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O AJUNTAMENTO DAS OVELHAS EM SÃO CAETANO

Domingo, 06.11.16

O Ti João do Monte, sentado na soleta da porta de sua casa, chapéu de abas largas na cabeça, calças de cotim suspensas por uns suspensórios já muito gastos e encardidos, albarcas a deixarem ver uns pés calejados e gretados, contava que outrora em São Caetano do Pico também havia ajuntamento das ovelhas nos baldios da serra, algo em tudo muito semelhante ao Fio da Fajã Grande, na ilha das Flores. Era no fim de setembro, dizia ele, por altura da festa do Senhor São Mateus, mas nunca nesse dia pois também na Prainha o dia de São Mateus era dia Santo, dia de dar pão e de o receber à tardinha.

Não havia cabeças como acontecia nas Flores e no Corvo. Eram os da Junta de Freguesia que faziam o arrolamento das ovelhas, dando autorização ao dono para as por a pastar nos baldios sob a administração da Câmara Municipal. Assim como na Fajã Grande, cada proprietário tinha o seu próprio sinal, ou seja marcas próprias que eram assinaladas com uma navalha nas orelhas do gado. E o tio João recordava o sinal das suas ovelhas: orelha direita traçada na ponta e duas mossas; orelha esquerda, rachada na parte de cima e um furo a meio.

Depois prosseguia:

- Madrugada muito cedo pastores e curiosos, largavam das suas casas a pé com seus farnéis no sarrão, um grande corno de boi cheio de vinho para a viagem amarrado com um cordão nas armelas colocadas nos dois extremos e pendurado ao ombro, e lá se iam encontrar não lugar da serra da Madalena, donde partiam todos juntos rumo aos baldios juntar o gado com a ajuda dos cães. À medida que iam apanhando o gado, iam-no concentrando no curral próprio. Depois do ajuntamento, comiam e bebiam e regressavam a pé, conduzindo o gado até à freguesia.

No lugar do costume, já na freguesia, havia sempre muita gente à espera de ver a chegada do gado. Juntavam-se as pessoas para ver aquela festa e os donos do gado a escolher novamente os seus animais, pelas marcas. Haviam pessoas que só tinham uma ou duas ovelhas, e pediam aos amigos que lhas procurassem e trouxessem, juntamente com as deles.

Nos dias seguintes, procedia-se à tosquia das ovelhas. Eram tosquiadas duas vezes por ano. Em Março, antes de irem para o baldio e em Setembro, após a chegada. Tosquiadas as ovelhas eram colocadas nas vinhas depois de vindimadas, sempre havia por ali umas ervas ainda verdes e outras já secas com que elas se entretinham.

- Era assim nos meus tempos de criança, - concluía Ti João do Monte, enrolando duas pitadas de tabaco numa folha de casca de milho que havia alisado muito bem com a sua navalhinha.

 

NB – As partes deste texto a itálico foram retiradas parcialmente de um texto publicado na Internet por António Silva, 31 de Março de 2009

 

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