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A FILHA DA BELA AURORA

Quarta-feira, 11.01.17

 

A filha da Bela Aurora,

A filha da Bela Aurora,

Ai eu bem sei,

Procurava a mãe no mato,

Ai eu bem sei,

Mas nunca, nunca a encontrou.

 

Levantou-se sem dormir

Levantou-se sem dormir

Ai sem dormir,

Sem dormir toda a noite.

Ai sem dormir,

Sem dormir toda a noite.

 

A filha da Bela Aurora

Chorava, gemia e sofria.

Desesperada ela no pranto dizia,

Desesperada ela no pranto dizia:

- Desviado de Deus seja,

Desviado de Deus seja,

Quem minha mãe me tirou,

Quem minha mãe me tirou.

 

A filha da Bela Aurora

Trazia o retrato da mãe.

Na roda do, na roda do seu vestido,

Na roda do, na roda do seu vestido:

- Para que eu nunca te esqueça,

Para que eu nunca te esqueça,

Fica o retrato comigo,

Fica o retrato comigo.

 

- Dá-me os teus braços minha mãe,

Dá-me os teus braços minha mãe,

Ó querida mãe,

Como eu vou viver sem ti?

Ó querida mãe,

Como eu vou viver sem ti?

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POEMA DA AMARGURA

Sexta-feira, 27.05.16

 

Procura,

com ternura,

a cura

da amargura.

 

Descura,

com bravura,

a agrura

da doçura.

 

Costura,

com finura

a lisura

da ternura.

 

Perjura,

com candura,

a cissura

da fartura.

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ÉS FINGE

Sexta-feira, 06.05.16

 

O que te perturba é o que és?

Então finge seres o cavaleiro das nuvens adormecidas.

Sobe o deserto das inseguranças permanentes

E sozinho, medita no silêncio pálido da madrugada.

As portas estão cerradas e as lareiras ainda não se acenderam.

A água das ribeiras secou, o mar povoou-se de bruma.

Ainda nenhum pássaro cantou.

 

O que te perturba é o que és?

Então finge seres o cavaleiro das florestas acinzentadas.

Vagueia na planície das revoluções atrofiadas

E sozinho peneira o suco dos rumores indiscretos.

As caves estão cheias de silêncio e de bafio e as lezírias amareladas e apodrecidas.

Os ninhos das gaivotas foram incinerados, os lírios perderam a cor branca.

As miragens das montanhas encharcaram-se de penumbra.

 

O que te perturba é o que és?

Então finge seres o cavaleiro das flores sem pétalas e sem perfume.

Desce, sozinho, as escadas que conduzem aos recônditos da solidão

Beja o vento e agarra-o como se fosse uma rosa vermelha.

As angústias foram institucionalizadas como dogmas e o vinho é amarelo,

O orvalho iluminou a face dos mortos, o rosto dos descrentes encheu-se de brilho.

As orgias dos matagais foram proibidas por decreto

 

O que te perturba é o que és?

Então finge seres o libertador das estrelas perdidas entre o restolho das procelas.

Grava, com o estilo da soturnidade, retalhos de lume sobre a lava negra

E desenha grinaldas de anémonas cor-de-rosa nos raios do sol matinal.

As nuvens nunca se esquecerão de proteger a tua audácia

E as noites azuladas da primavera acorrentar-te-ão ao cais da inocência

Porque és quem finge.

És? Finge.

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MÃE

Domingo, 01.05.16

 

Mãe:

sobre o restolho da lava estonteada

construíste o caminho da verdade.

 

Mãe:

sobre o titubear duma aurora amordaçada

alteaste o perfume da dignidade.

 

Mãe:

sobre o sufoco duma vida cerceada

açulaste o brilho da bondade.

 

(E apenas tiveste,

ao teu lado,

uma titubeante brisa matinal.)

 

Mãe:

Foste senhora, rainha, deusa!

 

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MAR MÃE

Quarta-feira, 06.04.16

 

Mãe: Este mar é de prata,

Este rio é de cristal,

Teu amor é infinito,

Teu carinho divinal.

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CAIR

Terça-feira, 15.03.16

 

Cair

é agarrar o chão,

beijar a terra,

e abraçar o mundo.

 

Cair

é saltar sem subir,

afastar-se, mais um pouco, das nuvens,

e voar ao contrário.

 

Cair é ver o mundo de perto

e senti-lo, como se fosse nosso.

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MAR TONTO

Quinta-feira, 10.03.16

 

O mar é um tonto!

Tolda-se por nada,

Embravece por coisa nenhuma.

 

Se o procuro ele envolve-se em bruma,

Se o espero ele opta por um vai e vem monótono.

 

Se o encontro ele soletra silêncio.

Se o vislumbro ele esgueira-se de soslaio.

 

Se me confronto com a sua ausência

Ele traz-me ogivas inóspitas.

Se imagino a sua presença

Ele soletra melodias de silêncio.

 

Este mar, ora bravo ora manso,

Confunde, destrói, mistifica e ensombrecia.  

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LITÂNIA DOLOSA

Segunda-feira, 08.02.16

 

O tumulto é um vento que sopra à noitinha.

- Não se apaga com o esvoaçar do silêncio.

 

A incerteza é uma penumbra que vacila com a brisa matinal.

- Não se desfaz com o amordaçar da soledade.

 

A inquietação é uma mordaça que embriaga os choupos ressequidos.

- Não se extingue com o volatizar da aparência.

 

O medo é um rugido que atormenta o verde das florestas.

- Não se ouve com a miragem do deserto.

 

A esperança é um mar revolto e sem navios.

- Todas as ondas teimam em não regressar.

 

O fim é o princípio voltado ao contrário.

- Todas as luzes prometeram não voltar a acender-se.

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HISTÓRIA DA GUERRA HISTÓRIA DA PAZ

Sexta-feira, 01.01.16

 

A guerra nasceu

quando a paz sucumbiu

e, de repente,

gravou sulcos dolorosos,

pespegou estigmas,

com fumos de pólvora cinzenta.

 

Na guerra:

os ruídos,

(aparentemente adocicados)

das madrugadas

eram ecos de canhões,

de ribombar de morteiros,

de roncar dos obuses

que sobraram

das noites

e dos dias anteriores,

 

A guerra

é um tormento terrível,

arrepiante,

destruidor.

 

Na guerra,

(como pássaros em cio)

esvoaçam balas,

malditas,

traiçoeiras,

mortíferas.

 

Na guerra

(como repuxos florescentes)

explodem minas.

rebentam granadas.

Tiros de metralhadora

estouram em cachão

(como se fossem pétalas

em manhãs de festa).

 

Na guerra:

corpos destroçados!

- Velas desfeitas de barcos naufragados.

corpos ensanguentados!

- Cachos de uva, espremidos em prensa.

E…

um medo, enorme, do dia seguinte.

 

A Paz

exige-se

que renasça

que se firme

que se torne presença quotidiana.

 

A Paz

é necessária

imperiosa,

urgente,

indispensável

e obrigatória

porque a paz e só a paz

(fruto da boa vontade dos homens)

pode

quer

deve

e tem a força necessária

para transformar

esta lamentável e hedionda história da humanidade

 - história de guerra -

numa simples e maravilhosa história de amor

 - história de paz!

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ESTIGMAS

Quinta-feira, 10.12.15

 

As ribeiras estão desertas de água,

Encheram-se de ervaçais,

Atulharam-se de pedregulhos toscos,

Transformaram-se em caminhos sinuosos.

Nas margens, álamos e salgueiros

Perderam as folhas

E amortalharam-se de fantasmas.

As pontes atafulharam-se de segredos,

Emergiram num silêncio profundo,

Transformando a paisagem circundante

Num deserto.

Os peixes definharam

Estrangulados pelo rumor dos ervaçais,

Os pássaros fugiram

Com medo das tempestades ressequidas

E uma enorme esponja de bruma

Cobriu o céu de lés-a-lés

Apagaram-se todos os murmúrios do vento.

 

Ali ao lado,

No charco deixado pela chuva de ontem,

Uma criança, só uma,

Brinca com barcos de papel!

  

Estigmas anexados ao destino…

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ANOITECER DE BRUMA

Sexta-feira, 28.08.15

A noite tenta cair,

Cobrindo a baía deserta,

Os currais das vinhas abandonados,

O casario entontecido.

 

Mas este amordaçado nevoeiro,

Impede-a.

Transforma-a num enorme montão de bruma,

Num rio de indiferença.

 

Não há barcos no mar

E aniquilaram-se estrelas e faróis.

Até a Lua se escondeu…

E todas as luzes aguardam

O restauro do lusco-fusco.

 

Amanhã será outro dia de bruma!

 

São Caetano, 27 de Agosto de 2015

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TARDE DE AGOSTO EM SÃO CAETANO

Segunda-feira, 24.08.15

Há um muro de tranquilidade

A envolver a ilha,

Transformando-a num gigantesco curral

Onde germina e floresce

Um enorme montão de silêncio.

 

O Sol cai a pino,

Em bátegas douradas e maviosas.

O céu vestiu-se de um azul puro e cristalino

Deixando vislumbrar

As rilheiras dos aviões.

 

O mar é um rio de sossego

Zonzo e colaço.

A montanha, adormecida,

Debruça-se sobre os casebres

A protege-los deste calor tórrido.

 

Tudo é quietude.

 

Apenas, por entre o remanso das adegas,

Corre uma aragem leve e adocicada

E nas vinhas,

Os bagos suculentos,

Anafam, à espera da safra.

 

(São Caetano do Pico, tarde de domingo, 23 de Agosto de 2015)

 

 

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QUADRAS SOLTAS IV

Terça-feira, 11.08.15

Sou “Técnico de Lazer”!

Vou com gosto ao Livramento,

Se a SATA me oferecer

“Gratuito Encaminhamento”.

 

Tens ciúmes a granel

E estás roído d’inveja

Porque aí, em S. Miguel,

Não há Fajã que se veja.

 

Ananás é coisa bela?

Hum!,,, Parece-me que não.

Se o comes com morcela….l

É pior do que mangão.

 

Os póneis comem cerejas

E os cavalos beringelas.

Menina espero que vejas

Quem passa nestas vielas.

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MAE

Quarta-feira, 05.08.15

Mãe eras mais do que uma mulher.

Eras duas, três mulheres...

Eras todas as mulheres do mundo.

Mãe lavravas, sachavas, plantavas...

E ainda te sobrava tempo para nos amares.

Mãe, nos beliscavas, ralhavas e acariciavas.

Mas era tudo amor. Amor puro de mãe pura.

Na madrugada, acendias o lume com lenha verde,

Choravas com o azedume dos incensos mas clareavas toda a casa.

Mãe sopravas, sopravas, respiravas fumo e a água fervia.

O silêncio informava que pai há muito se levantara.

O ar puro confidenciava que o café de favas e chicória já estava pronto.

Café de mistura. Feito por mãos puras e ternas.

E exalava um perfume tão doce.

Enchia a casa e chegava às nossas camas.

Depois chamavas por nós: um para ir buscar as vacas,

Outro acarretar água da fonte. Outro tirar o esterco do palheiro…

Depois, sentávamo-nos à mesa e partilhavas pão, queijo e café.  

 

Mãe, já não trabalhas, não plantas, não fazes café de mistura.

Faz hoje sessenta e três anos que partiste

Mas continuas amando-nos.

Os que estão e que já partiram para junto de ti

Tenho saudades de seus beliscões.

Das tuas recriminações... De suas carícias...

Daquelas manhãs de silêncio...

Onde o ar era puro e o café de mistura.


NB – Adaptação do poema “Mamãe” de Marco António do Nascimento.

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DIA DE SÃO JOÃO

Quarta-feira, 24.06.15

 

Bateram à minha porta

Mas eu não a vou abrir.

Poderá ser outro João

Que me queira iludir!

 

Hum! Sardinha nos Açores,

Coisa rara e amargada.

Só na urbe de Paredes,

Comes boa sardinhada!

 

A sardinha congelada,

Nem gelado nem sardinha.

Deve estar sempre bem fresca,

Mesmo se for miudinha.

 

Ui! Quem trepa é o vinho,

Se bebido em demasia…

Pra evitar tal desalinho

Antes bebesse sangria!

 

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NOITE DE SÃO JOÃO

Quarta-feira, 24.06.15

 

Se eu tivesse um manjerico

Fosse dono dum balão,

Acendia uma fogueira,

Na noite de São João.

 

Vou colocar uma clara,

Durante a noite, ao sereno,

Vai transformar-se num barco.

Meu sonho doce e supremo!

 

Vou colocar uma fava,

Debaixo da travesseira.

São João me vai brindar

Com saúde a vida inteira.

 

Quando a meia noite soar,

Vou à fonte encher a bilha.

Beberai o melhor vinho

Que existe em toda a ilha.

 

Quando acordar, de manhã,

São João vou visitar

Eu hei de lhe agradecer

Tudo o quanto me vai dar.

 

 

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ALVORADAS DE BRUMA

Domingo, 21.06.15

O negrume da noite incendeia

E transforma

O destino dos rochedos plantados à beira-mar.

Ao redor

Soam palavras envenenadas pelo rugir do vento norte

E o perfume das marés sabe a madrugada virgem.

Há insucessos a germinarem, abençoados pela brisa.

Um dia transformarão o universo num rio de silêncio.

 

E o mar que agora desperta, pacífico

Transformar-se-á num enorme vulcão,

Amarrotado pelo suplício do cais deserto

 

É o princípio de o dia!

 

Incendiadas pelo sufoco dos vinhedos

Que chorosos, gritam sobre as encostas de lava negra

e se desfazem, esquecidos, numa ilha sem nome,

As alvoradas da madrugada,

Envoltas em bruma,

Enforcam-se num arco-íris de lava e de vidro...

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DEA IGNOTA

Quinta-feira, 28.05.15

Menina de tranças, de bonecas e de sonhos!

Sonhava, como sonham todas as crianças,

Com aquilo que havia de ser um dia.

Cedo os seus sonhos se realizaram,

Transformando-se, num equilíbrio de apetências,

Em realizações de desejos e vontades.

 

Senhora, de sonhos domados,

Peregrina de estigmas, acompanhante de angústias e sofrimentos.

De noite, de dia, em turnos, ou no silêncio das madrugadas,

Na abnegação duma entrega persistente,

Transformavas o trabalho em amor, reconstruías destinos desfeitos.

 

Em pose de donzela serena,

Irradiavas alegria, bem-estar, felicidade.

E na cumplicidade de um envolvimento compassivo,

Cativavas, com o doce perfume das tuas palavras,

Atraías, com a suave doçura das tuas atitudes

 

Aureolada de um eterno bem-querer,

Não esbanjavas a ternura dos teus abraços,

Nem aprisionavas a suavidade dos teus sorrisos.

Porque eram as dádivas sublimes e perenes

Com que envolvias e acariciavas quantos te rodeavam.

 

Nem o desconforto dos dias mais enevoados,

Nem o negrume das noites mais turbulentas

Ou sequer as horas de serviço mais urgente,

Te traziam mágoa, dor, sofrimento,

Ou destruíam uma nesga da tua indomável persistência.

 

Circulavas, caminhavas, rodopiavas

Por corredores, salas e enfermarias.

Ortopedia, Otorrino, Anestesia - um desfilar de melodias!

Ornavas-te de delicadeza, revestias-te de bondade,

Impunhas-te por uma nobre e singela competência.

 

Baluarte de bondade e paciência.

Anestesia – Circulante – Instrumentista.

Cativavas os adultos e gravavas no coração de cada criança,

Com o encantamento do teu cativante olhar,

A sublime leveza das madrugadas sem dor.

 

Nunca esqueceremos os afetos com que nos fortalecias!

E se, algum dia, vacilarmos frente à adversidade,

Se desesperarmos perante os amargos da vida

Ou se cambalearmos perante o desencanto, o insucesso, o infortúnio,

O testemunho da tua amizade e a força da tua dedicação,

Serão o baluarte das nossas vitórias, o remanso da nossa persistência.

 

Nova caminhada te espera!

Continua a desenhar o teu sorriso no coração dos que te rodeiam

A oferecer o teu carinho aos mais carenciados.

A partilhar a tua coragem com os que não sabem lutar.

Estaremos contigo, no abraço que riscamos sobre as nossas existências

E que o espaço e o tempo nunca apagarão.

 

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PAISAGEM

Terça-feira, 31.03.15

Aqui perto, as vinhas,

Plantadas entre leivas de lava negra

À espera da poda,

A expelirem um estranho sabor a enxofre…

 

Mais além, os casebres,

Muitos deles, desertos, quiçá abandonados

Mas todos intrépidos,

Encastoados na encosta acolhedora da montanha

 

Por fim, o oceano

Mar imenso, infinito, eterno e buliçoso,

Onde descubro

O vai e vem das marés

- O único e estranho ruído desta ilha do silêncio.

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SALMO DORIDO

Sexta-feira, 16.01.15

Rasgavas, com a enxada, o escuro das madrugadas

E adormecias com a foice ao lado do travesseiro.

 

Fazias do machado a tua bandeira de vitória

E gravavas no teu brasão os sulcos do arado em terra ressequida.

 

Lutavas, destemido, contra os rugidos do vento norte

E caminhavas, seguro, por entre nevoeiros e tempestades.

 

Levantavas-te, sonolento e destroçado, a meio da noite

E à tardinha, aguardavas, com um sorriso, o pôr-do-sol.

 

As tuas mãos, calejadas, encerravam uma sabedoria infinita

E as tuas pegadas eram marcos de honestidade e de justiça.

 

Trazias estampado no rosto o travo amargo da angústia

E carregavas sobre os ombros doridos as vicissitudes da penúria.

 

Transformavas a pobreza em dignidade e virtude

E os esteios da verdade atraiam-te, numa procura permanente.

 

Foste pai e companheiro, retalhado de dor e de amargura

Mas ocultavas os lamentos sob o manto áureo da resignação.

 

Partiste, no silêncio escuro, depois de um longo sofrimento

Mas a tua memória brilha como estrela que nunca se apagará.

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QUE EM 2015...

Quinta-feira, 01.01.15

paco reĝadoj

prevalece justeco

fanfaroni egaleco

 

fino malsato

fini la militon

malaperas korupteco

estos ekzilita ĉiuj diktaturoj

 

ke ĉiu homo estas sinjoro kaj mastro de lia destino

 

NB – A mensagem deste texto está escrita em esperanto, com tradução obtida a partir do Google tradutor: https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=google+tradutor

 

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OS NOSSOS AVÓS

Sexta-feira, 28.11.14

As mãos sangravam,

Em terra ressequida.

 

Nos olhares,

Havia restolho de penúria.

 

O chão que pisavam

Era perfumado a enxofre,

O vento norte

Até faias arrancava

E o mar trazia

Uma salmoura aniquilante.

 

Mas, mesmo assim,

Teimaram em ser nossos avós.

 

Mas nunca os poderemos ressarcir.

 

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MERENDA

Sábado, 22.11.14

Mote - “Vem comer nossa merenda”

 

 

Não tragas tristeza ou dor,

Nem sequer nenhuma prenda,

Traz apenas teu amor,

Vem comer mossa merenda.

 

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O PREÇO DO SILÊNCIO

Segunda-feira, 17.11.14

o silencio ocupava todos os espaços,

dominava cada dia, cada hora, cada momento

era o senhor supremo,

o preço da liberdade perdida

o ídolo duma estória riscada em tiras de farrapos vermelhos

 

quando a noite não queria caminhar sozinha

agarrava-se ao silêncio

domava-o

nascia um snipe perfumado a glicinas verdes

 

e acabava a memória do dia anterior

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O TRIUNFO DA PAZ

Quarta-feira, 29.10.14

Se eu pudesse

dar alguma coisa

ao mundo

apenas

lhe daria

o triunfo da paz.

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NO ENSAIO

Quarta-feira, 08.10.14

Há sempre

Alguém que desafina

Há sempre

Alguém que se perde (na pauta),

Há sempre

Alguém que destoa,

Há sempre

Alguém que se apaga…

 

Mas o maestro,

sábio,

pachorrento

e dócil,

corrige,

repete,

ensina

e afina.

 

E, em êxtase de glória

surge

diatónica

telúrica

e pétrea,

a harmonia.

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DIES IRAE

Quinta-feira, 11.09.14

A montanha escondida

entre os estertores duma bruma intrigante

preanuncia sombras desertas.

 

As nuvens

despejam sobre o povoado

um suco desolador

que transforma as ruas desertas

em rios de espuma

 

Há cagarras perdidas, no negro dos baixios.

 

Nas casas,

as janelas abertas,

deixam escapar silêncios amargos.

 

No Alto

-  logradouro  de murmúrios –

todas as vozes se apagaram,

como se fossem velas rasgadas

de barcos a arder

no horizonte.

 

Nos currais a uva apodrece!

(E diziam que ia ser um ano farto.)

 

E da oficina refusada

emana a voz metálica

de um rádio

carregada de notícias:

-  fome, miséria, guerra e morte.

 

Mas

há pássaros que ainda cantam

entrelaçados nos ramos das árvores.

 

(São Caetano do Pico, 7/9/14)

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QUADRO VIVO

Segunda-feira, 25.08.14

A água cai em catadupa,

pelas encostas verdejantes.

E o seu dolente murmúrio

desfaz o silêncio da manhã.

 

Para os lados do Rolo

Voam passaroucos entontecidos…

 

O Sol, a pino, espelha-se no mar,

mas os homens não desistem da enxada.

Há velhos recostados à Praça

E as mulheres correm, apressadas, pelas ruas

- a lenha é verde e o conduto pouco.

 

Na mesa, pobre, entornam-se desejos…

Mas um côdea de pão

e uma tigela de café…

nunca faltam.

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O SILÊNCIO DAS CINZAS

Terça-feira, 19.08.14

Não se espalhe mais fogo sobre a terra,

Qu’o mar, lá longe, não o apaga. Verde!

Destemido sorriso que se perde.

Em eco de tarde incauta. Dilacera,

 

Dói, queima, petrifica e aterra…

Terror canonizado que se verte.

Parem! Deixem que a terra se liberte,

E que a dor se transforme em quimera.

 

Se o perfume das cinzas dulcifica

É tarde p’ra travar. Abram os rios,

Não destruam mais florestas inocentes.

 

Minhas súplicas, flexíveis repúdios,

Bramidos que se perdem, displicentes.

Só o silêncio das cinzas purifica.

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publicado por picodavigia2 às 22:37

AEROPORTO

Domingo, 10.08.14

Os sinos, aqui, não tocam…

Não há o marulhar das ondas,

As flores não têm perfume

E o silêncio parece ser branco.

 

Apenas um pássaro destemido,

Talvez sem destino,

Perfura a segurança.

 

Os olhos que se enchem de lágrimas

São os mesmos que sorriram de alegria.

 

Um avião parte

Outro chegará, em brve.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 13:22





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