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A FESTA DO ESPÍRITO SANTO NO DOMINGO DA TRINDADE NA SILVEIRA E A LENDA DO PÃO ESCARPIADO DA ALMAGREIRA

Segunda-feira, 06.06.16

A festa em louvor do Divino Espírito Santo, na Silveira, no Domingo da Trindade, senão a mais importante é, incontestavelmente, uma das mais emblemáticas das inúmeras celebrações em honra do Paráclito que se realizam por toda a ilha do Pico, desde o sábado que antecede a festa de Pentecostes até o domingo da Trindade. Esta festa, assim como todas as outras que se celebram ao redor da ilha Montanha, por estas alturas, têm concretizado, através dos séculos e ininterruptamente, os votos ao Paráclito, realizados pelas populações ancestrais a quando de erupções vulcânicas que proliferaram, outrora, por toda a ilha. Estas celebrações, únicas, seculares e diversificadas, expressam-se, sobretudo, na partilha da carne, do pão e do vinho. Na Silveira, na festa da Trindade, porém, esta partilha não se estende apenas aos moradores da localidade e aos convidados mas alarga-se, também, a todos quantos visitam a localidade nesse dia. A mesa recheada de carne, de sopas, de vinho, de massa sovada e de arroz doce está posta para todos, durante toda a tarde. Talvez por isso a festa da Trindade, na Silveira, sobretudo devido à sua imponente singeleza e à sua genuína transcendentalidade, tornou-se, desde os tempos mais remotos, numa celebração que atraía inúmeros romeiros oriundo de muitas outras localidades, sobretudo do sul da ilha.  

Este ano a festa realizou-se no passado dia 22 de Maio, sendo, no entanto, fustigada por abundantes aguaceiros. Mas o povo e o mordomo não se coibiram, ativando uma espécie de plano B. O convívio e o arraial aquartelaram-se no enorme salão do Centro Social onde as mesas permaneceram recheadas, durante toda a tarde, à espera de quantos ali aportavam. Em alegre convívio e sã camaradagem, acompanhado dos acordes da Filarmónica Liberdade Lajense, sob a hábil e intrépida batuta da maestrina Catarina Paixão, o povo da Silveira recebia os visitantes com alegria e simplicidade convidando-os a sentarem-se à mesa, a partilharem os seus abundantes e saborosos manjares. Entre as vitualhas apresentadas, destacavam-se saborosas fatias do célebre pão escarpeado talvez porque o aspeto rugoso da sua côdea superior faça lembrar as escarpas da Montanha ou escarpiado quiçá por influência de um pão semelhante, existente noutras regiões do país. Trata-se de um pão feito com farinha de milho, ovos, açúcar e chá de canela e que demora cerca de 24 horas a levedar. Típico desta localidade, a sua origem, segundo me contou o senhor Manuel Fernandes, prende-se a uma interessante lenda ou estória. Durante a 1ª Guerra Mundial rareava a farinha de trigo, na ilha do Pico. Uma velhinha da Almagreira não a tinha e, no entanto, fizera a promessa de oferecer um açafate de pão em louvor do Senhor Espírito Santo, no dia da festa da Trindade. Aflita e muito triste porque totalmente impedida de cumprir a sua promessa mas com uma vontade gigantesca de a realizar, a boa velhinha recorreu à farinha de milho, a única que possuía. Amassou o pão juntando-lhe os ingredientes habituais e esperou que levedasse. Assim aconteceu e, no dia seguinte, pode cozê-lo e oferecer o seu açafate em honra do Divino, deixando para as gerações vindouros o testemunho da sua enorme fé, personificada no pão que hoje é uma espécie de ex-libris da festa da Trindade na Silveira do Pico.

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