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DO NATAL AO CARNAVAL (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Terça-feira, 26.01.16

Ainda há poucos dias era Natal e já estamos quase a chegar ao Carnaval. Quando eu era criança costumava dizer-se que Do Natal ao Carnaval era um pulinho de pardal. E é bem verdade, pois perece que foi ontem que aconteceu aquela maravilhosa noite em que se ceia um pouco melhor - galinha recheada, uns inhaminhos com linguiça e, no fim, um pratinho de arroz doce, a cheirar a canela… Depois a missa do galo, à meia-noite. Tudo isto só acontece uma vez por ano, por isso é lembrado muitas vezes, Agora que tudo passou, os dias até já parecem maiores, vão seguindo uns atrás dos outros, sem acontecer nada de especial, a não ser mau tempo. Já quase passamos janeiro e a seguir virá fevereiro que nos trará o Carnaval para adocicarmos a boca, novamente, mas agora com umas filosinhas que a minha Maria faz, muito saborosas e que assim como o arroz do Natal também terão um gosto e um cheirinho a canela. A canela a unir o Natal ao Carnaval. Por esses dias há por aqui muitas folias e também aparecem aqui na freguesia umas danças… umas de cá outras de fora. Eu cá nunca entro nessas brincadeiras. São para os mais novos. Para mim agora só contas e bordões.

Dezembro foi frio, janeiro também e pouco se pôde trabalhar. Fevereiro vamos lá a ver como vai ser. Vamos ver se vem um pouco melhor. Há muito trabalhinho à minha espera, sobretudo nas terras. Tenho que fazer o canteiro da batata-doce, limpar o curral para por o bacorinho novo e lavrar as terras do Areal e das Furnas, para nelas semear o milho mais cedo. Não sabemos se o tempo vai ajudar. Nesta ilha e nesta freguesia, no que ao tempo diz respeito, nunca se sabe o que nos espera o dia de amanhã. De repente levanta-se aí um temporal que não nos deixa fazer nada. Espero bom tempo a fim de que todos estejam seguindo em frente nos seus trabalhos e culturas e que estejamos olhando adiante, centrados no futuro que haveremos de novamente escolher e festejar o Carnaval.

Quando eu era novo o pároco desta freguesia era o padre Bizarra, um homem de muitas letras e de grande sabedoria. Um dia à Praça falando sobre o Carnaval ele disse que se tratava duma festividade muito antiga. Parece que começou a ser festejado quando se começou a celebrar as cerimónias da, Semana Santa pela Santa Madre Igreja, mas que era antecedida por quarenta dias de jejum e abstinência que eram os dias que durava a Quaresma. Como durante esse longo período de tempo havia muitas privações e grandes sacrifícios, nos dias antes da Quaresma começar, na Quarta Feira de Cinzas, o povo comia e bebia bem e fazia grandes festas, pois eram os dias que diziam adeus à carne ou dias de Carnaval. É por isso também que estes dias são chamados gordos, em especial o Domingo Gordo e a Terça-Feira Gorda, pois nestes dias costuma-se comer uma öboa talhada de toucinho com couves e linguiça com inhames. Depois e durante a Quaresma é comer umas tortas de lapas ou peixe frito para quem tem tempo e modo de o ir pescar. Muitas vezes, na Quaresma até se comem as batatas sem nada ou faz-se Mangão. E a minha Maria sabe fazê-lo muito saboroso.

 

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