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AS COVAS

Sábado, 25.02.17

Situado lá para os lados da Ponta, o lugar das Covas era um dos mais diversificados da Fajã Grande, porquanto nele existiam os quase todos os tipos de propriedade em que o amplo terreno da Fajã Grande, no século passado, estava coberto ou subdividido. De facto nas Covas existiam terras de mato, terras da rocha, pastagens e uma ou outra terra de cultivo, estas paredes meias com a Ribeira das Casas e com o Vale do Linho. Só faltavam as relvas do mato mas, em contrapartida as Covas possuía as tradicionais lagoas. As lagoas eram relvas que ou tinham uma ou mais nascentes de água ou beneficiavam de regos através dos quais captavam a água das lagoas vizinhas ou de alguma ribeira ou grota que por ali passasse. Num e noutro caso a água espalhava-se por todo o terreno, tornando-o um autêntico pântano que proporcionava condições ideais para que a erva crescesse fresca e tenrinha, geralmente misturada com inhames e com agriões, uns e outros de muito boa qualidade. Devido às condições pantanosas do terreno e à sua especificidade esta erva não podia em nenhum caso ser pastada pelos bovinos, antes teria que ser ceifada com foice de mão e trazida para as manjedouras. Para além das Covas, na Fajã Grande, antigamente, existiam lagoas nas Ribeira das Casas, nas Águas, na Ribeira, na Figueira, na Silveirinha, nos Paus Brancos, no Curralinho e na Alagoinha. Mas de todas, as das Covas eram as mais emblemáticas e nelas, para além da erva fresquinha, floresciam agriões e inhames, uns e outros utilizados na alimentação dos humanos. Outra especificidade das Covas era o facto de grande parte da sua área ocupar uma parte da rocha, até ao cimo, prolongando-se quase até às relvas do mato. Tratava-se, no entanto, de uma área quase inculta pelo que grande parte da mesma era terreno de ninguém, uma vez que aí a rocha era muito íngreme e não possuía nenhuma vereda ou caminho de acesso.

A restante parte da área das Covas assemelhava-se a uma enorme ribanceira ali caída há centenas de anos e situava-se em terreno plano, integrando uma pequena parte da ampla fajã desde a Ribeira Grande até ao Risco. Junto à rocha ficavam as terras de mato, pobres e perigosas, onde floresciam apenas incensos e faias. O chão era pejado de fetos, cana roca e erva-santa. Não existiam árvores de fruto, pelo que dali se extraía apenas lenha e comida para o gado. Os fetos eram ceifados e postos a secar a fim de serem utilizados como cama para o gado nos palheiros. A cana roca, dadas as dificuldades em carreá-la era cortada e ficava por ali a apodrecer, sem utilidade nenhuma. Mais afastadas da rocha ficavam as relvas e as lagoas, umas e outras de muito boa qualidade, com destaque para os inhames que eram excelentes. Já próximo dos lugares com que fazia fronteira havia uma ou outra terra de cultivo onde se produzia, sobretudo, milho e couves.

As Covas configurava a Norte com o lugar do Vime e com a Rocha do mesmo nome, a oeste com o Vale do Linho e o Rego do Burro, a sul com a Ribeira das Casas, enquanto a leste era protegido pela rocha, até lá ao alto onde existiam as relvas da Caldeirinha e do Bracéu. O lugar era atravessado de sul a norte por um dos mais antigos e importantes caminhos da freguesia que ligava a Fajã à Ponta, sendo quase todo ele no espaço do território das Covas constituído por uma lendária ladeira que descia da Ponta para a Fajã conhecida por Ladeira das Covas. Várias lendas existiam sobre a mesma com destaque para a da Mulher com Pés de Cabra. Foi também naqueles descampados que durante muitos meses se ouviram gritos agonizantes que, até serem desvendados, assustaram muitas pessoas da Fajã e da Ponta que por ali passavam.

O topónimo muito comum nos Açores terá a ver naturalmente com o facto de por ali terem existido algumas covas ou de uma parte da morfologia do terreno formar uma espécie de cova gigante.

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