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UM RETALHO DA HISTÓRIA AÇORIANA

Sexta-feira, 04.03.16

A Fajã Grande, incontestavelmente, faz parte integrante da História dos Açores. Primeiro porque é a freguesia mais Ocidental da Europa e também, porque à sua frente, no mar, lá ao fundo, mas fazendo parte da sua área geográfica, temos oportunidade observar o extremo ocidente da Europa que é o majestoso e enigmático o Monchique. Dada a sua localização, este ilhéu serviu como ponto de referência para acertar as rotas e verificar os instrumentos de navegação, ainda na altura em que esta era feita com base nos astros. Trata-se duma enorme e altíssima torre basáltica, encravada no meio do oceano, situado a cerca de cinco milhas de terra. O interesse, a importância e o significado deste fragmento de lava adormecido e abandonado no meio do Atlântico, advêm do facto de ele ser o "pedaço de terra" mais ocidental de Portugal e da Europa, servindo, assim, em tempos idos, como marco e de referência a todas as embarcações oriundas, quer das Américas, quer da Europa e da África, tendo também a função de ser um ponto de referência para acertar as rotas e verificar os instrumentos de navegação.

O Monchique também se revela de grande interesse para os biólogos, para os estudiosos da fauna marítima e para os mergulhadores submarinos, uma vez que são numerosas as cavidades submarinas nas suas encostas e no seu sopé e, além disso, está no centro de uma região de grande diversidade biológica, com cerca de uma centena de espécies marinhas identificadas, ao seu redor. Interesse e significado tem ainda o Monchique por ser uma espécie de ex-libris da Fajã Grande, por fazer parte da sua história, da sua cultura, dos seus costumes e até dos seus ditos ou falares. Na verdade, consta que alguns dos nossos avós, em tempos muito remotos, dançaram a chamarrita em cima do Monchique, que outrora se realizavam excursões e passeios do Porto da Fajã exclusivamente para o Monchique, a fim de os visitantes poderem observar e ver de perto as suas rochas e encostas, as suas veredas e as espécies marinhas que o revestem e circundam. Entre estas viagens, algumas destinavam-se exclusivamente à apanha de lapas, que as havia por lá grandes e boas, ou até de cracas, embora estas fossem de mais difícil captação e menos rendosas a comer. Muito usada na Fajã Grande era a expressão “por trás das raízes do Monchique”, a significar que algo era muito difícil ou até impossível de ter acesso, ou ainda esta outra “Quem te dera debaixo das raízes do Monchique” a indicar que se não gostava ou não se queria ver alguém.

Olhando na direção oposta, para a rocha que contorna a ampla fajã, podem ser observadas várias cascatas que tornam este local numa das mais bonitas freguesias da Ilha das Flores, quiçá dos Açores. Uma destas cascatas cai num poço muito conhecido dos florentinos e de quem visita a ilha, que é o Poço do Bacalhau, sobre o qual se conta algumas lendas e estórias. Segundo uma delas, há muitos, havia aportado aos mares da Fajã Grande um navio muito estranho e misterioso, deixando em cima dos rochedos negros, um homem. Bondosas e humanitárias que eram as pessoas da localidade, logo que encontraram o homem, de imediato se apressaram a ajudá-lo, dando-lhe alimentos, roupas, agasalhando-o e dando-lhe abrigo, durante a noite. Mais tarde, porém, vieram a saber que o homem era um deportado vindo de terras muito longínquas, onde havia praticado inúmeros crimes e cometido as mais vis barbaridades. Havia sido condenado e, para ser castigado para sempre, fora enviado e abandonado pelos seus conterrâneos na primeira ilha a que aportaram e que julgavam deserta, a fim de que se livrassem dele. Ficaria ali, sozinho, até ao fim dos seus dias, acabando por sofrer a paga de todo o mal que havia feito. Mas teve sorte o energúmeno, pois a ilha era habitada e o povo daquele lugar bondoso e caritativo, não se importando com o passado malévolo do facínora, tratando-o com carinho, respeitando-o com benevolência, aceitando-o com bondade. Mas o malvado não se comoveu com tamanha generosidade e, passados poucos dias, começou a assaltar, a roubar e a cometer as maiores barbaridades e as mais vis infâmias, sobre o povo, pobre, inocente e bondoso do pequeno povoado que o havia acolhido e ajudado inicialmente. O sacripanta não se coibia de roubar as colheitas aos pobres, de chibatear as pessoas que lhe ofereciam resistência ou o contrariavam e, sob chicote e ameaças, exigia às pessoas que trabalhassem para ele sem lhes pagar e obrigava os habitantes do humilde lugar a acarretar pedras para construir a sua própria casa. Depois da sua morte, em vez de ter uma sepultura condigna, foi atirado ao Poço do Bacalhau, a fim de ali, naquele buraco sem fundo, ter o seu purgatório. Era essa a razão por que os todos os dias à noite, quem passava na Ribeira das Casas e se dirigia aos moinhos da redondeza, ouvia, vindos das profundezas do poço, gritos desesperados e aterradores que assustavam tudo e todos. Era a alma do deportado que ali expiava as suas culpas e pecados.

Muitos outros topónimos são reveladores da história açoriana como Mateus Pires, Vale do Linho, Lugar da Bidarta. Lavadouros, etc ou então de lendas como a da Furna do João da Macaca e da Maria Peguinha, das Mexideiras, do Peito, dos Dez Reis, ou do Calhau das Feiticeiras, do Touro, etc.

Esta freguesia ainda encerra em si uma parte muito importante da história dos Açores pois foi para aqui que vieram os dois primeiros botes baleeiros das Flores e, provavelmente dos Açores.

Atualmente a Fajã Grande é uma zona balnear muito procurada pelos veraneantes que lhe atribuíram o epíteto de Algarve das Flores pois é sem dúvida um local ótimo para férias.

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