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O GUARDA FURTADO

Quinta-feira, 24.03.16

De todas as pessoas que já haviam falecido ou abandonado a freguesia, um dos nomes mais badalados na Fajã Grande, na década de cinquenta, era sem dúvida, o do Guarda Furtado, sobretudo quando se falava de terras. É que quase não havia um lugar da freguesia, quer das zonas de propriedades agrícolas como o Porto, as Furnas ou o Areal, quer dos lugares de terras de mato como a Cabaceira, o Pocestinho, a Cancelinha ou o Espigão, que não tivesse uma ou duas terras pertencentes ao Guarda Furtado. E que terras! Boas de cultivar, férteis e produtivas, grandes, abundantes em arvoredo e protegidas por altas paredes e fortes portões. A maioria delas, no entanto, naquela altura estavam arrendadas, sendo as rendas recebidas pelo seu procurador, uma vez que na década de cinquenta o Guarda Furtado já não vivia na Fajã Grande. Meu pai, durante muitos anos, teve de renda um belo cerrado que ele possuía nas Furnas e que, para além de milho e couves produzia excelentes batatas-doces.

Embora conhecido simplesmente por Guarda Furtado, chamava-se João Francisco Furtado e era natural do lugar da Ponta, onde nasceu, no dia oito de Março de 1879, às duas horas da madrugada. Seus pais foram Manuel Francisco Gervásio e Isabel de Jesus naturais e residentes na Ponta. Como era costume, até porque nesta altura a Ponta ainda não tinha a ermida dedicada à Senhora do Carmo, João foi batizado na igreja paroquial da Fajã Grande, pelo pároco de então, o padre António José de Freitas, no dia onze de março do mesmo ano. Os seus avós paternos foram Francisco António Gervásio e de Isabel de São José e os maternos Laureana de Jesus, sendo o avô incógnito. Foi seu padrinho João Maria Carvalho, casado, Escrivão do Juiz de Direito, representado por António Bernardo Greves, casado, proprietário e madrinha Maria José da Silva, sua consorte, representada por Luísa da Silveira sua mulher, que governa a sua casa. A julgar pela escolha do padrinho, os pais do Guarda Furtado deveriam ser pessoas de influência e de posses, pois não seria qualquer pobre e humilde lavrador da Fajã Grande a ter capacidade ou possibilidade de convidar o Escrivão do Juiz de Direito para padrinho dum filho.

O Guarda Furtado casou na Fajã Grande em 26 de Abril de 1906 com Maria do Céu Furtado, natural das Lajes, irmã do Maurício Escobar e filha natural de Emília de Jesus Vieira. O casal fixou a residência na Fajã Grande, numa casa situada imediatamente abaixo da Casa de Espírito Santo de Baixo, onde os cônjuges viveram durante muitos anos, exercendo ele a profissão de guarda-fiscal, que lhe permitiu amealhar algum dinheiro e comprar terras.

Contavam pessoas antigas que a sua mãe morreu muito nova e num acidente. Vinha de ir levar a moenda a um moinho que existia na Ribeira das Casas e que pertencia ao avô do Chileno. Chovera muito nesse dia e a ribeira estava muito cheia e com forte correnteza. Ao tentar fazer a travessia através das passadeiras que ainda não havia ponte naquela altura, a senhora foi levada pelas águas e desapareceu, sendo mais tarde encontrada mas já sem vida. Do pai quase nada se sabia. O guarda Furtado tinha uma irmã residente na Fajã, a Passarouca velha que morava na Tronqueira. Constava ainda que tinha outros dois irmãos, mas estes viviam no Continente.

O Guarda Furtado deixou de exercer a sua atividade na Fajã Grande quando foi promulgada uma lei salazarista segundo a qual os guardas não podiam trabalhar na localidade onde tinham nascido ou onde residiam. Transferiu-se, então, para Santa Cruz, onde passou a trabalhar em Santa Cruz, onde fixou residência e onde veio a falecer.

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