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O PÁTIO EM FRENTE À MINHA CASA

Quarta-feira, 05.04.17

A minha casa, ou seja a casa onde nasci, na Assomada, era pobre e muito pequenina, mas era a minha casa e eu gostava muito dela. Tinha poucas coisas, é verdade, mas tinha uma que eu adorava e que um dia me tiraram. A minha casa, em frente, do lado que dava para o caminho, tinha um pátio.

Era um pátio simples e humilde, mas grande e murado com pedras toscas que o separavam da rua, com a qual comunicava através de dois portões sempre abertos, um em frente à porta da sala e outro em frente à da cozinha.

O meu pátio era muito importante para mim porque era nele que eu brincava, era nele que eu me sentava a ver passar as pessoas, era nele que eu brincava e era nele que eu me escondia quando fazia jogos com os meus amigos de infância. Mas o meu pátio também era importante para a minha mãe porque era nele que ela punha a roupa a coarar, era nele que ela plantava sécias e cubres e o enchia de flores e também era a ele que ela assomava quando passava uma vizinha ou uma amiga e a chamava para lhe dar dois dedos de conversa. O meu pátio era importante para o meu pai, mas mesmo muito importante, porque era lá, na parte superior, junto à porta da cozinha que ele colocava molhos e carradas de lenha que trazia das terras para acender o lume e aquecer o forno e onde havia um enorme cepo, sobre o qual, com um machado, ele cortava e rachava toda aquela lenha e era nele que, à tardinha, fruindo duma bela sombra, se sentava a descansar das pesadas lides do campo. O meu pátio era muito importante para todos nós porque nele havia, em frente à janela da sala, uma enorme “japoneira”, sempre muito verde, a proporcionar-nos uma sombra muito fresquinha e que ainda antes da primavera chegar se enchia de flores vermelhas e que, quando se cansava delas, as atirava ao chão formando, ao seu redor, um tapete fofo, brilhante e colorido, mas logo se enchia de novas flores. O meu pátio era útil, necessário, belo e meu, mas… em frente dele não passavam automóveis.

E um dia, na minha rua, desenharam e construíram uma estrada, mesmo em frente à minha casa, para que começassem a passar automóveis por ali mas… destruíram completamente o meu pátio, arrancaram-lhe todas as flores, cortaram a “japoneira” e, pior do que isso, obrigaram a minha mãe a ir coarar a roupa para a Ribeira, o meu pai a colocar a lenha bem longe dali e eu a ir brincar para debaixo do estaleiro.

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