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OS TRÊS CONSELHOS

Terça-feira, 30.05.17

Um rapaz muito pobre tinha casado, e para sustentar a sua família teve que ir arranjar trabalho. Procurou por vários sítios, mas apenas conseguiu ter de ir servir uns patrões que viviam muito distantes da sua casa. Como era um homem bom, sério e honesto e como confiava nos outros pediu ao amo que lhe guardasse o dinheiro que ia recebendo das soldadas. Ao fim de uns quatro anos já amealhara grande quantidade de moedas, que lhe chegariam para viver e como tinha saudades da mulher, decidiu voltar para casa. Ao comunicar a sua decisão ao patrão, este disse-lhe:

– Qual queres que te dê: três bons conselhos que te vão servir para toda a vida, ou o teu dinheiro?

O homem disse-lhe que queria o seu dinheiro.

O patrão respondeu:

– Mas olha que te podem assaltar pelo caminho e matarem-te para te roubar o dinheiro.

– Pois então, - disse o rapaz - venham de lá os conselhos e fique com o dinheiro.

Disse-lhe o patrão:

– O primeiro conselho que te dou é que nunca te metas por um atalho sinuoso, podendo andares por um caminho largo e bom, embora mais extenso.

– Cá me fica para meu governo. – Retorquiu o rapaz.

– O segundo, é que nunca pernoites em casa de homem velho casado com mulher nova.

- E o terceiro? – Indagou.

- O terceiro vem a ser: nunca te decidas pelas primeiras aparências.

O rapaz guardou na memória os três conselhos, que representavam todas as suas soldadas e, quando se ia embora, a dona da casa deu-lhe um bolo para o caminho, a fim de que o comesse se tivesse fome; mas disse-lhe que era melhor comê-lo em casa com a mulher, quando lá chegasse.

Partiu o homenzinho de casa do amo e, pouco depois, encontrou pelo caminho uns almocreves que levavam uns machos com fazendas para venderem numa feira. Foram juntamente, conversando e contando a sua vida uns aos outros. A certa altura um dos vendedores disse que pretendia cortar caminho por ali por uns atalhos ali existentes, porque assim pouparia mais de meia hora de caminho. O rapaz decidiu continuar pelo caminho mais longo, e quando ia chegando a um povoado, viu vir o vendedor todo esbaforido sem os machos. Tinham-no roubado e espancado.

Disse o moço:

– Já me valeu o primeiro conselho.

Seguiu o seu caminho, e chegou já de noite a uma venda, onde foi beber uma pinga, e onde tencionava pernoitar, mas quando viu o taverneiro já homem velho e a mulher ainda muito nova, pagou e foi andando sempre, Quando chegou à vila, ia lá um reboliço enorme: é que a Justiça andava em busca de um assassino que tinha fugido com a mulher do taverneiro que fora morto naquela noite. Disse o rapaz lá consigo:

– Bem empregado dinheiro que me levou o patrão por este e pelos outros conselhos.

E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa. E lá chegou. Quando se ia aproximando da porta, viu dentro de casa um homem, sentado ao lume com a sua mulher! A sua primeira ideia foi a de ir matar ambos. Lembrou-se do conselho, e curtiu consigo a sua dor. Pouco depois entrou muito calmo pela porta dentro. A mulher veio abraçá-lo, e disse:

– Aqui está o meu irmão, que chegou hoje mesmo do Brasil. Que dia! E tu também ao fim de quatro anos regressaste a casa!

Abraçaram-se todos muito contentes. No dia seguinte tiveram uma visita. Era o patrão que lhe vinha entregar todo o dinheiro que ele ganhara durante os quatro anos em que ele o servira.

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BANDARRA E O ALMOCREVE

Segunda-feira, 08.05.17

Uma das mais fascinantes estórias que a minha avó contava eram as do Sapateiro Bandara, cujas célebres profecias, escritas manualmente e guardadas religiosamente por ela numa das gavetas da cómoda da sala sabia de cor.
Contava ela que Gonçalo Anes de Bandarra nascera em Trancoso. Era um homem simples e pobre, sapateiro de profissão, mas também um profeta e autor de trovas que deram tal brado na sua época que a própria Inquisição o chamou à barra do seu tribunal, dito santo. Esteve preso e prestes a ser queimado.
Uma dessas estórias rezava assim:
Certa vez deu-se o caso ter parado em Trancoso um almocreve, (creio que ela não sabia o que era um almocreve, mas isso também não era importante) o qual vinha de uma longa jornada por terras de além no cumprimento de fretes e serviços. Exausto e cansado o homem entrou para pernoitar na muito nobre vila de Trancoso. De tanto caminhar trazia os pés numa lástima. Um par de botas desfeitas a necessitar de conserto e meia dúzia de grossas bolhas nos pés.
Sabendo da existência, na vila, de um competente sapateiro-Remendão, depressa se colocou à porta da oficina do dito e lhe entregou o serviço. Feito este, prontificou-se o almocreve a pagar o justo valor pela prestação da obra acabada, de qualidade e asseada. Porém, Bandarra, em vez de lhe cobrar sequer um vintém, profetizou nos versos seguintes o saldo da dívida:
“Irás e virás,
Na praça me acharás
Meio dentro e meio fora
E então me pagarás.”
E não aceitou nenhum dinheiro ou outra forma de pagamento do forasteiro.
Foi-se o almocreve satisfeito por ter poupado alguns cobres e a julgar desaparafusado do juízo aquele trouxa que lhe passara recibo através de um verso mal alinhado. Sim, não havia mais ninguém no mundo que se deitasse a imaginar o que aquele sapateiro predizia com a estranha lengalenga. Não era de crer, para quem tivesse o juízo perfeito, que ele voltasse a Trancoso e encontrasse de novo o sapateiro, na praça, meio dentro e meio fora. Que coisa mais esquisita!
Por isso mesmo, depois de ter ficado varado de pasmo, nunca mais o arrieiro tornou a pensar no assunto.
Aconteceu, porém, certa incumbência de ofício fazer com que o almocreve, anos volvidos, tornasse a passar em Trancoso. Ouviu tocar os sinos a finados e tratou de perguntar sobre quem tinha morrido na terra, pois sentia, pelo pesar de quem via, ser pessoa muito querida no lugar. Logo lhe disseram que se tinha finado o sapateiro, um tal Bandarra, honrado homem de saber, poeta e profeta.
Um baque no peito trouxe à memória do homem aqueles versos aquando do conserto das botas. Desatou então a correr até à praça, onde havia uma igreja. Ao assomar à porta do templo – que lhe disseram ser de São Pedro – encontrava-se o esquife onde estava depositado o corpo inerte e frio do sapateiro. Metade dentro da igreja e metade fora dela.
O almocreve prostrou-se de joelhos e fez o sinal da cruz. Tinha finalmente compreendido o vaticínio do Bandarra.

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OS TRÊS REIS DO ORIENTE

Sexta-feira, 06.01.17

Quando o Menino Jesus nasceu, em três países muito distantes da gruta onde estavam São José e Nossa Senhora, no Oriente, viviam três reis muito bondosos e sábios. Não se conheciam, mas, numa noite todos tiveram o mesmo sonho: viram uma estrela muito brilhante no céu que lhes dizia que algo de especial tinha acontecido especial tinha acontecido. Havia nascido um novo rei, o Filho de Deus, o Messias, que vinha salvar todos os homens e conduzi-los nos caminhos da paz, da bondade, da justiça e do amor

Cada um deles decidiu no dia seguinte pôr-se a caminho, na direção da estrela para vir adorar o Menino. Chamavam-se Gaspar, Melchior e Baltazar, falavam línguas diferentes e eram de raças distintas: um preto, um branco e um amarelo. Mas logo se encontraram e caminharam juntos. Como eram ricos traziam presentes valiosos, um incenso, outro mirra e o terceiro ouro. Seguiram a estrela que os guiava até que chegaram à cidade de Jerusalém. Aí, perguntaram ao rei Herodes por Jesus, o novo Rei dos Judeus que tinha nascido, pois tinham visto a estrela no céu.

Quando o rei Herodes soube que estrangeiros procuravam um bebé, ficou zangado e com medo. Os Romanos tinham-no feito rei a ele, e agora diziam-lhe que nascera outro rei, mais poderoso.

Então, Herodes reuniu-se com os três reis que vinham do Oriente e pediu-lhe para lhe dizerem quando encontrassem essa criança, para ele também poder adorá-la. Os Reis do Oriente concordaram e partiram, seguindo de novo a estrela, até que ela parou sobre uma gruta e eles perceberam que o novo Rei estava ali.

Ao verem o Menino Jesus, ajoelharam e ofereceram-lhe os presentes que tinham trazido. De seguida partiram. À noite, quando pararam para dormir, os três reis magos tiveram um sonho. Apareceu-lhe um anjo que os avisou que o rei Herodes queria matar Jesus.

De manhã, puseram-se a caminho mas já não foram a Jerusalém, ao palácio de Herodes. Regressaram às suas terras por outro caminho.

Quando Herodes soube que fora enganado pelos Reis do Oriente ficou furioso. Tinha medo que este novo rei o retirasse do trono para ocupar o seu lugar. Então, ordenou aos soldados para irem a Belém e matarem todos os meninos com menos de dois anos. Eles assim fizeram. As pessoas não gostavam de Herodes, e depois disto ficaram a odiá-lo ainda mais.

Nossa Senhora e São José, avisados em sonho por um anjo, partiram com o Menino para o Egipto, onde viveram sem problemas. Algum tempo depois, São José teve outro sonho: um anjo disse-lhe que Herodes morrera e que agora era altura de regressarem a Nazaré. Aí viveram até o Menino Jesus crescer.

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A VISITA

Domingo, 25.12.16

Conta-se que numa certa aldeia muito pobre, perdida no meio dos montes vivia uma família muito rica mas também muito avarenta e vaidosa mas que era incapaz de partilhar o que quer que fosse com os pobres daquela localidade.

Na véspera de Natal a dona da casa ao acordar viu na sua frente um anjo que lhe disse:

- Trago-te uma boa notícia: nesta noite gloriosa de Natal, Jesus descerá do céu e virá visitar a tua casa!

A mulher ficou muito excitada e entusiasmadíssima. Nunca pensara ser digna de tão grande honra, nem que tão grande milagre acontecesse em sua casa. Apressou-se logo a tratar de tudo, a limpar e enfeitar a casa e a preparar um excelente jantar para receber Jesus. Encomendou as melhores carnes, saborosíssimos doces e vinhos de excelente qualidade. Do melhor que havia nos arredores.

Logo ao anoitecer, com a família toda reunida para a consoada, bateram à porta. A mulher correu a abrir. Era uma mulher muito pobre e desgraçada que vivia sozinha num palheiro, sem ter que comer e que passava os dias a pedir pela freguesia. Tinha um aspeto horroroso, com roupas miseráveis, rotas e sujas. Via-se bem que já sofrera muito. Vinha pedir uma esmola, mas a mulher pretensiosa e arrogante mandou-a embora, sem lhe dar, ao menos, uma côdea de pão.

Reza a história que ainda lhe bateram à porta, nessa noite, outros mendigos, mas o comportamento da mulher foi sempre de repulsa e até de indignação. Como era seu hábito, não deu nada a ninguém, chegando mesmo a aborrecer-se com os últimos que lhe bateram à porta a pedir esmola.

No entanto, sentados à mesa à espera de tão ilustre convidado, vendo que ele tardava os familiares começaram a indignar-se. Por fim, cansados de tanto esperar, contra a vontade da dona de casa lá foram consoando, sem a alegria e os festejos costumados em tão solene altura do ano. A mulher muito triste nem comeu e por fim foi deitar-se, demorando a adormecer.

Já de madrugada acordou sobressaltada e, com grande espanto, viu que estava junto dela o anjo que lhe anunciara a visita de Jesus. Indignou-se contra ele. Afinal tinha-a enganado!

Então o anjo explicou-lhe que afinal todos aqueles pobres que na noite anterior lhe tinham batido à porta, na verdade, é que eram Jesus.

A mulher comreendeu e nesse dia e nos dias seguintes começou a dar esmola a quantos pobres lhe batiam à porta.

 

(Adaptado de um conto popular)

 

 BOAS FESTAS

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O CORVO E A RAPOSA

Segunda-feira, 12.12.16

Certa vez um corvo pousou no cimo duma árvore, com um saborosíssimo queijo no bico, que roubara da casa de um lavrador. O queijo era muito apetitoso e cheirava que era um consolo. Assim atraída pelo cheiro do queijo, aproximou-se da árvore uma raposa. Como estivesse muito esfomeada, pois já não comia há três dias, tinha uma enorme vontade de papar aquele queijo. Como não conseguia subir a árvore e atacar o corvo para lhe tirar o queijo, a raposa resolveu usar a sua matreira inteligência em benefício próprio.

 - Bom dia amigo Corvo! - Disse com bons modos a matreira.

O corvo olhou-a lá do alto e fez uma saudação balançando a cabeça mudo que nem uma parede. A raposa insistiu:

- Ouvi dizer que o rouxinol tem o canto mais belo de toda a floresta. Mas eu aposto que tu, meu amigo, se experimentasses cantar um pouquinho que fosse, cantarias muito melhor do que qualquer outro animal.

Sentindo-se desafiado e querendo provar seu valor, o corvo abriu o bico para cantar. Foi quando o queijo lhe caiu da boca e foi direto para chão, caindo perto do local onde estava a raposa que logo o apanhou, fugindo apressadamente, enquanto o corvo permanecia quedo lá em cima, sem perceber como tinha caído em tamanha esparrela.

 

BOAS FESTAS

 

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O BURRO DO AZEITEIRO

Quarta-feira, 09.11.16

CONTO TRADICIONAL

 

Era uma vez dois estudantes que caminhando numa estrada, encontraram um azeiteiro com um burro carregado de bilhas de azeite e que as ia vender à vila. Os estudantes estavam sem dinheiro; por isso, decidiram roubar o animal ao azeiteiro. Assim, enquanto o pobre homem seguia o seu caminho, um deles tirou a arreata do burro e colocou-a no seu próprio pescoço. O outro estudante fugiu com o animal e a carga. Um pouco mais adiante, o azeiteiro, olhando para trás, viu um rapaz em vez do burro.

Nesse momento, o estudante exclamou:

- Ah! senhor, quanto lhe agradeço ter-me dado uma pancada na cabeça! Quebrou-me o encanto que durante tantos anos me fez ser burro!...

O azeiteiro tirou o chapéu e disse-lhe:

- Afinal, o meu burro estava enfeitiçado! Perdi o meu ganha-pão! Peço-lhe muitos perdões por tê-lo maltratado tantas vezes. Mas que quer? O senhor era muito teimoso!

- Está perdoado, bom homem! - Disse o estudante. - O que lhe peço é que me solte e me deixe ir embora, em paz.

O pobre azeiteiro soltou o estudante, deixou-o ir embora e lamentou-se porque já não podia vender o azeite. Então, foi pedir dinheiro a um compadre para ir à feira comprar outro burro. Quando lá chegou, reconhecendo o seu burro, viu que era ele que um estava à venda. O azeiteiro pensou, então, que o rapaz se havia transformado, outra vez, num burro. Aproximando-se duma orelha do burro e gritou com toda a força:

- Olhe, senhor burro, quem o não conhecer que o compre.

 

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PARA QUEM CANTOU O CUCO

Quinta-feira, 03.11.16

Certa vez iam dois homens por uma vereda na direção dos campos para onde iam trabalhar. A vereda era rodeada de árvores. Em cima de uma delas estava um cuco que, ao ver os homens, começou a cantar. Diz um dos homens para o outro:

- Este cuco cantou para mim!

Estás bem enganado, - retorquiu o outro. - O cuco cantou foi para mim, até porque fui eu que o vi primeiro.

- Não, não. - Teimava o outro. – O cuco cantou foi para mim!

E tanto discutiram e tanto zaragatearan que acabaram por não se entenderem, agredindo-se mutuamente.

Tanta foi a disputa e tão grande foi o tumulto que resolveram levar o caso ao regedor da freguesia, que naqueles tempos também era Juiz de Paz, a fim de que este resolvesse a contenda.

Ao chegar junto do regedor contaram-lhe o que originara a desavenda entre eles, afirmando cada qual que o cuco cantara para si e não para o outro. O regedor pensou um pouco e, por fim, disse-lhes:

- Dêem-me ambos cinquenta escudos, a fim de pagar as custas do processo e o meu trabalho e eu vou analisar o caso e dizer para quem cantou o cuco. Depois devolverei os cinquenta escudos àquele para quem o cuco cantou.

Os homens fizeram como o regedor ordenara e colocaram o dinheiro em cima da mesa.

O regedor calou-se por alguns momentos. Depois pegando nas duas notas e, metendo-as ao bolso, disse:

- Afinal o cuco não cantou para nenhum de vocês. Cantou foi para mim!

 

(Conto antigo)

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A BRANCA DE NEVE

Terça-feira, 30.08.16

Este era mais um dos contos que tantas vezes ouvíamos aos serões que, por fim, já os sabíamos de cor. Rezava assim a história da Branca de Neve e dos seus amigos, os Sete Anões:

Era uma vez um rei que era viúvo e vivia num reino distante, com a sua filha pequena, que se chamava Branca de Neve. O rei, como se sentia muito só, voltou a casar, achando que também seria bom para a sua filha ter uma nova mãe. A nova rainha era uma mulher muito bela mas também muito má, e não gostava de Branca de Neve que, quanto mais crescia, mais bela se tornava.

A rainha malvada tinha um espelho mágico, ao qual perguntava, todos os dias:

- Espelho meu, espelho meu, haverá mulher mais bela do que eu?

E o espelho respondia:

- Não minha rainha, és tu a mulher mais bela do mundo!

Mas uma manhã, a rainha voltou a perguntar o mesmo ao espelho, e este respondeu:

- Tu és muito bonita minha rainha, mas Branca de Neve é agora a mais bela!

Enraivecida, a rainha ordenou a um dos seus empregados que levasse Branca de Neve até à floresta e a matasse, trazendo-lhe de volta o seu coração, como prova.

Mas o criado teve pena da Branca de Neve e disse-lhe para fugir em direção à floresta e nunca mais voltar ao reino.

Já na floresta, Branca de Neve conheceu alguns animais, os quais se tornaram seus amigos. Também encontrou uma pequenina casa e bateu a sua porta. Como ninguém respondeu e a porta não estava fechada à chave, entrou. Era uma casa muito pequena, que tinha sete caminhas, todas muito pequeninas, assim como as cadeiras, a mesa e tudo o mais que se encontrava na casa. Também estava muito suja e desarrumada, e Branca de Neve decidiu limpá-la e arrumá-la. No fim, como estava muito cansada, deitou-se nas pequenas camas, que colocou todas juntas, e adormeceu.

A casa era dos sete anões que viviam na floresta e, durante o dia, trabalhavam numa mina.

Ao anoitecer, os sete anões regressavam à sua casinha, quando deram com Branca de Neve, adormecida nas suas caminhas. Que surpresa! Com tanta excitação, Branca de Neve acordou, espantada e rapidamente se apresentou:

- Eu sou a Branca de Neve.

E os sete anões, todos contentes, também se apresentaram:

- Prazer em conhecê-los. Respondeu Branca de Neve, e logo contou a sua triste história. Os anões convidaram Branca de Neve a viver com eles e ela aceitou, prometendo-lhes que tomaria conta da casa deles.

Mas a maldita rainha, através do seu espelho mágico, descobriu que Branca de Neve estava viva e que vivia na floresta com os anões.

Então, furiosa, vestiu-se de senhora muito velha e feia e foi ter com Branca de Neve. Com ela levou um cesto de maças, no qual tinha colocado uma maça vermelha que estava envenenada!

Quando viu Branca de Neve, cumprimentou-a gentilmente, e ofereceu-lhe a maça que tinha veneno.

Ao trincá-la, Branca de Neve caiu, como se estivesse morta. A malvada rainha fugiu e, avisados pelos animais do bosque, os sete anões regressam apressadamente a casa, encontrando Branca de Neve caída no chão.

Muito chorosos, cuidando que ela estava realmente morta, os anões colocaram Branca de Neve numa caixa de vidro, rodeada por flores.

Estavam todos em volta de Branca de Neve, quando surgiu, no meio do bosque, um príncipe no seu cavalo branco. Ao ver Branca de Neve, o príncipe de imediato se apaixonou por ela e, num impulso, beijou-a. Branca de Neve acordou: Afinal estava viva!

Os anões saltaram de alegria e Branca de Neve ficou maravilhada com o príncipe que a levou para o seu castelo, onde casaram e viveram muito felizes para sempre.

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DANIEL NA COVA DOS LEÕES

Sexta-feira, 08.04.16

A estória de Daniel na Cova dos Leões era mais uma das muitas que nos era contada aos serões, na década de cinquenta, sendo retirada como muitas outras de um epítome da Bíblia Sagrada que existia na casa da minha avó da Fontinha.

Rezava mais ao menos assim: Era uma vez um jovem príncipe muito bondoso e obediente a Deus que se chamava Daniel. Daniel governava o seu reino juntamente com outros dois príncipes mas era muito diferente deles, pois nele havia um espírito excelente, uma bondade inexaurível, uma generosidade tremenda. Além disso o povo amava-o mais do que qualquer um dos outros príncipes. Por tudo isso, o velho e cansado rei pensava que, quando abdicasse do trono, o constituiria seu sucessor e único governante de todo o seu reino. Mas os outros dois príncipes ao tomarem conhecimento de tal decisão enfureceram-se e os seus corações encheram-se ódio, jurando que haviam de fazer algo contra ele, a fim de que o rei alterasse os seus desígnios e afastasse Daniel dos seus caminhos. Começaram então a procurar algo contra Daniel, que o comprometesse, qualquer ato, qualquer atitude malévola. Mas por mais que procurassem não encontraram nada porque Daniel era puro, fiel, justo, bom e temente a Deus, obedecendo aos seus Mandamentos e cumprindo todas as leis do reino. Assim concluíram que não se achava nele nenhum erro ou culpa.

Mas os dois malévolos príncipes não desistiram dos seus planos de destruir Daniel e pensaram que a única maneira de o afastar do poder seria acusá-lo usando, para isso, a enorme fé que ele tinha no seu Deus. E foram juntos ter com o rei, tentando convencê-lo a promulgar um édito real, segundo o qual qualquer cidadão daquele reino que, por espaço de trinta dias, fizesse uma oração a qualquer deus, ou a qualquer homem, que não fosse o rei fosse lançado na cova dos leões. E a pedido deles o rei assinou a proibição.

Daniel, no entanto, continuava a rezar ao seu Deus em sua casa, cujas janelas abertas davam em direção a Jerusalém. Três vezes ao dia, de manhã, ao meio-dia e ao anoitecer, ajoelhava em fervorosa oração, dando graças diante do Deus Altíssimo, Único e Verdadeiro. E assim continuou a fazer mesmo após saber que a proibição estava assinada pelo rei.

Os dois maliciosos e invejosos príncipes aproximaram-se da sua casa e viram-no de joelhos orando e suplicando ao seu Deus. Foram logo ter com o rei a contar-lhe o que tinham visto, acusando Daniel de não cumprir a lei que o rei decretara. O rei ficou muito triste e amargurado porque admirava muito Daniel e no seu coração queria livrá-lo de tão terrível castigo na cova dos leões e da morte que ali seria certa. Mas não conseguiu e teve que ordenar que prendessem Daniel, que o trouxessem à sua presença, a fim de, de acordo com a lei, o mandar lançar na cova dos leões.

No entanto, o rei, antes que Daniel fosse levado para cova dos leões, mandou-o chamar e ordenou-lhe que pedisse ao seu Deus que o livrasse de ser devorado pelos leões. De seguida, o rei dirigiu-se para o seu palácio e passou a noite em jejum. Não conseguiu dormir e não permitiu que trouxessem à sua presença nem instrumentos de música nem bailarinas. Logo pela manhã levantou-se e foi com pressa à cova dos leões. Chegando lá, cheio de mágoa e com a voz triste, chamou por Daniel, cuidando que ele tinha sido devorado pelos leões. Para sua surpresa Daniel estava vivo. Ajoelhado entre os leões, orava ao seu Deus.

Voltando-se e vendo o rei disse-lhe:

- O meu Deus enviou o Seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem mal, porque eu estou inocente diante d’Ele e também contra ti, ó rei, eu não cometi delito algum.

O rei regozijou-se e, cheio de alegria mandou tirar a Daniel da cova dos leões. Depois ordenou que trouxessem os outros dois príncipes que tinham acusado maliciosamente Daniel, mandando-os lançar na cova dos leões, e junto com eles, seus filhos e suas mulheres. E ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles e os devoraram por completo.

Em seguida assinou o rei assinou um novo decreto, segundo o qual em todo o domínio do seu reino os homens poderiam adorar o Deus de Daniel, porque era o Único Deus Vivo e Verdadeiro que permanece para sempre, e cujo reino não terá fim e o seu domínio durará pelos séculos dos séculos. Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra pois foi Ele que salvou e livrou o justo e bondoso Daniel do poder dos leões.

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A ESTÓRIA DAS ANDORINHAS

Quinta-feira, 10.03.16

Quando eu era criança, uma das estórias que mais gostava ouvir a minha avó contar era a Estória das Andorinhas.

Contava ela que o Menino Jesus quando era pequenino, apesar de ser filho de Deus, também brincava, como nós, nos pátios da sua casa e num campo que os pais cultivavam ali perto.

Certo dia, enquanto estava a brincar com a terra, foi buscar uma latinha com água, com a qual começou a molhar e a amassar a terra, fazendo com ela bonequinhos com que brincava. Muitos desses bonecos eram passarinhos de asas abertas que poisavam no chão e que o Menino Jesus dava comidinha. Estava o Menino assim entretido a brincar quando passou junto dele um homem muito mau. Ao passar pôs os pés em cima de alguns dos passarinhos que o Menino Jesus estava a fazer, dando cabo de quase tudo o que Ele tinha feito e com que estava a brincar. O Menino Jesus ficou muito aflito e, batendo, levemente, com as suas mãos pequeninas sobre aqueles passarinhos, eles começaram a voar para muito longe, fugindo debaixo dos pés do homem mau. E foi assim os passarinhos que ele tinha feito com a terra começaram a voar, transformando em lindas e pequeninas aves. Assim nasceram as andorinhas.

Mas as andorinhas nunca mais se esqueceram de Jesus que as tinha criado. Nos dias seguintes elas vieram poisar sobre o beiral da casa onde Jesus vivia e, com o barro de que tinham sido feitas, fizeram os seus ninhos, onde criavam os seus filhinhos. Outras vezes, enquanto ele brincava, elas vinham rodeá-Lo, voando e saltando, muito alegres, junto d’Ele.

Muito agradecidas a Jesus, por as ter criado, as andorinhas foram sempre acompanhando Jesus durante a sua vida. Quando São José e Nossa Senhora fugiram para o Egipto para Herodes mão matar o Menino Jesus, as andorinhas seguiam atrás deles, voando, constantemente, abaixo e acima e com todo o cuidado, iam apagando as pegadas do burro e de São José, para que os soldados que Herodes mandara atrás deles, não conseguissem descobrir o caminho por onde iam. E assim aconteceu, pois os soldados de Herodes, sem qualquer sinal que os pudesse guiar, perderam o rumo seguido pela Sagrada Família, que continuou o seu caminho e, sem receio de perigo, chegou ao Egipto, salvando-se o Menino de ser morto pelo malvado rei Herodes. Mais tarde, quando Jesus foi crucificado, as andorinhas foram rodeá-lo e, com os seus biquinhos, iam tirando da coroa os espinhos que tanto magoavam a Sua cabeça.

Ao verem o sofrimento de Jesus, as suas asas cobriram-se de luto tornando-se pretas e assim ficaram para sempre.

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A RAPOSA E O LOBO

Quinta-feira, 11.02.16

A Raposa e o Lobo era um dos vários interessantes contos populares que vinham transcritos nos nossos livros escolares da terceira e quarta classes, na década de cinquenta, assim como Dom Caio, João Ratão e a Carochinha, a Águia e a Coruja, etc. Como os livros rareavam ou, no meu caso, até nem existiam, eram estes e muitos outros contos que se liam ou se ouviam contar e que, dia a dia, povoavam o nosso imaginário. O conto A Raposa e o Lobo rezava mais ou menos assim:

Certo dia uma raposa e um lobo mataram dois carneiros e fugiram. Depois que se acharam seguros, começaram a comer, mas apenas paparam um, deixando o outro inteiro, para o dia seguinte. Então a raposa propôs ao lobo:

- Compadre, o melhor que fazíamos era enterrarmos este carneiro, e virmos cá amanhã comê-lo juntos.

O lobo aceitou boa a ideia, no entanto, perguntou à raposa:

- Mas nem eu nem tu temos faro, como é que o havemos tornar a achar?

- Ao enterrá-lo, deixamos-lhe o rabo de fora. Assim, amanhã, ser-nos-á fácil encontrá-lo.

Assim fizeram. No dia seguinte apresenta-se o lobo junto da raposa e diz-lhe:

- Comadre, vamos comer o carneiro?

- Hoje não posso, - retorquiu a raposa - tenho de ir ser madrinha de um cachorrinho.

O lobo acreditou e esperou pelo dia seguinte. No entanto, a raposa foi ao lugar onde estava enterrado o carneiro, desenterrou-o e comeu um grande pedaço, voltando a enterrar o que sobrou. No outro dia voltou o lobo a perguntar-lhe:

- Que nome puseste ao teu afilhado?

- Comecei-te.

Responde o lobo:

- Que nome tão estranho! Vamos, hoje, comer ambos o carneiro?

- Ai compadre - diz-lhe a raposa, - hoje também não pode ser. Estou, novamente, convidada para ser madrinha.

O lobo conformou-se. A raposa voltou ao local onde estava o carneiro e comeu-lhe mais um bom pedaço. No dia, seguinte, muito esfomeado, voltou o lobo:

- Que nome deste ao teu novo afilhado?

- Meei-te. – Respondeu a raposa.

- Que nome tão esquisito! - Replicou o lobo - Vamos comer o carneiro?

A raposa tornou a escusar-se com outro batizado, e foi acabar de comer o carneiro. No dia seguinte, o lobo chegou junto dela e perguntou-lhe:

- Como se chama o teu afilhado?

- Acabei-te.

Muito esfomeado o lobo propôs:

- Vamos comer o carneiro?

A raposa, finalmente, concordou e foram os dois. Quando chegaram ao sítio, a raposa que deixara apenas o rabo do carneiro de fora, disse ao lobo:

- Puxe, com força, compadre.

O lobo puxou com tanta força que caiu de pernas para o ar, enquanto a raposa fugia dali às gargalhadas.

E nós, apesar de não conhecermos raposas porque não as havia na ilha das flores, ficávamos encantados com a esperteza da matreira.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A RAPOSA E O GALO

Quarta-feira, 13.01.16

Era uma vez uma raposa que andava pelos campos na procura de alimento, pois já não comia há dias e, por conseguinte, estava muito esfomeada. De repente, olhou para o alto e viu um galo muito bem empoleirado em cima do telhado de um palheiro a descansar muito regaladamente. A raposa, vendo ali aquele belo repasto começou a afiar os dentes e a magicar na maneira como o havia de caçar uma vez que lhe era impossível subir para o telhado do palheiro. Começou, então, a falar-lhe de cá de baixo, dizendo:

- Bom dia amigo galo!

O galo, muito admirado com um tratamento tão cordial e a que não estava habituado, perguntou-lhe:

- Por que me tratas assim, por amigo? Afinal eu bem sei o que queres…

 - Então ainda não sabes? – Disse a raposa. - Saiu agora uma lei do Governo que ordena que todos os animas sejam amigos uns dos outros e que haja paz entre todos. Nós as raposas já cumprimos a nova lei, a guerra com os cães e já não comemos galos nem outros animais. Queremos fazer as pazes e ser amigas de todos. Podes pois descer cá para baixo, que eu já te não faço mal. Quero-te abraçar.

Mal acabara de pronunciar estas palavras quando aparece lá ao longe uma matilha de cães. Ao descortinarem a raposa começam a correr, enraivecidos, na direção dela a ladrar em grande berreiro. A raposa, distraída com o galo, ia sendo apanhada pelos cães, mas ainda fugiu a tempo, correndo com quanta força tinha.

O galo, numa gargalhada cerrada, de cima do telhado do palheiro bem lhe gritava:

- Mostra-lhe a lei! Mostra-lhe a lei!

 

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publicado por picodavigia2 às 09:44

DIMAS E JESUS

Domingo, 27.12.15

Era por alturas do Natal que a minha avó, nos serões das longas e frias noites de inverno, depois de rezado o terço e outras orações, contava um conto adequado à época, no qual se desvendavam alguns lendários acontecimentos, subsequentes ao nascimento do Menino Jesus, na noite de Natal e que rezava mais ou menos assim:

Numa das noites depois do nascimento do Menino Jesus, o seu pai, São José teve um sonho, durante o qual viu um anjo que lhe disse:

- Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu te avise, porque o rei Herodes quer matar o Menino.

São José, muito assustado, levantou-se logo. Ainda era muito cedo mas ele acordou a Virgem Maria, Mãe do Menino Jesus e resolveram partir de imediato, ainda durante a noite. São José pegou no burrinho que estava na gruta onde o Menino nascera, sentou sobre ele Nossa Senhora e colocou-lhe o Menino no colo. De imediato e sem que ninguém soubesse puseram-se a caminho do Egito. Mas a viagem era muito longa e a caminhada muito demorada e cansativa pelo que, durante o caminho, tiveram que parar várias vezes.

Numa dessas paragens, numa localidade muito pobre, Nossa Senhora quis dar banho ao Menino Jesus, mas tão tinha nem selha, nem balde, nem toalha, nem outros preparos quaisquer para aquecer a água. Então São José foi bater à porta duma casa e explicou que estava de viagem com uma criança e que precisava de lhe dar banho mas não tinha com quê. Que por favor o ajudasse.

A dona da casa logo lhe abriu a porta e prontificou-se para ajudar. São José foi chamar Nossa Senhora e entraram na casa com o Menino.

Nossa Senhora lavou o Menino Jesus numa bacia, renovando a água por duas vezes, mas não despejou a última. A mulher, ao lado tentava ajudar e observava atentamente Nossa Senhora e o grande cuidado que Ela tinha com o seu filho. Depois do banho enxugou o Menino numa toalha que a mulher lhe emprestou. Esta, no entanto, fazia muitas perguntas: de onde eram, quem eram, de onde vinham, para onde iam, por que andavam a viajar, se não tinham mais filhos… Nossa Senhora explicava tudo e falava de Deus, do céu, das coisas santas e de Nosso Senhor, o salvador do mundo. Embora não compreendendo muitas coisas do que Nossa Senhora lhe explicava a mulher estava extasiada. Como Nossa Senhora também lhe fizesse algumas perguntas a mulher, muito triste e chorosa, a mulher acabou confessando que o seu marido era um ladrão e moravam ali na mais extrema pobreza. Também lhe disse que tinha um filho um pouco mais velhinho do que o dela, que se chamava Dimas, mas que estava doente desde há alguns dias e não havia meio de ser curado.

Nossa Senhora preparou-se para sair e continuar a viagem. Mas antes de se irem embora, Ela e São José agradeceram à mulher. Quando já ia a sair Nossa Senhora disse à mulher:

- Dá banho ao teu filho na mesma água em que eu lavei o Meu e ele ficará curado.

A mulher, logo a seguir, fez o que Nossa Senhora lhe disse e, para espanto seu, o seu filho ficou curado imediatamente. Louca de contentamento, saiu logo para a rua, a correr, a ver se encontrava aquela família para lhe agradecer. Correu por todos os lados, mas já era tarde, São José, Nossa Senhora e o Menino já iam longe, pelo que a mulher não os conseguiu encontrar nem lhes agradecer.

A notícia, no entanto, espalhou-se naquela terra mas ninguém sabia onde Nossa Senhora e a sua família estavam, nem para onde tinham ido.

Passaram-se muitos anos e o filho daquela mulher cresceu, mas devido ao mau exemplo do pai, acabou por também se tornar num ladrão que anos mais tarde, foi preso e condenado à morte.

Como era costume naquele tempo, o ladrão condenado à morte foi mandado crucificar juntamente com dois outros condenados. Ele não sabia era que um deles era Aquele que, quando menino, lhe salvara a vida, pois a mãe dera-lhe banho na água em que ele se lavara. Era Dimas que, muito arrependido dos seus pecados e dos roubos que fizera disse a Jesus:

- Senhor, lembra-te de mim quando entrares em seu Reino.

No entanto o outro cruxificado blasfemava contra Jesus, dizendo:

- Se és o Cristo, desce da cruz e salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!

Mas Dimas repreendeu-o:

- Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo, pois recebemos o castigo que merecemos pelos nossos crimes, mas Ele não fez mal algum. - E acrescentou - Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!

Jesus respondeu-lhe:

- Em verdade te digo: ainda hoje estarás comigo no paraíso.

E foi assim que um ladrão se tornou em São Dimas, o bom ladrão arrependido.

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O COMPADRE DIABO

Quinta-feira, 26.11.15

Era uma vez um lavrador pobre e já velho, mas muito honrado e trabalhador. O lavrador tinha um compadre que era o diabo, mas não o sabia.

Certo dia o compadre encontrou-o e disse-lhe:

- Ó compadre, tu és tão pobre, tão pobre… Além disso já és muito velho. Sabes que mais? Como já mal podes trabalhar davas-me o teu campo para o trabalharmos a meias, com a condição de que o que crescer para debaixo da terra seja para mim. Claro que o crescer para cima da terra será para ti.

O lavrador, que não tinha nada de parvo, aceitou a proposta, e foi trabalhar o campo, semeando-o de trigo. Mas o compadre, contrariamente ao prometido, não o ajudou nada. Mas no campo nasceu muito trigo que o lavrador colheu. De seguida disse ao compadre que fosse apanhar o que tinha crescido debaixo da terra. O diabo apenas encontrou raízes, e só então percebeu que tinha sido enganado pelo compadre. Foi ter com ele e disse-lhe, novamente:

- Já me não serve o nosso contrato como o estabelecemos. Se o quiseres continuar deverá ser às avessas. Assim o que crescer para cima da terra será para mim, e o que crescer para baixo será para ti.

O lavrador aceitou a condição proposta pelo compadre e semeou o campo, enchendo-o todo de batatas, Produziu batatas que era um regalo. Foi ter com o compadre e disse-lhe que fosse apanhar a sua parte, o que tinha crescido para cima da terra, que era a rama da batata, enquanto ele tirou muitos e muitos alqueires de batatas, com que fez muito dinheiro. O diabo viu que perdia sempre nos contratos, e quis vingar-se do compadre:

- Ah velhaco, que me enganaste, mas eu é que te não deixo ficar assim. Havemos de bater-nos. Será à unhada! Ao menos desta vez hei-de ficar de melhor partido.

Só então o lavrador percebeu que o seu compadre era o diabo. Ficou pois muito assustado, pois sabia que o diabo tinha umas garras terríveis, mas como não podia escolher as armas, já dava ao diabo como vencedor. Foi ter com a mulher, sem saber como se veria livre daquela alhada. A mulher acalmou-o, dizendo-lhe:

- Tem calma, homem. Deixa-o vir para cá, que eu trato-lhe da saúde. No dia em que te vier procurar para lutar contigo, eu escondo-te, porque eu é que me vou entender com ele.

No dia combinado, chegou o diabo muito furioso. Bateu á porta do compadre e disse:

- Aqui estou para irmos lutar.

Foi a mulher do lavrador que, disfarçando simpatia, o recebeu:

- Entre para aqui compadre! Vem para a desforra, não é verdade? Espere pelo meu homem, que foi amolar as unhas. Mas olhe que ele sempre que as amola dá cada unhada! Aqui está a primeira que ele me deu…

Nem foi preciso mostrar nada. O diabo mal a ouviu começou a fugir com medo de ficar cheio arranhaduras, e nunca mais voltou a importunar o honrado lavrador.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

O SACO DAS NOZES

Sábado, 14.11.15

Conta-se que tendo falecido o pároco de uma freguesia, foi nomeado um novo que pretendia renovar os costumes dos fiéis, corrigindo-lhe os defeitos, retirando-lhe os vícios, ensinando-os a viver segundo a doutrina de Cristo e os mandamentos da Santa Madre Igreja. Para isso começou o reverendo a orientar as suas homilias e os seus sermões no sentido de conseguir os seus objetivos, anunciando as virtudes, repreendendo os maus costumes do povo.

Certo domingo, num sermão, do alto do púlpito disse:

- Consta-me que cá na nossa freguesia existe um costume muito mau, contrário aos ensinamentos de Jesus. São os homens que obedecerem às mulheres, quando, de acordo com o que está escrito na Sagrada Escritura, deviam ser as mulheres a obedecer em tudo às ordens dos seus maridos. Isto é tão verdade que até o povo, na sua sabedoria simples mas verdadeira, diz que em casa de Gonçalo manda a galinha mais do que o galo. – E prosseguiu. - Ora eu tive este ano muitas nozes na minha quinta e declaro-vos diante de Deus que darei um saco cheio delas ao homem desta freguesia que me demostrar que não anda ao mandado da sua mulher e que a sua casa não é como a do Gonçalo. Depois da missa quem achar na sua consciência que na sua casa não existe este mau costume, traga um saco e vá a minha casa buscar as nozes.

Estava na igreja a ouvir o sermão um homem casado que era muito abrutalhado, que tratava a mulher de muito mau modo e que tinha fama de gabarola. Ao ouvir o prebendado, esfregando as mãos de contente, disse para um que estava ao seu lado:

- As nozes do padre já cá cantam. Ninguém cá na freguesia me as tira, pois em minha casa mando eu e ninguém nesta freguesia se pode gabar disto como eu. Tenho nozes para o ano todo.

No domingo seguinte, no fim da missa, trazendo um saco apresentou-se em casa do pároco, dizendo:

- Cá estou, senhor padre! Não há mais ninguém cá pela freguesia que se possa gabar como eu de poder dizer que a sua casa não é como a de Gonçalo. Em minha casa mando eu, por isso venha cá buscar as nozes que o senhor prometeu no domingo passado.

- Muito bem, – disse o pároco. - Eu bem sei o teu viver. E pelo que me têm dito, és tu que mandas lá em casa. Sendo assim levas as nozes. Dá-me o saco para que o encha.

O homem, muito desembaraçado, entregou o saco que trazia ao ombro para encher as nozes. Com ar atrevidote diz-lhe o pároco:

- Ó homem, trazes um saco tão pequeno?! Não tinhas lá em casa um saco maior?

- Tinha, sim senhor. – Retorquiu o homem, prontamente.

- Então porque não trouxeste um saco bem grande? – Continuou o abade escondendo a malícia.

- Ó senhor, eu trazia um saco bem grande. Mas ao pegar nele a minha mulher começou a dizer que era uma vergonha trazer um saco daqueles. E olhe, o senhor. Tanto teimou e tanto porfiou que me obrigou a trazer este mais maneirinho…

- Ah, seu grande tratante! - Gritou o pároco. - Despeja já essas nozes, que daqui não levas nada. Põe-te já no olho da rua e vê se não continuas a deixar que seja tua mulher a mandar em ti.

O homem foi-se embora muito atrapalhado, por lhe ter fugido a língua para a verdade.

 

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A VELHA E AS GALINHAS

Sexta-feira, 06.11.15

Era uma vez uma velha muito pobre que vivia na companhia de seis filhas, todas elas solteiras. As raparigas bem desejavam casar, mas era de todo impossível. É que sendo a mãe muito pobre não tinha dinheiro nem para as bodas nem, muito menos, para os dotes. Essa a razão por que as moças andavam muito tristes e revoltadas. Mas mais ainda se indignaram quando se aperceberam de que a sua velha mãe passava os dias sentada à janela simplesmente a bisbilhotar e a saber da vida de uns e de outros.

Certo dia perguntaram-lhe:

- O que é que a mãe faz aí sentada à janela todos os dias?

- Deixem-se lá, filhas da minha alma, que é da janela que vos hei-de casar.

As filhas não entenderam mas cuidando que nada podiam fazer deixaram que a mãe continuasse a sentar-se à janela de manhã à noite.

Passado tempo a velha disse às filhas que ia ao palácio real, falar com a rainha. As filhas bem a tentaram impedir. Mas os seus esforços foram vãos e a velha lá partiu com destino ao palácio do rei.

Ao chegar lá pediu para ser recebida pela rainha. Quando esta lhe perguntou o que pretendia, a velha respondeu:

- Venho aqui saber se Vossa Majestade quer mandar ensinar algumas das suas galinhas a falar? Eu própria as ensinarei se Vossa Majestade assim quiser.

- Quero, quero. – Disse a rainha. - Há-de ter sua graça! Galinhas a falarem…

E, de imediato, mandou entregar à velha uma dúzia das melhores galinhas que havia no palácio. A velha foi para casa. Nos dias seguintes bem se regalaram ela e as filhas a comerem as galinhas, cozidas, assadas e fritas Quando se acabaram os lautos manjares, a velha voltou ao palácio, e disse à rainha:

- Saiba Vossa Majestade que tenho um desgosto de morte…

- Então por quê? – Perguntou a rainha.

- Saiba Vossa Majestade que depois de muitos dias de trabalho e de muita persistência as galinhas já estavam a falar tão bem, que hoje tencionava vir entrega-las a Vossa Majestade. Quando as estava ajuntando e ao dizer que haviam de voltar para junto de sua dona, elas começaram uma estranha cantarolada: “Có-co-ro-có, cá-ca-ra-cá. A nossa Rainha andou a dormir com o Visconde da Estrebuela! A nossa rainha anda a por os cornos no rei”. Eu grandes esforços fiz para as calar, mas as malditas não se calavam e disseram-me que do seu poleiro bem viram, muitas vezes, o Visconde entrar às escondidas pelas traseiras do palácio. Eu desesperada fechei-as no poleiro, e venho saber se Vossa Majestade quer que lhas traga para o palácio.

A rainha ficou desesperadíssima e deu-lhe ordens para que fosse logo para casa e que as matasse todas, sem ficar nenhuma, e que não queria mais galinhas que falassem. E deu-lhe muito dinheiro, para que ela se calasse bem calada e não dissesse a ninguém o que tinha ouvido das malditas galinhas. Muito aflita ainda lhe disse que quando ela tivesse alguma necessidade viesse ao palácio falar com ela, que a ajudaria.

Foi assim que a velha conseguiu arranjar dinheiro para casar as suas filhas, às quais a rainha deu muitos bons dotes.

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AS BOCAS DO MUNDO II

Quinta-feira, 01.10.15

Era uma vez um velho que tinha um burro e que vivia sozinho, tendo apenas na sua companhia um neto, ainda muito novo.

Certo dia resolveu ir à vila e levar o rapaz e o burro consigo. Chegados à vila, o velho e o neto seguiam a pé, atrás do burro. Ao passar numa rua as pessoas começaram logo a murmurar, criticando-os, por nenhum deles ir montado no burro.

Então o velho colocou o menino sobre o burro, seguindo ele atrás a pé. Passaram noutra rua e as pessoas voltaram a murmurar, perguntando ao velho se não tinha vergonha. Ele um velho a caminhar a pé e o malandrão do rapaz montado em cima do jumento

O velho tirou o menino de cima do burro e montou-o ele próprio. Passaram noutra rua e as pessoas de novo murmuram, criticando o velho por não ter consciência, deixando ir a criança a pé e ele refastelado em cima do animal.

O velho pegou no rapaz e sentou-o, juntamente com ele, em cima do burro, caminhando assim por uma outra rua. Ao vê-los, as pessoas de novo murmuraram. Aquele homem não tinha consciência… Caminharem os dois bem refastelados em cima do pobre animal! Não tinham consciência.

Finalmente desceram do burro e entraram numa taberna para almoçar. Antes porém o avô disse ao neto:

- É para que saibas o que são as bocas do mundo!...

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A PANELA DO DINHEIRO

Terça-feira, 18.08.15

Antigamente, na Fajã Grande, entre muitas outras, contava-se a seguinte estória. Há muitos, muitos anos, numa determinada freguesia havia um padre muito rico mas muito avarento. Tinha muito dinheiro, não dava um centavo a ninguém e tinha muito medo que o roubassem. Na verdade não era fácil manter o dinheirinho seguro naqueles tempos, numa casa sem nenhuma segurança. A qualquer momento do dia poderia chegar um bando de ladrões ou até um barco carregado de piratas, arruaceiros e salteadores, roubando, assaltando e matando. Assim cuidava o prebendado que de nada adiantava guardar o seu rico dinheirinho em nenhum lugar de sua casa, nem sequer de baixo do colchão, pois era o primeiro lugar onde os ladrões iriam procurar.

 Depois de muito matutar, a solução encontrada para guardar o dinheiro e que cuidou muito segura foi simples: depositar as economias numa panela de barro e, de noite, sem que ninguém o visse, ir enterrá-la no quintal da sua casa, próximo de algum ponto de referência, mas que só ele fosse capaz de identificar e reconhecer. Assim todas as noites podia ir lá, cavar no local certo, abrir a panela e colocar-lhe dentro o dinheiro que ia ganhando, em missas, sermões, batizados, casamentos e côngruas. Se bem o pensou, melhor o fez e, todas as noites, ia ao quintal, cavava, tirava a tampa da panela com muito cuidado para que se não partisse e atirava as notas e as moedas lá para dentro, cuidando que ali estavam bem seguras.

Ora por ali perto morava um vizinho do reverendo muito esperto e atinado e que estranhou as idas e vindas do padre ao quintal, todas as noites. Pôs-se de vigia e assim identificou o lugar onde o reverendo cavava, sem perceber o que depositava lá dentro. Movido pela curiosidade e também desconfiado, pois sabia da fortuna e da avareza do clérigo, decidiu numa noite, esperar que o pároco se retirasse, regressasse a casa e adormecesse, para ir cavar no mesmo local, a fim de confirmar a sua desconfiança. Não foi pois com admiração que ao encontrar a panela e, ao abri-la, verificou que estava quase cheia de dinheiro. Com muito cuidado retirou-o, foi à sua retrete, trouxe a caneca da merda e despejou-a dentro da panela, colocando, por cima algumas moedas, a fim de que o reverendo, quando lá voltasse, na noite seguinte, ouvisse o tilintar das moedas que ali colocava de novo. Assim procedeu nas noites seguintes. O reverendo a colocar o dinheiro na panela e ele a trocá-lo pelos seus dejetos.

Passado algum tempo o padre sentiu que a panela já estava cheia e decidiu celebrar o evento. Avisou o presidente da junta, o regedor, os seus compadres e amigos mais ricos de que encontrara uma panela cheia de dinheiro no seu quintal. Gostava de dividir o tesouro com eles, mas de uma forma que fosse mais interessante e apelativa. Havia de colocar a panela no alto, presa a um pau, havia de lhe mandar dar uma paulada. Ele, as suas irmãs e os seus amigos juntamente com as suas esposas haviam de colocar-se por baixo da panela e todo o dinheiro que cada um apanhasse seria seu. O senhor padre muniu-se da sua batina com uma aba muito grande e larga, as suas irmãs e as outras mulheres de grandes e floridos aventais a fim de que conseguissem apanhar a maior quantidade de dinheiro possível.

Veio o homem do pau e zás. Manda forte paulada na panela que esta se partiu em mil pedaços, caindo a merda ali armazenada por cima de quantos se encontravam à espera de apanhar as notas e as moedas, enquanto o vizinho à sua janela ria a bom rir. O padre vendo-o, adivinhou a marosca e ameaçando matá-lo, começou a correr atrás dele com quantas forças tinha.

Ao passar à Praça, viu uns homens ali sentados a descansar e perguntou-lhes se não tinham visto passar o seu vizinho. Todos se calaram, admirados do estado lastimoso em que o padre se encontrava, Um deles, mais corajoso e afoito, respondeu:

- Não, não vi passar o seu vizinho, mas também nunca vi o senhor padre tão cagado.

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A PRINCESA E A CEGONHA

Quarta-feira, 05.08.15

Era uma vez uma princesa muito má, Não obedecia nem respeitava os pais e batia nas aias e nos criados do palácio onde vivia. Além disso, quando saía do palácio, tratava mal os nobres do reino e desprezava o povo que a aclamava a quando da sua passagem pelas ruas da cidade, onde se situava o seu palácio. Não havia ninguém no reino que gostasse dela

O velho monarca, seu pai e a rainha sua mãe tinham um grande desgosto e viviam numa grande tristeza por causa do comportamento da filha. Bem tentavam demovê-la das suas malévolas atitudes, mas nada conseguiam.

Certo de dia, já cansados de tanto fazerem em vão, decidiram reunir as fadas e os conselheiros do reino, a fim de procurar uma solução para libertar a filha de tanta maldade Iniciada a reunião e depois do velho monarca expor a razão por que reunia aquele conselho, a Fada do Bem pediu autorização para levar a princesa para o seu Palácio Encantado. Aí havia de a manter durante algum tempo, educando-a de forma a ela perder a sua malvadez e a transformar-se numa pessoa educada e bondosa. Depois de muito se discutir, os pais anuíram e a menina, embora contra a sua vontade, foi levada pela Fada, conforme esta propusera.

Ao entrar no palácio da Fada e, ao ver tanta beleza, não fosse aquela a casa da Fada do Bem, a princesa ficou muito admirada. As paredes das salas de todos os aposentos eram revestidas de conchas de madrepérola e corais e, no interior, havia lagos onde nadavam pequeninos peixes de lindas cores, e jardins onde esvoaçam borboletas de asas de ouro e madrepérola.

Mas depressa a princesa, que ainda não se libertara da sua maldade, arquitetou um plano maquiavélico para se vingar da Fada e destruir tudo o que de bom e belo ela possuía no palácio. Bem o pensou mas não o conseguiu fazer, porque a Fada do Bem fechou-a numa sala. Ao ver-se completamente só e ao ouvir apenas o barulho das ondas do mar a desfazerem-se contra os muros do palácio, a princesa chorava de medo. Tanto chorou e tanto se assustou que, por fim começou a suplicar que a tirassem dali, pois prometia que havia de ser boa para todos. Mas a fada não lhe atendeu os pedidos, mantendo-a fechada.

Passados uns dias um grande temporal desabou sobre a cidade e o palácio. Trovões, relâmpagos, chuvas e ventos fortíssimos e o mar muito bravo. Mas algo de insólito aconteceu: a fúria das ondas arrastou um barquinho para as proximidades do palácio da fada. O pescador que nele navegava, ao ouvir o choro e os gritos da princesa julgou ser um náufrago aflito e a pedir socorro. Aproximou-se, subiu ao rochedo mas não viu ninguém, porém ouvia mais nitidamente o choro. Impressionado e impotente pôs-se também ele a chorar. Uma cegonha que sobrevoava aquela zona ao ver as lágrimas no rosto do pescador, puxou com o bico a argola que abria a porta secreta sob um tufo de algas. O pescador entrou, ficando, também ele, extasiado com tudo o que via. Mas com o que mais se admirou e com o que mais se impressionou foi com a beleza da menina. Nunca na sua vida vira uma jovem tão bela!

Ajudados pela cegonha, após a princesa jurar solenemente à Fada do Bem que jamais seria má, os jovens partiram para o castelo real. O velho monarca e a rainha consorte ficaram muito felizes com a chegada da filha e fizeram uma grande festa, a que assistiram as fadas e o povo. O pescador aproveitou o ensejo e pediu a princesa em casamento, deixando o rei muito feliz e honrado com o seu pedido pois sabia que todo esse plano fora arquitetado pela fada.

O casamento realizou-se ao fim de poucos dias. À cerimónia, para além de todo o reino e das fadas, assistiram os reis dos países vizinhos, e para surpresa de todos, vindos dum reino muito distante, vieram os pais do noivo, que ao ver o filho ficaram muito felizes pois tinham perdido as esperanças de encontra-lo. É que todos os marinheiros que o acompanhavam e que foram vítimas daquele terrível temporal haviam morrido.

Consta que os príncipes foram muito felizes e viveram muitos anos. O jovem príncipe, que outrora fora um humilde pescador, após a morte do velho monarca, assumiu o governo do reino e foi um excelente rei, sobretudo porque acompanhado por uma bondosa, prudente e sábia rainha.

Consta que a cegonha, após algum tempo, visitou o palácio real, trazendo aos reis um belo príncipe.

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A LENDA DA GAIA AZUL

Terça-feira, 30.06.15

 

(CONTO POPULAR)

 

Numa fria manhã de inverno, a gralha ainda dormitava no galho do pinheiro, quando foi surpreendida por um súbito e seco barulho. Assustada, ela pôde ver um homem a desferir o machado no tronco do pinheiro. A gralha ouviu os gemidos agudos do pinheiro, enquanto a seiva de dentro dele transbordava em dor.

Com tristeza, a gralha viu os golpes do machado, cada vez mais intensos, a cortar sem piedade o majestoso pinheiro que por muitos anos deu-lhe abrigo, tornando-se um amigo. Sabia que o destino de tão bela árvore, que por décadas a natureza tecera o porte que apresentava, seria o de uma serraria, transformada em madeira morta para servir aos caprichos humanos.

Impotente diante da tragédia que se abatia sobre o pinheiro amigo, a gralha voou em direção ao infinito, subindo muito além das nuvens, de modo que não pudesse ouvir os gemidos de dor causados pelo corte fatal do machado. Já na imensidão do céu, a pobre ave pôde ouvir uma voz terna a ecoar:

-O coração das aves é misericordioso, revoltando-se com as dores da mata! Bendita sejas tu, avezinha! Tua bondade faz-te digna do mundo. Volta para os pinhais, a partir de hoje tu serás a minha ajudante. Transformarei a tua plumagem em azul, da cor do céu. Quando voltares para os pinhais, vais plantá-los, para que os pinheiros se renovem e jamais se extingam.

-Sou apenas uma ave negra, a chorar a dor dos pinheiros mortos.

-Já não serás uma ave negra, já te disse, terás a cor do céu. Quando comeres o pinhão, tirar-lhe-á a cabeça, para com as tuas bicadas, abrir-lhe a casca. Nunca te esqueças de antes de terminar a tua alimentação, enterrares alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que não apodreçam e façam surgir um novo pinheiro. Do pinheiro, árvore da fraternidade, nascerá a pinha, da pinha nascerá o pinhão... Do teu bico cairá a semente que fertilizará o solo.

Ao ouvir a voz, a gralha viu-se no topo do céu. Olhou para o seu pequeno corpo de ave e apercebeu-se que as penas negras tinham ficado azuis. Até onde os seus olhos pudessem avistar, tornara-se uma ave azul, ao redor da cabeça, onde não podia enxergar, continuou com a plumagem preta.

Ao ver a beleza das suas penas, a avezinha retornou para os pinhais. Encontrou todos os pinheiros abertos, a convidá-la para pousar em seus galhos, assim ficariam perenemente. Tão alegre estava a gralha com a sua nova plumagem, que o seu canto passou a ser como um alarido a lembrar crianças a brincar. Assim a gralha, ao voltar, iniciou o seu trabalho de ajudante celeste, ajudando aos pinheiros a renascer dos seus pinhões.

Ainda hoje, quem passa por algumas florestas consegue ver bandos de gralhas azuis matracando nos galhos dos frondosos pinheiros, comendo os pinhões que alegram as festas do povo do lugar.

 

Conto Popular

 

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A ESTÓRIA DO MILHO

Quarta-feira, 25.02.15

(CONTO TRADICIONAL)

 

Era uma vez uma galinha que morava sozinha com seus pintainhos no meio do monte. Era pobre e não tinha como sustentar os filhotes.

Certo dia ela encontrou uma espiga de milho e ficou muito contente. É que tanto ela como os filhos gostavam muito de milho. Ela ficou contente porque tinha encontrado alimento para si e para os filhos. Preparam-se todos para comer a espiga. Mas depois a galinha pensou melhor e concluiu:

 - Afinal se comermos o milho agora matamos a fome hoje. E amanhã o que comeremos?

Então ela pensou, pensou e, apesar de ser galinha, chegou à conclusão que se o semeasse seria melhor, pois quando estivesse crescido, maduro, pronto para colher, ela teria muito mais milho e assim podia ter alimento, não apenas para um dia, mas muitos os dias. Se o semeasse teria muita e boa comidinha para si e para os seus filhos. Para além de comerem os grãos do milho, ainda podia fazer um delicioso pão de milho. Todos iam gostar!

Mas era muito difícil e cansativo trabalhar o milho. Ela sabia muito bem que para semear o milho e para fazer o pão ela tinha muito, muito trabalho. Tinha que adubar e lavrar a terra e prepará-la muito bem. Depois tinha que semear o milho, sachá-lo e arrancar as ervas daninhas. Mais tarde havia que colher as espigas, descascá-las e debulhá-las. Só então levaria o milho ao moinho para o moer e transformar em farinha e assim aquecer o forno, amassar e cozer o pão.

Era muito trabalho! Era trabalho muito pesado. Além disso ela precisava de bastante milho para o pão. Sozinha não conseguiria. Decidiu ir procurar alguém que a ajudasse. Mas quem é que a podia ajudar a preparar a terra, adubar, lavrar gradar e alisar? Quem a podia ajudar a semear o milho? Quem a podia ajudar a sachar e arrancar as ervas daninhas? Quem podia ajudá-la a colher a espiga de milho no pé? Quem ajudaria a debulhar todo aquele milho? Quem levaria a pesada saca ao moinho e ajudaria a moer o milho para fazer a farinha? E, finalmente, quem a podia ajudar a cozer o pão?

Foi pensando nisso que a galinha se encontrou com os seus amigos que viviam ali por perto, numa quinta, ao lado.

Quem me pode ajudar a lavrar e a preparar o terreno para poder semear o milho para fazer um delicioso pão?

- Eu não, - disse o gato. - Estou com muito sono.

- Eu não, - disse o cão. - Estou muito ocupado.

- Eu não, - disse o porco. - Acabei de almoçar, tenho que dormir.

- Eu não, - disse a vaca. - Está na hora de ir para os campos tratar dos meus filhotes.

E a galinha coitadinha lá foi sozinha preparar a terra, adubar, lavrar gradar e alisar. A seguir tinha que semear. Mas estava tão cansada de lavrar, adubar e preparar a terra que resolveu novamente ir pedir ajuda aos amigos para que a ajudassem a semear o milho.

- Quem me pode ajudar a semear o milho para fazer um delicioso pão?

- Eu não, - disse o gato. - Estou com muito sono.

- Eu não, - disse o cão. - Estou muito ocupado.

- Eu não, - disse o porco. - Acabei de almoçar, tenho que dormir.

- Eu não, - disse a vaca. - Está na hora de ir para os campos tratar dos meus filhotes.

E a galinha coitadinha lá foi sozinha semear o milho para que ele crescesse depressa e ela pudesse fazer um saboroso pão.

A seguir tinha que sachar e arrancar as ervas daninhas para que o milho crescesse. Mas estava cansada de o semear que resolveu novamente ir pedir ajuda aos amigos para a ajudarem a sachar e a mondar.

- Quem me pode ajudar a sachar o milho e arrancar as ervas daninhas para eu fazer um delicioso pão?

- Eu não, - disse o gato. - Estou com muito sono.

- Eu não, - disse o cão. - Estou muito ocupado.

- Eu não, - disse o porco. - Acabei de almoçar, tenho que dormir.

- Eu não, - disse a vaca.- Está na hora de ir para os campos tratar dos meus filhotes.

E a galinha coitadinha lá foi sozinha sachar e arrancar as ervas de entre o milho para que ele crescesse depressa e ela pudesse fazer um saboroso pão.

A seguir tinha que colher as espigas. Mas estava tão cansada de o sachar e arrancar as ervas que resolveu novamente ir pedir ajuda aos amigos para a ajudar a colher as espigas.

- Quem me pode ajudar a colher as espigas para eu fazer um delicioso pão?

- Eu não, - disse o gato. - Estou com muito sono.

- Eu não, - disse o cão. - Estou muito ocupado.

- Eu não, - disse o porco. - Acabei de almoçar, tenho que dormir.

- Eu não, - disse a vaca. - Está na hora de ir para os campos tratar dos meus filhotes.

E a galinha coitadinha lá foi sozinha colher as espigas do milho para que pudesse fazer um saboroso pão.

A seguir tinha que descascar e debulhar o milho. Mas a galinha estava tão cansada de o apanhar que resolveu novamente ir pedir ajuda aos amigos para a ajudar a descascar e debulhar.

- Quem me pode ajudar a descascar e debulhar o milho para eu fazer um delicioso pão?

- Eu não, - disse o gato. - Estou com muito sono.

- Eu não, - disse o cão. - Estou muito ocupado.

- Eu não, - disse o porco. - Acabei de almoçar, tenho que dormir.

- Eu não, - disse a vaca. - Está na hora de ir para os campos tratar dos meus filhotes.

E a galinha coitadinha lá foi sozinha descascar e debulhar as espigas do milho para que pudesse fazer um saboroso pão.

A seguir tinha que levar o milho ao moinho a fim de o moer. Mas estava tão cansada de o descascar e debulhar que resolveu novamente ir pedir ajuda aos amigos para a ajudar a moer. Mas todos se recusaram outra vez.

E a galinha coitadinha lá foi sozinha moer o milho para que pudesse fazer um saboroso pão.

A seguir a galinha tinha que cozer o pão. Mas estava tão cansada de o moer que resolveu, mais uma vez, ir pedir ajuda aos amigos para a ajudarem a amassar e a cozer o pão. Mas todos se recusaram, de novo e a galinha coitadinha lá foi sozinha amassar e cozer um saboroso pão.

A galinha preparou a terra, lavrou, semeou, sachou, mondou, colheu, debulhou, moeu, amassou e cozeu o pão, sozinha. Mas ao cozê-lo os amigos sentiram um cheirinho muito bom, Começaram todos a correr, a sentir água na boca, pois todos queria comer o pão que a galinha cozeu.

Então a galinha disse-lhes:

- Quem foi que me ajudou a adubar os campos, a lavrar, a sachar, a mondar, a colher as espigas, a debulhar, a moer a amassar e a cozer o pão?

Todos ficaram bem caladinhos. É que ninguém tinha ajudado nada.

- Então – disse a galinha - quem vai comer este delicioso pão de milho sou eu e meus pintainhos. Vocês podem voltar para as vossas casas ou ficar aí a olhar.

E assim foi: a galinha e seus pintainhos fizeram uma grande festa, comeram o delicioso pão e nenhum dos preguiçosos foi convidado.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:25

A FILHA DO LAVRADOR

Domingo, 01.02.15

(CONTO POPULAR)

Num país muito distante havia um príncipe que todas as manhãs se vinha sentar à varanda do seu quarto. Ali ficava, durante algum tempo, pois dali via a filha de um lavrador que morava perto. A rapariga, apesar de pobre e humilde, era senhora de uma beleza rara.

De longe,  o príncipe saudava-a:

– Bons dias vos dê Deus.

A menina, embora um pouco tímida e vergonhada por receber aquela saudação de um príncipe, retorquia, meigamente:

– E a vós, real senhor.

Certo dia o principe desceu as escadas do seu palácio, aproximou-se da jovem e convidou-a para ir com ele a uma grande feira anual, que se realizava numa cidade vizinha da capital do reino.

A menina, para grande tristeza do príncipe, recusou o convite. Porém, sem que ele soubesse, pediu licença ao pai  a fim de que a deixasse ir, sozinha, aquela feira. Havia de se encontrar lá com umas amigas. O pai, embora renitente ao início, perante a insistência da rapariga, acabou por anuiuir e ela lá foi, partindo de véspera. Como sabia qual a estalagem onde o príncipe havia de hospedar-se resolveu esconder-se no quarto onde o príncipe havia de pernoitar. Os donos da estalagem, no entanto, deram conta e, quando avisaram o príncipe de que estava ali uma mulher à espera dele, ele nem respondeu. Entrando no quarto, viu uma moça muito linda, mas não a conheceu. Apagou a luz e ficaram toda a noite juntos. Pela manhã muito cedo ela arranjou-se para partir, e o príncipe perguntou-lhe o que é que ela queria como lembrança e recompensa daquela maravilhosa noite, que tinham passados juntos. A rapariga pediu que lhe desse a sua espada. O príncipe não teve remédio senão dar-lha.

Passados dias, o príncipe, da janela do seu quarto, ao ver, de novo, a filha do lavrador, saudou-a como habitualmente:

– Bons dias vos dê Deus.

– E a vós também, real senhor. – Retorquiu a menina.

Passado um ano, na véspera da romaria, o príncipe voltou a perguntar-lhe:

– Então a menina não vai amanhã à romaria, para se encontrar lá comigo?

Ela disse-lhe que não, mas repetiu o que fizera no ano anterior. Partiu adiante dele, entrou na estalagem e ficou no quarto onde o príncipe iria dormir aquela noite. No entanto, a rapariga tivera às escondidas um menino, que estava a criar sem que ninguém soubesse e era muito parecido com o príncipe. Voltaram a passar uma maravilhosa noite juntos, sem que o príncipe a conhecesse. Pela manhã, o príncipe disse-lhe que pedisse o que quisesse. Ela pediu que lhe desse o cinto que usava.

A rapariga voltou a ter mais um menino que, como o primeiro, criou às escondidas.

Por fim, foi ainda uma terceira vez convidada pelo príncipe para ir à feira, voltando a passar mais uma noite com o príncipe sem que ele se apercebesse de que era a filha do lavrador, a sua vizinha. Desta vez também ele também lhe perguntou o que é que ela queria, e a moça pediu-lhe o relógio. Voltou a engravidar mas desta vez teve uma menina, que criou, às escondidas, junto com os outros dois filhos.

Passado algum tempo o príncipe encontrou-a e disse-lhe:

– Vou-me casar e gostava que viesses à minha boda.

Ela disse que não, mas no dia do casamento entrou pelo palácio dentro com os três meninos, um com a espada, outro com o cinto e a menina com o relógio. Deixaram-na entrar, e ela sentou-se à mesa com as crianças. O príncipe conheceu aquelas três prendas que dera, sem saber a quem, e apercebeu-se, então, de que os meninos eram parecidos consigo e que eram seus filhos. No fim do jantar levantou-se para fazer um discurso. Admirados todos se calaram O príncipe, muito comovido disse:

– Um dia um homem perdeu uma chave de ouro e arranjou uma de prata para servir-se, mas aconteceu que, passado algum tempo, encontrou outra vez a chave de ouro que tinha perdido. Agora quero que os senhores me digam com qual delas se deve servir, daqui em diante, aquele homem, se da chave de ouro ou se da de prata?

Disseram todos, unanimente:

– Da chave de ouro! Da primeira.

O príncipe levantou-se e foi buscar a filha do lavrador, que estava a um canto da mesa, juntamente com as crianças e disse:

– A esta é que eu tomo por esposa e estas crianças são meus filhos. Tudo isto eu tinha perdido mas encontrei agora.

A festa continuou muito alegre. O príncipe e a filha do lavrador, juntamente com os seus filhos, viveram muito felizes.

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publicado por picodavigia2 às 00:34

A MULHER AMBICIOSA

Segunda-feira, 19.01.15

(CONTO POPULAR)

 

Era uma vez uma mulher pobre mas um pouco estouvada e muito ambiciosa. Vivia sozinha, distante do povoado e, segundo se dizia pelos arredores, tinha poderes estranhos. Muita gente aterrorizava-se ao passar em frente ao pobre casebre onde ela morava.

Na mesma localidade vivia um velho muito rico que ficou viúvo. A mulher, aos poucos e com muita astúcia e não menos artimanha, foi-se aproximando dele, tentando enfeitiça-lo, a fim de que ele se apaixonasse por ela. Se bem o pensou melhor o fez e, ao fim de algum tempo, casaram.

Mas as intenções da mulher não eram as melhores e, pouco tempo depois de casar, comprou veneno que, dia após dia, ia colocando, em pequenas quantidades, nas refeições do velho, a fim de que ele não morresse de repente e, assim, não desconfiassem dela. No entanto e para que pudesse herdar a fortuna do velho decidiu-se por adotar uma criança. A tarefa não foi fácil e, só ao fim de alguns meses e depois de lhes pagar muito dinheiro, consegui adotar uma menina, filha de pais muito pobres.

Depois de adotar a criança a mulher decidiu reforçar a dose do veneno, pelo que o velho, algum tempo depois esticou o pernil.

Nos dias seguintes a mulher não parava de apregoar aos quatro ventos de que era senhora e dona de uma enorme fortuna. Logo lhe rondaram a casa e bateram à porta muitos pretendentes. Houve um que a conquistou e, assim, voltou a casar.

Mas o homem estava interessado era na fortuna e não na mulher, pelo que decidiu matá-la. No entanto, ao saber que a mulher tinha uma filha, cuidando que a pequena, após a morte da mulher, lhe roubaria metade da herança decidiu matá-la também.

Mas um vizinho apercebendo-se das intenções do velhaco, avisou os pais da menina que logo a vieram buscar, salvando-a da morte certa. O falso padrasto ficou muito satisfeito, cuidando que assim, sem ter que matar a menina, a herança seria toda sua. Matou, então, a mulher, que assim teve destino igual ao que ela havia dado ao velhote.

Os pais da menina, sabendo do sucedido, reclamaram justiça, sendo-lhes entrega toda a herança do velho, pelo que ficaram muito ricos, vivendo felizes com a sua filha, enquanto o falso marido e malvado padrasto passou o resto dos seus dias na cadeia.

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publicado por picodavigia2 às 12:18

O SARGENTO QUE FOI AO INFERNO

Domingo, 09.11.14

Havia numa terra um sargento, que era muito bom rapaz. Naquela terra também havia um rico mercador que se tomou seu amigo, arranjou-lhe a baixa e tomou-o para seu empregado. Como o mercador tinha filhas, o sargento apaixonou-se por uma delas. Mas o mercador era muito desconfiado e nunca deixava sair as filhas de casa, mas pela grande confiança em que tinha o rapaz, quando lhe pediu a filha em casamento, ele consentiu. Tudo corria muito bem. Até que dia foi representada uma peça muito linda no teatro, naquela terra e como as filhas desejassem vê-la, pediram ao sargento, que pedisse ao pai que as deixasse ir com ele. O mercador ficou carrancudo, mas deu licença, dizendo: – Deixo ir as minhas filhas com o senhor, mas com a condição, que quando der a última badalada da meia-noite devem estar todas em casa. Disseram todos que sim, e partiram. Quase perto da meia-noite, o rapaz disse para a sua noiva, que era bom retirarem-se para casa. Mais um bocadinho, mais um bocadinho; pede daqui, pede dali, o certo é que já tinha dado a meia-noite, eles ainda longe de casa. Assim que o rapaz bateu à porta, esta abriu-se logo e o mercador começou a bradar: – Foi assim que o senhor cumpriu as ordens que eu lhe dei? Pois trate já de arranjar as suas coisas que nem já esta noite me fica nesta casa. – Ó senhor, então só por isto! E quando estava já para casar com sua filha! O velho respondeu-lhe: – Só tem um meio de poder casar com minha filha, e voltar para minha casa. – Qual? – Vá ao Inferno, e traga-me três anéis que o Diabo tem no corpo, dois debaixo dos braços, e outro num olho. O rapaz achou aquilo impossível; mas que remédio teve senão pôr-se a caminho. Na primeira terra a que chegou, pregou um edital em que dizia: "Quem quiser alguma coisa para o Inferno, amanhã parte um mensageiro." Isto causou grande curiosidade, até que chegou aos ouvidos do rei, que mandou chamar o rapaz. Perguntou-lhe o rei: – Como é que você vai ao Inferno? – Real senhor, por ora ainda não sei; ando em procura dele, e irei lá, dê por onde der. – Pois bem, disse o rei, quando encontrares o Diabo, pergunta-lhe se ele sabe de um anel de muito valor que eu perdi, do que ainda tenho grande desgosto. Chegou o rapaz a outra terra e botou o mesmo anúncio. O rei também o mandou chamar: – Tenho uma filha que padece uma doença muito grande, e ninguém lhe acerta com o mal. Já que vais ao Inferno quero que saibas por lá onde é que estará a cura. O rapaz partiu sempre à procura do Inferno, e foi dar a uma encruzilhada em que estavam dois caminhos, um com pegadas de gente, e o outro com pegadas de ovelhas. Pensou, e por fim seguiu pelo caminho das pegadas de gente; ao meio dele encontrou um ermitão, de barbas brancas, que rezava em umas camândulas muito grandes, e lhe disse: – Ainda bem que tomaste por este caminho, porque esse outro é o que vai para o Inferno. – Ó, senhor! E eu há tanto tempo que ando à procura dele! O rapaz contou-lhe todo o acontecido; o ermitão teve compaixão dele, e disse: – Já que tens de ir ao Inferno, vai, mas sempre leva contigo estas contas, porque antes de lá chegar tens de passar um rio escuro, e há-de ser um pássaro que te há-de levar para o outro lado; e quando ele te quiser afundar no rio, joga-lhe as contas ao pescoço. Daqui em diante não sei mais o que te sucederá. Assim aconteceu. Chegado ao Inferno o rapaz teve um grande medo, e viu para ali um forno vazio e escondeu-se dentro dele. Quando estava todo agachado, passou uma velha muito velha e viu-o. – O menino aqui! Ora coitadinho, que é tão lindo; se o meu filho o visse matava-o, com certeza. O que veio cá fazer? O rapaz contou tudo à mãe do Diabo; a velha teve pena dele, e disse-lhe: – Olhe; pois deixe-se ficar aqui escondido, porque eu não sei quando o meu filho virá; ele está assistindo à morte do Padre Santo, que está nas agonias, e quer-lhe apanhar a alma. O rapaz pediu à velha se sabia do Diabo as perguntas de que trazia encomenda. Quando estavam nestas conversas chegou o Diabo bufando; a velha escondeu-o logo, e disse: – Anda cá, filho, para descansares; deita-te aqui no meu colo. O Diabo deitou-se e ficou logo a dormir. A velha foi muito devagarinho com as unhas e arrancou-lhe um anel que tinha debaixo do braço. O Diabo mexeu-se desesperado, gritando: – Isto o que é? – Ai, filho, fui eu que me deixei dormir, e dei uma pendedela em cima de ti. Estava a sonhar com aquele rei que perdeu o anel, e que nunca mais o tornou a achar. – Pois é verdade esse sonho, respondeu o Diabo; está debaixo de uma laje ao pé do repuxo do jardim. O Diabo tornou a ficar a dormir; a velha sorrateira arrancou-lhe o segundo anel. O Diabo tornou a acordar desesperado: _ Tem paciência, filho; tornei-me a deixar dormir e a sonhar com a filha daquele rei que nenhum médico sabe curar. – Também é verdade; a doença dela é o sapo-sapão, que está metido no enxergão. Tornou o Diabo a dormir. Para arrancar o anel do olho é que foram os trabalhos. A velha tirou-o com um espéculo, e o diabo com a dor e zangado com as pendedelas, saiu pela porta fora. O rapaz recebeu tudo da velha; voltou para o mundo e foi entregar as contas ao ermitão. Depois passou pela terra do rei que tinha perdido o anel, que lhe deu muito dinheiro quando o tornou a achar debaixo da laje. Depois passou pela corte do rei que tinha a filha doente, disse onde estava o sapo-sapão. A princesa melhorou logo, e o rei pediu-lhe para que dissesse a paga que queria. – Quero que Vossa Majestade me dê o seu poder por oito dias. O rei mandou deitar um pregão para ele governar oito dias; o rapaz partiu logo para a terra do sogro, e deu ordem logo que lá chegou para o mercador dentro em meia hora lhe vir falar à sua presença. O mercador foi, mas quando chegou era já mais de uma hora. O rapaz disse: – Podia-o mandar matar, por me ter desobedecido, em vir depois da meia hora. – Ó senhor, não me demorei por minha vontade. – Pois sim. Mas porque não soube em tempo desculpar aquele pobre sargento que pôs fora de sua casa? O mercador conheceu então o antigo noivo de sua filha, que tinha sempre chorado, confessou o seu erro, e pediu-lhe de joelhos muitos perdões. O rapaz entregou-lhe os anéis do Diabo, e nesse mesmo dia casou com a sua namorada, por quem tinha metido um pé no Inferno. (Adaptado de Teófilo Braga)

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publicado por picodavigia2 às 20:35

A SOPA DE PEDRA

Sexta-feira, 29.08.14

(CONTO TRADICIONAL)

 

Era uma vez um frade que andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:

- Como não tenho nada para comer, vou ver se faço um caldinho de pedra …

Dizendo isto, pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Perguntou-lhes o frade:

- Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma excelente sopa.

Responderam-lhe os da casa, ao mesmo tempo que o convidavam a entrar:

- Sempre queremos ver isso!

Foi o que o frade quis ouvir. Entrou para a cozinha e, depois de lavar a pedra muito bem lavada e pediu:

- Se me emprestassem aí um pucarinho…

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

- Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas…

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar e água a ferver, tornou o frade:

- Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo:

- Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou:

- Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava tão bom que até os anjos o comeriam!

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras. O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade:

- Um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça…

Cada vez mais animados com o que viam, trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele deitou-o na panela e, enquanto cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:

- Ó senhor frade, então a pedra?

Respondeu o frade:

- A pedra lavo-a e levo-a comigo para fazer um caldo outra vez.

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publicado por picodavigia2 às 21:15

FREI JOÃO SEM CUIDADOS

Domingo, 27.07.14

Era uma vez um rei que ouvira, muitas vezes, falar em Frei João Sem-Cuidados como o único homem do seu reino que não se afligia com coisa nenhuma deste mundo. E isso provocava-lhe uma certa inveja:

- Deixa estar, que eu hei-de meter-te em trabalhos — pensou o rei para consigo.

Certo dia, mandou-o chamar à sua presença e disse-lhe:

- Vou dar-te uma adivinha e, se dentro de três dias, não me souberes responder, mando-te matar. Quero que me digas: 1.º Quanto pesa a lua? 2.º Quanta água tem o mar? 3.º Que é que eu penso?

Frei João Sem-Cuidados saiu do palácio bastante atrapalhado, pensando nas respostas que havia de dar a cada uma daquelas perguntas.

Um velho moleiro que o conhecia, pois era a ele que Frei João ia levar a sua farinha pata lh’a moer, encontrou-o no caminho e estranhou ver o frade tão macambúzio e de cabeça baixa.

- Olá, Senhor Frei João Sem-Cuidados, então porque é que está tão triste?

- Nem queira saber, Senhor Moleiro! É que o rei mandou-me chamar e disse-me que me mandava matar se, dentro de três dias, não lhe respondesse a estas três perguntas: quanto pesa a lua, quanta água tem o mar e em que é que ele pensa!

O moleiro desatou a rir e disse-lhe que não tivesse cuidado nem se preocupasse, que lhe emprestasse o hábito de frade, que ele iria disfarçado e havia de dar boas respostas ao rei.

Passados três dias, o moleiro, vestido de frade, foi pedir audiência ao rei. Este perguntou-lhe:

- Então quanto pesa a lua?

- Saberá Vossa Majestade que não pode pesar mais do que um arrátel, pois todos dizem que ela tem quatro quartos.

- É verdade. E agora: quanta água tem o mar?

- Isso é muito fácil de saber. Mas como Vossa Majestade só quer saber a quantidade de água do mar, é preciso primeiro mandar tapar todos os rios que nele desaguam, porque sem isso nada feito.

O rei achou bem respondido, mas, zangado de ver Frei João Sem-Cuidados a escapar-se às dificuldades, tornou:

- Agora, se não souberes que é que eu penso, mando-te matar!

O moleiro respondeu:

- Ora, Vossa Majestade pensa que está a falar com Frei João Sem-Cuidados e está mas é a conversar com o seu moleiro.

O velho moleiro deixou então cair o capucho de frade e o rei ficou pasmado com a esperteza dele e também com a do Frei João Sem-Cuidados, que tão bem soube fazer-se substituir.

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publicado por picodavigia2 às 09:27

O JOÃO PATETA

Segunda-feira, 07.07.14

 

(CONTO TRADICIONAL)

 

Há muito, muito tempo havia um   rapaz chamado João que vivia com a sua mãe numa pequena cabana na floresta...   Como eram muito pobres, a mãe do João tinha de trabalhar muito: eram horas e   horas a costurar e a remendar roupa. E o João o que fazia? Nada! Durante o   Inverno, era vê-lo sentado em frente ao quentinho da lareira. Já no Verão, o   que ele gostava era de se sentar lá fora, no jardim, a apanhar Sol na cara. E   era assim que ele passava os dias…

Certo sia, a mãe, farta de ver   que ele, nada fazia, disse-lhe:

- Quem não trabuca, não   manduca! Tens de começar a trabalhar, João!

E lá foi ele… O primeiro   emprego que o João arranjou foi em casa de um lavrador, que lhe deu uma moeda   por um dia de trabalho no campo. João colheu o trigo, levou as vacas a pastar   e ainda deu de beber aos animais da quinta. O lavrador, muito satisfeito, deu-lhe   a recompensa prometida. Só que, já a caminho de casa, João tropeça e deixa   cair a moeda num pequeno ribeiro. Como é que ele ia contar à mãe o que lhe   tinha acontecido?

- És um tonto, João! Um cabeça   no ar! Então porque é que não guardaste a moeda no bolso?

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

No dia seguinte, João foi   contratado por outro lavrador para levar o rebanho a pastar às montanhas. E   assim foi… Só que agora, em vez de receber uma moeda, João ganhou um grande   jarro de leite fresco, acabadinho de sair da vaca.
  “Mas onde é que eu vou levar o jarro de leite? Já sei, no bolso…”  E lá foi ele para casa. Mas, enquanto andava,   o leite ia caindo no chão. Resultado: o João chegou a casa sem leite nenhum   para dar à mãe. Esta ficou espantada:

- Então não sabias que devias   trazer o leite à cabeça?

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

Mais um dia de trabalho e mais   uma recompensa: desta vez foi um queijo amanteigado.
  Tal como a sua mãe lhe tinha indicado, João decide levar o queijo na cabeça.
  Só que, com o calor, o queijo acabou por derreter…

- Mas João, porque é que não   trouxeste o queijo na mão?

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

No dia seguinte, João foi   ajudar o padeiro da aldeia a preparar o pão. E recebeu em troca um belo gato…   Todo contente, João segurou o animal entre as mãos, caminhando  na direcção de casa. Mas, como o gato era   muito irrequieto, acabou por saltar-lhe das mãos e fugir. João ainda correu   atrás dele, mas o gato era muito mais esperto e escondeu-se entre o mato. A   mãe nem queria acreditar…

- Sabes o que é que devias ter   feito? Devias tê-lo atado com um cordel e arrastado atrás de ti.

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

O talho foi o sítio que   escolheu para trabalhar no dia seguinte… Depois de uma manhã de trabalho,   João recebeu um belo e saboroso presunto. “Como é que eu o levo para casa?   Atado com um cordel e arrastado atrás de mim,” - pensou…

Claro que quando chegou a casa   o presunto já estava cheio de pó e ninguém o podia comer…

- João, o presunto é para   carregar às costas!

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

Depois de uma noite descansada,   João vai trabalhar para casa do pastor. Um burro é o que recebe como   recompensa. Apesar de ser muito pesado, João não desiste de seguir os   conselhos da mãe e leva o animal às costas. A caminho de casa, o rapaz passou   pela casa de um homem muito rico. Este tinha uma filha muito bonita, a Maria,   mas que tinha um problema: ninguém a conseguia fazer rir! Por isso, o pai   tinha prometido que quem fizesse rir a sua filha, iria casar com ela. E foi   isso que aconteceu…
  Muito aborrecida, Maria estava à janela quando viu este espectáculo; um   rapaz, muito encarnado, a carregar um burro às costas. E, de repente, uma   enorme gargalhada encheu a grande casa. Todos vieram ver o que se estava a   passar…
  Passado uma semana, João e Maria casaram e passaram a viver, felizes para sempre,   na mansão do pai de Maria. E o João nunca mais teve de trabalhar…

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publicado por picodavigia2 às 00:00

A PANELA

Segunda-feira, 26.05.14

Numa determinada terra havia um homem muito rico, mas também muito avarento. Para que não lhe roubassem o dinheiro, resolveu guardá-lo dentro de uma penela de barro e enterrá-la no quintal da sua casa, muito bem escondida, de modo que ninguém a descobrisse e lhe roubasse o dinheiro. Todos os dias, de noite, a fim de ninguém o ver, ia ao quintal, afastava a terra, abria a panela e ia colocando lá dentro todo o dinheiro que ganhava.

Em frente à sua casa morava um vizinho que, certa noite, ao levantar-se, viu o homem a cavar e a enterrar o que quer que fosse. Achando estranha aquela atitude, esperou que o vizinho adormecesse e, pé ante pé, foi ao local, cavou e descobriu a panela com o dinheiro. Retirou-o todo. Mas para que a panela não ficasse vazia, foi à retrete, trouxe duas canecas de merda e despejou-as dentro da panela.

No dia seguinte, espreitou o vizinho, que voltou ao local, colocando mais dinheiro. Quanto este voltou para casa e apagou a luz, o homem foi ao local, voltando a retirar o dinheiro. Lavou muito bem todas as moedas e voltou a colocar merda, na panela. A assim fez durante muitas noites, até que a panela se encheu.

O homem rico, cuidando que a panela estava cheia de dinheiro, resolveu retirá-la e abri-la, alegando que tinha encontrado um tesouro no seu quintal. Porém, como era muito religioso, resolveu convidar o padre da terra que, além disso, era seu compadre, mas enganou-o, dizendo-lhe que ao cavar no seu quintal encontrara uma panela de barro cheia de dinheiro. Iria parti-la a fim de retirar o dinheiro, mas, para agradar a Deus, queria dividir o dinheiro com o senhor padre, seu compadre. Todos se haviam colocar debaixo da panela de olhos tapados e, ao partí.la, quem mais dinheiro apanhasse com mais ficaria. O padre que também era muito ganancioso, regozijou de alegria, alertando as irmãs que preparassem grandes aventais para aparar muito dinheiro.

No dia combinado, o homem voltou ao quintal, retirou a panela e pendurou-a num local alto, com uma corda. Chegou o senhor padre com as suas irmãs muito bem vestidas e de bonitos e grandes aventais ao peito para recolherem muito dinheiro, juntamente com a mulher e as cunhadas do homem, também elas prevenidas com grandes aventais. Colocadas vendas nos olhos de todos, o homem pegou num enorme pau e zás, mandou semelhante traulitada na panela que esta se partiu em caros, derramando sobre todos a merda malcheirosa, armazenada ali durante dias.

O homem ao aperceber.se do que lhe aconteceu, fugiu dali a sete pés, enquanto o padre também corria como louco a ver se o apanhava.

Ao chegar à Praça, onde alguns homens descansavam, o padre parou e perguntou-lhes:

- Os senhores não viram o meu compadre?

Os homens muito admirados com o que viram, responderam:

- Não senhor, senhor padre. Nunca vimos foi o senhor padre tão cagado.

O padre, cheio de vergonha, recolheu-se ao passal e o homem, durante meses, não voltou ao povoado.

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publicado por picodavigia2 às 16:45

VALENTIA

Sexta-feira, 23.05.14

Há muitos, muitos anos, houve um rei muito rico, senhor de grandes palácios e muita fortuna mas que vivia sozinho mais a rainha, sua esposa, não tendo filhos a quem deixar os seus bens, nem um sucessor que lhe herdasse o trono.

Mas o desejo dos monarcas de terem um filho era muito grande. Tanto rezaram, tanto suplicaram e tanto pediram a Deus que, passado algum tempo, nasceu-lhes uma menina. O rei tratou logo de ir ver ao livro do Destino qual seria a sorte da menina, e viu o seguinte: Que ao fim de doze anos ela seria metida numa torre sem porta ou janela, dispondo, apenas, de uma pequena e estreita gateira por onde a princesa só aceitaria os alimentos. Mas ainda mais descortinou o monarca relativamente à menina: ao cabo de sete anos a carne que lhe dessem para comer não havia de não ter osso nenhum.

Ao fim de sete anos o rei foi convidado para ir a um jantar mas deixou recomendado às suas aias que, quando mandassem a comida para princesa, lhe não levassem carne com osso. Mas as aias, infelizmente, descuidaram-se e aconteceu o pior. A carne que levaram à princesa tinha um osso.

Todos os dias andava por ali um duque, disfarçado, vestido com trajos de mulher, conversando e falando com a menina pela gateira. No dia do jantar em que lhe foi, inadvertidamente, servida carne com um osso, a princesa aproveitou-o e fez com ele um martelo, com o qual esborralhou um lado da gateira, ficando esta tão larga que a princesa já podia sair por ela e fugir da torre, onde estava presa. Quando veio o duque conversar com ela, disse-lhe:

- O meu cativeiro vai terminar antes do tempo previsto, por causa do osso do jantar. Quero sair já daqui.

O duque ajudou-a a sair pela gateira e fugiram os dois. Na fuga, porém, atravessaram um rio que mais ninguém sabia como passar e ficaram escondidos, durante dois anos, numa gruta de pedra, ali por perto, muito segura e escondida, sem ninguém os ver. Algum tempo depois a princesa teve um menino. Passaram mais rês anos e o menino ainda estava por baptizar, por isso foi preciso voltar a atravessar o rio, para irem à igreja mais próxima dali, baptizá-lo. O duque, primeiro, atravessou o menino para a outra margem, e quando vinha para buscar a mãe, escorregou numa alpondra e desapareceu pelo rio abaixo, ficando a mãe numa margem e o menino na outra.

A princesa começou a chorar muito, cuidando que iria perder o seu filho, pois não conseguia atravessar o rio para se encontrar com ele. Mas, o menino, do outro lado, vendo a aflição da mãe, tentou acalmá-la dizendo-lhe:

— Não se preocupe, minha mãe. Sou eu quem vou atravessar o rio.

— Não faças isso, filho! – Implorou a mãe. - Podes cair e o rio levar-te! - E dobrou ainda mais o choro. Mas o menino atravessou o rio com sucesso e veio buscar a mãe para que ela o atravessasse também. Então a mãe levou-o a uma igreja onde pediu para que fosse baptizado, e quis se chamasse José, Matador dos Bichos. Depois foram andando pelo povoado, até chegarem a uma casa com um postigo meio aberto. O menino meteu o braço, abriu a porta como se fosse sua, e entrou com a mãe. Não encontrara ninguém lá dentro, mas também não encontraram que comer. O menino decidiu ir pedir. Por coincidência, sem o saber, foi pedir ao palácio do rei, onde lhe deram muito dinheiro e comida. A mãe ficou muito admirada, mas temendo que lá o conhecessem, pediu-lhe para não voltar àquele palácio. O rapaz assim o fez. No entanto cresceu e, com o dinheiro das esmolas, comprou uma espingarda e começou a apanhar caça que ia levar de presente ao palácio do rei. Indo um dia para a caça lá para uns matos distantes e obscuros, avistou umas casas com aspecto estranho e medonho. Como ara muito destemido e cheio de ânimo, aproximou-se entrou e viu sete homens deitados a dormir, lá dentro. Não teve ele mais que fazer senão pegar numa machadinha que ali viu, e com ela foi picando os pescoços dos sete homens, cada um por sua vez. Depois, cuidando que estava sozinho, correu todos os quartos e chegou a um em que estava o quadrilheiro-mor, que era um gigante, que lhe pergun­tou:

— Que fazes por aqui, franguinho de vintém?

— Mesmo sendo franguinho de vintém não tenho medo de ti.

O gigante atira-lhe uma forte paulada, mas o menino agarrou-se-lhe ao cabelo e traçou-lhe o pescoço. Viu, então, guardadas naquele quarto, muitas riquezas. Era um tesouro que o gigante armazenara com os roubos que os sete homens faziam. O rapaz voltou para casa e contou à mãe o que se tinha passado, pedindo-lhe para irem para lá viver. A  mãe não aceitou e ordenou-lhe que fosse dar parte ao rei, do que tinha acontecido, pois toda aquela fortuna deveria ter sido roubada ao rei por aqueles bandidos. Ora o rei, desde há muito preocupado por não conseguir prender aqueles ladrões, ficou pasmado com a valentia do pequeno, que sozinho tinha conseguido o que o seu exército todo não conseguia. Por isso perguntou-lhe:

— Quem és tu?

— Eu, senhor, sou filho de uma princesa, que fugiu com um duque, de uma torre em que estava fechada desde que nascera.

E como ia contando o que acontecera a ele e aos pais, o rei, de imediato, o interrompeu dizendo:

— Pelo que percebo, tu meu neto. Onde está tua mãe?

— Senhor, está numa pobre cabana de palha.

O rei mandou-a buscar a filha, para ela vir para o palácio, onde houve muita alegria e uma grande festa. O menino pediu ao avô para ir com os seus homens às tais casas dos ladrões buscar as riquezas que lá vira e que afinal lhe pertencia, pois lhe tinha sido roubada. Foi assim que o rei, para além de reencontrar a filha e conhecer o neto , voltou a possuir todas as riquezas que lhe tinham sido roubadas.

Ficaram todos a viver no palácio e, por morte do rei foi o menino, já feito homem, que lhe sucedeu no governo do reino. e lá está vivendo muito bem.

 

(Baseado em lendas medievais)

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publicado por picodavigia2 às 18:20

OS IRMÃOS

Quarta-feira, 21.05.14

(CONTO POPULAR)

Era uma vez uma mulher que tinha um filho, mas este era mau e não obedecia à mãe. Certo dia, decidiu fugir de casa e foi para o Mato cortar lenha que ia vender à vila, ganhando, assim, algum dinheiro.

Na vila, conseguia vender a lenha e ganhar o dinheiro necessário para viver. Numa tarde, cansado de tanto trabalhar, sentou-se à Praça a descansar, sem grande vontade de regressar a casa. Ficou na vila por mais uns dias e, passado algum tempo, viu uma rapariga de quem gostou e com quem casou, passando a viver, definitivamente, na vila, nunca mais procurando a mãe. Do seu casamento nasceram seis filhos, com pouca diferença de idade.

Quando o filho mais velho fez dezoito anos, aborrecido com a vida que tinha em casa dos pais, decidiu, também, fugir de casa e levar consigo todos os irmãos, Esconderam-se no Mato e passaram a viver numa furna, alimentando-se com frutos e raízes silvestres e com a carne de um outro animal que caçavam e assavam. Os pais ficaram muito tristes. Tiveram, então, outro filho, a quem puseram o nome de Guilherme. Mas quando menino tinha cinco anos a sua mãe morreu. Pouco depois, o pai ficou gravemente doente, pelo que pediu ao filho que fosse procurar os seus irmãos, para eles tomarem conta dele. Nesta altura, porém, lembrou-se do que tinha feito à sua mãe e pediu, fervorosamente, a Deus que os seus filhos voltassem para casa. Os filhos voltaram, mas quando chegaram, o pai já tinha morrido, por isso, encontraram o irmão, sozinho com o seu cão Piloto. Os irmãos acenderam o lume, assaram um carneiro e convidaram o Guilherme para comer. Este, porém, não aceitou.

Os irmãos sepultaram o pai, prenderam o cão e levaram o Guilherme para o Mato, montado num burro. Pelo caminho o Guilherme adormeceu e os irmãos abandonaram-no, num local ermo e que ele desconhecia. Quando acordou, não sabia onde estava e ao ver-se sozinho chorou todo dia. À noite ouvia uns cães a uivar e, cheio de medo, subiu a uma árvore. Pensava no seu cão e rezava. Lá do cimo da árvore viu uma luz. Desceu a árvore e, já sem medo, correu na direcção da luz. Quando estava para atravessar um grotão sentiu passos e atirou-se ao chão, a fim de se esconder, com receio que fosse alguém que lhe quisesse fazer mal. Muito admirado, viu o seu cão que o ajudou a passar o grotão e que o defendeu de outros cães raivosos e esfomeados que por ali andavam. O cão ficou ferido e Guilherme muito cansado, mas foram andando, até encontrar uma casa onde morava uma velhinha muito bondosa que logo os acolheu e os tratou.

Perguntou-lhe quem era, e como se chamava o seu pai. O menino disse que que se chamava Guilherme e deu-lhe algumas informações sobre o seu pai. O coração da boa velha deu um salto ao perceber que o pai daquele menino deveria ser o filho que a abandonara. Aquele menino era com certeza seu neto. Acolheu-o pois na sua pobre casinha e o Guilherme ajudava a avó a guardar as ovelhas que davam leite para o seu sustento, a acarretar água para casa e a fazer a comida. Guilherme cresceu e fez-se um belo rapaz. No entanto a velhinha morreu e Guilherme voltou a partir, regressando à vila, onde, passado algum tempo, encontrou uma linda rapariga por quem se apaixonou e com quem casou. Tiveram duas filhas e dois filhos, eram muito educados e trabalhadores.

Numa tarde quente de verão, Guilherme saboreava a fresca sombra de uns arbustos, no pátio da sua casa quando viu chegar seis homens todos sujos, e perguntou-lhes:

- Donde vêm?

- Da cadeia.

Guilherme recordou os seus seis irmãos. E perguntou-lhes?

- De quem sois filhos?

Os rapazes deram-lhe alguns informações sobre o seu pai. Guilherme percebeu então que eram os seus irmãos e perguntou-lhes:

- O que foi feito do vosso irmão mais novo?

- Nós não tínhamos nenhum irmão.

- Então?! Não tinham um irmão mais novo, chamado Guilherme que, depois da morte do vosso pai, abandonaram no mato?

Eles lembraram-se, então, do mal que tinham feito, do crime que tinham cometido e perceberam que aquele era o seu irmão Guilherme que tinham abandonado quando o pai morreu. Abraçaram-no e pediram-lhe perdão.

Guilherme perdoou-lhes e chamou a sua mulher e seus filhos para que vissem abraçar os seus irmãos. Eles, na verdade, estavam verdadeiramente arrependidos da vida que tinham levado, do mal que tinham feito, mas não tinham possibilidade de se tornarem homens honestos. Como trabalhadores ninguém os queria, todos desconfiavam deles e não tinham dinheiro para comprarem terreno e o cultivarem.

Guilherme aceitou-os e hospedou-os em sua casa, por algum tempo. Deu-lhes terras para eles trabalharem e construírem uma casa. E foi assim que eles se tornaram homens honrados, honestos, bondosos e trabalhadores

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publicado por picodavigia2 às 08:25





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