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A POPULAÇÃO DO CONCELHO DAS LAJES

Sexta-feira, 03.06.16

O Concelho das Lajes das Flores é, talvez, o concelho açoriano em que, nos últimos tempos, a diminuição da população em sido maior, devido ao seu acentuado envelhecimento e, sobretudo à emigração. A Fajã Grande, a freguesia mais distante da sede de concelho, não fugiu à regra, sendo uma das maiores vítimas desta diminuição. Outrora com quase mil habitantes, hoje não ultrapassa os 200.

O concelho das Lajes, tem uma densidade populacional na ordem dos 21,58 habitantes por km2, o que significa sensivelmente um quinto da média dos Açores. Além disso o concelho perdeu, desde as décadas de cinquenta e sessenta do século passado, o estatuto, que desde sempre detivera na ilha das Flores, de concelho mais populoso, tendo sido, inexorável e definitivamente, ultrapassado pelo de Santa Cruz. Em 1864, por altura do primeiro censo realizado na ilha, o concelho possuía 5865 habitantes. No primeiro censo realizado no início do século XX tinha 4498 habitantes e no primeiro realizado neste século possuía apenas 1.502 habitantes, assim distribuídos:540 nas Lajes, 278 na Fazenda, 225 na Fajã Grande, 197 na Lomba, 107 no Lajedo, 105 na Fajãzinha e 50 no Mosteiro. Em 2011 estes valores estabilizaram. De uma análise mais pormenorizada destes números, pode concluir-se que no último meio século, contínua – curva descendente da sua população, e podem ser vistos igualmente como o prenúncio do desaparecimento próximo de algumas pequenas comunidades, a exemplo do que já sucedeu, no último quartel do século XX, com os lugares da Cuada, que nos seus tempos áureos chegou a ter mais de uma centena e meia de almas, e da Caldeira do Mosteiro.

Com uma superfície de 69,59 km2, o concelho de Lajes das Flores terá conhecido a sua população máxima nos já distantes meados do século XIX com uma população de quase seis mil habitantes. Daí para cá, porém, a sua população tem sofrido uma diminuição galopante e gradual, sendo que a década de 1950 fica, para já, a marcar o início de uma viragem sem retorno previsível – 5.865 habitantes em 1864, 5.369 em 1878, 4.999 em 1890, 4.498 em 1900, 3.991 em 1911, 3.518 em 1920, 3.508 em 1930, 3.780 em 1940, 4.041 em 1950, 3.376 em 1960, 2.486 em 1970, 1.896 em 1981, 1.701 em 1991 e 1.502 em 2001.

Os estudiosos e analistas entendem que a principal causa deste acentuado decréscimo populacional terá sido incontestavelmente a emigração para os Estados Unidos. A debandada migratória ter-se-á iniciado na altura em que os primeiros florentinos se lançaram na tentativa de alcançar o El Dourado, partindo a bordo das baleeiras americanas que na ilha habitualmente faziam escala para adquirir produtos frescos, se abastecer de água nas ribeiras e substituir ou reforçar de tripulantes. Mas o grande decréscimo populacional da ilha terá ocorrido no último quartel do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX, épocas em que a emigração florentina atingiu proporções nunca antes vistas. Segundo relatos da imprensa, em 1883 o vapor Açoriano chegou a Boston com duas centenas de florentinos e, na primavera seguinte, também o lugre Paladin e as barcas Sarah e Verónica desembarcam naquela cidade e em New Bedford uma centena acrescida de emigrados saídos das Flores. Em Maio de 1889, a logra Mary Frazier zarpou da ilha para Boston com nada menos de 200 passageiros, viagem que repetiria dois meses depois, tal como o patacho Rival, ambos cheios de emigrantes. E sob o título “Escravatura Branca”, um jornal local noticiava em Maio de 1891 que a barca Sarah saíra, naquele mês, para Boston abarrotada de passageiros clandestinos, ou escravatura branca, como lhe chama o próprio capitão” 15, pois só três dos embarcados possuíam passaporte. Até há poucos anos só emigravam alguns mancebos sujeitos ao recrutamento (...) mas hoje abandonam a ilha famílias inteiras sem distinção de idades nem de sexos”, escrevia o mesmo jornal, adiantando que a emigração “vai tomando proporções assustadoras”, tanto mais que a autoridade “não só deixa embarcar os naturais da ilha, mas ainda aqueles que, não podendo embarcar nas suas terras, vêm aqui para mais livremente seguir o seu destino”

Hoje sabe-se que na viragem do século XIX para o XX já eram mais de quinhentos, na ilha, os americanos regressados à terra-mãe, à condição de pequenos proprietários, graças às águias amealhadas nas longínquas Califórnias de Abundância, referidas por Pedro da Silveira, num dos seus poemas.

NB – Dados retirados da net.

 

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