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A LENDA DO CALDEIRÃO DA RIBEIRA DAS CASAS

Sexta-feira, 10.02.17

Conta-se que antigamente havia uma rapariga, chamada Maria, cujos pais, para além de doentes e acamados, eram muito pobres. Como só tinham aquela filha era ela que fazia todos trabalhos, não apenas os de casa como também os de cultivar uma pequena courela que possuíam e também era ela que tratava e cuidava do pouco gado que possuíam: uma vaquinha e três cabras. Mas como o pai não possuía relvas junto ao povoado, onde os animais pudessem pastar, Maria foi levá-los ao Mato, a fim de que se alimentassem nas terras do baldio, isto é, naquelas que eram de todos e onde cada habitante do povoado podia soltar o seu gado. Isto porém obrigava a que Maria tivesse que se deslocar, sozinha, todos os dias ao Mato, fazendo uma longa e árdua viagem, a fim de ordenhar a vaca e as cabras, pois o leite era um dos poucos alimentos que ela e os pobres pais dispunham e com que se alimentavam. Todos os dias, antes de partir, o pai avisava-a de que tivesse muito cuidado e, sobretudo nos dias de temporais e de grandes chuvadas, lembrava-lhe que não passasse para além da Ribeira das Casas, nem muito menos se aproximasse do Caldeirão. É que próximo do caminho que dava para o Queiroal havia o temível Caldeirão da Ribeira das Casas, um boqueirão enorme, saído das profundezas da terra, com uma bocarra como a do inferno, que pelos vistos não tinha fundo e que não se sabia onde ia parar. Quem caísse por lá abaixo e ficasse lá dentro, de lá nunca mais poderia sair. O povo acreditava que aquele misterioso e profundo buraco escavado na terra comunicava com o próprio inferno e que lá no fundo vivia o demónio, acompanhado de muitos outros seres terríveis.

Maria ouvia com muita atenção o pai e seguia os seus concelhos. Mas num dia de forte chuvada uma das cabras aproximou-se demasiado do temível Caldeirão e Maria, na tentativa de a agarrar, aproximou-se em demasia da boca do enorme buraco e, ao colocar o pé sobre uma laje cheia de limos verdes, escorregou e caiu por ali abaixo. Como tinha uma saia larga que, com o ar, formou uma espécie de balão, Maria não morreu. Foi caindo devagarinho, como se fosse uma pena levada pelo vento, como se descesse em para-quedas.

Chegou a noite e como a filha não regressasse os pais assustaram-se, temendo o pior. Alertaram os vizinhos e estes, na manhã seguinte, ainda lusco-fusco, partiram para o mato, procurando a rapariga por toda a parte. Mas nada. Apenas encontraram umas galochas à beira da boca do Caldeirão. Chamaram aflitivamente por ela, adivinhando um acontecimento terrível, e numa voz abafada ouviram a resposta da Maria, vinda de uma grande profundidade, como se fosse um eco. Quando foi conhecida a triste notícia o povo da freguesia acorreu em massa ao local, mas de lá nunca conseguiram tirar a rapariga, que assim ficou lá encantada.

Dizem que ainda hoje, quem tiver coragem de se aproximar da boca do Caldeirão da Ribeira das Casas e chamar: Maria! Maria!, ouve-se uma voz a responder, como em eco.

É o eco do Caldeirão da Ribeira das Casas.

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