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OS MAROIÇOS DA FAJÃ GRANDE

Terça-feira, 28.06.16

Na Fajã Grande, assim como por toda a ilha das Flores, existiam muitos maroiços. Noutras ilhas, nomeadamente, a noroeste do imponente cone vulcânico que é a montanha do Pico, também existem muitos maroiços. Os do Pico, no entanto, são típicos e estão a ser alvo de uma investigação arqueológica, dadas as semelhanças inequívocas existentes entre os maroiços madalenenses e outras estruturas piramidais encontradas nas ilhas da Sicília e de Tenerife, nas Canárias. Os maroiços da Fajã Grande, no entanto, pouco tem de semelhante às monumentais pirâmides de basalto negro que caraterizam a paisagem picoense. Mas poderão ter algo comum no que à sua origem diz respeito.

Os maroiços da Fajã Grande, construídos sobretudo entre as propriedades agrícolas, da mesma forma que os do Pico, terão resultado da necessidade de limpar os pedregulhos dos terrenos de cultivo, embora no caso do Pico a abundância das fragas e penedos ultrapassasse gigantescamente as existentes na ilha Flores. Essa a razão por que naquela ilha os maroiços adquirem maior estrutura, sendo também mais numerosos.

Mas o que distingue e caracteriza os maroiços da Fajã Grande é sobretudo a sua utilidade, sendo que em muitos deles foram plantadas figueiras e videiras, uma vez que são estruturas mais simples, de superfície plana e férteis. Dizem os estudiosos desta arte arqueológica que quer em Itália quer em Espanha, as sondagens e a recolha de materiais arqueológicos em complexos extremamente semelhantes permitiram estabelecer uma suposta datação, que poderá prolongar-se até às idades do Bronze e do Ferro. Muito provavelmente os simples e utilitários maroiços da Fajã Grande nada têm a ver com isto e são bem mais recentes e possivelmente nunca poderão ser considerados património da humanidade, nem têm o encanto e a beleza caraterística dos da ilha do Pico e que têm despertado, desde sempre, a curiosidade de visitantes e locais. Além disso, tem muita utilidade, pois para além de neles se cultivar a figueira e a videira, muitos serviam para por a roupa a coarar, para armazenamento de lenha, para veredas de acesso a outras propriedades, para as crianças brincarem, etc. Por tudo isto talvez nunca cheguem, sobretudo porque sem paralelos noutros pontos do globo, a ter o interesse das monumentais e emblemáticas pirâmides basálticas do Pico que no dizer de alguém prometem seduzir os mais céticos, num arquipélago com remanescências lendárias - qual Atlântida perdida - onde a fantasia e a história se entrelaçam de forma tão intensa, que se torna difícil descortinar onde começa a ciência e acaba o mito.

Os das Fajã Grande, infelizmente, nunca lhes poderão seguir as pegadas, até porque a maioria se perdeu entre os meandros das faias, infensos, silvados e cana roca que enchem quase tudo o que eram relvas e terras cultivadas noutros tempos.

 

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