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A LENDA DO ROLO

Sexta-feira, 07.04.17

Consta que antigamente, o extenso Rolo da Ribeira das Casas que se inicia no ilhéu do Constantino, junto ao Pesqueiro de Terra e termina no ilhéu do Cão, na Ponta, era totalmente coberto de areia. Uma extensa e belíssima praia que, se existisse hoje, seria um dos maiores gáudios não apenas de todos os habitantes da ilha das Flores mas também de quantos visitam esta ilha para férias.

Conta-se que nesses recuados, em que as memórias escritas eram raras ou inexistentes, um certo dia, um pescador que vinha da Ponta e passava por ali a fim de ir para apanha de lapas e caranguejos no Canto do Areal, ouviu um choro muito triste e estranho, vindo da areia. Curioso que era, mas muito anamudo parou e escutou melhor, convencendo-se de que o choro era verdadeiro e não fruto da sua imaginação. Decidiu, então, tomar o rumo do mar a fim de se inteirar do que seria aquilo. Seguindo o som que, à medida que o homem se aproximava se revelava mais nítido, como se fossem profundos soluços de um ser humano. Andou um pouco mais logo até que encontrou um ser estranho. O rosto, os braços e a parte superior do corpo eram de uma linda mulher, mas a parte inferior do corpo tinha uma estranha forma, pois assemelhava-se à parte posterior do corpo de peixe, coberto de escamas, com barbatanas e rabo semelhante aos dos peixes. Só poderia ser uma sereia que ali estava deitada a chorar, lamentando a sua triste sina. A tristeza daquele ser era tão sentida e tão grande que o homem não sabia se estava mais admirado por ter encontrado um ser tão estranho, se estava mais magoado com o sofrimento da sereia. Um pouco indeciso abeirou-se dela e perguntou-lhe:

 — O que se passa para estares aqui deitada e assim tão triste?

A sereia, então, explicou que tinha vindo até à praia mas que, no entanto, a maré tinha vazado sem se aperceber. Perante a estupefação do homem, chorando cada vez mais e com maior tristeza estampada no rosto, a sereia continuou o seu lamento:

- Agora com a maré baixa não consigo voltar ao mar. Vou morrer se não me levarem para o mar…

O pescador, embora um pouco hesitante, pegou-lhe ao colo dizendo:

- Levo-te, levo-te para o mar mas quero que me leves contigo…

O choro da sereia acalmou-se. Com um suave gesto de cabeça concordou e, pouco depois o pescador afundava-se com ela no meio das profundezas do oceano.

No dia seguinte, a família do pescador ao estranhar a demora do seu regresso, alarmada, avisou os vizinhos. Procuraram toda a orla costeira desde a Ponta até à Fajãzinha… Até uma embarcação partiu para a baía dos Fanais. Mas do homem nada…

Muitas pessoas porém, dias mais tarde, ao passar pelo Rolo, no local onde o homem encontrara a sereia, ouviam vozes estranhas e, como em eco, parecia-lhes a voz de um homem a pedir, em extrema agonia.

- Levem-me para terra! Levem-me para terra.

Mas verdade é que o corpo do pobre pescador nunca foi encontrado e dele nunca se soube mais nada.

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