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A ILHA DAS FLORES

Quinta-feira, 20.04.17

A Ilha das Flores, a qual nunca é de mais referir, referenciar e louvar, situa-se no Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores, sendo a maior das ilhas que compõem aquele Grupo. Ocupa uma área de 141,7 km², na sua maior parte constituída por terreno montanhoso, caracterizado por grandes ravinas e gigantescas falésias. O ponto mais alto da ilha é o Morro Alto, a 914 m de altitude. Atualmente, a população residente é de, aproximadamente, 3 990 habitantes, repartidos pelos dois concelhos da ilha: Santa Cruz e Lajes das Flores. A ponta da Coalheira no baixio da Fajã Grande é o ponto mais ocidental da Europa. A ilha das Flores é considerada por muitos dos seus visitantes e admiradores como uma das mais belas do arquipélago, cobrindo-se, habitualmente, de milhares de hortênsias de cores azul, branca, rosa e violeta, que, formando bardos, dividem os campos ao longo das estradas, nas margens das ribeiras e lagoas.

As ilhas do Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores, ou seja, as Flores e o Corvo terão sido descobertas ou reencontradas por volta de1452, quando do retorno da viagem de exploração de Diogo de Teive e seu filho, João de Teive, à Terra Nova. No início do ano seguinte, el rei de Portugal D. Afonso V fez a doação das ilhas de "Corvo Marini" (Designação das Flores e Corvo) ao seu tio, Afonso I, Duque de Bragança. Nesse documento de doação não é mencionada a ilha das Flores, uma vez que, à época, não tinha um nome ou melhor tinha um nome conjunto com a vizinha ilha do Corvo. Entretanto era esta a ilha doada, uma vez que a do Corvo era, à época, considerada apenas um ilhéu anexo à primeira. As ilhas seriam posteriormente doadas ao Infante D. Henrique, Mestre da Ordem de Cristo, que, em seu testamento, as nomeia como ilha de São Tomás e ilha de Santa Iria. Com a morte do Infante, as ilhas passam para o Infante D. Fernando, Duque de Viseu.

 A atual toponímia "Flores", em uso desde em 1474 ou 1475, deve-se à abundância de flores de cor amarela ("cubres") que recobriam a costa da ilha, cujas sementes possivelmente foram trazidas por aves migratórias desde a península da Flórida, na América do Norte.

 

NB – Alguns destes dados foram retirados da Net.

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CAPELAS DA ILHA DAS FLORES

Quarta-feira, 08.02.17

Segundo o Sistema de Informação para o Património Arquitetónico existem inventariados, no arquipélago dos Açores, 542 imóveis religiosos, na sua maioria igrejas e capelas. A Diocese de Angra e, consequentemente, o arquipélago dos Açores, possui um total de 172 paróquias distribuídas pelas nove ilhas, tendo cada uma, para além da sua igreja paroquial, muitas outras igrejas, ermidas ou capelas. Na ilha das Flores, no que a igrejas diz respeito, para além das 11 igrejas paroquiais, existem mais três: a de São Boaventura em Santa Cruz, da Senhora de Lurdes na Fazenda de Santa Cruz e a da Senhora do Carmo na Ponta.

Quanto a ermidas e capelas, atualmente, para além das Casas do Espírito Santo que proliferam por toda a ilha, assemelhando-se a autênticas capelas, existem apenas seis pequenas ermidas em toda a ilha. Sabe-se no entanto que antigamente terão existido bastantes mais. Umas foram destruídas para no seu local se contruírem as igrejas, como aconteceu na Fajã Grande, enquanto outras, simplesmente, ruíram com o passar dos anos e por falta de conservação.

São as seguintes as capelas existentes nas Flores:

Capela de Nossa Senhora das Angústias, nas Lajes - Localiza-se no cemitério das Lajes e cuida-se que terá sido a capela-mor de uma antiga igreja desaparecida, o que se pode concluir pelo facto da fachada poente ser completamente lisa, correspondendo assim à parede do antigo arco triunfal, uma vez que vestígios desse arco ainda são visíveis na parede interior. Além disso a porta de entrada está localizada numa das paredes laterais. Mas segunda outra versão será um edifício de raiz mandado construir em agradecimento pelo salvamento de dois fidalgos espanhóis, por terem sobrevivido a um naufrágio. De uma forma ou de outra trata-se de um edifício historicamente valioso, cuja construção data de 1729. O pequeno templo tem apenas três aberturas, a porta da fachada sul e duas frestas, uma à direita da porta e outra na fachada norte.

Capela de Nossa Senhora das Flores – Está situada no interior da ilha, num local despovoado, perto da Casa do Estado e junto à estrada transversal que une os Terreiros a Santa Cruz e onde se celebrava, antigamente a festa do mato. Foi construída e inaugurada em 1968. A imagem da Senhora das Flores, colocada no seu interior foi oferecida Luciano Luiz Avelar e foi levada em procissão desde Santa Cruz, no ano da inauguração do pequeno templo.

Capela de Nossa Senhora do Rosário foi construída em 1877 e localiza-se no cemitério de Santa Cruz, junto a um dos muros laterais. O seu interior é despojado de qualquer adorno, tendo apenas, para além da porta de entrada uma janela alta rematada em arco quebrado em cada uma das paredes laterais.

Capela de Santo António de Lisboa Fajã Grande. Foi construída e inaugurada em 1986 e mandada construir pelo luso-americano José Dias Fraga. Esta capela, localizada no lugar denominado de Santo António, no cruzamento dos caminhos da Cuada e dos Lavadouros desde há muito que estava projetada na vontade do povo. Tinha como objetivo guardar uma enorme imagem de santo António, existente na casa da Senhora Estulana, no cimo da Assomada e que, inexplicavelmente, estava impedida de ser colocada na igreja paroquial.

Capela de Nossa Senhora de Fátima da Ponta – Construída e inaugurada em 1969, no enfiamento do Caminho da Rocha, substitui uma pequenina capela de madeira, também dedicada à Senhora de Fátima e mandada construir por João Lizandro, com o intuito de proteger todos os que diariamente subiam aquele abrupto e perigoso andurrial.

Capela de São João Baptista, também conhecida por Ermida do Pico do Meio Dia está localizada no Pico com o mesmo nome, há freguesia de Ponta Delgada. Esta ermida erigida sob a evocação de São João Batista foi construída neste monte, que tem por nome Pico do Meio Dia, e que lhe foi atribuído pelo povo desde há longos anos pelo facto de se localizar numa posição que é, rigorosamente, atingida pelo sol ao meio dia solar. A ermida foi inaugurada no dia 13 de Agosto do ano de 1978 e junto a um Cruzeiro de betão ali construído e benzido sete anos antes. dão lugar à Festa de São João, celebrada Em Setembro de cada ano é celebrada ali uma festa, em honra de São João Batista, uma das festas mais conhecidas da ilha das Flores.

NB – Obras consultadas: Monterreal Guido de, Flores e Corvo; Gomes Francisco A.P. A Ilha das Flores; IAC, Inventário do Ptrimónio Imóvel dos Açores.

 

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A IGREJA DA FAJÃZINHA

Sábado, 10.12.16

A igreja da Fajãzinha, a par com a de Santa Cruz, é um dos mais emblemáticos templos da ilha das Flores. Situada na parte mais alta da freguesa, já no enfiamento do antigo caminho da Rocha dos Bredos, outrora roteiro obrigatório de quem seguia para as vilas e outras freguesias da ilha, tem a ladeá-la um adro murado mas cujo pavimento se situa abaixo do nível da rua, sendo o acesso ao templo feito por uma ampla escadaria. O edifício, de grandes dimensões, é composto por um corpo principal, que é ocupado pelas três naves do templo, por um corpo mais estreito onde se situa a capela-mor, pela torre sineira situada do lado esquerdo da fachada principal, pela sacristia do lado nascente e por um anexo do lado poente.

A fachada principal, imponente e altiva, está enquadrada pelo soco, pela torre sineira, pelo cunhal direito e por uma cornija que se estende à torre sineira e às fachadas laterais. Divide-se em três secções verticais por meio de pilastras. Cada secção tem uma porta encimada por um vão ao nível do coro. As portas laterais são encimadas por janelas com cornija, emolduradas por uma faixa bojuda que define também um avental com almofada retangular em relevo e ainda contorna as portas e remata superiormente o soco absorvendo as bases das pilastras. A porta central é ladeada por duas meias colunas com o capitel decorado com motivos florais. Sobre os extremos do entablamento da porta principal assentam dois meios-pináculos que se prolongam numa moldura bojuda que envolve um óculo quadrilobado. Nesta fachada ainda há um óculo e uma cartela, enquadrada por duas volutas em relevo, com uma inscrição, indicando o nome do pároco que a edificou, o padre Alexandre Pimentel de Mesquita e o ano da construção 1778. Lá no alto e sobre a cornija da fachada assenta um frontão dividido em três secções. No tímpano da secção central há um óculo circular emoldurado por um quadrado. O remate superior da secção central é feito por duas volutas que elevam até uma cruz em ferro. Sobre o cunhal direito e sobre as duas pilastras há pináculos.

A torre sineira situada a nascente está dividida em dois níveis pelo prolongamento da cornija da fachada principal. O nível inferior, mais alto, tem uma lápide onde se lê que foi edificada com esmolas dos devotos em 1898, portanto muito depois do templo. Os vãos dos sinos, situados no nível superior, são rematados em arco de volta inteira. A torre tem no cimo uma cornija e encimada por um coruchéu octogonal.

Na fachada posterior do corpo principal existem dois óculos em forma de losango correspondentes aos topos das naves laterais.

O corpo principal divide-se interiormente em três naves separadas por duas fiadas de arcos de volta inteira, num total de cinco, apoiados em pilares de secção quadrangular com bases e capitéis salientes. O coro alto, construído em madeira, situa-se sobre a entrada, ocupando o espaço correspondente ao primeiro tramo das naves. Sob o coro, do lado do evangelho, há uma porta de acesso ao batistério que se situa no corpo da torre, porta esta rematada em arco de volta inteira e de em madeira recortada. No terceiro pilar a contar da entrada, do lado do evangelho, há um púlpito com consola em pedra aparentemente suportada por uma mísula de madeira. É acessível por uma escada também em pedra que envolve o pilar. No quinto tramo, em cada parede das naves laterais, está embutido um arco igual aos arcos separadores das naves que sugere a passagem para os braços de um transepto inexistente, onde se encontra uma porta e uma janela apoiada numa cornija que une as impostas do arco. O arco triunfal da capela-mor é de volta inteira assente em impostas. Os tetos das naves e da capela-mor são em madeira simulando abóbadas de berço que assentam em grandes cornijas.

Sabe-se que outrora, nas imediações deste templo, existiu uma primitiva igreja construída por volta de 1675 e que seria dedicada, como a atual, a Nossa Senhora dos Remédios.

 

 BOAS FESTAS

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GUSTAVO FRAGA

Segunda-feira, 05.12.16

De acordo com o noticiado pelo Forum Ilha das Flores e pela Câmara Municipal das Lajes, a edilidade do mais ocidental município açoriano homenageou, na pretérita sexta-feira, 02 de Dezembro, o Professor Gustavo de Fraga, através da colocação de uma Placa de homenagem na casa onde nasceu, atribuindo também o seu nome a uma rua da freguesia da Fajãzinha, de onde o homenageado era natural. A cerimónia de homenagem realizou-se junto ao emblemático largo do Rossio daquela freguesa.

Filho de Eduardo Augusto de Fraga e de Maria Valadão de Fraga, o ilustre homenageado nasceu na freguesia da Fajãzinha, ilha das Flores, em 1 de Novembro de 1922, mas foi na freguesia dos Cedros da mesma ilha que passou uma pequena parte da sua infância.

O pai, professor do ensino primário, lecionou em diversas freguesias da ilha das Flores, designadamente nos Cedros e na Fajãzinha. Mais tarde foi transferido para a ilha de São Miguel, lecionando em Vila Franca do Campo.

O avô paterno, José Francisco de Fraga, de origem continental fez os seus estudos no Seminário de Angra, onde não chegou a completar o curso de Teologia. Foi secretário do Governador Geral de Angola e exerceu também as funções de professor de instrução primária na ilha das Flores. Casou com Maria Amélia Nóia Silveira, de origem açoriana e inglesa, natural do Eire, Estados Unidos da América. Conta-se que José terá ficado encantado ao vê-la quando ela passava nas Flores em viagem à vela de Inglaterra para o seu país. Por sua vez o avô materno, Manuel de Freitas Valadão, casado com Maria Avelar Valadão, de origem florentina, foi emigrante nos Estados Unidos da América e como muitos outros emigrantes percorreu a pé o caminho entre o Texas e a Califórnia à procura de trabalho.

Pelo facto dos pais terem fixado residência em Vila Franca do Campo quando tinha cerca de dois anos, Gustavo de Fraga completou instrução primária naquela vila e frequentou o Externato Vilafranquense. Aos 16 anos de idade concluiu o ensino secundário no Liceu Antero de Quental, em Ponta Delgada, matriculando-se, a seguir, na Escola do Magistério, completando o curso em 1942.

Como professor oficial do ensino primário, lecionou no distrito de Ponta Delgada, mas apesar de viver fora das Flores, manteve-se ligado à sua ilha, à qual o pai regressou depois de enviuvar, e onde veio a falecer em 1960.

Sempre na ânsia de enriquecer a sua instrução e cultura, nos anos quarenta, partiu para Lisboa onde, para além de ter sido redator do jornal Diário da Manhã e funcionário da Emissora Nacional, frequentou a Faculdade de Letras, como estudante trabalhador e pnde concluiu o curso de Ciências Histórico-Filosóficas. Mais tarde frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo-se licenciado, com distinção, dissertando Sobre o Objeto da Metafísica de Francisco Suarez.

Em 1954 emigrou para a Alemanha, sendo nomeado Leitor de Português na Universidade de Bona até 1957. Aí frequentou cursos e seminários de filosofia, alguns deles orientados pelos professores Johannes Thyssen, Gerhard Funke, Hans Heimsoeth e Ludwig Landgrebe, que fora assistente de Husserl.

No ano letivo de 1957/58, fixou-se em Paris, com bolsa concedida pelo Instituto Português de Alta Cultura. Na Sorbonne, participou em cursos de Ferdinand Alquié e de Jean Wahl, juntamente com quem se iniciou nos estudos hegelianos.

No ano seguinte voltou à Alemanha onde foi bolseiro na Universidade de Friburgo, nela frequentando seminários de Hans Reiner e de Max Muller.

Em 1960, concluiu, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o Curso de Ciências Pedagógicas, onde exerceu o cargo de assistente de Ciências Filosóficas. Em Julho de 1967 prestou provas de doutoramento em Filosofia, com a dissertação De Husserl a Heidegger e Elementos para uma Problemática da Fenomenologia. Em 1 de Maio de 1970 passou a professor auxiliar e a seguir fez concurso para professor extraordinário de Ciências Históricas, Geográficas e Filosóficas, sendo aprovado com mérito absoluto em 8 de Maio de 1973. A sua nomeação para o lugar verificou-se em 16 de Junho de 1977.

Entretanto, face à recente criação do Instituto Universitário dos Açores, foi nele colocado, a seu pedido, em comissão de serviço, a partir de 7 de Fevereiro de 1976. Aí viria a ser nomeado, por despacho de 20 de Fevereiro de 1979, vice-reitor e vogal da Comissão Instaladora. Exerceu ainda o lugar de diretor do Departamento de Formação de Professores.

Em 28 de Dezembro de 1981 foi empossado no cargo de professor catedrático da Universidade de Coimbra, mantendo-se, em comissão de serviço na Universidade dos Açores. Nela, para além de ter sido diretor do Centro de Estudos Filosóficos, foi eleito, sucessivas vezes, presidente do Conselho Científico.

Na sua longa atividade de docente lecionou diversas disciplinas ou cursos, nomeadamente: Ontologia, Antropologia Filosófica, História da Filosofia, Axiologia, Ética, Teoria da História, Introdução à Filosofia e Teoria do Conhecimento, Problemas do Mundo de Hoje, Problemas da Sociologia da História, As Grandes Revoluções Filosóficas, História do Pensamento, História Cultural e das Mentalidades.

Os seus méritos levaram-no a receber várias menções honrosas e quatro bolsas de estudo: do Instituto Português de Alta Cultura, para investigar em Lovaina e em Paris. Aposentou-se em 27 de Abril de 1990, mantendo a sua residência na cidade de Ponta Delgada.

Para além da atividade docente a que dedicou a maior parte da sua vida, proferiu palestras, participou em muitíssimos colóquios, seminários e conferências. Gustavo de Fraga foi um dos fundadores da revista Filosofia, membro fundador do Centro de Estudos Fenomenológicos, anexo à Universidade de Coimbra, colaborador da VELBC e colaborou em diversas revistas e jornais, sobretudo com trabalhos e artigos da sua especialidade.

Das suas obras publicadas destacam-se: Horas de Ronda, Sobre Heidegger, De Husserl a Heidegger, A Fenomenologia e o Espírito do Hegelianismo, Fidelidade e Alienação, Rogai Por Nós Pecadores e ainda Balada para Joana Margarida, livro de poemas dedicado à sua neta.”.

Gustavo Fraga, agora homenageado na ilha que o viu nascer, faleceu ocorreu na cidade de Ponta Delgada, onde residia com a esposa, em 15 de Novembro de 2003.

 

NB – Dados retirados da Wikipédia, Universidade dos Açores, Câmara Municipal das Lajes das Flores e Forum Ilha das Flores

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VIDA RURAL (NA ILHA DAS FLORES) NOS FINAIS DO SEC. XIX

Segunda-feira, 07.11.16

Nunes da Rosa, no seu livro Pastorais do Mosteiro, descreve não apenas muitas paisagens e lugares das Flores como também o ambiente que se vivia, nos finais do século XIX, a mais pequena freguesia da ilha. Naturalmente que este ambiente era comum às outras freguesias, nomeadamente, à Fajã Grande que Nunes da Rosa visitava com frequência devido à sua grande amizade com o então pároco daquela freguesia, Francisco Vieira Bizarra.

É dele a seguinte descrição, transcrita do conto Cenas Triviais e em que os que partiam nas baleeiras recordam, com lágrimas e saudade, a beleza da sua freguesia:

…Os “festejos do Senhor Espírito Santo” numa alegria de foguetes e tambores, com muitas bandeiras e muitas flores, e os sinos vibrando estridulamente!... Nas manhãs perfumadas do trevo e do bafo morno das vacas, - a volta do leite, com as latas numa fervura de espuma, - o encontro certo da ranchada alegre das moças que vão à fonte!... As noitadas de festa ao toque da viola bailando a chamarrita, passeando a praia, batendo o pézinho, saltando alegres, cheios de vigor. As romarias à Fajã, a Nossa Senhora da Saúde, pelo tempo das maçãs, com jantares pelo fresco das hortas sobre toalhas alvas de linho, e a abundância de vinho bebido por cangirões de barro, por entre as macieiras, em grupos sadios de uma alegria ruidosa.

Os dias da lavoira, dois e três arados a riscar a terra, e cada qual apimponando a valentia da sua junta, à grande luz que banha as terras negras nos dias de sementeira farta!...

E depois as pequenas afeições domésticas: o Damasco e o Formoso, tão mansos tão luzidios!... A Vermelha tão bonita, estacada na relva, de cabeça e orelhas erguidas, a berrar em surdina, agitando a cauda!... O Calçado que bate todo o campo atrás dos coelhos, vindo depois cansado, com a língua vermelha saída por entre os dentes, a deitar-se junto do gado, ufano da valentia das suas pernas delgadas!... O murmúrio da grota ao pé dos álamos!... As risadas dos pequeninos irmãos!... O Terço da noite – a família toda reunida de mãos erguidas diante da imagem de Nossa Senhora, com padre nossos pelos que andam sobre as águas salgadas!... O carinho das mães que todos os dias lhes iam aconchegar as cobertas à cama fofa de musgo!... O jantar dos dias de festa, - ao meio da mesa a grande tigela vidrada, cheia de carne cozida, olorosa, e no prato de cada qual a grande sopa mole, com o seu raminho de hortelã, - e o pai, depois da sua inspecção de vista, a abençoar a comida….

 

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JOGRAIS (A ILHA DAS FLORES)

Sexta-feira, 04.11.16

TODOS - Era uma vez uma ilha pequenina e distante mas coberta de bruma e de flores.

1.os SEIS – Onde as ribeiras corriam transparentes e cristalinas.

2.os SEIS – Com montes cobertos de árvores frondosas.

3.os SEIS – E em cujos ramos cresciam frutos apetitosos.

4.os SEIS – Uma ilha que o mar acariciava suavemente.

TODOS - Era uma ilha pequenina e distante mas coberta de bruma e de flores.

1ª METADE – Onde as manhãs nasciam claras mas repletas de incertezas.

2ª METADE – Onde, à tarde, o sol se tornava amarelado e pardacento.

1º VOZ – Uma ilha…

2ª VOZ – Onde o mar desafiava a esperança,

3ª VOZ – E a tempestade era maior do que a bonança.

TODOS – Era uma ilha pequenina e distante mas coberta de bruma e de flores.

4ª VOZ – Onde, no Inverno,

5ª VOZ - O vento, misturado com relâmpagos e trovões,

6ª VOZ – Rugia ferozmente

7ª VOZ - E cobria a ilha de tempestades rigorosas.

TODOS – E a ilha pequenina e distante mas coberta de bruma e de flores

1.os SEIS – Tornava-se mais pardacenta e escura.

2.os SEIS – O medo apoderava-se de todos.

3.os SEIS – Mas no verão…

8ª VOZ – O vento vestia-se de púrpura

9ª VOZ – E soprava levemente,

10ª VOZ - Embalando uma brisa doce e suave.

TODOS - E a ilha pequenina, distante mas coberta de bruma e de flores

4.os SEIS - Vestia-se de claridade e de esperança.

1.os SEIS – O sol

11ª VOZ – Descia levemente sobre os casebres

1ª METADE – E pintava os campos de um verde amarelado e fulvo.

2ª METADE – E amadurecia os milhos semeados nas belgas mais soalheiras e nos campos mais férteis.

TODOS - Na ilha pequenina e distante mas coberta de bruma e de flores.

1ª METADE – À noitinha,

12ª VOZ – Nas torres das igrejas,

13ª VOZ – Ouvia-se o toque suave das trindades.

2.os SEIS – Os homens com as mãos calejadas e os ombros doloridos

14ª VOZ – Regressavam dos matos carregados com latas de leite,

15ª VOZ – Suspensas em troncos de araçá,

16ª VOZ - Tapadas com ramos de queirós,

17ª VOZ - Tiravam, solenemente, o boné

18ª VOZ -  E simulavam uma pequena oração.

3.os SEIS – As mulheres, robustas e mal vestidas,

19ª VOZ - Recolhiam a casa, com molhos de lenha ou de couves à cabeça,

20ª VOZ - Acompanhadas de garotos descalços.

21ª VOZ - Com monco a escorrer-lhes pelo nariz,

22ª VOZ -Agarrados aos saiotes das mães.

4.os SEIS – As velhinhas vestidas de negro e lenço a tapar-lhe a cara,

23ª VOZ - Sentadas às janelas de suas casas,

24ª VOZ -Esbagoavam as contas do rosário, bichanando impercetíveis ave-marias.

TODOS - Na ilha pequenina, distante mas coberta de bruma e de flores.

TODOS - Na ilha pequenina, distante mas coberta de bruma e de flores.

TODOS - Na ilha pequenina, distante mas coberta de bruma e de flores.

 

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CENAS TRIVIAIS

Quinta-feira, 20.10.16

Cenas Triviais é um belíssimo conto de Nunes da Rosa, em Pastorais do Mosteiro, no qual o autor narra a fuga de muitos dos habitantes das Flores nas baleeiras americanas que demandavam a ilha na procura de água e víveres e que depois escapuliam para a América. A estória baseia-se num episódio muito frequente, na altura, na ilha das Flores. Embora supostamente, a julgar pela descrição que o autor faz da freguesia do Mosteiro, o espaço fosse aquela pequena freguesia, ao longo do texto o autor faz referências à Baía dos Fanais e ao Ilhéu de Maria Vaz, locais preferidos e adequados às fugas clandestinas.

Aqui tento fazer um resumo do mesmo:

Numa tarde de verão e de grande calmaria, apareceu um iate branco no horizonte. Era um iate que, pouco depois, aproou a terra. Nos campos do Mosteiro, homens e mulheres sachavam o milho. Aos poucos o iate foi-se aproximando-se da ilha e todos os que andavam pelos campos correram, aos magotes, para as suas casas, conversando, cochichando, gesticulando e detendo o olhar na embarcação. Os mais novos foram os primeiros a chegar e as ruas do Mosteiro – pequeninos caminhos estreitos, alagados da água que escorre das grotas, monótonos na fiada tortuosa das casas, tristes pelas horas altas do dia em que tudo abala para as terras – encheram-se de gente. Muitas mulheres, prevendo o que as esperava, começaram a chorar e a soluçar, enquanto as crianças, parando as suas brincadeiras, agarravam-se aos saiotes das mães.

Pouco depois alguns homens de um lado e do outro da freguesia começaram a sair de suas casas, de mala às costas, camisa branca e chapéu na cabeça – parece que vão ruminando mágoas de uma saudade imensa de tudo quanto lhes fica atrás. - Os olhos enchem-se-lhes de lágrimas – nunca lhes pareceu tão bonita a sua freguesia, tão cheia de encanto – e, correndo na direção do mar, recordavam a faina diária, as festas, os costumes, a família e até os animais. Tudo ficava para trás!

O iate acabou por ancorar na baía dos Fanais, por detrás do ilhéu de Maria Vaz. Toda a população da freguesia acorre à beira da Rocha para o ver, Alguns velhos que outrora também partiram, contam como eram estas viagens noutros tempos. Os que partem despedem-se de todos, especialmente dos familiares. Pais, filhos, maridos, mulheres abraçam-se e despedem-se entre choros, murmúrios e recomendações.

Finalmente o grupo dos que partem desce até ao mar pelos trilhos sinuosos da Ladeira do Fundão. Lá em baixo espera-os uma canoa e um homem desconhecido fiscaliza-os e ordena-lhes que embarquem. Sobre a paisagem adormecida cai a tristeza doce do sol-posto, pincelando a luz parda do cerro esfumado dos cabeços, e dando uma tonalidade de vácuo pavoroso à cúpula distante do céu, onde algumas estrelas abrem feericamente a pálpebra luminosa.

No alto da Rocha o silêncio é apenas intercalado por soluços tristes e pelos murmúrios do mar. De lá debaixo vem o som metálico do dinheiro para pagar as passagens. De seguida a canoa parte em direção ao iate, ancorado mais fora. Por fim o iate, virando a proa a oeste zarpou e o povo que se havia acumulado no cimo da rocha regressou, tristonho e silencioso, às suas casas. E tudo terminou!

A manhã seguinte rompeu radiante e perfumada a trevo e a faeiras e o mar, agora deserto, continuava tranquilo mas toda freguesia permanece imersa numa enorme tristeza fixando – um olhar profundo e cismador na curva azulada do horizonte…

 

O conto foi escrito no longínquo ano de 1894 e Nunes da Rosa dedicou-o a Osório Goulart, poeta, escritor, conferencista e intelectual açoriano.

 

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A PRIMITIVA ADMINISTRAÇÃO DAS FLORES E DO CORVO

Sexta-feira, 23.09.16

A administração local das Flores e do Corvo não diferia da que vigorava nas outras ilhas.

Segundo o historiador Oliveira Marques, a incorporação da capitania da ilha das Flores e do Corvo na Coroa, em consequência do arresto dos bens do último capitão-donatário, o duque de Aveiro, não trouxe grandes benefícios para a população das mais isoladas ilhas do arquipélago açoriano.

Segundo um outro historiador, o Padre António Cordeiro o governo das duas ilhas esteve sempre unido, desde a constituição da capitania, altura em que o dono daquelas duas ilhas era Guilherme da Silveira. No entanto, os condes de Santa Cruz, nomeados comendadores das duas ilhas, é que recebiam a dízima de ambas, obtendo assim amplos proventos. Também Frei Diogo Chagas afirma que as duas ilhas foram colocadas desde os primórdios do seu povoamento sob jurisdição comum. A jurisdição suprema das ilhas imediatamente a seguir à jurisdição real, cabia ao capitão-donatário. Pedro da Fonseca terá sido o primeiro administrador das duas ilhas que passou a intitular-se capitão das Flores e senhor do Corvo.

Nas Flores, o representante ou lugar-tenente do capitão-donatário era o ouvidor das sentenças. Embora não fosse um cargo vitalício, nem hereditário, era um cargo que provinha do sistema da administração judicial instituído no Reino, tanto nas terras sob jurisdição da Coroa como nos senhorios. No início os ouvidores eram providos de três em três anos com a função de exercer a justiça em nome do rei. Era a eles que o povo recorria nos seus problemas e nas suas contendas, como diz o Padre António Cordeiro a nas Flores em tudo há recurso para o ouvidor.

O primeiro ouvidor das Flores foi Gomes Dias Rodovalho, o fundador da freguesia da Fajã Grande. O capitão Pedro da Fonseca nomeou-o seu lugar-tenente, capitão-mor, e ouvidor.

As câmaras das vilas de Santa Cruz e das Lajens repartiam entre si a jurisdição concelhia das Flores, demarcando-se a norte pela ilha da Ribeira das Casas e a sul pela Ribeira da Silva. A Santa Cruz pertenciam Ponta Delgada, Cedros, Ponta, Caveira e Lomba, e ainda o lugar do Corvo. À Vila das Lajens pertenciam a Fajazinha, Fajã Grande, Lajedo e outras povoações menores.

O governo militar das duas ilhas estava entregue a dois capitães-mores, um em cada vila, autónomos entre si e sem subordinação a alguém na ilha, segundo o Padre. Subordinados a eles havia os capitães das companhias de ordenança que governavam os alferes e estes os sargentos e mais cabos. No Corvo havia uma companhia e respetivo capitão

A defesa das duas ilhas dependia apenas desta gente (mais de 1500 homens de armas nas Flores e mais de 200 no Corvo), que não possuía mais do que armas antigas – espadas, adagas, lanças e alguns arcabuzes “ao estylo de Portugal antigo” – e da vantagem dos “impenetráveis muros das suas rochas ao mar”, reforçada pela “artilharia horrenda dos penedos, que pelas altas rochas lanção abayxo” para afastar os navios hostis. Não existia nas Flores qualquer fortaleza, soldadesca paga, ou peças de artilharia,

 

NB – Dados e citações retirados da net.

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A LENDA DE SANTO AMARO DE PONTA DELGADA DAS FLORES

Domingo, 04.09.16

Na freguesia de Ponta Delgada, na ilha das Flores ainda hoje se venera e celebra uma grande festa em honra de Santo Amaro, a que acorrem peregrinos e forasteiros de toda a ilha, Consta que esta devoção se fundamenta numa lenta muito antiga, segundo a qual certo dia andava um homem daquela freguesia, na costa, no lugar do Rolo. A certa altura o homem apercebeu-se que o mar vinha trazendo um objeto que ele não conseguia identificar. Movido pela curiosidade e cuidando que fosse algo de valor, esperou algum tempo e, por fim, o mar pôs sobre as pedras do baixio o estranho objeto. O homem aproximou-se e viu que era uma bela imagem de Santo Amaro. Cuidando que era um milagre correu ao povoado a avisar outras pessoas, que ali acorrendo, comovidas e cheias de fé decidiram levar a imagem do santo para a igreja paroquial da freguesia.

 No dia a seguir, a imagem, sem que ninguém lhe tivesse tocado, apareceu lá em baixo, próximo do lugar onde o mar a tinha depositado. Todos acharam aquilo muito estranho e, sem saber como explicar o acontecimento, voltaram a trazer Santo Amaro para a igreja.

Mas o santo fugia sempre lá para baixo. Tentaram várias vezes mas nada conseguiam. Para baixo o santo ia de livre vontade, sozinho, sem que ninguém lhe tocasse, mas para cima ninguém o fazia vir.

 As pessoas começaram a pensar que o santo queria estar lá em baixo, onde tinha dado à costa e para isso tinham que lhe construir uma ermida naquele sítio. Com muita fé, mas também com muitas dificuldades, principalmente porque não havia água por perto para fazer a argamassa, começaram a construir a ermida. Acartavam a água de muito longe, da Ribeira do Moinho, de Além, de pé do Farol.

 Santo Amaro, vendo a boa vontade das pessoas, deu-lhes uma ajudinha e fez nascer uma fonte mesmo ali, de onde a água começou a jorrar em abundância.

 Passado algum tempo a ermida estava pronta e lá puseram Santo Amaro, onde esteve muitos anos e onde fez muitos milagres. Com o tempo a ermida começou a degradar-se e ruiu por fim. Santo Amaro foi trazido para a igreja paroquial de Ponta Delgada, onde continuou a ser homenageado com uma linda festa no primeiro domingo de setembro, uns dias antes da festa da Senhora da Saúde, na Fajã Grande. Ali acorriam muitos romeiros, vindos a pé, de toda a parte da ilha com as suas ofertas de bonecos de massa à cabeça ou às costas.

 O santo parecia que estava agora satisfeito porque aquele lugar onde tinha aparecido era seu. Apesar da sua ermida ter desaparecido, ao sítio onde ele tinha tido morada passou a chamar-se Santo Amaro e à fonte, que ainda hoje corre abundantemente no Cerrado do Adro, chamou-se e ainda agora se chama Fonte de Santo Amaro.

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O CONCELHO DAS LAJES DAS FLORES

Quinta-feira, 25.08.16

Cuidam alguns historiadores que a ilha das Flores terá sido descoberta, juntamente com a do Corvo, em 1452 por Diogo de Teive e seu filho João do Teive. Diogo de Teive foi também tendo o seu primeiro Donatário. Mas os Teive abandonaram a ilha pouco tempo depois e, aparentemente, os direitos sobre as Flores e sobre Corvo foram pertencendo a vários donatários, muitos dos quais nunca terão vivido da ilha. Finalmente, por volta de 1500, D. Maria de Vilhena, na altura administradora da capitania daquela ilha, em nome do seu filho Rui Telles, por este ser menor, com o intuito de promover o seu povoamento, convidou o flamengo Willem van der Hagen, também conhecido por Guilherme da Silveira a se deslocar para as Flores, a fim de iniciar um novo e definitivo povoamento

Muito provavelmente terão feito parte da comitiva alguns dos mais importantes e mais conhecidos povoadores florentinos, nomeadamente, Lopo Vaz, Antão Vaz, Diogo Pimentel e Gomes Dias de Rodovalho. Por volta de 1508-1510 terá ocorrido o povoamento definitivo da ilha sob a direção destes e de outros povoadores, com os quais nasceu a vila das Lajes, a primeira a ser criada na maior ilha do grupo ocidental açoriano:

"A descendência generosa dos primeiros povoadores desta ilha granjeou futura estima do Governo, que logo confiou neste lugar a instituição da primeira Vila, denominada Lajes. "

No entanto, o reconhecimento oficial da criação da Vila das Lajes ocorreu no ano de 1515, embora a data exata não seja consensual.

"A história desta ilha não oferece cenas sanguinolentas como a de outras partes do Mundo Novo, porque nele não se encontravam habitantes quando se a descobriu", contudo, dada a localização geográfica da ilha, a mesma não ficou imune às incursões corsárias, primeiramente de origem mourisca e anos mais tarde de origem inglesa e americana. Os primeiros denotavam alguma inaptidão para a atividade corsária, pelo que os prejuízos causados nunca atingiram grande monta, porém, os últimos demonstraram ter uma propensão inequívoca para a prática da pirataria, tendo os seus ataques causado estragos mais significativos. As populações locais construíram fortificações estratégicas e foram instaladas peças de artilharia que ajudaram a desencorajar tentativas de saque. Lamentavelmente hoje, os vestígios dessas defesas são quase inexistentes.

Assim sendo, temos que as Lajes das Flores é um concelho sito na metade sudoeste da ilha das Flores, no Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores, com uma área de 69,59 km². É limitado a nordeste pelo município de Santa Cruz das Flores, rodeado por todos os demais lados pelo oceano Atlântico. A sede é a vila de Lajes das Flores, na costa sul da ilha e onde se situa o porto comercial que a serve. Está dividido em sete freguesias: Fajã Grande, Fajãzinha, Fazenda, Lajedo, Lajes das Flores, Lomba e Mosteiro.

A população do concelho de Lajes das Flores, decresceu sensivelmente ao longo do século XX, sofrendo grande influência da forte emigração que se fez sentir em todo o concelho, sobretudo durante as décadas de cinquenta e sessenta desse século. No início do mesmo, ou seja, em 1900 a população do concelho era de 4498 habitantes, mas nos trinta anos seguintes desceu para 3508. Em 1960 existiam no concelho das Lajes das Flores apenas 3376 habitantes e em 1981 esse número desceu para 1891. O decréscimo acentuado continuou até ao final do século XX, sendo a população do segundo concelho da ilha, no censos de 1991 de 1702 habitantes, no de 2001 de 1502 e no de 2004 de 1491 habitantes. No último censos, ou seja 2011, registou-se um ligeiro aumento sendo a população do concelho das Lajes das Flores de 1503 habitantes, dos quais 780 do sexo masculino e 723 do feminino. Segundo o mesmo censos existiam no concelho, em 2011 apenas 620 famílias.

O concelho possui um vasto património natural, com lugares de rara beleza com destaque para a Boca da Vereda, as lagoas Branca, Comprida, Funda, da Lomba, Funda das Lajes, Rasa, Seca, Pico da Marcela, Monte das Cruzes, Morro Alto, Pedrinha, Pico da Casinda, Pico da Sé, Pico do Touro, Pico dos Sete Pés, Rochas da Fajã Grande e Fajãzinha repletas de cascatas, Tapada Comprida, Tapada Nova e ainda a famosa Rocha dos Bordões. Destaque ainda para vários miradouros, com destaque para o Craveiro Lopes, e alguns lagos inesquecíveis como o Poço da Alagoinha. Possui excelentes zonas balneares.com destaque para as da Fajã Grande, e uma costa muito fértil em pescado. O concelho vive essencialmente da agricultura e da criação de gado.

No que ao património edificado diz respeito, destaque para a Bateria do Cais de Lajes das Flores, o Forte de Nossa Senhora do Rosário de Lajes das Flores, o Forte de Santo António de Lajes das Flores, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário na sede da vila e a igreja Matriz da Fajãzinha.

 

Dados e citações retiradas do Site da Câmara Municipal das Lajes das Flores.

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ANTIGOS FORTES E FORTALEZAS DAS FLORES

Domingo, 21.08.16

A ilha das Flores, como as demais ilhas açorianas, desde os primórdios do seu povoamento, foi forçada a defender-se e a proteger-se dos ataques e assaltos de piratas e corsários, que frequentemente demandavam a ilha na busca de víveres, de água, ou na procura das riquezas das embarcações que ali aportavam, oriundas da África, da Índia e do Brasil e até para roubar e violar a população feminina. Essa a razão pela qual foram construídas, por toda a ilha, no litoral, fortificações ou fortes militares.

Assim, ao longo dos tempos, foram-se edificando vários tipos de fortes militares, uns maiores outros menores, e que, geralmente, se situavam nos portos e ancoradouros, ou perto deles, sendo chefiados por militares guarnecidos pelas populações locais sob a responsabilidade dos respetivos concelhos.

Cuida-se que nas Flores terão existido cerca de 27 fortes militares, sendo 5 deles localizados na Fajã Grande, a saber: Castelo da Ponta, Vale do Linho, Castelhana, Estaleiro e Portal da Rocha, este já na freguesia da Fajãzinha. Entre estes destacou-se, na Fajã Grande, o Forte do Estaleiro, localizado no lugar a que lhe deu o nome, entre o Porto e o Calhau Miúdo, Em posição dominante sobre um boa parte do litoral e a ampla baía da Ribeira das Casas, constituiu-se como um forte destinado à defesa do ancoradouro ali sediado e do porto adjacente, defendendo um e outro dos ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região, virada a oeste e muito mais isolada. Dele ainda sobreviviam vestígios na década de cinquenta.

Outro forte florense notável foi A 'Bateria da Lomba' localizada na freguesia com o mesmo nome, na costa és-sudestes da ilha das Flores. Em posição dominante sobre a ribeira do Gil, constituiu-se em uma bateria destinada à defesa deste ancoradouro e, como os restantes, também na defesa contra os ataques de piratas e corsários. Deste forte também existem ainda hoje vestígios do alçado estando registada uma planta, com o título "Bateria da Lomba". O padre José António Camões, já refere a existência desta fortificação, existente na freguesia da Lomba:

O padre Camões refere-a nestes termos

"Passada a ponta do ilhéu Furado segue-se ao pé de uma rocha chamada a rocha do ilhéu furado um porto muito ridículo chamado o Coutinho, onde varam os barcos da freguesia da Lomba, tem capacidade ao menos para 4 ou 5 barcos pequenos, mas não tem refugio senão para dois, quando muito correndo para sueste cai uma ribeira chamada a ribeira do Gil, sobre a rocha da parte d’além está um forte com uma casa boa, e tem três peças.". O historiador acrescenta que esta fortificação foi erguida em 1820 (1810?), "de faxina, e por isso se acha já derrotado em parte", com o recurso à mão-de-obra dos, habitantes da ilha, obrigados a dar dias de trabalho à Coroa, razão pela qual o cuidado na sua construção não fora muito. A estrutura não chegou até aos nossos dias.

Outro Forte notável era o localizado na Ponta da Caveira, concelho de Santa Cruz, na costa este das Flores. Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma bateria destinada à defesa deste ancoradouro contra a pirataria. Deste forte existe alçado e planta, com o título "Bateria da Ponta da Caveira", mas a estrutura não chegou até aos nossos dias.

A 'Bateria do Cais de Lajes” localizava-se na vila e freguesia de Lajes, em posição dominante sobre a costa, constituiu-se em uma bateria destinada à defesa do ancoradouro da vila contra os ataques de piratas e corsários. Segundo o padre António Cordeiro, esta fortificação remonta ao período da Dinastia Filipina, tendo, provavelmente, sido construída após o saque de corsários ingleses em 1587, no contexto da Guerra Anglo-Espanhola.

Um outro forte designado por 'Bateria sobre o Alto' localizava-se na freguesia de Ponta Delgada, concelho de Santa Cruz, na costa norte das Flores, em posição dominante sobre o mar, constituindo-se também ela como uma bateria destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários.

Notáveis ainda, em Santa Cruz, o 'Forte de Nossa Senhora da Conceição' e o de São Francisco,  e, nas Lajes, o forte de Nossa Senhora do Rosário e o  'Forte de Santo António'. Finalmente, em Ponta Delgada existia um ouro forte, 'Forte de São Pedro de Ponta Delgada' localizado no sítio de São Pedro, freguesia de Ponta Delgada, a proteger a costa oeste do norte da ilha. O padre José António Camões referiu as defesas de São Pedro de Ponta Delgada nestes termos:

 "(...) passada a ponta do Fornal segue-se logo ao nordeste o porto da freguesia de Ponta Delgada. Há nele, ao pé do mar, uma fonte de água doce de que se serve uma grande parte dos moradores daquela freguesia. Tem o dito porto uma casinha e uma peça, tudo sem fortificação alguma, mas com uma rocha que o fortifica. Continuando para nordeste começa a grande baía de Ponta Delgada, cai ao mar uma ribeira chamada a Ribeira da Fazenda a um tiro de peça pouco mais ou menos, mas ainda dentro dos marcos da dita freguesia fica um porto chamado o Portinho, onde só com uma bonança podem descarregar os barcos. Tem uma casinha de guarda com uma peça. Por fora do tal portinho estão os dois ilhéus chamados os ilhéus do Portinho – continuando por o mesmo vento segue uma ponta chamada a Ponta do Ilhéu.".

Como de todos os outros, a estrutura deste forte não chegou até aos nossos dias.

Existiram ainda outros Fortes notáveis, com destaque para o o 'Forte de São Sebastião sobre a Ribeira da Cruz'. Localizava-se na foz da Ribeira da Cruz, na freguesia da Caveira, concelho de Santa Cruz das Flores, na costa este da ilha das Flores, o 'Forte do Espírito Santo' localizava-se na vila e freguesia de Lajes, o 'Forte do Monte do Maio' localizava-se no concelho de Santa Cruz, o 'Fortim de Nossa Senhora dos Remédios' localizava-se na povoação e freguesia da Fajãzinha, História: No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Fortim de Nossa Senhora dos Remédios." na Fajãzinha e o O 'Fortim de São Caetano' na Lomba.

 

NB – NB Dados retirados do Site da Marinha

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SINDICATOS AGRÍCOLAS NA ILHA DAS FLORES

Quinta-feira, 18.08.16

Há dias encontrei na net um interessante texto sobre os Sindicatos agrícolas na ilha das Flores e a intensa atividade desenvolvida pelo padre José Mota, pároco do Lajedo durante décadas, em prol dos agricultores da ilha das Flores. Apesar de desconhecer o seu autor, aqui o reproduzo parcialmente, transcrevendo as partes mais significativas:

Uma autêntica revolução é como poderíamos qualificar o movimento pela libertação da Lavoura, que, sob a liderança do jovem padre José Furtado Mota (1878-1963), varreu toda a ilha das Flores a partir da segunda década do século XX. Não deixa, porém, de ser curioso o facto de este grande movimento – que, de certo modo, dava também resposta ao apelo que o papa Leão XIII lançara na sua carta encíclica Rerum Novarum, em 1891, para que os trabalhadores católicos se associassem – ter nascido na pequena freguesia do Lajedo, onde o padre Mota fora colocado em Janeiro de 1909, e não numa das duas vilas da ilha…

A causa próxima do movimento, que, em escassa dezena de anos, haveria de levar à criação de vários sindicatos agrícolas na ilha, num processo que foi praticamente pioneiro no arquipélago e no país, pelo menos na área dos lacticínios, radica na drástica descida do preço do leite à produção, imposta sobretudo a partir de 1912 pelos industriais das Flores. É então que o padre Mota, primeiro sozinho, depois já com o apoio do regente agrícola Guilherme Joaquim da Mata, por ele convidado a deslocar-se do Faial, de alguns colegas do clero… e das páginas do Jornal-Rádio, desencadeia a sua campanha a favor da criação de um grande sindicato agrícola que, abrangendo toda a ilha, tivesse como objeto o fabrico de lacticínios e a exportação de gado a liquidar em Lisboa por conta própria.

A semente lançada pelo padre Mota … e os bons resultados obtidos pelo primeiro sindicato florentino. referenciado, já em 1918, por um jornal faialense como “a melhor organização do género no distrito da Horta”, depressa fizeram engrossar o número de simpatizantes do sindicalismo agrícola. Formalmente, o Sindicato Agrícola da Ilha das Flores nasceu a 5 de Janeiro de 1918, data em que foi celebrada a respetiva escritura constitutiva, e os seus estatutos foram aprovados por alvará de 27 de Agosto desse ano, assinado pelo Presidente da República, Sidónio Pais. A verdade, porém, é que este primeiro sindicato já vinha funcionando no Lajedo, de forma irregular, é certo, com o estatuto da mútua confiança dos seus sócios, pelo menos desde 1915. De resto, no verão de 1918 estava calculado em 18 contos de reis o valor da manteiga exportada pelo sindicato, que então já possuía, também, uma dúzia de fabriquetas em plena laboração e contava com mais de 400 sócios, maioritariamente do Lajedo, da Fajã Grande e de Lajes das Flores (Morros e Monte).

Os sucessos iniciais do sindicato, que, pela primeira vez, conseguia colocar os seus produtos em Lisboa, sem intermediários, a preços bastante remuneradores, depressa tornaram o movimento imparável. Mas, também por isso, em vez de um único sindicato, como idealizara o seu mentor, eis que, rapidamente, se vão constituindo, um pouco por toda a ilha, outras organizações similares. E nem a vila de Santa Cruz das Flores, onde o conúbio entre os industriais e a autoridade concelhia era mais estreito e constituía uma barreira cimentada por interesses comuns ao avanço da nova “doutrina económica” do padre Mota, logrou resistir de todo, sendo certo que, em 1919, também já lá existiam duas “frutuárias”, que, por não terem embora um enquadramento legal bem definido… declaravam pertencer ao “Grande Sindicato do Lajedo”.

Não foi fácil, porém, o caminho que conduziu ao estabelecimento desses sindicatos agrícolas, cuja progressão e sucesso, ao bulir com os interesses de alguns comerciantes e políticos locais, suscitou, da parte destes, violenta e impiedosa reacção. Nas Flores, proibiram-se, então, reuniões aos cooperativistas, mandou-se a tropa fiscalizar outras, fizeram-se ameaças e esperas em caminhos mal frequentados, recusaram-se arrendamentos de terras aos associados e renunciaram-se outros contratos.

Em 1920, as autoridades locais proibiram mesmo a exportação para Lisboa de gado e de manteiga dos sindicatos, os quais chegaram a ter em armazém, com o inerente risco da sua fácil deterioração, cerca de 30 toneladas deste produto. A situação, deveras calamitosa, foi exposta ao Alto-Comissário do Governo nos Açores que prontamente fez deslocar às Flores o navio Granja para escoá-los.

Num embarque clandestino, que haveria de valer depois multas de 400$00 a cada barco e respectivo mestre, o navio carregou então 430 cabeças de gado e 32 toneladas de manteiga, mas, a instâncias das autoridades da ilha, logo, em sua perseguição, foi mandado sair do porto da Horta uma canhoneira de guerra. Valeu ao movimento cooperativista a circunstância de o navio Granja se ter apressado em arribar à Calheta de S. Jorge, onde procedeu à legalização do despacho alfandegário.

Em Santa Cruz das Flores, a fábrica do movimento cooperativista foi também assaltada pela guarda republicana, preso o seu funcionário, feitas buscas às casas de alguns associados e arrematada em hasta pública a manteiga ali apreendida nessas rusgas. A própria exportação de gado foi igualmente condicionada a autorização do administrador do concelho, filho do mandante político local.

Poucos meses depois de o padre Mota ter denunciado, num extenso relatório que enviou ao Governo da Nação, essas arbitrariedades acabaram sendo demitidos das suas funções o juiz e o delegado do procurador na Comarca das Flores.

 

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A ROUPA QUE VESTIAM OS NOSSOS ANTEPASSADOS

Terça-feira, 16.08.16

A maneira de vestir, noutros tempos das gentes açorianas, sobretudo das freguesias, não variaria muito de ilha para ilha. Seria muito parecida. Por isso a descrição que o escritor picoense Dias de Melo faz nalguns dos seus livros da maneira de vestir das gentes do Pico é muito próxima, para não dizer igual à da ilha das Flores e, consequentemente da Fajã Grande. Segundo aquele escritor, natural da freguesia da Calheta do Nesquim, ilha do Pico, através do retrato que faz em Mar Rubro da Mariquinhas, mulher de António Pequeno, a maneira de vestir de outrora na ilha do Pico e, consequentemente, nas Flores, era a seguinte: «Era uma velhinha morena, alta, delgada, vestida à moda de outros tempos: uma saia de lã caída até aos tornozelos, uma blusa de chita ajustada ao peito, um lenço escuro que, amarrotado por baixo do queixo, lhe emoldurava o rosto simpático». Por sua vez em Pedras Negras onde refere que a mãe de Francisco Marroco usa xaile cuja lã de que é feito ela própria fia e tece assim como a das roupas que vestem os seus familiares, sendo tudo isto feito ao serão na companhia de outras mulheres que se juntam em casas umas das outras, passando as a fiar, a cardar, a tecer a lã e a fazer meias e sueras. No mesmo livro ainda refere que a viúva de João Peixe-Rei veste «roupa miserável», e que ela e o filho «não têm roupa que vistam p'ra virem à festa» do Espírito Santo.” Segundo Dias de Melo a emigração teve grande influência no que à maneira de vestir dos picoenses diz respeito: «Todas aquelas roupas, e todos aqueles enfeites, todos aqueles luxos dos velhos e de Maria que usam na festa, tinham sido trazidos da América». Dias de Melo de facto, refere-se frequentemente à roupa da América e o jeito que dava, uma vez arranjada, a quem não tinha posses para a comprar nova. Assim, declara que ele próprio, «… vestia um fato vindo da América, de fazenda de lã muito espessa, nunca menos de dois milímetros de espessura, uma suera também de lã e também espessíssima, fizera-ma minha Mãe, por cima de todas estas vestimentas enrodilhava-me um sobretudo, igualmente de fazenda de lã e igualmente vindo da América.» Curioso também é a descrição do conjunto de peças de roupa que um amigo do autor distribuiu pela família quando chegou da América com um baú recheado de prendas: «Aqui tá, oh yes, esta vestimenta inteira para vós, minha mãe, estes alvarozes e este sute para vós, mê pai, e este pra ti, mê irmão, e mais este naitigão pra ti, irmã, pra vós, minha avó, esta mantilha e este xaile de seda, pra vós, mê avô, este alvacoto para vos aquecerdes no Inverno, pra ti, mê primo, esta froca  de angrim do bom». Mas «também havia os que vestiam pela Festa fatiotas novas «feitas, os fatos de casimira, preta ou azul, dos homens do alfaiate, os vestidos das mulheres nas costureiras do lugar, naquela quadra não tinham mãos a medir»

O calçado do dia-a-dia, segundo Dias de Melo, resumia-se nesses tempos recuados e de pobreza e miséria, para além das albarcas que tanto podem ser feita de coiro de boi ou de porco como de enjarroba, e que se podiam substituir pelos sapatos de pele de cabra nas Flores, segundo Dias de melo passava pelos tamancos de cepos de cedro e os coturnos de coiro atanado. Quanto a chapéus, encontra-se uma referência em Aquém e Além Canal ao «abeiro de palha» de Alfredo Saca, mestre duma lancha que fazia a ligação entre a vila da Madalena e a cidade da Horta. Acrescente-se que na Fajã Grande era muito frequente o uso de galochas e botas de enjarroba, estas sobretudo para ceifar erva nas lagoas-

 

NB – Alguns destes dados assim como todas as transcrições foram retirados da Net.

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A POPULAÇÃO DO CONCELHO DAS LAJES

Sexta-feira, 03.06.16

O Concelho das Lajes das Flores é, talvez, o concelho açoriano em que, nos últimos tempos, a diminuição da população em sido maior, devido ao seu acentuado envelhecimento e, sobretudo à emigração. A Fajã Grande, a freguesia mais distante da sede de concelho, não fugiu à regra, sendo uma das maiores vítimas desta diminuição. Outrora com quase mil habitantes, hoje não ultrapassa os 200.

O concelho das Lajes, tem uma densidade populacional na ordem dos 21,58 habitantes por km2, o que significa sensivelmente um quinto da média dos Açores. Além disso o concelho perdeu, desde as décadas de cinquenta e sessenta do século passado, o estatuto, que desde sempre detivera na ilha das Flores, de concelho mais populoso, tendo sido, inexorável e definitivamente, ultrapassado pelo de Santa Cruz. Em 1864, por altura do primeiro censo realizado na ilha, o concelho possuía 5865 habitantes. No primeiro censo realizado no início do século XX tinha 4498 habitantes e no primeiro realizado neste século possuía apenas 1.502 habitantes, assim distribuídos:540 nas Lajes, 278 na Fazenda, 225 na Fajã Grande, 197 na Lomba, 107 no Lajedo, 105 na Fajãzinha e 50 no Mosteiro. Em 2011 estes valores estabilizaram. De uma análise mais pormenorizada destes números, pode concluir-se que no último meio século, contínua – curva descendente da sua população, e podem ser vistos igualmente como o prenúncio do desaparecimento próximo de algumas pequenas comunidades, a exemplo do que já sucedeu, no último quartel do século XX, com os lugares da Cuada, que nos seus tempos áureos chegou a ter mais de uma centena e meia de almas, e da Caldeira do Mosteiro.

Com uma superfície de 69,59 km2, o concelho de Lajes das Flores terá conhecido a sua população máxima nos já distantes meados do século XIX com uma população de quase seis mil habitantes. Daí para cá, porém, a sua população tem sofrido uma diminuição galopante e gradual, sendo que a década de 1950 fica, para já, a marcar o início de uma viragem sem retorno previsível – 5.865 habitantes em 1864, 5.369 em 1878, 4.999 em 1890, 4.498 em 1900, 3.991 em 1911, 3.518 em 1920, 3.508 em 1930, 3.780 em 1940, 4.041 em 1950, 3.376 em 1960, 2.486 em 1970, 1.896 em 1981, 1.701 em 1991 e 1.502 em 2001.

Os estudiosos e analistas entendem que a principal causa deste acentuado decréscimo populacional terá sido incontestavelmente a emigração para os Estados Unidos. A debandada migratória ter-se-á iniciado na altura em que os primeiros florentinos se lançaram na tentativa de alcançar o El Dourado, partindo a bordo das baleeiras americanas que na ilha habitualmente faziam escala para adquirir produtos frescos, se abastecer de água nas ribeiras e substituir ou reforçar de tripulantes. Mas o grande decréscimo populacional da ilha terá ocorrido no último quartel do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX, épocas em que a emigração florentina atingiu proporções nunca antes vistas. Segundo relatos da imprensa, em 1883 o vapor Açoriano chegou a Boston com duas centenas de florentinos e, na primavera seguinte, também o lugre Paladin e as barcas Sarah e Verónica desembarcam naquela cidade e em New Bedford uma centena acrescida de emigrados saídos das Flores. Em Maio de 1889, a logra Mary Frazier zarpou da ilha para Boston com nada menos de 200 passageiros, viagem que repetiria dois meses depois, tal como o patacho Rival, ambos cheios de emigrantes. E sob o título “Escravatura Branca”, um jornal local noticiava em Maio de 1891 que a barca Sarah saíra, naquele mês, para Boston abarrotada de passageiros clandestinos, ou escravatura branca, como lhe chama o próprio capitão” 15, pois só três dos embarcados possuíam passaporte. Até há poucos anos só emigravam alguns mancebos sujeitos ao recrutamento (...) mas hoje abandonam a ilha famílias inteiras sem distinção de idades nem de sexos”, escrevia o mesmo jornal, adiantando que a emigração “vai tomando proporções assustadoras”, tanto mais que a autoridade “não só deixa embarcar os naturais da ilha, mas ainda aqueles que, não podendo embarcar nas suas terras, vêm aqui para mais livremente seguir o seu destino”

Hoje sabe-se que na viragem do século XIX para o XX já eram mais de quinhentos, na ilha, os americanos regressados à terra-mãe, à condição de pequenos proprietários, graças às águias amealhadas nas longínquas Califórnias de Abundância, referidas por Pedro da Silveira, num dos seus poemas.

NB – Dados retirados da net.

 

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APELIDOS USADOS NA FAJÃZINHA DAS FLORES NOS SÉCULOS XVIII E XIX (2)

Domingo, 01.11.15

António Rodrigues Pilra, Manuel Ciciro, Maria de Freitas Beca, Maria Rodrigues Formiga, Francisco Dias Rossos, Manuel Dias Pastor, António Rodrigues Rapona, João Rodrigues Escrivão, Francisco de Freitas Galo, Manuel Furtado Moleiro, António Furtado Almança, Manuel Rodrigues Piloto, Francisco Pimentel Farrobo, João Rodrigues Repenicado, João de Freitas Alegre, António de Freitas Carritel, Manuel de Freitas Maleiro, Manuel Pimentel Guiné, Manuel Rodrigues Fariz, João Rodrigues Peleas, António de Freitas Capom, José Rodrigues Glandez, Manuel Furtado Canine, João Rodrigues Pelcas, Manuel Freitas Cabeleira, Manuel de Freitas Pereirinha, Francisco Furtado Beleguim, Manuel Furtado Incenso, Maria de Freitas Ralhona, José Pimentel Xanfana, José de Freitas Areeiro, João de Freitas Brilha, António Valadão Mestre, José António Engeitado, Manuel Jorge Bixo, João António Favela, Maria Mija, Manuel Inácio Mangalasa, João Rodrigues Rigor, Francisco José Cachaço, Trincão, Rita Capona, Isabel Cabaz, Ana de Treitas Foladeira, José de Freitas Barrocas, José Rodrigues Baziga, Maria de Freitas Ratinha, Francisco José Caixacinho, João Coelho Sabina, Manuel de Freitas Beco, Francisco António Coqueiro, Dionísio José de Freitas Rolhão, Manuel Caetano Marrecas, José Pimentel Queimado, Maria Rabadoz, Maria Rodrigues Cassaia, Ana de Freitas Faladeira, OVILHEIRO, Ana de Jesus Ovilheiro, Maria de Jesus Frexa, Francisco Xixarro.

Fonte – F. A, Pimentel Gomes, A Ilha das Flores – Da Redescoberta à actualidade.

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A BATARIA DA ALAGOA

Terça-feira, 06.10.15

Por bateria ou bataria como se dizia nas Flores, entende-se um agrupamento de bocas-de-fogo ou de outros sistemas de armas de artilharia, no caso das Flores localizado à beira-mar, nos chamados fortes, situados num lugar estratégico, com um comandante à frente e com posições de tiro próximas.

Segundo os Anais do Município das Lajes das Flores, no século XIX existiram nas Flores vinte e três fortes, estando quatro deles localizados na Fajã Grande: Estaleiro, Castelhana, Vale do Linho e Castelo da Ponta. Cuida-se, no entanto, sobretudo devido a ausência de vestígios dos mesmos que alguns destes fortes seriam simples casas da guarda. O seu objetivo principal era defender a ilha dos frequentes ataques dos piratas.

Um dos mais importantes fortes da ilha das Flores era a Bataria da Alagoa localizado na baía da Alagoa, freguesia dos Cedros, concelho de Santa Cruz, destinado vigiar e defender grande parte da costa nordeste da ilha das Flores e, indiretamente o Corvo, onde existiam apenas quatro fortes. Em posição dominante sobre um grande trecho do litoral, o Forte da Alagoa constituiu-se em uma bateria destinada à defesa do ancoradouro ali existente contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

Pouco se sabe da sua história como aliás de quase todos os outros. Apesar de tudo, deste existe alçado e planta, com o título "Bateria da Alagoa", de autoria do sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros, José Rodrigo de Almeida (1822). A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 refere-o como "Posto da Praia da Freguesia dos Cedros", informando que "Tem uma pequena casa arruinada" e acrescenta: "Não existem vestígios de fortificação."

Assim se conclui que nem sequer vestígios da sua estrutura chegaram até aos nossos dias.

Recorde-se que nesta zona da e do lado da freguesia dos cedros que faz fronteira com a de Ponta Delgada ainda existiam os fortes da Volta da Rocha, Carregadouro da Fajã da Gata e Barrosas.

 

NB - Dados retirados de F. A. Pimentel Gomes, inA Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História) (1997; 2.ª edição, revista e ampliada, em 2003) e de Marinha de Guerra Portuguesa, Fortes e Fortalezas de Costa - Atlântico - Açores X

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publicado por picodavigia2 às 19:48

DESCOBRIR O CONCELHO DAS LAJES DAS FLORES

Quarta-feira, 22.07.15

Paisagens únicas marcadas pelo vulcanismo, trilhos excêntricos e históricos, baías encantadoras, rochas repletas de quedas de água, poços e lagoas deslumbrantes, zonas balneares convidativas e gastronomia de excelência são algumas das experiências que poderá desfrutar durante uma visita ao concelho de Lajes das Flores.

A Festa do Emigrante poderá também constituir uma oportunidade para descobrir o concelho das Lajes, na ponta mais ocidental da Europa. Neste concelho rico em belezas naturais podem apreciar-se paisagens únicas onde existe uma grande abundância de lagoas, quedas de água, formações rochosas e florestas.

Entre as belezas naturais, sobressaem as sete lagoas deste concelho: Lagoa Negra, Branca, Seca, Rasa, Comprida, Lomba e Funda.

Também neste concelho se encontra o ex-líbris da ilha: a Rocha dos Bordões, um monumento natural regional de invulgar beleza caracterizado por um fenómeno de disjunção prismática na rocha basáltica. Este fenómeno também poderá ser observado na Rocha dos Frades.

Já o Poço da Alagoinha, na Ribeira do Ferreiro, um dos cenários mais magníficos e exuberantes da paisagem açoriana, o visitante desfruta de um conjunto de cascatas que descem uma falésia alta e abrupta, terminando numa lagoa.

O Poço do Bacalhau é uma queda de água com aproximadamente 90 metros de altura. As águas acumulam-se formando num poço natural que convida a um mergulho, podendo assim ser usada para a prática balnear.

O Ilhéu do Monchique é o ponto mais ocidental da Europa, sendo que nos tempos da navegação astronómica servia de ponto de referência para acertar as rotas e verificar os instrumentos de navegação.

O mar está também omnipresente neste concelho garantindo vistas fantásticas e também a ida a banhos. Com este propósito as zonas balneares do concelho, além permitirem a prática balnear sobretudo nos meses de Verão, em que a temperatura das águas são bastante amenas, estão dotadas com várias zonas de lazer.

Assim poderá desfrutar da praia da Calheta, pequena praia de areal preto na baía das Lajes; das piscinas naturais da Fajã Grande, situadas na marginal da Fajã Grande estão rodeadas por um cenário pacífico e relaxante, apenas com o azul do mar a contrastar com as rochas escuras; e a zona balnear da Fajã Grande, um dos espaços mais procurados da ilha durante a época balnear, com uma beleza envolvente inigualável, tem vista para a cascata do Poço do Bacalhau.

Já para quem gosta do aspeto cultural, pode optar por visitar os museus, os moinhos ou as igrejas deste concelho.

Sendo a gastronomia açoriana um dos maiores patrimónios regionais, numa visita ao concelho de Lajes das Flores não pode deixar de experimentar a sua cozinha com pratos diversificados e bastante apreciados. Assim a gastronomia tradicional do concelho é muito marcada pelos produtos obtidos do porco, destacando-se os pratos de linguiça com inhame, o cozido de porco, o feijão assado e a morcela. Outros pratos típicos são os molhos de dobrada e a sopa de agrião.

Do mar destacam-se as tortas de algas marinhas, conhecidas localmente por erva patinha ou erva do calhau, as lapas e a caldeirada de peixe.

Outro prato muito característico são as tradicionais Sopas de Espírito Santo, que integram a ementa da Festa do Espírito Santo, sendo habitualmente confecionadas entre o domingo de Pentecostes e Outubro.

Os queijos tradicionais da queijaria da Fajãzinha e da Cooperativa Ocidental, as filhós e a massa sovada, são também algumas das iguarias que poderá saborear.

Nas Lajes existem bons restaurantes e snack-bares com destaque para o Snack - Bar "Rigoson" o "Beira Mar" e o Snack - Bar "Sport Marítimo Lajense”. Nas freguesias da Fazenda, Fajãzinha e Fajã Grande também existem restaurantes de excelente qualidade. Na Festa do Emigrante, realizada por estes dias, na Vila das Lajes e em que participam todas as freguesias do concelho, também há muitos espaços de comes-e-bebes.

Para dormir o concelho das Lajes reúne uma oferta variada, podendo hospedar-se em alojamentos locais, de habitação, ou rurais muito bem enquadrados com o meio ambiente que o rodeia.

Segundo a autarquia os locais do concelho mais procurados são as Lajes e Fajã Grande, dada a sua proximidade com o mar, mas como alertam dada a existência de uma rede rodoviária totalmente recuperada e em perfeitas condições de circulação, rapidamente se chega a qualquer local da ilha.

Já se optar por acampar também existem zonas para esta opção. Para tal durante o período da Festa do Emigrante, a Câmara Municipal vai disponibilizar um parque improvisado junto do recinto das festas.

 

NB - Dados retirados do suplemento especial do jornal «Açoriano Oriental» e do Fórum ilha das Flores.

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A ÁGUA QUENTE DA COSTA

Sábado, 20.06.15

A Costa do Lajedo era, na década de cinquenta, um dos poucos lugares habitados da ilha das Flores e que não eram sede de freguesia ou curato. Os outros eram: a Cuada na Fajã Grande, a Caldeira, no Mosteiro, o Campanário no Lajedo e a Ponta Ruiva nos Cedros. Os curatos eram dois: a Fazenda de Santa Cruz e a Ponta da Fajã Grande. Atualmente apenas a Costa e a Ponta Ruiva são lugares onde existem residentes permanentes. Outros, como a Cuada, transformaram-se em resorts. 

A Costa de outrora era um pequeno local que, apesar de atapetado de férteis terrenos agrícolas e povoado de umas quantas moradias, ficava quase perdido entre o verde das florestas e das pastagens, situado no sudoeste da Ilha das Flores, pertencente à freguesia do Lajedo e ao concelho das Lajes. Tratava-se de um lugar fresco, maravilhoso e idílico, uma espécie de paraíso debruçado sobre o oceano, onde as arribas eram recortadas entre fios ou mantas de nevoeiro, Um vale muito verde e muito fértil. O lugar é constituído, na sua essência, por um extenso vale de terras de lavradio, algumas pastagens e por várias casas. No século XIX, a Costa, era, em grande parte, propriedade do 1.º Barão da Costa, Manuel Pedro Furtado de Almeida, e que depois recebeu o título de Visconde do Vale da Costa, e que casara com Jessie Mackay, filha do Dr. James Mackey, um escocês que foi o primeiro médico das Flores. Durante uma viagem parou nas Flores e ficou tão encantado com a ilha e com as suas gentes que, anos depois, veio com sua mulher Ana Hart, fixar-se ali, onde foi médico e vice-cônsul britânico, e aonde constituiu família. Ali faleceu, deixou filhos e prédios, e está sepultado com a mulher no cemitério de Santa Cruz, em cuja campa consta uma lápide que sintetiza a sua história e a história de sua mulher. A filha Jessie casou com o Visconde da Costa, enquanto o filho James Mackey se tornou num dos maiores empresários em Santa Cruz, onde foi agente de diversas empresas portuguesas e inglesas e também vice-cônsul de Sua Majestade Britânica e delegado do Consulado Geral americano e até importante benemérito. (Cf Susana Garcia in Tribuna das Ilhas)

A Costa, ontem como hoje, é um lugar rico em terrenos aráveis e chegou a notabilizar-se pela sua excelente produção cerealífera. Entre as suas interessantes construções, todas elas casas de habitação e palheiros, destaca-se a Casa do Espírito Santo em forma de ermida, construída em 1893. Na Costa, como aliás em muitos outos lugares das Flores, parece esboçar-se atualmente um regresso de antigos emigrantes, agora aposentados, e até de pessoas de outros países, franceses, alemães, que recuperam casas abandonadas ou constroem novas para lá passarem o verão. Para além de se notabilizar pela excentricidade da sua beleza, pela frescura dos seus recantos e pelo enigmático silêncio que a envolve, a Costa do Lajedo tornou-se conhecida por dois outros motivos. Por ter sido nas suas costas que naufragou, no início do século XX, o Slavónia num dos maiores naufrágios acontecidos nas Flores e por nos seus rochedos, sobranceiros ao mar que a rodeia, existir uma nascente de água quente, a única nascente de água termal conhecida da ilha das Flores. A sua localização, por terra, antigamente, era de difícil acesso e, por mar, obrigava a ter que percorrer grandes distâncias de barco e a subir uma escalada muito íngreme e perigosa. É verdade que a vereda de acesso por terra, apesar de pouco transitável implicava uma admirável vista percorrendo-se um percurso de extraordinária beleza que passa frente ao ilhéu de Barro, pela rocha do Barreiro, onde, em durante anos se extraíu argila usada nos telhais da ilha, pelo ilhéu da Greta e pelo grande rochedo do Forcado. Na Fajã Grande, na década de cinquenta, considerava-se esta água milagrosa na cura do reumatismo e de algumas doenças cutâneas. A sua temperatura é tão elevada que permite cozer peixe ou lapas, que adquirem um sabor único, devido ao facto da água estar numa nascente que o mar cobre, por vezes, em ocasiões de maré-cheia,

O historiador florentino Padre Camões, na sua obra, “Coisas notáveis que há na ilha”, refere ele que “junto ao mar (no lugar da Costa), e ao pé de uma rocha que terá de 20 a 25 braças de altura, há uma fonte de água muito quente que tem uma virtude eficacíssima para todas as moléstias cutâneas. A água é quente em tal grau que, lançando-se-lhe um pequeno peixe, coze-o em poucos minutos; deitando-se-lhe lapas, ou qualquer outro marisco de concha, descasca-os imediatamente. Nota-se-lhe uma particularidade, que tomada em bochechas, só nos beiços se lhe percebe a quentura; no mesmo modo ninguém permanece com as mãos dentro dela. Só com muita bonança se pode ir junto dela de barco, e por terra é muito difícil a descida da rocha; pelo menos homens calçados não descem lá, só se temerários” .

Água Quente da Costa, uma riqueza da ilha das Flores que parece nunca rer sido aproveitada da melhor forma e como merecia.

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publicado por picodavigia2 às 07:21

JACOB TOMAZ

Quinta-feira, 12.03.15

Jacob Tomaz, a nível cultural, foi um dos mais ilustres florentinos. Nasceu na freguesia da Fazenda, concelho de Lajes, em 25 de Junho de 1922. Mas visitava a Fajã Grande com muita frequência. Faleceu em 19 de Março de 1999 num hospital de Fresno, Califórnia, cidade para onde emigrara em 1972.

Era filho de Mariano Tomaz Pereira e de Maria José Jeremias Tomaz Pereira. Descendia de ilustres famílias florentinas de origem nórdica, de cuja linhagem se orgulhava.

Na escola da fazenda fez a instrução primária com excelente aproveitamento, após o que seguiu para as cidades da Horta e de Ponta Delgada, onde concluiu o Curso Geral dos Liceus. Aí foi um aluno brilhante, tendo suspendido o ensino para prestar Serviço Militar, em Tavira. Regressado à ilha das Flores, desempenhou profissionalmente na vila das Lajes, durante vários anos, o cargo de Despachante Oficial da Alfândega da Horta e, mais tarde, o de solicitador judicial da Comarca das Flores. Foi um dos fundadores e proprietários da Drogaria Florentina, nas Lajes. Essa empresa, para além de perfumaria e drogaria, vendia medicamentos, sob a responsabilidade dos médicos municipais, servindo assim as populações das freguesias limítrofes, numa altura em que apenas havia uma farmácia na vila de Santa Cruz.

Mas foi como intelectual e investigador histórico que Jacob Tomaz se distinguiu, fazendo então importantes relacionamentos nessas áreas. Foi o grande obreiro da edição dos “Anais do Município de Lajes das Flores”, conjuntamente com Pedro da Silveira, em 1970. Nela foram inseridos importantes estudos históricos sobre o concelho das Lajes das Flores. Jacob Tomaz colaborou com Armando Cortes-Rodrigues na recolha de folclore florentino para o Cancioneiro Geral dos Açores, bem como com outros investigadores que se interessavam pelos assuntos florentinos, designadamente com o Tenente Coronel José Agostinho, na pesquisa de aves, plantas, rochas e outros assuntos de interesse histórico das Flores. Além disso, recolheu músicas e textos do folclore florentino, gravando vários números, nomeadamente o que Maria Antónia Esteves introduziu no seu disco Canto do Prisioneiro, relativo à música tradicional açoriana.

Durante a sua vida colaborou em vários jornais, com artigos sobre os mais variados temas, sobretudo de interesse histórico e cultural, designadamente no Jornal de Tavira, Correio dos Açores, Diário Insular, Diário de Notícias, Correio da Horta, O Telégrafo, As Flores, A Ilha e Portugal Madeira e Açores.

Foi durante vários anos presidente da Direcção da Cooperativa de Lacticínios Senhor Santo Cristo dos Milagres da Fazenda das Lajes, Presidente da Comissão Concelhia de Assistência de Lajes das Flores, Provedor da Santa Casa da Misericórdia, vereador da Câmara Municipal de Lajes das Flores, onde desempenhou as funções de Vice-Presidente, durante o primeiro mandato da Presidência de José de Freitas Silva, iniciado em 1948.

Em 1972 abandonou a ilha das Flores e partiu para os EUA, onde fixou residência na cidade do Fresno, Califórnia. Contava já 50 anos de idade. Aí, depois de passar por serviços vulgares na indústria hoteleira, trabalhou numa repartição de finanças públicas, onde tinha por funções o controlo das declarações de impostos. Apesar de viver longe da sua terra natal, continuava intimamente ligado e apaixonado pela investigação histórica açoriana, designadamente pela da sua querida ilha das Flores. Durante a sua vida sempre se dedicou â recolha e guarda de objetos antigos e de valor histórico, tais como imagens, louças, selos, livros, moedas, medalhas e marfins ou scrimshaws

Em 1988, doou ao Governo Regional dos Açores 31 scrimshaws, a maior coleção privada da especialidade e que, atualmente, se encontra no Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico e que possui grande valor histórico.

Jacob Tomaz distinguiu-se, sobretudo, como investigador histórico de elevado mérito, e era dotado de privilegiada inteligência e possuidor de elevada cultura.

 

NB – Dados retirados do Jornal Tribuna das Ilhaspessoas

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publicado por picodavigia2 às 09:32

QUINHENTOS ANOS DA PARÓQUIA E DO CONCELHO DAS LAJES

Sábado, 21.02.15

O povoamento da atual vila das Lajes das Flores terá começado no primeiro decénio de Quinhentos, à volta de uma pequena Ermida em louvor do Espírito Santo, que, segundo alguns relatos históricos, estaria localizada “ao sair do porto, que é uma calheta em que abicam barcos”. No entanto, as frequentes investidas e ataques da pirataria obrigaram a população a afastar-se do porto e de próximo do mar, deslocando-se para um local mais afastado e onde foi construída uma nova igreja, a primitiva matriz das Lajes, conhecia por Igreja das Sete Capelas, no local onde se situa atualmente o cemitério. Sabe-se, todavia, que a paróquia já era de invocação a Nossa Senhora do Rosário em meados do século XVII, e que entre 1763 e 1783 terá sido construída a atual igreja matriz, Consta que em 1587 as Lajes das Flores já teria cerca de 300 habitantes e, em finais de Seiscentos cerca de 1.200, sendo então considerada o maior centro populacional da ilha. Em finais do século XVII a paróquia das Lajes das Flores desmembrou-se, isto é dividiu-se originando outras paróquias. Desse primeiro desmembramento surgem duas novas paróquias, uma de invocação a Nossa Senhora dos Remédios, nas Fajãs, em 1676, outra em louvor de São Caetano, na Lomba, provavelmente em 1698. Por duas vezes mais, as Lajes das Flores volta a ser alvo de desanexações, daí resultando a criação das paróquias de Nossa Senhora dos Milagres, no Lajedo, em 1823, e do Senhor Santo Cristo, na Fazenda, em 1959, sendo, sendo esta já freguesia desde 1919

Entretanto, nas Fajãs cuja extensíssima paróquia englobava, desde 1676, os lugares da Ponta, Fajã Grande, Cuada, Fajãzinha, sede da freguesia, Caldeira e Mosteiro e ainda alguns lugares então habitados, a Fajã dos Valadões, a Ribeira da Lapa, o Pico Redondo e os Pentes, todos hoje abandonados, dá-se idêntico fenómeno, à entrada da segunda metade do século XIX, com a ereção das paróquias da Santíssima Trindade, no Mosteiro, em 1850, e de São José, na Fajã Grande, em 1861.

Sabe-se também que as Lajes da Flores já era vila, em 1515, ou seja há quinhentos anos. A primeira alteração à delimitação do concelho terá ocorrido em 1676, na sequência da criação, na costa Oeste da ilha, da paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, nas Fajãs. Nessa data, com efeito, o lugar da Ponta, até então pertencente à freguesia de Ponta Delgada, termo da vila de Santa Cruz das Flores, foi desanexado daquela e passou a integrar, em definitivo, a segunda mais antiga paróquia do concelho de Lajes das Flores, com sede na Fajãzinha.

A mudança imediata na linha que divide os dois concelhos da ilha ocorreu também na costa Leste, em 1757, quando o bispo frei Valério do Sacramento decidiu desanexar a povoação da Caveira da Matriz de Santa Cruz das Flores e integrá-la na paróquia de São Caetano do lugar da Lomba, pertencente ao concelho de Lajes das Flores. A medida, que somente vigorou até 1833, data da independência administrativa da Caveira como paróquia, teve como justificação a conveniência, tanto espiritual como corporal, dos habitantes desta pequena povoação, os quais ficavam mais próximos, e com bem melhores caminhos, da Igreja de São Caetano do que da Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Santa Cruz.

Se a Rocha do Risco, a Oeste, e a Ribeira da Silva, a Leste, depressa acabaram por se impor como marcos naturais na demarcação entre os dois concelhos, já o mesmo não sucedeu no interior da ilha, onde, com alguma frequência, se entrecruzaram os interesses das duas câmaras que entre si disputavam mais baldios e logradouros que pudessem arrendar, e o dos cobradores das rendas do real Fisco que, no entender daquelas, persistiam, de forma abusiva, em cobrar dízimos e rendas de terras que a tais encargos não estavam obrigadas. Anos depois as duas câmaras municipais voltaram a desentenderem-se por causa da interpretação da linha divisória dos concelhos, mais concretamente quando a câmara de Santa Cruz resolveu arrendar a Caldeira Seca, que a edilidade lajense reclamava como sua pertença.

O concelho de Lajes das Flores foi temporariamente suprimido, com a consequente anexação dos seus serviços ao de Santa Cruz das Flores, entre 1895 e 1898.

Assim neste ano de 2015 o concelho de Lajes das Flores comemora cinco séculos da sua fundação. A Câmara Municipal das Lajes realizou ontem, dia 20 de Fevereiro, pelas 20 horas, no Museu Municipal, uma sessão solene que assinalou o início das comemorações desta efeméride. Estão a decorrer igualmente este ano as comemorações dos 500 anos da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, pelo que as celebrações destas importantes datas serão efetuadas em conjunto. As comemorações estendem-se ao longo do ano com um conjunto de eventos a serem realizados envolvendo diversas entidades, organizações e coletividades do concelho das Lajes, dignos desta importante efeméride e que permitam prestigiar o município lajense.

 

NB – Dados retirados da Net e Forum Ilha das Flores

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O SAQUE DA MADRE DE DEUS

Sábado, 25.10.14

A nau portuguesa Madre de Deus foi o maior navio do mundo no seu tempo. Tinha 50 metros de comprimento e 14,5 de largura, pesava 700 toneladas e possuía capacidade para transportar 900 toneladas de carga. Dispunha de 7 conveses, estava equipada com 32 canhões e a sua tripulação variava entre os 600 e os 700 homens. Uma obra monumental, o orgulho da coroa portuguesa, na altura. Fora construída na Ribeira das Naus, em Lisboa, em 1589 e destinava-se a fazer a Carreira da Índia. Em agosto de 1592, quando viajava com destino a Lisboa, na sua viagem de regresso da Índia, carregada de valiosíssimas mercadorias, foi atacada e capturada por uma frota inglesa, composta por seis navios, na baía de Santa Cruz, na ilha das Flores. A captura da Madre de Deus pelos piratas ingleses, constituiu um dos maiores saques da História.

Sabe-se que nessa viagem, a Madre de Deus, transportava um valiosíssimo pecúlio. Entre as várias riquezas trazidas a bordo, contavam-se baús cheios de pérolas e joias preciosas, moedas de ouro e prata, âmbar, rolos de tecido da mais alta qualidade, tapeçaria diversa, 425 toneladas de pimenta, 45 toneladas de cravo-da-Índia, 35 toneladas de canela, 25 toneladas de cochonilha, 15 toneladas de ébano, 3 toneladas de noz-moscada e 2,5 toneladas de benjamim (uma resina aromática usada em perfumes e medicamentos). A bordo da Madre de Deus havia ainda incenso, sedas, damasco, tecido de ouro, porcelana chinesa, presas de elefante entre outros artigos. Mas o mais precioso tesouro que a Madre de Deus transportava e os ingleses haviam adquirido, era um documento impresso em Macau, em 1590, que continha informações preciosas sobre o comércio português na China e no Japão e que vinha muito escondido, pois estava fechado numa caixa de cedro, enrolado 100 vezes por um fino tecido, oriundo de Calecute.

A frota atacante inglesa, violando acordos anteriormente estabelecidos, entre Portugal e Inglaterra, era liderada pelo Comandante Sir John Burrough, ancorou, alguns dias antes, ao largo das Flores, à espera de caçar navios mercantes espanhóis que vinham das Américas com mercadorias várias, e que paravam na ilha para se abastecerem de água e víveres. Por azar, surgiu, inesperadamente, a Madre de Deus que regressava da sua segunda viagem da Índia e os ingleses, não hesitaram, capturando-a como se fosse um navio espanhol, atendendo a que, nessa altura Portugal era governado por um monarca espanhol. Os ingleses atacaram, massivamente, a Madre Deus, assaltaram, roubaram e, sob ameaça de tortura, conseguiram também obter a informação de que havia mais naus a caminho, vindas da Índia. Após um longo dia de batalha vários marinheiros portugueses perderam a vida, os conveses ficaram cheios de sangue e havia corpos dos marinheiros espalhados um pouco por todo o navio. O comandante inglês, no entanto, poupou a vida do capitão português Fernão de Mendonça Furtado, assim como as dos feridos, enviando-os para a ilha, onde foram recebidos e tratados

Segundo o uso na época, quando um navio fosse capturado, procedia-se ao transbordo da carga e o navio apresado era incendiado e afundado. Contudo, os corsários ingleses ficaram tão impressionados com a espetacularidade e excelência da Madre de Deus que resolveram rebocá-la para Inglaterra.

A ilha das Flores ficou assim na história. É claro que devido a um triste acontecimento, uma vez que testemunhou aquele que constituía ao tempo um dos maiores saques da História.

 

NB - Dados retirados do Site da Marinha Portuguesa.

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O CEDRO

Quinta-feira, 02.10.14

O cedro era uma das árvores mais comuns na ilha das Flores, não apenas nos matos da Fajã Grande mas também por quase toda a ilha, tendo, inclusivamente, dado origem ao nome de uma das suas onze freguesias da ilha. Era sobretudo nas zonas da Água Branca, Burrinha, Pontas Brancas, Morro Alto e muitas outras que proliferava o cedro, perfumando os ares com os aromas das suas flores, pintando a paisagem com o verde das suas folhas e o castanho, revestindo rochedos e ravinas, cobrindo a ilha de uma inabalável beleza e de uma inebriante rigidez. Ontem como hoje o cedro, inclusive a nível mundial, é considerado uma das árvores mais bela, mais graciosa e de grande desenvolvimento, em quase todas as regiões do universo. A sua utilidade prende-se, especialmente, com a qualidade da sua madeira e do seu fácil desenvolvimento, como árvore de grande porte, podendo atingir cerca de 30 metros de altura. As suas flores são brancas e originam um fruto muito característico, as bagas que apenas tem utilidade de embelezamento. Pelo contrário, a sua madeira, para além de um delicioso cheiro, tem grande utilidade, sendo empregada em trabalhos de marcenaria de luxo e obras de entalhe, assim como na construção naval. Na Fajã era muito utilizada em móveis e utensílios agrícolas, sobretudo cangas, rodas de carros e rabiças de arados, devido à forma, por vezes sinuosa, do seu tronco bem como pela sua rigidez. Também muitas imagens religiosas e não só são esculpidas em cedro. Os charutos são envolvidos numa película finíssima de cedro, para tomar-lhe o aroma, e as caixas que os contém são confecionadas com esta madeira. O cedro ainda tem uma outra importante utilidade industrial, porquanto uma parte da sua madeira, submetido à destilação, fornece óleo – óleo de cedro. A bíblia refere com religiosidade os cedros do Líbano. Infelizmente, a ilha das Flores, em termos de exportação, nunca beneficiou tanto quanto era de esperar da sua riqueza em cedros, exportando-os. No entanto há relatos de que as Flores terá exportado madeira de cedro para a Terceira e que a madeira do teto da igreja de S. Francisco na cidade da Horta, também seria originária de cedros da maior ilha do grupo ocidental açoriano. O cedro ainda é considerado uma espécie com alto potencial para reflorestamento, seja para restauração de ambientes degradados, sequestro de carbono, paisagismo ou plantios com fins econômicos, devendo o plantio ser feito misturando-se o cedro com outras espécies, de preferência também nativas, dependendo da finalidade do plantio. O seu nome científico é Cedrela Fissilis Vell e apresenta espécies, como o cedro rosa, cedro vermelho, cedro branco, cedro batata, cedro-amarelo, cedro-cetim, cedro –da –várzea. Na Fajã Grande, o cedro, de tão abundante que era, também era utilizado como lenha, sendo cortado no mato e atirado pela rocha através das vergas ou arames. Era com troncos de cedros que os transeuntes entre a Fajã e Santa Cruzam jangadas para atravessar a Caldeira da Água Branca, com o objetivo de encurtar e descansar. A fama dos cedros das Flores, outrora, foi tal que consta que, em 1800, por aviso régio, a rainha D. Maria I, ordenou que o Capitão General remetesse ara o reino um caixote com sementes de cedros produzidos na ilha. Consta que as ordens foram cumpridas.

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NOMES SOLTOS

Quarta-feira, 27.08.14

Guilherme da Silveira é o povoador mais antigo povoador da ilha das Flores cujo nome se conhece. Não consta que lá tivesse deixado descendentes quando abandonou a ilha, para se fixar em São Jorge.

Gonçalo Anes de Sousa foi, segundo uma tradição, novo povoador das Flores logo a s seguir a Guilherme da Silveira. Consta que chegou à ilha em 1945 e trouxe consigo 30 casais. Sabe-se que era natural de Évora, tendo casado na ilha Terceira, com Beatriz de Sousa, filha de João Vaz Corte Real. Ao fixar-se na ilha das Flores, que cerca de dez anos antes fora abandonada por Guilherme da Silveira, tornou-se o primeiro dono e senhor da ilha.

Uma filha de Gonçalo Anes de Sousa, chamada Violante de Sousa, casou  com Pedro da Fonseca, escrivão da Chancelaria de D. João III, que, por ter comprado o Corvo a Antão Vaz, foi, mais tarde o segundo senhor das Flores e primeiro do Corvo.

Um filho deste casal, chamado Gonçalo de Sousa da Fonseca, foi o terceiro ou quarto senhor da ilha, com o título de capitão, que casou com D. Beatriz de Távora.

O senhorio das Flores também terá pertencido à família Teles.

Gomes Dias Rodovalho, casado com Beatriz Lourenço Fagundes, também foi senhor das Flores, constituindo o primeiro casal a fixar residência no local onde hoje é a freguesia da Fajã Grande.

Diogo Pimentel, de origem nobre como os anteriores, que casou com Catarina Antunes, filha do dito Antão Vaz, assim como os irmãos Rodrigo Anes e Álvaro Rodrigues, os irmãos António e Pedro da Fragoa ou Fraga, naturais de Braga, e respectivas mulheres, bem as irmãs Isabel e Margarida Rodrigues; os irmãos destas e respectivas mulheres; Pedro Vieira e Solanda Lourenço, ambos naturais da Madeira; João Rodrigues e Maria

Bela, casal também ido da Madeira; João Fernandes, o Barco Longo, e as sete filhas, idos da ilha da Rata, Gonçalo Anes Malho e Genebra Gonçalves, naturais de Ourém; João Fernandes, o Roxo, possivelmente, irmão ou parente do Barco Longo e sua mulher, Beatriz Fernandes, são nomes que se contam entre os primeiros povoadores das Flores.

 

Dados retirados de Drumond, Apontamentos Topográficos

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publicado por picodavigia2 às 09:25

APELIDOS (USADOS NA FAJÃZINHA NOS SÉCULOS XVIII E XIX)

Domingo, 24.08.14

Alegre, João de Freitas; Almança, António Furtado; Anina, António José; Areeiro, José de Freitas; Baijinha, António Coelho; Barrocas, José de Freitas; Baziga, José Rodrigues; Beca, Maria de Freitas; Beco, Manuel de Freitas; Belegum, Francisco Furtado; Bixo, Manuel Jorge; Bispo, Constantino Lourenço; Borreco, António José de FreitasBrilha, João de Freitas; Brindeiro, António Caetano; Cabaz, Isabel; Cabeleira, Manuel Freitas; Cachaço, Francisco José; Caixacinho, Francisco José; Canine, Manuel Furtado; Capão, Francisco Inácio; Capom, António de Freitas; Capona Rita; Carritel, António de Freitas; Cascado, José Inácio; Cassaia, Maria Rodrigues; Charamba, António José; Ciciro, Manuel; Cireneu, António José; Coqueiro, Francisco António; Engeitado, José António; Escrivão, João Rodrigues; Faladeira, Ana de Freitas; Farranfão, João Coelho; Fariz, Manuel Rodrigues; Farrobo, Francisco Pimentel; Favela, João António; Foladeira, Ana de Treitas; Formiga, Maria Rodrigues; Frade, António Rodrigues; Frexa, Maria de Jesus; Galo, Francisco de Freitas; Gangão, António Rodrigues; George, Amaro Rodrigues; Glandez, José Rodrigues; Guiné, Manuel Pimentel; Incenso, Manuel Furtado; Maio, António Coelho; Maleiro, Manuel de Freitas; Mangalasa, Manuel Inácio; Marrecas, Manuel Caetano; Mestre, António Valadão; Mija, Maria; Moleiro, Manuel Furtado; Ovilheiro, Ana de Jesus; Pastor, Manuel Dias; Pelcas, João Rodrigues; Peleias, João Rodrigues; Pereirinha, Manuel de Freitas; Piloto, Manuel Rodrigues; Pilra, António Rodrigues; Queimado, José Pimentel; Rabadoz, Maria; Ralhona, Maria de Freitas; Rapona, António Rodrigues; Ratinha, Maria de Freitas; Repenicado, João Rodrigues; Rigor, João Rodrigues; Rolhão, Dionísio José de Freitas; Rossos Francisco Dias; Sabina, João Coelho; Sargento, António de Freitas; Tamujo, Domingos Freitas; Trincão; Velho, Manuel Fernandes; Xanfana, José Pimentel e Xixarro, Francisco.

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publicado por picodavigia2 às 23:20

CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DAS LAJES OU A PRIMEIRA DA ILHA DAS FLORES

Domingo, 20.07.14

O lugar onde se situa a actual Vila das Lajes das Flores terá começado a ser povoado, talvez ainda no primeiro decénio de Quinhentos, à volta de uma pequena Ermida em louvor do Espírito Santo, construída no porto, próximo do mar. A constituição da mesma vila como paróquia, no entanto, remonta aos primeiros anos do século XVI, ou seja, praticamente pouco depois do povoamento daquele lugar. A paróquia das Lajes, cuja data mais provável da sua constituição é 1676, no entanto já era de invocação a Nossa Senhora do Rosário em meados do século XVII, altura em que estava a ser construída a actual Igreja Matriz.

Diogo das Chagas refere o referido lugar nestes termos; “ao sair do porto, que é uma calheta em que abicam barcos”.

Sendo o primeiro local da ilha a ser habitado, as Lajes também foi durante os dois primeiros séculos de povoamento, a localidade da ilha mais importante e com mais população, uma vez que, na mais antiga estimativa da população da ilha, em 1587, o cosmógrafo Luís Teixeira atribui-lhe 300 habitantes, enquanto frei Agostinho de Monte Alverne, em finais de Seiscentos, situa na mesma vila 320 fogos com 1.200 almas. Esta uma das razões porque as frequentes investidas da pirataria se centralizavam ali, com destaque para a que foi porventura a mais devastadora de sempre, acontecida em 1587, quando cinco navios ingleses enganosamente entraram na ilha, pelo porto das Lajes, “destruindo quanto acharam, queimando os templos todos e assolando as casas, sem ficar nem uma só”

No último quartel do século XVII, porém, Lajes das Flores desmembra-se e essa a razão por que em 1717, segundo o padre António Cordeiro, já era a “segunda vila” da ilha, ainda que “em nada sujeita” à florescente vila de Santa Cruz das Flores.

Dessa divisão nasceram duas novas paróquias, uma de invocação a Nossa Senhora dos Remédios, nas Fajãs, em 1676, outra em louvor de São Caetano, na Lomba, provavelmente em 1698. Por duas vezes mais, a paróquia das Lajes volta a ser alvo de desanexações, daí resultando a criação das paróquias de Nossa Senhora dos Milagres, no Lajedo, em 1823, e do Senhor Santo Cristo, na Fazenda, em 1959. Isto significa que à data da sua formação, a paróquia da Senhora dos Remédios das Lajes, possuía um extensíssimo território, precisamente o que abarca o actual concelho, com excepção do lugar da Ponta que pertencia a Santa Cruz, vindo a integrar, a quando da sua criação, a paróquia de Ponta Delgada, a terceira mais antiga da ilha, depois das Lajes e Santa Cruz.

A actual igreja Matriz começou a ser construída em 1763, ficando concluída cerca de vinte anos depois. Sabe-se que foi construída no local onde existiu uma antiga ermida, sobre a invocação do Espírito Santo e que para ali fora transferida do porto e destinou-se a substituir a velha Matriz, que o vulgo conhecia por Igreja das Sete Capelas e que se situava no local onde se situa actualmente o cemitério.

Hoje, no entanto o orago da paróquia das Lajes é a Senhora do Rosário.

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publicado por picodavigia2 às 17:14

PRIMÓRDIOS DO POVOAMENTO DAS FLORES

Quinta-feira, 17.07.14

Hoje sabe-se que o verdadeiro e efectivo povoamento da ilha das Flores só se terá dado por volta de 1500, pese embora, cerca de 50 anos após o seu achamento por Diogo de Teive e seu filho João de Teive, provavelmente no verão de 1452, o flamengo Guilherme da Silveira e seus companheiros, terem ocupado a ilha, segundo se crê, entre 1480-90. Esta ocupação, porém, não se tornou efectiva nem muito menos definitiva, porque Guilherme da Silveira  “não achou a terra a seu gosto”  , nem descobriu os metais que alegadamente procurava, por isso depois de ali estar algum tempo, abandonou a ilha, trocando-a por São Jorge. Assim considera-se que o primeiro e efectivo povoador da ilha foi João da Fonseca, dado que, uma vez que lhe foi confirmada a doação da ilha, por carta régia de 1 de Março de 1504, depois de a ter comprado, juntamente com o Corvo, a D. Maria de Vilhena, viúva de Fernão Teles, para ali partiu, ocupando-a de facto e iniciando o seu povoamento. Assim, pode concluir-se que entre a descoberta da ilha e o seu povoamento efectivo medeiam mais de 50 anos.

Tudo indica que, à semelhança do já haviam feito Guilherme da Silveira e os colonos que com ele trouxera, durante a sua efémera presença nas Flores, também os homens e as mulheres levados para as Flores por João da Fonseca se tenham dispersado, por vários núcleos, ao longo da costa da ilha, com cada família ou grupos afins a ocupar uma parte aqui outra além, parte que lhes coubera na distribuição inicial de terras. A própria toponímia da ilha parece sustentar a tese de uma ocupação dispersa da ilha, pois são várias as fajãs, os ilhéus e até alguns lugares com nomes de primitivos povoadores, como Lopo Vaz, Pedro Vieira, Valadões, os ilhéus de Álvaro Rodrigues, de Maria Vaz ou os lugares de Mateus Pires que perpetuam o nome de alguns dos primeiros colonos ou dos filhos desses.

Mas o povoamento foi lento e moroso, uma vez que, em finais de Quinhentos, ainda só existiam três paróquias na ilha, sendo a primeira criada a das Lajes, depois Santa Cruz e, a terceira, Ponta Delgada. É verdade que estavam muito afastadas umas das outras, mas já existiam alguns colonos noutros lugares da ilha, como nos Cedros, nas Fajãs, no Lajedo e nas outras fajãs, acima referidas, o que mostra que, a par dos principais e mais antigos povoados, pequenos núcleos haviam, desde cedo, cobrindo gradualmente toda a ilha, dando assim origem às futuras paróquias.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:04

DR AMÉRICO VIEIRA

Quarta-feira, 02.07.14

Américo Caetano Vieira era filho de Pedro Caetano Vieira, comerciante e de Maria Noia Vieira, doméstica, tendo nascido na Vila de Lajes das Flores em 24 de Maio de 1928. Fez o Ensino Primário na escola da sua terra natal, revelando, desde cedo, indícios de grande inteligência e de uma enorme vontade de aprender. Por isso, não se ficou pela ilha, onde, na altura, mais nada havia do que a 4ªa classe, rumou a Angra, ingressando no Seminário diocesano, em Outubro de 1940. Aluno brilhante, ali ainda mais se distinguiu pela sua inteligência, pela sua dedicação e pela sua forte personalidade. Foi ordenado presbítero em 13 de Maio de 1951, vindo a celebrar a Missa Nova, a 24 do mesmo mês, na Capela do Seminário.

Por se ter distinguido como estudante foi seleccionado, ao terminar o Curso de Teologia, para frequentar a Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, para onde foi enviado e onde se licenciou em Teologia Dogmática, em 1955.

 Regressado à sua diocese, em Outubro desse ano, foi nomeado professor e director espiritual do Seminário, cargos que exerceu com extrema dedicação e competência durante quase duas décadas. Em Junho de 1968, inesperadamente, ou não tanto, foi nomeado Reitor do Seminário.

Américo Vieira fez parte de um grupo de professores de elevado nível, nas d+acdadas de 50 e 60, consideradas como o “período de ouro do Seminário de Angra no Século XX”. Desse grupo distinguem-se, o Dr. José Pedro da Silva, o Dr. José de Oliveira Lopes, o Dr. José Enes, o Dr. Caetano Tomás, o Dr. Cunha de Oliveira, Dr. António da Silva Pereira, o Dr. António da Costa Tavares, o Dr Pereira da Silva e o Dr. Francisco Carmo.

Foi um professor de notável competência, pois preparava e planificava tudo com eficiência e mestria, demonstrando sempre possuir elevada cultura geral, tendo, no decurso da sua curta carreira profissional, leccionado Teologia Dogmática Fundamental, Teologia Moral, Casuística, Francês, Latim, Ascética e Mística, Dogmática Especial, História Bíblica, Apologética, Introdução à Sagrada Escritura, Moral, Psicologia, Teologia Pastoral e Direito Canónico.

Em 5 de Junho de 1965 foi nomeado Cónego do Cabido da Sé Catedral de Angra. Foi membro fundador do Instituto Açoriano de Cultura, secretário do Conselho Pastoral e membro do Conselho Presbiteral. Possuidor de grande capacidade didáctica e, como era dotado de invulgar inteligência e cultura, expunha com muita facilidade tudo o que tinha a transmitir. Colaborou nas Semanas de Estudo, na revista “Atlântida”, órgão do Instituto Açoriano de Cultura de Angra do Heroísmo, de que era sócio fundador, bem como noutros órgãos de comunicação social da ilha Terceira.

Publicou diversos trabalhos, neles deixando, para além do seu rico conteúdo, a forma fácil e fluente de os apresentar. Durante vários anos ocupou-se das palestras de natureza espiritual aos sacerdotes reunidos em Conferência Eclesiástica, fazendo-o com invulgar mestria e dedicação. Era muito solicitado para proferir sermões e conferências.

Faleceu, inesperadamente, em 22 de Janeiro de 1971, no Seminário de Angra do Heroísmo, com apenas 43 anos de idade.

Em 31 de Janeiro de 1992 o Instituto de Cultura de Angra do Heroísmo, fundado em Maio de 1955, prestou-lhe solene homenagem, atribuindo-lhe um Diploma na qualidade de Sócio Fundador, o qual foi emitido em 22 de Janeiro de 1993.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:28

OS CAPITÃES DAS FLORES E CORVO

Segunda-feira, 19.05.14

Segundo Mendoça Dias a lista dos capitães das Flores e Corvo, desde que os Teives as alienaram até 1650 é a seguinte:

Fernão Teles - comprou as “Foreiras” aos Teives (que as descobriram ou delas se apossaram), segundo carta régia de confirmação da venda passada em 28 de Janeiro de 1475. Foi casado com D. Maria de Vilhena que, já viúva e com seu filho, a vendeu a João da Fonseca.

João da Fonseca - venda está confirmada por carta régia de 1 de Março de 1504, com as mesmas concessões.;

Pedro da Fonseca - filho do anterior sendo a sucessão confirmada por carta régia de 6 de Agosto de 1506. Foi o primeiro a usar o título de capitão das Flores e senhor do Corvo, por ter comprado o ilhéu a Antão Vaz.

Gonçalo de Sousa - segundo filho do anterior, sendo a sua sucessão confirmada pelas cartas régias de 12 de Janeiro de 1548 e 12 de Setembro de 1575. Casado com D. Beatriz de Távora, não tiveram descendentes pelo que o direito de herança da capitania caducou.

D. Francisco de Mascarenhas - conde de Santa Cruz e senhor das duas ilhas por carta régia de 17 de Setembro de 1593. A doação concedida como compensação pela perda da capitania do Faial e por estar vaga a das Flores;

D. Martinho de Mascarenhas - 2º conde de Santa Cruz e filho do anterior. A sucessão foi confirmada pelas cartas régias de 3 de Janeiro de 1608 e de 20 de Setembro de 1624.

D. Beatriz de Mascarenhas - 3ª condessa de Santa Cruz e filha do anterior. Foi casada com João de Mascarenhas, a quem o rei deu o título de conde de Santa Cruz, doando-lhe a capitania das Flores e do Corvo por carta de 15 de Junho de 1650.

Sucederam-lhes: D. Martinho de Mascarenhas II - 4º conde de Santa Cruz (1665-1676); D. João de Mascarenhas II - 5º conde de Santa Cruz (1676-1691); D. Martinho de Mascarenhas III - 6º conde de Santa Cruz e 3º marquês de Gouveia (1691-1723); D. João Maria de Mascarenhas - 4º marquês de Gouveia (1723-1740) e D. José de Mascarenhas - 5º marquês de Gouveia e 8º duque de Aveiro (1740-1759).

Em 1759, após a condenação e execução do duque, a capitania retornou à Coroa.

Pedro da Silveira caracteriza assim os governos das três dinastias

de capitães ou donatários como ele escreve: “Os Teles não se preocuparam com as ilhas a seu encargo. Os Fonsecas deram um notável impulso à sua efectiva colonização, em certa medida estimulados pelos reis, dada a crescente expansão castelhana para Oeste. Os Mascarenhas cuidaram sempre e apenas do que as ilhas lhes rendiam ou podiam render, não demonstrando a mais leve preocupação com o seu desenvolvimento ou com o bem-estar dos que lá viviam. Sugavam, implacavelmente, a população em rendas e dízimos e igualmente o faziam os seus feitores, em proveito próprio. Desde que esta família tomou posse da capitania, em 1593, não mais se criou ali qualquer freguesia.”

 

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ILHA DAS FLORES

Sábado, 17.05.14

A Ilha das Flores situa-se no Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores, sendo a maior das ilhas que compõem aquele grupo. Ocupa uma área de 141,7 km², na sua maior parte constituída por terreno montanhoso, caracterizado por grandes ravinas e gigantescas falésias. O ponto mais alto da ilha é o Morro Alto, com 914 m de altitude. A população residente, actualmente, é de cerca de 3.500 habitantes, repartindo-se por onze freguesias, agrupadas em dois concelhos: Santa Cruz e Lajes das Flores. A sua ponta mais oeste, na ponta da Coalheira, é o ponto mais ocidental da Europa. A ilha das Flores é considerada como uma das mais belas do arquipélago, cobrindo-se de milhares de hortênsias de cor azul, que dividem os campos ao longo das estradas, nas margens das ribeiras e lagoas.

As Flores e Corvo foram encontradas em 1452, quando do retorno da viagem de exploração de Diogo de Teive e seu filho, João de Teive, à Terra Nova. No início do ano seguinte, D, Afonso V fez a doação das duas ilhas ao seu tio, Afonso I, Duque de Bragança. No documento de doação não é mencionada a ilha das Flores, uma vez que, à época, não tinha um nome. Entretanto era esta a ilha doada, uma vez que a do Corvo era, à época, considerada apenas um ilhéu anexo à primeira. As ilhas seriam posteriormente doadas ao Infante D. Henrique, Mestre da Ordem de Cristo, que, em seu testamento, as nomeia como ilha de São Tomás e ilha de Santa Iria. Com a morte deste passam para o Infante D. Fernando, Duque de Viseu.

A actual toponímia "Flores", em uso desde em 1474 ou 1475, deve-se à abundância de cubres que recobriam a costa da ilha, cujas sementes possivelmente foram trazidas por aves migratórias desde a península da Flórida, na América do Norte.

O primeiro capitão do donatário destas ilhas foi Diogo de Teive, passando a capitania a seu filho, João de Teive. Este, em 1475, cedeu-a a Fernão Teles de Meneses. Com a morte acidental de Teles de Meneses, a viúva deste, D. Maria Vilhena, que as administrava em nome do seu jovem filho, Rui Teles, negociou estes direitos com Willem van der Haegen. Desse modo, este nobre flamengo que por volta de 1470 havia chegado com avultada comitiva à ilha do Faial, de onde passara à ilha Terceira, fixou-se nas Flores por volta de 1480, cuida-se que junto à foz da Ribeira de Santa Cruz, cuja povoação começou a se formar, iniciando o cultivo do pastel, planta tintureira em cuja cultura era experimentado. Aí permaneceu durante cerca de dez anos, findo os quais resolveu deixar a ilha, motivado pelo isolamento e pela dificuldade de comunicações da mesma, indo fixar-se na ilha de São Jorge.

Mais tarde, el-rei D. Manuel I fez a doação da capitania-donataria a João da Fonseca, que retoma o povoamento com elementos vindos da Terceira e da Madeira, aos quais se juntou nova leva de indivíduos de várias regiões de Portugal, com predomínio dos do norte do país. Este povoamento distribuiu-se ao longo da costa da ilha, com cada família ou grupos afins ocupando a terra que lhes coubera, com base na cultura de trigo, cevada, milho, legumes e na exploração da urzela e do pastel. Desse modo, ainda no século XVI recebem carta de foral as povoações de Lajes das Flores e de Santa Cruz das Flores, assim elevadas a vilas. Data de 6 de agosto de 1528, a confirmação régia da posse da Capitania a Pedro da Fonseca, filho de João da Fonseca. Com o falecimento de Pedro da Fonseca, e do seu filho mais velho, João de Sousa, D. João III faz a doação da capitania-donataria da ilha a Gonçalo de Sousa.

Nos séculos seguintes, um grupo reduzido de habitantes manter-se-ia isolado em várias partes da ilha, recebendo raras visitas das autoridades régias, e de embarcações de comércio das ilhas do Faial e Terceira em busca de azeite de cachalote, mel, madeira de cedro, manteiga, limões e laranjas, carnes fumadas e, por vezes, louça, deixando, em troca, panos de lã e linho e outros artigos manufacturados e outras embarcações que ali faziam aguada e adquiriam víveres.

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publicado por picodavigia2 às 22:18

MORFOLOGIA DAS FLORES

Terça-feira, 13.05.14

É por demais sabido que a ilha das Flores é, extremamente, montanhosa. Por toda a parte se erguem montes e colinas entrelaçados com vales e ravinas, umas e outros de uma beleza rara e duma sublimidade inexaurível. A maior parte da costa da ilha é rochosa e escarpada, destacando-se algumas pontas, também elas imponentes e altivas, como a Ponta do Albernaz, a dos Bredos, a da Água Quente, a da Caveira e a da Ponta Ruiva. Ao redor da ilha proliferam vários pequenos ilhéus, alguns deles também altos e escabrosos, como o Monchique, o dos Rodrigues, o da Água Quente, o de Maria Vaz ou da Gadelha, o do Portinho, o Furado, o da Alagoa, o do Cão, etc.

Há, no entanto, al longo da costa zonas mais baixas, em muitos casos ladeadas por amplas baías, algumas delas a servirem de portos, como acontece, em Santa Cruz. Lajes, Ponta Delgada e Fajã Grande. Noutros locais surgem grandes as enseadas, como a da Ribeira Grande, da Água Quente e dos Fanais.

Do interior da ilha, na direcção do litoral, por entre vales e ravinas, por vezes formando belas cascatas, correm diversíssimas grotas e ribeiras. Frei Diogo das Chagas ou alguém por ele, terá contado cerca de 360. Impressionante. Pode-se dizer que nas Flores, tendo em conta também, lagoas, lagos e poços, quase que há mais água do que terra. Destas ribeiras destacam-se a Ribeira da Cruz, a da Silva, a Funda, a Grande, a dos Moinhos, a d’Além da Ribeira, a Ribeira da Fazenda a das Casas, a do Cão e a maior de todas as afluentes, a ribeira do Ferreiro, a desaguar na Ribeira Grande.

Quanto a montanhas, são de referir o Morro da Cruz, o Pico da Sé, o Morro Grande, o Monte das Lajens, o Lombo Grosso, o Pico do Cabouco, o Lombo da Vaca, o Pico da Burrinha, das Pontas Brancas, o Rochão do Junco, o Queiroal e a Caldeirinha. Existem, também belas lagoas, chamadas caldeiras: a Funda das Lajes, a Rasa, a da Lomba, a Funda, a Comprida, e a da Água Branca e a Seca Em todas elas se verifica o mesmo movimento contínuo de pequenas ondas semelhantes às da águas do mar, em dias de calmaria. Existem ainda muitos lagos de rara beleza, como o Poço da Alagoinha, uma espécie de ex-libris da ilha.

A origem vulcânica da ilha das Flores é testemunhada pela existência, ainda hoje, de algumas emanações sulfurosas de água quente, umas ainda a emanarem da terra outras, simplesmente, presentes na toponímia, pelas árvores, nomeadamente os teixos e os cedros. Há, pois, na ilha, provas um vulcanismo, embora muito remoto, pese embora não haja conhecimento de qualquer fogo vulcânico ou terramoto na ilha, nos tempos mais recentes. Segundo Silveira Macedo e Américo Costa, o primeiro terramoto que se sabe ter acontecido nas Flores ocorreu em 1793 e teve os seus efeitos na freguesia do Lajedo: abateu em 18 metros a altura da montanha da Ribeira do Campanário. Sete anos depois, um segundo tremor de terra voltou a abater a mesma montanha, expondo um manancial de águas pretas que tingiam tudo, mas secaram ao fim de 4 ou 5 anos.

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