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A VELHA DE ABRIL

Domingo, 03.04.16

“Em Abril vai a velha a onde há-de ir e a sua casa vem dormir.”

 

Este é um adágio muito antigo, usado na Fajã Grande, onde havia uma espécie de fascinação mítica pela velha. No Carnaval em cada dança que se organizava nunca faltava a velha, muito maltrapida e muito endiabrada, sempre disposta a meter medo à criançada e a desafiar os adultos para a galhofa. A velha do Corvo, a que se recorria para explicar o nascimento das crianças, como que simbolizava um hino à inocência. Sendo ela a trazer os recém-nascidos numa cestinha e a deixá-los fora da porta, ocultava-se e encobria-se às crianças a cópula fecunda dos progenitores, anulando-lhes a própria vida sexual. O Arco-íris era designado por Arco-da-Velha e havia muitas furnas, cavernas e lugares onde a velha pontificava e, por vezes, até aparecia. Além disso contavam-se muitas histórias de velhas, misteriosas e enigmáticas e até havia uma brincadeira infantil chamada Velhas às Escondidas. A velha, na Fajã Grande, apresentava-se, geralmente sobre a forma de figura mítica e misteriosa, de bruxa ou de feiticeira, enigmática mas endiabrada, sobretudo para as crianças, e transparecia com silhueta alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos, manchas na pele e muitas outra maleitas. Eram as velhas, por vezes à mistura com o Papão Feio, que castigavam os meninos que teimavam em não dormir cedo, ou castiga-los quando faziam maldades, ou levá-los se eles se portassem mal.

Muitos destes mitos estendiam-se aos adultos, refletindo-se em ditos, frases, expressões ou adágios. Era o caso da Velha de Abril, que adquiria uma espécie de estatuto meteorológico para explicar as irregularidades do tempo, sobretudo entre o dia e a noite, durante o mês de abril, já destinado a inúmeras atividades agrícolas. Em abril, à incerteza do tempo durante o dia, umas vezes de sol e outras de chuva, opunham-se os ventos e os frios da noite. Havia que se aproveitar o bom tempo, havia que se ir onde era necessário ir, durante o dia por que durante a noite era difícil sair de casa, sendo, mesmo, impossível trabalhar. Por isso era invocada a imagem mítica da velha a qual, inequivocamente e sem falta, devia ir onde era necessário ir, durante o dia porque à noite seria incapaz de o fazer. Em abril vai a velha a onde há-de ir e a sua casa vem dormir. Ao povo era como que imposto, através da repetição deste adágio, uma espécie de ameaça ou aviso, personificado na Velha de Abril, cujo exemplo deveria ser seguido por todos.

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