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O TRANGALOMANGO

Sexta-feira, 17.06.16

Era uma vez doze moças, jovens, belas e puras que nem açucenas. Eram todas muito amigas umas das outras, conviviam diariamente, passeavam aos fins-de-semana e no verão iam juntas para a praia, refrescar-se e bronzear-se.

Certo dia, sem que ninguém soubesse porquê ou talvez porque alguém lhes atribuísse algum feitiço, foram todas acometidas de uma grave, rara e desconhecida doença, o trangalomango. As moças trataram-se todas da mesma maneira e com os mesmos meios, mas uma delas morreu com aquela terrível doença, escapando apenas onze. Apesar de ficarem muito tristes com a morte da amiga as onze que escaparam continuaram muito unidas e muito amigas, passeando e divertindo-se juntas

Certo dia as onze foram juntas para a praia, mas como estava frio decidiram que apenas haviam de molhar os pés na beirinha da água. Passados alguns dias voltaram a ser todas acometidas do trangalomango e uma delas morreu, ficando apenas dez.

As dez que ficaram continuaram amigas e unidas, mas certo dia foram todas trabalhar para um campo, ajudando o pai de uma delas na lavoura. Todas cavaram, limparam as ervas e semearam o milho. Estranhamente, passados alguns dias voltou a dar o trangalomango em todas elas, morrendo, novamente, mais uma. Ficaram apenas nove.

Embora um pouco tristes e preocupas, as nove que ficaram continuaram amigas. Certo dia em que a mãe de uma delas estava doente, foram todas ajudar a amiga a amassar e a cozer o pão. Não se passaram muitos dias e voltam a ser acometidas todas com o maldito trangalomango. Morreu mais uma e escaparam as restantes oito.

Não desanimaram estas oito, continuando amigas. Certo dia em que estava muito frio, as oito resolveram dar um passeio. Para se precaver do frio decidiram todas que haviam de levar um barrete na cabeça. Não demorou muito tempo e o maldito trangalomango acometeu-as de novo. Infelizmente morreu mais uma e ficaram apenas sete.

Aproximava-se o Ano Novo. Nesse dia, nos anos anteriores iam todas juntar cantar pelas portas, recebendo algumas pequenas moedas que depois dividiam por todas. Apesar de já serem só sete resolveram nesse dia ir cantar os Anos Bons, pelas casas da freguesia onde viviam. Passados alguns dias as sete voltaram a ser acometidas do trangalomango, morrendo mais uma delas. As seis sobreviventes começaram, então, a ficar muito preocupadas pois metade do grupo já havia morrido com aquela terrível e estranha doença. Apesar de tudo as seis que ficaram continuaram muito amigas mas decidiram que haviam de ficar todas fechadas em casa, tentando evitar a morte de mais alguma. Ficaram pois durante uma tarde fechadas em casa de uma delas mas passados uns dias voltaram a ser vítimas do trangalomango, morrendo mais uma, ficando apenas cinco.

Cada vez mais tristes e desconsoladas começaram a ficar muito fracas. Certo dia, cheias de fome e de fraqueza as cinco sobreviventes juntaram para um jantar em que a ementa era arroz com frango. Poucos dias se passaram e voltou a dar nas cinco o trangalomango. Novamente morreu uma delas, ficando o grupo reduzido a quatro.

Mas não desanimaram as quatro e resolveram voltar à praia sendo de novo e dias de pois acometidas do trangalomango. Morreu mais uma e ficaram apenas três mas, mesmo assim, as três ainda se juntaram e, certo dia, encheram-se de coragem e foram dar um passeio pelas ruas da freguesia. Deu-lhes, novamente, o trangalomango. Morreu uma e ficaram, apenas duas, só duas.

Corajosas as duas amigas sobreviventes ainda decidiram ir apanhar garranchos de lenha para a mãe de uma delas acender o lume. Mas dias depois, deu-lhes, novamente, o famigerado trangalomango. Morreu uma ficou a outra.

Triste, desconsolada e sozinha, cuidando que se ficasse na sua freguesia teria destino semelhante ao das amigas, a moça sobrevivente do grupo decidiu emigrar para a América. Mas não conseguiu embarcar porque alguns dias antes deu-lhe o trangalomango e morreu.

E assim morreram as doze moças, jovens, belas e puras que nem açucenas e que muito amigas umas das outras, conviviam diariamente, passeavam aos fins-de-semana e no verão iam juntas para a praia, refrescar-se e bronzear-se, todas elas vítimas do malfadado trangalomango.

 

Inspirado numa cantilena popular.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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