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CHEGAR AO PICO EM FEVEREIRO

Sábado, 20.02.16

Chegar ao Pico em fevereiro e ter, à espera, a montanha descoberta, deslumbrante idílica, aureolada na sua pureza original é um dom sublime, uma dádiva transcendente. Chegar ao Pico em fevereiro é envolver-se com o perfume que se solta da bruma escoada em catadupa pela montanha, atirar-se abruptamente sobre pedaços de lava, purificar-se com os respingos da maresia, emaranhar-se nos resquícios dos vulcões. Chegar ao Pico em fevereiro é amenizar-se com a frescura das brisas matinais, adornar-se com o verde amachucado dos vinhedos, aspergir-se com os salpicos das ondas desfeitas e cerceadas pelos rochedos negros dos baixios. Chegar ao Pico em fevereiro é ter a agradável sensação de abraçar a natureza pura e original, ter à sua espera o sussurrar das fontes secas, o suco adormecido das ribeiras silenciosas e vazias, o vicejar dos feijoais, o sombreado dos laranjais ainda imberbes.

Na verdade, o Pico, em fevereiro, acolhe-nos transcendentalmente, em eflúvios de sublimidade, pureza e libertação. Pese embora, de vez em quando, assolado por ventos e tempestades, fustigado por chuvas e intempéries ou assediado por nevoeiros neblinas, permanece detentor duma beleza e duma originalidade ímpares, duma graça e singeleza endémicas, e de uma excêntrica e indomável singularidade. A sua imponente e vulcânica Montanha, erguendo-se altiva e altaneira sobre lavas e fumarolas, ora se esconde bem lá no alto, por cima das nuvens, ora se cobre da caramelo ou se reveste da sua mais enigmática singularidade – de neve. O mar, que a rodeia, na sua altivez e transcendência, revolta-se indignado e altivo, rugindo contra os baixios magmáticos e a terra, entrelaçada entre maroiços e estreitas canadas, ostenta-se ávida de enxadas e aluviões. As vinhas desvanecem mas não morrem e aguardam, expectantes, a tesoura de poda. No Pico, em fevereiro a escuridão vai-se desvanecendo muito lentamente, à espera do sol. Mas o Pico em fevereiro, com sol ou com neve, com neblinas ou mar agitado, com isto ou com aquilo, ainda se mata o porco, ainda se amarram as vacas nos campos, ainda se podam as vinhas, ainda se apanham sargos e chicharros, ainda se coze bolo no tijolo, ainda se faz caldo de peixe, ainda se bebe bagaço com néveda, ainda se conservam os maroiços, ainda se arrastam os barcos nos varadouros, ainda se baila a chamarrita.

Depois vem São Caetano, a freguesia mais próxima da montanha, alojada e aninhada no regaço de uma grande baía, instalada entre o mar e a encosta, sulcada por ravinas ou quebradas, demarcada por diversas elevações ou cabeços, atravessada por várias ribeiras, pelo que possui uma beleza natural muito específica, uma singularidade inaudita que o poeta estampou desta forma:

Este é o sitio, onde se pode ler,

O livro inicial para sempre perdido.

Em São Caetano, o mar é o próprio ser

E o seu mistério, o único sentido”.

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