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ELIZINHA ABRÃO

Sábado, 23.01.16

Elizinha Abrão era uma senhora de grande generosidade e entrega ao serviço e ajuda dos outros, nomeadamente dos sobrinhos que criou e educou, sozinha, após a morte dos cunhados no fatídico desastre do Corvo. Talvez essa a razão por que nunca se casou, assumindo-se com verdadeira mãe dos sobrinhos, qua aina novos haviam ficado órfãos. Foram seus pais Abrão de Freitas Henriques e Luísa Gonçalves de Freitas que casaram na igreja da Fajã Grande, em 19 de Junho de 1899, sendo o pai já viúvo de Clara Emília de Freitas. O pai ficou recordado na freguesia através da célebre frase Abrão vai perdido. É que até à década de cinquenta todas as deslocações da Fajã Grade para as vilas e freguesias da ilha, com exceção da vizinha Fajãzinha, eram feitas atravessando os matos da ilha. Outras vezes era necessário ir ao mato tratar do gado. Frequentemente surgiam nevoeiros, brumas, tempestades e temporais que, para além de perigosos, eram, por vezes, aterradores e já alguns homens se haviam perdido, embora, na maioria dos casos, apenas temporariamente. Temendo que o mesmo lhe pudesse acontecer, o velho Abraão, sem o confessar a quem quer que fosse, dia após dia, lá foi escrevendo, a letras garrafais, numa quantidade de tirinhas de papel julgada necessária, a frase: Abraão vai perdido. E, sempre que ia para o mato levava os papelinhos escritos, bem escondidos num bolso. Certo dia foi vítima de um forte nevoeiro que lhe tapou os olhos e o entonteceu-o de tal modo que perdeu o rumo. Recorrendo de imediato ao seu segredo, aos papéis que continha num bolso, lá os foi deixando cair um após outro, enquanto deambulava sem saber o rumo. Passou a noite numa furna, onde facilmente o encontraram aqueles que, seguindo os papelinhos, na manhã seguinte, o foram procurar.

A filha Elizinha morava numa casa da Rua Direita, em frente à igreja paroquial a qual se disponibilizava em se colocar, tantas vezes, no apoio a festas, serviços e obras da igreja da freguesia. Ela própria dispensava grande parte do seu tempo em atividades religiosas e de apoio à paróquia, uma vez que, para além de participar ativamente em todas as celebrações que tinham lugar na igreja, era catequista e ajudava na limpeza, no arranjo e ornamentação do templo, zelando para que a lâmpada do santíssimo se mantivesse sempre acesa, ora acrescentando-lhe azeite ora substituindo-lhe o pavio, um pequena flor a boiar num triângulo de lata e cortiça sobre o azeite. Era uma senhora permanentemente motivada no apoio às várias iniciativas da paróquia, assim como ajuda nas Casas do Espírito Santo, nomeadamente na de baixo, por altura da festa. Teve pois um percurso de vida extraordinário como mulher, como cristã e como mãe adotiva graças aos talentos que possuía e que colocava, sem qualquer interesse ou restrição., na ajuda dos outros e ao serviço da igreja.

Mas, para além de tudo isto, Elizinha Abrão também era uma excelente e prestigiada costureira. Durante anos e anos trabalhou em sua casa, agarrada a uma máquina de costura, fazendo vestidos de noiva e da comunhão solene, enxovais para casamentos e roupas de senhora, enquanto ia orientando os sobrinhos no amanho dos terrenos e na produção agrícola que, embora reduzida, lhes garantia o sustento.

Aos sobrinhos transmitiu-lhes uma esmerada educação apoiando-os nos seus anseios. Um deles notabilizou-se como oficial do exército e outro como cabo do mar. Uma educação com base na disciplina e rigor não faltando todavia muito amor, carinho e dedicação.

 

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