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MORTES EM CATADUPA

Quarta-feira, 21.10.15

A segunda metade do século XIX, na Fajã Grande, foi desastrosa para a sua população, no que a falecimentos diz respeito. Verificaram-se dezenas e dezenas de mortes, não apenas de pessoas de meia-idade mas também de jovens e, sobretudo, de crianças. Estas foram tremendamente penalizadas, sendo que a mortalidade infantil, nalguns anos se cifrava em quase cinquenta por cento. Citam-se, a seguir, dois exemplos retirados dos livros de registo de óbitos da mais ocidental paróquia açoriana – São José da Fajã Grande.

O primeiro diz respeito à família de António Rodrigues Coelho e Ana Isabel do Coraição de Jesus, moradores na rua da Fontinha, naturais da Fajã Grande, onde casaram, em 5 de junho de 1862. No ano seguinte, a 17 de abril faleceu o primeiro rebento deste casal, uma menina de nome Maria, com apenas um mês de idade. Seguiram-se outras mortes, referentes a duas meninas, ambas com o nome da primeira irmã: uma em 3 de fevereiro de 1865 com apenas 5 dias de vida e outra em 24 de setembro de 1868. Como se isto não bastasse, em 27 de setembro de 1875 faleceu o filho José de 4 meses. Por sua vez o pai destas crianças, António Rodrigues Coelho faleceu em 18 de março de 1891 com 56 anos. Era filho de José Rodrigues Coelho e Maria de Freitas. A esposa, filha de Manuel Coelho Ramos e Rita de Jesus, faleceu três anos depois com 59 anos de idade. Uma filha deste casal que passou a habitar a mesma casa e que se chamava Maria Rodrigues Vieira casou, em 22 de Setembro de 1895, com um grumete da armada, chamado Eduardo Vieira, viúvo, natural do Funchal, ilha da Madeira. Num curto espaço de tempo faleceram-lhe nove filhos. Em 6 de setembro de 1895 faleceu o filho José com 68 dias. Em 10 de outubro de 1898, faleceu o filho Eduardo de 58 dias. Em 15 de outubro de 1899 faleceu o filho João com um mês. Em 4 de Julho de 1906 faleceu o filho António com 11 meses. Em 9 de julho de 1907 faleceu o filho António de 9 meses e em 10 de setembro de 1908 faleceu o filho Eduardo de 6 meses. Finalmente, em 1 de Fevereiro de 1909 o casal teve dois gémeos nados mortos. Maria Rodrigues Vieira, naturalmente muito amargurada da vida, faleceu no ano seguinte, em 9 de Agosto de 1910 com apenas 42 anos. Quinze dias antes falecera-lhe o filho Leopoldo de 11 dias.

Outro exemplo entre dezenas e dezenas e dezenas de famílias que em tempos recuados viveram na Fajã Grande foi a de José Inácio de Freitas, lavrador e Maria Florinda da Glória que casaram na igreja paroquial da Fajãzinha, em 16 de dezembro de 1841. Um filho, ainda criança, de nome Constantino faleceu em 22 de agosto de 1868. Em 4 de setembro de 1880 faleceu a filha Mara Florinda de 26 anos, solteira e algum tempo depois faleceu a filha Maria Constantina de 29 anos, também solteira. Maria Florinda faleceu em 20 de janeiro de 1889 com, 62 anos sendo mãe de seis filhos, um dos quais, solteiro, faleceu pouco tempo depois. O marido faleceu em 21 de abril de 1891. Em 1 de janeiro 1898 ainda faleceu uma familiar desta família, de nome Maria de Jesus, de 80 anos, solteira. Mas a um filho deste casal, de nome Carlos Inácio de Freitas que casou em 7 de Novembro 1888 com Maria Fagundes da Silveira, filha de Francisco Lourenço da Silveira e de Maria Luísa da Silveira e que moravam na mesma casa nas Courelas também faleceram vários filhos: em 1893 a filha Maria de 2 meses, em 1896-um recém-nascido, sem nome e em 1900 o filho José de 2 meses. O pai destas crianças Carlos Inácio de Freitas faleceu em 3 de Abril de 1902 com 49 anos.

No que aos meus avós paternos diz respeito, até porque ouvia referir que haviam falecido em criança vários irmãos de meu pai, não foram tantos os rebentos falecidos. Eles eram António Lourenço Fagundes e Maria de Jesus Fagundes e casaram em novembro de 1882. Em 27 de março de 1883 faleceu primeiro filho dos meus avós paternos, com quatro minutos de vida e que nem teve nome. Em 23 de abril do ano seguinte faleceu, recém-nascida, uma menina também sem nome. O terceiro filho, também sem nome e com apenas um minuto de vida faleceu em março de 1886. Em 1 de junho de 1891 faleceu a filha Maria de nove meses e em 5 de maio do ano seguinte outra Maria. Finalmente em 1904 faleceu outra menina com o mesmo nome e com apenas dez dias de vida.

Mortes em catadupa! Tragédias e tragédias hoje impensáveis e para as quais contribuíam, decerto, entre outras causas, uma alimentação muito pobre e deficiente, más condições higiénicas, não assistência médica nos partos e durante a gravidez, assistência médica às famílias inexistente e uma consanguinidade muito próxima e frequente.

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