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O CANTO DO AREAL

Sexta-feira, 23.10.15

O lugar do Canto Areal, na Fajã Grande, era uma extensa faixa de terreno situada à beira mar, quase todo ela baixio e rolo, que se prolongava desde as Furnas e Redondo até aos contrafortes do Pico, confrontando a leste com as Furnas e o Areal. Assim os seus limites geográficos eram, a norte, as Furnas e o Redondo, a este o Areal e as Furnas, a sul o Pico e a Rocha da Eira da Cuada e a oeste o mar.

Contrariamente ao seu vizinho Areal, uma espécie de pai ou matriz do Canto do Areal, este era um lugar exclusivamente de pequenos terrenos agrícolas, designados por currais, com terreno muito arenoso e consequentemente pouco produtivos. Alem disso, embora os currais do Canto do Areal fossem separados uns dos outros e protegidos por altas paredes, eram frequentemente fustigado por ventos e salmouras que lhes caíam em catadupa e que prejudicavam fortemente os vários produtos agrícolas ali cultivados. Essa a razão pela qual nestes minúsculos terrenos, geralmente, se cultivasse apenas couves, abóboras, bogangos, batatas-doces de latada e pouco mais.

Mas era nestes currais assim como nos terrenos do Areal, das Furna e do Porto que, devido à sua proximidade do mar, se faziam as primeiras sementeiras e as plantações do cedo. Durante o Inverno, porém, todos estes terrenos permaneciam quase incultos, pelo que em janeiro se assemelhavam a um deserto árido e inóspito. Era em fevereiro que se começavam a trabalhar estes currais que, no entanto, não mereciam um tratamento tão esmerado como os seus vizinhos cerrados do Areal. Estes, antes de semear o milho, os feijões e outros produtos agrícolas eram muito bem estrumados com carros e carros de bois, com as sebes cheias de esterco ou de sargaço, a percorrerem as Courelas, guinchar, carregadíssimos. Entravam nos campos que ficavam junto do caminho ou abriam-se portais numas e noutras terras que deviam caminho para que os carros chegassem aos campos mais distantes. Quer o estrume, quer o sargaço eram despejados em pequenos montes ao longo de todo o terreno. Depois com garfos de tirar esterco, os montes iam-se desfazendo à medida que o estrume ia sendo espalhado sobre o terreno de modo a cobri-lo por completo, Dias depois os campos eram abertos, isto é lavrados com arado de ferro e de seguida gradeados e tornados a lavrar com o arado de pau, de forma a estarem aptos para as sementeiras. Era o abrir da terra. Só depois eram lavrados, novamente com arado de pau, a fim de nos regos se lançarem as sementes, geralmente de milho. Passado algum tempo a enorme planície enchia-se de um verde esperançoso e prometedor de colheitas de excelente qualidade. Mas logo vinham os malditos ventos a desfazerem, a partirem e a devastarem tudo o que ali se produzia e, se algo ficasse em pé, lá vinha do mar a famigerada salmoura a destruir e a aniquilar o pouco que havia resistido aos invernosos vendavais. Tão grande preocupação, no entanto, não se tinha com os currais do Canto do Areal. A exiguidade do espaço e a fraqueza do terreno não justificavam grandes cuidados. Eram como que cultivados, como se costumava dizer, ao deus dará. Além disso, a maior parte do espaço do mais ocidental dos lugares fajãgransdenses, que era atravessado por uma extensa vereda litoral, que se iniciava no Porto, junto ao Matadouro, era ocupado por uma zona inculta e de ninguém. A norte, do lado do Pico, uma enorme rolo de pedras soltas que de nada servia a não ser para apanhar moiras para ir pescar às vejas. Depois uma enorme mancha negra de baixio, junto ao mar, recortada com pequenas enseadas e poças, com destaque para as duas maiores: a Poça das Salemas de fora e a de dentro, local que ficou célebre por ali ter naufragado, no início do século XX, a barca francesa Bidart, pelo que aquele lugar também se chamava o lugar da Bidarta. A zona do baixio era muito rica em lapas, peixe e achados, pelo que muitos homens e mulheres para ali se dirigiam, os primeiros para se atirarem ao mar na procura de uma boia, duma garrafa, duma bola de vidro ou de um fardo de borracha ou para pescar, as mulheres para a apanha de lapas, conduto indispensável, sob a forma de tortas ou de Molho Afonso, em muitas casas fajãgrandenses na década de cinquenta.

A origem deste topónimo é de fácil identificação. Este lugar tinha a sudoeste, na sua fronteira com o mar, uma espécie de rolo, onde era fácil verificar ainda alguns vestígios de um enorme areal, possivelmente ali existente. em tempos idos. Além disso os próprios currais de todo este lugar eram, na verdade, muito arenosos, talvez constituídos por areias transportadas pelo vento. Daí que toda esta zona, até às primeiras casas das Courelas fosse de verdade e com razão alcunhado de o Areal, o qual, apesar das vicissitudes climáticas, tinha um papel de relevo e de grande importância na produção agrícola e na economia da freguesia. A designação de Canto advém do facto de, sendo o vizinho Areal um lugar quase quadrado, este pequeno, pobre e marítimo lugar se situar no canto sudoeste desse lugar, ou seja daquele que justamente recebera o nome de Areal.

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