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OS TRÊS CONSELHOS

Terça-feira, 30.05.17

Um rapaz muito pobre tinha casado, e para sustentar a sua família teve que ir arranjar trabalho. Procurou por vários sítios, mas apenas conseguiu ter de ir servir uns patrões que viviam muito distantes da sua casa. Como era um homem bom, sério e honesto e como confiava nos outros pediu ao amo que lhe guardasse o dinheiro que ia recebendo das soldadas. Ao fim de uns quatro anos já amealhara grande quantidade de moedas, que lhe chegariam para viver e como tinha saudades da mulher, decidiu voltar para casa. Ao comunicar a sua decisão ao patrão, este disse-lhe:

– Qual queres que te dê: três bons conselhos que te vão servir para toda a vida, ou o teu dinheiro?

O homem disse-lhe que queria o seu dinheiro.

O patrão respondeu:

– Mas olha que te podem assaltar pelo caminho e matarem-te para te roubar o dinheiro.

– Pois então, - disse o rapaz - venham de lá os conselhos e fique com o dinheiro.

Disse-lhe o patrão:

– O primeiro conselho que te dou é que nunca te metas por um atalho sinuoso, podendo andares por um caminho largo e bom, embora mais extenso.

– Cá me fica para meu governo. – Retorquiu o rapaz.

– O segundo, é que nunca pernoites em casa de homem velho casado com mulher nova.

- E o terceiro? – Indagou.

- O terceiro vem a ser: nunca te decidas pelas primeiras aparências.

O rapaz guardou na memória os três conselhos, que representavam todas as suas soldadas e, quando se ia embora, a dona da casa deu-lhe um bolo para o caminho, a fim de que o comesse se tivesse fome; mas disse-lhe que era melhor comê-lo em casa com a mulher, quando lá chegasse.

Partiu o homenzinho de casa do amo e, pouco depois, encontrou pelo caminho uns almocreves que levavam uns machos com fazendas para venderem numa feira. Foram juntamente, conversando e contando a sua vida uns aos outros. A certa altura um dos vendedores disse que pretendia cortar caminho por ali por uns atalhos ali existentes, porque assim pouparia mais de meia hora de caminho. O rapaz decidiu continuar pelo caminho mais longo, e quando ia chegando a um povoado, viu vir o vendedor todo esbaforido sem os machos. Tinham-no roubado e espancado.

Disse o moço:

– Já me valeu o primeiro conselho.

Seguiu o seu caminho, e chegou já de noite a uma venda, onde foi beber uma pinga, e onde tencionava pernoitar, mas quando viu o taverneiro já homem velho e a mulher ainda muito nova, pagou e foi andando sempre, Quando chegou à vila, ia lá um reboliço enorme: é que a Justiça andava em busca de um assassino que tinha fugido com a mulher do taverneiro que fora morto naquela noite. Disse o rapaz lá consigo:

– Bem empregado dinheiro que me levou o patrão por este e pelos outros conselhos.

E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa. E lá chegou. Quando se ia aproximando da porta, viu dentro de casa um homem, sentado ao lume com a sua mulher! A sua primeira ideia foi a de ir matar ambos. Lembrou-se do conselho, e curtiu consigo a sua dor. Pouco depois entrou muito calmo pela porta dentro. A mulher veio abraçá-lo, e disse:

– Aqui está o meu irmão, que chegou hoje mesmo do Brasil. Que dia! E tu também ao fim de quatro anos regressaste a casa!

Abraçaram-se todos muito contentes. No dia seguinte tiveram uma visita. Era o patrão que lhe vinha entregar todo o dinheiro que ele ganhara durante os quatro anos em que ele o servira.

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