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CLARA DE JESUS

Quarta-feira, 28.10.15

Clara de Jesus nasceu na freguesia de Ponta Delgada, ilha das Fores, na última década do século XVIII e faleceu na Fajã Grande, a 2 de Dezembro de 1864, com setenta e três anos. Foram seus pais Francisco António Rodrigues e Francisca Valadão. Era oriunda de uma família abastada a que pertenciam alguns dos militares que, na altura, comandavam as guarnições e fortes da orla costeira, noroeste, norte e nordeste da ilha das Flores. Estes fortes abundavam, sobretudo, no norte da ilha, mais precisamente na zona da freguesia de Ponta Delgada onde a defesa da baía e dos portos estava cometida aos fortes do Porto, Portinho, Ponta do Ilhéu, Pau Pique, Fragona, Ribeira do Moinho e Carregadouro das Barrosas. Muito provavelmente foi esta ligação familiar a tios militares, que acabou por ligar a família da jovem Clara de Jesus à do tenente Bartolomeu Lourenço Fagundes, na altura a comandar o forte do Estaleiro da Fajã Grande, onde residia. Este relacionamento, muito provavelmente, originou que Clara casasse com um filho do tenente Bartolomeu Fagundes, de nome Manuel Joaquim Fagundes, sendo o casamento realizado na igreja de São Pedro de Ponta Delgada, em 8 de Janeiro de 1809, tendo ela cumprido, anteriormente a desobriga na quaresma. Um dos padrinhos ou testemunha do ato matrimonial foi o Tenente Manuel Valadão, a comandar um dos fortes de Poma Delgada, tendo o casamento sido oficiado pelo ilustre escritor florense, o padre José António Camões, na altura pároco da freguesia de Ponta Delgada. Foram os seus sogros Ana de Freitas e Bartolomeu Lourenço Fagundes, filho de António Silveira Azevedo, natural de Santa Luzia do Pico, casado com Catarina de Freitas, migrado para a Fajã Grande juntamente com os pais José Pereira Azevedo e Maria de São João.

Em 1816 Clara sofre o primeiro grande desgosto, com a morte do sogro, com pouco mais de sessenta anos. Mas um ano antes, em1815, assistiu à missa nova do seu cunhado, irmão do marido, o padre José Narciso da Silveira que durante alguns anos viveu na Fajã Grande sendo o capelão da ermida de São José e que foi pároco do Lajedo, entre 1921 e 1953.

Um dos factos mais interessantes da sua via foi, na verdade, o de ter presidido ao seu casamento o padre José António Camões uma das mais insignes figuras da cultura florense, autor de vários livros, entre os quais o polémico Testamento do D. Burro. Na altura pároco em Ponta Delgada, tendo sido também ouvidor de Santa Cruz.

Após o casamento juntamento com o marido, Clara decidiu fixar residência na Fajã Grande, na rua Assomado onde viveu até ao ano do seu falecimento, a 2 de Dezembro de 1864.

Teve vários filhos, alguns dos quais ainda estavam vivos a quando da sua morte. Um deles foi António Joaquim Fagundes, casado com Policena de Jesus, na igreja da Fajãzinha em 8 de Novembro de 1855 e que foram os pais da minha avó paterna, Maria de Jesus Fagundes. Portanto Clara de Jesus foi minha trisavó pelo lado de meu pai. Outro filho foi José Lourenço Fagundes casado com Mariana Joaquina e que também casaram na Fajãzinha, em 5 de outubro de 1838. Ele faleceu em 4 de Abril de 1883, deixando sete filhos. Um terceiro filho teve o mesmo nome do avô, Bartolomeu Lourenço Fagundes, tendo casado por duas vezes. A primeira com Maria Laureana da Silveira, em 7 de dezembro de 1854, sendo que deste casamento faleceu uma filha de 23 anos com o mesmo nome da mãe e a segunda vez com Policena Margarida do Coração de Jesus, em 31 de outubro de 1878. Do primeiro casamento nasceram três filhos, o último dos quais foi meu bisavô materno José Fagundes da Silveira, pelo que Clara de Jesus foi minha tetra avó materna, pelo lado da minha mãe. Do segundo casamento nasceram mais filhos, um dos quais também casou duas vezes. Das primeiras núpcias foi pai do Alfredo Batelameiro e do Lourenço, ainda residentes na Fajã nos anos cinquenta e das segundas teve como filhos a Deolinda e da Maria do Céu, as primas Fragueiras que portanto, eram bisnetas da Clara de Jesus. Este terceiro filho de Clara de Jesus faleceu em 3 de Dezembro de 1902 com 70 anos. O quarto filho de Clara de Jesus foi Manuel Joaquim Fagundes que casou em Ponta Delgada com Maria Laureana do Coração de Jesus, natural desta freguesia, em setembro de 1845 e enterrou um filho de um mês de vida em 26 de agosto de 1865. Maria Laureana faleceu em 19 de Julho de 1888, Deixou 4 filhos e ele casou segunda vez com Ana Laureana de Freitas, filha de Laureano José de Freitas Henriques e Ana Emília de Freitas. O último filho de clara de Freitas de que há registo foi Francisco Lourenço Fagundes que casou com Maria dos Santos em de Julho de 1863. Ela faleceu alguns anos mais tarde, com 60 anos e sem filhos. Ele passou a viver maritalmente com uma senhora que morava na Via d’Água, de nome Ana Clara da Silveira, falecendo em 15 de Agosto de 1889.

O que de mais interessante se me depara na vida desta grande mulher, Clara de Jesus, é o facto de ela ter sido, simultaneamente, minha trisavó pelo lado do meu pai e minha tetra avó, pelo lado da minha mãe, o que significa que os meus progenitores ainda eram primos.

 

NB – dados retirados dos livros de registo de batizados, casamentos e óbitos da paróquia de S. José da Fajã Grande.

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