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ATLÉTICO CLUBE DA FAJÃ GRANDE

Domingo, 19.02.17

Foi nos anos trinta do século passado que se deu início à prática do Futebol, na Fajã Grande. O primeiro campo de jogos que se construiu na mais ocidental freguesia açoriana foi no lugar do Estaleiro. Este lugar era um pequeno enclave encastoado ente o Porto e o Calhau Miúdo, ali para os lados do Pesqueiro de Terra, onde existiam apenas terras de cultivo. O que mais caracterizava este lugar e que está na origem do topónimo era o facto de ter existido ali, nos séculos XVIII e XIX, uma fortaleza, conhecida como o Forte do Estaleiro e de cujas paredes, pelo menos nos anos cinquenta, ainda se poderiam observar alguns vestígios. Situava-se este forte, sobre os terrenos da beira-mar, adjacentes ao ancoradouro do Porto Novo. Seria uma fortaleza ou um minúsculo castelo que, assim como outros existentes para os lados do Vale de Linho e da Ponta e em conjunto com eles, beneficiava duma posição dominante e estratégica não apenas sobre a baía da Ribeira das Casas, como também ao longo de uma boa parte da costa oeste das Flores. Esta posição estratégica permitia a estes e aos outros fortes atingir o seu objetivo primordial: a defesa permanente e contínua não apenas do porto e ancoradouro da Fajã mas também de toda aquela zona marítima, desde a Rocha da Ponta até à dos Bredos, dos ataques dos piratas e corsários, que assolavam, atacavam e devastavam as povoações da ilha, com muita frequência. Foi precisamente neste histórico lugar, num serrado que ali existia e que posteriormente foi dividido por malhões dado que pertencia a três donos: ao Laureano Cardoso, ao António Barbeiro e ao Chileno.

A prática do futebol na Fajã Grande desenvolveu-se, sobretudo, graças ao empenho e esforço do médico, na altura residente na freguesia, o doutor Caetano Luís de Mendonça, que normalmente assumia a função de árbitro, do Luís Fraga que foi o primeiro treinador e do guarda Borges, este também integrando o primitivo elenco de jogadores.

Após alguns treinos, o primeiro jogo de futebol realizado na Fajã Grande foi contra uma equipa das Lajes, o “Nacional Sport Club” e teve lugar no dia 24 de Julho de 1939, data em que o campo do Estaleiro foi oficialmente inaugurado. Alguns anos antes havia sido fundado o primeiro clube de futebol da Fajã Grande, que o se chamava “Fajã Grande Sport Clube”, equipando com camisola azul e calção branco. No entanto e porque as dificuldades de deslocação na ilha, a fim de jogar com clubes de outras localidades, eram muitas, o clube fraturou-se, a fim de poder competir, originando dois clubes: o Sport, onde jogavam os melhores jogadores e o Salgueiros, uma espécie de equipa B, onde jogavam as reservas. Só nos anos cinquenta, depois do interregno que o futebol sofreu em todo o Mundo, devido à Segunda Guerra Mundial, os dois clubes fundiram-se originando o “Atlético Clube da Fajã Grande” que passou a utilizar o mesmo equipamento e cujo nome ainda hoje se mantém, conforme consta na lista de clubes da actual Associação de Desportos da Ilha das Flores.

Naquele jogo inaugural a equipa da Fajã perdeu por 2-1, alinhando com os seguintes jogadores: José Luís (de Abrão) (guarda-redes), Francisco Freitas, António Teodósio, Luís Pereira, José Pereira, Laurindo, João Gonçalves, Cristiano, Cardosinho, José Cardoso, Urbano e Nestor. O treinador era o Luís Fraga e os suplentes: José Gonçalves (conhecido por avançado Grilo), Francisco Inácio, António Cardoso, José Furtado, António Dawling, Arnaldo. João Lourenço, José Rodrigues, este contratado apenas por ser carpinteiro e para consertar as balizas que se desfaziam facilmente com os portentosos remates dos jogadores. As botas eram feitas pelos próprios com a ajuda do sapateiro Mestre Jorge que, com engento e arte invulgares, também fazia a bola.

Dizia, quem ainda o viu jogar, que o Nestor foi talvez o melhor jogador de sempre da Fajã Grande, tendo, no entanto, falecido bastante novo. A sua morte deveu-se ao próprio futebol. Anos mais tarde, durante um jogo já no campo das Furnas, a bola terá ido parar ao mar. Como só havia uma bola, o jogo parou e coube ao Nestor ir buscá-la, para o que teve que se atirar à água. Era inverno e esta estava muito fria e o Nestor muito suado. O contacto com a água gelada ter-lhe-á provocado uma constipação, seguida de uma pneumonia e depois uma tuberculose que lhe foi fatal.

No dia 8 de Setembro de 1940, festa da Senhora da Saúde, foi inaugurado o campo das Furnas. Alguns jogadores já haviam abandonado a modalidade, entrando outros, entre os quais: Teodósio, Albano, José Fagundes, David Fagundes, (Semilhas), Roberto do Cristóvão, José Santos (da Ponta) e o Abrão, um dos melhores guarda-redes de sempre da Fajã. Era voz corrente que em todos os jogos que realizou não sofreu um único golo. Nessa altura o Luís Fraga manteve-se como treinador.

Nos anos 50 o futebol renasceu o Atlético passou a ter como principais jogadores: Abílio (Guarda-redes), João do Gil, Lucindo e Elviro, Edmundo Pereira, Teodósio, Albino, Álvaro de João Carlos, David do Raulino, Roberto do Cristóvão, Ângelo João Augusto, Mário do Raulino, Luís Cardoso, Manuel Cardoso (Matateu), Álvaro do Raulino, José Borges, António Nascimento, José Augusto e António Greves, entre outros.

A mais retumbante vitória do Atlético deu-se numa tarde de maio da década de cinquenta. O club estava em grande forma e no auge da sua curta carreira futebolística. Domingo após domingo, muitas vezes até em dias de semana, à tardinha, um punhado de jogadores que constituíam o plantel não se coibia de treinar. O Atlético já realizara alguns jogos, no novo campo das Furnas e já se deslocara a Santa Cruz e às Lajes, mas com resultados pouco positivos. Mas nessa gloriosa tarde deslocava-se à Fajã a nova equipa lajense da Rádio Naval. Era uma equipa fortíssima constituída não só por jogadores naturais da ilha que, anteriormente, haviam jogado noutros clubes, mas também por marinheiros vindos do continente para trabalhar naquela estação. O Atlético não se atemorizou. O treinador, na altura, era José Fagundes que preparara bem a equipa fez alinhar: na baliza Abílio, na defesa os jovens Edmundo Pereira, Lucindo Fagundes e o experiente Álvaro de João Carlos. Como médios o treinador lançou Albino e o veterano Teodósio, jogando com os interiores Ângelo Câmara e Albano. Nos extremos colocou o David do Raulino à esquerda e o Ângelo de João Augusto, à direita, com o Manuel Cardoso a avançado centro. O campo encheu-se de gente, na generalidade apoiantes do Atlético, vindos da Fajã e da Ponta. O Atlético venceu a Rádio Naval por cinco a zero.

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