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OS DOMINGOS EM QUE O SENHOR ESPÍRITO SANTO IA À MISSA

Domingo, 24.04.16

Os domingos, entre a Páscoa e o Pentecostes, na Fajã Grande chamado dia do Senhor Espírito Santo, eram os únicos dias do ano em que as quatro coroas, correspondentes a tantos outros impérios existentes na freguesia, incluindo o de S. Pedro da Casa de Cima, iam à missa, à igreja paroquial. Nesses domingos, todas as casas em que havia crianças ou jovens se engalanavam, colocando nos pátios, ou nas “terras da porta” ou até num dos cantos da casa, um altíssimo pau com uma bandeira no cimo, semelhante em tudo aquelas grandes que existiam nos paus, um na Casa de Cima e outro na de Baixo e nos quais, nesses dias, também eram içadas bandeiras gigantes.

A Assomada onde eu morava, enchia-se com paus e bandeiras, a começar pelo José Augusto, lá no cimo da rua e a terminar no Jaime, cá em baixo, já bem perto da Praça. Pelo meio o José Gonçalves, o Laurindo, o Orlando, a Fátima Silva, o António do Pico, o João de Freitas, o António Jorge, eu e meus irmãos e muitos outros. As bandeiras eram brancas e ornamentadas com flores ou ramos nos cantos e com uma coroa e uma pomba, geralmente vermelhas, no centro. O mastro tinha que ser grande e direito, normalmente feito de criptoméria e era encimado por uma pomba de madeira. Quanto às pombas de madeira, algumas, as dos que tinham possibilidades de as comprar já feitas em torno adequado, eram prateadas ou envernizadas como as dos paus das bandeiras das Casas de Cima e de Baixo, outras, as dos mais pobres eram toscas, abruptas e falquejadas pelos próprios, dado que não tinham dinheiro para as comprar. Nem sequer eram pintadas, mantendo a cor amarelada da madeira. Na extremidade superior do pau e logo abaixo da pomba era aparafusada um pequena roldana, através da qual passava um cordão, onde se amarrava a bandeira, que depois se ia puxando, puxando a fim de que a dita cuja subisse lá bem para o alto e assim se abanasse ao vento, de maneira que fosse vista e anunciasse a passagem das coroas pelas ruas.

A primeira coroa a chegar à Casa de Cima era a da Cuada. Os moradores daquele idílico lugar vinham todos, em cortejo, à missa, trazendo a coroa e as bandeiras, geralmente duas vermelhas e uma branca, semelhante às que abanavam nos nossos paus, seguidos dos foliões a cantar o Venha, Senhor Venha e O Lavrador da Arada, orientados pelo Bygoret nos testos e o por meu primo Zé Maria no tambor. Juntavam-se aos da Casa de Cima e à coroa de S. Pedro e esperavam todos, junto ao chafariz para que os da Casa de Baixo dessem sinal de partida. Caminhavam, então, ao encontro uns dos outros, em direção à igreja, pela Rua Direita, que assim se enchia de povo, de sons, de cantares, de glória, de louvores e dos toques dos foliões, acompanhados pelo repicar dos sinos. Por fim as quatro coroas e as bandeiras juntavam-se todas à porta da Igreja. O Guarda-Vento abria-se e o pároco, revestido de capa de asperges, aspergia as coroas, molhando o hissope na caldeirinha da água benta que o sacristão lhe apresentava, acompanhando-as, depois, em procissão, enquanto entoava o Magnificat, conduzindo-as até aos altares laterais, onde as colocava e onde permaneciam até ao fim da missa. As bandeiras vermelhas, que como as coroas também eram transportadas  por familiares dos cabeças, eram colocadas ao lado dos altares, enquanto as brancas, aparentemente menos dignas, ate porque eram transportadas por crianças e nos cortejos seguiam sempre à frente, ficavam ao fundo da igreja.

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