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PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NA FAJÃ GRANDE NO SEC XIX (2ª METADE)

Quarta-feira, 10.05.17

1860:

Uma das canoas ancoradas no porto da Fajã Grande inicia a caça à baleia e captura a primeira baleia na ilha das Flores, a qual deu 80 barris de azeite que foram vendidos para o Faial.

1861:

Construção da Casa do Espírito Santo de Baixo.

4 de abril é criada a paróquia de São José da Fajã Grande.

20 de Junho a Fajã Grande é desanexada das Fajãs e ereta em freguesia.

17 de setembro realizou-se o primeiro casamento na Fajã Grande: foi o de João de Freitas Mendonça, viúvo, de 46 anos, filho de Caetano José Mendonça e de Inácia Rosa, sendo a noiva Ana Emília do Coração de Jesus, de 34 anos filha de João Jacinto Rodrigues e de Catarina Maria.

1862:

Primeiro enterro realizado no cemitério da Fajã Grande: foi de uma criança da Cuada. O primeiro de um adulto foi de uma mulher casada, de trinta e sete anos e residente na rua da Fontinha.

1863:

73 Jovens do Concelho das Lajes estão recenseados para a inspecção. A maior parte foge. Alguns são da Fajã Grande.

Ultimo ataque de piratas pelo Alabama.

1866:

26 de Fevereiro deu à Costa no baixio o Patacho inglês Greffin.

1869:

3 de fevereiro naufragou, na Ponta, um lugre francês.

25 de dezembro naufragou nos baixios da Fajã Grande a barca francesa Republique carregada de açúcar e aguardente. O povo invadiu o navio e apoderou-se do que pode, nomeadamente de açúcar que até terá utilizado para temperar as couves.

1872:

9 de janeiro naufragou nos baixios da Fajã Grande o lugre francês Alixis. Morreram dez dos onze tripulantes.

1876:

D. João Maria do Amaral Pimente, Bispo de Angral visita as Flores. Na paróquia das Fajãs crismou 1650 pessoas.

Naufragou o navio Ocean carregado de madeira, sendo muita aproveitada pela população.

1886;

Construção da Casa do Espírito Santo de Cima.

1870:

Construção de moinhos de Tio Manuel Luís, na Ribeira das Casas.

1871:

Faleceu num desastre, nos Fanais, Francisco Inácio Serpa, natural e residente no lugar da Ponta.

1875:

Desembarcam na Fajã Grande 36 indivíduos vindos do Faial, Pico e Graciosa.

1876.

D. João Maria do amaral Pimentel realiza nova visita pastoral às Flores e à Fajã Grande.

1880:

O emigrante local José Luís da Silveira ofereceu 14 águias para completar obras na igreja paroquial.

1881:

Criação do hospital da Misericórdia de St Cruz.

1882:

1 de janeiro apareceu o casco de um navio abandonado

30 de novembro casaram os meus avós paternos: António Joaquim Fagundes e Maria de Jesus Fagundes.

1883:

Naufragou o patacho inglês Aristos.

1887:

18 de janeiro, no mato, no lugar do Poio faleceu um jovem de 18 anos, de nome José Cristiano Rodrigues Júnior filho único de José Cristiano Ramos e de Margarida Jacinta Rodrigues, residente na rua das Courelas.

1891:

Desembarcam na Fajã Grande 67 pessoas vindas de S. Miguel que viajaram no navio “Veja”.

O navio “Veja” era velho. Na Fajã Grande fizeram-lhe um poema.

Acidente no Cantinho: na noite de 19 para 20 de março caiu um homem ao mar no Cantinho. De manhã foi encontrado o cadáver e soube-se que era António Joaquim da Silveira, de 32 anos, sem profissão, solteiro, filho natural ou ilegítimo de Maria Emília da Glória.

1896:

  1. Francisco José Vieira e Brito visita as Flores e a Fajã Grande.

1898

Construção da igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Ponta.

Foi nomeado o primeiro cura da Ponta, o padre José Leal da Silva Furtado.

1899:

José Inácio de Freitas cultiva vinha e faz vinho e aguardente na Fajã Grande.

Acidente de uma embarcação por fora da Retorta em que faleceu o único tripulante António Fraga Cardoso, tinha 65 anos, era solteiro, trabalhador agrícola. Era filho de João de Fraga Mancebo e de Maria de Jesus Cardoso

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PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NA FAJÃ GRANDE NO SEC XIX (1ª METADE)

Terça-feira, 09.05.17

1800:

Na noite de 7 para 8 de setembro, véspera da festa da Senhora da Saúde, um grande furacão atingiu a ilha das Flores, sobretudo a zona de St Cruz, mas também a costa oeste e a Fajã Grande foram atingidas.

O pirata Almeidinha começou a atacar as Flores para se reabastecer de carnes e produtos frescos, roubando-os à população.

Começou a cultivar-se milho. Até aí predominava o trigo.

Nesses tempos a Fajã Grande produzia laranjas, batatas, mel, limões, carnes salgadas, louças e panos de lã e de linho.

Criavam-se de ovelhas e existiam alguns teares.

Começou a criação de bovinos.

1802:

O padre João de Freitas Lourenço, recentemente ordenado, celebra missa nova na primitiva ermida de S. José

1812:

O Padre Camões publica os “Sete Pecados Mortais

Ordenação e missa nova do padre José Narciso Silveira filho de Bartolomeu Lourenço Fagundes e sua mulher.

1814:

Ordenação do padre Raulino José da Silveira, filho de Ana Joaquina da Silveira

1816:

Morre o tenente Bartolomeu Lourenço Fagundes.

1819:

18 de agosto. Grande desastre de uma embarcação na baixa do Fanal em Ponta Delgada onde faleceram as seguintes pessoas da Fajã Grande: o mestre, Leonardo José da Silveira de 26 anos e sua esposa, Maria de Jesus de 20 anos e alguns jovens, um de apenas dezassete anos, chamado José filho de João de Freitas, uma rapariga de nome Maria, de vinte anos filha de João António da Silveira. Faleceram ainda José António Galo de quarenta e três anos, Esperança de Freitas de cinquenta e oito e José de Fraga Henriques de quarenta. A embarcação regressava do Corvo, da festa da Senhora dos Milagres.

1821:

Morre a mulher do tenente António José de Freitas Henriques, filho do ajudante José António Lourenço e Maria de Jesus.

1830

Chega às Flores o 1º médico Dr James Mackay e que também era cônsul de Inglaterra nas Flores.

1835:

Ordenação do padre Manuel Joaquim de Freitas, filho de António José de Freitas Borreco e de sua mulher Ana Joaquina,

1838:

Primeira grande emigração clandestina das Flores para o Brasil. A Fajã Grande terá sofrido a primeira debandada populacional

1847:

Iniciou-se a construção da atual igreja paroquial.

No dia 9 de Junho caiu uma enorme derrocada na zona dos Fanais, que mais tarde deu o nome ao lugar “a Quebrada dos Fanais”. Seguiu-se um tsunami.

1849:

Terminaram as obras de construção da igreja paroquial de São José.

O padre António José de Freitas foi nomeado primeiro pároco da nova paróquia de São José da Fajã Grande.

1850:

1 de agosto foi benzida a igreja paroquial pelo ouvidor das Lajes, padre Francisco António da Silveira.

Um picoense vindo de Santa Luzia, produz vinho do Pico na Fajã Grande.

Início da emigração para a América, por troca com a anterior para o Brasil. Segunda grande debandada populacional da Fajã Grande

1853:

Morre o capitão António Lopes de Amorim, tendo casado várias vezes na Fajã Grande.

1855:

Primeiro pedido para elevar a Fajã Grande a paróquia.

Missa nova do padre José Joaquim Cardoso.

1856:

Duas canoas baleeiras, durante 4 anos permaneceram ancoradas na Fajã Grande.

1858:

O navio “Santa Cruz” faz escala nas Flores. Nele viaja o vigário das Fajãs José Maria Henriques Álvares.

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A BATALHA DA ILHA DAS FLORES E A BALLAD OF THE FLEET DE ALFREF TENNYSON

Domingo, 26.02.17

A mais ocidental e isolada ilha açoriana foi palco de uma celebérrima batalha que ficou conhecida na história dos Açores como a Batalha da Ilha das Flores

No prélio que ocorreu no dia 9 de Setembro de 1591, a norte de Ponta Delgada, foram intervenientes entre 16 a 22 navios ingleses comandados por lord Tomas Howard e um bem mais poderosa armada espanhola, comandada por Dom Alonso de Bazán, de vigia nos Açores para defender os navios mercantes da carreira da Índia. Pelos vistos houve um erro do comandante inglês que se lançou, precipitadamente, contra os barcos que surgiam de oeste, julgando pertencerem à armada espanhola provinda da Nova Espanha, carregada de mercadorias. Porém, em vez de encontrarem navios mercantes, mal armados, os ingleses depararam-se com uma poderosíssima frota de defesa das ilhas açorianas, constituída por 40 navios de guerra que lhes vinham dar caça. Consideravelmente mais pequena e sobretudo mais frágil, a armada inglesa, duramente fustigada pelo fogo inimigo, foi então obrigada a fugir como pôde. Os ingleses, ao aperceberem-se do erro rumaram a Ponta Delgada procurando posição estratégica. Os espanhóis, no entanto, terão sido mais astutos e rumando a oeste, contornaram a ilha e entraram em Ponta Delgada como se viessem do ocidente, de onde os ingleses não os esperavam, simulando serem uma armada mercante. Os ingleses caíram no logro e precipitaram-se sobre os espanhóis. Foi o descalabro total da armada inglesa. A exceção foi o Revenge, de sir Richard Greenville, que, tendo-se demorado em zarpar de Santa Cruz, não acompanhou as restantes embarcações, acabando porém por ser capturado pelos espanhóis, algum tempo depois. Verdadeiramente épico, esse combate, que custou a vida a sir Richard Greenville, seria depois glorificado por lord Alfred Tennyson no seu poema The Revenge Ballad of the Fleet que se transcreve na íntegra:

 

BALLAD OF THE FLEET

 

AT Flores, in the Azores Sir Richard Grenville lay,           

And a pinnace, like a flutter’d bird, came flying from far away;   

“Spanish ships of war at sea! we have sighted fifty-three!”          

Then sware Lord Thomas Howard: “’Fore God I am no coward; 

But I cannot meet them here, for my ships are out of gear,        

And the half my men are sick. I must fly, but follow quick.

We are six ships of the line; can we fight with fifty-three?”         

 

II

 

Then spake Sir Richard Grenville: “I know you are no coward;   

You fly them for a moment to fight with them again.          

But I’ve ninety men and more that are lying sick ashore.          

I should count myself the coward if I left them, my Lord Howard,

To these Inquisition dogs and the devildoms of Spain.”    

 

III

 

So Lord Howard past away with five ships of war that day,          

Till he melted like a cloud in the silent summer heaven;   

But Sir Richard bore in hand all his sick men from the land

Very carefully and slow,       

Men of Bideford in Devon,   

And we laid them on the ballast down below:         

For we brought them all aboard,     

And they blest him in their pain, that they were not left to Spain,        

To the thumb-screw and the stake, for the glory of the Lord.        

 

IV

 

He had only a hundred seamen to work the ship and to fight,       

And he sailed away from Flores till the Spaniard came in sight,  

With his huge sea-castles heaving upon the weather bow. 

“Shall we fight or shall we fly?               

Good Sir Richard, tell us now,         

For to fight is but to die!      

There’ll be little of us left by the time this sun be set.”     

And Sir Richard said again: “We be all good Englishmen.

Let us bang these dogs of Seville, the children of the devil,                  

For I never turn’d my back upon Don or devil yet.”          

 

V

 

Sir Richard spoke and he laugh’d, and we roar’d a hurrah and so           

The little Revenge ran on sheer into the heart of the foe,  

With her hundred fighters on deck, and her ninety sick below;     

For half of their fleet to the right and half to the left were seen,          

And the little Revenge ran on thro’ the long sea-lane between.    

 

VI

 

Thousands of their soldiers look’d down from their decks and laugh’d,   

Thousands of their seamen made mock at the mad little craft       

Running on and on, till delay’d       

By their mountain-like San Philip that, of fifteen hundred tons,           

And up-shadowing high above us with her yawning tiers of guns,

Took the breath from our sails, and we stay’d.       

 

VII

 

And while now the great San Philip hung above us like a cloud    

Whence the thunderbolt will fall     

Long and loud,                  

Four galleons drew away     

From the Spanish fleet that day.      

And two upon the larboard and two upon the starboard lay,         

And the battle-thunder broke from them all.           

 

VIII

 

But anon the great San Philip, she bethought herself and went,           

Having that within her womb that had left her ill content;

And the rest they came aboard us, and they fought us hand to hand,        

For a dozen times they came with their pikes and musqueteers,    

And a dozen times we shook ’em off as a dog that shakes his ears

When he leaps from the water to the land.         

 

IX

 

And the sun went down, and the stars came out far over the summer sea,

But never a moment ceased the fight of the one and the fifty-three.          

Ship after ship, the whole night long, their high-built galleons came,      

Ship after ship, the whole night long, with her battle-thunder and flame;

Ship after ship, the whole night long, drew back with her dead and her shame.       

For some were sunk and many were shatter’d and so could fight us no more—   

God of battles, was ever a battle like this in the world before?     

 

X

 

For he said, “Fight on! fight on!”   

Tho’ his vessel was all but a wreck;

And it chanced that, when half of the short summer night was gone,               

With a grisly wound to be drest he had left the deck,         

But a bullet struck him that was dressing it suddenly dead,          

And himself he was wounded again in the side and the head,        

And he said, “Fight on! fight on!”  

 

XI

 

And the night went down, and the sun smiled out far over the summer sea,                  70

And the Spanish fleet with broken sides lay round us all in a ring;          

But they dared not touch us again, for they fear’d that we still could sting,        

So they watch’d what the end would be.      

And we had not fought them in vain,

But in perilous plight were we,                

Seeing forty of our poor hundred were slain,         

And half of the rest of us maim’d for life    

In the crash of the cannonades and the desperate strife;   

And the sick men down in the hold were most of them stark and cold,      

And the pikes were all broken or bent, and the powder was all of it spent;                 

And the masts and the rigging were lying over the side;    

But Sir Richard cried in his English pride: 

“We have fought such a fight for a day and a night

As may never be fought again!         

We have won great glory, my men!         

And a day less or more         

At sea or ashore,       

We die—does it matter when?         

Sink me the ship, Master Gunner—sink her, split her in twain!    

Fall into the hands of God, not into the hands of Spain!”        

 

XII

 

And the gunner said, “Ay, ay,” but the seamen made reply:          

“We have children, we have wives, 

And the Lord hath spared our lives.

We will make the Spaniard promise, if we yield, to let us go;       

We shall live to fight again and to strike another blow.”         

And the lion there lay dying, and they yielded to the foe.  

 

XIII

 

And the stately Spanish men to their flagship bore him then,        

Where they laid him by the mast, old Sir Richard caught at last,  

And they praised him to his face with their courtly foreign grace;

But he rose upon their decks, and he cried:        

“I have fought for Queen and Faith like a valiant man and true; 

I have only done my duty as a man is bound to do. 

With a joyful spirit I Sir Richard Grenville die!”  

And he fell upon their decks, and he died.   

 

XIV

 

And they stared at the dead that had been so valiant and true,            

And had holden the power and glory of Spain so cheap     

That he dared her with one little ship and his English few;           

Was he devil or man? He was devil for aught they knew,  

But they sank his body with honor down into the deep.      

And they mann’d the Revenge with a swarthier alien crew,                  

And away she sail’d with her loss and long’d for her own;

When a wind from the lands they had ruin’d awoke from sleep,    

And the water began to heave and the weather to moan,   

And or ever that evening ended a great gale blew, 

And a wave like the wave that is raised by an earthquake grew,          

Till it smote on their hulls and their sails and their masts and their flags,          

And the whole sea plunged and fell on the shot-shatter’d navy of Spain, 

And the little Revenge herself went down by the island crags       

To be lost evermore in the main.      

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ATLÉTICO CLUBE DA FAJÃ GRANDE

Domingo, 19.02.17

Foi nos anos trinta do século passado que se deu início à prática do Futebol, na Fajã Grande. O primeiro campo de jogos que se construiu na mais ocidental freguesia açoriana foi no lugar do Estaleiro. Este lugar era um pequeno enclave encastoado ente o Porto e o Calhau Miúdo, ali para os lados do Pesqueiro de Terra, onde existiam apenas terras de cultivo. O que mais caracterizava este lugar e que está na origem do topónimo era o facto de ter existido ali, nos séculos XVIII e XIX, uma fortaleza, conhecida como o Forte do Estaleiro e de cujas paredes, pelo menos nos anos cinquenta, ainda se poderiam observar alguns vestígios. Situava-se este forte, sobre os terrenos da beira-mar, adjacentes ao ancoradouro do Porto Novo. Seria uma fortaleza ou um minúsculo castelo que, assim como outros existentes para os lados do Vale de Linho e da Ponta e em conjunto com eles, beneficiava duma posição dominante e estratégica não apenas sobre a baía da Ribeira das Casas, como também ao longo de uma boa parte da costa oeste das Flores. Esta posição estratégica permitia a estes e aos outros fortes atingir o seu objetivo primordial: a defesa permanente e contínua não apenas do porto e ancoradouro da Fajã mas também de toda aquela zona marítima, desde a Rocha da Ponta até à dos Bredos, dos ataques dos piratas e corsários, que assolavam, atacavam e devastavam as povoações da ilha, com muita frequência. Foi precisamente neste histórico lugar, num serrado que ali existia e que posteriormente foi dividido por malhões dado que pertencia a três donos: ao Laureano Cardoso, ao António Barbeiro e ao Chileno.

A prática do futebol na Fajã Grande desenvolveu-se, sobretudo, graças ao empenho e esforço do médico, na altura residente na freguesia, o doutor Caetano Luís de Mendonça, que normalmente assumia a função de árbitro, do Luís Fraga que foi o primeiro treinador e do guarda Borges, este também integrando o primitivo elenco de jogadores.

Após alguns treinos, o primeiro jogo de futebol realizado na Fajã Grande foi contra uma equipa das Lajes, o “Nacional Sport Club” e teve lugar no dia 24 de Julho de 1939, data em que o campo do Estaleiro foi oficialmente inaugurado. Alguns anos antes havia sido fundado o primeiro clube de futebol da Fajã Grande, que o se chamava “Fajã Grande Sport Clube”, equipando com camisola azul e calção branco. No entanto e porque as dificuldades de deslocação na ilha, a fim de jogar com clubes de outras localidades, eram muitas, o clube fraturou-se, a fim de poder competir, originando dois clubes: o Sport, onde jogavam os melhores jogadores e o Salgueiros, uma espécie de equipa B, onde jogavam as reservas. Só nos anos cinquenta, depois do interregno que o futebol sofreu em todo o Mundo, devido à Segunda Guerra Mundial, os dois clubes fundiram-se originando o “Atlético Clube da Fajã Grande” que passou a utilizar o mesmo equipamento e cujo nome ainda hoje se mantém, conforme consta na lista de clubes da actual Associação de Desportos da Ilha das Flores.

Naquele jogo inaugural a equipa da Fajã perdeu por 2-1, alinhando com os seguintes jogadores: José Luís (de Abrão) (guarda-redes), Francisco Freitas, António Teodósio, Luís Pereira, José Pereira, Laurindo, João Gonçalves, Cristiano, Cardosinho, José Cardoso, Urbano e Nestor. O treinador era o Luís Fraga e os suplentes: José Gonçalves (conhecido por avançado Grilo), Francisco Inácio, António Cardoso, José Furtado, António Dawling, Arnaldo. João Lourenço, José Rodrigues, este contratado apenas por ser carpinteiro e para consertar as balizas que se desfaziam facilmente com os portentosos remates dos jogadores. As botas eram feitas pelos próprios com a ajuda do sapateiro Mestre Jorge que, com engento e arte invulgares, também fazia a bola.

Dizia, quem ainda o viu jogar, que o Nestor foi talvez o melhor jogador de sempre da Fajã Grande, tendo, no entanto, falecido bastante novo. A sua morte deveu-se ao próprio futebol. Anos mais tarde, durante um jogo já no campo das Furnas, a bola terá ido parar ao mar. Como só havia uma bola, o jogo parou e coube ao Nestor ir buscá-la, para o que teve que se atirar à água. Era inverno e esta estava muito fria e o Nestor muito suado. O contacto com a água gelada ter-lhe-á provocado uma constipação, seguida de uma pneumonia e depois uma tuberculose que lhe foi fatal.

No dia 8 de Setembro de 1940, festa da Senhora da Saúde, foi inaugurado o campo das Furnas. Alguns jogadores já haviam abandonado a modalidade, entrando outros, entre os quais: Teodósio, Albano, José Fagundes, David Fagundes, (Semilhas), Roberto do Cristóvão, José Santos (da Ponta) e o Abrão, um dos melhores guarda-redes de sempre da Fajã. Era voz corrente que em todos os jogos que realizou não sofreu um único golo. Nessa altura o Luís Fraga manteve-se como treinador.

Nos anos 50 o futebol renasceu o Atlético passou a ter como principais jogadores: Abílio (Guarda-redes), João do Gil, Lucindo e Elviro, Edmundo Pereira, Teodósio, Albino, Álvaro de João Carlos, David do Raulino, Roberto do Cristóvão, Ângelo João Augusto, Mário do Raulino, Luís Cardoso, Manuel Cardoso (Matateu), Álvaro do Raulino, José Borges, António Nascimento, José Augusto e António Greves, entre outros.

A mais retumbante vitória do Atlético deu-se numa tarde de maio da década de cinquenta. O club estava em grande forma e no auge da sua curta carreira futebolística. Domingo após domingo, muitas vezes até em dias de semana, à tardinha, um punhado de jogadores que constituíam o plantel não se coibia de treinar. O Atlético já realizara alguns jogos, no novo campo das Furnas e já se deslocara a Santa Cruz e às Lajes, mas com resultados pouco positivos. Mas nessa gloriosa tarde deslocava-se à Fajã a nova equipa lajense da Rádio Naval. Era uma equipa fortíssima constituída não só por jogadores naturais da ilha que, anteriormente, haviam jogado noutros clubes, mas também por marinheiros vindos do continente para trabalhar naquela estação. O Atlético não se atemorizou. O treinador, na altura, era José Fagundes que preparara bem a equipa fez alinhar: na baliza Abílio, na defesa os jovens Edmundo Pereira, Lucindo Fagundes e o experiente Álvaro de João Carlos. Como médios o treinador lançou Albino e o veterano Teodósio, jogando com os interiores Ângelo Câmara e Albano. Nos extremos colocou o David do Raulino à esquerda e o Ângelo de João Augusto, à direita, com o Manuel Cardoso a avançado centro. O campo encheu-se de gente, na generalidade apoiantes do Atlético, vindos da Fajã e da Ponta. O Atlético venceu a Rádio Naval por cinco a zero.

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O PRIMEIRO ENTERRO NA FAJÃ GRANDE

Segunda-feira, 19.09.16

O lugar da Fajã Grande foi ereto como paróquia de São José da Fajã Grande, por separação da de Nossa Senhora do Remédios de Fajãzinha, por alvará do bispo de Angra, D. Frei Estêvão de Jesus Maria, datado de 20 de Junho de 1861, incluindo nela as povoações da Fajã, da Ponta e da Cuada.

Os livros de óbito, afinal ainda registam um primeiro funeral no ano da ereção e não no seguinte como se cuidava

Reza assim o registo do óbito referente ao primeiro enterro verificado na paróquia de São José da Fajã Grande, ilha das Flores e de uma mulher casada, de trinta e sete anos e residente na rua da Fontinha. O da criança de nove meses cujos pais residiam na Cuada foi o primeiro a realizar-se no ano de 1862, mas o segundo realizado na vida da paróquia:

 

“A sete dias do mez de Dezembro de mil oitocentos e sessenta e hum, ao meio dia, na caza número cincoenta e dous, da Rua da Fontinha desta freguesia, concelho da villa das Lajens, Distrito Eclesiástico da cidade da Horta, diocese de Angra, faleceo Maria de Jesus de idade de trinta e sete anos, cazada com José António Pimentel, parochianos desta freguesia, filha de José António Roza e de Bárbara de Freitas, neta paterna de António Joé Roza e de Francisca Marcella e materna de António Caetano Gabriel e de Maria de Freitas, não fez testamento e deixou quatro filhos, recebeu os sacramentos próprios da Santa Madre Igreja Catholica; E para constar lavrei este assento em duplicado que assignarei. Era ut supra. O Phresbytero António José de Freitas.

 

Por sua vez, o terceiro óbito foi de uma mulher natural e residente na Ponta, de nome Floripes Luciana da Silveira, de quarenta e quatro anos casada com João de Freitas Fraga e que deixou quatro filhos.

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A MORTE DA ESPOSA DO GRUMETE ANASTÁCIO MOREIRA ALVES

Sexta-feira, 29.04.16

Corria o ano de 1934. Estávamos numa tarde solarenga de Junho. Toda a Ponta e Fajã eram abalroadas com a trágica notícia da morte, repentina e inesperada, na Rocha da Ponta, de uma mulher. Não se sabia quem era.

As mulheres, interrompendo os afazeres domésticos, umas pejadas outras com os garotos agarrados aos saiotes, saíam porta fora, na mira de se saber o que se passava e quem falecera. Umas aos gritos, outras em grande alvoroço. Na torre da igreja os sinos tocavam ininterruptamente. Uma grande desgraça acontecera.

Por fim a trágica notícia confirmou-se:

- Uma mulher, a rondar os sessenta anos, natural da Fajã Grande, mas que se deslocava a Ponta Delgada, onde tinha familiares, subindo a rocha da Ponta, como era uso e costume na altura, falecera de repente a meio da subida. Sabia-se que a mulher subia acompanhada de alguns familiares entre os quais o neto, na altura apenas com sete anos e no colo de quem viria a falecer.

Mais tarde soube-se que a mulher era Maria dos Santos Moreira, esposa de Anastácio Moreira Alves, sendo o neto que a acompanhava José da Silveira Alves. Maria dos Santos Moreira nascera na Fajã Grande em 1875 e era filha de Francisco Lourenço do Nascimento e de Ana Laureana do Nascimento, que haviam casado em 11 de Abril de 1869, na Fajã Grande. Maria dos Santos Moreira casara com Anastácio Moreira Alves, grumete da Armada, que nascera em 1871 na freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho e distrito de Leiria. Anastácio era filho de Bento Moreira e de Teresa de Jesus e o casamento realizou-se na igreja paroquial da Fajã Grande das Flores, em 22 de Maio de 1895.

A freguesia de Santa Catarina da Serra, onde nascera o grumete Anastácio, fica situada na parte mais a sudeste do concelho de Leiria, fazendo fronteira com o distrito de Santarém e com as freguesias de Caranguejeira e Cercal, Arrabal, Chainça e São Mamede, Fátima, Atouguia e Gondemaria.

Trata-se de uma antiquíssima freguesia criada em 1549 pelo primeiro bispo de Leiria, D. Frei Brás de Barros, tendo sido, na altura, desanexada da freguesia de S. Pedro de Leiria. É composta por várias povoações. Ultimamente tem conhecido bastante desenvolvimento, devido sobretudo à sua localização geográfica, nomeadamente devido à sua proximidade com a cidade de Fátima e, também, devido à dinâmica da sua população e de muitas empresas que ali tem sido criadas. Santa Catarina da Serra foi elevada a vila a 12 de Julho de 2001. Um dos edifícios mais emblemáticos da vila é sem dúvida a Igreja de Santa Catarina.

Recorde-se que grumete é a praça da Marinha Portuguesa com a graduação mais baixa. Durante a instrução militar básica ou a recruta, um instruendo na Marinha é designado segundo-grumete recruta. Após a instrução militar e cerimónia de juramento de bandeira, os militares da Marinha são incorporados com o posto de segundo-grumete; o posto seguinte é primeiro-grumete, imediatamente inferior a segundo-marinheiro. Após a formação técnica complementar, os grumetes desempenham funções de acordo com especialidade com que são habilitados. A nível de uniformes, os grumetes não têm distintivo do posto. São identificados pelo uso do distintivo da classe técnica a que pertencem.

 

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HISTORIAL DA MAIS OCIDENTAL FREGUESIA AÇORIANA

Quarta-feira, 20.04.16

A Fajã Grande, ocupando uma área de aproximadamente 12,55 quilómetros quadrados, foi sempre uma das freguesias mais povoadas do concelho de Lajes das Flores e de toda a ilha. Localizada na costa oeste, confronta com as freguesias de Ponta Delgada das Flores e da Fajãzinha e representa o lugar mais ocidental dos Açores, de Portugal e de toda a Europa. Um pouco afastado da sua orla costeira, encontra-se o ilhéu de Monchique, o último sinal físico que separa o Velho do Novo Mundo, assim descrito pelo Padre José António Camões: "Em distancia de uma legoa, pouco mais ou menos, a noroeste da ilha, está um alto ilheo de pedra chamado Monxique, que sendo bem alto (nada menos de vinte braças de altura) há por vêzes mar tão bravo naquella Costa, que o cobre todo, saltando-lhe as ondas por cima".

Administrativamente, só na segunda metade do século XIX, a Fajã Grande obteve a sua autonomia política e religiosa. A freguesia de Nossa Senhora do Remédios das Fajãs, a que pertencia o lugar de Fajã Grande, havia sido instituída em 1676, englobando os lugares da Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro. Nesse ano, haviam sido desanexados os lugares da Ponta da Fajã, que até então pertencia à freguesia de Ponta Delgada, e do Mosteiro, integrando a freguesia das Lajes. Duzentos anos mais tarde, por provisão do Bispo de Angra, Frei Estevão, datada de 1861, foi instituida a Paróquia de São José de Fajã Grande em conjunto com as povoações da Ponta e Cuada. O Padre Camões, relativamente a esta região, afirma o seguinte: "Continua baixio até uma pequena enseada a que chamam a baixa d'agoa. Continua baixio, baixio até chegar ao porto da Fajã Grande, que tem no meio um grande morro chamado o Calhau da Barra. Para dentro do dicto Calhau fica um grande poço de mar chamado o Poção, que dá refugio aos barcos que entrão com mar bravo".

Gaspar Frutuoso, por outro lado, oferece-nos uma descrição mais viva da região, na sua obra Saudades da Terra: "Dali a um quarto de légua está uma Fajã, chamada Grande, que dá pão e pastel, em terra rasa, com algumas engradas onde entram caravelas de até cinquenta moios de pão a tomar o pastel que nela se faz, onde também há marisco e pescado de toda a sorte, e no cabo dela está um areal, de meia légua de comprido, em que sempre, anda o mar muito bravo; e dali por diante, a outra meia légua, é tudo rocha talhada, onde se apanha muita urzela, e de muita penedia por baixo, em que se cria infinidade de marisco e grandes caranguejos e desta mesma maneira corre a rocha um tiro de bombarda até uma ponta, que sai ao mar um tiro de arcabuz, com um baixo de pedra, que tem lapas e búzios; e, logo adiante da ponta, se faz uma baía, onde com ventos levantes ancoram navios de toda a sorte e também naus da Índia. No meio deste ancoradouro cai da rocha no mar, a pique, uma grande ribeira".

Este texto permite concluir-se que, na época, a Fajã Grande era centro de grandes transações comerciais, chegando mesmo as caravelas da Índia a encontrar aqui um precioso desembarcadouro.

Por outro lado, o autor faz ainda uma clara referência á riqueza e variedade do pescado da região, ainda hoje preservado. Apesar de, atualmente, não registar tão grande azáfama a Fajã Grande continua a encantar quem a visita, pela amenidade do seu clima, pela transparência das suas águas ou pelas suas piscinas naturais, enfim, ela assume-se hoje como uma verdadeira estância de veraneio para todos os florentinos.

De todos os lugares que compõem esta pitoresca freguesia, dois sobressaem pelas suas paisagens naturais: a Ponta e a Cuada. A Ponta é um lugar quase mítico, imaginária e de sonho, num mundo marcado pela solidão e pela falta de valores. Desde que serviu de fronteira entre as freguesias de Nossa Senhora do Remédios de Fajãzinha e de São Pedro da Ponta Delgada, o destino desta região ficou para sempre traçado. Atualmente, com as suas cascatas de águas e escorrer pelas escarpas abaixo, a Ponta da Fajã Grande é um idílico lugar onde vivem menos de 20 pessoas. Com tradições profundamente rurais, aqui ainda se ouve o cantar dos pássaros, o murmurar das águas e o marulhar do mar, por vezes intempestivo. Por sua vez Cuada, palavra que deriva de saracotear, ou seja, «andar de um lugar para o outro», mas que Pedro da Silveira afirmava vir de cu, por ficar na parte de trás da freguesia, foi uma povoação que, desde cedo, sentiu o fenómeno da desertificação. Este airoso terraço ou planalto entre a Fajã Grande e a Fajãzinha, encontra-se assim associado, na mais pura tradição florentina do aldear, aos contrastes e dissabores que, com o tempo, foram surgindo na Fajã e que levaram algumas famílias a abandonarem a sua terra natal.

 

"A Fajã é uma vila,

A Quada é um outeiro

P'ra onde as aves do campo

Vão fazer o seu linheiro.

 

As tecedeiras da Quada

São todas muito apuradas,

Tecem colchas cobertores,

Cobertas e almofadas,”

 

Hoje, quase todo o povoado da Cuada foi recuperado para fins turísticos o que constitui sem dúvida um exemplo de Turismo Rural de sucesso. "Aldeia da Quada", é um sítio convidativo à Paz, e ao bucolismo que a ilha inspira. Um contacto imprescindível com a Natureza que se recomenda.

Porque as pessoas são parte integrante da História de cada região, Fajã Grande orgulha-se de ter sido o berço de algumas personalidades que, no seu tempo e à sua maneira, contribuíram para o seu engrandecimento. De entre as várias individualidades florentinas, destacam-se o Padre José Luís de Fraga, pelos seus dons de orador, escritor e músico; e Pedro da Silveira, historiador e poeta, com vários trabalhos publicados.

 

NB – Dados retirados da net: Sites da C.M. das Lajes e J.F. da Fajã Grande.

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OLHA A MALA

Quinta-feira, 14.04.16

Olha a Mala, Olha a Mala era talvez uma das cantigas mais cantada por toda a gente na Fajã Grande. Homens, mulheres, rapazes e raparigas, novos e velhos toda a gente a cantava. Fora a chegada da rádio à freguesia, na década de cinquenta que a trouxera. Ficou, pegou e quase marcou uma época. Trata-se de um fado cantado na altura por Celeste Rodrigues, com letra e música de Manuel Casimiro. A canção inicialmente parece ter sido proibida pela censura, talvez por se cuidar que existiria alguma contestação ao regime salazarista nas entrelinhas, mas acabou por acabou passar na rádio com uma frequência impressionante. Como era daquelas canções que se fixam na memória de quem as ouvia com facilidade, passou a fazer parte da vida das pessoas. A Fajã Grande a saborear, na altura, os primórdios da chegada da rádio, não foi exceção à onda que avassalou o país.

A letra era a seguinte:

 

Caiu um hidroavião

Eu não sei de onde é que ele é,

Não trazia ninguém dentro

Foi parar à Nazaré.

 

Olha a mala olha a mala,

Olha a malinha de mão.

Não é tua nem é minha

É do nosso hidroavião

 

E o nosso hidroavião

É da madeira mais fina

Foi cair a Nazaré

Por falta de gasolina

 

Eu um dia fui à praia,

De manhã de manhãzinha,

Não vi pescador nem peixe

Só lá vi uma malinha.

 

De quem é esta malinha,

Que um dia deu à costa?

Se ela veio aqui parar,

Se cá veio é porque gosta.

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HERÁLDICA

Quinta-feira, 03.03.16

Um brasão é um desenho especificamente criado com a finalidade de identificar indivíduos, famílias, clãs, corporações, freguesias, vilas, cidades, regiões e nações. Todas as cidades, vilas e aldeias portuguesas têm o seu brasão, elaborado segundo as tradições e as leis da heráldica portuguesa. Chama-se Heráldica ao estudo, elaboração e arquivo dos diversos brasões. Os brasões das povoações geralmente contêm desenhos ou imagens relacionados com a história, a localização, as características ou com o património cultural e natural da localidade que representam. Atualmente é frequente o uso de brasões como símbolo das freguesias, dos municípios e das regiões, que também têm a sua bandeira, onde normalmente figura o brasão.

Segundo a heráldica portuguesa, o brasão da freguesia da Fajã Grande, publicada no Diário da República, I Série de 26 de Maio de 2003, é o seguinte:

 Escudo de azul, rochedo de prata realçado de negro, movente de campanha diminuta ondada de prata e verde de três tiras; em chefe, bilha de leite de prata, entre uma espiga de trigo à dextra e uma espiga de centeio à sinistra, ambas de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “ FAJÃ GRANDE“.

Por sua vez a bandeira da Fajã Grande tem o seguinte formato e cores:

Esquartelada de amarelo e verde. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

A interpretação deste brasão da mais ocidental freguesia açoriana poderá ser, entre outras, a seguinte: A agricultura e a pecuária estão representadas em lugar de destaque como principais atividades económicas da freguesia, que na verdade sempre o foram desde os primórdios do seu povoamento. Assim as duas espigas, uma de trigo, outra de centeio, poderão muito bem representar a atividade agrícola, predominante na freguesia, embora hoje, naturalmente, deveriam ser espigas ou maçarocas de milho mas sabe-se que antigamente, na Fajã Grande, se cultivava apenas trigo e algum centeio. A pecuária e a produção de leite estão representadas pela bilha, embora também na Fajã Grande, nos tempos mais modernos se usassem latas em vez de bilhas. O mar que envolve a freguesia, embora não tirando dele grande proveito, estará representado pela enorme mancha azul que domina grande parte da área do brasão. Finalmente o rochedo de prata coberto de regos negros poderá significar a ilha onde a freguesia se situa, os ilhéus que a rodeiam ou as rochas que a dominam a leste, tudo ondeando sobre sonhos e desejos de esperança.

O estandarte, por sua vez, significa o triunfo, a vitória e o sucesso desta freguesia, onde domina o verde dos campos, das relvas e dos matos e o amarelo dos trigais, das searas em flor e dos cubres de flor amarela que cobriam a e outros locais da ilha das Flores, a quando da sua descoberta.

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GOMES DIAS RODOVALHO

Domingo, 29.11.15

Hoje sabe-se que entre os primitivos moradores da ilha das Flores existia um número significativo de europeus, oriundos de vários quadrantes deste continente. Assim e segundo Pedro da Silveira, alguns dos mais ilustres nomes da população florentina atual denunciam uma origem estrangeira, muito embora os homens e as mulheres que para a ilha os levaram fossem todos portugueses.

À cabeça destes surge o nome de Gomes Dias Rodovalho da família dos Rodovalhos e primeiro capitão-mor e ouvidor da ilha das Flores, que, na sua origem, tinha sangue francês. Desconhece-se ao certo a origem desta família Rodovalho, mas alguns genealogistas pretendem que seja originária de França, da casa de Redoval, na Normandia, e que um seu membro emigrou para Portugal, fixando-se em Alcácer do Sal. Dizem também, que o apelido Redoval se aportuguesou em Rodovalho, o que parece mais forçado do que admitir que ele provém, muito simplesmente, do peixe com o mesmo nome. Constam como filhos do pretenso francês emigrado para Portugal, entre outros, um Diogo Vaz Rodovalho, que casou com Maria Esteves Cansado, em Viana do Alentejo, donde Gomes Dias também era natural e de quem, muito provavelmente, seria descendente.

Verdade porém é que Gomes Dias Rodovalho está para sempre ligado à história da ilha das Flores e, muito concretamente, à curta história da freguesia da Fajã Grande, já que terá sido ele o principal responsável pelo povoamento definitivo de grande parte da ilha e, juntamente com sua mulher, Beatriz Lourenço Fagundes, segundo o padre António Joaquim Inácio de Freitas, o primeiro casal a fixar-se no lugar onde hoje se situa da Fajã Grande.

Personagem coeva mas anterior a Dias Rodovalho é o capitão-donatário, João da Fonseca, também natural do Alentejo, que acompanhou às Flores, com o intuito de povoar a ilha, a primeira leva de colonos, entre os quais se encontrava Gomes Dias Rodovalho. Cuida-se que com eles chegaram, nomeadamente, Diogo Pimentel, Antão Vaz, Lopo Vaz, os irmãos Rodrigo Anes e Álvaro Rodrigues, Pedro Vieira e João Fernandes que se fazia-se acompanhar das suas sete filhas. Chegaram também os irmãos António e Pedro Fraga, com as respetivas mulheres e Jordão Rodrigues, Gonçalo Anes Malho e João Fernandes.

Segundo Frei Diogo das Chagas Gomes Dias Rodovalho, ainda solteiro, terá permanecido algum tempo na ilha Terceira, casando na Praia da Vitória, com Beatriz Lourenço Fagundes. Cuida-se que o próprio Frei Diogo Chagas era bisneto de Rodovalho. Só mais tarde o casal se deslocou para as Flores. Terá assim o nome Fagundes, muito possivelmente, levado para as Flores, a partir da Terceira.

O capitão-donatário João da Fonseca deu a cada um desses homens que aportaram à ilha, uma sesmaria ou seja um quinhão ou pedaço de terreno. Como regressasse, pouco depois, ao Reino a fim de ir mandando novos colonos para as Flores, deixou na ilha Gomes Dias Rodovalho como seu capitão-mor, ouvidor e sesmeiro ou distribuidor de terras. Assim terá sido Gomes Dias Rodovalho o primeiro capitão-mor das Flores, sendo também o responsável pela distribuição de terrenos pelos novos colonos que, entretanto, iam chegando à ilha.

Do casamento com Beatriz Lourenço Fagundes, Gomes Dias Rodovalho teve os seguintes filhos, todos eles nascidos nas Flores: Tomé e Francisco Gomes, ambos casados com filhas de Diogo Pimentel e Catarina Antunes; Gomes Dias Rodovalho, com nome igual ao do pai, casado com Luísa de Mendonça; Henrique Gomes, que casou com Inês Álvares; Ciprião Gomes, casado com Brízia Valadão; Fernão Lourenço, que foi casado em segundas núpcias com Violante Privado e que, por quatro vezes, a última das quais com mais de 80 anos, exerceu o cargo de ouvidor; Garcia Dias Fagundes, que foi mulher de Inácio Fraga, talvez estes os avós de Frei Diogo Chagas; Nuno Gomes, casado com Maria Pimentel.

 

NB – Dados retirados de Francisco António Gomes e da Net

 

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CCOPERATIVAS AGRÍCOLAS

Terça-feira, 17.11.15

Hoje sabe-se, através de escritos e livros sobre o tema publicados que as primeiras tentativas de apoio aos agricultores e criadores de gado da ilha das Flores tiveram lugar na freguesia do Lajedo sob a égide do padre José Furtado Mota, na altura pároco daquela freguesia. Este movimento, pioneiro no arquipélago e no país, pelo menos na área dos lacticínios, teve como causa a drástica descida, na altura, do preço do leite à produção, imposta sobretudo a partir de 1912 pelos industriais das Flores. É então que surge a ideia da criação de um grande sindicato agrícola que, abrangendo toda a ilha, tivesse como objetivo o fabrico e exportação de lacticínios e a exportação de gado a liquidar em Lisboa por conta própria, o qual foi criado nos mais tarde, seguindo-se a formação de cooperativas de laticínios, uma das quais teve lugar na Fajã Grande., sendo o seu primeiro presidente tio Mateus Felizardo Os sucessos iniciais destas iniciativas foram claríssimos e os agricultores das Flores conseguiram colocar, pela primeira vez, os seus produtos em Lisboa, sem intermediários, a preços bastante remuneradores. Não foi fácil, porém, o caminho que conduziu ao estabelecimento das cooperativas, cuja progressão e sucesso, ao bulir com os interesses de alguns comerciantes e políticos locais, suscitou, da parte destes, violenta e impiedosa reação. Nas Flores, proibiram-se, então, reuniões aos cooperativistas, mandou-se a tropa fiscalizar outras, fizeram-se ameaças e esperas em caminhos mal frequentados, recusaram-se arrendamentos de terras aos associados e renunciaram-se outros contratos, chegando as autoridades locais a proibirem a exportação para Lisboa da manteiga das cooperativas, as quais chegaram a ter em armazém grandes quantidades de manteiga, correndo o risco de se estragar, dado na altura ainda não existirem câmaras

Mas o grande ataque às cooperativas e que havia de provocar a sua morte foi obra da firma Martins e Rebelo. Ao instalar-se na Fajã Grande e, provavelmente noutras freguesias, começou a pagar o leite a um preço ligeiramente superior ao das cooperativas. Os sócios, assim ludibriados foram-nas abandonando e elas ruíram até à sua destruição total,

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CLARA DE JESUS

Quarta-feira, 28.10.15

Clara de Jesus nasceu na freguesia de Ponta Delgada, ilha das Fores, na última década do século XVIII e faleceu na Fajã Grande, a 2 de Dezembro de 1864, com setenta e três anos. Foram seus pais Francisco António Rodrigues e Francisca Valadão. Era oriunda de uma família abastada a que pertenciam alguns dos militares que, na altura, comandavam as guarnições e fortes da orla costeira, noroeste, norte e nordeste da ilha das Flores. Estes fortes abundavam, sobretudo, no norte da ilha, mais precisamente na zona da freguesia de Ponta Delgada onde a defesa da baía e dos portos estava cometida aos fortes do Porto, Portinho, Ponta do Ilhéu, Pau Pique, Fragona, Ribeira do Moinho e Carregadouro das Barrosas. Muito provavelmente foi esta ligação familiar a tios militares, que acabou por ligar a família da jovem Clara de Jesus à do tenente Bartolomeu Lourenço Fagundes, na altura a comandar o forte do Estaleiro da Fajã Grande, onde residia. Este relacionamento, muito provavelmente, originou que Clara casasse com um filho do tenente Bartolomeu Fagundes, de nome Manuel Joaquim Fagundes, sendo o casamento realizado na igreja de São Pedro de Ponta Delgada, em 8 de Janeiro de 1809, tendo ela cumprido, anteriormente a desobriga na quaresma. Um dos padrinhos ou testemunha do ato matrimonial foi o Tenente Manuel Valadão, a comandar um dos fortes de Poma Delgada, tendo o casamento sido oficiado pelo ilustre escritor florense, o padre José António Camões, na altura pároco da freguesia de Ponta Delgada. Foram os seus sogros Ana de Freitas e Bartolomeu Lourenço Fagundes, filho de António Silveira Azevedo, natural de Santa Luzia do Pico, casado com Catarina de Freitas, migrado para a Fajã Grande juntamente com os pais José Pereira Azevedo e Maria de São João.

Em 1816 Clara sofre o primeiro grande desgosto, com a morte do sogro, com pouco mais de sessenta anos. Mas um ano antes, em1815, assistiu à missa nova do seu cunhado, irmão do marido, o padre José Narciso da Silveira que durante alguns anos viveu na Fajã Grande sendo o capelão da ermida de São José e que foi pároco do Lajedo, entre 1921 e 1953.

Um dos factos mais interessantes da sua via foi, na verdade, o de ter presidido ao seu casamento o padre José António Camões uma das mais insignes figuras da cultura florense, autor de vários livros, entre os quais o polémico Testamento do D. Burro. Na altura pároco em Ponta Delgada, tendo sido também ouvidor de Santa Cruz.

Após o casamento juntamento com o marido, Clara decidiu fixar residência na Fajã Grande, na rua Assomado onde viveu até ao ano do seu falecimento, a 2 de Dezembro de 1864.

Teve vários filhos, alguns dos quais ainda estavam vivos a quando da sua morte. Um deles foi António Joaquim Fagundes, casado com Policena de Jesus, na igreja da Fajãzinha em 8 de Novembro de 1855 e que foram os pais da minha avó paterna, Maria de Jesus Fagundes. Portanto Clara de Jesus foi minha trisavó pelo lado de meu pai. Outro filho foi José Lourenço Fagundes casado com Mariana Joaquina e que também casaram na Fajãzinha, em 5 de outubro de 1838. Ele faleceu em 4 de Abril de 1883, deixando sete filhos. Um terceiro filho teve o mesmo nome do avô, Bartolomeu Lourenço Fagundes, tendo casado por duas vezes. A primeira com Maria Laureana da Silveira, em 7 de dezembro de 1854, sendo que deste casamento faleceu uma filha de 23 anos com o mesmo nome da mãe e a segunda vez com Policena Margarida do Coração de Jesus, em 31 de outubro de 1878. Do primeiro casamento nasceram três filhos, o último dos quais foi meu bisavô materno José Fagundes da Silveira, pelo que Clara de Jesus foi minha tetra avó materna, pelo lado da minha mãe. Do segundo casamento nasceram mais filhos, um dos quais também casou duas vezes. Das primeiras núpcias foi pai do Alfredo Batelameiro e do Lourenço, ainda residentes na Fajã nos anos cinquenta e das segundas teve como filhos a Deolinda e da Maria do Céu, as primas Fragueiras que portanto, eram bisnetas da Clara de Jesus. Este terceiro filho de Clara de Jesus faleceu em 3 de Dezembro de 1902 com 70 anos. O quarto filho de Clara de Jesus foi Manuel Joaquim Fagundes que casou em Ponta Delgada com Maria Laureana do Coração de Jesus, natural desta freguesia, em setembro de 1845 e enterrou um filho de um mês de vida em 26 de agosto de 1865. Maria Laureana faleceu em 19 de Julho de 1888, Deixou 4 filhos e ele casou segunda vez com Ana Laureana de Freitas, filha de Laureano José de Freitas Henriques e Ana Emília de Freitas. O último filho de clara de Freitas de que há registo foi Francisco Lourenço Fagundes que casou com Maria dos Santos em de Julho de 1863. Ela faleceu alguns anos mais tarde, com 60 anos e sem filhos. Ele passou a viver maritalmente com uma senhora que morava na Via d’Água, de nome Ana Clara da Silveira, falecendo em 15 de Agosto de 1889.

O que de mais interessante se me depara na vida desta grande mulher, Clara de Jesus, é o facto de ela ter sido, simultaneamente, minha trisavó pelo lado do meu pai e minha tetra avó, pelo lado da minha mãe, o que significa que os meus progenitores ainda eram primos.

 

NB – dados retirados dos livros de registo de batizados, casamentos e óbitos da paróquia de S. José da Fajã Grande.

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A VISITA PASTORAL À FAJÃ GRANDE NA DÉCADA DE CINQUENTA

Segunda-feira, 28.09.15

Foi no início de agosto de 1954, que D. Manuel Afonso de Carvalho, ainda na sua condição de bispo coadjutor Diocese de Angra e bispo titular de Rhaedestus, realizou a sua primeira visita pastoral à Fajã Grande. Toda a freguesia aguardava, expectante e esperançada, a visita do bispo. Há dezenas de anos que um bispo não visitava a Fajã, uma vez que a última visita tinha sido realizada por Dom Guilherme Augusto da Cunha Guimarães muitos anos antes. O pároco, preocupado para que tudo corresse da melhor forma e Sua Excelência Reverendíssima fosse recebido com pompa e circunstância, como convinha a um príncipe da Igreja, mobilizou a parte mais crente do rebanho, na preparação e arranjo de tão abençoado e santificado evento.

Foi, sobretudo, nos dias que antecederam a chegada do Prelado que quase toda a freguesia se empenhou na preparação de tão desejado evento, não apenas na ornamentação das ruas, do adro e da igreja mas também no que à preparação espiritual dizia respeito, nomeadamente confessando-se. É que o prolongado interregno das visitas episcopais originara que quase metade da freguesia tivesse que se preparar para receber o crisma. Mas muitos outros paroquianos também estavam ligados à cerimónia, uma vez que tinham sido recrutados como padrinhos ou madrinhas. A todos fora imposto a necessidade prévia de lavar culpas e confessar pecados, branqueando costumes e purificando atitudes. Daí que durante a tarde da véspera da chegada do bispo a igreja abarrotasse de gente para se confessar. Uma procura penitencial como há muito se não vira e que ultrapassava, de longe, a desobriga pascal. Assim o pároco foi obrigado a convidar para o ajudar no confesso os reverendos párocos de outras freguesias e alguns professores do Seminário a passar férias na ilha. Para além dos confessionários laterais, acrescentou dois ralos suplentes, encravados na grade da capela-mor, enquanto outros padres atendiam os penitentes ao lado d altar-mor e até na sacristia.

O templo convidava à oração e à penitência. Ensombrado numa penumbra clarificante, exalava um cheiro a silêncio, a perdão e a arrependimento simulados. Dos altares, recheados de sécias, gladíolos, azáleas e velas a arder, emanava um perfume doce, atraente e sereno. Das altas janelas suspendiam-se sanefas de damasco vermelho, debruadas a amarelo e cortinas de linho rendado. Homens e mulheres, de joelhos ou sentados, cabisbaixos, entretinham-se, indistintamente, a simular arrependimento e penitência, num esforço improfícuo, de lembrar as culpas de que iriam solicitar perdão. Alguns, menos pacientes, esgueiravam-se, na tentativa de procurar confessor mais benevolente. Outros, já aliviados, bichanavam Padres-Nossos e Ave-Marias, em quantidades variáveis, conforme lhes fora imposto, pelo confessor, de acordo com a quantidade e a gravidade das faltas declaradas. O templo transformara-se, enfim, num epicentro de arrependimento e de perdão! Não havia falta, culpa ou pecado declarado pelo arrependimento dos penitentes, que escapulisse à fúria benevolente e perdoadora dos confessores. Algumas senhoras mais experientes em alfaias litúrgicas haviam preparado a sacristia, colocando sobre o mesão, para que o bispo observasse o seu estado de conservação, a casula festiva, de damasco branco, debruada e bordada a amarelo e que o bispo vestiria, ao chegar ao templo, substituindo a capa de asperges que envergaria desde a Casa do Espírito Santo. Ao lado, os outros paramentos usados ao domingo, o cálice, a píxide, a custódia, a caldeirinha com o hissope, o turíbulo e a naveta, tudo muito limpo e areado, brilhando a novo. Cuidavam as desveladas e castas senhoras que o Senhor Bispo vendo o empenho que o pároco colocava no asseio e manutenção das alfaias litúrgicas, concluísse do seu zelo espiritual, da dedicação religiosa e dos cuidados e orientação que dedicava ao rebanho que, por mandato canónico, lhe havia sido confiado.

No adro, muitos dos que já se tinham aliviado dos pecados e cumprido a penitência imposta iniciavam a ornamentação. Bandeiras multicolores suspendiam-se, cruzadas, das varandas e beirais das casas. Muitos portões eram revestidos com verdura, a fim de ocultar a sua rudez e pobreza. Uns picavam ramos e folhas, enquanto outros desfolhavam as pétalas das flores. As azáfamas eram grande e a confusão ainda maior do que dentro do templo.

No dia seguinte toda a população, acompanhada da filarmónica Senhora da Saúde, dirigiu-se para o cais, a fim de esperar o Prelado, vindo de Santa Cruz num gasolina, utilizado, habitualmente, na caça à baleia. O Sucessor dos Apóstolos foi recebido, no Cais, com palmas e foguetes. Seguiu-se um cortejo, subindo o caminho do Porto, o Matadouro e a Via de Água até à Rua Direita, onde se situava a casa do pároco, onde D. Manuel se recolheu para descansar uns minutos. A freguesia inteira era um mar de regozijo e satisfação, onde se movimentavam marés de contentamento e ondas de felicidade. O povo todo havia saído à rua ou acorrido às janelas e varandas para ver, saudar e aclamar o Pontífice, que não se poupava a distribuir bênçãos, indulgências e sorrisos.

Passado algum tempo já paramentado de capa de asperges, báculo e mitra, assumindo a verdadeira razão de ser do epíteto de Príncipe da Igreja, o bispo saiu da Casa do Espírito Santo de Cima, percorreu em majestosa procissão a rua Direita toda atapetada e engalanada À frente, os anjinhos de asas brancas e cestas de flores e as crianças da Cruzada Eucarística, cobertas com a cruz de Malta, desenhada a vermelho, em faixas brancas, atravessadas sobre o peito. A seguir os que iam crismar e os padrinhos. Depois os homens de opas brancas e vermelhas, carregando lanternas, pendões, cruzes e velas. Finalmente o clero, envergando sotaina negra e sobrepeliz branca e o pálio, sob o qual seguia o bispo, acolitado pelos ouvidores das Lajes e da Vila. A Senhora da Saúde, persistindo nos seus acordes, por vezes, abafados pelo toque dos sinos ou pelo ribombar dos foguetes, fechava o cortejo. Das janelas, varandas ou pátios, jovens donzelas atiravam pétalas de flores, que o prelado retribuía com bênçãos e sorrisos.

Chegando à igreja, o bispo pegou no hissope que o pároco lhe oferecia e levou-o à cabeça, desenhando cruzes sobre si próprio e no ar. De seguida aspergiu o povo, humildemente ajoelhado, submisso e contrito, enquanto o coro entoava o "Ecce Sacerdos".

Seguiu-se a missa, durante a qual sua Excelência Reverendíssima administrou o Crisma a dezenas de fiéis, muitos deles já adultos e pais de família.

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GRANDE TRAGÉDIA

Sábado, 15.08.15

Na década de cinquenta ainda se ouviam os ecos da enorme e terrível tragédia que se abateu sobre a freguesia no dia 14 de Agosto de 1942. Um acontecimento que perdura na memória de várias gerações e que, sem sombra de dúvida, se tornou para sempre no dia mais terrível para a população da mais ocidental freguesia açoriana. Um marco terrível na vida de muitas famílias.

Na verdade corria o ano de 1942. Muitos peregrinos da Fajã decidiram ir ao Corvo, à Festa da Senhora dos Milagres, uma tradição que se mantinha desde há muitos anos. Organizou-se a excursão, fretou-se o gasolina e, na tarde do dia treze de Agosto, partiu, do cais, com quarenta e cinco passageiros, quase todos da Fajã e da Ponta, com destino ao Corvo, o gasolina “Senhora das Vitórias” também conhecido pela “Francesa”. A partida atrasou-se e a embarcação chegou ao Corvo, já noite escura. Ao aproximar-se da ilha, o mestre viu uma luz em terra e, cuidando que era o pequeno farol que indicava o porto, rumou a terra. Infelizmente a luz não era a do farol, nem o porto era ali e “A Senhora das Vitórias” enfiou-se, precipitadamente e de rompante, sobre as baixas dos Laredos, abrindo um enorme rombo a meio, enchendo-se de água e provocando grande pânico entre os passageiros. A confusão foi geral, a precipitação tremenda e o terror gigantesco. Não havia luz alguma, por ali perto, cada qual procurava salvar-se e salvar os seus familiares que a muito custo encontravam ou nem chegavam a encontrar, acabando por perder a vida neste acidente dezasseis passageiros e ainda um dos proprietários da embarcação de nome António Jorge de André Freias, residente nas Lajes. Da Fajã Grande morreram: António Cardoso de Freitas, Maria Garcia Ramos, Elvira Vitória Ramos, Maria dos Anjos Freitas Henriques, Ercília Garcia Ramos, José Inácio Luís, Glória Barbeiro, João Furtado Sousa, Ana Fagundes e Violante Cândida. Da Ponta faleceram Lídia Freitas Dias, Aurora Inês Freitas, José António Filipe, Manuel Furtado Silveira e Teresa Serpa. Também perdeu a vida neste acidente José Caetano Gangão, natural e residente da Fajazinha.

Diziam as pessoas mais antigas que quando a notícia, no dia seguinte, chegou à Fajã, “parecia um dia de juízo”, pois todos os que tinham familiares embarcados na véspera, para o Corvo, cuidavam que eram eles os falecidos. A freguesia encheu-se de gritos e de prantos, de confusão, de terror, de angústia e desespero, à medida que os nomes dos mortos iam sendo conhecidos.

No entanto, no Corvo, as autoridades e os responsáveis pelos destinos da ilha, com os limitadíssimos recursos e meios de salvamento que dispunham, tentavam recolher os náufragos e prestar auxílio às vítimas. O local, porém, era longe do povoado e de difícil acesso. Os meios de transportes nulos e os náufragos, quer os mortos quer os vivos, foram transportados a ombros. Havia apenas um médico na ilha. Após muito esforço conseguiram levar os mortos para a Casa de Espírito Santo do Outeiro, onde foram estendidos no chão, sem lhe serem prestados os primeiros socorros, não sendo, provavelmente, assistidos da melhor forma.

O desastre do Corvo que assinala o dia mais trágico da história fajagrandense perdurou anos e anos na memória de todos e muito especialmente na dos familiares daqueles e daquelas que tão tragicamente perderam a vida, naquela fatídica noite de 13 para 14 de Agosto de 1942.

Contava-se que a única criança que viajava se salvou. Um dos passageiros, instintivamente, ter-lhe-á pegado, trazendo-a para terra sã e salva. Só que esse salvador terá voltado atrás na tentativa de salvar algum familiar, tendo, infelizmente, perdido a própria vida. A criança salvou-se, mas nunca soube quem foi o seu salvador. Tratava-se de pequeno francisco Pureza, filho do Senhor José Pureza, morador na Assomada,

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O SEGUNDO EXAME OU DA QUARTA CLASSE

Sexta-feira, 26.06.15

Foi apenas nas décadas de 40 e 50 que começou a realizar-se o chamado exame da quarta classe ou exame do segundo grau e que só se poderia efetuar depois de se ter realizado, com sucesso, o exame da terceira classe ou primeiro exame. Até então realizava-se somente este exame. O exame da quarta, nestes tempos, assim como o primeiro exame em tempos idos, não era obrigatório e, por isso, algumas crianças não o faziam. Umas porque revelavam fracas capacidades de aprendizagem outras, na maioria dos casos, porque os pais precisavam delas para as ajudar nos trabalhos agrícolas e, no caso das meninas, para colaborarem nas lides domésticas, no lavar da roupa ou na guarda de algum irmão mais novo. Além disso, este exame tinha um grande inconveniente. É que apenas poderia ser feito nas Lajes e durava dois dias: um para a prova escrita outro para a prova oral. Ora nestes tempos as deslocações da Fajã para as Lajes eram realizadas a pé uma vez que não havia nem estradas nem automóveis. Uma deslocação às Lajes demorava cerca de quatro horas a andar depressa e sem paragens para descansar. Como os exames começavam rigorosamente às nove horas, as crianças teriam que levantar-se alta madrugada e fazer uma viagem cansativa o que havia de refletir-se de forma muito negativa nos resultados do seu exame. Além disso teriam que se fazer acompanhar de um familiar adulto, não apenas durante a viagem mas também nos dias em que permanecia na vila. Isto implicava a perda de três dias de trabalho e uma insuportável despesa que a maioria das famílias não podia ombrear, pese embora muitas crianças se hospedassem gratuitamente em casa dos “Conhecidos” da família. No início da década de sessenta foi abolido o primeiro exame, passando a ser obrigatório o exame da quarta classe. Nessa altura, porém, já era possível realizar a viagem de carro.

A idade mínima para admissão ao exame da quarta classe, naqueles tempos, era de 11 anos completos ou a completar até ao dia 31 de Dezembro do ano em que se realizasse o exame. Excecionalmente era autorizada a admissão de examinandos que completassem 10 anos nesse ano, desde que o professor considerasse que possuía os requisitos de aprendizagem necessários e o pai, ou quem legalmente o representasse, fizesse um requerimento até ao final do mês de Junho desse mesmo ano.

Este exame, na década de cinquenta, já era muito rigoroso, e exigia boa capacidade não só de leitura e escrita mas também de conhecimentos variados. Conhecimentos de Gramática, História de Portugal, Geografia, Matemática, Aritmética e Ciências Naturais e era constituído por provas escritas e orais. No primeiro dia tinham lugar as provas escritas de Língua Portuguesa, que implicava um ditado e uma redação, perguntas sobre as disciplinas das chamadas Lições de Cor e da Aritmética, na qual constava a resolução de um problema que não exigia mais de duas operações e na execução de uma operação Aritmética com a respetiva prova pela operação inversa, tendo a duração de sessenta minutos. Estas provas escritas eram realizadas em conjunto por todos os alunos na mesma sala, na Casa do Espírito Santo das Lajes e estavam presentes três professores, com o denodado intuito de não deixar que os alunos copiassem ou recorressem a cábulas. No segundo dia tinham lugar as provas orais feitas individualmente mas que implicavam leitura e o prestar de contas sobre os conhecimentos adquiridos nas restantes disciplinas, de acordo com os caprichos do júri.

O só então se adquiria o tão almejado estatuto de “não analfabeto” almejado por muitos mas conseguido por poucos. Recordo-me que das cinco crianças que poderiam, por idade, ter feito o exame da quarta comigo, apenas duas o fizeram, sendo eu, felizmente, uma delas.

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REGISTO Nº 11 – ANO DE 1900

Domingo, 26.04.15

“Aos dez dias do mez de Septembro do anno de mil e nove centos pelas seis e meia horas da manhã na caza numero onze da Rua da Tronqueira desta freguesia de São José da Fajã Grande, concelho das Lages, ilha das Flores, Diocese de Angra, faleceu um indivíduo do sexo masculino por nome Antônio de idade de dois mezes e meio, natural e morador desta freguesia, filho legítimo de António Luís de Fraga e de Maria de Jesus Fraga, proprietários, naturais desta dita freguesia, o qual foi sepultado no cemitério publico. – E para constar lavrei em duplicado este assento que assigno. Era ut supra. O Vice Vigário Joaquim Ferreira Campos.”

Este é o registo de óbito de uma das dezenas e dezenas de crianças que faleceram na Fajã Grande, na segunda metade do século XIX e inícios do século XX. Neste caso trata-se de um filho de António Luís de Fraga, mais conhecido por “Ti’Antonho do Alagoeiro” e, consequentemente irmão do padre José Luís de Fraga, nascido dois anos mais tarde, a 6 de outubro de 1902. Como geralmente acontecia, o nome dos filhos que faleciam eram repetidos noutros que nasciam mais tarde. Casos há em que o nome se repete por três e mais vezes. No caso de Ti’Antonho do Alagoeiro, o nome António também foi atribuído a um outro filho, nascido alguns anos mais tarde.

 

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PARAMENTOS

Domingo, 12.04.15

A igreja da Fajã Grande, na década de cinquenta não era muito pobre. Seria talvez uma das mais ricas da ilha das Flores. Sabia-se que chegavam muitas ofertas oriundas da América, que a maioria das casas pagava o culto e que as festas, nomeadamente da Senhora da Saúde, São José e Santo Amaro, rendiam bem. No entanto, no que à paramentaria dizia respeito, as alfaias litúrgicas, nomeadamente as casulas ou seja as roupas que o pároco vestia para celebrar missa, eram poucas, velhas, gastas e algumas rotas outras remendadas.

As casulas eram as vestes que o pároco vestia por cima da alva, uma veste branca apertada à cintura com um cordão chamado cíngulo, e tinham como anexos, a estola, o manípulo e a cobertura do cálice, nomeadamente, a bolsa, o véu e a frechola. As casulas eram de cinco cores diferentes: branca, vermelha, verde, roxa e preta. De cada uma destas cores existiam duas casulas, com exceção da branca que, para além das duas usuais, tinha um jogo, composto por uma casula e duas dalmáticas, destinado aos dias de festa, nas chamadas missas de três padres. Pelo aspeto, formato e desgaste percebia-se que quase todas as casulas que a igreja possuía eram antiquíssimas. O pároco responsável pela paróquia desde de 1925, durante esses longos anos, possivelmente, teria comprado duas, talvez quatro. O pároco arrumava-as em dois compartimentos separados. As mais velhas usava-as durante a semana. As aparentemente mais novas ao domingo. No que às de cor branca dizia respeito, a melhor seria uma das adquiridas pelo pároco, pois tinha um formato mais moderno para a época. Era toda branca e debruada a amarelo, como aliás todas as outras. A de semana era muito antiga, sendo o tecido de damasco branco bordado com desenhos simétricos amarelas. No entanto estava bastante rota e remendada na parte da frente. A vermelha que estava destinada aos domingos era de formato igual à branca de domingo e devia ter sido comprada juntamente com ela. Como eram raros os domingos ou dias de festa em que era usada, liturgicamente, a cor vermelha, era a casula que estava em melhor estado. Pelo contrário e assim como a vermelha de usar à semana, as duas verdes eram velhíssimas, muito rotas e usadas. Pescoço redondo, com o debruado muito simples e linear deviam ser do tempo da capela primitiva e que antecedeu a igreja paroquial, o que aliás se verificava com algumas imagens, incluindo a do padroeiro, esta no entanto, substituída por uma imagem nova e maior, em meados da década de cinquenta. Estas casulas estavam em mau estado sobretudo a verde de semana, já nem usada pelo pároco, uma vez que nos dias de féria do tempo comum, em que se usava o verde, celebrava a missa quotidiana dos defuntos com casula preta. A roxa de semana também era muito velha e em mau estado. A roxa de domingo e a preta eram as melhores, mais novas e mais recentemente adquiridas. A preta de semana estava também em estado de tão grande degradação que o pároco já nem a usava.

Para os dias de festa, nomeadamente de São José e da Senhora da Saúde havia uma casula branca de festa, com as duas dalmáticas. Também eram muito antigas, muito gastas, rotas, mas lindíssimas. De damasco branco, ornadas com excelentes bordados amarelos. Deste conjunto fazia parte uma capa de asperges e um véu de ombros, embora houvesse também uma outra capa branca e um véu de ombros a condizer e que era usado todos os domingos, uma vez que naqueles a missa de domingo terminava sempre com a bênção do Santíssimo, durante a qual e, após se cantar o Tantum Ergo, o pároco o colocava sobre a casula, independentemente da cor desta.

 

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publicado por picodavigia2 às 08:29

Nº 21 MARIA

Quinta-feira, 12.03.15

“Aos sete dias do mes de Julho do anno de mil oitocentos e sessenta e um, pelas oito horas da manhã, na egreja Parochial de Nossa Senhora dos Remédios, freguesia da Fajansinha, concelho da vila das Lajens, distrito eclesiástico da Horta, Diocese de Angra, eu presbítero José Maria Henriques Álvares, vigário da mesma freguesia, baptisei solenemente um indivíduo do sexo feminino quem dei o nome de Maria, e que nasceu ás seis horas da tarde do dia dois do dito mês e anno filho natural primeiro do nome de Francisco Lourenço Mancebo, trabalhador e de Maria dos Santos, parochianos desta freguesia e moradores no logar da Fajamgrande, neta paterna de Manuel Joaquim Fagundes e de Clara de Jesus e materna de José António Camarão e de Maria dos Santos. Foi padrinho António Pereira solteiro trabalhador e morador na Fajamgrande os quais todos sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado o presente assento de baptismo que depois de ser lido e conferido perante o padrinho, comigo o assigna de cruz  por não saber assignar. Era ut supra.

(Seguem-se 3 assinaturas em forma de cruz)

O Vigário José Maria Henriques Álvares”.

Este é o registo de batismo da última criança nascida na Fajã Grande e batizada na igreja da Fajãzinha por aquela ainda não ser paróquia. A partir de então os registos começaram a ser feitos no cartório da igreja paroquial da Fajã Grande. Há no entanto uma criança da Ponta que depois desta data, ainda se batizou na igreja paroquial da Fajãzinha.

Acrescente-se que das 21 crianças batizadas na igreja da Fajãzinha naquele ano, até esta data, 9 nasceram na Fajãzinha, enquanto das outras 12, 9 nasceram na Fajã e 3 na Ponta, o que só por si parece justificar a criação da nova paróquia, que abrangia os lugares da Fajã, Ponta e Cuada. Esta criança 

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publicado por picodavigia2 às 10:49

Nº 13 MARIA

Sábado, 17.01.15

“Aos treze dias do mez de Abril do anno de mil oitocentos e oitenta e cinco, nesta egreja Parochial de Sam José, freguesia da Fajã Grande, concelho da vila das Lages, Diocese de Angra, baptisei solenemente um indivíduo do sexo feminino a quem dei o nome de Maria, e que nasceu nesta freguesia pelas dez horas da noite do dia doze do dito mez e anno filho legítimo primeiro do nome de António Lourenço Fagundes, proprietário natural desta freguesia da Fajã Grande deste concelho e Diocese e de Maria de Jesus Fagundes de ocupação doméstica, naturaes, recebidos, parochianos e moradores na rua d’Assomada, neto paterno de José Lourenço Fagundes e de Mariana Joaquina de Jesus e materno de António Joaquim Fagundes e de Policena Joaquina da Silveira Foi padrinho Francisco Joaquim Fagundes, solteiro proprietário e madrinha Policena Joaquina da Silveira, casada e agricultores os quais todos sei serem os próprios. E para constar lavrei um duplicado deste assento e que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos, não assignam estes por não saberem escrever. Era ut supra.

Pároco José Francisco de Moraes.”

À margem do assento está colada uma estampilha de sessenta reis.

 

Este é o registo de batismo da irmã mais velha de meu pai, João Joaquim Fagundes. Os meus avós haviam casado, três anos antes, mais concretamente em 30 de Novembro de 1882.

 

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publicado por picodavigia2 às 22:33

PRIMEIRO ÓBITO

Sexta-feira, 09.01.15

Reza assim o registo do óbito referente ao primeiro enterro verificado na paróquia de São José da Fajã Grande, ilha das Flores. Trata-se duma criança de nove meses cujos pais residiam na Cuada:

“A dezassete dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e sessenta e dois, às seis horas da tarde, na casa número duzentos e quarenta e três, no ugar da Coada, desta freguesia e concelho da villa das Lajens, Distrito Eclesiástico da cidade da Horta, diocese de Angra, faleceu Francisco de idade de nove meses, parochiano desta freguesia, filho de José Caetano Gabriel e de Mariana Margarida do Coração de Jesus, neto paterno de António Caetano Gabriel e de Maria de Freitas e materno de Domingos José do Conde e de Catharina Margarida. E para constar lavrei este assento em duplicado que assignarei. Era ut supra. O Phresbytero António José de Freitas.

 

Por sua vez, o segundo óbito foi de uma mulher natural e residente na Ponta, de nome Floripes Luciana da Silveira, de quarenta e quatro anos casada com João de Freitas Fraga e que deixou quatro filhos.

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publicado por picodavigia2 às 11:35

OS PRIMEIROS BATIZADOS DA FAJÃ GRANDE

Sábado, 20.12.14

A paróquia da Fajã Grande foi criada por alvará régio em abril de 1861, sendo, assim, desanexada da Fajazinha, só a partir de julho, por decisão do Bispo de Angra Dom frei Estevam da Sagrada Família, passou a ter pároco e começou a registar batismos, casamentos e óbitos. Até essa data, todos os registos eram feitos na igreja da Fajãzinha. Nesse ano em que se deu início aos primeiros registos, até esse mês, ou seja até julho, tinham sido registados os batizadas de 12 crianças na paróquia da Fajazinha. A partir de Julho realizaram-se na igreja Fajã Grande e foram registados os primeiros batismos, num total de 14. Os primeiros foram os seguintes:

Nº 1 Isabel, filha de Manuel Rodrigues Silvestre, trabalhador, e de Maria Thomazia do Coração de Jesus, nascida na Ponta. Os pais casaram na Fajãzinha em 16-11-1856

Nº 2 Raulino, nasceu no filho de Raulino José da Silveira, lavrador e de Anna Claudina da Silveira que casaram na Fajãzinha emOS15-1-1946

Nº 3 Claudina que nasceu na Rua Direita e era filha natural de Anna Isabel.

Nº 4 Manuel que também nasceu na Ponta era filho de Manuel Luís Furtado, trabalhador e de Isabel Inácia. Casaram na Fajazinha em -11-60

Nº 5 Manuel nasceu na Fontinha, filho de José Luiz Furtado, lavrador e de Maria Thomásia, residentes na Fajã Grande, mas naturais do Corvo, onde casaram em 2-9-1858

Nº 6 António, filho Manuel António Serpa, lavrador e de Maria de Jesus, naturais dos Cedros e curiosamente a residir no lugar do Areal que na década de cinquenta já era desabitado e onde havia apenas uma casa, velha e desabitada, conhecida como casa da Maria do Areal.

Nº 7 Malvina, filha de José de Freitas Cardoso, trabalhador e de Floripes Luiza da Silveira, residentes na rua da Via d’Água, que pode muito bem ser tia Malvina ou uma irmã com o mesmo nome, falecida em criança.

Nº 8 António que nasceu na Rua Direita e era filho de José António de Fraga, trabalhador e de Maria Emília Bernardo do Coração de Jesus

Nº 9 Tereza, nascida nas Courelas, filha de Francisco Augusto Rodrigues lavrador e de Anna Luiza.Amélia.

Alguns destes batismos, apesar de registados na Fajã Grande, foram realizados na Fajãzinha pelo pároco José Maria Henriques Álvares, devido a ausência do pároco da Fajã Grande.

Era pároco na Fajã Grande o padre António José de Freitas. Como os padrinhos, regra geral, não sabiam assinar, todos os registos, a rogo deles estão assinados por um senhor de nome Lauriano José de Freitas Henriques. Os batismos números 5, 6, 9, 10 e 11 foram os realizados na Fajãzinha pelo pároco José Maria Henriques Álvares, enquanto os 7 e 8 foram realizados por um frade de Santa Cruz de passagem pela Fajã Grande, de nome Diogo António José de Freitas. Este frade franciscano nasceu em Santa Cruz, em Abril de 1788 e faleceu na mesma vila, em 1766. Foi capelão na Fajã Grande e esteve colocado na Fajãzinha como vice-vigário, coadjutor e cura Também foi cura e vice-vigário da Matriz de Santa Cruz, chegando a exercer o cargo de Ouvidor Interino.

Reza assim o termo de abertura do primeiro livro de batismos da Fajã Grande:

Este há-de servir para nelle se lavrarem os assentos dos baptizados na Par.ia do Senhor São José na freguesia da Fajã Grande, do Concelho da villa das Lajens, desta ilha das Floeres, na conformidade do decreto de 19 de Agosto de 1859, passar o resto do ano de 1861, com princípio na data da implementação da dita paróquia, Vai numerado com a rubrica do meu cognome e a frase que diz(?) Freitas e Silveira. Villa das Lajens da ilha das Flores. 30 de Julho de 1861.

O Ouvidor Ecle.º

João Pimentel Freitas e Silveira. “

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publicado por picodavigia2 às 09:09

AGOSTO DE 1869

Domingo, 14.12.14

Quando a freguesia da Fajã Grande era ainda uma criança, com oito anos de existência, no longínquo ano de 1869, no mês de agosto, para além de dois adultos, faleceram oito crianças, numa população que, muito provavelmente, não ultrapassaria às mil pessoas, em menos de trezentos fogos.

Muito trabalho terá tido o reverendo António José de Freitas, o primeiro pároco da Fajã Grande, mas que anteriormente já exercia as funções de capelão da mesma.

Assim, no dia 7 de agosto, faleceram duas crianças: uma menina de nome Celestina, com apenas 13 meses de vida, moradora na Rua da Tronqueira, filha de Manuel de Freitas Branco e de Maria de Jesus e um rapaz de nome João de 12 meses, residente na Via d’Água, sendo seus pais António Inácio Júnior e Maria de Jesus. No dia 10, faleceu Maria, de 14 meses, nascida nas Courelas, filha de João de Freitas Fragueiro e de Maria Margarida e ainda Ana, de 2 meses, da Fontinha, filha de Manuel Inácio Furtado e Ana Joaquina. No dia 12 faleceu, Maria de 11 meses, nascida também nas Courelas, filha de Ana de Jesus e pai incógnito. No dia 18, faleceu Tomásia de 13 meses, residente na Fontinha, filha de João Furtado de Sousa e de Ana Margarida e no dia 19, João, de 6, nascido no lugar da Ponta, filho de João de Freitas Botelho e de Isabel Luísa Finalmente, no dia 25 faleceu Mariana, com a idade de 4 anos, nascido na Tronqueira, filha de Manuel de Freitas Carneiro e de Júlia Emília e no dia 28, João de 16 meses, filho de Manuel Inácio Serpa e de Catarina Joaquina, nascido na rua da Via d’Água.

Neste ano de 1869, no entanto morreram mais dez crianças, perfazendo assim um total de dezoito, num conjunto de trinta e um óbitos, ou seja, 58% dos óbitos verificados nesse ano foram crianças. De realçar ainda que, destas dez mortes infantis, ocorridos fora do fatídico mês de agosto, cinco ocorreram no mês seguinte, ou seja em setembro, pelo que se poderá concluir que, por esta altura, a freguesia terá sido assolada por alguma epidemia infantil, até porque, no ano anterior faleceram apenas vinte e cinco pessoas e no seguinte, ou seja em 1870, registaram-se apenas vinte e quatro óbitos.

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publicado por picodavigia2 às 09:48

REGISTO UM - ANO DE 1909

Sábado, 13.12.14

Aos onze dias do mez de Janeiro do anno de mil novecentos e nove, nesta egreja parochial de São Jose da Fajam Grande, concelho das Lajens, ilha das Flores, Diocese de Angra, na presença do Reverendo Caetano Bernardo de Souza, Reitor da freguesia do Mosteiro, deste mesmo concelho, com aucthorisação minha, padre Joaquim Francisco Campos, vicevigário desta dita freguesia, compareceram os nubentes José Fagundes da Silveira Junior  e Joaquina de Souza Fagundes, os quaes soube serem os próprios, com todos os papeis do estylo corrente, e sem impedimento algum canonico ou civil, para o casamento, elle de edade de vinte e cinco annos, solteiro, trabalhador, natural e morador na rua da Fontinha, desta dita freguesia, filho legitimo de José Fagundes da Silveira e de Mariana Fagundes da Conceição, também naturaes desta supra dita freguesia da Fajã Grande e ella de edade de dezoito anos, filha legítima de José Maria de Souza e de Maria José Theodósio,  também naturaes desta já nomeada freguesia da Fajã Grande, os quaes nubentes se receberam por marido e mulher e os unio em matrimónio procedendo em todo este acto conforme o Rito da Santa Madre Jgreja Catholica e Apostholica Romana. A este acto compareceram José Maria de Souza, pae da nubente, como legítimo superior, declarou verbalmente na presença do Reverendo oficiante e das testemunhas abaixo mencionadas, que dava seu consentimento para o casamento da sua filha Joaquina de Souza Fagundes e assignaria este assento. Foram testemumhas presentes que sei serem os próprios, José Joaquim Cardozo, professor official de instrução primária e José Caetano Rodrigues casados, todos moradores nesta freguesia, digo casado, proprietário, todos moradores nesta freguesia. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de lido e conferido perante os cônjuges e testemunhas, o legítimo superior da cônjuge e do reverendo officiante commigo todos assigmaram. Era ut supra. Vão collados dois sellos no valor de mil e setecentos reis, sendo mil e seiscentos reis por a nubente ser menor e cem reis devidos por este assento, que vão devidamente enutilisados “

Seguem-se as assinatura de: “José Fagundes da Silveira Junior, Joaquina de Souza Fagundes, José Maria de Sousa, José Joaquim Cardoso, José Caetano Rodrigues, padre Caetano Bernardo de Sousa, O vicevigário Joaquim Ferreira de Campos.”

 

Este é o registo do assento de casamento dos meus avós maternos, conforme consta do livro de Registos de Casamentos da Paróquia de São José da Fajã Grande, ano de 1909, digitalizado no Centro de Conhecimento dos Açores, Direção Regional da Cultura, Secretaria Regional da Educação e Cultura.

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publicado por picodavigia2 às 09:53

REGISTO ONZE - ANO DE 1882

Quinta-feira, 11.12.14

Aos trinta dias dumes de Novembro do anno de mil outocentos e outenta e dous, nesta jgreja parochial de São Jose da Fajamgrande, concelho da villa das Lajens, das Flores, Diocese de Angra, na minha presença comparecerão os nubentes Antonio Lourenço Fagundes e Maria de Jesus Fagundes, os quaes sei serem os próprios, contados os papeus do estilo corrente, e sem impedimento algum canonico ou civil, para acasalamento dos mesmos nubentes visto terem sido dispensados os contraentes do impedimento de segundo grau de consanguinidade em linha colateral e igual  pelo Excelentissimo e Reverendíssimo Bispo desta Diocese ele de jdade de trinta e três anos, solteiro, lavrador, natural e morador nesta freguesia e batpizado na Paochia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajansinha deste mesmo concelho e Diocese, filho ligitimo de José Lourenço Fagundes, trabalhador e de Maria Joaquina da Silveira de occupação doméstica, ambos naturaes desta freguesia e ella de vinte anos de idade achandosse authorisada pelo consentimento paterno, como digo, authorisada pelo consentimento paterno para contrair matrimónio, como consta do mandato que apresentar, solteira de occupação doméstica, natural, moradora e baptizada nesta freguesia, filha ligítima de António Joaquim Fagundes, lavrador e de Policena de Jesus, ambos naturaes e residentes nesta freguesia, os quaes nubentes se receberão por marido e mulher e assim em matrimónio procedendo em todo este acto conforme o Rito da Santa Madre Jgreja Catholica e Apostholica Romana, perante testemumhas presentes que sei serem os próprios, Manuel Lourenço e José Garcia, casados, lavradores e moradores nesta freguesia. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de lido e conferido perante os cônjuges e testemunhas. Commigo assigmam os cônjuges, não assignando as testemunhas por não saberem escrever. Era ut supra. “

Seguem-se as assinatura de: Maria de Jesus Fagundes, António Lourenço Fagundes, o vigário José Maria Henriques Álvares.”

 

Este é o registo do assento de casamento dos meus avós paternos, conforme consta do livro de Registos de Casamentos da Paróquia de São José da Fajã Grande, ano de 1882, digitalizado no Centro de Conhecimento dos Açores, Direção Regional da Cultura, Secretaria Regional da Educação e Cultura.

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publicado por picodavigia2 às 09:26

INDEPENDENTISMO

Segunda-feira, 08.12.14

Sabe-se, hoje, que o lugar da Fajã Grande terá sido povoado logo após o segundo povoamento da ilha das Flores, pelo que nos finais do século XVI, já existiriam seres humanos no lugar onde hoje se situa aquela que é considerada a freguesia mais ocidental da Europa.

As razões que levaram alguns dos primeiros colonos a fixarem-se neste aprazível local ter-se-ão prendido, decerto, com o seu clima, com a riqueza do seu solo, com a abundância da água das suas ribeiras e com o fácil acesso ao mar. Na verdade Gaspar Frutuoso em Saudades da Terra, referindo-se ao lugar da Fajã Grande escreveu: “Dali a um quarto de légua está uma Fajã, chamada Grande, que dá pão e pastel, em terra rasa, com algumas engradas onde entram caravelas de até cinquenta moios de pão a tomar o pastel que nela se faz, onde também há marisco e pescado de toda a sorte, e no cabo dela está um areal, de meia légua de comprido, em que sempre, anda o mar muito bravo; e dali por diante, a outra meia légua, é tudo rocha talhada, onde se apanha muita urzela, e de muita penedia por baixo, em que se cria infinidade de marisco e grandes caranguejos e desta mesma maneira corre a rocha um tiro de bombarda até uma ponta, que sai ao mar um tiro de arcabuz, com um baixo de pedra, que tem lapas e búzios; e, logo adiante da ponta, se faz uma baía, onde com ventos levantes ancoram navios de toda a sorte e também naus da Índia. No meio deste ancoradouro cai da rocha no mar, a pique, uma grande ribeira.”

O povoado, embora, integrando a paróquia das Fajãs desde 1676 como um simples lugar, cresceu rapidamente, sobretudo porque cedo se transformou num verdadeiro centro de estranhas mas frequentes transações comerciais, chegando mesmo as caravelas da Índia a encontrar ali um desembarcadouro para refresco e víveres na seu regresso, já que esta era a primeira terra que encontravam ao demandar a Europa vindas da África e Ásia. Piratas e corsários também terão encontrado ali, um local, com uma população com que podiam estabelecer uma relação colaborativa, já que isolado do mundo o povoado da Fajã Grande não poderia obviamente defender-se, mas poderia beneficiar com a venda de comestíveis frescos e outros produtos.

Tudo isto fez com que a população da Fajã Grande, ao longo dos tempos, manifestasse interesse em firmar-se como freguesia independente. O primeiro sinal deste independentismo deu-se com a construção de uma pequena ermida dedicada a São José em 1757 e que permitia ao povo evitar deslocar-se à igreja da Fajãzinha, a fim de participar nos ofícios e celebrações religiosas, uma vez que a ermida, nesse mesmo ano, foi dotada de um capelão, em regime de exclusividade, o padre Francisco de Freitas Henrique, natural do mesmo lugar. Foi com muito esforço e sacrifício mas com uma enorme força de vontade que o povo conseguiu este empreendimento, pois conta-se que, ao regressar da missa, da Fajãzinha, calcorreando o atual Caminho da Missa, o povo aproveitava para carregar as pedras com que construiria a sua ermida.

Porém, os sinais mais claros deste espírito independentista surgiram, sobretudo na década de cinquenta do século XIX, altura em que é feito, formalmente, um pedido ao Governador da Junta Geral do Distrito, no sentido daquele lugar se tornar independente. Por essa altura surgem vários testemunhos em prol da criação da futura paróquia da Fajã Grande. O próprio chefe do distrito da Horta considera que criar ali uma freguesia será de grande serviço feito aquele povo.

A constituição da nova freguesia contou, também, com a colaboração do próprio pároco da paróquia da Senhora dos Remédios que se deslocou a Lisboa, a bordo do iate Santa Cruz, “para tractar duma pretenção com que andam há muitos anos os povos da Fajam Grande que desejam que se crie n’ella uma freguesia independente da Fajãazinha, a que estãi sujeitos.

Finalmente as pretensões dos fajãgrandenses foram satisfeitas em 4 de Abril de 1861, data em que foi autorizada, por decreto real, a desanexação das povoações da Fajã Grande, Ponta e Cuada, a fim de que passem a constituir uma freguesia independente. A ereção da nova paróquia foi formalizada por alvará, no mesmo ano, do Bispo de Angra, D. Frei Estevão de Jesus Maria.

Finalmente a Fajã Grande atingia o objetivo de há muito desejado – ser uma freguesia independente.

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publicado por picodavigia2 às 00:42

RUSSOS E PIRATAS

Quarta-feira, 03.12.14

Na primeira metade do século XX, com maior incidência no período pós segunda guerra mundial, eram os russos, ou mais concretamente os navios de guerra que se dizia serem russos, que assustavam e amedrontavam a população da Fajã Grande, encafuada debaixo de rochas, entrincheirada entre baixios e maroiços, incapaz de se refugiar onde quer que fosse. Calcula-se que os russos tinham como objetivo construir uma Base na ilha das Flores, semelhante à dos Americanos na Terceira. A Fajã Grande, voltada a oeste e escondida debaixo de rochas, parecia ser o local ideal. Salazar, no entanto, nunca o havia de permitir. No século XIX, segundo rezam as crónicas, eram os piratas, ou os navios por eles comandados, que mais atemorizavam a mesma população. No entanto e se relativamente aos russos ou pelas suas das frequentes visitas nunca houve grandes motivos para preocupação, o mesmo não se pode dizer no que à pirataria diz respeito. No entanto e apesar dos medos, situações houve, tanto no caso dos russos como no dos piratas em que, tanto a população da Fajã Grande como os supostos malfeitores, russos ou piratas, souberam, por interesse comum, cultivar uma convivência amistosa. No primeiro caso chegaram a haver interessantes trocas comerciais, mais concretamente troca direta de alimentos frescos por cigarros e bebidas, enquanto no que à pirataria diz respeito, as trocas não terão sido tão lineares. Mas terão existido algumas. Conta-se, por exemplo, a história do maior pirata de quantos assolaram a ilha das Flores, um tal Peter Easton ou coisa que o valha, que terá chegado a comandar uma frota de 40 navios com milhares de homens, pelo que foi considerado o corsário mais temido no Atlântico Norte, e que terá saqueado e roubado as populações das Flores, em Março de 1609, onde se veio abastecer, roubando animais, água e lenha. Nos anos seguintes, sempre em Março, o tal pirata voltou à ilha, para adquirir frescos e fazer aguada, e, no verão de 1611, estava já de casamento marcado com uma filha do capitão-mor das Flores. Duplamente incomodado com os prejuízos causados pelos navios deste pirata e ainda com a cumplicidade entre florentinos e corsários, o rei Filipe II ordenou, então, por decreto de 30 de Julho de 1611, que fossem tomadas as diligências necessárias à prisão do capitão Peter Easton que afinal nunca chegou a ser detido. Mas sob a acusação de acolher na ilha corsários estrangeiros e de lhes permitir o abastecimento de géneros e víveres, o ouvidor da ilha e também o capitão-mor Tomé de Fraga foram presos.

 

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publicado por picodavigia2 às 15:23

O PRIMEIRO PÁROCO DA FAJÃ GRANDE

Domingo, 30.11.14

Por documento de 4 de Abril e 1861, de El-Rei D. Luiz, foi decretada a autorização de que se proceda à desanexação da paróquia da Fajãzinha, das povoações da Fajã Grande, Ponta e Cuada que assim passarão a constituir uma freguesia independente e separada, servindo de igreja paroquial a que já existia em substituição da antiga ermida, também ele dedicada a São José. A ereção da nova paróquia foi formalizada no mesmo ano, a 20 de Junho, por Alvará de Dom Frei Estevam de Jesus Maria. Bispo de Angra.

Nessa altura o capelão da ermida era o padre António José de Freitas, cargo que exercia desde 1848, sucedendo a Manuel José de Freitas, muito provavelmente seu tio.

António José de Freitas nasceu na Fajã Grande em 14 de Agosto de 1808. Era filho do alferes Inácio José de Freitas e de sua mulher Maria de Jesus Ter-se-á ordenado presbítero em 1841, ou alguns anos antes, uma vez que nesse ano já era reitor na Lomba, Em 1848 transitou para a Fajã Grande, como capelão da ermida ali existente, funcionando como uma espécie de curato, pertencente à paróquia das Fajãs, com sede na Fajãzinha, tendo como igreja paroquial, a igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Colocado na sua terra natal, ali permaneceu até 1851. Nessa altura foi transferido para o Mosteiro, exercendo aí o múnus sacerdotal até 1958, altura em que regressou à Fajã Grande, novamente como capelão da ermida de São José, tornando-se, assim, em 1861, com 53 anos de idade, o primeiro pároco desta freguesia nova freguesia. A ele coube a organização da nova paróquia, sobretudo na parte administrativa e de arquivo paroquial. São da sua lavra os termos dos primeiros registos de batismo, casamentos e óbitos que revelam uma excelente caligrafia e uma perfeita organização. O padre António José de Freitas faleceu na Fajã Grande, a 8 de Março de 1881, com 73 anos. Nessa altura, porém já era manente, pois fora substituído, em 1976, pelo padre José Francisco de Moraes natural da Prainha do Norte, ilha do Pico e que paroquiou a Fajã, como segundo pároco, apenas durante 4 anos, uma vez que em 1881, ano da morte do padre António José de Freitas, o pároco já era o padre Joaquim Ferreira de Campos.

Reza assim o registo do seu óbito: “Aos dois dias do mês de Março, do ano de mil oitocentos e oitenta e um, às onze e meia horas da noite, na casa número dezassete da Rua Direita, desta freguesia de São José da Fajã Grande, concelho da vila das Lajes, ilha das Flores, diocese d’Angra, faleceu, não tendo recebido os sacramentos da Santa Madre Igreja, um indivíduo do sexo feminino, por nome António José de Freitas de idade de setenta e três anos, Vigário próprio desta mesma freguesia, e dela natural e morador, filho legítimo de Inácio José de Freitas, proprietário e de ocupação doméstica, ambos naturais desta já referida freguesia, o qual fez testamento, não deixando filhos e foi sepultado no cemitério público. E para constar lavrei em duplicado este assento que assino. Declaro que leva a entrelinha que diz “de Jesus”. Era ut supra. O Vigário Joaquim Ferreira Campos.”

Como se depreende do registo terá morrido de ataque cardíaco uma vez que, estranhamente, não recebeu os últimos sacramentos, o que era pouco vulgar, naqueles tempos recuados. Deste registo, também, parece poder concluir-se que José António de Freitas permaneceu como vigário da Fajã Grande, sendo Ferreira Campos, até esta data, seu coadjutor. Aliás é assim que assina os registos, até ao da morte de António José de Freitas, o primeiro que assina como “vigário”.

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publicado por picodavigia2 às 09:51

Nº 29 JOAQUINA

Quinta-feira, 20.11.14

“Aos septe dias do mez de Novembro do anno de mil oitocentos e noventa, nesta egreja Parochial de São José da Fajã Grande, concelho das Lages, ilha das Flores, Diocese de Angra, baptisei solenemente um indivíduo do sexo feminino quem dei o nome de Joaquina, e que nasceu nesta freguezia ás cinco horas da tarde do dia dois do dito mez e anno filha legítimo primeiro do nome de José Maria de Souza, jornaleiro e de Maria José Theodósio, serviço doméstico, naturaes, recebidos, parochianos e moradores no logar da Quada, neta paterna de avô icógnito e de Maria de Jesus e materna de Francisco António Vallente e de Anna de Jesus. Foi padrinho José António de Freitas Lourenço casado proprietário e madrinha Joaquina Emília da Glória, casados, proprietários, os quais todos sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento e que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos, comigo assigna a madrinha e não assignando o padrinho por não saber escrever. Era ut supra.

Joaquina Emília da Glória (assinatura)

Adiante vai paga a estampilha fiscal o valor de cem reis devido por este assento.

O Vigário Francisco José Constantino Flores”.

Este é o registo de batismo da minha avó materna Joaquina Fagundes de Sousa. À margem do assento foi averbada a seguinte nota:

“Não vae selado por falta de meios dos interessados e por terem sido gratuitos os actos a que este assento se refere. C. Flores.”

O documento encontra-se, juntamente com milhares de outros, respeitantes às paróquias açorianas, guardados no site da Secretaria Regional da Educação e Cultura – Cultura Governo dos Açores – Inventário Genealógico, onde estão reproduzidas cópias dos assentos paroquiais até 1910, altura em que os nascimentos passaram a ser feitos no Registo Civil.

Neste ano de 1890, nasceram na Fajã Grande trinta crianças, dez do sexo masculino, com os nomes de José dez, Augusto, Manuel, João, Fernando e Francisco As outras vinte crianças eram do sexo feminino e dezasseis receberam o nome de Maria. Às restantes foram postos os nomes de Joaquina, Clara, Ermelinda e Ana

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publicado por picodavigia2 às 20:52

O MILAGRE DAS ROSAS

Quarta-feira, 12.11.14

D. Isabel de Aragão nasceu em Saragoça. Era filha de D. Pedro III, e de D. Constança de Navarra. Recebeu o nome de Isabel por desejo de sua mãe em recordação de sua tia Santa Isabel da Hungria, cujas virtudes viriam a servir-lhe de modelo e desde muito nova começou a mostrar gosto pela meditação, rezas e jejum, não a atraindo os divertimentos comuns das raparigas da sua idade. Isabel não gostava de música, passeios, nem jóias e enfeites, vestia-se sempre com simplicidade.

D. Isabel tornara-se conhecida em beleza, discrição e santidades. As suas virtudes levaram muitos príncipes a apresentarem-se a D. Pedro como pretendentes à mão da sua admirável filha. Os pais escolheram D. Dinis, herdeiro do trono de Portugal, que era também o mais dotado de qualidades. O casamento realizou-se na vila de Trancoso, no dia de S. João Baptista de 1282. Nos primeiros tempos de casada acompanhava o marido nas suas deslocações pelo país e com a sua bondade conquistou a simpatia do povo. Dava dotes a raparigas pobres e educava os filhos de cavaleiros sem fortuna. Tornou-se uma mulher de grande piedade conservando em sua vida a prática da oração e a meditação da Palavra de Deus. Buscou sempre a reconciliação e a paz entre as pessoas, as famílias e até entre nações. D. Isabel costumava dizer “Deus tornou-me rainha para me dar meios de fazer esmolas.” Sempre que saía do paço era seguida por pobres e andrajosos a quem sempre ajudava.

Após a morte de seu marido, entregou-se inteiramente às obras assistenciais que havia fundado, fez-se franciscana, após ter deposto a coroa real no santuário de São Tiago de Compostela e haver dado seus bens pessoais aos necessitados. Fixou residência em Coimbra, junto ao convento de Santa Clara, nos Paços de Santa Ana, de que faria doação ao convento. Mandou edificar o hospital de Coimbra junto à sua residência, o de Santarém e o de Leiria para receber enjeitados. D. Isabel faleceu a 4 de Julho de 1336, deixando em testamento largos legados a hospitais e conventos.

Viveu uma profunda caridade sendo sempre sensível às necessidades dos pobres e excluídos. Viveu o resto da vida em pobreza voluntária, dedicada aos exercícios de piedade e de mortificações. A quem lhe recomendava um pouco de moderação nas penitências quotidianas que se impunha, respondia: "Onde, se não na corte, são mais necessárias as mortificações? Aqui os perigos são maiores."O povo criou à sua volta uma lenda de santidade, atribuindo-lhe diversos milagres e a santa foi canonizada em 1625.

Foram atribuídos muitos milagres, como a cura da sua dama de companhia e de diversos leprosos. Diz-se também que fez com que uma pobre criança cega começasse a ver e que curou numa só noite os graves ferimentos de um criado. No entanto o mais conhecido é o milagre das rosas. Reza a lenda que, durante o cerco de Lisboa, D. Isabel estava a distribuir moedas de prata e pão para socorrer os pobres e necessitados da zona de Alvalade, quando o marido apareceu. O rei perguntou-lhe: “O que levais aí, Senhora?” Ao que ela, com receio de desgostar a D. Dinis, e, como que inspirada pelo céu respondeu: “Levo rosas, senhor...” E, abrindo o manto, perante o olhar atónito do rei, não se viram nem moedas nem pão, mas sim rosas encarnadas e frescas.

 

(Memórias do livro da 4ª classe)

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publicado por picodavigia2 às 13:28

Nº 36 JOÃO

Sexta-feira, 31.10.14

“Aos dezoito dias do mez de Outubro do anno de mil novecentos e dois, nesta egreja Parochial de São José da Fajã Grande, concelho das Lages, ilha das Flores, Diocese de Angra, baptisei solenemente um indivíduo do sexo masculino  quem dei o nome de João, e que nasceu nesta freguesia ás três e meia horas da manhã deste mesmo dia dezoito do dito mez e anno filho legítimo primeiro do nome de António Lourenço Fagundes, proprietário e de Maria de Jesus Fagundes de ocupação doméstica, naturaes, recebidos, parochianos e moradores na rua d’Assomada, neto paterno de José Lourenço Fagundes e de Mariana Joaquina de Jesus e materno de António Joaquim Fagundes  de Policena Joaquina da Silveira Foi padrinho José Lourenço Fagundes do Nascimento, casado proprietário e madrinha Maria do Céu Fagundes Cardozo solteira, os quais odos sei serem os próprios. E para constar lavrei um duplicado deste assentoe que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos, comigo assigna a madrinha e não assigna o padrinho por não saber escrever. Era ut supra.

Maria do Céu Fagundes Cardoso (assinatura)

Adiante vai paga a estampilha fiscal o valor de cem reis devido por este assento.

O Vice-Vigário Joaquim Ferreira de Campos”.

 

Este é o registo de batismo de meu pai, João Joaquim Fagundes.

O documento encontra-se, juntamente com milhares de outros, respeitantes às paróquias açorianas, que em boa hora foram guardados no site da Secretaria Regional da Educação e Cultura – Cultura Governo dos Açores – Inventário Genealógico, onde estão reproduzidas cópias dos assentos paroquiais até 1910, altura em que os nascimentos passaram a ser feitos no Registo Civil.

Neste ano de 1902, nasceram na Fajã Grande 47 crianças, trinta e quatro do sexo masculino, doze do feminino e uma morta à nascença, esta do lugar da Ponta. Uma boa safra, invejada nos dias de hoje.

Embora ainda não tendo lido todos os registos, reparei nalgumas outras curiosidades. O nome José é o mais comum, atribuído a 13 crianças, João a 9, assim como Maria também a 9. Seguem-se os nomes de António, Pedro, Francisco e Ana, cada um a duas crianças e apenas a uma foram dados os nomes de Augusto, Manuel, Nestor, Joaquim, Abílio e Lucinda. Uma outra curiosidade interessante: meu bisavô materno, José Fagundes da Silveira, juntamente com a sua terceira esposa, Mariana de Freitas foram padrinhos de um dos batizados.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:13





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