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FLOR DO GIZ

Domingo, 02.02.14

A flor do giz é branca,

Branca como a esperança,

Mascarada de neve,

Coberta de merengue.

 

Engano!?

O giz não tem flor,

Tem apenas cor,

Que desenhada em verso,

É tão bela como uma flor.

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publicado por picodavigia2 às 00:45

MANHÃ

Sábado, 25.01.14

É manhã…

 

Sobre o chão,

- solo ressequido -

cai uma chuva,

miudinha,

suave mas persistente,

mesmo teimosa…

 

Não é em vão,

este vagido!

Bagos de uva

- girândolas perfumadas -

sob sinfonia eloquente,

nascem em polvoros

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publicado por picodavigia2 às 19:27

GAIA

Sábado, 25.01.14

Palácios senhoriais,

com o rastro das uvas

a alterar-lhes o destino!

Caves vetustas,

bordadas a mosto,

léguas de aromas,

amontoado de sabores!

 

E o Douro,

ao lado,

atafulhado de marés

mas a correr, inutilmente,

como se fosse um rio louco, deserto e sem destino.

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publicado por picodavigia2 às 00:44

MIRANDELA

Quarta-feira, 22.01.14

O Tua

espelha-te

e transforma em ondas,

suaves e doces,

a serenidade das tuas ruas,

o resplendor dos teus solares,

a tranquilidade das tuas casas.

 

E até

a pulcritude dos teus jardins,

os murmúrios das tuas fontes

e a serenidade dos montes

e dos vales que te rodeiam,

emergem

na torrente límpida e pura,

desse rio,

que corre,

jovial,

ao teu lado.

 

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BORDÃO DE SÃO JOSÉ

Domingo, 19.01.14

Açucena:

quando te via,

prisioneira,

nas mãos calejadas do carpinteiro José,

galvanizava-me de ternura

e imaginava-te

como se fosses minha.

 

Depois,

embora tímido,

aproximava-me do altar.

onde estava a imagem

e tocava-te

com a ponta dos dedos.

Sentia, então, o teu perfume,

como se fosses um hino de glória,

comungava a tua suavidade,

como se fosse um cântico de louvor,

apreciava a tua frescura

como se fosse um salmo profético.

 

Eras

branca como a neve,

pulcra como o jasmim

e límpida como as madrugadas de Agosto.

 

Açucena branca… Bordão de São José!

 

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publicado por picodavigia2 às 00:48

A LUZ DA LUA

Quarta-feira, 15.01.14

A luz da Lua é bela, sublime e grande em proveito e fama

Mas, afinal, não é mais do que a luz do Sol, vestida de pijama.

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publicado por picodavigia2 às 17:29

BALCÃO DE LAVA

Domingo, 12.01.14

Balcão de lava,

negra,

basáltica.

 

Lagar de murmúrios,

miradouro de tormentos!

 

Era ali,

sobre uma seira

enviesada

que te sentavas,

(avó)

todas as tardes.

 

Com a mão direita,

em aba, sobre os olhos

(para te aliviar a cegueira)

observavas,

uns após os outros,

todos os navios

que vinham e iam,

que nasciam

ou morriam,

no horizonte.

 

Queria eu

comungar

os sonhos em que mergulhavas,

os desejos que te enchiam o peito,

desenhados,

nas lágrimas ocultas,

dos teus olhos cansados.

Mas os amargos sorrisos,

que com elas intercalavas,

para as disfarçar,

impediam-me de adivinhar.

 

E tu sabias…

 

Por isso me chamavas,

me envolvias no teu regaço

e aconchegavas,

como se eu fosse

um pássaro sem ninho,

abandonado,

naquele balcão de lava negra.

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publicado por picodavigia2 às 00:50

MONTE LÍRIO

Quinta-feira, 09.01.14

apenas

a neve

te cobre

e

o silêncio

te purifica

- Monte Lírio!

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publicado por picodavigia2 às 11:58

RASTRO DE FOGO

Segunda-feira, 06.01.14

há uma força telúrica

que amarfanha

e entontece a Terra.

 

há esguichos de vento

a gerarem respingos de espuma

- rastro de fogo -

transformando o Oceano

num deserto inacabado.

 

mas sobre o testemunho do vento

vagueia uma incerteza:

 

tempestade,

ou arco-íris tingido de esperança?

 

a incerteza

deste rastro de fogo

é cruel,

queima,

destrói,

arrasa

e aniquila.

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publicado por picodavigia2 às 16:38

RIO SECO

Domingo, 05.01.14

margens de sombras

leito de resteva,

caudal entontecido,

amarfanhado,

morto      como

um espelho estilhaçado,

que já não reflecte o brilho da aurora,

como

um campo ressequido,

que não se encharca com o alarido das chuvas.

 

rio inóspito,

esponjado,

que já não se abre às quilhas dos barcos,

nem amamenta o sorriso dos peixes.

 

rio seco,

derrelicto.

onde     navegam fantasmas

e onde nada o silêncio

 

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APAGARAM-SE TODAS AS LUZES

Quinta-feira, 02.01.14

Apagaram-se todas as luzes…

     as do céu

     e as da terra!

 

E agora?

 

A festa acabou,

a noite arrefeceu,

a mesa desfez-se.

 

Há crianças sem balões,

jovens sem alvoroços,

homens sem delineações,

velhos sem júbilo

 

Os sinos já não tocam,

os sorrisos não alegram

e a música não contagia.

 

o pão envolveu-se na cinza,

o vinho no engaço

e a fome na nudez.

 

As palavras são enganos,

os desejos utopias

e os encontros mitos.

 

E agora?

Que se apagaram todas as luzes

e a festa acabou?

 

Valerá a pena

gritar,

berrar,

chorar,

combater

protestar

gemer,

barafustar

insurgir-se

agastar-se

amotinar-se?

 

Talvez,

um dia,

todas as luzes voltem a acender-se…

mas… uma a uma…

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ALVORADA SANTA

Terça-feira, 31.12.13

Oh! Alvorada Santa!

Magno louvor divinal,

Que nesta noite se canta

Ao Deus d’Amor imortal!

 

Oh! Alvorada Santa!

Aurora resplandecente.

Glória a Deus, hoje se canta

Em laivos d’amor ardente.

 

Oh! Alvorada Santa!

Flor da bruma imaculada,

Outra glória não se canta

Nesta noite d’Alvorada.

 

Oh! Alvorada Santa!

Beleza pura, inocente.

Tua honra hoje se canta

Áureo jasmim florescente.

 

Oh! Alvorada Santa!

Deus Pai seja louvado.

Ao Filho também se canta

E ao Espírito adorado.

 

 

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SILÊNCIO SEM ECO

Sexta-feira, 27.12.13

Todo o silêncio fala,

Excepto o que não tem eco

Ou o que se fecha numa mala!

 

O eco do silêncio

É unção balsamada,

Alvissara, anúncio

Mensagem mistificada.

 

O eco do silêncio

É dádiva sagrada,

Encontro, prenúncio

Segurança conquistada.

 

O silêncio sem eco

Não é silêncio… É deserto,

É réplica giratória,

Retruque, covil, beco

Salpico, angustia, aperto

Sentença condenatória.

 

Testemunho incompleto.

Ruído apodrecido…

Açaime, prisão, gueto

Refúgio perdido.

 

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publicado por picodavigia2 às 17:30

MONTANHA RUSSA

Quinta-feira, 26.12.13

Elevações,

Quedas,

Precipícios…

A gerar

Um circuito de aventuras,

Num mar de emoções!

Carros, que andam

Parados,

Colados às pistas.

 

La Marcus Adna Thompson!

- o génio das emoções

e dos conflitos precipitados -

Gritos contidos,

Aventuras deslumbrantes,

Encastoadas

Numa pérfida estrutura de aço,

Em pista,

Entre elevações montanhosas,

E quedas abruptas.

 

(E até NASA inspirada – a criar uma plataforma similar, para auxiliar o escape dos astronautas da almofada de lançamento, em situações de emergência.)

 

A energia primitiva,

Potencial,

Robusta

E vigorosa

Transforma-se em simples energias cinéticas,

Dando a carros

E pessoas que vagueiam,

Emoções

E o prazer:

 - do percurso percorrido,

 - da força adquirida,

 - da derrota do medo.

Anulação do fracasso!

 

E uma enorme força telúrica a derramar-se, em jorros!

 

A montanha russa desceu da Rússia,

Veio da Rússia.

(Os passeios de trenó, ao redor de São Petersburgo, no inverno, prendiam os pés dos viajantes em montes de gelo e afundavam-nos em buracos de neve!)

 

Montanha Russa:

 - amontoado de solavancos perdidos,

que se projectam

e perduram…

 

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A FURNA

Segunda-feira, 23.12.13

Quando eu era criança,

Havia (ali, para os lados do Caneiro do Porto Velho),

Encastoada entre os rochedos negros do baixio,

Uma furna,

Que imaginava minha.

 

Naquela furna eu me refugiava,

Nela me escondia,

Naquela furna eu sonhava.

 

Sonhava que seria marinheiro,

Viajando em barcos de espuma branca,

Na demanda de terras distantes,

Povoados de castelos de gelo

E de cidades doiradas.

Atracava em portos com chaminés sem fumo

A balizarem o clarear das madrugadas.

Estivadores perdidos em neblinas!

 

Sonhava que seria pastor de ovelhas,

Blocos de gelo fumegante,

Nas longínquas pastagens da serra Nevada,

Como meu bisavô,

Cajado em punho,

Atento aos lobos, aos ladrões e aos índios.

Combatendo ursos e pumas,

Que sem tréguas,

Se atiravam ao odor idílico das ovelhas.

Lobos famintos em festivais de desejos.

 

Ou então sonhava que seria peregrino,

Caminhante solitário,

Perdido em terras distantes,

Salvo por princesas, vestidas de púrpura

Com diademas brilhantes a encimar-lhes o rosto.

Recolhiam-me em meigos requebros

E depositavam-me em salões perfumados com alabastro.

Espelhos de cristal em paredes de marfim!

 

Um dia cresci

E

Abandonei a furna.

Ela ficou deserta!

Ninguém, mais se refugiou naquela furna.

Já ninguém nela se abriga.

Pior…

Ninguém ali se esconde

Para sonhar

 

Agora,

Tarde,

Muito tarde,

Regresso.

(O Caneiro foi transformado em plataforma de cimento!)

A furna ainda ali está,

Carcomida,

Deserta,

Abandonada,

Triste e solitária.

Jaz em musgos,

Sem sonhos,

Como se estivesse morta,

Perdida entre o vai e vem das marés.

 

A furna,

A furna que imaginava minha,

Onde me refugiava outrora,

Hoje,

É um buraco desolado, na rocha negra do baixio..

 

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publicado por picodavigia2 às 16:43

O FULGOR DO SOL

Quinta-feira, 19.12.13

Na encosta, com fulgor

Bate o Sol a toda a hora!

Só tu, menina, não sabes

Por que o Sol não vai embora.

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publicado por picodavigia2 às 21:55

MOMENTO

Segunda-feira, 16.12.13

Nunca se descreve

A ousadia de um momento,

Único e breve.

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VENTO

Sábado, 14.12.13

O vento sopra

A Menina chora

A mãe implora.

 

O vento amansa

A menina dorme

A mãe descansa.

 

O vento passa

A Menina sorri

E a mãe,

(no escuro da noite),

enche-se de graça.

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publicado por picodavigia2 às 00:38

PAZ

Quarta-feira, 11.12.13

é necessário

imperioso,

urgente,

indispensável,

e obrigatório

que anuncies ao Mundo

que podes,

queres

e tens a força necessária

para transformar

esta lamentável e hedionda história da humanidade

 - história de guerra -

numa simples e maravilhosa história de amor

 - história de paz!

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CAIS

Segunda-feira, 09.12.13

um cais abandonado

deserto

não é porto de embarque

 

é um montão de pedras

agregadas

à espera que barcos perdidos

naufragados

o demandem

 

um montão de pedras

       (junto ao mar)

é um cais abandonado

à espera de embarcar

desejos

e sonhos…

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publicado por picodavigia2 às 10:48

MONUMENTO AO EMIGRANTE

Quinta-feira, 05.12.13

Sobre uma nesga de basalto,

erguida à beira-mar,

(embora invisível)

uma estátua de pedra negra,

tosca e desornada,

mas robusta e destemida,

aponta o além,

 

Nas pontas dos seus dedos,

há um rumor

de saudades,

vindo de longe,

e que, trazido pelo vento,

atravessou a harmonia dos oceanos

No brilho fosco dos seus olhos

há um rastro

de dor,

camuflado de silêncio,

que, caído das nuvens,

se transformou em lágrimas ocultas.

 

Saudades que perduram

e nunca fizeram esquecer,

aos que partiram,

o sabor adocicado das laranjas sumarentas

que ficaram nas hortas a apodrecer

ou o perfume melificado das maças de polpa entumecida,

que rolaram pelo chão, sem proveito.

Lágrimas que crescem

ao relembrarem

os frescos murmúrios das ribeiras

ou o verde amarelado dos trigais em flor.

Saudades

que carregam

o mugido hesitante dos vitelos

e o som dolente das Trindades.

Lágrimas

que evaporam, pelos telhados esburacados,

os fumos tisnados das lareiras

e os vagidos do pão quente, a fumegar.

 

E onde for o lugar daquele além

quanta for a sua distância,

- porque são muitos os que o demandaram -

a estátua de pedra negra

do emigrante que nunca partiu,

(apesar de invisível)

permanecerá, ali,

presa para sempre,

com lágrimas nos olhos

e dedos apontados

ao Ocidente

como memória viva

de quantos partiram

e  nunca mais voltaram.

 

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O TRAVO DA MORDAÇA

Terça-feira, 03.12.13

Quiseras falar,

Contar ao mundo

Que amas a verdade

Que lutas pela justiça

Que caminhas junto com a paz

Que investes em prol do amor!

 

Mas açaimaram-te,

Colocaram-te uma mordaça

Consubstanciada com uma timidez,

A gerar uma tremenda insegurança,

A cercear o caminho da audácia.

 

- mordaça amarga.

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MADRESSILVA

Segunda-feira, 02.12.13

Fui plantar a madressilva,

Entre os rochedos do mar.

Nasceram bredos e cardos,

Sombras de lava, sem par!

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ARRAIAL NAS ILHAS

Sexta-feira, 29.11.13

Luzes trémulas

semeiam,

sobre a noite vacilante,

uma claridade frouxa,

mas comunicativa.

e serena.

 

No ar,

um perfume desusado

e, do coreto carcomido,

descem acordes

que agregam olhares

e amortizam emoções.

 

Gritos cruciantes

avolumam arrematações:

- bolos, massa sovada, suspiros, frutos da terra… e um galo. -

Promessas de primícias!

 

Lá ao fundo,

encastoada entre os recantos da igreja,

sobre tábua besuntada:

- copos, favas, bifanas… e guloseimas -

a tasca

onde se estuporam dissabores:

 - desejos (efémeros) saciados,

 - consolações (falsas) conseguidas!

 

A igreja é um deserto.

Os sinos,

uma montanha de silêncio.

E até os foguetes

que, de tarde,

anunciavam eflúvios e orações,

afrouxaram o seu estralejar!

 

Grupos de pessoas

trocam alvoroços!

Os velhos

jazem em recordações,

os novos

navegam em assombros.

E há um homem a cambalear,

sozinho,

por entre chacotas sufocados.

 

Em breve,

chegará a noite,

densa e vigorosa

- a noite de todos os silêncios -

sem luzes,

sem música,

sem arrematações

sem alvoroços

sem emoções,

sem petiscos,

sem guloseimas

sem nada.

Apenas o homem

continuará a cambalear,

sozinho…

simplesmente, sozinho.

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A ÚLTIMA GANHOA A PARTIR

Segunda-feira, 25.11.13

O mar mudou de cor

e  entristeceu-se.

Partiu mais uma ganhoa,

mascarada de vento,

na penumbra duma procela.

 

Apenas a imagem

- uma sombra trémula -

ficou desenhada no chão do cais,

pétreo e deserto!

 

Depois partiu outra

e mais uma outra…

Tantas…

 

O mar sempre a transtornar-se

e o cais pejado de sombras trémulas.

 

Partiu a última ganhoa!

Chegou o inverno

e tudo se vestiu

de ausência

 

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FONTE SACRA

Quarta-feira, 20.11.13

Conta uma antiga lenda, que um dia,

Em zelo pastoral, santo prelado,

Suspendeu sacrossanta romaria

Morto de sede, perdido e cansado

 

Medrava a sede e um tórrido calor,

Assombrava-lhe os passos benfazejos!

Nenhuma fonte havia ao redor

Mas d’água lh’aumentavam os desejos.

 

Sentou-se o bom prelado, já sentindo

Aproximar-se a morte e o juízo.

E à Senhora da Guia foi pedindo

Lhe guardasse lugar no Paraíso.

 

Eis se não quando, olhando para o lado,

Da terra viu brotar uma nascente.

Então, matando a sede, o prelado

Agradeceu a Deus - Pai omnipotente!

 

Por pensar que milagre ali houvera.

O povo crente, humilde e piedoso,

- Houve por bem chamar àquela terra

Fonte Sacra. – Lugar maravilhoso!

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ESTRELINHA

Segunda-feira, 18.11.13

Da janela do meu quarto,

Vejo ao longe uma luzinha,

Será fogueira, miragem,

Ou magia de varinha?

 

Olho melhor e revejo,

Esta trémula luzinha.

Afinal, não era mais,

Do que o brilho duma estrelinha!

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ROCHEDO ESGUIO

Sábado, 16.11.13

o céu

revestido

de um cinzento

escuro…

 

junto ao mar,

apenas

um rochedo,

esguio,

tisnado de carvão,

- pedra negra, pujante -

que as gaivotas,

ao redopiar,

ornamentam,

com o rastro sincronizado dos seus voos.

 

lá longe,

um barco

navega

sem rumo…

 

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A TULIPA E O VENTO

Sexta-feira, 15.11.13

No meio do meu jardim,

plantei uma tulipa amarela.

 

Não era minha,

a tulipa.

 

Veio o Vento Norte e levou-a.

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CIDADE DOS CONTRASTES

Quinta-feira, 14.11.13

Cidade em fumos atulhada,

A granito acorrentada,

Mas sublime, pulcra, antojada

De brumas históricas ornada.

 

Cidade parida, distante…

Pérola, safira, diamante

Cidade triste, inconstante

Transfigurada em doce amante.

 

Cidade de torres e castelos,

Jardins verdes, palácios belos,

Cidade atulhada em fumos amarelos

Negra em cometimentos e anelos.

 

Cidade espraiada sobre um rio,

Muda de medo, morta de frio.

Cidade de inconstante desafio,

Precocemente, lançada ao desvario.

 

Cidade desfeita, sem vida,

Sombra dolente, adormecida

Cidade de desejos enriquecida

Cidade confusa, cidade perdida.

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