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OS DEZ BENEFÍCIOS DAS CAMINHADAS A PÉ

Terça-feira, 15.05.18

Já dizia Hipócrates, médico na Antiguidade: “Andar é o melhor remédio para um homem.” Na verdade o caminhar, isto é o andar a pé, combinado com um bom sono e uma dieta saudável pode ajudar-nos a evitar completamente vários problemas de saúde. Mesmo que sejam apenas 15-30 minutos de caminhada todos os dias podem melhorar drasticamente não apenas a aparência geral de uma pessoa, mas também a saúde. Se for uma hora é ótimo.

Uma boa caminhada é uma prática única que pode beneficiar significativamente todo o corpo e a própria mente. É grátis, fácil e requer pouco esforço.

Podem considerar-se os seguintes os benefícios de uma boa caminhada pé, usando um bom calçado e roupas leves.

  1. Alterações cerebrais positivas:

Como alguns estudos revelam, exercícios aeróbicos de baixo impacto, como caminhar, previnem a demência precoce, reduzem o risco de doença de Alzheimer e melhoram a saúde mental em geral. Sem mencionar a redução do stresse mental e a manutenção de um nível mais elevado de endorfinas.

  1. Visão melhorada:

Mesmo que os olhos possam parecer a última coisa relacionada com as pernas, caminhar também beneficia realmente a saúde visual. Pode até ajudar a combater o glaucoma, aliviando a pressão ocular.

  1. Prevenção de doenças cardíacas:

De acordo com a American Heart Association, andar não é menos eficaz do que correr quando se trata de prevenir doenças relacionadas com o coração ou derrames. Esta atividade ajuda a evitar problemas cardíacos, baixando os níveis de pressão arterial e o colesterol, bem como a melhorar a circulação sanguínea.

  1. Volume pulmonar superior:

Andar a pé é um exercício aeróbico que aumenta o fluxo de oxigênio na corrente sanguínea e ajuda a treinar os seus pulmões, além de eliminar toxinas e resíduos. Por causa da melhor e mais profunda respiração, alguns sintomas associados à doença pulmonar também podem ser aliviados.

  1. Efeitos benéficos no pâncreas:

Caminhar acaba sendo uma ferramenta muito mais eficaz na prevenção da diabetes do que a corrida. Pesquisas mostram que um grupo de “caminhantes” demonstrou melhoria na tolerância à glicose quase 6 vezes maior (ou seja, quão bem o açúcar no sangue é absorvido pelas células) do que o de um grupo de “corredores”, durante um período experimental de 6 meses.

  1. Melhor digestão

30 minutos de caminhada todos os dias podem não só diminuir o risco de câncer de cólon no futuro, como também ajudar a melhorar a nossa digestão, ajudando a regimentar nossos movimentos intestinais.

  1. Músculos tonificados:

A tonificação muscular e a perda de peso (em casos de pessoas com excesso de peso) também podem ser alcançados através da caminhada. A prática de andar 10.000 passos por dia pode ser considerada como um exercício real numa academia/ginásio, especialmente se fizer alguns intervalos entre a caminhada ou caminhar em subidas. Além disso, é de baixo impacto e não há tempo de recuperação, o que significa que não há músculos doloridos.

  1. Ossos e articulações mais resistentes:

A caminhada pode proporcionar mais mobilidade articular, evitar a perda de massa óssea e até ajuda a reduzir o risco de fraturas. A Arthritis Foundation recomenda caminhar moderadamente pelo menos 30 minutos por dia numa base regular para reduzir a dor nas articulações.

  1. Alívio da dor nas costas:

Caminhar pode ser um verdadeiro salva-vidas para aqueles que experimentam dores nas costas durante exercícios mais desafiadores de alto impacto. Como é uma atividade de baixo impacto, não causará mais dor ou desconforto, como correr, por exemplo. Caminhar contribui para uma melhor circulação sanguínea nas estruturas da coluna vertebral e melhora a postura e a flexibilidade, que é vital para uma coluna saudável.

  1. Uma mente mais calma e sã:

A caminhada ajudaria a sentirmo-nos menos deprimidos ou esgotados e ajuda-nos a sermos pessoas mais felizes e a melhorar o nosso humor!

 

 In Bastante Interessante.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

CORSÕES DE MILHEIROS E BOIS DE SABUGO

Domingo, 13.05.18

Na Fajã, no início dos anos cinquenta, não se compravam brinquedos, por duas razões muito simples: primeiro porque não havia dinheiro e, em segundo lugar, nem sequer havia brinquedos para comprar.

Assim, exceptuando um ou outro automóvel de baquelite ou alguma boneca de loiça que vinham da América muito bem embrulhados nas roupas que traziam as encomendas, éramos nós próprios, crianças de então, que construíamos, por vezes de maneira tosca e rudimentar, todos, mas mesmo todos, os nossos brinquedos, a maioria dos quais se baseava ou imitava objectos e utensílios utilizados pelos adultos na sua principal faina quotidiana – a agricultura.

Ora um dos objectos mais imitado na elaboração dos nossos brinquedos era o corsão com que brincávamos em cada dia, em cada hora e em cada minuto. Fazíamos corções minúsculos com uma rapidez, uma competência e uma agilidade fantásticas. Por vezes fazíamo-los de madeira mas, como esta era rara e mais difícil de trabalhar, utilizávamos habitualmente e como alternativa, as canas do milho. Pegávamos num milheiro ou em dois e cortávamo-los em dois pedacinhos do mesmo tamanho. Depois aguçávamos em forma de proa de navio uma das extremidades de cada um dos pequenos e delgados troncos do milho e arranjávamos cinco ou seis “fochos” a fazer de travessas que cravejávamos nos milheiros, formando assim um verdadeiro corsão em miniatura. Faltavam apenas os fueiros, tarefa também muito fácil de concretizar pois bastava apenas fixar mais uns pauzinhos na parte de cima dos milheiros e lá estava o corsão completo. Depois era só carregá-lo com lenha, incensos, ervas, casca de milho, produtos que eram sempre bem presos e amarrados com cabos de espadana e apertados com arrochos, como se de um corção de verdade se tratasse.

E o cabeçalho? Bem o cabeçalho era feito com um fio de espadana bem grosso que se prendia a uma canga, também de espadana com duas laças nas pontas onde se enfiavam dois sabugos a fazer de bois que assim ficavam verdadeiramente “encangados”. E então se conseguíssemos um sabugo vermelho!...

E assim nos entretínhamos horas e horas a brincar, tão felizes e alegres, com estes brinquedos tão simples, apesar da pouca durabilidade de que eram dotados, pois o corção desfazia por completo assim que os milheiros secavam.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A MESA POSTA NO LARGO DA CANCELINHA

Quinta-feira, 10.05.18

Antigamente e antes da construção da nova estrada entre o Porto da Fajã à Ribeira Grande, um dos caminhos mais importantes da Fajã Grande era o que ligava o cimo da Assomada aos Lavadouros. Dezenas e dezenas de pessoas, animais, corsões e alguns carros de bois por ali passavam diariamente, de manhã, ao meio dia, à tarde e até à noite, nas suas idas e vindas para as terras de cultivo do Descansadouro, para as hortas do Delgada, da Cabaceira e da Cancelinha, para as casas e festas da Cuada, para as terras de mato do Espigão, Vale Fundo e Desarraçado, para as terras de inhames da Lombega e do Moledo Grosso, para as relvas da Alagoinha e Lavadouros e até para os longínquos e pouco produtivos os currais do Curralinho e Portalinho, lá para os lados do Poço da Alagoinha. Um dos percursos mais curiosos deste longo e importante caminho era o que ficava entre o Largo de Santo António, no cruzamento que dava para a Cuada, e o início da Ladeira do Espigão, onde o caminho também se bifurcava para os lados do Desarraçado e do Vale Fundo. Era precisamente neste troço daquele caminho, logo acima da ladeira da Cabaceira e depois da canada que dava para a Cabaceira de Cima, que ficava o celebérrimo largo da Cancelinha, onde também desembocava uma estreita e sinuosa canada vinda dos lados do Pocestinho e do Pico Agudo.

O largo da Cancelinha impunha-se e destacava-se, por um lado, pelo seu excessivo tamanho e exagerada largura no contexto de um caminho onde pouco mais cabia do que uma junta de bois e, por outro, por uma lenda a que estava ligada à sua existência. Na realidade era um largo enorme, coberto por árvores altíssimas que lhe davam uma sombra austera, esconsa e descomunal. Não ficasse por ali uma terra do Guarda Furtado, ou seja aquelas que tinham incensos graúdos, faias enormes e criptomérias altíssimas dado que a lenha nunca era cortada pois o dono dela não precisava como não necessitava de incensos para o gado e os seus procuradores não o podiam fazer. Esse arvoredo ao redor do largo dava-lhe um aspecto assombroso, taciturno, sinistro, tétrico e nefasto. Talvez daí ter sido criada uma lenda segundo a qual quem por ali passasse ao lusco-fusco via uma mesa posta com toda a espécie de comida em cima. No entanto ninguém tentava aproximar-se dela pois à medida que o fazia a mesa ia-se afastando sem que quem quer que fosse a agarrasse ou dela retirasse qualquer vitualha das muitas existentes sobre a mesma.

Passei lá muitas vezes de madrugada, à noite, acompanhado e por vezes sozinho mas na realidade nunca vi a tal mesa, nem posta nem por pôr. Não porque ela lá não estivesse, ou melhor, lá não aparecesse, mas porque eu ao passar no largo quando sozinho, ao ir levar as vacas aos Lavadouros, ou a ir buscá-las para o palheiro, cheio de medo, fechava os olhos bem fechadas e largava em tão grande carreira como em nenhum outro sítio por onde habitualmente passava. Como conhecia o caminho de cor e salteado safava-me sempre muito bem, não esbarrando nas paredes nem caindo em algum barranco.

Mas confesso que quando se abriu a nova estrada que desviou o trajecto para os Lavadouros do Largo da Cancelinha foi um grande alívio para mim.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

UM SONETO DE ROBERTO DE MESQUITA

Quarta-feira, 09.05.18

 

Desenrola-se a noite aveludada,

O Ocidente cerrou as suas portas.

Eis a hora em que tu, alma excitada,

Ao país das quimeras te transportas.

 

Erro na praia. Paz ilimitada.

As pupilas do céu fitam-me absortas.

A alma do mar na noite constelada

Sente saudades das nereides mortas.

 

Como um eflúvio místico, erra agora

Uma emoção anónima no ar

Da balsâmica noite de veludo.

 

É um vago sentir que se evapora

Das cousas que me cercam a sonhar,

Do espírito incógnito de tudo…

 

in “Nocturno

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publicado por picodavigia2 às 00:05

VIAJANDO COM FERREIRA DE CASTRO

Terça-feira, 08.05.18

O Padre José Soares, por motivos de doença, nos tempos em que o Carvalho Araújo ainda escalava as ilhas dos Açores e da Madeira, deslocava-se com alguma frequência a Lisboa, a bordo daquele paquete.

Numa dessas viagens viajou juntamente com Ferreira de Castro, que se deslocava para a ilha da Madeira, em férias. O escritor foi-lhe apresentado por um amigo comum, o médico de bordo, pessoa extremamente culta, organizador e dinamizador de muitos encontros, reuniões e tertúlias a bordo do velho navio, congregando assim poetas, escritores e homens da cultura que frequentemente viajavam a bordo do Carvalho. A partir daí, a conversa Ferreira de Castro e José Soares terá sido diária, longa e prolongada, sendo o tema principal da mesma não apenas a obra literária do escritor, que o padre conhecia, de fio a pavio, mas também muitas e muitas outras obras e vultos da literatura portuguesa e universal

Ao chegar à Madeira e antes de se despedirem, Ferreira de Castro manifestou o seu espanto e satisfação por encontrar um padre açoriano tão culto e tão profundamente conhecedor da sua obra e da literatura universal, congratulando-se por isso e elogiando o clero açoriano em geral, considerando que, neste campo e a julgar pela amostra que ali tinha, se sobrepunha e superava de longe o clero do continente que, na opinião do escritor, era, culturalmente, muito pobre e ignorante.

Resposta imediata e pronta do Padre José Soares:

- Mas saiba Vossa Excelência que está, tão somente, a falar com um humilde e simples “padre de fazer enterros”, pároco duma das mais pequenas, retirada e longínqua freguesia dos Açores, a Fajã Grande das Flores. Por aqui imagine, então, Vossa Excelência a cultura e sabedoria que terão os padres das grandes vilas e cidades açorianas e, sobretudo, os doutores e professores do Seminário…

E com esta se foi Ferreira de Castro passar as suas férias à Madeira.

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publicado por picodavigia2 às 00:08

BENEFÍCIOS DA ÁGUA PARA O NOSSO ORGANISMO

Segunda-feira, 07.05.18

Entre outros benefícios, a água:

1 – Regula o trânsito intestinal;

2 - Contribui para o bom funcionamento dos rins;

3 - Ajuda no combate à celulite e estrias;

4 - Tem uma ação de prevenção no que diz respeito ao envelhecimento da pele, ajudando a manter a elasticidade e tonicidade;

5 – Ajuda no controlo do apetite e peso.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

OS POLÍTICOS

Domingo, 06.05.18

 

"Os políticos devem ganhar mais para não cair em tentações."

 

Ana Gomes, PS  (ao CMTV 5-5-18)

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publicado por picodavigia2 às 00:05

OLHOS D'ÁGUA

Sábado, 05.05.18

Olhos D’Água é uma Praia Fluvial situada junto à nascente do Rio Alviela, na antiga freguesia de Loureiro, concelho de Alcanena, no distrito de Santarém.

O percurso interpretativo desta praia desenvolve-se desde a nascente do Alviela ao sumidouro da ribeira dos Amiais. A ribeira dos Amiais, um dos raros cursos de água superficiais do maciço calcário estremenho, forma estruturas geológicas de rara beleza ao atravessar os calcários do Jurássico Médio. A sua beleza geológica rodeada pela vegetação mediterrânica essencialmente arbustiva torna este percurso um dos mais atrativos da região. Na lapa da Canada, a ribeira dos Amiais encontrou, em profundidade e ao longo de cerca de 200 metros, o seu trajeto preferencial. Mais a jusante, a natureza criou uma importante estrutura cársica natural, a janela cársica, que nos deixa observar a ribeira a circular em profundidade e vários níveis de grutas calcárias formadas ao longo de milhões de anos. Estas grutas são agora um importante abrigo de maternidade de uma colónia de morcegos que traz ao Alviela, todos os anos, mais de 5000 indivíduos. Antes de desaguar no rio Alviela e já a circular novamente à superfície, a ribeira dos Amiais produziu um canhão flúvio-cársico, estreito, encaixado na paisagem, de vertentes íngremes, que não deixa ninguém indiferente. No início deste canhão encontra-se o poço escuro, uma cavidade cársica protegida por um dique de betão que, na época chuvosa, expele água com uma intensidade que deixa antever a importância do maciço como reservatório de água doce subterrânea. E a nascente do Alviela, uma das seis nascentes cársicas permanentes do maciço, é a que tem o maior caudal, já abasteceu a cidade de Lisboa e dá origem ao rio Alviela que, logo nos primeiros metros do seu trajeto, permite-nos ter a bela Praia Fluvial dos Olhos d´Água do Alviela.

Locais a visitar: a nascente do Rio Alviela, o Poço Escuro, o Canhão fluvio-cársico da Ribeira dos Amiais, o Sumidouro da mesma ribeira, a Janela Cársica e a Ressurgência da Ribeira dos Amiais.

A praia possui um restaurante e num raio de sete km existem outros entre os quais - O Peregrino (Louriceira); Tertúlia do Gaivoto (Louriceira); Adega Miceu (Espinheiro); Cantinho do Tóino (Alcanena); Central (Vila Moreira); Cervejaria Calado (Casais da Moreta); Frazão (Malhou); Leamad (Espinheiro); Nutriself (Intermarché - Alcanena); O Atlético (Alcanena); O Caneiros (Alcanena); O Caracol (Covão do Feto); O Facho (Alcanena); O Mal Cozinhado (Monsanto); O Malho (Malhou); O Nosso Cantinho (Alcanena); O Patanisca (Raposeira); Penedas (Malhou); Pizza Buona (Alcanena); Retiro dos Pacatos (Malhou), etc.

No que a alojamento diz respeito, pode dormir-se, no local, no Centro Ciência Viva do Alviela – Alojamento em Camarata ou no Parque de Campismo da Praia Fluvial dos Olhos D’Água – Campismo e Bungalows. Num raio de 15km existem vários hoéis: Hotel Eurosol (Alcanena); Residencial Planeta (Alcanena); A Coelheira (Moitas Venda); Residencial Glória (Moitas Venda); Estaminé (Minde); Parreirais dos Moquinhos (Minde); Alojamento Local – Praça Velha (Minde).

Fonte, Net

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MARIA

Quinta-feira, 03.05.18

(POEMA DE ANTERO DE QUENTAL)

 

Nova luz, que me rasga dentro d´alma,

Dum desejo melhor me veste a vida…

Outra fada celeste agora leva

Minha débil ventura adormecida.

 

Não sei que novos horizontes vejo…

Que pura e grande luz inunda a esfera…

Quem, nuvens deste inverno, nesse espaço,

Em flores vos mudou de primavera?!

 

Se as noites nos enviam mais segredos,

Ao sacudir seus vaporosos mantos,

Se desprendem do seio mais suspiros…

É que dizem teu nome nos seus cantos.

 

Nem eu sei se houve amor até este dia…

Nem eu sei se dormi até esta hora…

Mas, quando me roçou o teu vestido,

Abri o meu olhar – acordo agora!

 

Antero de Quental, Maria, (versão adaptada)

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publicado por picodavigia2 às 00:05

ACORDAR NA RUA DO MUNDO

Quarta-feira, 02.05.18

 

(POEMA DE LUISA NETO JORGE)

 

madrugada, passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas. os pombos
alisam as penas, no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal já lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas, ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu, estragou-se o alarme
da joalharia, os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam

o azul dos azulejos, assoma à janela
quem acordou. o alarme não pára o sangue
desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
não gravou

e duma varanda um pingo cai

de um vaso salpicando o fato do bancário

Luiza Neto Jorge, in ‘A Lume’

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

O SONO DO JOÃO, DE ANTÓNIO NOBRE

Terça-feira, 01.05.18

O João dorme…(Ó Maria,

dize áquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar…)

O João dorme… Que regalo!
Deixá-lo dormir, deixá-lo!
Calai-vos, águas do moinho!
Ó Mar! fala mais baixinho…
E tu Mãe! E tu Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar…

O João dorme, o inocente!
Dorme, dorme eternamente,
Teu calmo sono profundo!
Não acordes para o Mundo,
Pode levar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto é…

Ó Mãe! canta-lhe uma canção,
os versos do teu irmão:
«Na Vida que a Dor povoa,
Há só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir…
Tudo vai sem se sentir.»

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho… até morrer!

E tu vê-lo-ás crescendo
A teu lado (estou-o vendo
João! que rapaz tão lindo!)
Mas sempre, sempre dormindo…
Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
Do berço, onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João… ficarão menores!

Mas para isso, Ó Maria
Dize àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João, acordar…

E os anos irão passando.
Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha também)
Perder a cor que, hoje, tem
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir,
Isto é, deixa de dormir:
Acorda, e regressa ao seio
De Deus, que é donde ele veio…

Mas para isso, ó Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar…

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publicado por picodavigia2 às 09:48

O MEU PAR

Segunda-feira, 30.04.18

O Antonino era o meu maior amigo, nos meus tempos de criança. A amizade que tínhamos um pelo outro definia-se e concretizava-se não apenas nas brincadeiras e folguedos mas também, na escola, na catequese e até na partilha da realização em comum de muitas tarefas e trabalhos. Esta amizade, que quase nos transformava em verdadeiros irmãos, originara-se no facto de sermos da mesma idade e, ainda por cima, termos nascido no mesmo dia. Por isso crescemos juntos e tínhamos muito em comum. De diferente tínhamos apenas duas coisas: o Antonino, por imperativos genéticos, era um gigante e eu um “lingrinhas” e os pais dele eram ricos e os meus pobres. Mas verdade é que essas diferenças nunca puseram em causa a nossa amizade.

Entrámos juntos para a escola, sentámo-nos na mesma carteira, fizemos passagens de classe e exames ao mesmo tempo, tomámos as vacinas no mesmo dia e até tivemos o sarampo e a papeira pela mesma altura. Na catequese e na missa aos domingos também nos sentávamos lado a lado e raro era o dia em que, depois da escola ou da catequese, não nos juntássemos para a brincadeira ou para fazer em conjunto as contas e as cópias que a senhora professora mandava fazer em casa.

Assim fomos crescendo e o tempo passando.

Quando se aproximou a Comunhão Solene, marcada para o dia da festa de S. José, por razões mais do que óbvias, decidimos, sem consultar quem quer que fosse, que seríamos o par um do outro.

Nos dias que antecederam a festa, reunimo-nos, na igreja, para ultimar os preparativos, sob a orientação do pároco. Uma das primeiras medidas que ele tomou foi formar os pares. Coloquei-me logo ao lado do Dionísio, sabendo que o senhor padre aceitaria, de bom grado, qualquer formação que nós propuséssemos. E os ensaios começaram com afinco e determinação... Todos os dias, depois da saída da escola, corríamos para a igreja, onde esperávamos que o pároco chegasse. Formávamos no guarda-vento, deambulávamos pelo corredor central e pelo cruzeiro, voltávamos ao baptistério lado a lado e de mãos postas, cantando e rezando como se já fosse o dia da comunhão. Depois o padre sentava-nos em lugar de destaque na capela mor e, colocando-se no meio do altar fazia-nos subir dois a dois, de acordo com os pares formados, até junto dele, ensinando-nos as vénias e genuflexões que devíamos fazer e o que devíamos dizer, depois dele erguer a hóstia muito pequenina e proclamar, traçando uma cruz sobre a píxide: “Corpus Domini Nostri Iésus Christi custodiat animam tuam in vitam aeternam”. Cada um respondia simplesmente: “Amen”. O Dionísio e eu ensaiávamos com o maior empenho, lado a lado, felizes por sermos o par um do outro.

Nas vésperas da festa, porém, uma grande “tragédia” aconteceu. A Dona Maria veio ensaiar os cânticos e, julgando do pouco empenho do irmão nos ensaios anteriores, resolveu dar-lhes os últimos retoques. Começou por analisar os pares um a um, com excessiva meticulosidade e depressa entendeu que alguns estavam muito mal formados. Olhei para o Antonino e trememos. Segundo a eminente irmã do senhor padre, os pares deviam formar-se não em função de “amizadezinhas”, mas sim pelo tamanho e altura dos meninos. Não ficava bem nem era bonito um menino grande ser par de um pequeno. De imediato desfez todos os pares que entendeu, incluindo o nosso.

Reclamámos, barafustámos, rezingámos, alegando como único argumento em nossa defesa que era o senhor padre que assim tinha feito e que assim é que devia ser... Mas nada!

Entrámos numa choradeira desenfreada, a tal ponto de já nem querermos fazer a comunhão. Era o que havia de faltar! Que quem mandava ali era ela, que não queria choramingas, que meninos que iam fazer a Comunhão Solene tinham que ser dóceis e humildes, que o Nosso Senhor assim é que queria, que tinha que ser assim e que por nada deste mundo seria doutra maneira... Nada pudemos fazer… e foi a sua vontade que prevaleceu…

E lá tivemos que fazer a comunhão desgostosos com os pares arranjados à última hora,  pela Dona Maria, envoltos em lágrimas e revolta… Mas, quando a missa terminou, dirigimo-nos, como estava ensaiado e programado, para o altar da Senhora do Rosário, que ficava ao lado da capela-mor. Foi então que o Antonino e eu, sem que ninguém se apercebesse ou desse por isso, nos esquivámos e ficámos ao lado um do outro, enquanto oferecíamos as flores a Nossa Senhora, Lhe rezávamos a consagração e cantávamos o cântico final:

 

“Aceitai estas florinhas,

Óh Virgem pura, cecém.

Aceitai-as como ofertas/

Do nosso amor, doce Mãe.

 

E na hora da nossa morte

Vinde-nos óh Mãe valer.

Lembrai então as florinhas

Que hoje aqui vimos trazer.”

 

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O TOLO

Domingo, 29.04.18

Conta-se que, numa certa aldeia, havia um indivíduo que todos julgavam ser tolo. Para se divertirem e o gozarem à grande, sempre que entrava num determinado café, alguns dos aldeões ali presentes, de imediato, lhe colocavam na frente duas moedas: uma de um escudo e outra de dois e quinhentos- Depois diziam-lhe que se ele conseguisse escolher a que achasse mais valiosa, ficaria com ela.

O tolo hesitava um pouco, mas escolhia sempre a maior, ou seja a de um escudo, o que levava os outros a rir, desmesuradamente, e a apoucá-lo, pois cuidavam que, na sua ignorância, associava o valor ao tamanho.

A cena repetia-se todos os dias e o tolo, apesar da risota e da galhofa de todos, não hesitava em eleger, sempre, a moeda de um escudo, como a mais valiosa.

Certo dia um dos aldeões, indignado com aquela forma de gozar o desgraçado e com pena dele, chamou-o, à parte, e disse-lhe:

- Olha lá! Tu és mesmo tolo! Ainda não percebeste que estás a ser gozado todos os dias? Ainda não percebeste que a moeda mais valiosa é a mais pequena?

Resposta do tolo:

- Lá perceber, percebi. Só que no dia em que eu escolher a mais pequena, por considera-la mais valiosa, acaba-se a brincadeira e não ganho nem mais um escudo. Por isso, enquanto puder, vou continuar a escolher sempre a maior. Assim todos continuarão a pensar que sou tolo e a divertirem-se à minha custa mas continuarão, também, a dar-me um escudo todos os dias.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

O CALHAU DAS FEITICEIRAS

Sábado, 28.04.18

Na Fajã Grande, ao cimo da ladeira do Covão, no caminho que dá para o Outeiro Grande e antes do cruzamento da Pedra d’Água, existia, e provavelmente ainda hoje existe, um estranho calhau, que o povo chamava “Calhau das Feiticeiras”.

Tratava-se de um enorme e negro tufo de forma oval, encravado na rocha que ostentava desde a base até ao cume mais de uma dúzia de pequenas pegadas, cuja elegância, delicadeza e graciosidade eram denunciadoras de que pés femininos por ali teriam passado vezes sem conta.

Como este, tantos outros calhaus, montes, morros, ribeiras, lugares e até ilhéus, não apenas na Fajã Grande mas também por toda a ilha das Flores, estão repletos de lendas e “estórias”, umas vulgarizadas outras desconhecidas e que, normalmente, os seus nomes encerram.

No caso do “Calhau das Feiticeiras”, contavam os antigos que as pegadas nele assinaladas tinham sido provocadas pelos pés das feiticeiras que ali viviam escondidas e tantas e tantas vezes o haviam subido e descido que ali deixaram, para sempre, as marcas indeléveis dos seus delicados pezinhos. Pelos vistos, as estouvadas, todos os dias, ao anoitecer, pegavam no corpo de alguém que tivesse tido procedimentos menos correctos, praticado actos indecorosos ou feito algumas diabruras e atiravam-no por ali abaixo para castigo do mal que havia praticado. Depois vinham buscá-lo e voltavam a atirá-lo, procedendo assim tantas vezes quantas as maldades cometidas ou as diabruras praticadas pelo prevaricador.

E eu que passava por ali quase todos os dias, quando ia levar as vacas ao Outeiro Grande!... É verdade que quando subia na companhia das rezes, ou porque me abstraísse com o tilintar as suas campainhas ou porque ainda fosse dia claro, não me assustava rigorosamente nada. Mas no regresso… Quando vinha sozinho, já quase noite!?... Oh pernas!... Cheio de medo, passava junto ao calhau numa correria louca. Às vezes, sobretudo quando partia da relva do Outeiro Grande já lusco-fusco, evitava aquele caminho e esgueirava-me pela Cabaceira. É que embora a distância fosse bastante maior, livrava-me de passar junto ao famigerado esconderijo daquelas malditas, impedindo assim que me agarrassem e me atirassem pelo calhau abaixo… Razões para ser abalroado por elas, tinha eu de sobra…

Verdade, verdadinha, é que nunca me agarraram e lá passei muitas vezes. Mas verdade também que por toda a freguesia era voz corrente de que o pai de tia Aniquinha, há muitos anos falecido, todos os dias, à noitinha, era atirado pelo calhau a baixo.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

DIA DA LIBERDADE

Sexta-feira, 27.04.18

(TEXTO DE CARLOS SOUSA)

Neste saboroso feriado, que hoje nos chegou, para fazer lembrar a data importante que foi o 25 de Abril de 1974, queria aqui recordar alguns dos grandes alicerces, pelo menos para mim e colegas desse tempo, em que se tornaram as cantigas de intervenção, poetas, compositores e cantores. Nos finais dos anos sessenta e inícios dos de setenta, mexeram connosco, abanaram consciências e influenciaram a maneira de pensar e de agir de muitos de nós.

Nomes como os de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, José Gomes Ferreira, Luís Cília, Manuel Alegre, Francisco Fanhais, Manuel Freire, Ary dos Santos, Manolo Diaz, Paco Ibañes, Patxi Andion, Fausto, Sofia de Mello Breyner, António Gedeão, António Aleixo, Geraldo Vandré, … para citar apenas alguns dos mais importantes, pois eram muitos, puseram-nos entre mãos tantos e tão bons e enigmáticos poemas/canções – que se transformaram em verdadeiros temas para conversa, para meditação, despertando consciências ainda adormecidas.

Era ver-nos, naquele tempo, de coração aberto à novidade e à mudança, por esses campos fora, quer isoladamente, quer em grupo, trauteando muitos dos proibidos e censurados estribilhos que nos enchiam de porquês e nos abriam horizontes de liberdade.

Quem não se lembra de poemas e canções como a Pedra Filosofal – o sonho comanda a vida… sempre que um homem sonha o mundo pula e avança; Trova do Vento que Passa – há sempre alguém que diz não; Canção para desfazer equívocos – irmão doutra cor, não estranhes que te chame irmão; Ó pastor que choras – deita as mágoas fora; Porque – porque os outros se mascaram mas tu não; Borboleta Preta – há muitas asas ardendo neste descampado; Corpo Renascido – canção, casa do mundo, viagem do homem para o homem; Descalça vai para a fonte – se os filhos se alimentassem com a sua formosura … Leonor pensa de mais, vai formosa e não segura; Traz outro Amigo Também – não percas tempo que o vento é meu amigo também; Canto Moço – somos filhos da madrugada; Este parte, Aquele Parte - e todos, todos se vão; Eles - Ei-los que partem novos e velhos; Menina dos Olhos Tristes - vem numa caixa de pinho, desta vez o soldadinho; Sei duma Menina – enfrentar a vida é o seu pavor; Para não dizer que não falei de flores – caminhando e cantando e seguindo a canção/somos todos iguais braços dados ou não; Natal para os Meninos da Guerra – era de morte o tempo nesse dia velho de ser Natal; Recuso-me – ao silêncio e à mordaça… a ter medo e a estiolar na concha dos poetas sem mensagem; Canção do Vento - há tempo p’ra tudo na terra; O que menos importa é o fato surrado; Os Vampiros – eles comem tudo e não deixam nada; Calçada de Carriche - Luísa sobe, sobe a calçada; O que faz falta é avisar a malta; Natal dos Simples - vamos cantar as Janeiras; Cantata da Paz – vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar; Cantilena - cortaram o bico ao rouxinol; Livre - não há machado que corte a raiz ao pensamento; Menino do Bairro Negro – onde não há pão, não há sossego; Exílio - Venho dizer-vos que não tenho medo – a verdade é mais forte que as algemas; Canta, Amigo, Canta - erguer a voz e cantar; É preciso avisar toda a gente – dar notícia, informar, prevenir; Dedicatória - se poeta sou, sei a quem o devo/ao povo a quem dou os versos que escrevo; Regresso – dia de festa na pátria amada; Sou Barco – e os barcos abandonados voltarão a Portugal; Canta, Camarada, Canta – canta que ninguém te afronta; Grândola, Vila Morena – o Povo é quem mais ordena; Somos Livres – uma gaivota, voava, voava…

…e outros, muitos, muitos singles e LPs, alguns estampados à pressa, mas novidade clandestina que mão amiga nos trazia de Lisboa.

Tempo de esperança, que se foi tornando realidade, com avanços e recuos, abusos e mal-entendidos, verdades e inverdades, paz, sossego, desassossegos e guerras, sempre e tudo em nome da liberdade, esse caminho nunca completo que teimosa e convictamente vamos trilhando.

Carlos Sousa, Facebook

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O ARAME DA RIBEIRA

Quinta-feira, 26.04.18

Outrora, subir a Rocha sobranceira à Fajã, um pungente e doloroso martírio! Descê-la, uma desafiadora e fascinante aventura! Mas descê-la carregando molhos de erva, feitos, bracéu, ou lenha ou outro carregamento qualquer, uma pungentemente martirizada e castigadora desventura! (Hoje, subida e descida fazem-se por motivações de ordem turística, numa louvável tentativa de reabilitar, recuperar e manter antigos trilhos pedestres, dos quais este é um dos mais delirantemente paradigmáticos.)

 Com mais de 300 metros de altura, a rocha era, naqueles tempos e continua a sê-lo, actualmente, um alcantil escarpado, abrupto, pétreo e a pique, possuindo apenas uma vereda, um aclive íngreme e desnivelado, com trinta e duas voltas desenhadas em ziguezague nas fragas negras e enrijecidas, somando degraus atrás de degraus, intercalados com alguns atalhos mais rectilíneos, vários descansadeiros, algumas furnas e uma inesgotável fonte de água fresca, saborosa e retemperadora de forças – a Fonte Vermelha.

A rocha, outrora, era o único meio de acesso aos matos onde abundavam pastagens luxuriantes e onde para além da erva tenra e fresquinha que alimentava bovinos  e ovinos, sobretudo nos meses quentes do verão e de onde também se extraía lenha, fetos, cana roca e bracéu e outros bens necessários mas difíceis de acarretar até ao povoado, face às dificuldades inerentes ao descer aquelas perigosas veredas, carregando às costas pesadíssimos molhos. Bastavam as latas de leite, os cestos de lã e as ovelhas em dia de fio, que estes não podiam ser carregados de outra forma.

Como “a necessidade aguça o engenho” foi desta dificuldade que nasceu o recurso ao arame para lançar os produtos pela rocha abaixo, com destaque para o mais frequentemente utilizado – o que ligava o cimo da Rocha à Ribeira.

O arame era uma enorme extensão de fio de aço bem esticado e preso nas extremidades a enormes vergas de madeira, umas lá no cimo da rocha e outras cá em baixo, numa espécie de espojadoiro, para tal construído. O arame formava com a rocha e o caminho paralelo à Ribeira e que dava para a Figueira, uma espécie de triângulo rectângulo do qual constituía como que uma real e verdadeira hipotenusa. Assim, fixando-se rijamente de alto abaixo da rocha em diagonal, os molhos, presos por fortes ganchos de ferro em forma de S ou de C, eram nele colocados, um a um e deslizavam vagarosa mas airosamente, como que dançando e balouçando-se ao longo do arame, ao sabor do vento e da gravidade, até atingirem, por vezes, enorme velocidade, e chegarem cá abaixo, donde eram imediatamente retirados.

Na Fajã, ladeada a oeste por uma infinidade de rochas, existiam pelo menos mais três ou quatro arames: um na Rocha da Ponta, um na dos Paus Brancos e outro no Cabeço da Rocha, mas o principal e mais utilizado era realmente “o Arame da Ribeira”.

 

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LIBERDADE

Quarta-feira, 25.04.18

 

"Povos livres, lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada."

Jean-Jacques Rousseaux

 

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MATEUS PIRES

Terça-feira, 24.04.18

Na Fajã Grande, como em todas as outras freguesias das Flores e das restantes ilhas dos Açores, existiam diversíssimos lugares, a maior parte dos quais não habitados, mas, alguns deles com nomes muitíssimo interessantes. É o caso de um lugar da toponímia fajãgrandense, chamado “Mateus Pires” e que, como a maioria dos outros lugares, tem uma pequena história ou lenda, relacionada com a origem e a razão de ser do seu nome bem como do motivo ou motivos que terão originado. Mateus Pires é um deles!

O lugar de Mateus Pires ficava no caminho que ligava a Fontinha aos Lavadouros, mais precisamente integrando um outro lugar, muito maior e mais amplo, chamado Alagoinha. Partindo da Fontinha e Alagoeiro, subindo por aquele caminho em direcção aos Lavadouros, a seguir à ladeira do Pico Agudo, começava a Alagoinha. O caminho, no cimo da ladeira, fazia uma curva à esquerda, em direcção à rocha, seguindo depois paralelo a esta, para iniciar logo a seguir a descida da ladeira da Alagoinha.

Era precisamente neste sítio e junto à rocha, um pequeno montículo na enorme planície da Alagoinha, que ficava o lugar chamado Mateus Pires. Tratava-se de um lugar pequeno, formado por duas ou três terras de mato e uma relva, tendo sido claramente originado por uma ribanceira, em tempos muitíssimo recuados, caída da rocha.

Contavam os antigos que andando, outrora, por ali um homem de nome Mateus Pires, teve o azar de ser colhido pela ribanceira e ficar soterrado debaixo da mesma, nunca mais sendo de lá tirado o seu cadáver, pois a quantidade de entulho caído da rocha era tanta e tal que não havia meios que o permitissem fazer. Dele apenas ficou a memória assinalando com o seu nome aquele lugar – o lugar de Mateus Pires.

 

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A INEXAURÍVEL SINGULARIDADE DO CORVO

Segunda-feira, 23.04.18

Localizadas sobre a placa tectónica norte americana e edificadas, conjuntamente, sobre um fundo oceânico com cerca de dez milhões de anos, as Flores e o Corvo, quais irmãs gémeas, emergem, paradoxalmente, do mesmo banco submarino. Unidas no espaço, estiveram também sempre lado a lado no tempo, desde que os seus descobridores as encontraram e os seus primeiros povoadores penetraram por elas dentro, desbravando, cultivando, construindo e edificando. Além disso, as duas ilhas do grupo ocidental açoriano permanecem unidas uma à outra, por ligações marítimas, outrora mais espaçadas, rudimentares e lentas, hoje mais rápidas, seguras e sofisticadas. Por isso ir às Flores e não realizar uma visita ao Corvo é como que “ir a Roma e não ver o Papa”. O “Ariel” em carreiras diárias, regulares, os barcos da “Maré Ocidental” e de outras empresas, em viagens ocasionais ou fretados, permitem fazer uma visita, suficientemente prolongada, à mais pequenina e singular ilha açoriana – o Corvo.

Nas idas e vindas de uma ilha para a outra, pelo menos a bordo do “Avô Augusto” e graças aos seus experientes marinheiros, netos do “lobo do mar” José Augusto, é possível parar a meio do canal para observar uma infinidade de golfinhos que saltitam, acompanhando o circular da embarcação, em graciosas e variadas acrobacias e tornear o noroeste da magnífica costa florentina, entre a Ponta Ruiva e Santa Cruz, e entrincheirar-se por entre os inúmeros ilhéus que por ali proliferam. Também é possível observar as magníficas grutas com solo de água e tecto de lava e aproximar-se dos penhascos e ravinas entrecortados por quedas de água a despejarem-se sobre o Oceano. Uma verdadeira maravilha da natureza!

A chegada ao Porto da Casa, no Corvo, consubstancia uma singeleza que ainda torna mais singular a singularidade inexaurível desta ilha anã, estampada quer na simplicidade e idiossincrasia dos corvinos que esperam sobre o cais ou se sentam nas soleiras das portas das estreitas ruas da vila, quer na brancura das casas de portas escancaradas dia e noite ou destrancadas com fechaduras de madeira, quer ainda no emaranhado e estreiteza das principais e mais antigas vielas, ou até nos campos e belgas que as circundam ou nos desabitados palheiros que proliferam já nos matos, a caminho do Caldeirão. Trata-se duma ampla cratera de abatimento e onde se aloja uma, maravilhosamente bela lagoa, no fundo da qual se podem observar várias pequenas "ilhotas", umas compridas, outras redondas e onde, com um bocadinho de imaginação, se podem observar as nove ilhas açorianas. Lá ao fundo, no rebordo do Caldeirão, o ponto mais alto da ilha, o Morro dos Homens, com 718 metros de altura acima do nível médio do mar e, embora menos altos, mas ali bem perto, porque naquela inexaurível pequenez nada é longe e nada é perto, outros montes, onde se destaca o célebre e histórico Marco. Depois e mais a leste, as Quintas e o Fojo, as zonas mais altas do Corvo, onde se pratica a agricultura e cultivam algumas árvores de fruto. Por sua vez, as melhores pastagens para o gado ficam mais para norte, nas chamadas Terras Altas. Curiosamente uma parte desta zona de pastagens, ainda hoje, é de uso comunitário.

No regresso, impõe-se um passeio a pé, pela Vila do Corvo, localizada numa fajã lávica, a Sul e voltada para as Flores. A Vila do Corvo, que forma o concelho com o mesmo nome, é a mais pequena vila açoriana, com apenas 430 habitantes, de acordo com o Censos 2011. Única povoação da ilha, é constituída por um aglomerado de casas baixas com ruas estreitas e tortuosas que sobem as encostas, conhecidas localmente por canadas e possui o singular estatuto de ser o local habitado mais isolado de Portugal.

Do património arquitetónico existente na ilha, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, construída em 1795, que veio substituir uma primitiva ermida. No seu interior, podem admirar-se a estátua da padroeira, obra flamenga do século XVI, um Cristo em marfim e uma imagem em madeira de Nossa Senhora da Conceição, entre várias outras ali existentes. Além da igreja, é digna de ser visitada a Casa do Espírito Santo, no areópago da vila, o típico Largo do Outeiro, fundada a 1871, seguindo a traça arquitetónica das suas congéneres das Flores. Junto ao aeroporto ainda existem alguns interessantes e típicos moinhos de vento, classificados como imóveis de interesse municipal. Dos cerca de sete moinhos que existiram na ilha, apenas três se mantêm em funcionamento, embora já não sejam utilizados para o fim para que foram construídos. O casario da vila é um verdadeiro museu vivo, classificado pelo Governo Regional como conjunto de interesse público. Outro local de interesse é a “Cova da Junça” onde existe uma edificação protegida pelo Governo Regional dos Açores, cuja data de construção recua aos séculos XVII e XVIII, a qual faz parte do Inventário do Património Histórico e Religioso do Corvo. Trata-se de um silo subterrâneo, escavado no subsolo com forma de ânfora ou de talhão, tendo, muito provavelmente, sido usado em tempos idos com o objetivo de guardar os cereais, não só como forma de os conservar, mas também de os esconder quer dos piratas e corsários que assolavam a costa da ilha com frequência quer dos cobradores dos impostos do rei.

Foi toda esta inexaurível singularidade corvina que fez com que esta ilha fosse declarada no mês de Setembro de 2007 Reserva da Biosfera, pela UNESCO, na sequência de uma candidatura apresentada, para esse fim, pelo Governo Regional dos Açores.

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TAÇA DE PORTUGAL

Domingo, 22.04.18

A primeira competição com o estatuto de "Taça" foi criada em 1912, denominada Taça do Império (não confundir com Taça Império, que foi um troféu para a abertura do Estádio Nacional disputada entre o vencedor da Primeira Divisão e o vencedor da Taça de Portugal), que também teve o nome de Taça de Portugal na altura. Esta competição não-oficial, organizada pelo Sport Clube Império, tinha o intuito de participarem todos os clubes de Portugal. Porém, a prova só foi disputada três vezes, de 1912 a 1918, tendo o Benfica ganho todas as edições.[2]

Em 1921, após a derrota da seleção nacional na sua estreia, mostrou a necessidade de alterar o sistema de futebol português, constituído por campeonatos regionais (Porto e Lisboa, com algumas competições irregulares na Madeira e Algarve), criando-se uma competição nacional. Assim na época 1921–22 foi criado o Campeonato de Portugal disputado pelos Campeões Regionais (vencedores de cada Campeonato Regional) com o sistema de eliminatórias, tendo na primeira edição participado os vencedores dos campeonatos de Lisboa e Porto, tendo as associações do Algarve e Madeira renunciado à participação por razões financeiras e de organização.[3] Nos anos seguintes a competição iria sendo alargada à medida que mais campeonatos regionais iam sendo criados. Antes da criação do Campeonato da Liga os vencedores do Campeonato de Portugal eram declarados os campeões da modalidade em Portugal (apesar de os vencedores desta competição já não contarem como campeões nacionais). Depois da sua criação a Primeira Divisão passou a ser a competição mais importante do país e o Campeonato de Portugal foi substituído pela actual Taça de Portugal (no entanto, os títulos dos Campeonatos de Portugal não contam como títulos da Taça de Portugal).

Sporting e o FC Porto são os maiores vencedores do Campeonato de Portugal, com 4 títulos conquistados, seguidos de Benfica e Belenenses com 3 títulos, ao contrário da Taça de Portugal, competição na qual o Benfica é o que tem mais triunfos, com 25 Taças conquistada.

Esta época estar-ao no Jamor Desportivo das Aves e Sporting numa final inédita.

(Dados Wikipedia)

 

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TOPONÍMIA DA FAJÃ GRANDE

Sexta-feira, 20.04.18

Com a ajuda de algumas memórias ainda hoje muito lúcidas, foi-me possível fazer o levantamento dos nomes, se não de todos pelo menos da maior parte, dos lugares da Fajã Grande que outrora nos eram tão familiares e alguns dos quais hoje, possivelmente, já estarão ou esquecidos pelo tempo ou perdidos entre feitos, cana-roca, incensos e faias. Para uma melhor identificação dos mesmos, dividi o território abrangido pela freguesia em sete zonas tão imaginárias como a linha do Tratado de Tordesilhas, faltando, obviamente, uma zona: a da Ponta. Alguns dos nomes encontram-se repetidos porque, na realidade, se incluíam em mais do que uma destas pseudo zonas. Exemplifiquemos com o caso das “Queimadas” local onde havia relvas e terras de cultivo. Essa a razão por que o nome deste e de alguns outros lugares aparecem em duas zonas. A lista, no entanto, fica em aberto, a fim de alguns visitantes deste blogue, com os seus comentários, ajudem a completá-la.

 

ZONA DA COSTA E DA BEIRA-MAR

 

Areal, Baía d’Água, Baixa-Rasa, Barra, Barro, Cabouco, Calhau da Barra, Caneiro das Furnas, Caneiro do Porto, Cantinho, Canto do Areal, Cilindro, Coalheira, Covas, Eira, Estaleiro, Farol, Furna das Mexideiras, Furnas, Ilhéu do Constantino, Ladeira das Covas, Matadouro, Moinhos, Moinho do Engenho, Monchique, Pesqueiro de Terra, Pico, Pico da Vigia, Pico do Areal, Pinhacre, Poça da Barra, Poça das Salemas, Poça do Cobre, Poça do Farol, Poceirão, Ponta do Baixio, Ponta dos Pargos, Porto Novo, Porto Velho, Ramadas, Redondo,Rego do Burro, Respingadouro, Retorta, Ribeira das Casas, Rolinho, Rolo, Vale do Linho e Varadouro.

 

ZONA DAS CASAS

 

Alagoeiro, Assomada, Cambada, Caminho de Baixo, Canada da Fonte, Canada do Pico, Caravela, Casa de Baixo, Cimo da Assomada, Cruzeiro, Fonte da Assomada, Fonte Velha, Fontinha, Igreja, Ladeira do Calhau Miúdo, Ladeira da Fontinha,  Ladeira da Via d’Água, Outeiro, Pico, Praça, Rua das Courelas, Rua Direita, Rua Nova, Rua da Tronqueira, Vale da Vaca e Via d’Água

 

ZONA DAS TERRAS DE CULTIVO

 

Arame da Ribeira, Bandeja, Batel de Baixo, Batel de Cima, Lage do Batel, Calhau Miúdo, Caminho da Missa, Covão, Cruzeiro, Descansadouro, Fontecima, Mimoio, Outeiros, Pico, Quebrada, Queimadas, Ribeira das Casas, Ribeira, Tanque, Tronqueira e Vale da Vaca.

 

ZONA DAS HORTAS E TERRAS DE MATO

 

Cabaceira de Baixo, Cabaceira de Cima, Cabaceira do Meio, Cabeço da Rocha, Cancelinha, Delgado, Desarraçado, Espigão, Fonte Delgado, Grota dos Paus Brancos, Horta das Abóboras, Ladeira do Espigão, Lameiro, Largo da Cancelinha, Lombega, Moledo Grosso, Paus Brancos, Pico Agudo, Pocestinho, Santo António, Vale Fundo e Volta do Pinheiro.

 

ZONA DAS RELVAS OU PASTAGENS

 

Águas, Calhau das Feiticeiras, Calhau da Quebrada, Covão, Covas, Escada-Mar, Figueira, Grota da Lagoinha, Lage da Silveirinha, Lagoinha, Ladeira da Fonte, Mateus Pires, Outeiro Grande, Pedra d’Água, Pico, Queimadas, Ribeira, Ribeira das Casas, Rolinho, Silveirinha e Vale de Linho.

 

ZONA DA CUADA E LÁ-DE-TRÁS

 

Calhau de Nossa Senhora, Calhau do Tufo, Caminho Quebrado, Cuada, Curralinho, Eira da Cuada, Fajã das Faias, Fonte Simão, Grota da Alagoinha, Hortinhas da Cuada, Ladeira da Cuada, Ladeira do Biscoito, Ladeira do Pessegueiro, Ladeira do Serrado, Lavadouros, Pedra Vermelha, Pessegueiro, Portalinho, Poço, Ribeira do Ferreiro, Ribeira Grande, Tamujinhos, Tufo da Quada e Vale Fundo.

 

ZONA DA ROCHA E DO MATO

 

Água Branca, Bracéu, Burrinha, Cabeços, Caldeirão da Ribeira das Casa, Calhau do Touro, Cancela, Cimo da Rocha, Curral das Ovelhas, Curral Velho, Descansadouro da Rocha, Fonte Vermelha, Furna da Caixa, Furna do João da Macaca e da Maria Peguinha, Furna do Peito, Furna dos Dez Reis, Juncalinhos, Ladeira da Burrinha, Miradouro, Paços, Pedrinha, Pináculo, Pináculo das Covas, Poço do Bacalhau, Pontas Brancas, Pulgueira, Pulo, Quebrada, Queiroal, Ribeira das Casas, Rochão do Junco, Rochão Tamusgo, Rochão Grande e Serrado Velho.

 

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MONTJUIC, O PICO DA VIGIA DE BARCELONA

Quinta-feira, 19.04.18

Afinal, vistas de um certo prisma, as localidades são como as pessoas: em tudo diferentes mas em tudo iguais. De facto se repararmos bem qualquer, localidade, por mais pequena que seja, tem tudo o que as outras têm, mesmo se tratando de grandes vilas ou enormíssimas cidades: casas, ruas, praças, passeios, árvores, pessoas, lojas, mar ou rio, tudo é comum a umas e a outras.

Quando, há anos, visitei pela primeira vez a mágica cidade de Barcelona e passeei por algumas das suas ruas, dei comigo a pensar que naquela enormíssima cidade, capital da Catalunha, há afinal muita coisa igual ou semelhante aquilo que havia na minha minúscula Fajã Grande, a pequena freguesia onde nasci e cresci criança, quando por lá deambulava de pé descalço, no início dos anos cinquenta. Poderá parecer estranho mas é verdade. Senão vejamos.

Comece-se pelo Montjuic! Não é verdade que é sobranceiro à cidade e ao mar, que do seu alto se desfruta de uma aprazível, deslumbrante e encantadora vista sobre a cidade, talvez uma das mais belas de toda a Catalunha, o que o torna realmente numa espécie de Pico da Vigia de Barcelona? É verdade que não tem a cabine onde o vigia das baleias passava horas a tentar descobri-las, mas tem um castelo com binóculos e canhões por tudo o que é sítio. Mas ainda há mais: bem vistas as coisas não está a Rambla cheia de galos, pássaros, morganhos, salsa, cebolinho, hortelã, macela, japoneiras, hortênsias a fazer lembrar a Rua Direita, ambas com uma praça ao cimo? E o Porto Velho e o Porto Novo? Tal e qual como os da Fajã. A casa de Batló  ou a de Mila não fazem lembrar a Casa do Chileno? A própria Fonte Canaletas reporta-nos para a nossa Fonte Vermelha, que embora não estando localizada perto da Praça, não lhe é inferior na qualidade e frescura da sua água.

É verdade que não tínhamos uma torre Agbar, mas tínhamos o Monchique que não lhe fica atrás em firmeza, rigidez e endurance e que tem a vantagem de lá bem no seu cimo, ao que se diz, os nossos avós terem dançado  “A Chamarrita”, não constando que os catalães algum vez tenham dançado ou tenham a esperança de um dia vir a dançar “ La Sardana ” em cima da dita Torre. Vão-se contentando em dançá-la, apenas aos domingos, mas na Praça da Catedral.

E se Barcelona têm um Arco do Triunfo não o devia ter porque ele é de Paris, o Palácio Real é de Madrid, o Tibidabo do Monte Sinai e a Sagrada Família, segundo rezam as escrituras, era de Nazaré.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

TIA, O REGO

Terça-feira, 17.04.18

Antigamente, na Fajã era de bom-tom que todos oferecessem alguma coisa do pouco que produziam, ao pároco. Geralmente, cada um escolhia o melhor que tinha. Com este gesto, pretendiam os crentes, por um lado, cumprir o estipulado no 5º mandamento da Santa Madre Igreja “Contribuir para as despesas do culto e sustentação do clero” e, por outro, diligenciar um “descontozito” na compra dos indultos e das bulas ou até na própria côngrua. Em Dezembro oferecia-se uma posta do porco, uma morcela ou um pedaço de linguiça. Na altura das colheitas uma rasoira de milho, um saco de batatas ou uma gavela de couves. Ao longo do ano uma dúzia de ovos, um cesto de inhames ou um queijo.

A Ana Sapateira era muito pobre e não tinha nada de jeito que pudesse oferecer ao reverendo. Mas falta de lógica é que não tinha e lá foi matutando consigo própria: O senhor padre tem galinhas, as galinhas põem ovos para o alimentar. Logo dar comida às galinhas é o mesmo que sustentar o reverendo.

Atrás da sua casa, ladeado pelo caminho da Fontinha e fustigado pelas enxurradas invernais e pelas manhãs soalheiras do estio, havia um rego onde florescia erva-santa de excelente qualidade Um regalo para as galinhas!

Certo dia, a Sapateira, enchendo-se de coragem e boas intenções, lá se decidiu por apanhar um cestinho de erva-santa e, não sem algum embaraço, foi oferecê-lo ao vigário.

O prebendado ficou perplexo ao ver aquela florescente maravilha da natureza e, ao perguntar-lhe onde tinha ido apanhar erva-santa tão viçosa e fresquinha, a velhota respondeu, sem hesitar:

- Foi no meu rego de trás, senhor padre. Tem lá muita.

O Jacinto que estava a cavar a courela do pároco, ali ao lado, ouviu tudo. Um canhão a disparar uma bomba de cima da rocha não espalharia os estilhaços tão depressa. Em segundos toda a freguesia ficou a saber que a Ana Sapateira tinha um “rego de trás” e que o dito cujo era fértil e estava eivado de erva-santa.

Foi uma chacota danada, sobretudo por parte dos rapazes que, ao passar-lhe por trás da casa, começavam a gritar: “Ó tia, o rego!?” A Sapateira assomava logo à porta da cozinha, furibunda, de pá do forno ou varredouro na mão, ameaçando-os e insultando-os desalmadamente.

Eu esperava, ainda muito criança mas já danado para caçoar, pacientemente aguardei a ocasião mais oportuna de também me iniciar em tão audacioso ritual. Ia-me poupando porque muito miúdo, tinha medo que ela me pilhasse e arriasse o cabo da vassoura no lombo, como já tinha feito ao Amorim.

Mas lá chegou o dia em que, enchendo-me de coragem, decidi iniciar-me na praxe de insultos à Sapateira. Passei-lhe rente à porta da cozinha e gritei com quanta força tinha, uma, duas, três vezes: - “Ó tia, o rego!?”

Azar dos azares! É que a Sapateira estava sentada cá fora mas encoberta pela aba duma pedra e eu não a vira. Eis senão quando me surge pela frente e, barrando-me a fuga por completo, agarrou-me, cravou-me as unhas nas orelhas, levantou-me do chão e sacudiu-me bem sacudido pelas orelhas, enquanto, furiosa que nem uma barata, me arregalava uns olhos de raiva e gritava bem alto: “Pscinha mijinha, pscinha mijinha”.

Só a muito custo me libertei das garras odientas da Sapateira, iniciando tamanha correria que ela não mais me pôs a vista em cima.

Só mais tarde soube que tivera uma antepassada que, para além de demente e ciosa da fala, sofria de incontinência urinária. Contaram-me que a coitada urinava em tudo o que era sítio, formando uma pequena poça à sua volta e, depois, muito contente, punha-se a saltar à volta da dita poça, cantarolando: “Pscinha mijsinha, pscinha mijsinha,” o que, obviamente, significava “pocinha de mijinho”.

Confesso que nunca mais gritei à  Velha Sapateira, não tanto por não querer sentir, mais uma vez, os seus gadanhos nas minhas orelhas, mas sobretudo porque temia que ela voltasse a descobrir o lastimoso currículo de algum outro meu antepassado.

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MAIS UMA FLOR SOBRE A TUA CAMPA

Segunda-feira, 16.04.18

 

Depositei mais uma flor sobre a tua campa

e, apesar do negrume tumular que te envolvia

e do silêncio eterno em que te banhavas,

pareceu-me que sorriste

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A CAMBADA

Domingo, 15.04.18

 

Cambada, estranhamente, é o nome de um lugar da Fajã Grande, situado ente a Via d’Água e a Tronqueira, sendo ainda ladeada a sudoeste pela Caravela e a norte pelo Porto. A Cambada é uma afirmação contundente dum lugar mas desafiador da sua origem e génese. É um lugar cuja origem do nome não parece ser fácil.

Na língua portuguesa a palavra cambada que pode ser nome ou adjetivo e o verbo cambar têm os seguintes significados: cambada, substantivo feminino, tem dois significados. Significa porção de coisas enfiadas e dependuradas do mesmo cordão, gancho, etc e no sentido figurado grupo de pessoas consideradas desprezíveis ou de mau carácter, sendo, neste caso sinónimo de canalha, corja, súcia. Não parece que nenhum destes significados esteja na origem deste topónimo. Por sua vez, cambar, verbo intransitivo, significa mudar, transformar, mudar de rumo ou de direção, sendo que em náutica se utiliza com o significado de mudar de um bordo para outro (vento, escota das velas, etc.).Por sua vez, como verbo transitivo trocar. No entanto o significado mais vulgar de cambar é o de andar com as pernas tortas, estar coxo, coxear, entortar ou ficar torto. Neste caso o adjetivo formado a partir do participo passado, cambado significa que ou quem tem as pernas tortas, que está coxo, torto ou acalcado.

O mais provável é que este último significado seja o que estará na origem deste topónimo. Como o lugar da Cambada se situa perto de locais onde hoje existem moradias, noutros tempos poderá ter existido ali, como existiu no Areal, no Porto e noutros lugares, pelo menos uma casa onde, eventualmente, moraria uma mulher que tivesse um defeito nas pernas ou coxeasse. Neste caso aquele lugar passaria a identificar-se como o lugar da cambada e que passou a ser “A Cambada”.

Enquanto não germinar um esclarecimento mais perfeito, talvez de maior rigor com o objetivo de melhoria os primórdios originais e a origem do nome deste lugar, a eugenia lexical vai dando lugar a estes devaneios.

A Cambada situa-se um pouco distante quer do Caminho da Tronqueira, quer do da Via d’Água, pelo que o seu acesso se fazia através duma Canada com o mesmo nome e que ligava este lugar à Tronqueira. No pouco que consigo recordar, a canada localizava-se entre as casas do Tobias e de José Inácio Jorge, bem lá no fundo da Tronqueira. No entanto, havia quem fosse para a Cambara pela canada do Calhau Miúdo, que dava para o Porto, ou mesmo atravessando algumas terras dos lugares circundantes, Do alto do maroiço dum serrado que meu pai possuía no Porto, chegava-se facilmente à cambada. Por ali perto existiam outros dois lugares com nomes também muito interessantes: a Caravela e o Estaleiro. Na sequência do vizinho Porto era um excelente lugar agrícola, com bons terrenos onde florescia, sobretudo, milho, batata branca e couves.

O nome Cambada nos Açores, não é monopólio da toponímia fajãgrandense, uma vez que noutras ilhas existem lugares com o mesmo nome. Como é o caso do Pico do Cambado um monte localizada na ilha de São Miguel. Trata-se de um acidente geológico que tem o seu ponto mais elevado a 304 metros de altitude acima do nível do mar e localiza-se nas imediações da freguesia do Cabouco, da Mata das Feiticeiras e do Pico do Castelhano. Há também várias localidades onde existem ruelas designadas por canada do Cambado.

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AZÓRICAS

Sábado, 14.04.18

(TEXTO DE MARIA ANTÓNIA FRAGA)

Quando os navegadores avistaram ao longe as ilhas atlânticas, terão sentido a vontade compreensível de as visitar, não só pela curiosidade natural do descobridor como também para obter água e mantimentos frescos, e já agora para delas se apossar, em nome de El-Rei e para glória de todos. Abrigados os pequenos barcos nas poucas angras viáveis, ei-los que desembarcam num território que até então só pertencia às aves e à vegetação – e pouco mais.

Nas zonas mais baixas, encontraram as plantas de costa, tão densas em alguns locais que até o nome deram à ilha em questão; é o caso das Flores, que terá sido deste modo chamada por se encontrar literalmente coberta de cubres amarelos, na orla costeira, e decerto não de hortênsias azuis, como sucede hoje, mas que parecem ter achado nessa ilha, como um pouco por todo o arquipélago dos Açores, o seu verdadeiro lugar ao sol. Sol suavizado, é certo, pela humidade constante, chuvas abundantes e vento fresco, pois poderia ter sido Flores muito bem chamada a ilha das brumas eternas, ou aquela que dá de beber ao mar, segundo um poeta...

Nas zonas mais altas, geralmente acima dos 500 metros nos grupos central e oriental - no ocidental, a menos do que isso - observaram, aflitos (como é que se vai arrotear isto?) a floresta a que hoje nos referimos quase postumanente como laurissilva, ou floresta de louro e cedro, pois dela agora pouco resta, a não ser nos locais menos acessíveis das ilhas (*) como por exemplo a daqui bem próxima serra da Tronqueira. Árvores centenárias, algumas de preciosa madeira, arbustos e vegetação rasteira, (quase) tudo acabou por ser minuciosamente derrubado, desbravado e desmontado, numa actividade a princípio lenta e penosa, tornando-se mais rápida e descuidada com o melhoramento dos utensílios e o advento da perniciosa mania de que o que vem de fora é que é bom, e que levaria à introdução de muitas espécies alienígenas e agressivas para a flora local. Desta, onde estão agora os cedros do mato - em alguns locais conhecidos por zimbreiros ou zimbros – os loureiros, vinháticos, paus-brancos (ou paus-branqueiros), sanguinhos, azevinhos, tamujos e folhados, e quem os conhece hoje? A queiró (ou urze, nalgumas ilhas) lá se foi aguentando e é das poucas relíquias da laurissilva que pertence ao nosso quotidiano; a faia da terra também, até certo ponto, e devido talvez à sua utilização como abrigo para plantas fruteiras.

Muitas destas espécies são endémicas, ou seja nossas e só nossas; a algumas foi-lhes dado até o nome que entre todas as plantas deste mundo as distinguirá: “Laurus Azorica”, o loureiro açoriano; “Erica Azorica”, a nossa urze ou queiró; “Picconia Azorica”, o pau-branqueiro de nobre madeira; “Frangula Azorica”, o sanguinho de flor vermelha, etc.

O olhar do passante recai na mesma, nos dias de hoje, sobre o verde profundo das árvores, mas praticamente só distinguirá as exóticas “Cryptomeria Japonica” de crescimento rápido, sob as quais pouco ou nada consegue sobreviver, alguns “Eucalyptus Globulus” e abundantes incensos, “Pittosporum Undulatum”, também ao que parece introduzidos inicialmente para abrigo de pomares. Verá também outras colonizadoras eficientes, como as canas, “Arundo Donax”, a ornamental e competitiva “Hydrangea Macrophylla”, mais conhecida decerto por hortênsia ou novelão, e as atraentes conteiras (em algumas ilhas, roca-da-velha ou cana-roca), “Hedychium Gardneranum”, que lá por serem bonitas não deixam de ser também uma boa peste de erva, e a pior das ameaças para a pobre e açoriana laurissilva.

Fui buscar boa parte destes nomes, científicos e sonoros, já se vê, a um pequeno e muito útil livrinho, pois a única coisa aqui que é da minha especialidade é a verificação diária da (quase) geral indiferença pública e privada pelo desaparecimento das “azoricas”, quer sejam vegetais quer não. Entretanto, dois aspectos me chamaram a atenção logo à partida no dito livro. Em primeiro lugar, o facto do seu autor ser um estrangeiro - o sueco Eric Sjogren; e em segundo, uma das frases com que inicia o seu precioso trabalho: este livro foi "elaborado para turistas" que se encontrem no arquipélago dos Açores ou planeiem visitá-lo… as aspas são minhas.

Para turistas. E ainda há quem negue que quem está de fora vê melhor, e rapidamente se apercebe daquilo que a casa gasta. Depressa terá constatado Eric Sjogren de que os açorianos não se ralam excessivamente com as azoricas.

(*) nas Flores, junto das casas, praticamente ao nível do mar. Há mesmo, nessa ilha, quem tenha o seu zimbreiro no pátio… estas linhas foram escritas na ilha de S. Miguel, onde infelizmente os restos da laurissilva só se conseguem encontrar em altitudes elevadas.

 

 (Do blog Janela de Guilhotina http://janeladeguilhotina.blogspot e publicado no Correio do Norte)

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EPITÁFIO AO MEDO

Sexta-feira, 13.04.18

quando o medo
procurar refúgio

na noite escura

 

haverá (mesmo que apagada),

uma única luz
no meio do silêncio.

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ANTÓNIO CORDEIRO

Quinta-feira, 12.04.18

O Padre António Cordeiro nasceu em Angra do Heroísmo no ano de 1640 e faleceu em Lisboa, a 22 de Fevereiro de 1722. Para além de teólogo e filósofo foi um notável historiador. O sexto e último filho de Manuel Cordeiro Moutoso e Maria de Espinosa, por linha materna aparentado com a fidalguia castelhana, fez os primeiros estudos no Colégio da Companhia de Jesus, na cidade natal, aí adquirindo notável cultura clássica. Em 1656, com destino a Coimbra, embarcou na armada castelhana que regressava da América, comandada pelo seu parente Álvaro de Bustamante. Uma peripécia de guerra naval entre a armada e os ingleses, já perto de Cádis, de que escapou apenas o navio em que viajava, saldou-se no infeliz episódio da sua prisão em Cádis. Acusado de ter sabido da presença dos ingleses e nada ter dito, foi condenado à morte. Após o insucesso de fuga, que lhe agravou mais a situação, revogaram-lhe a pena e libertaram-no, graças à acção de Bustamante. Numa travessia memorável, sempre a pé, dirigiu-se ao Algarve, por Ayamonte, seguindo por Tavira, Faro e Lagos, onde ainda grassava a peste; alcançou Setúbal e aí, de novo preso por vir dos lugares da peste, esteve por quarenta dias num areal solitário. Levantada a interdição, continuou, por Lisboa, até Coimbra, onde, finalmente, se matriculou na Universidade em Cânones e Filosofia. A 12.6.1657 entrou para a Companhia de Jesus. Fez votos em 1659. Mestre em Artes, regressou aos Açores como professor de Humanidades Clássicas no Colégio de S. Miguel. Anos mais tarde regressou a Coimbra, a fim de estudar de Teologia, tendo-se ordenado prebítero, provavelmente, em 1671. No tempo em que decorreu o terceiro ano do seu noviciado em Lisboa, pregou uma missão em Peniche e foi chamado para nova missão na comarca de Chaves, onde uma tentativa de assassinato por envenenamento o levou às portas da morte. Levado para Braga, ali se restabeleceu, regressando posteriormente a Lisboa como substituto do Páteo do Colégio de Santo Antão, onde permaneceu por três anos, ensinando Humanidades e Retórica. Entre 1676 e 1680, ocupou a cátedra de filosofia no Colégio das Artes de Coimbra, seguindo-se a de Teologia, cuja docência se estendeu até 1696, ano em que foi privado da cátedra e afastado de Coimbra por serem o seu ensino e método pouco ortodoxos. Nos anos seguintes, até 1712, exerceu actividade docente em Braga, Porto e Lisboa. Por volta de 1713, nesta última cidade, a ordem do Superior Geral foi obrigado ao isolamento na Casa do Paraíso, para que ali se dedicasse à reunião das suas lições, o que fez, tendo preparado seis tomos de vulto. Concluído o trabalho em 1716, assumiu, no ano seguinte, as funções de Padre Espiritual e Examinador Sinodal no Colégio de Santo Antão de Lisboa, aí permanecendo até à hora da morte. A sua obra divide-se em três áreas: Filosofia e Teologia – Cursus Philosophicus Conimbricensis  e Theologia Scholastica, Direito – Resoluções Teojurísticas, onde se dedica a matérias do foro jurídico: testamentos, dotes, morgados ou capelas vinculares, etc.; e História: História Insulana, que traça a história das ilhas açorianas, também Cabo Verde e Madeira, cuja principal fonte foi a obra manuscrita Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, que este legara, em 1591, ao Colégio da Companhia de Jesus de Ponta Delgada, e Loreto Lusitano, obra dedicada à história do Santuário de N.ª S.ª da Lapa, na diocese de Lamego.

Obras: Cursus Philosophicus Conimbricensis. Ulyssipone, Ex Officina Regia Deslandesiana, Historia Insulana das Ilhas a Portugal Sugeytas no Oceano Occidental,  In praecipua partium Divi Thomae Theologia Scholastica. Ulyssipone, Resoluçoens Theojuristicas, Loreto Lusitano,  Residencia milagrosa do Real Collegio de Coimbra da Companhia de Jesus. Lisboa..

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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A HORTA DO SENHOR COSTA

Quarta-feira, 11.04.18

O Senhor Costa tinha uma horta. Tinha uma horta o Senhor Costa. Horta pequena, simples, modesta, singela mas muito fértil e produtiva, porque muito bem trabalhada, extremamente cuidada e ainda melhor zelada pelo Senhor Costa.

Na horta do Senhor Costa havia tudo, mas apenas tudo o que normalmente há em qualquer horta. No entanto, o que mais produzia a horta do Senhor Costa eram frutos. Frutos de várias qualidades, de tamanhos diversos, de formas e feitios diferentes e de sabores diversificados. Frutos coloridos, maduros, apetitosos com os quais o Senhor Costa se regozijava e que faziam crescer água na boca a quantos passavam, caminhavam, rodopiavam e cirandavam junto à horta do Senhor Costa, sem poder lá entrar ou sequer colher um único fruto que fosse. É que o Senhor Costa, para a proteger dos assaltantes, construíra um alto e robusto muro ao redor da sua horta.

O Senhor Costa vivia feliz, com a sua horta. Passava lá os seus dias, não apenas a cavar, a sachar, a arrancar ervas e a juntar pedregulhos mas sobretudo a cuidar das árvores de fruto, a podá-las, a adubá-las, a chegar-lhes terra e estrume e, sobretudo a defendê-la de vendavais e intempéries. Depois, nos dias de bonança, o Senhor Costa sentava-se à sombra das árvores da sua horta, a saborear a frescura reconfortante das suas folhas, a deliciar-se com o perfume adocicado das suas flores, a deleitar-se com o colorido aveludado dos seus frutos ou simplesmente a ouvir o sibilar melódico do vento nos seus ramos.

A horta do Senhor Costa era uma verdadeira maravilha! Um éden, um paraíso!

Mas um dia, o dia mais triste da sua vida, o Senhor Costa, como tantos senhores Costas e muitos senhores com outros nomes, impelido pela necessidade de dar uma vida melhor aos seus filhos, foi obrigado a partir, para longe, isto é, a emigrar para a América. E a horta deixou de pertencer ao Senhor Costa. Vieram senhores Pereiras, senhores Silvas e senhores Machados e vieram senhores com outros nomes, mas nenhum deles cuidou da horta como cuidava o Senhor Costa. E com o passar do tempo e dos anos, na horta dos senhores que não eram Costa, as árvores foram murchando, as folhas amarelecendo, as flores definhando e os frutos apodrecendo. Finalmente veio um Senhor que também se chamava Costa, mas que não era nem parente nem amigo daquele Senhor Costa que no início desta história era o dono da horta, e tão mal cuidou e tanto se desinteressou e tão pouco protegeu a horta que outrora fora do outro Senhor Costa, que ela embraveceu, encheu-se de ervas daninhas, de mondas, de silvados, de cana roca, de faias e de incensos e desfigurou-se de tal maneira que, passados muitos anos, quando o Senhor Costa regressou da sua prolongada estadia na América, podre de rico, já nem sequer reconheceu o local onde outrora se situava a sua horta, a tal horta que tinha sido sua, que cuidara com desvelo e dedicação, que estava sempre a abarrotar de árvores carregadinhas de frutos coloridos, maduros, apetitosos com os quais se regozijava, naqueles tempos e a fazerem crescer água na boca de quantos passavam.

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LEALDADE

Terça-feira, 10.04.18

 

"Estamos todos num mesmo barco, em mar tempestuoso, e devemos uns aos outros uma terrível lealdade. "

(G.K.Chesterton)

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