Ao redor uma infinidade de pequenos calhaus, dispostos quase simetricamente ao redor do pináculo faziam lembrar pequenas casas, simulando uma pequena cidade medieval. As próprias ruas e vilelas estavam perfeitamente desenhadas, pese embora se mostrassem muito estreitas, enviesadas e, obviamente, desertas. Um enorme silêncio pairava no ar.

Pedro entrou e subindo o pináculo sentou-se lá bem no alto, como se tivesse subido às torres sineiras da fictícia catedral. Nesse preciso momento, rompendo o silêncio das vielas, entrou uma barulhenta mesnada de besteiros que, exausta, terminara uma enorme e sangrenta batalha. Comandava a mesnada um valoroso cavaleiro que lutava ao lado de um príncipe, combatendo os infiéis sarracenos que teimavam em não o deixavam que o príncipe conseguisse alargar as fronteiras do seu pequeno reino, na tentativa de obter definitivamente a sua independência.

As hostes regressavam apressadamente à cidade. Vinham desfalcadas e a arfar de cansaço mas felizes. O príncipe, os fronteiros, os ricos-homens e senhores de pendão e caldeira, chefes de mesnadas, os cavaleiros, peões e peonagem chegavam exaustos mas plenos de regozijo e satisfação. Esmar, rei de Santarém, juntamente com outros quatro reis haviam sido derrotados, no dia 25 de Julho, dia do glorioso mártir São Tiago, sem apelo nem agravo, em Ourique, numa memorável batalha em que o inimigo incluía no seu ciclópico exército forças conjuntas das praças mouras de Sevilha, Badajoz, Évora e Beja, para além das de Santarém.

A viagem, de regresso à deserta cidade, foi longa e o destino dos guerreiros diferente. O príncipe havia como que sido obrigado a suspender a peleja e a curvar-se perante o monarca tirano, assinando, com ele, um tratado de paz, desistindo, assim, das pretensões de se tornar rei independente, prestando vassalagem ao inimigo.

De repente soaram três ribombares de canhões, seguidos de outros três. Pedro revolveu-se na cama e acordou estrebuchado. Era a mãe que o chamava para ir levar as vacas ao Outeiro Grande. Só depois havia de seguir para a escola. Talvez a senhora professora o chamasse para prestar contas do que, na lição de História, explicara na véspera – A Batalha de Ourique.

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