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PADRINHOS

Sábado, 24.06.17

“Quem não tem padrinhos não se batiza.”

 

Este adágio, como era muito utilizado na Fajã Grande mas, como é óbvio, apenas no sentido figurado, pois na realidade nunca ninguém ficou por batizar na Fajã Grande por não ter padrinhos nem por outro motivo qualquer.

Assim usava-se este provérbio querendo significar-se que em inúmeras situações do quotidiano muitas pessoas conseguindo sucesso na sua vida ou no seu trabalho ou alcançar qualquer benefício não em virtude dos seus méritos mas graças a alguém mais poderoso que tudo conseguia e de quem era protegido. Eram as vulgarmente chamadas “cunhas” para arranjar um emprego, obter proteção, livrar-se da tropa, etc, etc. Esta situação parece ser tão antiga e tão comum em Portugal que consta que el-rei D. João III, certo dia, terá dito:

- Toda a gente tem padrinhos neste país. Apenas eu não os posso ter.

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O ARCO-DA-VELHA DE TARDE

Segunda-feira, 15.05.17

“Arco-da-velha de tarde, de manhã mansidade.”

 

Na Fajã Grande o Arco-Íris era muito frequente e designava-se por Arco-da-Velha. Havia por ele um grande respeito, até um certo temor porquanto de misticismo e de belo ele continha. Acreditava-se, inclusivamente, que no dia em que ele aparecesse de pernas para o ar, isto é, invertido, seria o fim do Mundo. Também se considerava como uma espécie de aviso meteorológico que este adágio encerra: Quando o Arco-íris aparecia à tarde era sinal de que a manhã do dia seguinte seria de bom tempo. Na verdade o belo e colorido efeito do Arco-Íris podia ser observado sempre que existiam gotas de água suspensas no ar e a luz do sol estivesse a brilhar, mais alta do que o observador, a uma baixa altitude. Ligada ao Arco-da-Velha havia outros ditos, lendas e até expressões como esta: Isto são coisa dos do Arco-da-Velha com a qual se pretendia significar que o que aquilo que se referia eram assuntos ou coisas extraordinárias, incríveis, invulgares ou mirabolantes. Por isso este arco colorido, desenhado frequentemente no céu era não só mágico mas também benfazejo, uma vez que aparecendo à tarde era anunciador de bonança.

O adágio era pois utilizado apenas e exclusivamente no sentido real.

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SOL DE ABRIL

Quarta-feira, 12.04.17

“Sol de abril quem o vir abre a mão e deixa-o ir.”

 

Adágio muito utilizado, antigamente, na Fajã Grande, no sentido real e somente a querer significar que no mês de abril o sol ainda não aparecia em todo o seu esplendor e, além disso, era sol de pouca dura. O desaparecer do sol, em abril era tão rápido como o abrir ou fechar de uma mão.

Na verdade, abril, embora já em plena primavera, o sol era raro pois este ainda era um mês de inverno, ensombrado e de chuva, por vezes de mau tempo, por isso também se dizia em abril águas mil.

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FEVEREIRO EM ADÁGIOS

Terça-feira, 28.02.17

A castanha e o besugo, em fevereiro não têm sumo.

A doçura de fevereiro faz o dono cavalheiro.

A dois dias de fevereiro, sobe ao outeiro: se a candelária chorar, está o inverno a chegar; se a candelária sorrir, está o Inverno para vir.

Ao fevereiro e ao rapaz perdoa tudo quanto faz, se fevereiro não for secalhão e o rapaz não for ladrão.

A neve que em fevereiro cai das serras, poupa um carro de estrume às vossas terras.

Água de fevereiro enche o celeiro.

Aí vem o meu irmão março, que fará o que eu não faço.

Ao fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.

Aproveite em fevereiro quem folgou em janei

Aveia de fevereiro enche o celeiro

Bons dias em janeiro enganam o homem em fevereiro.

Bons dias em janeiro vêm a pagar em fevereiro.

Candelária chovida, à candeia dá vida.

Chuva de fevereiro mata o onzeneiro.

Chuva de fevereiro vale por estrume.

Chuva em Dia das Candeias ano de ribeiras cheias.

Dia de S. Brás a cegonha verás, e se não a vires o inverno vem atrás.

Em dia de S. Matias começam as enxertias.

Em fevereiro chuva, em agosto uva.

Em fevereiro neve e frio, é de esperar ardor no estio.

Em fevereiro, chega-te ao lameiro

Em fevereiro, ergue-se o centeio, a aveia enche o celeiro e a perdiz afaz-se ao poleiro.

Em fevereiro, mete obreiro; pão te comerá, mas obra te fará.

Fevereiro chuvoso faz o ano formoso.

Fevereiro coxo, em seus dias vinte e oito.

Fevereiro é dia, e logo é Santa Luzia.

Fevereiro engana as velhas ao soalheiro.

Fevereiro enganou a mãe ao soalheiro.

Fevereiro enxuto, rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.

Fevereiro leva a ovelha e o carneiro.

Fevereiro o mais curto mês e o menos cortês.

Fevereiro quente traz o diabo no ventre.

Fevereiro quente, não o vejas tu nem o teu parente.

Fevereiro recouveiro, afaz a perdiz ao poleiro.

Fevereiro seca as fontes ou leva as pontes.

Fevereiro trocou dois dias por uma tigela de papas.

Janeiro geoso e fevereiro chuvoso fazem o ano formoso.

Neve de fevereiro, presságio de mau celeir

O primeiro de fevereiro jejuarás, o segundo guardarás e o terceiro é dia de S. Brás; semeia o cebolinho e te-lo-ás.

O tempo de fevereiro enganou a mãe ao soalheiro.

Para parte de fevereiro, guarda lenha de Quinteiro.

Pelo S. Matias noites iguais aos dias.

Quando a Candelária chorar, o inverno está a passar. Quando a Candelária rir, o inverno está para vir.

Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom palheiro.

Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.

Tanta chuva pelas candeias tantas abelhas para as colmeias.

Tantos dias de geada terá maio, quantos de nevoeiro teve fevereiro.

Vai-te embora fevereiro que não me deixaste nenhum cordeiro.

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JANEIRO FORA

Quarta-feira, 01.02.17

 

“Janeiro fora Cresce uma hora e se bem contar hora e meia há-de achar.”

 

Este é um adágio muito divulgado e conhecido. Antigamente, também era muito lembrado na Fajã Grande. Nesse tempo o povo ainda regulava o seu dia-a-dia pelo saber das suas experiências quotidianas, pelo Sol, pela Lua, pelas nuvens, pelas estrelas, pela noite e pelo dia. Este, como muitos outros adágios está relacionado com um dos meses do ano, janeiro, um dos meses em que os dias sendo muito curtos, impediam que o trabalho agrícola se prolongasse e fosse mais amplo. O adágio revelava pois uma certa alegria ou um notório contentamento, uma vez que, a partir de janeiro já havia pelo menos mais uma hora para se poder trabalhar os campos.

Outros adágios de janeiro:

A água de Janeiro vale dinheiro.

Ao minguante de Janeiro, corta o madeiro.

Bom tempo no Janeiro e mau no estio, bom ano de fome, mau ano de frio.

Bons dias em Janeiro vêm a pagar-se em Fevereiro.

Comer laranjas em Janeiro é dar que fazer ao coveiro.

Em Janeiro seca a ovelha e suas madeixas ao fumeiro.

Em Janeiro sobe o outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar.

Em Janeiro salto de carneiro.

Janeiro e Fevereiro vazam o celeiro.

Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado.

Janeiro quer-se geadeiro.

Luar de Janeiro não tem parceiro, mas o de Agosto dá-lhe no rosto.

Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.

O bom tempo de Janeiro faz o ano galhofeiro.

Os bons dias em Janeiro vêm-se a pagar em Fevereiro.

Sol de Janeiro anda sempre atrás do outeiro.

 

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A SOMBRA DA BOA ÁRVORE

Sábado, 31.12.16

“Quem ao pé da boa árvore se senta, boa sombra o cobre.”

 

As referências a árvores boas e, consequentemente, aos bons frutos que as mesmas davam eram uma constante nas pregações de novenas e festas, citando os Evangelhos: Toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore má dá frutos maus. Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? Outras vezes o Antigo Testamento: Ele será como uma árvore plantada junto às boas águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Uma árvore que não se afligirá quando chega o calor, porque as suas folhas estão sempre viçosas; não sofre de ansiedade durante o ano da seca nem deixará de dar seu fruto!

Naturalmente por tudo isto e pela experiência quotidiana que implicava uma conveniência permanente com as árvores, na Fajã Grande, antigamente, utilizava muito este adágio, mas em sentido figurado, uma vez que as pessoas eram comparadas às árvores e as suas ações aos frutos das mesmas. Assim, com este adágio pretendia-se simplesmente significar a importância das boas companhias, pese embora se cuidasse que estas eram difíceis de encontrar.

Que nos sentemos todos ao pé de boas árvores neste dealbar de 2017. Um Bom Ano para todos os visitantes e leitores do Pico da Vigia 2.

  FELIZ ANO NOVO

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TROVÃO NO INVERNO

Terça-feira, 06.12.16

“Trovão no inverno, tempo moderno (bonançoso).”

 

Este era um dos adágios mais interessantes e mais utilizados, antigamente, pela população da Fajã Grande, sobretudo pelos mais velhos. Quando trovoava em pleno inverno logo diziam:

- Trovão no inverno, tempo moderno.

Por um lado, talvez, pretendessem acalmar as crianças geralmente muito sensíveis a fortes trovoadas, mas por outro estavam a impor a sua sabedoria secular. É que a trovoado de inverno, regra geral acalma as tempestades, enfraquecendo quer o vento quer a chuva. Assim a trovoada no inverno era indicativo de que se seguiria bom tempo. Aliás a trovoada no inverno era mais rara, embora, na Fajã Grande acontecesse com alguma frequência o suficiente, mas é possível. As estações do ano mais propícias a trovoadas são a chamada primavera-verão, nessa altura seguidas de fortes temporais. Por isso o povo também utilizava um outro adágio: Trovão no verão água na mão. No inverno, geralmente não se viam os relâmpagos, uma vez que o céu está coberto de nuvens, enquanto nas noites de primavera faiscavam no horizonte. O povo classificava-os como o céu a abrir, dado que só via os relâmpagos e não se ouviam os trovões. Estas manifestações atmosféricas dizia-se, eram sinal de mau tempo. Segundo a metereóloga as trovoadas podem-se formar no interior das massas de ar (a partir da elevação do ar por convecção - comum em terra nas tardes de verão - quando o aquecimento da superfície atinge o seu pico - e sobre o mar nas madrugadas de inverno, quando as águas estão relativamente quentes)...

Acrescente-se que o termo moderno, nas Flores quando se refere ao tempo significa bonançoso e quando se refere a pessoas, geralmente tratando-se de crianças, significa sossegado, moderado de maneiras.

Assim o povo da Fajã Grande apenas confirmava com este adágio um ditado popular muito conhecido: A seguir à tempestade vem a bonança, embora utilizado, sobretudo, no sentido figurado: quando uma pessoa passa dificuldade, investe e depois colhe, ou ganha.

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PROVÉRBIOS DE SÃO MARTINHO

Sexta-feira, 11.11.16

- A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.

- Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.

- Pelo São Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.

- No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

- No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.

- No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

- No dia de S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.

- No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.

- No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.

- No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.

- Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.

- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.

- Por São Martinho, semeia fava e linho.

- Por São Martinho, nem favas nem vinho.

- Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.

- São Martinho, bispo; São Martinho, papa; S. Martinho rapa.

- Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.

- Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

- Verão de S. Martinho são três dias e mais um bocadinho.

- Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

- Castanhas boas e vinho fazem as delícias do S. Martinho.

 

Fonte - Internet

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AS TAREFAS DOS MESES

Quinta-feira, 10.11.16

 

 “Janeiro gear, fevereiro chover. março encanar, abril espigar, maio engrandecer. junho ceifar, julho debulhar, agosto engavelar. setembro vindimar, outubro revolver, novembro semear, dezembro nasce Deus para nos salvar.”

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A AJUDA DE TODOS OS SANTOS

Terça-feira, 01.11.16

“Para baixo todos os Santos ajudam.”

 

Adágio muito utilizado na Fajã Grande quase sempre no sentido real. Servia sobretudo com forma de incentivar quem. após uma subida árdua e difícil, iniciava a respetiva descida. Naturalmente que as inúmeras ladeiras que proliferavam pelos caminhos, canadas e veredas da freguesia e sobretudo a alta rocha que a flanqueava a leste contribuíam para que este adágio fosse utilizado com muita frequência.

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publicado por picodavigia2 às 21:11

PROVÉRBIOS DE CASTANHAS

Terça-feira, 01.11.16

- A castanha é de quem a come e não de quem a apanha.

- A castanha e o besugo em fevereiro não têm sumo.

- A castanha em agosto a arder e em setembro a beber.

- A castanha tem três capas de inverno: a primeira mete medo, a segunda é lustrosa e a terceira é amarga.

- A castanha tem uma manha: vai com quem a apanha.

- A castanha veste três camisas: uma de tormentos, outra de estopa e outra de linho.

- A castanha amarela em agosto tem a tinta no rosto.

- Ao assar as castanhas, as que estouram são as mentiras dos presentes.

- Arreganha-te, castanha, que amanhã é o teu dia.

- As castanhas apanham-se quando caem.

- As castanhas para o caniço e o boneco para o porco.

- As folhas de castanheiro andam sete anos na terra e depois ainda voam.

- Castanha assada, pouco vale ou nada, a não ser untada.

- Castanha bichosa, castanha amargosa.

- Castanha peluda, castanha reboluda.

- Castanha perdida, castanha nascida.

- Castanha que está no caminho é do vizinho.

- Castanha quente só com aguardente, comida com água fria causa «azedia»

- Castanha semeada, p´ra nascer, arrebenta.

- Castanhas caídas, velhas ao souto.

- Castanhas do Natal sabem bem e partem-se mal.

- Castanhas idas, velhas pelos soutos.

- Castanheiro para a tua casa, corta-o em janeiro.

- Crescem os reboleiros, morrem os castanheiros.

- Cruas, assadas, cozidas ou engroladas, com todas as manhas, bem boas são as castanhas.

- De bom castanheiro, boa acha.

- De bom castanheiro, bom madeiro.

- De castanha em castanha (roubando) se faz a má manha.

- De castanheiro caído todos fazem lenha.

- Desde que a castanha estoira, leve o diabo o que ela tem dentro.

- Em ano de muito ouriço não faças caniço.

- Em minguante de janeiro, corta o teu castanheiro.

- Em setembro, antes de chover, o souto o arado quer ver.

- Folha amarela do castanheiro cai ao chão.

- Mais vale um castanheiro, que um saco de dinheiro.

- O castanheiro, para plantar, precisa ir na mão, o carvalho às costas e o sobreiro no carro.

- O Céu é de quem o ganha e a castanha de quem a apanha.

- O ouriço abriu, a castanha cai.

- Quando gear, o ouriço vai buscar.

- Quando o sol aperta, o ouriço arreganha.

- Quem castanhas come, madeira consome.

- Quem não sabe manhas, não come castanhas.

- Raiz de castanheiro, dá bom braseiro.

- Sete castanhas são um palmo de pão.

 

Fonte - Internet

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publicado por picodavigia2 às 00:04

AVENTEJAR

Sexta-feira, 28.10.16

“Quando há vento é que se aventeja.”

 

O verbo aventejar era utilizado na Fajã Grande como significado da ação de despejar os grãos do trigo, do tremoço, das favas e até do milho ao vento com o objetivo de os separar das faúlhas originadas pela debulha ou pela descasca.

A palavra, aparentemente, parece ser uma corruptela de ventejar, pese embora, segundo o conceituado Caldas Aulete, ventejar signifique ventar brandamente. Isto, porém, não indicará que o aventejar fajãgrandense não seja uma deturpação daquela palavra uma vez que quer uma quer a outra, direta ou indiretamente, estão ligadas ou até têm a sua origem na palavra vento.

Mais importante, porém, é descortinar o significado deste adágio, o qual não deve ser entendido no sentido real mas sim no figurado. Na verdade ao proferir-se este aforismo pretendia-se apenas e tão-somente significar que na nossa vida quotidiana é muito importante aproveitar as ocasiões que nos são proporcionadas, em cada momento. Não devemos ficar indiferentes a uma oportunidade proveitosa que nos surge num determinado momento. No entanto o provérbio também era utilizado como forma probatória dos exageradamente oportunistas e até da sua condenação.

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LAPAS EM MAIO E COUVES EM AGOSTO

Terça-feira, 23.08.16

“Mas morto por morto, antes lapas em maio do que couves em Agosto.”

 

Mais um interessante adágio outrora muito usado na Fajã Grande e que tem muitas semelhanças com este um outro, utilizado, com frequência, na mesma freguesia: “Quem quiser o marido morto, dê-lhe lapas em Maio e couves em Agosto.”

É pois fácil concluir-se que as lapas em maio, na mais ocidental freguesia açoriana, não eram boas e que piores ainda seriam as couves se comidas no mês de agosto. Na verdade, ambos os provérbios parecem confirmar uma crença comum que existia, de que no mês de maio as lapas não eram tão saborosas nem tão boas para comer como nos restantes meses do ano, o mesmo acontecendo com as couves, mas estas, no mês de agosto. Na realidade a sabedoria popular tinha a capacidade de muito bem selecionar as alturas do ano em que este ou aquele alimento deveria ser evitado nos cardápios diários, por não ter tão boa qualidade e não ser tão agradável ao paladar. Recorde-se por exemplo o caso da abrótea, que também por indicação da sabedoria popular, não era boa nos meses que não possuem a letra “r”: maio, junho, julho e agosto.

Sendo assim, com este adágio pretende-se, simplesmente, avisar os menos cautos de que havia alturas do ano em que os alimentos eram, eventualmente, menos saborosos e consequentemente deviam ser evitados, pelo que o mesmo deve ser entendido no seu sentido real, não se lhe conhecendo qualquer sentido figurado.

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PEDRADAS

Terça-feira, 12.07.16

“Quem tem janelas de vidro não deve atirar pedradas.

Passa um dia, outro dia e encontra as suas quebradas.”

 

Notável doutrina a que contém este adágio, muito utilizado antigamente na Fajã Grande. Numa sociedade onde todos se encontravam e reencontravam diariamente, onde todos conviviam e em que todos ocupavam os mesmos espaços, impunha-se o respeito pelo outro, o fazer-lhes o bem e não o mal. A convivência diária, a luta pelo pouco que cada um possuía, as guerrilhas, os mexericos, as queixas e, sobretudo, o malfadado hábito de se meterem na vida de uns e outros, ou até de se regozijar com o mal alheio, não garantiram uma sociedade equilibrada, sem guerrilhas, ódios e injustiças. Era necessário, pois, a instauração de um novo tempo, de um diferente modus vivendi, próprio dos que pretendem ser virtuosos e bons, não apenas evitando prejudicar os seus semelhantes mas até de os ajudar. Nesta sociedade, fechada, pequena e bastante limitada económica e socialmente, impunha-se a vivência em plenitude do princípio, primeiro e principal, de toda a moral natural: Bonum est faciendi maluque evitandum, ou seja, todos devemos Fazer o bem e evitar o mal.

Mas o adágio vai mais longe, lembrando que a prática deliberada e consciente do mal, mais cedo ou mais tarde voltar-se contra quem o pratica. Havia pois que reforçar a vivência da ética e tentar ir na prática quotidiana além da dimensão do proibitivo. Com efeito, ao citar este adágio pretendia-se não apenas desvalorizar as regras que proíbem atos contrários ao bem comum, mas sobretudo potencializar a prática do bem, do fazer algo pelos outros, de os ajudar. Este adágio, afinal demonstra que na Fajã Grande como em todas as outras localidades do mundo a educação para ética se deve fundamentar mais na dimensão do proibido, ou seja, naquilo que não se deve fazer, descuidando a dimensão do que se deve sentir e do bem que se deve fazer. A ética pela lógica da proibição legisla atitudes, neste caso através de um simples adágio, que na verdade devem ser tidas no nosso viver quotidiano, na nossa prática diária, no encontro com o próximo. Quem tem bom fundo, quem conhece a verdade, quem pugna pela dignidade, quem tem respeito pelo outro e, sobretudo, se for cristão deve tornar-se virtuoso, não esperando em nenhum momento pautar a sua vida pelas proibições mas sim nos princípios em que acredita. Entre estes está o respeito pelo outro. Nisto consiste a consciência moral. O adágio apenas tenta ajudar os menos capazes de atingir tal desiderato.

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MENINAS E TRINDADES

Terça-feira, 21.06.16

“Trindades batidas, meninas recolhidas.”

 

Este era um dos adágios mais utilizados na Fajã Grande na década de cinquenta e a que, sobretudo as mães recorriam a fim de justificar a proibição das filhas e das raparigas em geral saírem de casa à noite. Na verdade, na década de cinquenta ainda era proibido à mulher, entre muitas outras coisas sair de noite de casa. Era pois utlizado este adágio no sentido bem real. Ao homem tudo era permitido, incluindo o sair de casa a qualquer hora, à mulher tudo era proibido. Esse adágio refletia o clássico "homem pode, mulher não", comum em muitos relacionamentos.

O adágio reflete pois um machismo desenfreado e estonteante, herdado dos tempos medievais e que, nalgumas sociedades ainda perdura nos nossos dias, embora, por vezes, disfarçadamente.

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DESCANSO LABORIOSO

Sábado, 21.05.16

“Enquanto se descansa ajunta-se o cascalho.”

 

Interessante adágio que espelha em plenitude a árdua e cansativa vida de trabalho a que estava sujeito o povo da mais ocidental freguesia açoriana. Na verdade, na Fajã Grane, em tempos idos, o trabalho era tão intenso e as atividades agrícolas tão exigentes que mesmo quando se descansava era imperioso trabalhar, realizando, é verdade que atividades mais leves, mas necessárias à vida agrícola e que neste adágio estão personificadas no simples ato de juntar o cascalho existente nos terrenos agrícolas e que era imperioso retirar pois era prejudicial ao cultivo do milho, das batatas, das couves e de todas as outras culturas.

Embora a Fajã Grande possuísse bons terrenos agrícolas, em muitos deles havia muitos pedregulhos misturados com a terra. Sabe-se que desde o início do povoamento o povo foi limpando os terrenos que pretendia cultivar e colocando quer o cascalho quer as grandes pedras que ia retirando do solo num canto do terreno, formando assim os tradicionais maroiços que, nas Flores, ao contrário de outras ilhas, serviam para o cultivo de figueiras e de parreiras, cujos figos e uvas eram muito apreciados.

Meu pai tinha um serrado no Porto, onde semeava milho, batata-doce e couves. A sul deste serrado e já na fronteira com o lugar da Caravela, o serrado tinha um grande maroiço. Para além de belas parreiras existiam ali duas grandes figueiras, uma de figos pretos e outra de bacorinhos. Em altura da safra, quando lá ia, deliciava-me quer com as uvas quer com os figos. Mas como o meu maroiço do Porto, existiam muitos outros maroiços, sobretudo nas Furnas, no Areal, o Porto, no Mimoio e em muitos outros lugares da freguesia onde havia terras de cultivo, o que significava que muito cascalho havia sido junto e muito ainda haveria de se juntar. Assim este adágio tinha grande sentido pois, assim como se deviam aproveitar os momentos de descanso do trabalho agrícola para ir limpando o terreno e ajuntando o cascalho, atirando-o para cima do maroiço, devíamos aproveitar todo o tempo para realizar pequenas tarefas pois a ociosidade, ontem como hoje, é a mãe de todos os vícios.

Para a combater havia pois que se ajuntar cascalho e atirá-lo para cima dos maroiços.

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ADÁGIOS DE ABRIL

Sexta-feira, 15.04.16

Abril apresenta-se como o mês acerca do qual existem mais provérbios, talvez por ser considerado, relativamente à vida agrícola, o mais importante mês do ano: Muitos dos adágios que se seguem, na década de cinquenta ainda eram usados na Fajã Grande:

 

A invernia de março e a seca de abril põe o lavrador a pedir.

A ti, chova todo o ano, e a mim, abril e maio.

Abril chuvoso e maio ventoso fazem o ano formoso.

Abril com chuvadas, mentes amuadas.

Abril e maio são as chaves de todo o ano.

Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.

Abril frio traz pão e vinho.

Abril leva as peles a curtir.

Abril molhado, ano abastado.

Abril molhado, sete vezes trovejado.

Abril, abril, está cheio o covil.

Abril, espigas mil.

Abril, frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.

Água de abril, peneirada por um mandil.

Águas de abril são moios de milho.

Ao princípio e ao fim, abril costuma ser ruim.

As manhãs de abril são boas de dormir.

De março a abril há muito que pedir.

É mau por todo o abril ver o céu a descobrir.

Em abril corta um cardo, nascerão mais de mil.

Em abril dá a velha a filha, por um pão a quem lha pedir.

Em abril deita-te a dormir.

Em abril e maio moenda para todo o ano.

Em abril guarda o gado e vai onde tens de ir.

Em abril pelos favais vereis o mais.

Em abril queima a canga e o canzil.

Em abril queima a velha o carro e o carril e o que ficou, em Maio o queimou.

Em abril, a Natureza ri.

Em abril, a rês perdida recobra vigor e vida.

Em abril, águas mil.

Em abril, cada pulga dá mil.

Em abril, cavar e rir.

Em abril, de uma nódoa tira mil.

Em abril, enchem o covil.

Em abril, espigar.

Em abril, guarda o teu gado e vai aonde tens de ir.

Em abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.

Em abril, mau é descobrir.

Em abril, pelos favais vereis o mais.

Em abril, queijos mil.

Em abril, sai a velha do seu covil, dá uma volta e torna a vir.

Em abril, sai o bicho do covil.

Em Abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.

Em abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.

Em lua de abril tardia, nenhum lavrador confia.

Flores de abril, coração gentil.

Guarda pão para maio e lenha para abril.

Manhãs de Abril, boas de andar, doces de dormir.

Março ventoso, abril chuvoso, fazem o ano formoso.

Março, encanar; abril, espigar.

Mau é em abril ver o céu a descobrir.

Não há mês mais irritado que abril zangado.

Não há mês mais irritado que o abril zangado.

Nódoa de abril não há mês que a tire.

Nunca a chuva de abril é mau tempo.

O que abril deixa nado, maio deixa-o espigado.

Por onde abril passou, tudo espigou.

Quando chegar abril, tudo vai florir.

Quem em abril não merenda, ao cemitério se encomenda.

Se não chove em abril, perde o lavrador o carro e o carril.

Seca de abril deixa o lavrador a pedir.

Sol de abril, quem no vir, abra a mão e deixe-o ir.

Tarde acordou quem em abril podou.

Uma gota de abril, vale por mil.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A VELHA DE ABRIL

Domingo, 03.04.16

“Em Abril vai a velha a onde há-de ir e a sua casa vem dormir.”

 

Este é um adágio muito antigo, usado na Fajã Grande, onde havia uma espécie de fascinação mítica pela velha. No Carnaval em cada dança que se organizava nunca faltava a velha, muito maltrapida e muito endiabrada, sempre disposta a meter medo à criançada e a desafiar os adultos para a galhofa. A velha do Corvo, a que se recorria para explicar o nascimento das crianças, como que simbolizava um hino à inocência. Sendo ela a trazer os recém-nascidos numa cestinha e a deixá-los fora da porta, ocultava-se e encobria-se às crianças a cópula fecunda dos progenitores, anulando-lhes a própria vida sexual. O Arco-íris era designado por Arco-da-Velha e havia muitas furnas, cavernas e lugares onde a velha pontificava e, por vezes, até aparecia. Além disso contavam-se muitas histórias de velhas, misteriosas e enigmáticas e até havia uma brincadeira infantil chamada Velhas às Escondidas. A velha, na Fajã Grande, apresentava-se, geralmente sobre a forma de figura mítica e misteriosa, de bruxa ou de feiticeira, enigmática mas endiabrada, sobretudo para as crianças, e transparecia com silhueta alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos, manchas na pele e muitas outra maleitas. Eram as velhas, por vezes à mistura com o Papão Feio, que castigavam os meninos que teimavam em não dormir cedo, ou castiga-los quando faziam maldades, ou levá-los se eles se portassem mal.

Muitos destes mitos estendiam-se aos adultos, refletindo-se em ditos, frases, expressões ou adágios. Era o caso da Velha de Abril, que adquiria uma espécie de estatuto meteorológico para explicar as irregularidades do tempo, sobretudo entre o dia e a noite, durante o mês de abril, já destinado a inúmeras atividades agrícolas. Em abril, à incerteza do tempo durante o dia, umas vezes de sol e outras de chuva, opunham-se os ventos e os frios da noite. Havia que se aproveitar o bom tempo, havia que se ir onde era necessário ir, durante o dia por que durante a noite era difícil sair de casa, sendo, mesmo, impossível trabalhar. Por isso era invocada a imagem mítica da velha a qual, inequivocamente e sem falta, devia ir onde era necessário ir, durante o dia porque à noite seria incapaz de o fazer. Em abril vai a velha a onde há-de ir e a sua casa vem dormir. Ao povo era como que imposto, através da repetição deste adágio, uma espécie de ameaça ou aviso, personificado na Velha de Abril, cujo exemplo deveria ser seguido por todos.

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CAÇADOR DE MOSCAS

Quarta-feira, 23.03.16

“O diabo quando não tem que fazer caça moscas.”

 

Este é mais um interessante adágio utilizado, antigamente, na Fajã Grande. Com ele pretendia-se, muito especialmente, recriminar as crianças que estando desocupadas se entregavam a toda a espécie de diabruras, que incomodavam os adultos e punham os cabelos em pé aos progenitores.

No entanto, na Fajã Grande, terra de muito trabalho e canseiras como que se acreditava que não fazer nada é a coisa mais difícil do mundo, tão difícil que se tornava impossível, por isso ninguém que não fazia nada, nesse caso fazia o pior, dispartes ou asneiras, por isso o provérbio também se aplicava aos adultos.

A preguiça, na verdade, na mais ocidental freguesia açoriana, era assumida como um dos maiores de todos os vícios e para além de ser um obstáculo ao trabalho era a origem de outros vícios e de muitos disparates. Além disso era considerada como uma atitude reveladora de aversão ao trabalho, de negligência, de indolência, ou lentidão em praticar realizar qualquer tarefa. Por isso, através deste adágio, era invocado o diabo, o causador de todos os males, como sendo uma espécie de padroeiro ou patrono dos preguiçosos, uma vez que estes são avessos a atividades que mobilizem quer o esforço físico quer mental, de modo a, por conveniência, direcionarem as suas atividades para o disparate, para a asneira. Cuidava-se que era quase impossível estar sem fazer nada por isso quem não trabalhava, necessariamente, fazia asneiras. Por tudo isto este adágio também se aplicava muitas vezes aos adultos a fim de lhes lembrar estes postulados. Servia assim como uma espécie de motivação psicológica para combater a preguiça. Paralelamente também era muito frequente um outro adágio: A preguiça morreu à sede à beira de um poço com preguiça de se baixar para beber água”.

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LOIRO VERDE

Quinta-feira, 25.02.16

“Lenha de loiro verde serre meu genro fenda meu filho.”

Este é um adágio bastante enigmático e de enleada compreensão quer no seu sentido real, quer no figurado. O louro ou loureiro, ou ainda loiro, como se dizia na ilha das Flores, apresentava-se nas terras de mato da Fajã Grande, ora com um arbusto denso, sempre verde ou então como uma árvore ornamental de folhas verde-escuras, lisas, ovais e pontiagudas. Pequenas flores beges-amareladas apareciam no início do verão, seguidas, por vezes, sobretudo nos anos mais quentes e nas plantas adultas, por bagas pretas. A parte mais utilizada desta planta, na maioria das regiões, são as suas folhas, secas, muito utilizadas na culinária, para temperar os alimentos durante a sua confeção, uma vez que o louro é uma espécie de especiaria aromatizante, conferindo um sabor agradável à comida. Mas nem todo o tipo de louro pode ser utilizado na culinária.

Na Fajã Grande havia muito louro que, na maioria dos casos era utlizado como lenha. As folhas e os ramos do louro ardiam muito bem e, por isso, eram usados também nas fogueiras que se faziam na noite de São João.

Mas a lenha de loiro como toda a outra lenha, de incenso, faia, sanguinho ou até de cedro, tinha que ser serrada e fendida, sendo que nenhuma destas duas operações, aparentemente, seria mais cansativa ou desgastante do que a outra. Assim uma delas, provavelmente a mais suave, devia ser atribuída ao filho, enquanto a outra, mais dura cansativa, destinar-se-ia ao familiar menos amado, ao genro. Mas a interpretação, embora menos lógica mas mais coerente, aparentemente, parece ser outra. A presença do genro e do filho, naturalmente mais novos do que pais ou sogros, parece querer significar que fender e serrar louro, sobretudo quando verde, era tarefas mito difíceis, devendo, por conseguinte, serem atribuídas a gente mais nova. Assim e no sentido figurado com o uso deste adágio queria, muito provavelmente, significar-se como que uma espécie de desabafo que permitisse aos mais velhos se libertarem ou abdicarem das tarefas mais pesadas e duras, que deviam ficar para os mais novos, para os filhos e para os genros.

 

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MÃO DE MESTRE

Sexta-feira, 05.02.16

“Mão de mestre é unguento.”

 

Este adágio muito utilizado na Fajã Grande, na década de cinquenta, era um verdadeiro elogio à sabedoria, pese embora não fosse exclusivo daquela freguesia uma vez que era e é utilizado em muitas outras localidades não só das ilhas mas também do continente. Consta que até Fernando Pessoa se recorria dele para fundamentar alguns dos seus pensamentos. Recorde-se qua a palavra unguento significa, simplesmente, qualquer medicamento para uso externo, pouco consistente, e que tem por base uma substância gorda, portanto algo que cura E será este aqui o seu significado. Tudo se cura, se concerta ou se resolve da melhor forma se a pessoa em causa for mestre, se tiver conhecimento prático daquilo que está a fazer. Isto aplic a-se a todo o tipo de atividades, mas usava-se muito concretamente, quando se referia a problemas de saúde e que eram ultrapassados com a ajuda de alguém que sabia o que estava a fazer. Na Fajã estes mestres do unguento eram sobretudo dois: a Senhora Mariquinhas do Carmo e o pároco da Fajãzinha o padre António Joaquim Inácio de Freitas. Na verdade, assim como em todas as localidades, na Fajã Grande havia um conjunto de saberes, baseado na experiência quotidiana, na observação meticulosa e contínua do meio natural, numa tentativa de conhecer o meio natural, de perceber, conhecer e dominar os princípios pelos quais se regem as leis da natureza e, sobretudo, de alterar ou modificar o seu curso. Este conhecimento, esta experiência e este domínio vão-se transmitindo de geração em geração arquivando-se numa cultura tradicional. Quem a domina é mestre e, nas mãos deste, tudo tem remédio ou solução, Por isso é que estas (mãos de mestre) são bálsamo ou unguento.

 

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MOINHO E MOENDA

Quinta-feira, 07.01.16

“Moinho parado não cobra moenda.”

Mais um interessantíssimo provérbio muito utilizado, antigamente, na Fajã Grande e com características tipicamente açorianas, nomeadamente da ilha das Flores e, mais concretamente, da Fajã Grande, onde o moinho, na década de cinquenta, ainda era rei e senhor porque fundamental na limitadíssima economia da mais ocidental freguesia portuguesa. Este adágio, que se aplica na plenitude do seu significado a um quotidiano de trabalho exaustivo, intenso e contínuo do povo da Fajã Grande dos tempos antigos, parece ser a tradução ou adaptação de um outro muito conhecido e também muito comum nas ilhas: Barco parado não ganha frete.

Na Fajã Grande, na verdade, assim como os moinhos ou os barcos, os humanos quase não podiam estar parados a descansar. A vida agrícola a que se dedicavam a tempo inteiro, a que se associava a pecuária, era muito exigente, para além de cansativa, árdua e trabalhosa. Não dava tréguas. Era necessário trabalhar durante todo o dia e, muitas vezes prolongar o trabalho pela noite dentro ou iniciá-lo alta madrugada. Parar para descansar ou, ainda pior, por preguiça, era sinal de que os produtos agrícolas teriam menos qualidade ou nem chegariam a crescer, feneceriam por completo, por isso era necessário, contínua e permanentemente, incentivar o povo e fazer apelos a que se trabalhasse. O moinho a girar dia e noite, com as águas das ribeiras era, indubitavelmente, um dos melhores exemplos para acicatar a atividade laboriosa dos habitantes da Fajã Grande, até porque os moinhos de água terão surgido na freguesia, muito provavelmente, desde os primórdios do seu povoamento, fazendo parte do seu património e da sua história.

Recorde-se que, na Fajã Grande, o moinho era a única instalação destinada à pulverização dos grãos de milho, fazendo-o por meio de mós, movidas pela água das ribeiras que corria sem cessar durante todo o ano, inclusive nos meses de verão. O termo moinho terá a sua origem no latim molinum, vocábulo originado do verbo molo, que significa moer, triturar cereais ou fazer rodar à mó. Sabe-se hoje que o moinho de água é muito antigo e terá surgido, muito provavelmente, no século II d. C. sendo já usado pelos gregos e pelos romanos, que depois o espalharam pela Europa, tendo chegado aos Açores por altura do povoamento, uma vez que as ilhas eram ricas em cereais, na altura o trigo. Serviam, como indica a sua etimologia, para moer os cereais e transformá-los em farinha. É um engenho muito simples e que foi utilizado durante praticamente dois milênios, permanecendo ainda hoje em uso, nalguns lugares, embora mais com o sentido museológico do que utilitário.

Os antigos moinhos da Fajã Grande desapareceram. Quase todos estão em ruinas e um foi recuperado mas como casa de turismo. O único moinho recuperado e em atividade, está situado a sul, na fronteira entre a Fajã Grande e a Fajãzinha. Trata-se do chamado moinho da Alagoa, o qual existe há quase século e meio, pois ostenta, no frontispício, a data de 1869. Detentor de um duplo engenho, o moinho da Alagoa labora através do aproveitamento da força da água da ribeira da Alagoa e, na década de cinquenta, moía para os habitantes da Fajãzinha e para os da Cuada. Hoje mói para toda a ilha.

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MARTA FARTA

Quarta-feira, 30.12.15

“Morra Marta, morra farta.”

 

Mais um interessante adágio muito usado, antigamente, na Fajã Grande e que terá sido importado, provavelmente trazido para a ilha das Flores pelos primeiros povoadores pois é conhecido e usado em muitas outras localidades. A dúvida que se levanta, relativamente à sua estrutura frásica, é a de que quem terá sido esta Marta, sendo muito provável que apareça aqui, como Pilatos no Credo, isto é, apenas por razões de rima, elemento preponderante nos provérbios e em todos os textos orais. Assim em vez de Marta poderia ser muito Maria, Joana, Francisca ou o nome de qualquer outro elemento do conjunto dos seres humanos.

Dizem os especialistas na matéria que este provérbio deve ser entendido como uma exortação epicurista do tipo de convite ou apelo a que cada homem aproveite bem a vida. Na verdade, para o filósofo grego da antiguidade, Epicuro e para os seus discípulos e seguidores o sumo bem reside no prazer. Trata-se, no entanto, de um prazer entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. Mas o único e verdadeiro prazer é o do corpo porque o prazer do espírito é apenas lembrança dos prazeres do corpo. O homem é um animal cujo deus é a barriga. Por isso em qualquer situação da nossa vida, incluindo a dor ou na morte, o que importa é ter a barriguita cheia. Estar farto!

Mas por outro lado, parece ser evidente que este adágio também exorta a uma espécie de insensata sensatez de se viver bem, de se gozar a vida e de se gastar o dinheiro que se tem e, sobretudo, o que se não tem. Viver à farta, viver bem. Isto torna-se muito mais desejado e querido numa sociedade pobre, limitada, que depende exclusivamente do seu trabalho e das condições climatéricas. Assim, havia que aproveitar a vida quando os condicionalismos a tal obrigavam. As pessoas sabiam e sentiam o sacrifício, o esforço, a míngua e as limitações do seu quotidiano e sabiam que a isso não podiam fugir. O mesmo acontecia com a morte. Pois, ao menos, que vivessem com a barriga cheia. Mas convenhamos que, regra geral, isto na Fajã Grande, na década de cinquenta, tudo isto não passava de um mero desejo. Uma miragem!

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CHUVA PORFIADA

Segunda-feira, 30.11.15

Antes frio e geada do que chuva porfiada.”

 

Outro enigmático adágio muito utilizado na Fajã Grande na década de cinquenta. Enigmático porque numa terra onde a água, apesar de abundante, era absolutamente necessária e muito útil, em nenhuma circunstância a sua presença, personificada na chuva, seria preterida ao angustiante frio ou à malfazeja geada. No entanto não se trata, segundo o provérbio, duma chuva qualquer, mas sim duma chuva porfiada, isto é, uma chuva persistente, teimosa, pertinaz, que nunca mais acabava e que, para além de trazer enxurradas prejudiciais, impedia ou cerceava os trabalhos no campo e, sobretudo, o tratamento do gado. E este não podia esperar! E isso nunca, pois, o homem fajãgrandense era, por natureza, um trabalhador permanente e contínuo, sobretudo no que aos cuidados e tratamentos dos bovinos dizia respeito. Não sabia, não era capaz, nem podia estar parado. A sua força e vontade eram tais que nem o frio nem a geada o impediam de trabalhar, tanto na agricultura como na pecuária. Apenas a maldita chuva torrencial, permanente, contínua e incessante o incomodava nos seus trabalhos quotidianos.

Assim este adágio revela incondicionalmente a gigantesca força e a dinâmica capacidade de quantos viviam na mais ocidental freguesia açoriana e cuja vida e a da própria família dependia da eficiência do trabalho agrícola. Na Fajã Grande, nos dias frios de inverno também se trabalhava. Era preciso ir à erva, aos incensos e levar o gado às relvas onde pastava durante o dia, recolhendo à noite aos palheiros. Estas e outras atividades quer ligadas à agricultura, quer à pecuária tinham que ser necessariamente realizadas todos os dias. Sobretudo as ligadas à pecuária. O gado não sobrevivia, nem sequer dava leite se não se alimentasse. Mesmo nos dias de chuva necessitava de alimentos. Com chuva era mais difícil arranjá-los do que com os dias frios. Por isso antes frio e geada do que chuva porfiada.

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O PORCO E O AMIGO

Sexta-feira, 13.11.15

“Quem não mata porco não cria amigo.”

 

A julgar pela importância que tinha, antigamente, na Fajã Grande a criação e, sobretudo, a matança do porco, este parece, na verdade, ser um adágio muito provavelmente típico desta freguesia. Na verdade, na década de cinquenta a matança do porco, depois do casamento dos filhos, constituía a maior festa realizada em casa de cada família para a qual se convidavam pessoas de fora: parentes e amigos. Assim ser convidado por alguém para a sua matança era sinal de amizade e tinha mais amigos quem mais pessoas convidava para a matança. Nas semanas antes do Natal ou do Ano Novo, chegava a altura da matança, a qual começava a ser preparada com alguns dias de antecedência, porque era preciso procurar, apanhar no mato as queirós, que iriam ser utilizadas para a chamusca, cortar, serrar e picar a lenha parra derreter o toucinho e afoguear as linguiças e ainda ceifar os fetos e a cana roca para secar o curral e lá se poder entrar no fia da matança para se apanhar o suíno sem grandes riscos de se enterrar até à cintura numa estrumeira. Depois faziam-se os convites aos familiares e aos amigos e preparava-se tudo o resto. Alguns, por vezes, faziam-se ao convite. Ficavam amigos, amigos de matança.

Mas este adágio também era utilizado em sentido figurado a querer significar que a amizade naqueles tempos, em muitos casos, era interesseira e só se era amigo de quem nos presenteasse com alguma coisa de bom, como era o caso de um convite para a matança. Atitude condenável, como o adágio indica sub-repticiamente. Na verdade, como já dizia o filósofo grego Platão, a amizade deve ser uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro. Na verdade a amizade que se restringe a um simples convite para uma matança ou outra dádiva passageira embora agradável e desejada, não pode ser verdadeira. Parece ser isto que o povo da Fajã Grande, na sua verdadeira e simples sabedoria, queria lembrar ao utilizar este interessante adágio

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CHUVA EM AGOSTO

Domingo, 23.08.15

“Chuva em agosto até dá gosto.”

Mais um interessante adágio muito utilizado na Fajã Grande, na década de cinquenta. Para uma população cuja economia e subsistência dependiam da agricultura a chuva era fundamental e, consequentemente, muito desejada, sobretudo nos meses de verão, nomeadamente em agosto. Meses de seca significavam o atrofiamento dos produtos agrícolas. Tão desejada era a chuva nessas situações e nesses meses que, quando a seca era muita até se organizavam as Rogações. As Rogações eram procissões de penitência e oração, sem santos e sem andores, realizadas de manhazinha, onde apenas seguia a cruz paroquial, revestida de manga roxa. Nela se incorporavam os homens, a maior parte de opas vermelhas, as mulheres de cabeça coberta e no fim o pároco, revestido de pluvial roxo e de hissope em riste, que ia, sucessivamente, molhando na caldeirinha que o sacristão segurava e com o qual aspergia e benzia os campos por onde a procissão passava, ao mesmo tempo que entoava, em latim e enquanto os sinos dobravam, a ladainha de todos os santos. Entre muitas outras invocações o pároco cantava:

- “Ut fructus terrae dare et conservare digneris.”. (Que Vos digneis dar-nos e conservar os frutos da terra).

- “Te rogamus audi nós.” (Nós Vos rogamos, ouvi-nos) – implorava o povo.

Estas procissões eram realizadas sempre que faltava chuva, originando períodos de seca prolongada que prejudicavam seriamente a produção agrícola e, indiretamente, a pecuária. Normalmente eram pedidas pelo povo, ao pároco que, durante o cortejo, levava uma pequenina e velha imagem de Sant’Ana, à qual se dirigiam vários cânticos e preces, seguidas das ladainhas.

As procissões das Rogações normalmente percorriam as Courelas, Rua Nova, a Via d´Agua e a Tronqueira, ou seja as zonas onde as terras eram mais próximas do mar, atingidas pela salmoira, mais secas e onde a recolha dos produtos agrícolas se verificava mais cedo.

Para gáudio de todos e para fortalecimento e solidificação da fé, geralmente chovia, alguns dias após as Rogações. Por isso a razão de ser deste adágio – Chuva em agosto até dá gosto.

 

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JANTANDO COM PEDRO

Sexta-feira, 24.07.15

“Jantando com Pedro, não fiando em Pedro.”

 

Mais um interessante adágio muito utilizado na Fajã Grande, na década de cinquenta. Pelo seu enunciado aparenta, claramente, ter sido trazido pelos primeiros povoadores ou por quem se fixou na freguesia, mais tarde. Isto porque, na verdade, dada a pobreza dos jantares e ainda mais das ceias, na Fajã Grande não era hábito convidar quem quer que fosse para jantar. No entanto, a expressão jantando com pode ser entendida num sentido mais amplo, isto é, tendo muita intimidade com alguém. O provérbio pretende, assim, demonstrar, que o envolvimento excessivo e demasiado com alguém poderá significar traição. Por outras palavras, não se deve dar muita confiança a quem quer que seja pois essa pessoa, mais tarde, pode trair-nos, pode junto de alguém revelar aquilo que de mais íntimo lhe confiamos. Os excessos de confiança e intimidade com alguém devem ser evitados, por isso as pessoas que, num determinado momento, nos são mais íntimas, devem ser objeto de alguma desconfiança. O nome Pedro não parece ter nenhum significado especial. Tanto podia ser Pedro como Paulo, Jacob ou José ou outro qualquer.

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ARROCHO E APERTO

Quinta-feira, 18.06.15

“Quem muito arrocha pouco aperta.”

 

Adágio popular muito utilizado na Fajã Grande. Pata o entender melhor, recorde-se que nesta freguesia, anrigamente, era necessário amarrar as carradas dos caros e dos corsões com um grosso cabo que era apertado com os arrochos, dois pedaços de pau curto, sendo um e torto com que se torciam os cabos para que as cargas não caíssem. Como o conteúdo das carradas era mole, como fetos secos, palha, melheirós, rama seca, etc, Por mais que se torcessem os arrochos pouco se apertavam os cavos. Talvez por esta razão para significar que muitos arrochos podem ser em vão. O ditado era aplicado sobretudo aos mais que sendo muito exigentes com os filhos, poucos benefícios tiravam daí. Muitas exigências levavam as crianças a uma esquivança subtil e por outras formas. Douta sabedoria popular que na sua simplicidade já percebia e condenava o uso inadequado da autoridade e sobretudo o seu abuso e o seu exagero. A autoridade dos pais e dos educadores em geral, na formação dos ais novos deverá evitar conceber a autoridade apenas nos seus extremos: autoritarismo ou permissividade. Não há meio-termo. Mas um extremo é tão prejudicial quanto o outro e o ambiente educativo em ambos não ajuda em nada na formação da pessoa Um autoritarismo exagerado que mostra uma posição rigorosa e exagerada dos pais, originará filhos menos dóceis, transformando-se no efeito contrário. Com este adágio pretendia-se pois significar que o autoritarismo exagerado dos pais era prejudicial na educação dos filhos. ad

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VENTO DE MAIO

Terça-feira, 12.05.15

“Maio ventoso/ano venturoso.”

 

Talvez porque maio fosse um mês em que as culturas ainda eram “bebés” e, por conseguinte, abrigadas pelas paredes de cerrados e courelas, os ventos não lhe faziam muito mal. Provavelmente até as beneficiariam. Daí este adágio muito utilizado na Fajã Grande, a querer significar que soprassem fortes ventanias em maio, pois nos meses seguintes os ventos, se existissem, seriam bem mais prejudiciais. Isto porque numa ilha onde, contra tudo e contra todos, o vento soprava frequentemente e com muita intensidade.

Talvez este maio ventoso inspirasse o poema do cantor e compositor brasileiro Salomão Borges Filho, mais conhecido como Lô Borges, Vento de Maio:

 

“Vento de maio rainha de raio estrela cadente

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique

Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais...

Vento de raio rainha de maio estrela cadente

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique

Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover...

Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção

Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção

E quase que eu me esqueci que o tempo não pára

Nem vai esperar

Vento de maio rainha dos raios de sol

Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais

Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez

Nem lembro teu nome nem sei

Estrela qualquer lá no fundo do mar

Vento de maio rainha dos raios de sol

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique

Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique...”

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ABRIL FRIO E MOLHADO

Quinta-feira, 30.04.15

“Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.”

 

O mês de Abril, antigamente, na Fajã Grande, era um mês de grande e de intensa atividade agrícola, sendo esta absolutamente necessária e fundamental para a sustentabilidade económica da população daquele pequeno povoado, encastoado entre a rocha e o mar. Na verdade, era em Abril que se plantava e semeava a maioria dos produtos agrícolas. Era em abril que se fazia a sementeira do milho, a maior e mais importante cultura da freguesia, nas terras mais afastadas do mar e que haviam sido trilhadas pelo gado amarrado à estaca, a alimentar-se das forrageiras, trevo ou erva da casta. Era em abril, também, se semeava as batatas o feijão as ervilhas, as abóboras, os bogangos e se faziam os canteiros da coivinha. Era em abril que se plantava a bata doce nas terras junto do mar, assim como as couves, a cebola e os tomateiros. Nas terras junto do mar, nomeadamente, do Areal, Furnas, Porto e Estaleiro iniciavam-se o arrancar das mondas, sachavam-se os campos semeados no mês anterior, calçava-se o milho para o proteger das ventanias e limpavam-se as terras das ervas daninhas. Uma intensa e cansativa atividade se impunha aos agricultores durante este mês. Ora para que tudo isto tivesse sucesso era necessário e fundamental que chovesse e não fizesse muito calor Se se equacionassem estes dois fatores e não houvesse salmoura ou fortes ventanias seria um ano de fartura. Mas era também o sucesso destas culturas e, sobretudo, o florescimento das pastagens, do mesmo modo com o epicentro em abril e que também muito beneficiava com a chuva e com a ausência de calor, fundamentais na alimentação do gado. Dai o adágio. “Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.”

A chuva, na verdade, tinha um efeito fundamental no sucesso da agricultura. Todas as plantas precisavam de água para sobreviver. Uma seca em abril podia ser fatal para culturas, provocar erosões, destruir o plantado e não deixar nascer o semeado, embora o tempo excessivamente húmido também pudesse causar outros problemas. As plantas necessitavam de quantidades adequadas de chuva e de ausência de calor excessivo para sobreviver. Ainda hoje, mesmo com sulfatos, adubos e quejandos, é assim.

Acrescente-se no entanto que, sob o ponto de vista etimológico, é fácil, concluir-se que este provérbio foi importado, talvez levado pelos primeiros povoadores, o que se pode concluir pelo uso da palavra celeiro, que não consta do léxico fajãgrandense, nem da ilha das Flores, onde o milho, o principal cereal cultivado nesta ilha, era guardado nos estaleiros.

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