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PARTE II – I ATO CENA 1

Sexta-feira, 03.03.17

I ATO

 

Uma cozinha rural açoriana dos anos 50, grande, velha e escura. No centro uma mesa grande com alguns bancos à volta. Sobre a mesa pão de milho e um bocado de queijo. Pendente numa trave uma pequena candeia apagada. No lar panelas velhas e tisnadas, achas de lenha e “garranhos” para acender o lume. No chão um caixote que serve de parque a um bebé, o balde do porco e um gato.

 

CENA 1

 

AMÉLIA        (Varrendo a cozinha e cantarolando)

No alto daquela serra, no alto daquela serra,

Está um lenço, está um lenço a abanar.

Está dizendo:”Viva! Viva!” Está dizendo:”Viva! Viva!”

A quem o queira apanhar, a quem o queira apanhar.

No alto daquela serra, no alto daquela serra,

Está um lenço, está um lenço a abanar.

Está dizendo:”Morra! Morra!” Está dizendo:”Morra! Morra!”

Morra quem não o souber apanhar… (Interrompe com a entrada do pai).

PAI                 (Entrando) – Amélia, viste o Álvaro? Sabes para onde está?

AMÉLIA        - Então meu pai não sabe?! É a mesma coisa todos os dias… Vai levar as vacas do primo Luís ao Outeiro Grande e fica por lá a manhã toda… Meu pai é que fez essas combinações...

PAI                 - Qual combinações, qual carapuça! Não sabes a nossa vida, filha? Como é que eu posso pagar ao Luís para cortar o cabelo a teus irmãos e a mim? Sabes muito bem que o dinheiro que ia gastar por mês para cortar o cabelo a todos dá p’ro sabão, p’ro petróleo e, uma vez por outra, comprar um bocadinho de açúcar. E nem fui eu que pedi ao primo Luís… Foi ele que me fez a proposta: se um dos pequenos lhe fosse levar as vacas todos os dias, ele cortava-nos o cabelo de graça e ainda nos soldava as latas do leite quando rompessem. Não achas um bom negócio? É claro que não ia deixar ir o Justino ou o Alípio, que me ajudam muito nas terras e me iam fazer muita falta. Ainda por cima o Justino tem que ir para a escola… Só podia ser o Álvaro. Só que aquele destróia leva horas para lá ir e vir… E eu aqui feito parvo à espera do sarigaito! E eu bem que precisava dele…

AMÉLIA        (Continuando a varrer) - Meu pai é que tem a culpa toda. Deixa-o fazer tudo o que ele quer e não lhe diz nada. Eu bem precisava dele para me acartar água, deitar comida às galinhas e tomar conta do Luís, quando ele vem para cá. Só que ele demora horas! E quando não vai ao Outeiro Grande é só brincar com a ovelha… E não sei se meu pai sabe, - (parando e dirigindo-se convicta pata o pai) - o pior são as queixas que têm vindo fazer dele: a Júlia Beliza já me veio dizer que qualquer dia vem falar com pai porque ele lhe deita as paredes abaixo e ainda o pior é que a Elisa Garcia já foi fazer queixa a avó porque ele entrou na quinta dela para apanhar maçãs. (Continuando a varrer) - E olhe que já o vi chegar a casa com maçãs nas algibeiras das calças e nas mangas da froca… E o atrevido não me diz onde as apanhou. Eu bem aperto com ele e o belisco…  Mas ele… nada.

PAI                 (Sentando-se à mesa) - Também há pessoas que se queixam por tudo e por nada… Tenho que o repreender, mas não vai ser hoje. Preciso é que ele vá comigo a Ponta Delgada, esta tarde.

AMÉLIA        - O quê!? A Ponta Delgada!? (Arrumando a vassoura.) - Meu pai não está bom do juízo! Vai para Ponta Delgada a estas horas? Com o Álvaro?

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