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ILHA DAS FLORES

Quinta-feira, 07.12.17

( In Momondo)

Ao aterrar em Santa Cruz é possível viajar também por via marítima, no verão, mas a viagem é longa e só os adeptos de navios costumam optar por tal solução – somos brindados à chegada pela humidade tépida que empresta à ilha um ambiente semi-tropical e a torna a mais húmida e verdejante deste arquipélago, famosa por cascatas que nunca secam ao longo do ano e pela vegetação luxuriante que terá estado na origem da sua toponímia.

“A chuva é uma presença familiar, mas torna-se um gosto adquirido, e raramente de forma verdadeiramente intrusiva, pelo menos no verão. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Literalmente…”

Conhecer verdadeiramente a Ilha das Flores obriga a botas de trekking e um bom casaco impermeável. A chuva é uma presença familiar, mas torna-se um gosto adquirido, e raramente de forma verdadeiramente intrusiva, pelo menos no verão. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Literalmente, neste caso! Estamos na ilha mais selvagem, pela orografia acidentada, pelo clima agreste e, consequentemente, pela reduzida (e em decréscimo acentuado) demografia. São menos de 4000 almas que se distribuem por dois concelhos – Lajes das Flores e Santa Cruz das Flores – os principais polos urbanos, que conta com uma área total de 141km2. É por isso a natureza que impera e é por ela que nos teremos de embrenhar para conhecer este território!

As muitas cascatas definem a paisagem da Ilha das Flores nos Açores ©António Luís Campos

As cascatas são o maior ex-libris da Ilha das Flores! Pela elevada precipitação que ocorre na ilha, o manancial que alimenta as lagoas e ribeiras nunca se esgota. Sendo uma ilha bastante alta para a dimensão (o pico mais elevado é Morro Alto com 914m de altitude), as pendentes são fortes. Em nenhum local esse facto é mais poderoso que na costa oeste, no conjunto de pequenas ribeiras que escorrem encosta abaixo, com uma surpreendente urgência, confluindo da Lagoa das Patas, também conhecido como Poço da Alagoinha, um dos postais mais emblemático dos Açores! Para aqui chegar, só a pé. O carro (ou bicicleta, uma sugestão fortemente recomendada para os mais atléticos) fica na beira da estrada. Um curto e pedregoso trilho, sempre a subir, leva-nos através da floresta até às margens da pequena lagoa. Num dia bom, sem vento nem chuva, o espelho é perfeito e facilmente nos julgamos perdidos no paraíso. Mas esta é apenas uma das múltiplas lagoas, maioritariamente espalhadas pela zona alta da ilha. Os nomes são elucidativos e denotam a génese vulcânica dos Açores, crateras de antigos vulcões que, após as erupções que moldaram a ilha, se encheram de água: Caldeira Funda, Rasa, Branca, Seca e por ai em diante… Para as visitar, duas opções: percorrer simplesmente, e devagar, a estrada que atravessa a ilha pela zona mais alta. Ou, uma vez mais, trilhar alguns dos muitos percursos pedestres de pequena rota (PR) homologados que cruzam a Ilha das Flores e nos permitem conhecer recantos de outra forma inacessíveis. Por todos estes motivos o trekking é, a par do canyoning, uma das atividades de exteriores mais populares aqui, atraindo adeptos de ambas as modalidades de origens bem longínquas.

Canyoning é uma das atividades mais populares na Ilha das Flores nos Açores António Luís Campos

No lado oeste da Ilha das Flores, pela estrada que serpenteia pela encosta abaixo, há um monumento natural que se destaca na paisagem, emoldurado na primavera e verão por milhares de hortênsias em flor: a Rocha dos Bordões! A formação geológica, com dezenas de linhas verticais de origem vulcânica, parece desenhada na falésia! Continuando a descer, tomamos rumo em direção à Fajã Grande, onde a estrada acaba. Mas não sem antes fazer um pequeno desvio, para visitar a Cuada. Uma vez mais, entramos numa viagem no tempo, para trás e para a frente. Passamos a explicar: a Cuada transformou-se numa unidade hoteleira a céu aberto, talvez o mais bem sucedido exemplo de turismo de aldeia em Portugal. Abandonada em meados do século passado pelas sucessivas vagas de emigração que assolaram os Açores, foi lentamente sendo adquirida e recuperada por Teotónia e Carlos Silva, um casal visionário que se recusou a aceitar o fado a que parecia destinada. Casa a casa, a aldeia ressuscitou, e são hoje os turistas que aqui se alojam que lhe trazem de novo vida.

A Aldeia da Cuada na Ilha das Flores é possivelmente o mais bem sucedido exemplo de turismo de aldeia em Portugal ©António Luís Campos

Mas o destino desta jornada é mesmo a Fajã Grande: a localidade mais ocidental da Europa! Ao chegar, instalamo-nos confortavelmente no bar Maresia, afundados num dos sofás vintage a quem a idade não parece fazer mossa, a poucos metros do oceano, que marulha suavemente. Aqui o bom gosto musical casa–se em harmonia com a tranquilidade que a vista proporciona. O entardecer toca a perfeição! E ali, a poucas centenas de metros, o Ilhéu de Monchique ergue-se, orgulhoso, como o último território europeu antes do vazio que só terminará do outro lado do Atlântico, na costa norte-americana.

O máximo expoente da hospitalidade dos Açorianos: as Sopas do Espírito Santo, oferecidas em Maio a quem quiser aparecer António Luís Campos

Mais abrigada das tempestades que vêm do mar aberto, a costa leste da Ilha das Flores abriga a maioria das localidades. Aqui a tradição baleeira ainda se sente, seja no museu, instalado da antiga fábrica, seja pelas conversas que, num banco de jardim ou ao balcão de uma tasca, vão surgindo inesperadamente. São cada vez menos as personagens desta história centenária capazes de a relatar na primeira pessoa. A última baleia foi caçada nos Açores em 1987, e por isso só os mais jovens baleeiros são ainda hoje vivos. Mas o entusiasmo patente no brilho do seu olhar não engana e é com paixão que contam (e que ouvimos) as aventuras e desventuras desta perigosa atividade que se vai perdendo nas brumas do tempo e que, no momento presente, temos o privilégio de escutar pela última vez…

 

Texto Retirado do Site  “Momondo”

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publicado por picodavigia2 às 00:20





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