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TRINTA E UM

Quarta-feira, 17.08.16

Um dos jogos mais comuns a que se dedicavam as crianças, na Fajã Grande, na década de cinquenta, era o jogo do Trinta e um. Tratava-se de um jogo muito simples e podia ser jogado em qualquer sítio e em qualquer ocasião ou momento, uma vez que a sua prática não exigia qualquer tipo de material. Era necessário, apenas, um bom número de crianças participantes e, por isso era jogado, fora da escola, enquanto se esperava a chegada da Senhora Professora, aos domingos, antes da missa, no adro da igreja ou nas tardes solarengas do verão enquanto os nossos pais descansavam à Praça ou nas banquetas da Casa do Espírito Santo de Baixo. Quanto maior fosse o número de crianças melhor e mais emotivo seria o jogo.

O jogo começava do seguinte modo: um dos participantes, geralmente por vontade própria ou designado por sorteio era escolhido para contar, pausadamente, de um até trinta e um, com os olhos bem tapados num determinado local, que deveria ser conhecido de todos os participantes e, junto do qual, no chão havia sido desenhado um pequeno quadrado e colocado um pedaço de pau ou um simples focho. Enquanto este jogador contava os outros participantes escondiam-se, cada um onde pudesse, procurando os esconderijos mais ocultos e esconsos, que evitassem que fosse visto pelo jogador que contava mas que permitisse ver a movimentação do mesmo. Ao chegar a trinta e um o jogador que contava terminava com a expressão trinta e um, barbas de pirum, não aparece nenhum. Só então destapava os olhos. Após a contagem, se visse algum jogador que ainda não tivesse encontrado esconderijo, proferindo o nome, riscava, de imediato, o mesmo nome com o pau, no sítio onde este fora colocado. Em seguida tentava encontrar cada um dos outros jogadores escondidos e ao avistar ou descobrir cada um, gritava o seu nome e corria a riscá-lo com o pau. Se alguma dos jogadores que se haviam escondido conseguisse chegar junto do pau antes dele e riscar o seu nome sem ser visto por aquele que está procurando, o jogador em causa seria obrigado a contar de novo. Nessa altura, todos os jogadores que ainda estavam escondidos eram chamados a aparecer. O jogo repetia-se com o mesmo contador até que este conseguisse descobrir o esconderijo de todos os participantes e riscar os seus nomes. Só então era escolhido outro jogador para contar, recomeçando todo o processo do jogo outra vez.

Com o mesmo nome também existia um jogo de cartas em que ganhava ou empata quem fizesse trinta e um, ou ficasse em ponto mais próximo a eles que o contrário. Neste jogo, distribuíam-se três cartas a cada jogador que, de seguida, pode pedir as que julgar necessárias para se aproximar dos trinta e um pontos. Se uma carta pedida ultrapassar os trinta e um pontos, o jogador sai de jogo. Trata-se de uma variante de um outro jogo, o Sete e Meio.

Talvez, por isso a expressão trinta-e-um significa significava «embrulhada, zaragata ou desordem». É que, por vezes, os jogos, especialmente os de cartas, são ruidosos, conflituosos e podem dar lugar a embrulhadas, zaragatas e desordens.

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