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CASAS VELHAS

Terça-feira, 19.01.16

O lugar onde hoje se situa a freguesia da Fajã Grande, a quando da descoberta da ilha das Flores, a oeste da qual se situa, estaria naturalmente todo coberto por uma vegetação selvagem, densa e viçosa. Os primeiros povoadores tiveram um árduo e difícil trabalho de desbravar e arrotear, transformando o terreno em campos agrícolas, ao mesmo tempo que construíam atalhos, traçavam veredas e edificavam as suas próprias habitações.

Como seriam as casas da Fajã Grande no início do povoamento e nos séculos dezassete, dezoito e dezanove?

A resposta não parece ser muito difícil porquanto na década de cinquenta ainda existiam algumas dessas casas que haviam sido adaptadas a palheiros ou a casas de arrumação, designadas precisamente por casas velhas. A julgar pelos exemplares que foram deixados tratava-se de uma habitação, pobre, pequena, simples, com precárias condições de habitabilidade e, em muitos aspetos, semelhante a muitas que ainda existiam e eram habitadas na década de cinquenta e com algumas traços a lembrar a casa típica do Norte de Portugal Continental.

Essas casas, embora não sendo rigorosamente iguais, tinham muitos aspetos comuns, podendo pois falar-se, de alguma forma, num tipo de habitação específico ou se quisermos, uma casa tradicional. Trata-se, na sua maioria, de casas lineares, correspondentes a uma construção retangular, sobre o comprido e que geralmente tinham três divisões: cozinha, sala e um quarto. O quarto era destinado ao casal e aos filhos mais pequenos, a sala ou casa de fora que tinha uma ou mais camas para os filhos mais velhos e era aí também que se recebiam as visitas mais importantes e onde, dentro de caixas ou baús vindos da América, se guardavam as roupas domingueiras e, finalmente, a cozinha, a maior divisão da casa, que tanto servia para cozinhar como sala de estar, de local para as refeições, para fazer serão e até para guardar, encambulhar e descascar o milho no dia da apanha ou até para o guardar. De facto em muitas casas da Fajã, antigamente, penduravam-se os cambulhões do milho descascado em varas presas nos tirantes ou nas próprias traves das cozinhas, pois estas geralmente não eram a tabicadas. Para além de o guardar de ventos, intempéries e dos ratos tinha a vantagem, por um lado, de ele ir secando lentamente e por outro de manter a casa mais quente nos frios e gelados meses de inverno.

Normalmente estas casas eram térreas e só de um piso, embora algumas tivessem uma loja inferior semienterrada, por aproveitamento do desnível do terreno. A loja inferior, geralmente, servia de palheiro do gado, de arrumos de utensílios agrícolas, de guarda dos alimentos dos animais e também de retrete. A sala era o espaço mais iluminado, sendo a cozinha muito negra e escura, cheia de fumo, permanecendo geralmente num respeitável desarrumo. Geralmente possuía duas portas, uma na frente e outra na parte de trás, quase sempre sem vidros e uma ou duas janelas, sendo uma, por regra muito pequena. A sala por sua vez tinha uma porta do lado da frente, a porta principal fechada com tranca de madeira e que se abria em ocasiões mais solenes, enquanto o quarto, regra geral desfrutava apenas de uma janela. Grande parte da cozinha era ocupada pelo forno e pelo lar. Era debaixo deste que se arrumava a lenha, os cestos com sabugos e em cima do forno guardavam-se as pás e os varredouros e ainda enxadas, sachos e pás.

Cuida-se que antigamente as casas eram cobertas de palha de trigo e não tinham chaminés. O fumo evadia-se por entre a palha, com os riscos que tal operação corria. A cozinha e, nalguns casos até a sala, não tinham soalho de madeira, mas eram de terra barrenta, muito escuras e frias. Grande parte da cozinha era ocupada pela mesa das refeições, uma amassaria, pelo forno, onde se cozia o pão e pelo lar, onde se cozinhava e onde havia o tijolo do bolo. Debaixo do lar guardava-se a lenha picada, cestos de batatas e de inhames e, ao lado, o balde do porco onde se iam armazenando os restos da comida, que eram poucos, e as lavagens. Ali ficava tudo a fermentar, durante o dia. Estas casas eram construídas com pedra e não tinham nenhuma forma de revestimento, nem na parte interior nem na exterior e, consequentemente, não eram caiadas. As suas condições de habitabilidade e de higiene eram muito limitadas.

Como anexos, estas casas tinham, para além de um pátio atrás e outro à frente, um curral para o porco, outro para as galinhas, um logradouro para guardar o estrume dos animais, o cepo da lenha e o estaleiro onde se guardava o milho.

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