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A PONTA

Quinta-feira, 08.10.15

O lugar da Ponta da Fajã Grande, mais conhecido simplesmente por Ponta, com a sua igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo, é um local de grande beleza e equilíbrio paisagístico. No entanto, devido à sua proximidade da rocha e as consequentes derrocadas que, de vez em quando, por ali têm desabado, gerou-se, nos últimos tempos, alguma perplexidade e incerteza relativamente à permanência ali dos seus habitantes, em consequência das restrições legais de habitação impostas, pelos responsáveis da Região, na sequência dos desabamentos de 1987. Assim, a Ponta conta, atualmente, apenas com cerca de 20 habitantes residentes. No entanto, encafuada no verde dos socalcos e andurriais da rocha, com as suas cascatas a escorrer pelas escarpas abaixo, a Ponta da Fajã Grande não deixa de continuar a ser um lugar belo e idílico que teima em manter-se com o carácter próprio e autónomo que criou desde que, nos primórdios do povoamento da ilha, serviu de fronteira entre as freguesias de Nossa Senhora do Remédios das Fajãs e de São Pedro da Ponta Delgada.

A Ponta manifesta-se assim, hoje, como uma localidade como que imaginária e de sonho, emaranhada num mito de silêncio e de isolamento, consubstanciada num idílico com tradições profundamente rurais, onde ainda se ouve o cantar dos pássaros, o murmurar das águas e o marulhar do mar, por vezes intempestivo.

Em tempos idos, porém, a Ponta foi um povoado com mais população do que os atuais lugares que constituem a freguesia a que pertence. A sua igreja, sede do curato, foi construída em 1898. A sua construção deveu-se, em grande parte, ao empenho e ação o padre Henrique Augusto Ribeiro, natural dos Cedros, ilha do Faial, na altura vigário e ouvidor de Santa Cruz das Flores e a quem se deve também a construção de outras igrejas das Flores. Até 1922 o curato, munido de um passal, esteve a cargo de um cura próprio, que ali vivia, tendo sido o seu primeiro cura o padre José Leal da Silva Furtado. Seguiram-se os padres Alfredo Augusto Menezes e Santos, José Furtado Mota e Francisco José Gomes.

O lugar da Ponta, no que ao seu povoamento dizia respeito, era e continua a ser constituído, fundamentalmente, por uma enorme rua, quase paralela à Rocha e que se iniciava logo a seguir à Ribeira do Cão, terminando no extremo oposto já no sopé da Rocha, onde existia uma pequena capelinha de madeira, dedicada à Senhora de Fátima, mandada construir por João Lizandro. Só na década de sessenta esta capelinha foi substituída pela atual ermida, construída muito próximo do local da primeira, também ela dedicada à Senhora de Fátima. Foi benzida em Setembro de 1969 pelo então ouvidor de Santa Cruz, padre Francisco Vitorino Vasconcelos. Um ano antes, fora lançada a primeira pedra pelo então pároco da freguesia, Padre José Gonçalves Soares e nela introduzida a ata do registo desse acontecimento e uma moeda do ano em curso. Da rua principal, no entanto partiam algumas pequenas vielas, sobretudo do lado do oceano. Para além da igreja da Senhora do Carmo e da ermida da Senhora de Fátima, a Ponta ainda possuía uma interessante Casa do Espírito Santo, construída em 1862, sob a forma de capela, de arquitetura muito interessante, situada no largo do Outeiro, ao lado da igreja, bem como alguns outros edifícios particulares. Na década de cinquenta a Ponta ainda possuía um posto de desnatação de leite e dois estabelecimentos comerciais.

Hoje sabe-se que o lugar da Ponta foi povoado desde o século dezasseis. Visto de longe este lugar apresenta-se deslumbrante e belo a igreja branca de Nossa Senhora do Carmo a impor-se entre verde dos andurriais e dos cerrados de milho. A Ponta da Fajã é um lugar de sonho cingido por montanha e mar. Do lado norte existe uma subida para Ponta Delgada, um antigo trilho de trabalho, por onde passavam animais e homens que diariamente iam à ordenha ao mato. Era por ali também que subiam os pescadores com destino aos Fanais. Hoje é trilho muito apreciado, devido às deslumbrantes vistas que dali se desfruta, por caminhantes sendo um trilho de referência nos Açores e mais concretamente na Ilha das Flores. O trilho pedestre tem o seu início em Ponta Delgada, passa pela Ponta da Fajã e termina na Fajã Grande. Ao longo dele destacam-se troços de piso de pedra antiga e pastagens delimitadas por muros de pedra. Quem o percorre pode observar, ao longe a ilha do Corvo, o Ilhéu Maria Vaz e o Ilhéu do Monchique. Durante o percurso, podem encontrar-se exemplares de flora endémica dos quais se destacam o cedro-do-mato, a urze, o azevinho, o bracel, o sanguinho, o pau-branco e a faia-da-terra. Podem ainda observar diversas espécies de aves, tais como o tentilhão, o canário e o melro-preto assim como algumas espécies migratórias que nidificam na ilha como é o caso do cagarro e dos garajaus.

Mas de repente e sem que nada o fizesse prever este belo e magnífico lugar se tornou-se numa “Zona de alto risco“ numa espécie de “localidade fantasma”. Foram as fortes chuvadas que duraram dias que se desencadearam sobre este local que fizeram com que na zona da rocha, atrás da igreja, se desse uma derrocada de grande parte da encosta que caiu por duas fases, sobre parte do povoado. Por milagre não houve feridos entre a população no entanto a derrocada destruiu muitos campos de cultivo e algumas casas. Os vestígios desta desgraça ainda hoje são visíveis pois a vegetação só muito lentamente recupera o seu terreno. Já na década de sessenta uma enorme derrocada havia assolado este martirizado lugar.

Ponta um mito perdido no tempo, uma vez que hoje residem ali apenas seis famílias a poucos metros daquele que é o ponto mais ocidental da Europa, embora, durante o dia alguns dos antigos residentes, hoje a morar na Fajã, ali se deslocam para trabalhar os campos e tratar do gado.

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