Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O PICO EM NOVEMBRO

Quarta-feira, 09.11.16

O Pico, em Novembro, é um oásis de serenidade, um paraíso de bem-estar, uma espécie de reserva de sossego ou um seleiro de tranquilidade, onde as manhãs são uma comunhão permanente com a natureza, as tardes ombreiam com o verde perene da montanha, diluindo-se, ao fim do dia, no azul plácido do oceano, enquanto as noites se aproximam, rápidas, a galvanizarem-nos, numa terna e envolvente quietude que nem as estrelas espanta.

O Pico, em Novembro, lisonjeia-nos com o silêncio estonteante das brisas matinais, entrelaçado com o chilrear irreverente e estouvado da passarada e com os murmúrios maviosos das marés, incensa-nos com os salpicos adocicados duma maresia adormecida, ondulada, apenas, com o sulcar dolente das quilhas das embarcações, a rilharem em redopio, na demanda de chicharros e bonitos.

 O Pico em Novembro, enleva-nos no aroma vertiginoso do mosto efervescente das adegas, encharcado de lava e perfumado a enxofre e embala-nos no escurecer zonzo e colaço das noites claras, luminosas, embebidas de luar e de sublimidade. No Pico, em Novembro, até a lava dos currais se torna mais negra, a sombra dos maroiços mais entontecida, o piso das veredas mais atapetado, os murmúrios das florestas mais inebriantes, o vai e vem das marés mais atrevido, os gritos dos cagarros mais sibilantes e os fluxos do horizonte, estranhamente, melhor delineados.

No Pico, em Novembro, há castanhas e araçás a atapetar o chão de lava doirada, batatas-doces a transbordarem dos cerrados e folhas amarelas, aureoladas de perfumes e aromas, dançando nos ares como bonecos embriagados que amedrontam o vento e afugentam tumultos intempestivos, perturbantes e aterradoras.

No Pico, em Novembro, há um Sol gratificante e consolador, quente e benéfico, a desfazer madrugadas sombrias e enevoadas e a aniquilar, por completo, as tardes escurecidas e anuviadas. No Pico, em Novembro, florescem crisântemos e miosótis a amansarem a saudade inaudita dos que já partiram para a eternidade.

No Pico em Novembro há uma estranha força telúrica que nos atrai, prende e enleva. A Ilha Montanha, qual gigante adormecido no meio do atlântico, cobre-se com mantos de tonalidades variadas onde predomina o verde pardacento das encostas, o azul dourado do oceano, o amarelo suculento das folhas secas, o vermelho dos araçás e das maçãs e o negro enigmático das paredes das adegas, dos currais, dos maroiços e de uma ou outra casa. O Pico, em Novembro cobre-se de sons suaves e melodiosos, de sinfonias contagiantes e deleitosas que ecoam pelas encostas e colinas e salpicam de espuma esbranquiçada o alvorecer tranquilo e esfuziante de cada dia.

No Pico, em Novembro, os vales e os montes, as encostas e os penhascos, os atalhos e as veredas, os currais e os maroiços irradiam perfumes contagiantes e atraentes que calcificam o espírito e impingem ao corpo um sopro de sustentável leveza.

No Pico, em Novembro, a alta e esconsa Montanha ergue-se mais imponente do que nunca e outorga-nos a suprema sensação de se viver entre a terra e o céu.

No Pico, em Novembro, as vilas, os povoados, as casas esbranquiçadas e espalhadas ao longo das encostas ou mesmo as construídas com blocos de lava preta junto ao mar brilham, fulguram, luzem e reluzem, alinhadas entre o negro clarificante dos baixios e o verde fresco da vegetação dos cabeços, sobre o amparo ternurento da Montanha.

No Pico em Novembro, o mar enche-se golfinhos e bonitos, de castanhetas e peixes-reis, de sargos e abróteas e até as cagarras aproveitam o sossego das noites, para ensaiarem os seus bailados debutantes.

No Pico em Novembro prova-se o vinho, celebra-se o São Martinho e até a chamarita tem um sabor mais atraente e a lava um perfume mais delirante.

 O Pico, em Novembro, é uma espécie de súmula de um pequeno mundo construído durante séculos por baleeiros, agricultores e pescadores, onde proliferam os seus minúsculos povoados, sublimes e aconchegantes, debruçadas sobre o mar, a espreitar a bonança que renasce em cada madrugada e se ofusca, suavemente, com a edificação dos crepúsculos outonais.

O Pico, em Novembro é um paraíso, um sonho para todos os amantes do silêncio e da natureza, para quem anseia envolver-se entre o rendilhado negro e rude dos baixios, apreciar o verde flutuante das encostas, acariciar o amarelado das folhas debilitantes dos vinhedos, penetrar nos campos calafetados de lava ou até subir a imponente Montanha, conquistando uma enigmática e inesquecível sobrenaturalidade.

O Pico, em Novembro, é um sonho bordado a púrpura, um paraíso ungido com encanto, um éden pincelado com silêncio. 

counter

contador de visitas on line online associações
contador de visitas

Autoria e outros dados (tags, etc)

tags:

publicado por picodavigia2 às 21:35





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Novembro 2016

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

GEOCLOCK


contadores de visitas

GEOWEATHER


contador de visitas blog

GEOCOUNTER


contador de visitas

GEOUSER


contador de visitas

GEOCHAT


contador de visitas