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A PRIMEIRA CASA DO CIMO DA ASSOMASA, DO LADO DO OUTEIRO

Terça-feira, 04.10.16

Na década de cinquenta, na Fajã Grande, a primeira casa da Rua da Assomada, do braço esquerdo do ípsilon que, lá bem no cimo, junto ao Vale da Vaca, a rua formava, ramificando-se em duas vielas, no caminho que dava para as terras de cultivo, de mato, para as relvas, para o Covão e Outeiro Grande, para a Quada, para os Lavadouros e terminava no Curralinho, já muito próxima da Ladeira do Covão e como que abrigada pela encosta da Pedra d’Água pertencia à família do Senhor João Fagundes.

O senhor João Fagundes era um homem já de provecta idade, com o nome rigorosamente igual ao de meu progenitor, razão pela qual meu pai assinava o seu nome sempre seguido de Júnior. Assim não havia confusão, não tanto pelas cartas que estas traziam remetente, mas sobretudo pelos avisos amarelos, anunciadores das encomendas da América ou daqueles que eram para pagar dízimas e impostos e que não continham remetente. O senhor João Fagundes era um homem muito respeitado na freguesia, tendo exercido alguns cargos de responsabilidade e era irmão da mãe do José Nascimento e primo daminha tia Adelina das Courelas. Vivia com a esposa e os dois filhos mais novos, dado que os dois mais velhos já haviam casado. Dos mais novos, o João ingressou na Guarda-Fiscal, deslocando-se, mais tarde, para Santa Cruz, juntamente com a mulher, enquanto a filha casou e partiu para o Canadá.

Como já era de avançada idade, o senhor João Fagundes já era avô de três netos, ou seja dos filhos da sua filha e do seu filho mais velho e que já haviam casado. Como era velho já tinha poucos dentes, daí o aspeto do seu rosto chupado, mas trabalhava como se fosse novo e pouco era visto pela Praça a roçar o sim-senhor na bancada da empena da Loja do Senhor Roberto, quando o vento soprava de sul, ou nas soleiras da casa velha do Laureano Cardoso, nas tardes solarengas de verão. Era um homem de sua vida, pouco metido na dos outros. Tinha barba rija e cabelos brancos sem saber porquê. Talvez porque cuidasse apenas que já era velho. Geralmente ao caminhar apoiava-se a um bordão e vestia, habitualmente, froca de angrim. Por que era tão triste o seu rosto, tão pesado o seu olhar, tão ausente o seu sorriso, tão trêmula a sua voz? Talvez porque o trabalho fosse muito, as canseiras enormes e as preocupações demasiadas

Considerava os netos o seu encanto. Sabia que os anos corriam velozes e adorava o sorriso de todas as crianças. Quando lhe iam a casa levar a carne por altura do Senhor Espírito Santo, ou quando lhe iam cantar os Anos Bons e os Reis dava sempre uma moeda. A esposa, já doente e idosa, pouco saía de casa. Todo o seu tempo era para governar a sua casa, lavar roupa, cozinhar, tratar de galinhas e porcos.

Embora não sendo rico a sua casa era farta. Cozinha ampla, grande e clara, sala limpa e arrumada e alguns quartos de dormir. Embora encafuada lá nos andurruais do Outeiro, no enfiamento da Canada que dava para a Pedra de Água, esta primeira casa da Assomada era uma das mais inebriantes e bonitas de quantas existiam naquela rua. Isto no que às casas térreas diz respeito.

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