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O CAIXÃO COMUM

Quinta-feira, 28.01.16

Nas traseiras da igreja paroquial da Fajã Grande, encostada à capela-mor, do lado do Evangelho ou seja a sul, porque a igreja da Fajã como quase todas as igrejas da ilha das Flores tinham a porta de entrada voltada para o nascente, e paredes meias com o cemitério havia uma arrecadação, relativamente grande e que mais tarde veio a servir de casa do motor. Aí se guardavam vários objectos que, embora não sendo de culto ou de uso litúrgico, eram utilizados por altura das festas, no espaço exterior. Era o caso dos andores mais antigos e toscos, do quiosque para a quermesse, do boneco de revirar às boladas, das tábuas e suportes do coreto e de outros adereços utilizados, sobretudo, por altura das festas da Senhora da Saúde e de São José. Mas o que mais enchia aquele vetusto e abandonado pardieiro era um conjunto de velharias já sem utilidade alguma, mas que ali haviam sido colocadas e por ali tinham ficado a perder-se no tempo. Mesas partidas, ralos de confessionários esquartejados, andores sem barrotes, lanternas com os vidros estilhaçados, cruzes de madeira desfeitas e muitas outras bugigangas, entre as quais, pasme-se, um caixão, sem tampa mas feito em madeira de cedro e em muito bom estado de conservação.

Mas este caixão, embora abandonado ali por já não ser de uso corrente, fazia parte do património histórico da paróquia. Na realidade e de acordo com testemunhos de pessoas mais idosas, antigamente, na Fajã Grande, rareava a madeira e ainda mais o dinheiro para comprá-la e construir o que quer que fosse. Daí que, para muitas famílias, de tão pobres e necessitadas que o eram, fosse impossível mandar fazer e, sobretudo, pagar um caixão para sepultar os seus familiares. Para superar essas dificuldades, mandou a paróquia, com o objectivo de ajudar os seus fregueses, fazer um caixão de boa madeira de cedro, mas comum, isto é, um caixão que servisse para sepultar todos aqueles cujos familiares tinham problemas económicos e eram pobres e ainda os que o quisessem fazer, por vontade expressa dos familiares. Assim o morto era simplesmente embrulhado pela família num lençol e colocado dentro do caixão comum, onde era velado, transportado para a igreja e depois sepultado, nos primeiros anos da paróquia na própria igreja ou, mais tarde, no cemitério para tal construído. Sendo assim os defuntos, antigamente, eram sepultados apenas embrulhados num lençol, enquanto o caixão comum, depois de cada funeral, voltava para a arrecadação da igreja à espera de novo defunto.

O caixão comum! Um marco importante e significativo, talvez bastante esquecido, na história da Fajã Grande!

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