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PAPÃO FEIO

Domingo, 31.07.16

Em criança, todos nós, de forma mais ou menos inconsciente, fizemos as nossas “asneirasitas”, manifestámos algumas birras, chorámos quando devíamos estar caladinhos, enchíamo-nos dos pés à cabeça de sarampo e bexigas loucas, apanhávamos defluxo, mexíamos no que não devíamos, surripiávamos, às escondidas, uma colherzita de açúcar, atirávamos o gato para o curral das galinhas, dizíamos nomes feios e “entregávamos”, enfim e numa palavra, metíamos o nariz onde não éramos chamados.

Os nossos pais, para nos castigar e corrigir daquelas pequeninas malícias, as quais, mais do que os prejudicar, lhe dificultavam e obstruíam as inúmeras e árduas tarefas do seu quotidiano agrícola e, sobretudo, doméstico, lá foram criando alguns monstros supostamente idealizados para nos amedrontar. Entre eles o Papão Feio, o Coiso-Mau, o Boiceiro e tantos outros.

E não é que as ameaças, muito naturalmente, ultrapassavam os efeitos desejados e o medo apoderava-se de nós, inocentes e frágeis criancinhas, a ponto de nos aterrorizarem e até, por vezes, nos tirarem o sono?

Talvez porque exagerassem nos arquétipos concebidos, talvez porque se arrependessem de os ter criado, os nossos antepassados tentaram afastá-los. Já era tarde, mas em boa hora o fizeram, porque assim nasceram algumas belas canções que as nossas mães cantavam sobre o nosso berço, enquanto esperavam que o leite colocado em cima do tisnadíssimo fogão de vidro do candeeiro a petróleo amornasse para depois o meter numa garrafa, já vazia, de xarope de benzo-diacol, colocando-lhe uma mamadeira no lugar da rolha, simulando, assim, os modernos biberões. Uma dessas canções que ouvi tantas vezes cantar sobre o berço de meus irmãos mais novos era precisamente “O Papão Feio”, felizmente já registado em CD, através duma excelente interpretação de Maria Antónia Esteves, baseada numa cuidadosa recolha feita na Fajã Grande, por seu tio, o P.e José Luís de Fraga e cuja letra, a seguir reproduzo:

 

“Vai-te embora papão feio,

De cima do meu telhado.

Deixa dormir o menino,

Um soninho descansado.

 

Vai-te embora papão feio,

De cima desse loureiro,

Deixa dormir o menino,

Que está no sono primeiro. “

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