Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O CAMINHO DO BATEL À ESCADA MAR

Terça-feira, 24.11.15

O caminho que ligava o Cimo da Fontinha ao Alagoeiro, com destino para o sul, prolongava-se através de montes, escarpas e planaltos, até aos Lavadouros e Curralinho, atravessando e permitindo o acesso a muitos outos lugares situados para aquelas bandas. A seguir ao Alagoeiro e até ao Batel, no entanto, havia duas alternativas de seguir para os lugares seguintes, incluindo os Lavadouros. Uma, mais curta mas inacessível a carros de bois e a corsões, era a Canada da Fontecima. A outra era a continuidade do caminho, atravessando o amplo lugar da Ribeira. Esta alternativa, no entanto, tornava-se um pouco mais longa e demorada apesar de mais larga e transitável a uma junta de bois. Assim as pessoas, geralmente, seguiam pela Canada, quando sozinhas. Os animais e os carros e corsões deslizavam pela Ribeira, onde junto ao arame, o caminho se bifurcava, com uma saída para a Rocha e para as relvas e lagoas da Figueira. Todo este caminho, desde o Alagoeiro até à Escada Mar, era empedrado, tipo calçada romana, com uma pedra mestra a indicar-lhe o meio e de tanto passar por ali gado e pessoas não tinha uma erva que fosse, a não ser junto às paredes que o ladeavam.

Após o cruzamento para a Rocha, onde se situava o largo do Arame, seguia-se uma pequena ladeira, ladeada por altas paredes, delimitando alguns serrados de milho e belgas de batata-doce. Era a ladeira da Ribeira que terminava junto ao termo superior da Canada da Fontecima. Aí o caminho formava uma pequena reta, após a qual se iniciava a íngreme e sinuosa ladeira do Batel, ladeada, a leste, por paredes altíssimas, construídas com enormes calhaus, provavelmente, vindos da Rocha, em tempos idos. Os meios de que os nossos antepassados possuiriam para os revolver e ali colocar continuam a ser um mistério. Apenas a força humana? Não se sabe, mas é a hipótese mais provável. A imponência destas paredes poderia muito bem apresentar-se como um ex-libris da Fajã Grande. Por sua vez, os terrenos circundantes, sobretudo do lado este, mais pobre e mais perto da rocha, na sua maioria eram relvas para pasto dos animais. Nas encostas do lado contrário, bafejadas pelo sol e defendidas dos ventos nortes e a configurarem com a Bandeja, situavam belas terras de cultivo de milho e onde nos meses da primavera floresciam as forrageiras e onde o gado era amarrado à estaca, a fim de as trilhar. A seguir à ladeira, conhecida como do Batel de Baixo e no cimo da qual se situava um grande descansadouro de onde se desfrutava uma vista deslumbrante, novamente uma reta que desembocava numa outra ladeira, mais pequena apesar de mais inclinada, a do Batel de Cima.

Estávamos em plena Silveirinha, lugar aprazível e idílico, onde existiam ainda muitas terras e serrados de cultivo mas também muitas e férteis relvas de pasto. Na Silveirinha, o caminho continuava largo e perfeitamente acessível a carro de bois e era como que uma continuidade do arruamento do anterior. O piso continuava a ser de pedra fixa, do tipo calçada romana, com uma pedra maior no centro, a tal pedra designada por pedra-mestra, fixando-se as outras, mais pequenas, ao seu redor. Nalguns sítios bifurcava-se em pequenas canadas e seguia com duas enormes curvas, aproximando-se cada vez mais da Rocha, até à enigmática ladeira da Silveirinha. Enigmática porque larguíssima, cheia de calhaus disformes e em cujo cimo havia uma enorme laje; a Laje da Silveirinha. Tratava-se duma pedra monumental, achatada, de forma circular e com a parte superior muito lisa, uma espécie de mesa redonda, embora sem pés e muito baixa, a fazer lembrar um verdadeiro monumento megalítico. A ladeira que começava numa curva do caminho, no sítio em que ele mais se aproximava da Rocha e de onde se desfrutava de uma bela vista da Figueira e de muitas das suas lagoas e levadas, subia íngreme e pedregosa, latejante e desoladora, ao mesmo tempo que se ia alargando até chegar ao cimo e desembocar num amplo e tosco largo, onde pontificava aquela espécie de tampa aparentemente retirada de um dos menires do Cromeleque dos Almendres. Ali bifurcavam-se duas canadas: uma, precisamente, junto da Laje e que ligava este caminho ao das Queimadas, outra, um pouco mais acima e do lado oposto do caminho, proveniente do Cabeço da Rocha.

O Caminho seguia até à Escada Mar, sob a forma de mais uma pequena ladeira, no meio da qual se bifurcava uma outra canada que servia de acesso às hortas e terras de mato já ali existentes, ainda pertencentes ao lugar da Silveirinha mas já a misturarem-se com as suas congéneres do Pocestinho.

Finalmente a reta mais retilínea de todo este caminho a abrir as portas ao amplo e histórico lugar da Escada Mar e que se cuida que o nome terá tido a sua origem no antigo Escada do Amaro. Esta reta terminava no amplo descansadouro da Escada Mar. O caminho, então, seguia, agora plano, sem ladeiras, paralelo à Rocha até ao Pico Agudo. Mas era ali, no largo da Escada Mar que se iniciava um outro caminho, muito importante e de grande utilidade - o Caminho para o Pocestinho, ampliado e alargado na década de cinquenta.

counter

contador de visitas on line online associações
contador de visitas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 00:05





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Novembro 2015

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930

GEOCLOCK


contadores de visitas

GEOWEATHER


contador de visitas blog

GEOCOUNTER


contador de visitas

GEOUSER


contador de visitas

GEOCHAT


contador de visitas