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LIBERDADE

Quarta-feira, 28.06.17

 

Numa definição simplificada pode considerar-se a liberdade como o direito concedido ao ser humano de fazer o que a legislação permite, isto é, o conjunto de direitos reconhecidos naturalmente à pessoa humana quer considerada isolado ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado. Esta dádiva uma vez concedia permite ao individuo o poder de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei, respeitando a liberdade do outro.

A liberdade foi e ainda é bastante discutida entre os filósofos, todos em busca de uma explicação convincente e correta acerca desta palavra que diferencia a existência humana. Começando na antiguidade, Sócrates considerava que o homem livre é aquele que consegue dominar os seus sentimentos e os seus pensamentos, o que se domina a si próprio e Platão entende por liberdade a opção de cada indivíduo em viver com a virtude e em consonância ou não com a moral. Por sua vez Aristóteles acreditava que a liberdade consistia numa harmoniosa integração do indivíduo numa sociedade em que a escravatura abrangia a maior parte dos homens.

Para Descartes age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha. Dessa premissa, decorre o silogismo lógico de que, quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores são as possibilidades dela ser escolhida pelo agente. Para Espinoz a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido ser livre significa agir de acordo com sua natureza. Assim, é mediante o exercício da liberdade que o homem se exprime como tal e em sua totalidade. Esta é também, enquanto meta dos seus esforços, a sua própria realização. Leibniz considera que o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade que rege os objetos do mundo material. Mas para Schopenhauer a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenómenos da natureza, até mesmo as suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente vontade.

Finalmente para Sartre a liberdade humana constitui-se com verdades concretas e históricas sobre o homem e só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das suas próprias condições materiais de existência.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

O JOAQUINISMO E O CULTO AO DIVINO ESPIRITO SANTO NOS AÇORES

Domingo, 15.05.16

Numa das minhas aulas de História da Filosofia, no Seminário de Angra, o meu douto professor referiu-se ao abade Joaquim de Fiore, nascido em 1132 e falecido em 1209, definindo-o como um notável filósofo místico, defensor do milenarismo e do advento da idade do Espírito Santo. O seu pensamento deu origem entre outros movimentos filosóficos, ao chamado joaquinismo, pelo que ganhou fama de filósofo e sábio.

De seguida resumiu sucintamente o seu pensamento filosófico. Segundo ele, o tema das mais importantes obras de Joquim de Fiore é o da interpretação da visão profética das Sagradas Escrituras no contexto da História e a previsão do futuro da Igreja enquanto comunidade mística. Segundo ele existiriam três Estádios, ou Idades da História, no desenvolvimento do Mundo e da Igreja de Deus, correspondentes às três Pessoas da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito santo

A Primeira Idade correspondeu ao governo de Deus Pai e é representada pelo poder absoluto, inspirador do temor sagrado que perpassa o Velho Testamento. Correspondeu ao tempo anterior à revelação de Jesus Cristo.

A Segunda Idade inicia-se com a revelação do Novo Testamento e com fundação da Igreja de Cristo, em que, através de Deus Filho, a sabedoria divina que tinha permanecido escondida da humanidade se revela em Epifania. Correspondeu à contemporaneidade do autor

Finalmente a Terceira Idade, que há-de vir, corresponde ao domínio da Terceira Pessoa ou seja do Espírito Santo Paráclito. Será o advento do Império do Divino Espírito Santo, um tempo novo, onde serão alcançados o amor universal e a igualdade entre todos os membros do Corpo Místico de Deus, isto é entre os cristãos. No Império do Divino Espírito Santo, as leis evangélicas serão finalmente concretizadas, não só na sua letra mas no seu espírito, isto é, na mensagem que nelas está escondida e que, segundo Joaquim de Fiore será finalmente compreendida e aceite pela humanidade. Nesta Terceira Idade, a idade da graça redentora, não haverá necessidade de leis ou instituições disciplinadoras da fé, já que esta será universal e baseada directamente na inspiração divina, pelo que poderão ser dispensadas as estruturas institucionais do poder temporal da Igreja e a sabedoria divina a todos iluminará igualmente, ou seja todos beneficiarão de uma inteligência espiritual capaz de permitir a plena compreensão dos divinos mistérios. Assim todos podem ser doutos e imperadores.

Joaquim de Fiore acreditava que a Segunda Idade estava no seu fim e que o advento do Império do Espírito Santo estava próximo. O fim da Segunda Idade, a ser marcado por um cataclismo, era já prenunciado pela desordem então patente no mundo. Após essa transição dolorosa, a unidade cristã seria alcançada com a união entre as igrejas cristãs do ocidente e oriente e o fim dos cismas e os judeus veriam a verdade do Novo Testamento. O Império do Divino Espírito Santo seria pois a apoteose da História, durando até ao fim dos tempos, apenas terminado com a glória da segunda vinda do Redentor.

Perante isto, pode concluir-se que apesar do povoamento dos Açores só se ter iniciado a partir de 1432, quase 200 anos após o apogeu do joaquimismo, e do núcleo central da sua doutrina já ter sido condenado em 1256 pelo papa Alexandre IV, houve no arquipélago açoriano um claro reacender daquelas doutrinas, inspirando manifestações religiosas e ações rituais e simbólicas que perduram até aos nossos dias.

Por influência destas doutrinas trazidas pelos frades, nomeadamente pelos franciscanos, o culto do Divino Espírito Santo, então em apagamento na Europa devido à crescente pressão da ortodoxia religiosa, foi trazido para as ilhas. Aqui, as comunidades isoladas e sujeitas às pressões, medos, catástrofes e incertezas recorriam à proteção divina, adotando crenças e ritos ao Divino Espírito Santo que assim ganharam raízes e recuperaram vigor, adquirindo um claro cunho joaquinista que ainda hoje está bem patente nas festas que por estes dias se fazem em todas as ilhas.

Os Açores, e as comunidades de origem açoriana, constituem assim os últimos redutos onde as doutrinas de Joaquim de Fiore sobrevivem, e, a julgar pelo empenho que o povo, incluindo os mais jovens, continua a dedicar a estas celebrações e pelo recrudescer das Irmandades do Divino Espírito Santo, mantêm e manterão para sempre todo o seu vigor.

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publicado por picodavigia2 às 00:02

O CULTO DOS MORTOS

Sexta-feira, 07.11.14

Assim como a religião, também o culto dos mortos teve e continua a ter um lugar de relevo em todas as civilizações e é, talvez, um dos fenómenos mais estranhos, interessantes e diversificados da História. Uma reflexão e um estudo profundo da evolução do pensamento e dos costumes das várias civilizações ao longo dos séculos, desde as épocas mais remotas até aos nossos dias, permite-nos conhecer as ideias, os sentimentos, as emoções, os rituais e as celebrações do homem sobre o mistério da sua própria morte, assim como os mitos que criou sobre a mesma.

Acredita-se que o culto dos mortos tenha sido anterior ao da adoração da divindade, talvez mesmo tenha sido o primeiro que originou o segundo, isto é, foi o homem que celebrando a memória dos seus mortos, pela primeira vez, teve a ideia ou o sentimento do sobrenatural e do divino, acreditando em algo que transcendesse a própria morte.

As civilizações indo-europeias, ainda antes do aparecimento dos primeiros filósofos, na cidade de Mileto, na Ásia Menor, foram pioneiras da crença na existência duma outra vida para além da vida terrena, considerando que a morte não consistia na decomposição do ser humano, mas sim na sua transformação para uma outra vida, convicções que muitas outras religiões, entre as quais o cristianismo, consagraram nos seus ensinamentos, através dos tempos

Também os gregos e os romanos, apesar dos seus princípios e costumes, acreditavam numa segunda existência humana, cuidando que a alma iria passar essa segunda vida na terra, junto dos vivos, mas num lugar diferente, chamado Inferno. Exemplo claro disto é a visita de Ulisses, na sua viagem de regresso após a guerra Tróia, aos Infernos, onde encontra a mãe e outras pessoas que já haviam falecido, mas com quem ele fala e convive. Os gregos, no entanto, acreditavam que nesta segunda existência, a alma continuava unida ao corpo, pois este não se desfazia por completo, apenas se transformava, após a morte. Todas estas crenças originaram ritos fúnebres muito diversificados, os quais, de alguma forma também mostram claramente que os povos que os celebravam, acreditavam que o falecido sobrevivesse depois da morte, e, por isso, enterravam junto com o morto, roupas, vasos, armas, vinho, comida, até mesmo sacrificavam escravos e cavalos para servi-lo na sepultura, como o haviam feito durante sua vida terrena. Os gregos tapavam os olhos dos mortos com duas moedas com que pagariam ao barqueiro a viagem que fariam entre o mundo dos vivos e o dos mortos.

De todas estas crenças dos gregos e de outros povos primitivos surgiu a necessidade de sepultar os mortos, porque a alma sem uma sepultura tornava-se perversa, aparecia aos vivos, atormentava-os e provocava-lhe doenças. Mas não bastava apenas enterrar o corpo, era necessário cumprir alguns rituais e realizar cerimónias fúnebres, evocando as almas e fazendo-as sair, por alguns instantes, do sepulcro. A cerimónia dos mortos, na Grécia Antiga, era uma espécie de comemoração em que as famílias colocavam alimentos sobre o túmulo do seu morto, pronunciavam fórmulas que o convidavam a comer e ninguém os podia tocar pois eram destinadas exclusivamente ao morto.

Como os mortos eram considerados criaturas sagradas, muitos povos antigos veneravam-nos como se fossem deuses e, por isso, diante da sepultura construíam um altar para sacrifícios semelhantes aos que existiam nos templos para oferecer sacrifícios aos deuses.

Os povos da Índia, também homenageavam os seus mortos, fazendo-lhe oferendas, rituais e celebrações diversas em sua memória e, assim como na Grécia, também ofereciam à alma dos mortos alimentos e tratavam-nos como seres divinos, a fim de que as suas almas não fossem atormentadas. Os egípcios também acreditavam na vida para além da morte, mas para permitir o acesso e a continuação nessa vida, era necessário que o corpo estivesse preservado, por isso embalsamavam os seus mortos e construíam túmulos monumentais, chamados pirâmides, mastabas e hipogeus, onde também colocavam roupas, joias, cosméticos e móveis para que o defunto os utilizasse.

Outros povos da antiguidade possuíam crenças estranhas. É o caso dos cultos masdeístas, para quem a terra é sagrada e, por isso, os mortos não podiam ser enterrados por que eram considerados impuros, sendo os cadáveres colocados em torres e em outros lugares altos a fim de serem devorados pelas aves de rapina.

Algumas destas crenças foram adotadas, depois de sobrenaturalizadas, pelo cristianismo, e perduraram ao longo da Idade Média, sendo que, algumas delas se mantiveram até aos nossos dias. Na Fajã Grande das Flores as línguas dos porcos eram oferecidas às almas e no dia de finadas fazia-se uma derrama por toda a freguesia para sufragar as almas dos mortos. Ao mesmo tempo criaram-se alguns mitos como o de um náufrago facínora, atirado ao Poço do Bacalhau, depois da morte, por não merecer sepultura junto dos outros mortos cujos gritos ainda hoje se ouvem.

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publicado por picodavigia2 às 21:29

SUMA CONTRA GENTILES

Sábado, 17.05.14

A Suma Contra os Gentios é uma das duas grandes obras filosóficas de São Tomás de Aquino. Nela, uma espécie de compêndio de Teologia Natural, o Doutor Angélico, fundamentalmente, explica que existem três modos pelos quais o homem pode, racionalmente, conhecer Deus e aceder às coisas divinas. Além disso, São Tomás, como bom conhecedor da psicologia humana, relembra, nesta obra, o princípio fundamental de que a alma humana tende, naturalmente, para se encontrar com Deus.

Assim, São Tomás demonstra os três conhecimentos do homem referentes às coisas divinas: “o primeiro, enquanto o homem, mediante a luz natural da razão e pelas criaturas, sobe até o conhecimento de Deus; o segundo, enquanto a verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela revelação, não para ser vista como por demonstração, mas para ser crida como pronunciada por palavras; o terceiro, enquanto a mente humana é elevada à perfeita intuição das coisas reveladas”.

Na realidade e segundo o autor, homem, mediante a luz natural da razão e através das criaturas, pode atingir o conhecimento de Deus. O ser humano, na realidade, mediante a luz natural da razão e através da obra da criação pode obter o conhecimento de Deus. Num trecho da obra, São Tomás faz uma analogia entre Deus e a arte, ao afirmar que: “Pela meditação sobre as obras podemos admirar de algum modo e considerar a sabedoria divina: as coisas realizadas pela arte são representativas da arte, porque são realizadas à sua semelhança” Podemos tirar daqui uma espécie de metáfora interessante que pode exemplificar um pouco como o homem conhece a Deus pela luz natural da razão e pelas obras divinas. Quando vemos um belo quadro de arte, pintado minuciosamente nos seus mais belos detalhes e aspectos, vemos nessa bela pintura todos os traços produzidos pelo artista e entrevemos um pouco como é a psicologia do pintor. Ora Deus, pela sua sabedoria, deu o ser às coisas, razão por que é dito: Tudo fizestes com sabedoria (Sl 103,24). Daí podermos, pela consideração das obras, recolher a sabedoria divina, que está como que espelhada nas criaturas por certa comunicação da sua semelhança”. A metáfora referida permite-nos uma outra conclusão: Se o artista produziu uma magnífica obra é por que a sua capacidade tem que ser tida como superior às coisas que ele fez. É o que diz o livro da sabedoria: “Se ficam admirados (os filósofos) da sua potência e das suas obras (isto é, do céu, das estrelas e dos elementos do mundo) compreendam que quem as fez é mais poderoso que elas” (Sb 13,4). Assim podemos concluir que Deus criou de tal maneira o universo deixando ao homem vestígios para que este pudesse contemplar os inefáveis reflexos de seu Autor. Como, no entanto, o bem perfeito do homem consiste em conhecer a Deus de algum modo, e para que uma tão nobre criatura não fosse considerada totalmente vã por não poder atingir o seu fim, foi-lhe dado um caminho pelo qual pudesse elevar-se ao conhecimento de Deus, a saber: como todas as perfeições das coisas descem de Deus ordenadamente, de Deus que é o vértice supremo de todas elas, também o homem, partindo das coisas inferiores e subindo gradativamente, deve progredir no conhecimento de Deus, pois também nos movimentos corpóreos há caminho pelo qual se desce e o caminho pelo qual se sobe, distintos em razão do princípio e do fim

De modo que através dos objectos sensíveis que nos circundam, podemos subir gradativamente até Deus. Pelas criaturas conhecemos o seu Criador.

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publicado por picodavigia2 às 11:23

OS PRIMEIROS FILÓSOFOS

Sexta-feira, 18.04.14

Os primeiros filósofos gregos são conhecidos como Pré-Socráticos. A sua reflexão centra-se, sobretudo, numa preocupação em encontrar uma explicação racional para o Universo e entender os fenómenos da natureza, até então, abordados e explicados por explicações míticas e mitológicas. Com estes primitivos pensadores, pela primeira vez, procurou-se explicar tudo através da razão.

Entre estes primeiros filósofos, destacam-se: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Heráclito de Éfeso e Pitágoras de Siracusa. Nas reflexões de todos há uma ideia comum: a de que existia na natureza uma substância fundamental, de carácter eterno e imutável, que devia ser considerada como a origem de todas as coisas e a partir da qual todas as modificações observáveis do Universo se processavam.

Na realidade, o que intrigava os sábios de Mileto, cidade considerada como o berço da Filosofia, era o facto de, pelo menos, até onde afirmavam os sentidos, ocorrerem constantes transformações no Universo. A combustão, a solidificação e evaporação da água, o nascimento de inúmeras espécies de vegetais que brotam na terra eram os principais remas da sua reflexão.

Admite-se que a Filosofia tenha surgido com Tales de Mileto e com os seus discípulos, Anaximandro e Anaxímenes. O próprio Aristóteles, anos mais tarde, considerou Tales como o "fundador da filosofia natural". Algumas das conclusões do seu pensamento ficaram registadas: "A Terra flutua na água" e "A água é a origem de todas as coisas". Cuida-se que Tales se influenciou em mitos orientais, trazidos pelos Magos e homens de negócio que cruzavam a Ásia Menor, com passagem por Mileto, bem como no mito do rio Okeanos, segundo a qual, na tradição grega, esse rio circundaria toda Terra.

Um discípulo de Tales, Anaximandro, postulou que o mundo se originara a partir de um indeterminado ou infinito, que designou por ápeiron. Além disso, também postulou que a formação do mundo se deveu a um movimento turbulento operando dentro do ápeiron. Um outro discípulo de Tales, Anaxímenes, também de Mileto, é considerado o terceiro nome da história da filosofia. Adoptou também a ideia de uma única substância geradora. Para ele o ar estaria na origem de todas as coisas e seria a causa das constantes transformações da natureza. O ar de Anaxímenes, à semelhança do ápeiron de Anaximenesera perpétuo, sendo encarado como "um sopro de vida" que sustentava o universo ou cosmos. Anaxímenes acreditava que, por rarefacção do ar, era gerado o fogo e, por sua crescente condensação, a água e a terra.

Após as primeiras concepções destes filósofos, também conhecidos por milésios destinadas a explicar o mundo, surgiram Parménides de Eléia e Heraclito de Éfeso. Para o primeiro tudo o que existe sempre existiu, isto é, as coisas do mundo são as mesmas desde o início dos tempos. Nada surge do nada e nada do que existe pode transformar-se em outra coisa: o mundo foi concebido e permanece imutável. Para refutar as constantes transformações que eram visíveis na natureza, Parménides encontrou uma solução fácil, pois optou por admitir que os sentidos humanos eram falaciosos, jamais podendo ser utilizados como guias da realidade. Por sua vez, Heraclito propôs para o Universo uma explicação que se chocava frontalmente com as teses do filósofo da escola eleata. Para ele "tudo flui" porque toda a natureza está em movimento constante. Segundo ele o Universo é um rio no qual não nos podemos banhar duas vezes, por isso, a origem das coisas está no contínuo movimento da natureza.

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publicado por picodavigia2 às 09:15

SILOGISMO

Sábado, 01.03.14

Na Filosofia Clássica ou Escolástica, define-se silogismo como um raciocínio dedutivo composto por duas proposições ou premissas, das quais nasce ou se conclui uma terceira: a conclusão. As proposições, por sua vez, são compostas por termos. As premissas do silogismo dispõem-se de modos e formas diferentes, dando origem ao chamado modo do silogismo. A posição de sujeito ou predicado que o chamado termo médio ocupa no argumento origina a figura do silogismo, a qual, obviamente, nem sempre é a mesma. Assim, considera a Filosofia Escolástica que existem quatro espécies de proposições, designadas pelas 4 primeiras vogais: A, E, I, O. Ao estruturar o silogismo, é possível combinar estas proposições de 64 formas diferentes. Destas combinações, no entanto, apenas 19 são válidas, sendo que as demais violam uma ou mais regras do silogismo. Estas 19 combinações distribuem-se nas quatro figuras do silogismo.

A primeira figura o termo médio ocupa a posição de sujeito na premissa maior e predicado na premissa menor. Assim se dissermos: Todos os homens são mortais Todos os portugueses são homens. Logo se conclui que: Todos os portugueses são mortais.

Nessa figura, os modos legítimos são: BAR-BA-RA (AAA); CE-LA-RENT (EAE); DA-RI-I (AII); FE-RI-O (EIO), nomes atribuídos pelo filósofo medieval, do século XII, Pedro Abelardo.

Na segunda figura, o termo médio ocupa a posição de predicado em ambas as premissas. Todo círculo é redondo. Nenhum triângulo é redondo. Logo nenhum triângulo é círculo. Nesta figura, os modos legítimos são: CES-A-RE (EAE); CAM-ES-TRES (AEE); FES-TI-NO (EIO); BAR-OC-O (AOO).

Na terceira figura, o termo médio ocupa a posição de sujeito nas duas premissas. Assim: Nenhum mamífero é pássaro. Algum mamífero é animal que voa. Algum animal que voa não é pássaro. Nessa figura, os modos legítimos são: DA-RAP-TI (AAI); FE-LAP-TON (EAO); DIS-AM-IS (IAI); BOC-AR-DO (OAO); DA-TIS-I (AII); FE-RIS-ON (EIO)

Na quarta figura, o termo médio ocupa a posição de predicado na premissa maior e de sujeito na premissa menor. Carlos é homem. Todo homem é mortal. Algum mortal é Carlos. Nesta figura, os modos legítimos são: BAM-A-LIP (AAI); CA-LEM-ES (AEE); DIM-A-TIS (IAI); FES-AP-O (EAO); FRES-IS-ON (EIO)

Todos os modos imperfeitos do silogismo, isto é, a segunda, terceira e quarta figuras, devem ser transformados em modos perfeitos da primeira figura, pois não respeitam a hierarquia dos termos.

Para que um silogismo seja válido, sua estrutura deve respeitar regras. Tais regras, em número de oito, permitem verificar a correção ou incorreção do silogismo. As quatro primeiras regras são relativas aos termos e as quatro últimas são relativas às premissas. São elas, em latim:

1.Terminus esto triplex: maior mediusque minorque.

2.Latius hos quam praemissae conclusio non vult

3. Nequaquam médium capiat conclusio oportet.

4. Aut semel aut iterum medius generaliter est.

5. Utraque si praemissae negat, nihil inde sequetur.

6. Ambae afirmantes nequeunt generare negantem.

7. Nil sequitur geminis ex particularibus unquam.

8. Peiorem sequitur semper conclusio partem.

 

A tradução poderá ser a seguinte

 

 1.Todo silogismo contém somente 3 termos: maior, médio e menor;

 2.Os termos da conclusão não podem ter extensão maior que os termos das premissas;

 3.O termo médio não pode entrar na conclusão;

 4.O termo médio deve ser universal ao menos uma vez;

 5.De duas premissas negativas, nada se conclui;

 6.De duas premissas afirmativas não pode haver conclusão negativa;

 7.A conclusão segue sempre a premissa mais fraca;

 8.De duas premissas particulares, nada se conclui.

 

Estas regras reduzem-se às três regras que Aristóteles definiu. O que se entende por “parte mais fraca” são as seguintes situações: entre uma premissa universal e uma particular, a “parte mais fraca” é a particular; entre uma premissa afirmativa e outra negativa, a “parte mais fraca” é a negativa.

Silogismos derivados são estruturas argumentativas que não seguem a forma rigorosa do silogismo típico mas que, mesmo assim são formas válidas.

 

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publicado por picodavigia2 às 19:49

A LENDA DOS SETE SÁBIOS DA GRÉCIA

Segunda-feira, 21.10.13

Paralelamente, ao desenvolvimento inicial do conhecimento racional, o ser humano, mais concretamente a civilização grega, foi adquirindo, embora muito lentamente e através de um processo moroso e progressivo, gerador de um afastamento, embora parcial, das explicações mitológicas quer acerca do cosmos quer sobre a sua própria origem e natureza, uma espécie de reflexão moral, como que estampada na chamada “lenda” dos Sete Sábios, alguns deles simultaneamente considerados como primeiros filósofos ou homens amigos do saber (filósofo = amigo da sabedoria)). A estes sábios se atribuem máximas, ou seja, breves sentenças morais de grande importância para a sociedade grega, algumas das quais se tornaram tão famosas que foram inscritas no templo de Apolo, no Santuário de Delfos e outras perpetuaram-se ao longo dos séculos e ainda hoje se usam como princípios morais e éticos das sociedades e civilizações, embora os seus utilizadores, muito provavelmente desconheçam a sua origem. São os seguintes os sete sábios que a lenda consagrou e aos quais se devem, entre várias outras, estas máximas morais:

“Conhece-te a ti mesmo.” – Tales.

“A maioria é perversa.” – Bias.

“Sabe aproveitar a oportunidade.” – Pítaco.

“Nada em excesso.” – Sólon.

“A medida é coisa óptima.” – Cleóbulo.

“Cuida de ti mesmo.” – Quílon.

“Indaga as palavras a partir das coisas e não as coisas a partir das palavras.” – Míson.

Trata-se de frases de natureza prática ou moral, que preludiam uma verdadeira e peculiar reflexão sobre a conduta do homem no mundo. Na “República” Cícero, referindo-se aos sete sábios da Grécia escreveu: "Os sete homens a quem os gregos chamaram de sábios foram todos versados na administração pública e, realmente, em nada se aproxima tanto a virtude humana da divina como a fundação de novas nações ou a conservação daquelas já fundadas".

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publicado por picodavigia2 às 08:55

DO MITO AO CONHECIMENTO RACIONAL

Sexta-feira, 18.10.13

Ainda hoje não é fácil definir, delinear ou identificar o intrigante e demorado período de tempo, nem o processo evolutivo da humanidade em que o ser humano percorreu, desde dos tempos imemoriais em que possuía exclusivamente uma percepção mítica do mundo e a altura em que emergiu nos primórdios do alcance do saber filosófico ou seja quando o ser humano começou a possuir ou ter capacidade para desenvolver um conhecimento gnosiológico do cosmos, mesmo que muito elementar.

Através do mito o ser humano, na sua insipiência original, procurava empiricamente explicar a realidade envolvente do seu quotidiano, os principais acontecimentos da sua vida e da dos outros seres vivos, os fenómenos da natureza dos mais simples aos mais complexos, as origens do Mundo e do próprio Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis míticos, dando-lhes um cunho sobrenatural, misterioso e divino ou, por vezes, maligno. Coube à chamada civilização helénica o privilégio de alcançar, num contexto social, político e económico quase miraculosamente favorável, a percepção diferenciada do mundo, sob uma perspectiva totalmente nova, declarando a preponderância e primazia da razão sobre o mitológico. É na Grécia Antiga que nasce o conhecimento e a cidade de Mileto, numa colónia da Ásia Menor (actual Turquia) torna-se assim como uma espécie de Paraíso do Intelecto Humano. A partir de então, as explicações lógicas, distintas e opostas de um conteúdo mítico, passam a dominar o pensamento humano. É evidente que não se trata do rompimento abrupto, momentâneo, decisivo, total e definitivo com o mito. Trata-se, pelo contrário, de um processo indubitavelmente muito lento, gradual, reflexivo e delimitado, com avanços e retrocessos, o que teve a vantagem de proporcionar ao ser humano uma melhor e mais profunda compreensão do cosmos e uma mais recompensadora reflexão sobre a sua própria natureza.

O “nascimento da sabedoria” ou a “passagem do mito à razão” aconteceu, pois, na Grécia, mais ou menos por alturas do século VI a.C. Numa época em que, até então, os deuses eram a razão de tudo e a explicação para tudo, passam-se a procurar explicações racionais para o mundo e para as coisas do mundo. Os deuses e as forças divinas deixam de ser a última razão de ser do cosmos e passa a haver um conhecimento real e empírico porque obtido através da razão. Ainda hoje, no entanto se questiona a forma como o homem passou a pensar de forma não-mítica? A resposta não é clara, mas crê-se que o "milagre grego" foi fruto, obviamente que de entre outros diversos factores, de uma nova organização social e política, ocorrida em todos os planos (religioso, político, social e intelectual) na Civilização Grega e que a transformou numa das mais arrebatadoras, surpreendentes e dignificantes civilizações de sempre. Com a queda dos regimes políticos ditatoriais gregos, inspirados no Oriente, onde os reis eram sacerdotes e adivinhos e detinham os poderes absolutos, houve um período de certa obscuridade do povo grego. Este período teve, no entanto a vantagem, de, lentamente, ir preparando uma nova ordem, onde se foi perdendo, paulatinamente, a intervenção e a supremacia dos deuses e o mundo passou a ser mais humano, isto é, menos subserviente à vontade divina... A principal novidade dessa nova ordem é o desaparecimento da figura do rei sacerdote e mago e a sua substituição por regimes democráticos onde surgem as cidades-estado, pese embora, por vezes algumas delas sejam governadas por chefes ditadores.

Neste contexto nasceu a necessidade de um confronto de ideias: ou se rejeitavam em absoluto os mitos ou se mantinham alguns, com o objectivo apenas de compor os rituais religiosos, os mistérios das seitas secretas e a enorme influência de toda uma história da qual ninguém jamais poderia se esquivar. Esta ideia prevaleceu, mas a partir de então o homem passou a olhar para a natureza de forma diferente, procurando respostas na razão, no confronto de raciocínios, no debate e na formulação e refutação de teses.

É pois do surgimento de uma prática politica e social onde impera o espírito democrático que nasceu o conhecimento racional e, lentamente, se foi abandonando o conhecimento mítico.

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publicado por picodavigia2 às 23:28

MITOS E LENDAS

Quinta-feira, 20.06.13

Desde os tempos mais remotos, quiçá anteriores ao paleolítico, que o ser humano revelou sentimentos de espiritualidade transcendente, embora excessivamente dominados, por um lado pela sua condição animal e, por outro, pela superstição.

A esses sentimentos estão necessariamente associadas emoções e actos que, apesar de ainda revelarem acentuado cunho tipicamente animal, de alguma forma se transferiram para agentes ultra humanos e sobrenaturais, originando mitologias diversas e religiões diversificadas.

Nesses tempos, o homem, ainda não dominador do conhecimento do mundo e dos prodígios naturais de que se rodeava, presenciava fenómenos que, apesar de simples na sua origem, não podia entender, nem compreender ou explicar as suas causas, dificilmente admitindo o movimento e a acção sem vontade e consciência. Tudo era motivo de admiração e medo: desde a deslocação dos astros no espaço e as correrias loucas dos meteoritos ao simples transbordar da água do leito de um rio ou uma nascente a brotar da rocha. Daí a necessidade de explicar estes fenómenos, através duma “sobrenaturalização” dos mesmos e a tendência para simplificar tudo o que transcendia os limites da compreensão e do entendimento e de atribuir a todos esses fenómenos uma dependência das vontades de forças estranhas e sobrenaturais, responsáveis por tudo o que de bem ou mal ia acontecendo, através dos tempos, sobre a face da Terra.

Esses agentes, muitas vezes eram amigos porque provocavam o bom, o sublime, o agradável e o útil. Outras, porém, eram maus, terríveis, pérfidos e assombrosos, porque eram a origem e a causa de todos males, desgraças e destruições.

A esperança de poder apaziguar estes últimos fez surgir a ideia de sacrifício, enquanto da intenção de mover os primeiros a agirem mais frequente e proficuamente, nasceu a oração. Assim surgiram criações míticas e religiosas, cuja forma e conteúdo variaram substancialmente, ao longo dos séculos e dos milénios, segundo as características dos meios e os costumes dos povos.

Estas criações existentes, então, em quantidades impossíveis de conhecer ou de contar, originadas sobretudo a partir de esforços frustrados, sucessivos e contínuos de compreensão e entendimento da natureza e dos fenómenos em que era profícua, foram marginalizadas, na sua globalidade, pela História e pela Lógica. Apenas sobreviveram as que, retidas na memória ou gravadas em pedras e tábuas, marcaram de tal modo a conduta do ser humano, os seus princípios e a sua filosofia, a ponto de se tornarem património de grandes aglomerados culturais e de grandes civilizações, que nelas procuraram a razão de ser da sua existência e, também, da sua fé.

Destas últimas apoderou-se a História e chamou-lhes mitos e lendas, enquanto as primeiras, não menos mitológicas, se perderam na torrente imperturbável e fatídica do tempo. Conhecê-las impossível! Imaginá-las será percorrer montanhas e planícies, saltar precipícios e ravinas, conhecer povos e civilizações, pesquisando culturas, costumes e tradições, alterando os limites da razão, da lógica, do pensamento humano e da própria História. Será investigar o impossível, conhecer o infinito, dominar o transcendente e, sobretudo, penetrar nos domínios da fé e da crença.

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publicado por picodavigia2 às 09:49





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