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A FONTECIMA

Quinta-feira, 14.01.16

O lugar da Fontecima, apesar de pequeno era um dos sítios mais férteis e produtivos da Fajã Grande, possuindo, na década de cinquenta, excelentes e fecundos terrenos agrícolas. Dos melhores da freguesia se excetuarmos os situados à beira mar, nomeadamente Furnas e Porto. Aliás na Fontecima as propriedades que não deviam ultrapassar a meia dúzia eram, na totalidade, terrenos agrícolas, embora algumas fossem extensos cerrados e outras currais ou pequenas belgas, mas todas muito produtivas. Para além do milho que se cultivava ali em grande escala, a Fontecima ainda produzia bata doce de boa qualidade, favas e, por entre o milho era semeado trevo ou erva da casta que nos meses de abril e maio serviam de sustento às vacas de leite e ao gado alfeiro que ali era amarrado à estaca.

A Fontecima fazia fronteira a norte com o Alagoeiro, a este com a Ribeira, a sul com o Batel e a oeste com a Bandeja, pelo que se situava muito perto do povoado, nomeadamente, das últimas casas da Fontinha, tornando assim o seu acesso mais rápido e facilitado.

No entanto, o que mais caracterizava este lugar era o de ele ser atravessado de norte a sul, por um estreito caminho, designado por Canada da Fontecima, uma espécie de Via Rápida a ligar o Alagoeiro ao Batel, evitando um percurso bem mais demorado pela Ribeira. Mas tratava-se de uma canada típica, porquanto, de todas as canadas da Fajã Grande, e não eram poucas, esta era a única que tinha o piso igual ao dos caminhos, isto é, do tipo calçada romana. O trajeto era curto, apertado, de bom piso, permitindo um de fácil e agradável caminhar. Uma boa alternativa ao outro caminho que também ligava o Alagoeiro ao Batel e permitia o acesso a todos os outros lugares do Sul e Leste da Fajã, incluindo a Rocha. Mas este caminho no seu normal trajeto dava uma grande volta pela Ribeira, passando junto ao Arame, o que significava um percurso bastante mais longo do que o que atravessava a Fontecima, obrigando, consequentemente, os transeuntes a uma demora excessiva. Na verdade para quem queria seguir para o Batel e para as outras localidades do sul da freguesia, até aos Lavadouros, se fosse pela Canada da Fontecima realizava um percurso bem mais curto e mais rápido. Era pois, objetivo prioritário desta canada, não apenas dar acesso às propriedades que a ladeavam e a outras circundantes, mas também e sobretudo ligar de uma forma mais rápida e eficaz, sobretudo para quem carregava molhos ou cestos às costas, o Batel com o Alagoeiro e vice-versa. Encurtavam-se distâncias, reduzia-se o trajeto, poupavam-se energias e aliviavam-se as costas de quem vinha carregado com molhos ou cestos. Por tudo isto a Fontecima era lugar de grande movimentação de pessoas, muitas vezes carregadas com molhos, cestos e sacos à espera do descansadouro do Alagoeiro.

Mas a Canada da Fontecima, apesar de tudo, não permitia a circulação de gado, nem muito menos de carros ou corsões. É que de tão estreita e apertada que era, não tinha a largura necessária para que circulassem duas rezes, ao lado uma da outra. Como, por vezes, havia gado a caminhar para baixo e outro para cima, o que ali não poderia acontecer, estava praticamente vedada a circulação de bovinos.

O trajeto da Canada da Fontecima era simples mas de boa qualidade e, sobretudo, muito mais curto. Partindo-se do Alagoeiro, junto a um poço que ali havia para o gado beber água, voltava-se à direita, evitando o caminho da Ribeira. Subia-se uma pequena ladeira, esta sim bastante larga, paralela à casa do Luís Fraga, ao cimo da qual ficava a Casa da Água, precisamente no sítio onde se situava uma nascente ou fonte que dava nome ao local e cuja água abastecia toda a rede da Fajã. A partir da Casa da Água, então, entrava-se na canada propriamente dita, iniciando-se o seu trajeto com uma pequena curva ao lado daquela casa. Embora encastoada nos contrafortes do Batel e no sopé da Rocha, do alto da Fontecima descortinava-se ao longe uma parte do casario da Fajã, do mar e a Ponta. Esta vista, no entanto, era obstruída em certos lugares porque as paredes que ladeavam os terrenos eram muito altas e grossas, impedindo quem por ali passasse ou permanecesse de avistar o que quer que fosse, a não ser uma pequena nesga do céu.

A origem deste topónimo parece ser de fácil explicação. Na verdade ali se situava uma nascente ou fonte, a última ao cimo da Fontinha e cuja água, a partir da década de quarenta foi aproveitada para abastecer a freguesia. De Fonte do Cimo ou Fonte de Cima a Fontecima foi fácil e, aparentemente, um pequeno salto.

A Fontecima, como outros imponentes lugares da Fajã Grande a marcar um espaço e um tempo e a escrever a história da Fajã Grande, sobretudo, mediante o esforço, a bravura e o empenhamento dos nossos antepassados.

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