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BALEIA BALEIA

Quarta-feira, 18.05.16

Era por alturas dos fins de maio ou princípio de junho que chegava à Fajã uma leva de baleeiros. Alguns vinham do Pico, sobretudo os mestres dos botes, outros vinham das Lajes e um ou outro de Santa Cruz. Mas a maioria dos homens necessários para completar as companhas era recrutada na própria freguesia. Depois vinham das Lajes os dois botes devidamente apetrechados e o gasolina, a Santa Teresinha. Os botes eram varados no porto Velho e guardados ao relento, no cimo do varadouro, enquanto a Santa Teresinha permanecia ancorada no Boqueirão, do lado da Barra, de onde era retirada para terra apenas em dias de tempestade e de mar brabo.

O Vigia era o António Machado que durante muitos anos fora auxiliar do Mestre Manuel Manquinho, com residência fixa na Fajã, mas vindo também do Pico. Os oficiais e um ou outro marinheiro, fazendo-se acompanhar das mulheres e dos filhos, arrendavam uma casa e permaneciam na freguesia durante todo o verão até a safra terminar. Geralmente voltavam no ano seguinte. Os solteiros ou os que não traziam família hospedavam-se numa ou outra casa que para tal tinha disponibilidade. A estes juntavam-se os marinheiros da freguesia, entre eles os dois trancadores, o Urbano e o Francisco Inácio. Eram considerados dos melhores que havia na ilha das Flores. O sinal de partida era dado pelas vigias do Pico da Vigia, de binóculos em riste de manhã à noite. Logo um alvoroço percorria a freguesia de lés-a-lés. E lá iam os botes cheios de homens comandados por um oficial, umas vezes a remos, outras à vela ou rebocados pela Santa Teresinha. Alguns baleiros diziam que preferiam levar o bote à vela porque conseguiam fugir mais depressa quando a coisa dava para o torto. Outros, quando chegavam a terra, contavam façanhas extraordinárias. Um dia houve um bote que revirou e contava-se que os baleeiros haviam caído todos ao mar. Uma outra vez a baleia com o rabo atirou para cima do bote tanta água que esta deu um enorme salseiro que embateu na vela e o bote ficou de quilha para o ar. Para o endireitar foi o cabo dos trabalhos. Muitas vezes fora preciso cortar a corda do arpão, caso contrário teriam sido tudo arrastado o fundo do mar. Homens e bote.

Depois de rebentar o foguete lá iam eles. Saíam a Barra e sobre os rochedos negros que ladeavam o Porto Velho ficavam as crianças a sonhar que um dia seria o seu e as mulheres recomendando cuidados com a sacola da comida onde levavam peixe, torresmos, tortas, pão de milho, bolo e café ou vinho, murmurando orações e pedindo a Deus que nada de mal acontecesse aos seus homens.

A Fajã Grande possuía dois botes baleeiros e um gasolina, a Santa Teresinha. A época de caça à baleia, que alterava substancialmente a vida e os costumes da freguesia, começava em maio ou junho e prolongava-se até Setembro ou Outubro.

Há quem afirme que a ilha das Flores foi pioneira na caça à baleia nos Açores. Na verdade e de acordo com o investigador florentino Francisco Gomes, no seu livro Ilha das Flores: da Redescoberta à Atualidade, a primeira armação costeira dos Açores de que se tem notícia foi fundada na ilha das Flores, por volta de 1856/1857. Eram dois botes encomendados nos Estados Unidos por José Constantino da Silveira e Almeida, que capturaram em 1860 a primeira baleia em mar da ilha das Flores. O cetáceo rendeu, segundo aquele investigador, 80 barris de azeite, o equivalente a 2.500/3.000 alqueires de milho, vendidos com entusiasmo na ilha do Faial. Segundo o referido historiador só depois a arte foi-se alargando a outras ilhas, em especial ao Pico e Faial, cujo apogeu da baleação se deu no final dos anos trita do século XX e se manteve até 1986, quando a Comissão Baleeira Internacional proibiu a baleação comercial, baseada na Convenção Internacional para a Regulação da Atividade Baleeira.

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