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MEMÓRIAS VIVAS

Quinta-feira, 09.06.16

Daniel Sousa um Detentor de Memórias Vivas da Fajã Grande, residente no Canadá, enviou algumas delas ao Pico da Vigia. Com algum saudosismo e uma certa nostalgia recorda que lembra ele que agora temos a primavera que volta todos os anos, ao contrário da mocidade que vem e não volta mais. Somo detentores, apenas, duma passagem rápida pela vida que mal dá tempo de a podermos apreciar, mas só mais tarde é que a compreendemos. Assim são os mistérios da nossa vida que mais parece um sonho. Recordo-me, diz ele, ainda de, em criança, lá na Mãe Terra, ter um sonho. O sonho de sair para terras grandes, continentes, ver rios, montanhas, planícies, cruzar os oceanos etc.

E assim aconteceu… Mas nunca me esqueci da Mãe Terra, a minha freguesia, talvez porque lá havia uns certos heróis dominantes. Para quem conhecia bem a ilha das Flores, a Fajã Grande era a freguesia mais pobre em terrenos, pastagens e onde mais gente adoecia. Pedras nunca vi tantas em outra parte do mundo. Muito trabalharam aqueles que la viveram ate 1925 ou 1930. Os que vieram depois eram pouco diligentes, não produziam para comer, e consideravam-se os mais inteligentes la. Os meus familiares sempre tiveram muita abundância de trabalho e de miséria mas escaparam, chegaram a uma idade avançada, Só não chegaram a ser santos e fazer milagres como os outros. O meu pai ficou órfão de mãe aos seis anos de idade. Saiu da Cuada onde nasceu e foi posto na Fajã, sendo dado a uma família que tinha perdido os seus familiares muito novos. Eram todos, pessoas idosas na época e não o mandaram para a escola, Só sabia fazer o seu nome, quando os irmãos e o pai, nascido em 1850 sabiam ler e escrever, apesar de pobres. Na Fajã o meu pai herdou o que eles tinham mas que era pouco. Uma mulher chamada Maria José de Freitas, cujo filho foi para o Brasil e morreu no Rio de Janeiro em 1875, com a febre do tifo, pouco depois de la estar. Ela viveu até os 84 anos, a irmã Ana aos 90 anos e a mãe até aos 93. Isso no século XIX, quando a média de vida era muito baixa. Os irmãos destas mulheres foram tuberculosos para América em 1865 e 1875 e mais, os primos que lá na Fontinha viviam, na mesma casa. Eram três da casa pequena do outro lado do caminho, que pertencia a Maria Lourenço Fagundes que morreu em 1922 com 76 anos e o irmão António Lourenço Fagundes, em 1917, com 76. Este mais o irmão Francisco Lourenço Fagundes andaram durante anos na caça da baleia por todos os mares. Mais tarde na Califórnia trabalharam nas minas. Este último em 1905 ficou viúvo na Califórnia dividindo os bens com o filho e em 1907 voltou para as Flores, mas em 1908 regressou à América, pois já não lhe agradava o modo de vida antigo da ilha. Estes três eram filhos de Maria Brígida de Jesus falecida em 1880. Então Francisco voltou para Califórnia com as suas dólares, ou águias ou moedas como lhe chamavam, tudo voltou de onde tinha vindo. O meu pai foi levar a bolsa com o ouro a Santa Cruz onde dormiram na casa do padre Ribeiro, parente da mulher do José Ramos, onde mais tarde foi a casa de negócio e Boa Ventura Ramos. O meu pai, 50 anos depois, contava estas passagens. Outros nem o nome sabiam dizer. Ele herdou o que esta gente tinha e comprou algum terreno que minou e arrastou tanta pedra para fazer uma cozinha, uma meia água, um palheiro, curais para os porcos etc. O dinheiro era pouco, mal chegava para pagar aos mestres. O meu avo da Cuada morreu em 1917, a minha avó tinha falecido em 1893. Lá pela Cuada pouco tinham, não sei de o meu pai ter herdade algo de lá, a não ser um pouco na casa. Pouco antes de meu avo ter morrido tinham chegado dois genros da América com uma fome por terras e por dinheiro. E partiram tudo, o meu pai como vivia na Fajã só reclamou quando eles queriam descobrir a casa para vender meia dúzia de telhas. Então o meu pai disse:

- A casa não se descobre, fiquem com mais uns palmos de terra e pronto.

Mas um foi la buscar um grande tanque que recebia água das telhas da casa para uso. Nada de novo. Ele vendeu uma vaca tuberculosa ao Joaquim Falcão da Fajazinha, este foi obrigado a enterrá-la. Tirou o couro do boi do Manuel Mariano e foi dizer-lhe que estava tudo podre. Manuel Mariano era mais inteligente foi la ver aos cabeços e descobriu que era mentira. Ele havia-o tirado para seu uso. Tinham cuidado com os beatos, fujam deles, crentes em distintos que não são nosso e, deuses inexistentes, o cérebro humano é que os criou, inimigos da ciência. Os herdeiros da Cuada viviam naquela miséria, era só a ambição dos dois miseráveis que tinham chegado da América. Os outros herdeiros da Cuada viviam sem aquela miséria, um empregado no único hotel que havia na Horta, outro em Angra e os outros pela América, viviam em Turlock onde tinham nascido. No fim a casa pertencia a mim e a minhas primas e os meus primos nascidos na Califórnia onde viviam e algum ainda vive. Na década de trinta uma concubina da Ponta casada com um parente da casa, mas que la não tinha herdado nada viveu lá ate a década de cinquenta. Distribuiu os filhos pela Fajã por casas alheias, o marido aleijado por conta da Câmara, porque a ditadura apoiava as meretrizes, e vai para a América, se era americana. Vinte anos depois volta à Fajã a dar um jantar ao Espirito Santo, volta a América e manda vender a casa que não era dela. Mas nada de novo, pois já roubava antes de vir da América, mas como os espíritos só existem na cabeça das pessoas. A casa onde meu avô nasceu em 1850 e o irmão em 1852, este foi para Turlock e lá morreu em 1932 meu pai e meus tios também lá nasceram tem um letreiro na porta.

Sobre nome Sousa na Fajã só havia uma família, mas eram de Santa Maria. A minha bisavó da Cuada, Maria de Jesus seria de longe, quem sabe se vinda das margens do rio Sousa, e lá pela Cuada passou algum originário da Escandinávia ou central Europa, havia e ainda haverá alguém de cabelo vermelho. Na Fajazinha e na Ponta não conheci Sousa nenhum. Mendonças em toda ilha, mas eles nunca souberam que éramos parentes, na América, na Austrália, em Belém no Brasil também os havia, mas já tudo vai longe, eu um dos poucos ainda vivo mas já por pouco tempo e talvez o único mais o meu parente falecido em Lisboa é que nos lembramos de tudo isto.

Nos dias de hoje não sei como são pagas as contribuições prediais nas Finanças. O meu pai tudo o que herdou e comprou pagava tudo num só aviso, mas para isso era necessário ir às Finanças registar tudo, perder muito tempo e dinheiro. Meu pai seria o único na freguesia que tinha todos seus bens num só bilhete no nome dele.

Era a Fajã a freguesia pior do conselho naquela época, havia e há famílias que não tem nada no nome deles e eram os mais inteligentes ou pensavam ser. Afinal isto são assuntos  simples e sem valor algum, mas para mim e um passa tempo recordar o passado já¡ tao distante, e sem ter quem o conheça como eu a beira. Daniel na terra alheia tao distante da que me vi nascer,

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