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O MEU PRIMEIRO FECHO ECLAIR

Terça-feira, 14.02.17

O fecho eclair foi inventado pelo engenheiro norte-americano Whitccomb L. Judson em 1891 e era constituído por uma série de ganchos que se prendiam a pequenas argolas. Este fecho, porém, ter-se-á revelado pouco eficaz, dado que se abria com muita facilidade e, provavelmente, teria sido votado, por completo, ao abandono se não fosse o engenheiro sueco Gideon Sundback, no primeiro quartel do sec XX, a desenvolver a ideia de Ludson, substituindo ganchos e argolas por dentes metálicos entrelaçados uns nos outros, criando assim o fecho eclair tal como ainda o conhecemos hoje, embora de forma mais perfeita e funcional do que a apresentada por Sundback.

Foi esta alteração que permitiu que o fecho eclair se fosse espalhando, aos poucos, por todo o mundo e, embora demorando algum temo tempo, chegasse aos locais mais recônditos do globo, substituindo, parcialmente, o longo e histórico reinado do botão.

Sobre o fecho eclair, que teve o seu período áureo na segunda metade do século passado, até o poeta António Gedeão fez um dos seus mais belos poemas, onde  afirma que o próprio rei Filipe II teve tudo, mas o que um monarca podia desejar, porque “ Um homem tão grande, tem tudo o que quer,” mas “o que ele não tinha, era um fecho eclair.”

Contrariamente a Filipe II, eu não só tive um como muitos fechos éclair. Mas o mais importante para mim e aquele que nunca mais esqueço foi o primeiro que tive.

O meu primeiro fecho eclair chegou-me numa encomenda da América, andava eu ainda na 1ª classe, de calções e pé descalço. Era uma “soera” verde, com o pescoço a prolongar-se pelo peito, mas que se abria e fechava, graças à invenção do sr Judson. Eu adorava aquela “soera”, não tanto pelo verde, nem sequer pelo confortável agasalho que me concedia, mas pelo fecho eclair de que me envaidecia e ufanava, por ser dos primeiros que tinham aparecido na freguesia, e único na escola. Passava horas e horas, mesmo quando não tinha a tal soera vestida, a puxar o fecho para baixo e para cima e a contemplar, absolutamente admirado, aqueles dentinhos metálicos a correrem ritmadamente uns atrás dos outros, para baixo e para cima. Verdadeiramente espectacular!

Um dia minha mãe morreu e como se isso não bastasse decidiram baldear toda a minha roupa, incluindo a tal soera do fecho eclair, para dentro de um enorme caldeirão, cheio de água a ferver e no qual haviam deitado uns tubos de tinta preta "Coureina", para que assim se tingisse e perdesse as cores naturais, tornando-se preta, a fim de deitar o luto devido pela morte da minha progenitora, como era costume na altura.

É verdade que a soera de verde passou a preta e com o tempo tornou-se cinzenta, mas também é verdade que o meu primeiro e inesquecível fecho eclair, por causa daquela estranhíssima e galvanoplástica operação, nunca mais voltou a ser o que era.

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