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A FAJÃ GRANDE HOJE

Quinta-feira, 22.10.15

Visitar a ilha das Flores, hoje, é entrar num paraíso de encanto, num remanso de sonho, num recanto de serenidade, num enigma de silêncio, um éden de tranquilidade. O lugar ideal para centro da estadia e de assentar arraiais é o lugar da Cuada, outrora um pequeno povoamento pertencente à Fajã Grande, hoje recuperado e transformado num aldeamento turístico. As cerca de trinta pessoas que que viviam na Cuada, na década de cinquenta, abandonaram-na por completo na década seguinte. Alguns dos seus habitantes, sobretudo os mais idosos, deslocaram-se para a Fajã, onde passaram a residir, enquanto a maioria emigrou para a América à procura de uma vida melhor. Totalmente abandonada, os campos encheram-se de fetos e cana roca, as paredes caíram, as casas arruinaram-se, os caminhos encheram-se de ervaçais e silvadas. As madeiras das portas e das janelas apodreceram. As telhas começaram a cair e os telhados a ruir. A Cuada transformou-se numa espécie de local fantasma, deserto e sem vida.

Com a efetivação de um projeto de aldeamento turístico, tudo mudou. E a Cuada hoje, totalmente recuperada, é procurada por quantos pretendem gozar uns dias de repouso e de contacto com a natureza pura, na luta por uma qualidade de vida. Ali se alojam à procura do que os seus habitantes abandonaram, isto é, de isolamento, tranquilidade, simplicidade e das raízes que nos ligam a todos à terra e à natureza. A Cuada, na verdade transformou-se num idílico lugar de descanso e repouso, onde não circula qualquer veículo motorizado, onde se caminha por passeios de calhaus irregulares, onde as paredes das casas mantêm-se de pedra, fieis ao traço da arquitetura rural da ilha, onde há vacas nos campos, coelhos nos pátios, onde se acorda como suave canto dos pássaros e se adormece ao som mavioso do canto das cagarras e do sibilar do vento e murmurar do oceano.

As casas de acolhimento, eximiamente decoradas no seu interior, estão dispersas pelas ruelas, separadas por prados e muros de pedra, tendo quase todas jardins próprios, povoados por coelhos bravios e pássaros.

Mas ao visitar as Flores, hoje, não se pode nem se deve apenas ficar na Cuada. Há muito mais a ver, a apreciar e a saborear. Por todo o lado se encontra tranquilidade, silêncio, contacto com a natureza pura e original, paisagens deslumbrantes, vistas maravilhosas e percursos bem marcados para caminhar. Há várias cascatas e lagoas para descobrir, uma grande abundância de floresta Laurissilva, arbustos retorcidos e zonas de musgo espesso, as célebres burrecas. Ali perto, por uma estreita vereda um passeio a pé até à Eira da Cuada, debruçada sobre o mar, lugar mítico onde outrora os habitantes da Fajã Grande permaneciam durante a missa celebrada na igreja da Fajãzinha, nos dias em que o forte caudal da Ribeira Grande os impedia de atravessá-la. Era aí também que se esperavam os romeiros em dia de vapor. Caminhando-se em sentido oposto, na direção da Rocha facilmente se demanda Poço da Alagoinha, caminhando por um trilho de pedras irregulares, entre árvores altas, ao som dos passarinhos e do murmúrio de água a correr. Na Rocha dezenas de pequenas cascatas, pequenos afluentes e subafluentes da Ribeira o Ferreiro e, mais além, da Ribeira Grande que desabam em catadupa pela Rocha vindo desaguar e encher o maravilhoso e enigmático lago que espelha toda a beleza envolvente e todo o verde que a rodeia. Se se caminhar na direção da Fajã Grande, pelo antigo caminho por onde outrora transitavam os habitantes da Cuada quando vinham à missa, à escola, às festas, às compras, poderão contemplar-se as belezas da mais ocidental freguesia açoriana. Percorrer o litoral, visitar as baías e enseadas, refrescar-se nas águas do Cais, do Porto Velho ou na piscina natural em que se transformou o antigo caneiro das Furnas, saborear os manjares dos seus restaurantes, visitar a Ponta e ermida da Senhora do Carmo, aproximar-se do Poço do Bacalhau observando os antigos moinhos plantados nas margens da Ribeira das Casas, subir o Outeiro, o Pico da Vigia da Baleia ou até a Rocha e saborear e a fresca e doce água da Fonte Vermelha, uma das melhores e mais fresca da ilha. Para quem dispuser de automóvel poderá apreciar as localidades e belezas da ilha, com destaque para a Rocha dos Bordões e as lagoas. Na ilha das Flores existem sete crateras vulcânicas que se transformaram em lagoas, todas bem sinalizadas ao longo da estrada: a Funda, a Comprida, a Seca, a da Água Branca, a Funda das Lajes, a Rasa e a da Lomba. Também merecem uma visita o Farol da Ponta do Albernaz com o Ilhéu de Maria Vaz e a magnífica baía dos Fanais a sul e o Corvo a norte, assim como a Gruta dos Enxaréis: uma grande cavidade à beira-mar, outrora esconderijo de piratas, mas cuja visita só poderá ser feita de barco ou numa escapadela ao Corvo.

Existem também excelentes trilhos devidamente assinalados e de onde se disfrutam belíssimas paisagens, com destaque para dois. O trilho da Fajã de Lopo Vaz. Trata-se de um interessante percurso sempre a descer até à fajã, situada bem no fundo de uma vertente verde escarpada bela envolventes e o trilho que parte da Ponta da Fajã em direção a Ponta Delgada, ao longo de uma falésia junto ao mar, com vistas soberbas sobre a Fajã Grande e o Ilhéu de Monchique, o último pontinho de terra da Europa.

Acrescente-se que a própria Fajã Grande e a ilha das Flores dispõem hoje de excelentes restaurantes, com destaque para o Pôr do Sol, o Pescador em Ponta Delgada, onde a especialidade é peixe fresco, pescado no próprio dia e na Fajã Grande o Maresia e o Zona Balnear. No Maresia, que tem uma esplanada rente ao mar e uma decoração alternativa com sofás usados, dizem que se come muito bem.

Por tudo isto e pelo que têm hoje muito diferente de outrora, vale a pena visitar a ilha das Flores e sediar-se na Fajã Grande, nomeadamente no aldeamento turístico da Cuada.

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