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AS CORRENTES

Domingo, 17.01.16

Na Fajã Grande, em tempos idos, usavam-se correntes de ferro para prender o gado bovino quando este estava amarrado à cordada, nas terras de lavradio, onde, por entre o milho, haviam sido semeadas forrageiras, ou seja o trevo, a erva da casta e, num caso ou noutro, o alcacel. O gado permanecia ali dias e dias, alimentando-se não só das forrageiras mas também de outros alimentos que, dia a dia, eram acarretados para aquelas terras, nomeadamente erva ceifada nas lagoas e incensos cortados nas terras de mato. O objetivo desta permanência era fazer com que o gado trilhasse ou estrumasse muito bem o terreno, pelo que, várias vezes durante o dia, ia sendo mudado, em pequenas cordadas. Para o prender de forma segura e de maneira a que não se soltasse e desse cabo de tudo, usavam-se as correntes que presas a uma estaca de ferro seguravam o animal por uma das mãos, geralmente pela esquerda.

As correntes eram constituídas por grossas argolas de ferro enlaçadas umas nas outras e tinham duas partes distintas, unidas por um suevo, também ele de ferro. A primeira parte da corrente, a maior e mais forte, que ficava oposta à mão da rês era constituída por argolas mais grossas. Numa das extremidades possuía uma espécie de arsa, também de ferro, que se enfiava na estaca que a fixava à terra. Por sua vez, a outra extremidade prendia-se ao suevo que funcionava como destorcedor, impedindo que a corrente se enrolasse e encolhesse magoando o animal que prendia. O suevo era também constituído por duas peças de ferro, sendo uma em forma de triângulo, com o furo na base, no qual estava metida e rodava a segunda peça, um prego ou um pedaço de ferro em feitio de prego enfiado no buraco do triângulo. Era esta parte, oposta ao furo que, através de uma argola, se prendia na segunda parte da corrente, aquela que ficava próxima da mão do animal. Esta parte era bem mais curta e muito mais fina do que a oposta e que era presa de um dos lados o suevo. Era na outra extremidade, ou seja na ponta final que se prendia na mão do bovino, pelo que possuía um pequeno mas seguro gancho de forma a permitir que a ponta do corrente se enrolasse na mão do animal e se prendesse a uma das argolas. Tudo isto devia ser feito com muita segurança de maneira a impedir que a rês se soltasse o que constituía sempre um grande prejuízo, uma vez que solto, andava por cima das forrageiras, comendo aqui e além, sujando de bosta e urina o que impedia a alimentação posterior dos outros animais.

Por tudo isto as correntes deviam ser fortes, seguras, com bons suevos e potentes estacas, bem enterradas com um malho feito com um grosso toro retirado de um tronco de árvore, a que se aplicava um cabo de araçazeiro, de pau branco ou de buxo. No entanto como havia uns animais mais fortes e outros mais fracos existiam correntes mais grossas ou mais finas a que se prendiam estacas maiores ou mais pequenas. Muitas vezes e para maior segurança, sobretudo quando o terreno estava amolecido pela chuva e o animal era mais forte, colocavam-se grandes e pesadas pedras sobre a cabeça da estaca.

Na verdade as correntes com os seus apetrechos, outrora, eram objetos de grande utilidade, na Fajã Grande, sobretudo no que à pecuária dizia respeito, uma vez que todos os anos, durante os meses da primavera, era costume retirar as vacas dos palheiros e levá-las para os campos onde havia forrageiras. E que bom era beber uma tampinha de leite fresco, acabadinho de tirar da teta da vaca, quentinho, nas terras, na hora da ordenha, a cobrir-se de espuma branquinha e com um leve aroma de trevo ou erva-da-casta!

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